Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
quinta-feira, 2 de abril de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Alcolumbre tem de ser ágil ao marcar sabatina de Messias
Por O Globo
Lula enviou enfim ao Senado mensagem
indicando chefe da AGU a vaga no Supremo
Depois de mais de quatro meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou enfim ao Senado a mensagem oficializando a escolha do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso. A escolha de Messias foi publicada em novembro no Diário Oficial. Nunca o chefe do Executivo protelou tanto o envio da mensagem, mera formalidade.
As ideias do novo ministro da Fazenda, por Míriam Leitão
O Globo
À frente da Fazenda, Durigan afirma que
cumprirá as regras fiscais do país e que o Brasil dará exemplo de democracia na
eleição
das famílias incluirá desconto na dívida, garantia do governo e será mais simples do que foi o Desenrola. “Neste ciclo do governo do presidente Lula, mais de 15 milhões de pessoas foram bancarizadas”. É o que conta o ministro Dario Durigan em entrevista que me concedeu na GloboNews, na qual falou também de política. O novo titular da Fazenda se espanta ao ver lideranças jovens no país com “um discurso pouco republicano”. Ele se define como um técnico que tem respeito pela política. “Vamos cumprir as regras fiscais do país e vamos ter uma eleição sem negacionismo, uma eleição livre com reconhecimento do resultado. O ciclo democrático ocorrerá de maneira bonita”.
A República do autoengano, por Malu Gaspar
O Globo
Aquecendo os motores para a campanha pela reeleição, Lula fez uma reunião para se despedir dos ministros que disputarão algum mandato em outubro. Na fala transmitida pelo YouTube, o presidente convocou seu time para “ir pra cima” de Flávio Bolsonaro, mostrando que seu governo fez “infinitamente mais” que o anterior. Rui Costa, da Casa Civil, fez uma apresentação comparando Lula e Jair Bolsonaro, classificando o resultado de “mudança da água para o vinho”. E sugeriu que o colega da Comunicação, Sidônio Palmeira, não estava fazendo seu trabalho direito.
Política no STF, Por Merval Pereira
O Globo
A lealdade a quem indica é o principal fator
para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua
o sentido do ritual de aprovação.
Não é porque não tem “notório saber jurídico” que o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, não poderia ser indicado para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Esse requisito há muito não é levado em conta na escolha do candidato, e, na verdade, são poucos os que o têm. O problema é que, mais uma vez, o presidente Lula escolheu um ministro do Supremo por suas qualidades pessoais, não jurídicas. A lealdade a quem indica é o principal fator para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua o sentido do ritual de aprovação.
Visão do passado arrisca reeleição, por Julia Duailibi
O Globo
As pessoas conhecem os programas do governo e
os veem, hoje, não como favor, mas como obrigação
Diagnóstico errado; remédio também errado. Essa máxima serve para a política. O presidente Lula avalia que a baixa aprovação da sua gestão, na reta final do mandato, tem a ver com uma falha na comunicação sobre as entregas do governo. A falta de informação na praça seria a principal explicação para a desaprovação, que atinge mais da metade da população. Lula culpa não só a imprensa, reeditando a visão equivocada de que jornais e TVs deveriam funcionar como linhas auxiliares dos Diários Oficiais, mas também os canais formais da Presidência.
Os bônus e ônus para Lula da indicação de Messias ao STF, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O indicado carrega no passivo
de imagem o episódio de 2016, quando seu nome apareceu em interceptações
telefônicas no contexto da crise do impeachment de Dilma Rousseff
A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da campanha eleitoral, tem bônus e ônus. Ocorre num cenário político-institucional delicado, com a Corte muito desgastada por causa do envolvimento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o Banco Master, e dividida quanto à condução desse processo pelo novo relator do caso, ministro André Mendonça — sem falar no racha entre os ministros quanto à aprovação de um Código de Ética para a magistratura. A eventual aprovação do nome de Messias reforçará a associação da imagem da Corte à de Lula, que passaria a ter três ministros, com Cristiano Zanin e Flávio Dino, fortemente ligados ao seu governo. Isso produz efeitos ambíguos, com ganhos políticos na relação com os demais poderes, porém, sob desgastes eleitorais imprevisíveis.
Sem anistia, por Cida Barbosa
Correio Braziliense
Fingir que nada aconteceu, passar uma
borracha, "esquecer" — como querem pré-candidatos, no vale-tudo pela
Presidência — é permitir que ocorram novas ofensivas
É lastimável que pré-candidatos à Presidência
da República apresentem como cartão de visitas a promessa de anistia ampla,
geral e irrestrita a golpistas condenados. Postulantes ao comando do país não
têm pudor de enfatizar que o principal contemplado com o perdão será o chefe da
organização criminosa que atentou contra a democracia. Chefe este, diga-se, que
desfruta de prisão domiciliar humanitária — benefício possível apenas no Estado
de Direito que ele tentou derrubar.
O argumento acintoso desses pré-candidatos é que a pacificação do país passa pela anistia. Livrar da cadeia os que planejaram assassinato de autoridades? Os que depredaram os prédios dos Três Poderes? Os que bradaram por intervenção militar e queriam mergulhar o Brasil novamente num período de trevas?
Fraudes trabalhistas, extinção de direitos e o julgamento no STF, por Luiz Marinho*
Correio Braziliense
É possível validar a prática de transformar
artificialmente um empregado em uma pessoa jurídica mesmo estando presentes
todos os requisitos de um emprego? Questão será julgada pelo STF
Aproxima-se, no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento de uma questão essencial: é possível validar a prática de transformar artificialmente um empregado em uma pessoa jurídica mesmo estando presentes todos os requisitos de um emprego? Se não for possível, por se tratar de uma fraude, qual ramo do Judiciário deve ser indicado para impedi-la?
Governadores fogem da raia na eleição para o Senado, por César Felício
Valor Econômico
Apenas 8 dos eleitos em 2022 devem concorrer
às 54 cadeiras de senador em disputa
A lista de governadores candidatos a outros
cargos nesta eleição encolheu nos últimos dias. Até sábado, último dia da
desincompatibilização, dez governadores eleitos em 2022 deverão ter deixado o
cargo para buscar outros desafios.
Dez ou onze. O gaúcho Eduardo Leite (PSD) foi o último a engrossar a lista dos desistentes. No caso, o partido desistiu dele, ao preteri-lo para a presidência da República em favor do goiano Ronaldo Caiado. Leite contudo deu mostras de inconformismo e começaram a circular apelos de personalidades ligadas ao PSDB para que ele retorne ao ninho tucano e tente viabilizar a sua candidatura por lá. Pouquíssimo provável, já que a base de Leite na Assembleia Legislativa migrou para o PSD por orientação do governador, mas o governador gaúcho tem precedente de decisões surpreendentes.
Entrevista | Alckmin prevê ajuste fiscal em 2027 em caso de reeleição de Lula
Por Lu Aiko Otta, Giordanna Neves e Estevão Taiar / Valor Econômico
Vice vê melhora, mas defende avanços; tema será estudado pelo presidente
O atual governo melhorou a
situação das contas públicas, mas é preciso avançar mais, defendeu o
vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços,
Geraldo Alckmin em entrevista ao Valor. Segundo ele, se o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva for reeleito, será necessário fazer um ajuste fiscal já em 2027.
“Eu entendo que ajuste se faz no primeiro ano”, afirmou.
O tema será discutido na elaboração do programa de governo. A questão fiscal fará parte de “um conjunto” de propostas. “A questão mais premente é juros, a política monetária, que me parece totalmente descalibrada”, acrescentou.
Jogando com o extermínio, por Eugênio Bucci
O Estado de S. Paulo
A possibilidade de uma chuva de artefatos
mais destrutivos do que aqueles que a Casa Branca despejou em Hiroshima e
Nagasaki pode não ser grande, mas é real
Segundo uma crença liberal do século passado, as guerras arrefeceriam à medida que as sociedades de mercado prevalecessem e os regimes democráticos, minimamente estáveis, perdurassem. Pois bem, o que se deu foi o contrário, três vezes o contrário.
Primeiro revertério: os regimes democráticos começaram a periclitar e agora claudicam. O relatório anual do Instituto V-Dem, o principal ranking da democracia no mundo, rebaixou os Estados Unidos (até os Estados Unidos). De “democracia liberal”, o país caiu para “democracia eleitoral”. Na terra do tio Trump (o Tio Sam foi deportado), os indicadores de liberdade apodrecem como detritos burocráticos que o caminhão de lixo se esqueceu de recolher.
Vergonha, fake news e carta na manga, por Carolina Brígido
O Estado de S. Paulo
Uma das armas de Edson Fachin para tirar o Supremo da crise é o constrangimento
Edson Fachin aposta no constrangimento para
tirar o Supremo Tribunal Federal (STF) do atoleiro no qual está mergulhado. Ele
quer aprovar um código de ética para a Corte ainda neste ano. Os ministros
estão abertos à ideia – desde que não sejam punidos por eventual desvio de
conduta.
Para serem sancionados, os ministros precisariam criar uma comissão de ética nos moldes da que existe no Palácio do Planalto. No caso do STF, os ministros têm resistência a escolher integrantes para esse colegiado. Ou seja: nomear quem teria o direito de julgar o comportamento deles.
Custo eleitoral da guerra, por William Waack
O Estado de S. Paulo
Desgaste de imagem forçará o presidente Lula a mudar sua postura cautelosa por causa da eleição
A guerra no Oriente Médio virou um problemão eleitoral para Lula em duas dimensões: custos e endividamento. É possível tentar mitigar os efeitos de cada um desses fatores negativos. Mas não dá para controlá-los. A questão de custos é bastante óbvia, mas nem um pouco até onde vai o encarecimento de energia e fertilizantes. O custo imediato para evitar desabastecimento e picos de preços é estimado em R$ 20 bilhões – para um horizonte de ainda 4 meses de guerra.
Abastecendo no posto de combustível do crime organizado, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Operação Carbono Oculto mostrou que crime
organizado criou dinâmica de paraíso fiscal dentro do Estado brasileiro
As descobertas dos investigadores vão muito
além dos setores de combustíveis, padarias e fintechs que atuam no mercado
financeiro
O escândalo do Banco Master colocou
em segundo plano no noticiário os desdobramentos da megaoperação Carbono
Oculto, deflagrada em agosto do ano passado para desarticular a infiltração do
crime organizado em negócios regulares da economia formal no país.
A boa notícia é que as investigações estão avançando com a identificação de novos setores, que vivem de perto a penetração de organizações criminosas com esquemas cada vez mais sofisticados. A má notícia é que a polarização política em ano eleitoral pode atrapalhar.
Flávio Bolsonaro perdido no mundo, por Maria Hermínia Tavares
Folha de S. Paulo
Em Dallas, o herdeiro afirmou ser sua a
agenda internacional extremista
Desafio do país é lidar com transformações na hierarquia de poder e no sistema multilateral vigente desde o final da Segunda Guerra
Flávio, o primeiro filho de Jair Bolsonaro, acaba de fazer sua estreia internacional. O palco foi a reunião da Conservative Political Action Conference (CPAC), em Dallas, no Texas. Perante a fina flor do reacionarismo, disse coisas reveladoras, além de desfilar como herdeiro político do pai. Afirmou que sua agenda é dos que veem o mundo como campo de batalha entre conservadorismo e "globalismo", termo sob o qual a extrema-direita amontoa as "elites internacionalizadas", o "ambientalismo" e os "movimentos identitários", culpados pela dissolução da família e de seus valores tradicionais. Todas, ideias da turma extremista já trombeteadas em 2019 por Ernesto Araújo —o chanceler afamado por levar a política externa brasileira ao ridículo.
'Flávio' descobriu que 'Bolsonaro' é palavrão, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
Chamar um Bolsonaro pelo prenome é um
suspeito sinal de simpatia, quase amor
E tratá-los por 'Zero Um', 'Zero Dois' ou
'Zero Três' é uma ofensa ao número zero
Alexandra Moraes, nossa ombudsman, chamou a atenção (14/3) para a familiaridade com que, de repente, a imprensa passou a se referir a Flávio Bolsonaro. Assim que ungido presidenciável, o oleoso senador, portador de um sobrenome sinônimo de violência, insenbilidade e golpismo, tornou-se nas reportagens apenas "Flávio", algo assim como um afável vizinho de porta. Isso em veículos que, para manter a objetividade ou evitar repetições, costumam chamar, digamos, Camila Pitanga de "Pitanga" e Ratinho Junior de "Junior".
Um autodidata sem mistérios, por Ivan Alves Filho*
quarta-feira, 1 de abril de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
República do Supremo que pode tudo
Por Folha de S. Paulo
Regime em que ministros atingem qualquer tema
sem provocação nem distanciamento precisa de correção
Contrapeso do colegiado esbarrou no
corporativismo quando dois de seus membros passaram a ter condutas questionadas
no caso Master
Para um ministro do Supremo Tribunal Federal,
tudo. Para os demais cidadãos, a lei —tal como amplamente interpretada por um
ministro do Supremo. Cristaliza-se no Brasil um regime
anômalo de prevalência de dez indivíduos sobre o restante da sociedade.
Como se vê pelas decisões de Alexandre de Moraes, a latitude de um juiz da corte quando os seus próprios interesses estão em jogo é máxima. Fulmina-se a regra que exige do magistrado afastamento de casos em que ele conste como vítima potencial.
Lula tenta apagar fogo com caneca, por Vera Magalhães
O Globo
Tentar melhorar popularidade do presidente
com anúncios pontuais ignora o fato de que razões para rejeição ao petista são
mais cristalizadas
O balanço feito por Lula na reunião ministerial
“saideira” de boa parte do time titular dos ministérios evidenciou a
preocupação com o ponteiro da popularidade, que, depois de mais de um ano na
mudança na diretriz da comunicação do governo, voltou a indicar o tanque vazio.
Acontece que nem o problema de fundo do petista e de sua gestão reside na comunicação, nem as medidas pontuais anunciadas ou em gestação no Planalto parecem eficazes para mudar a pior notícia trazida pelas recentes pesquisas ao presidente: a maioria dos eleitores considera pior reelegê-lo do que trazer de volta ao comando do país alguém da família Bolsonaro. A determinação de Lula de passar a traçar comparações entre seu governo e o de Jair Bolsonaro visa a atacar justamente essa percepção, que, se persistir, põe em xeque a viabilidade de um quarto mandato.
O rei do gado, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Caiado promete indulto a Bolsonaro, mas quer
disputar rebanho que já tem dono
Gilberto Kassab apresentou seu novo candidato
ao Planalto. É Ronaldo Caiado, o patriarca da direita ruralista. O escolhido já
tem experiência em eleições presidenciais. Terminou a de 1989 em décimo lugar,
com 0,7% dos votos.
Ao se lançar na disputa, Caiado anunciou que
seu primeiro ato no poder seria um indulto a Jair Bolsonaro. No mesmo discurso,
prometeu “desativar a polarização”.
Difícil entender como uma coisa levaria à outra. A história mostra que dar impunidade a golpistas não pacifica o país. Ao contrário: aprofunda divisões e serve de incentivo para novas tentativas de ruptura.
Caiado entrou na disputa, por Elio Gaspari
O Globo
Ao oferecer a anistia para os condenados pela
trama golpista de 2022-2023, Ronaldo Caiado saltou atrás das linhas de Flávio
Bolsonaro. É lá que estão os votos capazes de viabilizar uma terceira via. Os
próximos meses dirão se esse caminho existe. Coberto de razão, o atual
governador de Goiás disse que “você só alimenta um projeto político da
polarização quando você se beneficia dele”.
Com 88% de aprovação em seu estado e fala
mansa, Caiado é uma esperança para quem não quer Lula ou um Bolsonaro no
Palácio do Planalto. Pelas pesquisas, ele patina com um só dígito. Faltam seis
meses para a eleição, e nada impede que tente chegar ao segundo turno. Afinal,
ao seu lado está o clarividente Gilberto Kassab.
Caiado critica o PT, mas seu alvo é Flávio Bolsonaro. Oferece um passado de democrata, gestor com militância conservadora e mais de 80% de aprovação.
A onda que o Supremo consegue antever, por Fernando Exman
Valor Econômico
Alguns integrantes do STF se arriscam a dizer
que o que se avista no horizonte pode ser um tsunami
Do alto do anexo do edifício-sede do Supremo Tribunal Federal, onde estão instalados os gabinetes dos ministros do STF, é fácil perceber para onde vão os ventos da política e se eles estão formando alguma onda.
Na natureza, a mecânica é conhecida. Quando o vento sopra, exerce um atrito na superfície do mar que transfere energia para as partículas de água. Pequenas ondulações se formam, as quais crescem e viram ondas maiores de acordo com a força e a constância do vento, até que o mar fica raso. A parte de baixo da água desacelera, e a de cima continua rápida. Como resultado, a onda fica instável e “quebra”, fazendo a alegria dos surfistas e gerando pavor entre os que não sabem nadar.
Alckmin deu upgrade ao Mdic na hora certa, por Lu Aiko Otta
Valor Econômico
Atuação como ministro é alvo de elogios de representantes do empresariado
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria,
Comércio e Serviços (Mdic) viveu nos últimos três anos e três meses um período
de destaque inédito, enquanto esteve comandado pelo vice-presidente Geraldo
Alckmin.
Primeiro, pela natureza da pasta. Ela está
fora do núcleo duro da estrutura do governo federal - tanto que já foi extinta
e rebaixada a secretaria duas vezes desde a redemocratização, em 1990 e em
2018. Por essa condição, só tem sucesso em suas agendas quando o ministro é
influente no Palácio do Planalto. Foi o caso.
Segundo, por causa do tarifaço de Donald Trump. O interesse da população foi tamanho que Alckmin esteve no programa de Ana Maria Braga, na TV Globo, para explicar o que estava acontecendo. A reação diante da crise rendeu ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva o melhor momento de popularidade no atual mandato.
Na luta pela sobrevivência, vice jogou parado, por César Felício
Valor Econômico
Pressões para que Alckmin disputasse em São Paulo começaram ainda em 2023
No dia 5 de fevereiro, em entrevista ao portal UOL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expôs à luz do dia uma articulação que se processava nos bastidores praticamente desde o início do seu governo. Colocou em dúvida a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa, afirmando que ele e o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “tinham um papel a cumprir em São Paulo”. Hoje, na reunião ministerial que formalizou a saída de parte da equipe para concorrer às eleições, Lula confirmou a manutenção de Alckmin na chapa. Foi a volta do que não foi. O que mudou?
Lula confirma Alckmin na vice. Leite não decide o rumo, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O governador gaúcho, que foi preterido por
Gilberto Kassab, está recebendo convites para disputar a Presidência por outros
partidos, como o PSDB-Cidadania e o Solidariedade
O tabuleiro das eleições presidenciais está
quase armado. Ontem, em reunião ministerial, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva anunciou que o vice-presidente Geraldo Alckimin (PSB), que deixa o
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, será mesmo seu companheiro
de chapa. Até agora, 14 ministros estão deixando o cargo para disputar as
eleições — mais quatro poderão seguir o mesmo caminho.
Com isso, a cena eleitoral da disputa pelo Palácio do Planalto está quase definida. A incógnita é a decisão do governador gaúcho Eduardo Leite (PSD), que foi preterido por Gilberto Kassab, presidente da legenda, e está recebendo convites para disputar a eleição por outros partidos, como o Cidadania e o Solidariedade. O mais provável, por ora, é que conclua o mandato e tente fazer o sucessor.
Minas Gerais, o pêndulo da campanha de 2026, por Gaudêncio Torquato
O Estado de S. Paulo
O ponto central é reconhecer que Minas funciona como síntese porque abriga, numa mesma unidade, vários ‘Brasis’ convivendo lado a lado
Minas Gerais, terra das grandes “raposas” da sapiência política (José Maria Alckmin, Gustavo Capanema, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, entre outros), voltará a ser, em 4 de outubro de 2026, o maior “termômetro” da eleição presidencial. Não é superstição: é estatística, geografia humana e política comparada. O Estado reúne cerca de 16,5 milhões de eleitoras e eleitores – o segundo maior colégio eleitoral do País, atrás apenas de São Paulo – e, por tamanho e capilaridade, impõe uma realidade simples: quem quer vencer no Brasil precisa competir de verdade em Minas.
Alckmin fica, apesar do PT, por Vera Rosa
O Estado de S. Paulo
A decisão do presidente Lula de manter a
dobradinha com o vice Geraldo Alckmin (PSB) na chapa da reeleição foi um sinal
importante para o eleitorado mais conservador em uma disputa polarizada como a
que ocorrerá em outubro. Afinal, Alckmin vinha sendo “bombardeado” por uma ala
do PT, sob a alegação de que era preciso ampliar a aliança para a
centro-direita. Mas, quem diria, acabou defendido pela velha-guarda petista que
antes o esnobava.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, por exemplo, chegou a afirmar que tirar o ex-governador da chapa significava pôr em risco a reeleição de Lula. O próprio presidente, porém, ficou em dúvida e Alckmin foi sendo “empurrado” de lá para cá na montagem dos palanques.
O mundo é um corpo? Por Roberto DaMatta*
O Estado de S. Paulo
Cada especialista em Brasil apontou alguma
ausência: faltaram pureza racial, um colonizador mais avançado, partidos
políticos com valores definidos. Talvez fosse melhor falar do que temos de
sobra, como hipocrisia e carisma na sua forma mais degradante: o populismo e
uma incurável parcialidade. Entre nós, ignorar a lei e o bom senso é sinal de
importância social.
Nosso modo de encarar esse dilema segue um inabalável legalismo. Criamos regras acreditando que um confuso aparelhamento burocrático soluciona problemas de costumes, tal como Donald Trump acredita que seus desmesurados portaaviões agenciem a rendição do Irã. É a velha ilusão de que foguetes e drones resolvem guerras, destruindo muito e perdendo pouco, pois temos a maior força militar do planeta. Um planeta, aliás, que deixou de ser vivido em sincronia com a natureza.
Entre perdas e danos, por Fábio Alves
O Estado de S. Paulo
Os ativos financeiros de Brasil e Colômbia perderam menos que os de outros países com a guerra
Após um mês inteiro de conflito no Oriente Médio, o Brasil e a Colômbia estão entre os países emergentes que apresentaram o melhor desempenho de seus ativos financeiros – perdas menores das Bolsas de Valores e das moedas – em meio à turbulência geopolítica mundial, que levou à disparada nos preços do petróleo e à valorização do dólar, para onde correram os investidores globais em busca de refúgio.
Caiado terá de bater muito em Bolsonaro filho para não ser assistente de palco do show da direita, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Candidato do PSD tem de disputar voto da
direita braba e não tem base política digital
Político goiano também não terá apoio de seu
partido na maior parte dos estados
Na falta de notícias políticas que não sejam
caso de polícia, o lançamento
de Ronaldo
Caiado a presidente pelo PSD teve
alguma atenção do público, pelo menos de quem se ocupa um pouco de política.
Foi bem pouco mesmo, dizem aqueles que medem interesses populares nas redes.
Mas qual papel Caiado pode ter em 2026? O governador de Goiás tem uns 4% nas pesquisas. Pode ser candidato a descer a 1% ou a fazer figuração maior —isso quando o povo prestar atenção à eleição, bem depois da metade do ano. Sua campanha terá de lidar com situações incontornáveis: 1) O grosso dos votos que pode virar estão na direita e na extrema direita; 2) Não terá apoio da maioria folgada de seu partido; 3) Para aliviar tais limitações, Caiado teria de se tornar uma estrela da política digital, empurrado por militância experiente e conectada com humores e odores desse ambiente —não deve acontecer, né.
Flávio Bolsonaro segue os passos do pai e planta sementes da desconfiança eleitoral, por Ana Luiza Albuquerque
Folha de S. Paulo
Em discurso na maior conferência conservadora dos EUA, senador pediu 'pressão diplomática' para eleições livres e justas no Brasil
Assim como Jair Bolsonaro em 2018, pré-candidato
à Presidência disse que vencerá se os votos forem contados corretamente
Para os que ainda têm fé no bolsonarismo moderado, é recomendável assistir ao discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, na Cpac, a maior conferência conservadora dos Estados Unidos.
No fim de semana, em Dallas (Texas), Flávio
seguiu à risca a cartilha do pai, o ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL), disseminando teorias conspiratórias, colocando em
xeque a lisura do processo eleitoral brasileiro e vestindo a roupagem do
populismo autoritário e antissistema que assola democracias ao redor do mundo.
O discurso contrasta com a imagem de moderação que a pré-campanha do senador tenta construir, em busca do eleitorado independente que será o fiel da balança de uma acirrada disputa eleitoral contra o presidente Lula (PT).
O complô selenita, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Datafolha mostra que 34% dos brasileiros não acreditam que homem pisou na Lua
Embora mais instruídos, americanos também
creem em seu quinhão de bobagens
Deu no Datafolha que 34% dos
brasileiros não acreditam que o homem já pisou na Lua. Não é algo
que devesse ser colocado em dúvida. O esforço científico para levar astronautas
ao satélite natural da Terra e trazê-los de volta está fartamente documentado.
O primeiro passeio de Neil Armstrong em território selenita foi transmitido ao vivo pela TV em 1969 e testemunhado por milhões de terráqueos. Para ser cético em relação à conquista da Lua é preciso ter fé cega em conspirações secretas.
Para o PSD, o inimigo agora é Flávio, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Ronaldo Caiado deixou muito claro que a ideia
inicial é avançar no eleitorado da família Bolsonaro
Eduardo Leite daria um colorido de centro à
candidatura, mas não conseguiria ocupar a vaga da direita no 2º turno
Na escolha de Ronaldo
Caiado em detrimento de Eduardo Leite,
o PSD deixou
claro seu plano, ao menos na linha inicial: avançar no eleitorado de Flávio
Bolsonaro (PL) para tentar uma vaga
no segundo turno.
Ou seja, investir em 2026 e não na construção de possibilidade para 2030. Assim
seria se a opção tivesse sido pelo governador gaúcho, hipótese preferida pela
ala de centro com plumagem tucana que orbita em torno do projeto alternativo,
hoje tendo como referência Gilberto
Kassab, mas sem garantia de efeito duradouro.
O Congresso fatura com a indignação moral, por Wilson Gomes
Folha de S. Paulo
Legislativo federal passou a operar sob a
lógica das redes
A encenação de superioridade moral se impõe sobre a deliberação racional e pragmática
A política brasileira atravessa um processo
de transformação que, apesar de barulhento e exaustivo, pode passar
despercebido. Não se trata apenas da radicalização do debate público nem da
intensificação das disputas ideológicas. O que está em curso é algo mais
complicado: a política parlamentar passou a viver de ondas de indignação moral.
Não por acaso, nos últimos anos, aprendemos a reconhecer esse fenômeno nas redes sociais. Plataformas digitais passaram a premiar conteúdos que despertam indignação, convocam juízos morais extremos e se baseiam em uma classificação nítida entre bons e maus. Nada engaja mais —nem estimula tanto a produção de conteúdo— do que uma boa revolta moral.
Uma Emergência chamada Brasil, por Vagner Gomes
Gilberto Freyre, Médicos, doentes e contextos sociais: uma abordagem sociológica. p. 61.




























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