O Globo
Kassio Nunes Marques se declarou impedido no
caso Master, mas será o árbitro da eleição
A semana começou com dois ministros do
Supremo sob suspeita de receber agrados de Daniel Vorcaro. Terminou com cinco,
incluindo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Kassio Nunes Marques foi o destaque da
rodada. Seu nome apareceu em mensagens pouco edificantes no celular do dono do
Master. Os diálogos tratam de valores, viagens e mulheres. Não necessariamente
nessa ordem.
Numa conversa, o banqueiro orienta um auxiliar a alugar a “melhor casa do Rio” para o “ministro KN”, que se hospedaria com o desembargador Newton Ramos e outros convidados.
A boca-livre coincidiu com o carnaval de
2025. Segundo o diálogo, custou a bagatela de R$ 1,45 milhão. O pacote contou
com chef de cozinha, garçons, motoristas, passeio de helicóptero e camarote na
Sapucaí.
Em outro lote de mensagens, a estrela é Kevin
Marques, filho do ministro. O então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó,
enviou o contato do rapaz a Vorcaro com uma pergunta: “Esse aqui – 500 mil mês
– mantém?”.
Batizado com a mesma inicial do pai, Kevin é
um garoto prodígio da advocacia. Com apenas 26 anos, já ostenta clientes
envolvidos em rolos bilionários na Justiça Federal, como Grupo Petrópolis e
Refit.
A investigação sugere que o Master recorreu a
uma consultoria registrada no Piauí, terra natal de Kassio, para remunerar o
jovem jurisconsulto. De acordo com relatório do Coaf, a empresa recebeu R$ 6,6
milhões do banco entre 2024 e 2025.
A JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista,
despejou outros R$ 11,3 milhões. A maior produtora de proteína animal do mundo
diz ter pago a firma piauiense por “serviços de consultoria e auditoria
fiscal”. Quem haveria de duvidar?
Num terceiro diálogo, uma senhora
identificada como Rayanna diz que sua amiga “ficou com o Kassio” e aguarda
pagamento de R$ 10 mil. Sempre solícito, Vorcaro pede os dados da moça para providenciar
o Pix.
Ao escolher o pai de Kevin para uma vaga no
Supremo, o então presidente Jair Bolsonaro deixou claro que não se guiou pelos
critérios de reputação ilibada e notável saber jurídico. “Ele já tomou muita
tubaína comigo, tá certo?”, justificou.
As mensagens de Vorcaro sugerem que o
ministro passou a apreciar bebidas mais sofisticadas. O open bar carnavalesco
oferecia uísque Macallan e champanhe Dom Pérignon.
Antes da sessão que definiria o futuro de
Alexandre de Moraes, o ministro Gilmar Mendes pressionou Kassio. Disse que ele
estava “ferrado” e deveria “sair do processo”. “Eu entendo de malandro”,
avisou.
O pai de Kevin negou irregularidades, mas se
declarou impedido e pediu para sair do julgamento. Não abriu mão da presidência
do TSE, que lhe confere poderes de árbitro da eleição.
As informações sobre o ministro ficaram em
sigilo enquanto o celular de Vorcaro permaneceu sob a guarda de André Mendonça,
seu aliado no Supremo.
Na sexta, com os diálogos na boca do povo, o
presidente Lula arriscou uma piada sobre o assunto. Mencionou “um cidadão que
esteve com uma mulher que custou R$ 10 mil reais e mandou o banco pagar”. “Só
faltou tentar entrar no Desenrola”, ironizou.

Um comentário:
Mulher cara,a ''gente'' tem de pagar,só sente dor e ainda apanha no final - Eu vivo recluso,claro.
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