terça-feira, 22 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Crise fiscal é causa do esvaziamento da Bolsa de Valores

Por O Globo

Com juros nas alturas, os papéis de renda fixa se tornam, aos olhos do investidor, mais atraentes que as ações

Persiste o esvaziamento da Bolsa de Valores brasileira, a B3. Entre o início de 2022 e novembro do ano passado, 36 empresas saíram dela. No momento, estão previstas seis novas ofertas públicas para compra das próprias ações por companhias abertas que desejam fechar seu capital. Não há muito mistério sobre a principal causa desse esvaziamento. A taxa de juros elevadíssima, necessária para o Estado brasileiro tomar dinheiro emprestado no mercado de modo a financiar o desequilíbrio nas contas públicas, torna os papéis de renda fixa um investimento muito mais atraente que as ações.

Juros altos são letais para mercados acionários. A capitalização por meio do lançamento de ações costuma ter custo mais baixo que empréstimos bancários, ainda mais num país em que o juro básico, mesmo tendo sido cortado pelo Banco Central para 13,75% ao ano, pode significar um rendimento real de quase 10% ante uma inflação na faixa de 4,2%. Mas ela se torna inviável se não houver investidores interessados.

Os moderados decidirão as eleições no segundo turno entre Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

E quem são os que decidirão as eleições? O eleitor urbano do Sudeste e Norte/Centro-Oeste, de renda entre dois e cinco salários-mínimos e, predominantemente, com ensino médio

Há duas semanas, em Brasília, o movimento Direito Já organizou uma reunião em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estavam lá diferentes lideranças da sociedade civil, a esmagadora maioria já engajada na reeleição de lula, a começar pelo anfitrião, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai. Não houve nenhuma grande adesão no encontro, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães.

Alckmin foi absolutamente enfático na sua intervenção quanto à necessidade de disputar os votos do centro, melhor dizendo, dos eleitores que ainda não estão engajados no pleito e que se pautam pela moderação. Foi um discurso no qual fez comparações entre os governos Lula e Bolsonaro e reconheceu que não existe uma percepção de que a economia melhorou na atual administração, apesar de os indicadores dizerem o contrário. Mas foi enfático ao apontar a defesa do Estado Democrático de Direito como um grande divisor de águas para a conquista desses eleitores.

Lula reage, mas avaliação de governo ainda claudica, por César Felício

Valor Econômico

Crise do STF não afeta corrida eleitoral e votos de Cury migram para Flávio no Sudeste

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcançou 33% de intenção de voto no primeiro turno na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, o mesmo percentual que ele havia atingido na fase pré-“Dark Horse”. O impacto provocado pela divulgação do áudio em que o candidato bolsonarista pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, está encerrado, na ausência de fatos novos. Ele está agora a quatro pontos percentuais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, a menor diferença registrada pelo instituto. Tecnicamente empate no limite da margem de erro. Cresce, de modo contínuo, dois pontos percentuais por semana desde o início de setembro.

A principal novidade da pesquisa Quaest, encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, contudo, não é essa. O lulismo começou a reagir com o fim do inverno. Foi quebrada a sequência de queda na intenção de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na simulação de segundo turno. Ele subiu de 40% para 41% e agora está a um ponto percentual de Flávio, com 42%. No primeiro turno, Lula oscilou para cima, de 36% para 37%, o que não acontecia desde julho.

Se os debates eleitorais fossem sérios..., por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Alckmin recolocou a política industrial na agenda econômica e lançou um programa com foco em inovação, produtividade, descarbonização e agregação de valor, mas terá prosseguimento?

Na coluna de 15 dias atrás, comentamos aqui a questão da industrialização. Há um debate acadêmico sobre melhor maneira de alcançar o desenvolvimento econômico nos países de renda média, como o Brasil. Alguns economistas estão de olho no setor de serviços, que é responsável pelo acelerado crescimento da economia da Índia, por exemplo. E há outros que ainda consideram a indústria de manufaturados como essencial para criar empregos e desenvolver as nações.

Se os debates da campanha eleitoral fossem sérios, candidatos deveriam se manifestar sobre temas como esse e seus desdobramentos em programas de governo. Mas esses assuntos passam longe das campanhas ou são citados genericamente, como é o caso das terras raras - por incrível que pareça, alguns tentam desenterrar enferrujadas propostas de privatização.

Lenta e ampla degradação institucional, por Christopher Garman

Valor Econômico

Apesar de tudo, as instituições brasileiras são robustas em comparação com os padrões globais

O Supremo Tribunal Federal está mergulhado em uma crise institucional sem precedentes. Por trabalhar em uma empresa de risco global, frequentemente recebo perguntas sobre os efeitos desse escândalo na confiança dos investidores internacionais. A resposta não é fácil. No curto prazo, a principal questão é como essa crise pode afetar o resultado da eleição presidencial e, consequentemente, as perspectivas para uma reforma fiscal em 2027 que crie condições para a queda das taxas de juros, que vêm estrangulando as empresas e as famílias.

Chama o VAR, por Merval Pereira

O Globo

O aumento do Bolsa Família, anunciado antes da coleta dos dados pela Quaest, ainda não apresenta resultados

A eleição brasileira parece que será decidida pelo VAR, ou no fotochart, como se dizia antigamente. Empate técnico no primeiro turno com a menor distância, pela primeira vez na série, e vitória numérica de Flávio Bolsonaro no segundo mostram a tendência a favor do bolsonarista na pesquisa Quaest divulgada ontem, mas sem a confirmação, cultivada na campanha da oposição, de que ficasse clara sua supremacia na disputa presidencial. A eleição continua acirrada. O aumento do Bolsa Família, que parecia uma tacada eleitoral decisiva para Lula, anunciado antes da coleta dos dados pela Quaest, ainda não apresenta resultados.

STF chega ao fim de um ciclo, por Fernando Gabeira

O Globo

Nosso sistema judiciário é uma construção humana. Isso significa que nós podemos mudá-lo

“Uma coisa é um país, outra um ajuntamento.” Os versos do poema “Que país é este?”, de Affonso Romano de Sant’Anna, ecoaram nas redes. Apesar da ressaca cívica, é bom constatar que o querido poeta sobrevive: Uma coisa é um país, outra um fingimento.

As ruas estavam tristes durante a semana. Muita gente reclamava e no final dizia:

— Desculpa o desabafo.

Não dá para queimar etapas. O momento é de raiva. Mas será preciso canalizá-la para alguma coisa. Se ficamos apenas com a raiva, ela pode nos envenenar. Nosso sistema judiciário é uma construção humana. Isso significa que podemos mudá-lo. Podemos considerar que o STF chegou ao fim da linha, encerrou um ciclo. O que fazer para iniciar outro?

A República de Vorcaro, por Míriam Leitão

O Globo

O Caso Master é uma bomba cujos fragmentos atingiram diversas instituições da República. O STF tem agora que investigar os próprios erros

A semana começou com notícias e imagens com potencial impacto nas campanhas. O vídeo de Alexandre de Moraes saindo do avião de Daniel Vorcaro, com sua mulher Viviane, é eloquente demais para ser ignorado pelo ministro. Ele se soma às 52 mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro e ao contrato entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes. Outros casos estão surgindo, como os que mostram o julgamento favorável às usinas de cana-de-açúcar na segunda turma em processo conduzido pelo ministro Kassio Nunes Marques. A União perdeu uma causa na qual tinha completa razão.

IA rebelada é uma ameaça, por Pedro Doria

O Globo

O tema mais importante do mundo segue sendo, três semanas depois da explosão de uma crise, o avanço ou não da inteligência artificial

O tema mais importante do mundo segue sendo, três semanas depois da explosão de uma crise, o avanço ou não da inteligência artificial (IA). Os homens que criam a tecnologia continuam afirmando estar num caminho muito perigoso, que pode levar à extinção da humanidade. Segue sendo, igualmente, um assunto ausente no debate público brasileiro. O país se dividiu entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro e, empacado na indecisão, tornou-se incapaz de dar atenção a qualquer outra coisa. Mas há novidades, e importantes.

Um Congresso responsável, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

É extensa a lista de candidatos ao Senado por São Paulo. Ao eleitor cabe avaliar e escolher aqueles que possam representar com dignidade o Estado e a sociedade brasileira

O apoio explícito de certos candidatos (ou de certo candidato) sem compromisso com as liberdades democráticas às ameaças externas à normalidade do processo eleitoral brasileiro é preocupante. A internacionalização das operações destinadas a impor governos de aparência democrática, mas de natureza autocrática, tem alcançado resultados em alguns países. Publicada há pouco pelo Center for Global Democracy da Universidade de Vanderbilt, em parceria com o Kellogg Institute da Universidade de Notre Dame, a pesquisa 2026 Pulse of Democracy apresenta um quadro aparentemente contraditório, em que o apoio formal à democracia como a melhor forma de governo é ensombrecido pela tolerância ao enfraquecimento dos Poderes Judiciário e Legislativo. A pesquisa abrange os países americanos.

A importância da política externa na eleição, por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

O próximo governo terá de enfrentar de imediato após as eleições temas sensíveis de política externa

Política externa nunca foi tema relevante nas campanhas para eleições presidenciais. Os temas sociais e econômicos, a violência e a corrupção sempre estiveram em primeiro plano nos programas de governo, na publicidade midiática e nos debates públicos. Agora, pela primeira vez, os temas externos, relacionados a questões internas, fazem parte das preocupações dos candidatos e dos eleitores.

A diplomacia no século 21, a partir de um mundo em grande transformação, deixou de ter uma função de superação de dificuldades e de conflitos. Os princípios e valores que informaram as preocupações diplomáticas nas últimas décadas foram substituídos, na principal potência global, por seus interesses econômicos e políticos e são representados por pessoas que não fazem parte do governo e algumas que nem são funcionárias de Estado. Poder por meio da força é a palavra de ordem.

Na República das mentiras, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Nessa novíssima República, em que todos chamam Vorcaro de ‘irmão’, tudo virou espetáculo

Fernando Collor caiu sob pretexto de um Fiat Elba, Sergio Cabral foi desmoralizado pela imagem de uma festança de amigos na Europa com guardanapos na cabeça, Aécio Neves afundou, levando junto o PSDB e o centro democrático, por um pedido de empréstimo aos donos da JBS, na época, de R$ 2 milhões.

Nenhum deles é santo, mas o fato é que as coisas mudaram e continuam mudando, principalmente em valores, presentes e generosidade de “amigos” complicados, mas também na cara de pau. Na República da mentira e dos “irmãos”, tudo ficou mais fantástico, espetacular.

Sem a mudança de condutas, reformas no STF serão inúteis, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Novas regras não terão efeito enquanto não houver disposição de obediência ao que dizem as normas em vigor

No momento, a pregação por mudanças é puro exercício de retórica populista para surfar na onda da ocasião

A defesa de reformas faz parte do roteiro habitual em momentos de conturbação como o atual.

Dessa costumeira toada discursiva dão notícias as propostas de mudanças no Judiciário, nas regras de indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e até no rito de processo de impeachment de magistrados da corte.

Quando as pessoas não sabem direito o que fazer nem o que dizer, mas precisam se posicionar de alguma forma, costumam sugerir pactos e reformas.

Candidato bolsonarista finge que Cláudio Castro não existe, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Campanha de Douglas Ruas aposta na omissão do passado e na memória curta do eleitor

Infiltração do crime organizado nas estruturas de poder é resistente no Rio de Janeiro

Desvincular-se ou esconder antigos aliados e chefes políticos é um truque das campanhas eleitorais que apostam na omissão do passado. No Rio de Janeiro, a amnésia é geral.

Candidato bolsonarista ao Palácio Guanabara, Douglas Ruas praticamente apagou do currículo os dois anos à frente da Secretaria de Cidades, investigada pelo aumento de R$ 45 milhões no valor de um contrato, o dobro do limite legal. Ruas dá a impressão de sequer ter conhecido Cláudio Castro, que renunciou para não ser cassado e enfrenta acusações de corrupção e desvio de dinheiro, com a Polícia Federal batendo à sua porta quase toda semana.

Mark Carney, San Tiago Dantas e o mote do “outro Ocidente”, por Paulo Fábio Dantas Neto*

Demorou um pouco até que uma voz mais firme e positiva surgisse de um país ocidental, reconhecendo com realismo a extensão e profundidade radicais da ofensiva de Donald Trump para decretar, nas relações internacionais, o retorno do império da competição sem regras entre grandes potências. O primeiro ministro Mark Carney, do Canadá, em pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos, além de fazer isso, lançou um facho de luz num mundo que, diante da fera, tem oscilado entre a perplexidade, o medo, a retórica oca e a indignação impotente. Ao reconhecer a falência da ordem mundial do pós-guerra e a impossibilidade de sua refundação, exortou o que chama de potências médias (dentre as quais vê o seu país incluído) a agirem em bloco, política, comercial e diplomaticamente para resistirem à ação das potências hegemonistas e contraporem, ao mundo sem regras que elas estão consagrando na esteira da blitz trumpista, um processo de construção de uma nova ordem, na qual possam ser preservados tanto os interesses soberanos dos países, como valores civilizatórios supranacionais, com destaque aos direitos humanos, à democracia e o pluralismo político.

Poesia | Te Amo, de Pablo Neruda

 

Música | Joyce Moreno e MPB4 - Falando de Amor (Tom Jobim)