Ao fim da chamada década e meia, perdidos, nos anos oitenta e noventa do século passado, boa parte dos bancos públicos e privados encontrava-se à beira da insolvência, decorrente de operações ruinosas e do acentuado abrandamento da inflação pelo Plano Real, em 1994. O Banco Central faz o lançamento do Proer, Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional. Foi decretada a intervenção em vários estabelecimentos, a maioria estaduais, separando-se os bons dos maus ativos. Os primeiros, vendidos aos bancos mais fortes, nacionais e estrangeiros. A parte ruim, liquidada pelo BC para ressarcir os depositantes. Embora com uso de dinheiro público, foi eficiente medida de saneamento do sistema bancário brasileiro, mundialmente elogiada.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Bancos digitais, especulação e desemprego, Antônio Fausto Nascimento*
Fadiga de materiais: quando o desgaste enseja o fim de um ciclo, por Roberto Amaral
Redução das horas de trabalho e abusos no Judiciário atropelam deputados e senadores, por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*
terça-feira, 21 de abril de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Política mudou após impeachment de Dilma; PT, não
Por Folha de S. Paulo
Em 10 anos, polarização se acentuou com
bolsonarismo; partido mantém teses econômicas que geraram a crise
Congresso ganhou protagonismo ao longo de uma
sequência de presidentes da República com índices de aprovação, quando muito,
sofríveis
Esta Folha não apoiou o impeachment de Dilma
Rousseff (PT), ocorrido há dez
anos. Como apontou
no dia em que a Câmara dos Deputados aprovaria o afastamento da
então presidente, tratava-se de medida traumática, fundada em premissas jurídicas
passíveis de discussão, "projetando para o futuro divisões e
inconformismos".
Isso não significa que Dilma não tenha dado motivos para sua deposição, muito menos que tenha havido algum tipo de golpe, como quer a mitologia petista.
Ter ideias pode ser perigoso, Por Jorge J. Okubaro
O Estado de S. Paulo
Flávio Bolsonaro deixa claro seu desprezo pelos interesses nacionais e sua sabujice diante de alguém como o presidente Trump
O desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PLRJ) nas pesquisas eleitorais talvez seja surpreendente até para ele. Numa das mais recentes, o pré-candidato presidencial da ultradireita aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora em situação considerada de empate técnico. Como uma figura que, até há pouco, só era conhecida por ser filho de quem é (do ex-presidente Jair Bolsonaro) e de quem herdou o sobrenome, mas não por ideias ou atuação parlamentar, conseguiu chegar tão alto e tão depressa?
Juízes corruptos no alvo, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Reforma do Judiciário, antes tarde do que nunca, mas o corporativismo e as eleições deixarão?
Se um código de ética para o Supremo não foi
longe, o debate sobre uma reforma do Judiciário caminha a passos largos, agora
sob a liderança do ministro do STF e ex-ministro da Justiça do atual governo
Flávio Dino. A proposta é mais do que necessária, seu risco é ser engolida pela
suspeita de interesse eleitoral, já que é encampada pelo PT e por Lula, para se
descolarem da crise do STF.
Passa década, entra década, uma reforma do Judiciário continua em pauta, sob a resistência interna, dos demais poderes e de uma mídia cheia de dedos. Isso vem mudando a partir das notícias sobre o submundo do Judiciário e do desgaste do Supremo com o envolvimento de ministros com o Banco Master. A hora é agora.
Delação sem caô, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
Fundos de investimentos criavam empresas de fachada, dirigidas por laranjas
O modo como Daniel Vorcaro operava – o sistema por meio do qual comprava burocratas, políticos e autoridades públicas – já é conhecido, desconhecida não raro a origem da grana empregada para as aquisições; a impossibilidade de explicar de onde viera a bufunfa sendo a razão por que a teia se ramificava até perder de vista. (Ramalhar cuja informalidade talvez lhe tire o sono agora: será quase impossível – o outro lado da moeda – que recupere os bilhões todos que espalhou paraísos afora, sob confiança em inconfiáveis.)
A questão-chave é a democracia, por Míriam Leitão
O Globo
A dúvida sobre Flávio Bolsonaro não é
econômica, mas sim sobre a sobrevivência da democracia brasileira ao projeto
golpista da família
A ideia de que falta a Flávio Bolsonaro apenas divulgar um plano de ajuste fiscal para ser um bom candidato impressiona pela falta de respeito à História recente do país. A principal questão do candidato do PL não é que cortes ele fará em qual despesa pública, mas sim que garantia tem a democracia brasileira de sobreviver a um segundo governo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente que está preso por tentativa de golpe de Estado. Ele defende o pai, jamais se afastou dos ideais autoritários da família, é apoiado pelos seguidores do ex-presidente, disse que sua prioridade é indultar o pai e anistiar todos os envolvidos. Precisará desenhar para ser entendido?
Contrastes, por Merval Pereira
O Globo
Flavio não fala nada, joga em sua zona de conforto, só vai aonde sabe que será bem acolhido. Lula fala pelos cotovelos, como de hábito
Os dois candidatos favoritos nas pesquisas eleitorais para a Presidência da República, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, apresentam comportamentos distintos neste começo de campanha. O segundo não fala nada, joga em sua zona de conforto, só vai aonde sabe que será bem acolhido. Lula fala pelos cotovelos, como de hábito, e aproveita a permanência no cargo para explorar sua imagem pública. Ao não se expor muito, Flávio preserva a vantagem competitiva e explora o contraste entre um homem de 44 anos e um idoso de 80, mesmo que este aparente um bom vigor físico e o exiba nas redes sociais.
Trump mostra desprezo pelo Papa, por Fernando Gabeira
O Globo
Presidente dos Estados Unidos revelou
arrogância ao afirmar que o pontífice é fraco e não entende de política externa
Quantas divisões tem o Papa? A pergunta, atribuída a Stálin, mostra o desprezo que os políticos em guerra têm pela autoridade moral de um Papa. Donald Trump revelou essa arrogância ao afirmar que o pontífice é fraco e não entende de política externa. Os Estados Unidos são uma nação religiosa e, pela primeira vez na História, o Papa é um americano. Nada disso inibiu Trump, apesar de os Estados Unidos continuarem dando um verniz religioso à sua política de conquista de regiões ricas em petróleo.
A Apple aposta na IA, por Pedro Doria
O Globo
Empresa aposta que, rapidamente, inteligência
artificial virará hardware
A Apple anunciou ontem seu novo CEO. Será um dos atuais vice-presidentes seniores, John Ternus. Ele assume no dia 1º de setembro. É uma mudança gigantesca. Tim Cook, o atual CEO, sucedeu a Steve Jobs, o carismático fundador, que morreu precocemente de um câncer particularmente agressivo. Cook pegou a empresa e a transformou na primeira companhia americana a cruzar o valor de US$ 1 trilhão no mercado e, ainda hoje, aquela que se alterna com a Microsoft como negócio mais valioso do mundo. Quando não é uma, é a outra, e muda toda semana com o flutuar do preço das ações. Mas a escolha de Ternus não tem relevância apenas por isso. Na verdade, sua maior importância é o sinal que ela representa. A Apple acaba de fazer, nele, uma aposta sobre onde está o futuro da inteligência artificial.
As eleições, a politização do STF e o iluminismo fora de lugar, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Com mais de 75 milhões de processos em
tramitação, milhões de novas ações, especialmente nas execuções fiscais, o
Judiciário perde aderência à sociedade
No pequeno grande ensaio antropológico A Identidade Cultural na Pós-Modernidade (DPA&A Editora), o sociólogo anglo-jamaicano Stuart Hall descreve a evolução do conceito de identidade a partir de três conceitos: o ser iluminista, o ser sociológico e o ser pós-moderno. Hall argumenta que a identidade humana passa por um processo de descentramento e fragmentação. O ser iluminista é o indivíduo centrado, unificado, dotado de razão, consciência e ação; acredita que um núcleo interior nasce com o indivíduo, desenvolve-se e permanece o mesmo ao longo da vida. Trata-se de uma concepção individualista, na qual a pessoa é autônoma e sua identidade é fixa e constante: "Penso, logo existo" (Cogito, ergo sum) é a célebre frase do filósofo René Descartes, publicada em 1637. Ou seja, se basta.
Trump e as palavras, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Presidente americano é tão hiperbólico que o
que ele diz não significa nada
Eleição de líderes carismáticos mas
destrutivos é ponto fraco da democracia
Donald Trump já proferiu tantas barbaridades que fica difícil eleger a frase mais escabrosa. Uma séria candidata é a declaração de que destruiria em uma noite a civilização persa, "para nunca mais ressuscitar". Se qualquer outro presidente americano tivesse dito algo parecido, teria sua sanidade seriamente questionada e teria deflagrado uma crise política potencialmente fatal. Sendo Trump o autor da máxima, até encontramos comentários indignados, mas parece pouco provável que a ameaça de genocídio ao vivo lhe encurte o mandato.
PT defende aliança com direita liberal contra bolsonarismo, por Fábio Zanini
Folha de S. Paulo
Partido diz que distinção entre extrema
direita autoritária e direita liberal é decisiva para tática política
Programa político deve ser aprovado durante
congresso nacional que começa na sexta-feira (24)
Em seu novo
programa político, que deve ser aprovado em congresso
partidário nesta semana, o PT defende a
aliança com setores liberais comprometidos com a democracia, e diz que ela é
importante para isolar a extrema direita.
"É necessário reconhecer que o avanço da extrema direita não eliminou a existência de setores liberais comprometidos, ainda que de forma limitada, com a legalidade constitucional e com a estabilidade democrática", afirma o documento, que é resultado de uma comissão coordenada pelo ex-ministro José Dirceu.
A polarização ainda navega no mar das incertezas, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Os favoritos de lulismo e do bolsonarismo
ainda são alvos do descrédito no campo decisivo do centro
Nenhum dos dois consegue ainda ultrapassar a
barreira da falta de confiança firme em ambas as candidaturas
Não há hoje no horizonte razões substantivas
para se temer pela continuidade da vigência do regime democrático no Brasil, ao
menos no que concerne às candidaturas presidenciais já apresentadas.
O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) faz jus ao histórico de respeito à legalidade em derrotas anteriores quando diz que, se perder, nada lhe cabe a não ser aceitar o resultado. O principal oponente, Flávio Bolsonaro (PL), sinaliza só aceitar como legítima a vitória, mas a prisão do pai confere ao discurso o tom de bravata desprovida de lastro na realidade.
Em clima de Copa, brasileiro é mais apostador que torcedor, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Palpites dão a seleção caindo nas quartas ou
nas oitavas
Neymar tem 'aprovação' maior que Lula ou
Flávio Bolsonaro
Torcer é passado. Ex-pacheco, o brasileiro
encara a Copa do Mundo com
enfoque calculista. Adeus ruas embandeiradas, orgulho de vestir a camisa
canarinho, aperto no peito na hora do hino, a volta ao mundo da infância em 90
minutos de bola rolando.
O lance agora é, teclando no smartphone, apostar se a seleção cai na semifinal, quartas, oitavas ou mesmo se nem passa da fase de grupos. Trazer o caneco, como se dizia nos velhos tempos, é um palpite arriscado. Jogar dinheiro fora, raciocina aquele que já viveu no país do futebol.
A história ensina que os imperadores passam, mas o papado permanece, por João Pereira Coutinho*
Folha de S. Paulo
Por que Leão 14 não demonstra temor ou
deferência diante de Donald Trump?
Não sei se o vice J.D. Vance, em suas aulas
de catequese para adultos, aprendeu essas lições
Tempos interessantes. Os Estados
Unidos fazem 250 anos em julho. Mas, como lembrou o especialista em
assuntos religiosos Damian Thompson na revista Spectator, nunca se viu um conflito
aberto entre um presidente americano —Trump— e um papa —Leão 14. Isso
é um vício europeu, mais medieval do que moderno, embora existam exceções.
Amantes de história sabem do que estou
falando —e, nos últimos tempos, tenho lido comparações inevitáveis para
explicar a mais recente bizarrice trumpista.
Alguns lembram Henrique 4º, imperador do
Sacro Império, que transformou Gregório 7º em inimigo na famosa "questão
das investiduras", a disputa sobre quem podia nomear bispos e outros
membros da Igreja. Gregório resistiu e excomungou o imperador.
Não acabou bem para Henrique. Aliás, o imperador terminou de joelhos, em Canossa, pedindo perdão ao papa.
Era Orbán na Hungria foi mais reflexo do que negação da Europa, por Janaina Martins Cordeiro
Folha de S. Paulo
Experiência iliberal no país nos últimos 16
anos reflete contradições europeias no pós-guerra
Ideia de 'retorno à Europa' se baseia em
suposta superioridade de um Ocidente civilizado e na inferioridade de um
oriente europeu bárbaro
[RESUMO] As eleições parlamentares
na Hungria que
selaram a derrota de Viktor Orbán foram
celebradas como um "retorno do país à Europa",
vista como símbolo de democracia e liberdade. Para professora, contudo, seria
mais apropriado ver no projeto iliberal húngaro não uma negação dos valores
europeus, mas um espelho de suas contradições, afinal o continente foi berço de
fascismo, nazismo e guerras que deixaram um legado de destruição.
Em 12 de abril, as atenções do mundo se
voltaram para um pequeno país da Europa Central —a Hungria,
que, desde 2010, tornara-se uma espécie de laboratório internacional para as
direitas radicais.
Naquele dia, eleições parlamentares interromperam
o projeto iliberal do partido União Cívica Húngara (Fidesz) e de seu principal
líder, o primeiro-ministro Viktor Orbán, no poder há 16 anos.
Com índices de participação eleitoral beirando os 80% —os maiores desde a redemocratização do país, em 1989—, as urnas consagraram a vitória do partido de oposição Respeito e Liberdade (Tisza), de centro-direita, liderado pelo ex-aliado de Orbán, Péter Magyar. A legenda conquistou 138 das 199 cadeiras do Parlamento húngaro, contra 55 do Fidesz.
Igualdade: Significado & Importância, por Ricardo Marinho
Livro resenhado: Thomas Piketty e Michael Sandel. Igualdade: Significado e importância. Tradução de Maria de Fátima Oliva Do Coutto. Prefácio de Laura Carvalho. Primeira Edição. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira: 2025. 144 págs.
A igualdade é um pilar fundamental da Constituição Cidadã Brasileira de 1988, consagrada no Artigo 5º, que estabelece que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Este princípio da Carta da Democracia finca-se nos direitos e garantias fundamentais e reflete um compromisso com a justiça e a equidade, bem como constitui a base da coesão social e da operação do Estado democrático de direito.
segunda-feira, 20 de abril de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais /Opiniões
Na dívida pública, Lula 3 repete Dilma
Por Folha de S. Paulo
Governo projeta passivo de 86% do PIB; sem
mudar política fiscal, país estará em risco de novo colapso
É enganoso o argumento de que EUA e Japão
possuem dívidas maiores; eles têm capacidade superior de crédito, e gastos com
juros são menores
Dada a mixórdia de artifícios contábeis
utilizados na apuração dos resultados do Tesouro Nacional ao longo dos últimos
anos, hoje o indicador mais claro e confiável para avaliar a política fiscal é
a evolução da dívida pública —e ela aponta um fracasso alarmante neste terceiro
mandato de Luiz Inácio Lula da
Silva (PT).
De acordo com as projeções do recém-divulgado projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), os passivos de União, estados e municípios atingirão o equivalente a 86% do Produto Interno Bruto em 2027. A cifra, se confirmada, mostrará alta de 14,3 pontos percentuais ante os 71,7% do PIB do final de 2022.
Inflação de 2028 tira folga do Copom, por Alex Ribeiro
Valor Econômico
Desancoragem das expectativas de inflação de
longo prazo poderá limitar o tamanho do ciclo de corte de juros
O maior desafio do Banco Central na política
monetária é a desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo. Os
sinais recentes não são bons: já houve piora nas projeções para 2028, que
ficaram mais distantes da meta, e há indícios de que a tendência continuará.
É pouco provável que isso inviabilize o corte de juros que o Banco Central planeja na reunião da semana que vem, que o mercado aposta que será de 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. Mas poderá limitar o tamanho do ciclo de corte - ou seja, poderemos terminar o ano com uma taxa de juros mais alta do que teríamos com uma maior ancoragem das expectativas.
Dívidas minam percepção da economia e governo aposta contra bets, por César Felício
Valor Econômico
Bancarização e abundância de crédito fácil e
caro fomentam o aumento da inadimplência
Desemprego em mínimas históricas, inflação na
casa de 5% ao ano, renda em alta e PIB em crescimento contínuo, embora baixo,
deveriam proporcionar calmaria para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se
aventurar em sua reeleição. Pesquisas como a Genial/Quaest da semana que passou
deixam claro que não é isso o que acontece e há um consenso de que uma das
razões é a corda do endividamento apertando o pescoço das famílias.
Um estudo da LCA Consultores, com base em
dados da Serasa e do Banco Central, mostram que o garrote começou a apertar
depois da pandemia de covid-19 e subiu degraus de dois em dois no governo Lula.
O total de dívidas negativadas passou de R$ 221,2 bilhões para R$ 321,6 bilhões
entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025.
Entre 2016 e 2020 o número de consumidores
inadimplentes ficou oscilando no patamar de 60 milhões de pessoas.
De 2021 para cá saltou para 81,2 milhões.
Impostos aumentam para todos, por Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
A carga tributária no Brasil tem subido
porque o governo a cada ano gasta mais do que arrecada
O ministro das Relações Institucionais, José
Guimarães, é contra a taxa das blusinhas. O vice-presidente Geraldo Alckmin é a
favor. O chefe deles, o presidente Lula, meio que tirou o corpo fora dessa
disputa dentro de seu governo, mas deu a entender que pode engrossar o grupo
dos que propõem a extinção desse imposto.
Ocorre que, politicamente, a taxa gerou desgaste para o governo petista. Do ponto de vista da política econômica, a medida faz sentido. Taxa das blusinhas é o nome genérico que se deu ao imposto federal de importação de 20%, aplicado sobre compras eletrônicas em sites internacionais, especialmente nos chineses. Ela foi aplicada a partir de agosto de 2024. E se somou ao ICMS de 17%, cobrado pelos estados desde julho de 2023. Na conta final, o imposto total foi para cerca 40%.
Interesses particulares capturam a cidade, por Irapuã Santana
O Globo
Não fazemos nossa parte e vamos ao Judiciário
reclamar de qualquer coisa
Muita gente reclama que o Judiciário se mete
em tudo. No entanto é complicado buscar uma solução diferente quando não
fazemos nossa parte e vamos até ele reclamar de qualquer coisa.
No último dia 10, o STF precisou se manifestar para permitir a expedição de novos alvarás para demolições, cortes de árvores e construções de prédios na cidade de São Paulo. Isso porque, no final de fevereiro, o Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu a emissão desses alvarás até segunda ordem.
Por que Lula deve renunciar à candidatura, por Miguel de Almeida
O Globo
É questão de coerência. Em 2022, ele
prometeu, caso eleito, não buscar outro mandato
Lula deve renunciar à intenção de ser candidato. Pelo bem do Brasil e de sua biografia. É questão de coerência. Em 2022, ele prometeu, caso eleito, não buscar outro mandato — seria o quarto. Foi quase uma troca: votem em mim pela última vez. Quem jamais o engoliu, a ele e ao PT, aceitou a permuta. Os eleitores independentes o ajudaram a despachar Jair Bolsonaro. Se, em 2018, a quantidade de votos brancos e nulos foi o equivalente a 8,8% do eleitorado no primeiro turno, em 2022, ano do escambo, mal chegou aos 4,4%, algo como 5,4 milhões de votos. Mas a abstenção superou os 20%. Lula ganhou com a diferença de míseros 2,1 milhões de votos — diferença perto de 1%. E prometeu em sua primeira manifestação:
Lula e o neoliberalismo, por Diogo Schelp
O Estado de S. Paulo
O petista não foi eleito por seu ‘discurso de esquerda’, mas pela rejeição do eleitor ao seu oponente
Há muito tempo a palavra “neoliberalismo” deixou de ser um conceito do campo econômico para se tornar um “palavrão intelectual”, como observou Rajesh Venugopal, professor da London School of Economics, no Reino Unido. Em artigo publicado em 2015, ele analisou o uso do termo, demonstrando como passou a servir a generalizações teóricas e à descrição de fenômenos sem conexão entre si. De uma delimitação do papel do Estado como regulador da atividade econômica, transformou-se em definição de atitudes políticas autoritárias, ou de imperialismo, ou de uma nova forma de exploração dos pobres pelos ricos, ou até mesmo de massificação de produtos culturais.
Ética pública: um imperativo constitucional, Eduardo Muylaert *
O Estado de S. Paulo
Implantar uma nova cultura ética significa romper com práticas que naturalizam privilégios e confundem o público com o privado
Comportamentos que, na iniciativa privada,
levariam à demissão imediata por justa causa tornaram-se corriqueiros em
setores da administração pública, inclusive em altas esferas do poder. Práticas
incompatíveis com o interesse público passaram a ser tratadas como normais –
quando não justificáveis – corroendo a confiança nas instituições e esvaziando
o sentido constitucional da ética na gestão do Estado.
“É preciso saber aproveitar as oportunidades”, ouvi certa vez, horrorizado. Traduzindo: mesmo sem roubar, sem incorrer em peculato, a posição de poder – por menor que seja – autorizaria o uso de meios pouco ortodoxos para benefício próprio. Nessa interpretação “generosa”, a passagem pelo poder geraria quase um direito à vantagem. Só os tolos, muito tolos, não o fariam.
Dissonância cognitiva, Denis Lerrer Rosenfield *
O Estado de S. Paulo
Os fatos são obliterados em proveito de uma narrativa que procura conquistar a opinião pública. Uma vez que já perderam no combate, tudo fazem para impor a sua narrativa
O mundo tal como existia a partir da 2 . ª Guerra Mundial desmoronou. Vivemos hoje a sua derrocada progressiva, com o enfraquecimento e o desaparecimento daí resultantes de suas instituições. Os horrores da 2.ª Guerra deram lugar, naquele então, a tratados internacionais que respondiam aos interesses das potências vencedoras. Note-se, todavia, que a paz tinha um significado restrito, válido para a Europa Ocidental, não se aplicando ao Leste Europeu. Enquanto a guerra desaparecia desse território limitado, outrora considerado o centro do mundo, ela proliferava pelo mundo afora. Exemplos são inúmeros nas invasões de Hungria, República Checa e Afeganistão, no Vietnã, na Argélia, no Iraque e várias no Oriente Médio, além das africanas. Tudo sustentado no equilíbrio militar nuclear.
A semente do próximo Fidel, por Oliver Stuenkel*
O Estado de S. Paulo
Trump segue padrão histórico: período de nfluência americana seguido por reação nacionalista intensa
Tudo indica que Donald Trump buscará replicar
em Cuba uma estratégia semelhante à que usou na Venezuela: quer transformar a
ilha socialista em um país alinhado e submisso aos EUA, sem necessariamente
alterar outros elementos centrais do sistema político. Isso pode envolver
substituir o atual presidente, Miguel Diaz-Canel, por alternativa mais
maleável.
Nos bastidores em Washington, fala-se que Trump está buscando uma espécie de “Delcy cubana”, em referência à líder venezuelana cuja permanência no poder depende, em grande medida, do apoio de Washington. Demandas de Trump incluem compensar cidadãos e empresas dos EUA por propriedades confiscadas após a revolução de 1959.
Efeitos não antecipados da corrupção, por Marcus André Melo*
Folha de S. Paulo
No caso do Banco Master não há efeitos mitigadores do impacto dos malfeitos
No caso do escândalo do Supremo, é a defesa
da democracia que tem sido mobilizada
Nada mais atual do que a afirmação do senador Jaques Wagner ao comentar a estratégia de reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014: "Estamos em campanha e tenta-se fazer palanque sobre um tema rejeitado pela população, que é a corrupção... Ninguém ganha eleição dizendo ‘sou honesto’. Até porque ninguém acredita".
A disputa pelo Senado e a armadilha da dispersão, por Lara Mesquita
Folha de S. Paulo
Dados de 1998 a 2022 mostram que candidatos
da coligação do governador têm muito mais chance
Desafio é não permitir que votos dos
eleitores se diluam entre muitos nomes de um mesmo grupo político
Na última semana, a disputa pelo Senado passou a ocupar mais espaço no debate político. Seja pela pressão de alguns partidos em busca de espaço nas chapas num ano em que estarão em disputa duas cadeiras por estado, seja ainda pela indefinição sobre quem serão os candidatos em alguns estados. A isso se soma o uso abertamente eleitoreiro que o senador Alessandro Vieira fez do relatório da CPI do Crime Organizado.
Voto negro tem poder, por Ana Cristina Rosa
Folha de S. Paulo
Qual o projeto político dos candidatos para a
população negra brasileira?
A realidade já deixou evidente que a falta de
consciência social e de letramento étnico-racial afeta diretamente o povo
Com a proximidade das eleições
gerais, a pergunta que não sai da minha cabeça é: Ei, senhor(a)
candidato(a), qual o seu projeto político para a população negra brasileira?
Indagação semelhante me ocorre em relação a propostas voltadas à proteção, segurança e bem-estar das mulheres. Como se sabe, o público feminino vem sendo atacado sistematicamente em nosso país —a média de feminicídios foi de 4 mortes ao dia em 2025.
Como se lê o kkkkkk em Portugal, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
Comparado com os sonoros rárárá, rêrêrê,
ririri, rôrôrô e rururu, o kkkkkk é só um cacarejo
Se você escrever kkkkk para sua namorada
lisboeta, ela lerá kappakappakappakappa
Os leitores mais regulares desta coluna sabem de minha aversão pelo kkkkkk com que muitas pessoas encerram suas mensagens pela internet. Sabem também de minhas razões para isto. Primeiro, na vida real, ninguém ri kkkkkk, mas de outras maneiras, muito mais ricas. A começar pelo rá-rá-rá, uma explosão aberta e sonora, um brado de bem-estar no mundo. Ou o rê-rê-rê, um riso de desprezo, de ironia. E o ri-ri-ri, uma forma afetiva de rir, embutindo uma crítica ao que se ouviu. E não para por aí.












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