sábado, 26 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro dá dinheiro aos 'peixes' da milícia, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Espanta a naturalidade com que o miliciano se refere ao filho 01: nosso senador

Casos de desvio de emendas estão ligados à infiltração de bandidos na política

Ao lançar a campanha da reeleição, em agosto, Lula bateu duro no atual sistema de emendas parlamentares. O plano apresentado defende o estabelecimento de limites e controles e classifica as emendas impositivas como "grave distorção" que sequestra recursos do Executivo.

O tema, contudo, está submerso, intocável. A dinâmica da disputa contra o bolsonarismo impôs à campanha outros rumos de discussão —crise do STF, Lulinha, vazamentos do Master, interferência dos Estados Unidos, endividamento das famílias, escala 6x1, guerra contra a jogatina eletrônica.

O Congresso, que deverá ter baixa renovação, agradece o refresco. Prepara a proposta orçamentária de 2027 prevendo que, até 2030, o espaço disponível para emendas parlamentares crescerá em ritmo três vezes maior que as despesas escolhidas pelo Executivo. Não é mais uma farra, uma baderna institucional.

É preciso arranjar outra palavra para descrever a voracidade de deputados e senadores, os donos do país.
Apesar das denúncias na imprensa e de mais de cem inquéritos no STF, os casos de desvio de finalidade e corrupção se multiplicam. O mais recente aponta o senador Flávio Bolsonaro, um candidato a presidente da República campeão de escândalos.

O filho 01 mandou uma emenda de quase R$ 200 mil para Robson Calixto, o Peixe, miliciano condenado por envolvimento na morte de Marielle Franco. O dinheiro foi destinado a um projeto de escolinha de futebol no bairro da Taquara, área de influência do ex-deputado Chiquinho Brazão e do conselheiro do TCE Domingos Brazão —condenados pela morte da vereadora.

A convivência da família Bolsonaro com milícias não é novidade. Pelos diálogos coletados pela PF no celular do Peixe (gíria carioca usada para se referir a alguém de confiança), nota-se a naturalidade com que a transação é realizada: "Amiga, vê com o nosso senador se consegue nos ajudar".

Flávio Bolsonaro desenhou o mapa da mina: desvio de emendas e infiltração do crime organizado na política convergem para o mesmo ponto.

 

Um comentário:

Anônimo disse...

A família Bolsonaro não é só família, é FAMILÍCIA!!