- Valor Econômico
Informalidade atinge 50% da PEA da América Latina
Leilane é babá, com carteira assinada. Já teve que faltar várias vezes ao trabalho porque não tinha onde deixar o filho Pedro, de quatro anos. Moisés trabalha em uma distribuidora de frutas e legumes na Ceagesp, em São Paulo. Volta e meia tem dificuldade para chegar ao trabalho, seja por causa de um temporal que alaga as marginais, importantes vias rodoviárias de São Paulo, seja por causa de um viaduto que cede quase 1,6 m sem que ninguém saiba o porquê.
O que liga as histórias de Leilane e Moisés é o efeito que suas ausências ou atrasos no trabalho têm na produtividade. O jornalista Michael Reid, da revista "The Economist", classificou essas dificuldades de "entorno do trabalho" - uma das oito grandes questões que, segundo ele, têm contribuído para que a produtividade na América Latina patine nas últimas décadas (ver quadro).
Apesar de diferentes governos e economias diversas, a América Latina carrega o traço comum da baixa produtividade, mesmo quando os números da região são comparados aos de outros países emergentes ou a setores em que o bloco tem vantagens competitivas, como mineração. "A média do produto por trabalhador na região está abaixo de 50% em relação à média dos Estados Unidos em nove de dez setores estudados", diz Pablo Sanguinetti, vice-presidente de Conhecimento do CAF, Banco de Desenvolvimento da América Latina.
O CAF lançou há menos de um mês um dos mais amplos estudos sobre a região, "Instituciones para la productividad", disponível (em espanhol) em bit.ly/2zFrzao. Para o banco, o tema é chave para o crescimento econômico e social da América Latina nos próximos anos, já que a região enfrenta o fim do "boom" das matérias-primas - que teve participação importante nos 4,1% de crescimento da região entre 2003 e 2012 (0,9% entre 2013 e 2017) - e uma mudança demográfica relevante, com redução da força de trabalho até 2040.






















