quarta-feira, 23 de setembro de 2026

No fantasioso discurso de Trump na ONU, EUA vivem era de ouro, país derrotou Teerã e há paz de fato em Gaza, por Eduardo Graça

O Globo

Série de mentiras elencadas por presidente, que amarga recorde de insatisfação nas pesquisas, não moverá votos a 42 dias das eleições de meio de mandato

No mundo fantasioso de Donald Trump, os Estados Unidos vivem de fato a era de ouro que ele prometeu em sua posse, em janeiro de 2025. O país não entrou, por decisão própria, no atoleiro da guerra ao Irã. E há paz em Gaza, não um frágil cessar-fogo com ações militares rotineiras de Israel no enclave e a persistência do horror humanitário na ocupação.

Exatamente como fez na Convenção de Meio de Mandato do Partido Republicano, no início do mês, o presidente americano elencou em seu discurso na ONU uma série de inverdades e exageros autocongratulatórios. A gravidade, no entanto, é muito maior por ter sido feita no palco mais nobre do multilateralismo global. De suas muitas declarações infelizes, assombrou mais com a ameaça reiterada, feita do púlpito, de "aniquilar" um país-membro das Nações Unidas, se Teerã não aceitar um acordo com Washington. A tentativa de demonstração de força incluiu ainda o aviso de que novas ações militares podem ocorrer se adversários peitarem os EUA nas Américas, em um recado direto para Cuba.

Crítica à interferência externa em eleições, combate ao crime organizado e comparação com governo Bolsonaro: os recados de Lula na ONU, Por Sérgio Roxo, Jeniffer Gularte e Bruna Lessa

O Globo

Presidente brasileiro abriu Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York

Em discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York, nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma série de recados sobre temas relacionados à relação do Brasil com os Estados Unidos e de questões internas. Sem citar o líder americano Donald Trump diretamente, Lula criticou a interferência externa em eleições de outros países.

A 12 dias da eleição, Lula também defendeu medidas do seu governo, como a aprovação da Lei Antifacção.

Conselho de Segurança da ONU

O presidente Lula iniciou seu discurso com críticas ao Conselho de Segurança da ONU e à organização. O brasileiro adotou um tom ainda mais duro do que o de costuma ao tratar do tema.

— Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez. A esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.

Na ONU, Lula protesta contra projeção de poder de Trump na América Latina, por Lourival Sant'Anna

O Estado de S. Paulo

Em discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, Lula disse que ‘o Brasil não cabe no quintal de ninguém’

O presidente Lula aproveitou seu discurso de abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para protestar contra a projeção de poder dos Estados Unidos de Donald Trump na América Latina.

Lula denunciou “tentações hegemônicas”, afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e garantiu estar comprometido com o combate ao crime organizado, mas sem aceitar ingerências externas.

O presidente disse que os venezuelanos devem decidir seu próprio destino, formulação que pode ser lida tanto contra o autoritarismo chavista quanto contra a intervenção americana.

Lula pôs em xeque na ONU sua insurgência triunfante sobre a extrema-direita, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Presidente que subiu à tribuna das Nações Unidas nesta terça-feira parecia menos candidato do que o de 2025

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas vai gerar uma infinidade de cortes para as redes sociais e programas eleitorais de sua campanha à reeleição. Foi carimbado pelos temas de sua campanha como a defesa da soberania, da jornada 6x1, do combate à lavagem de dinheiro do crime organizado. Era o esperado para um discurso a 11 dias do primeiro turno.

A despeito disso, o Lula que subiu à tribuna da ONU nesta terça-feira (22) parecia menos candidato do que o de 2025. A indignação deste ano estava mais no discurso do que na motivação. No ano passado, o Brasil tinha acabado de emergir do julgamento da tentativa de golpe, inspirada pelo trumpismo que acabara de ser empossado nos EUA, com tarifaço no mundo inteiro e bombardeio sobre o Irã.

Trump faz discurso de chefe do mundo no plenário símbolo do multilateralismo, por Fernanda Godoy

Valor Econômico

Discurso no plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas foi uma afirmação cabal de sua visão como líder, ou melhor, chefe global, em detrimento do sistema multilateral

O discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas foi uma afirmação cabal de sua visão como líder, ou melhor, chefe global, em detrimento do sistema multilateral erguido com esforço diplomático do mundo inteiro após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Trump ameaçou os iranianos com aniquilação e inferno. Também se autocongratulou pelo sucesso da operação das tropas de elite das Forças Armadas dos EUA que resultou na deposição do “ditador fora da lei e criminoso”, o então presidente (e ditador) Nicolás Maduro. Resta uma dúvida: existe ditador que não seja ou esteja fora da lei, que não possa ser considerado autoritário, ilegítimo, que não desrespeite as leis de seu país e as regras internacionais e a Carta das Nações Unidas?

Na ONU, Lula apresenta eleição como embate entre democracia e autoritarismo e faz vacina contra Trump, por Patrícia Campos Mello

Folha de S. Paulo

Mandatário gabaritou lista de críticas a americano, mencionando desde Irã e Israel até América Latina e IA

Presidente brasileiro usa pronunciamento para reforçar discurso de soberania e enfatizar plataforma de campanha

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura da Assembleia Geral da ONU combinou vacinas contra interferências americanas na eleição brasileira com uma apresentação do pleito ao mundo como embate entre autoritarismo e democracia.

Na fala de quase 22 minutos, diante dos 18 minutos do ano passado, Lula caracterizou a eleição brasileira como uma luta entre o retrocesso autoritário simbolizado pela volta da família Bolsonaro ao poder e o aprofundamento de um projeto progressista que ainda não entregou resultados suficientes para parte da população. E, como esperado, o tema da soberania permeou o pronunciamento.

"No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo."

O discurso foi recheado de recados eleitorais e alfinetadas em Donald Trump.

"A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", disse Lula. "Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano."

Um spoiler do Lula 4 na pauta do segundo turno, por Paulo Fábio Dantas Neto*

Está sendo e será penosa - para candidatos, partidos políticos, sociedade organizada, formadores de opinião e eleitores comuns - a travessia até o segundo turno das eleições deste outubro de 2026. São quase desprezíveis as chances da fortuna nos aliviar, abreviando o processo e consumando-o no dia 4. Os desejos compreensivelmente ansiosos de ver essa batalha concluída em duas semanas, praticamente jazem na ordem do impossível. Serão mais cinco e não duas. Essa constatação básica requer dose adicional de paciência e razoável teimosia para ainda esperar que as três semanas de interregno entre os dois turnos possam dar vida a um processo distinto deste que tanto tem nos custado suportar.

As eleições à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas serão decididas no dia 4. As predições de especialistas convergem em apontar ampla vitória do campo conservador, em seus diversos matizes. Essa é tendência manifestada fortemente no varejo do eleitorado brasileiro há uma década, tanto em eleições legislativas municipais, como estaduais e nacionais. O efeito dessa microfísica de preferências sobre o perfil ideológico da representação política nessas casas legislativas é compreensível e não deve causar estranhamento ou censura. Um fator democrático, que é acompanhado, contudo, de recente aumento artificial de recursos de poder e de campanha disponíveis à atual elite legislativa para a sua reprodução. Aí se pode notar, no perfil da representação, distorções que, interagindo com preferências do eleitor, moldam um conservadorismo legislativo de duas faces, uma ideológica, outra patrimonialista.

Presidente Lula discursa na 81º Assembleia Geral da ONU

 

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula manteve postura sóbria nas Nações Unidas

Por O Globo

Havia temor de que transformasse ONU em palanque. Mas, apesar das derrapadas, não foi o que aconteceu

A 12 dias da eleição, havia um temor fundamentado de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformasse o púlpito das Nações Unidas em palanque. Mas, apesar das previsíveis derrapadas, não foi o que aconteceu. Lula manteve postura sóbria e soube usar o discurso de abertura da Assembleia Geral — o décimo em sua carreira — para cumprir seu papel de chefe de Estado e transmitir aos líderes globais um recado em favor de causas associadas ao Brasil, como multilateralismo, defesa da democracia, do meio ambiente, da regulação digital e da paz mundial.

Poesia | minha terra, de Ascenso Ferreira por Chico Anysio

 

Poesia | Chico Buarque - Minha Embaixada Chegou & Mambembe