Folha de S. Paulo
Cury (5%), Caiado (4%) e Renan (3%) seguem
abaixo, fazendo líderes pregarem voto útil em seu favor
Na segunda rodada, instituto aferiu que o
presidente tem 47% e filho do antecessor Jair Bolsonaro, 45%
A corrida presidencial de 2026 chega às
portas de sua última semana com Lula (PT) marcando
em cenário de primeiro turno 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio
Bolsonaro (PL).
No segundo turno, há empate, com 47% para o mandatário e 45% para o senador
fluminense.
O acirramento já estava dado nas últimas
rodadas aferidas pelo Datafolha.
Numericamente, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou menos,
Flávio contudo não manteve a ascensão gradual que havia reduzido a diferença
entre ele e Lula de 10 para 3 pontos em quatro meses.
Agora, a distância voltou a 4 pontos, o que configura empate no limite da margem de erro, com probabilidade estatística maior de que o petista esteja à frente.
No levantamento da semana passada, Lula tinha
39% e o primogênito de Jair
Bolsonaro, 36%. No tira-teima, registravam respectivamente 46% e 44%. A
margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.
A nova pesquisa foi feita na terça (22) e na
quarta (23), ouvindo 2.002 eleitores, em 125 municípios. O trabalho,
encomendado pela Folha e
pela TV Globo, está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-00304/2026.
Na simulação do primeiro turno, segue
inalterado o pelotão inferior. Nele estão Augusto Cury
(Avante, 5%),
Ronaldo
Caiado (PSD,
4%) e Renan
Santos (Missão, 3%), além de Romeu Zema
(Novo) e Samara (UP), ambos com 1%. Optam pelo voto branco ou nulo 5%, e
indecisos são 2%, índices semelhantes aos da semana passada.
A
imobilidade do cenário tem feito aumentar a pressão das duas candidaturas
líderes pelo voto útil já no primeiro turno, o que levou a queixas públicas dos
concorrentes. Ainda assim, os números do Datafolha desencorajam a crença numa
vitória agora se o pleito fosse hoje —nenhum dos rivais à frente chega perto
dos 50% mais um voto necessários para matar o jogo.
Na pesquisa espontânea, aquela em que não é
apresentado o disco com o nome dos candidatos, há estabilidade: Lula tem 36% e
Flávio, 27%. Os indecisos voltaram a oscilar para baixo: são 18%, ante 21%, e
já foram 32% no fim de agosto.
Segundo o Datafolha, 80% dos eleitores estão
com o voto decidido. Entre os que não se declaram bolsonaristas ou petista, 35%
dizem que podem mudar de ideia.
Em relação ao segundo turno, Lula segue
empatado não só com Flávio, mas com Cury (46% a 43%). Bate Caiado (46% a 42%),
Zema (48% a 39%) e Renan (48% a 39%).
Do ponto de vista de grandes estratos na pesquisa,
Lula segue melhor entre os 50% mais pobres, batendo Flávio por 46% a 32%. Vence
por 49% a 29% entre os 29% menos instruídos também. O problema para o petista
agora é mobilizar esse eleitorado, que geralmente engorda a abstenção.
O presidente segue à frente no Nordeste,
segundo maior colégio eleitoral com 28% dos votantes, marcando 55% ante 25% do
senador. Já no mais populoso Sudeste (42% da amostra), Flávio manteve a
vantagem numérica em empate técnico, 37% a 35%, mas Lula oscilou um ponto para
cima na região.
Em relação a grandes grupos, o senador vai
melhor entre os evangélicos (28% da amostra, 47% a 27%), entre quem ganha de 2
a 5 salários mínimos (33% do eleitorado, 40% a 34%) e entre sulistas (14% dos
ouvidos, 47% a 27%).
Pesquisa afere movimentos políticos
Nesta disputa, afinal, cada ponto percentual
será decisivo. Esta pesquisa captou, ressalvando seu caráter de fotografia e
não de predição, os principais movimentos políticos da semana: o arrefecimento
relativo da crise no Supremo Tribunal Federal, o anúncio
de reajuste de 15% no Bolsa Família
e o tema da ingerência externa na campanha.
No primeiro item, a interrupção da discussão
em torno de Alexandre
de Moraes e o Banco Master
na corte deu lugar à volta de vazamentos desfavoráveis de forma alternada ao
petismo e ao bolsonarismo, mas a associação feita entre o ministro e Lula foi
tirada do foco.
Já o reajuste foi acusado
de eleitoreiro por uma oposição de resto impedida de combatê-lo demais por
risco de parecer demofóbica. De todo modo, Lula já tinha maioria entre os
beneficiários do programa na pesquisa passada.
Até aqui, não houve impacto na intenção de
voto entre quem recebe o auxílio. Na semana passada, nesse segmento Lula tinha
52%, ante 28% de Flávio. Agora, oscilaram respectivamente para 53% e 27%.
A novidade, por assim dizer, já que é tema
recorrente do terceiro mandato do petista, é a questão externa. Lula foi
discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU na terça com
uma agenda pronta de crítica ao que vê como ação do governo de Donald Trump
em favor do rival.
Na visão do governo, isso se dá em diversos
níveis: disputa comercial, questionamentos de trumpistas acerca da lisura da
eleição e a questão da segurança, calcanhar de Aquiles do petismo.
Após a fala de Lula, Trump liderou reunião de
países com governo de direita nas Américas na qual entes criminosos como o PCC
e o Comando Vermelho
foram declarados terroristas. O Brasil rejeita a abordagem, mas ela ressoou
imediatamente na campanha, com Flávio acusando o presidente de leniência.
De seu lado, o petista aponta para a
belicosidade de Trump em suas ações na região, como a intervenção militar na Venezuela. No
primeiro tarifaço do americano, em 2025, a defesa da soberania recuperou um
pouco a avaliação do petista, mas até aqui na campanha o discurso não
o vinha ajudando.

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