quarta-feira, 20 de junho de 2018

Porteira fechada

Poder em jogo | O Globo

Partidos cobiçados por todos os candidatos ao Planalto do chamado “centro”, DEM, PP, PR, Solidariedade e PRB decidirão juntos a quem darão apoio na eleição presidencial, afirmou o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

Negociam com o bloco Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Álvaro Dias (Podemos). Há duas condições impostas ao escolhido: a vaga de vice e o apoio à reeleição de Rodrigo Maia, em 2019, para presidente da Câmara. Hoje, a tendência é uma aliança com Alckmin, mas a decisão ficará para o fim de julho.

Caso a parceria ocorra com Ciro, o PR ficará de fora, por desavenças entre Ciro Gomes e o comandante do partido, Valdemar Costa Neto. Para os candidatos, o ativo mais valioso são os cerca de seis minutos que esses partidos dispõem no horário de propaganda na TV. E uma bancada que hoje soma 165 deputados, essencial para a aprovação de reformas. Hoje, o namoro prossegue, com um encontro entre Ciro Nogueira e o ex-governador Marconi Perillo, coordenador da campanha tucana.

MDB define prazo para Meirelles se viabilizar

Coluna do Estadão |O Estado de S. Paulo.

Dirigentes do MDB têm falado com mais frequência em abandonar a candidatura de Henrique Meirelles ao Palácio do Planalto caso ele não cresça nas pesquisas até a convenção do partido, que dever ocorrer entre o final de julho e o início de agosto. Uma meta estipulada por emedebistas é o ex-ministro da Fazenda, até a reunião do partido que tomará a decisão, encostar no tucano Geraldo Alckmin. O presidenciável do PSDB aparece com 6% e 7% no último Datafolha, a depender do cenário pesquisado. Meirelles, tem 1% das intenções de votos.

» Tu mesmo. Uma ala do MDB garante que a legenda não terá outro candidato ao Planalto em substituição a Meirelles. Nesse cenário, cada um ficará livre para apoiar quem quiser.

» Plano B. Outro grupo faz de tudo para emplacar Nelson Jobim. O nome do exministro também agrada a tucanos, que o veem como uma boa opção de vice na chapa de Geraldo Alckmin. Entre ele e Meirelles, ficam com o primeiro, por não estar associado ao governo.

» Assunto fixo. Apesar do flerte, o PSDB resiste a fechar uma aliança formal com o MDB. Acha que Alckmin perderia tempo tendo de explicar a união com o partido que comanda um governo impopular.

» Pragmáticos. Os tucanos pensam assim: se no primeiro turno, o MDB ajuda Alckmin a aumentar o tempo de propaganda na TV, no segundo essa vantagem desaparece, já que os dois candidatos terão o mesmo espaço. Fica só o ônus.

» Pós-jogo. As avaliações dos tucanos não impedem as conversas. Michel Temer vai num evento sexta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, em que estarão Geraldo Alckmin, João Doria e o candidato ao governo de São Paulo, Paulo Skaf.

» Lá vem ele. As especulações em torno de uma dobradinha entre Marina Silva (Rede) e Roberto Freire (PPS) na disputa presidencial levaram tucanos a compararem o líder do PPS com João Doria (PSDB).

» Enxaqueca. “Como o Doria, o Freire vive nos dando trabalho. Já inventou o Luciano Huck, agora é a Marina...”, alfineta um tucano. Hoje, o PPS é Alckmin.

Em campanha, Alckmin usa frases de efeito iguais do Nordeste ao Sul

Tucano cumpriu agenda em 23 cidades desde que se afastou do governo de São Paulo, em abril

Thais Bilenky | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Nos 74 dias transcorridos desde que deixou o governo de São Paulo para disputar a Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB) foi a 23 cidades diferentes (a algumas delas mais de uma vez), mas frases feitas foram repetidas em destinos os mais variados.

As viagens são agendadas sem um critério particular. Questionada sobre como monta o roteiro do presidenciável, a campanha disse que Alckmin viaja para atender a convites ou pela avaliação política da necessidade de fazer articulação em determinada região.

Tanto assim que, neste início de junho, o presidenciável subiu e desceu no mapa do Brasil várias vezes.

Foi ao Nordeste (Bahia) num dia, desceu ao Sudeste (Espírito Santo) no outro. Voltou ao Nordeste (Sergipe) e na sequência ao Sudeste (Minas), tudo no intervalo de cinco dias.

Alckmin gosta de mencionar que viaja em avião de carreira, e por isso sai mais cedo e demora mais para chegar a seu destino. Alguns auxiliares argumentam que, se fretar aeronave particular, terá mais agilidade no deslocamento e otimizará o tempo.

Mas o tucano prefere pegar a fila do aeroporto sempre que o percurso permite.

A insistência se observa também na forma como prepara suas aparições públicas.

Colaboradores relatam pouca disponibilidade do pré-candidato em acolher sugestões de discursos.
Costuma preferir as fórmulas testadas. Daí falas muito parecidas para públicos muito distintos.

De São Luís a Novo Hamburgo (RS), com escalas em Salvador, Teresina, Poços de Caldas (MG) e Florianópolis, o tucano falou das implicações de "o Brasil ter se tornado um país caro".

"Não tem investimento. Há um mar de obras paradas. Ou muda isso ou vai continuar na decadência econômica", afirmou, por exemplo, na capital baiana, no início de junho.

Em 2013, já havia registro da mesma declaração ser proferida pelo então governador paulista, que buscaria com sucesso a reeleição.

Em 2014, repetiu a frase em Ribeirão Preto (SP), ao lado do então candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves.

Em setembro de 2017, já cotado para disputar a Presidência, ele voltou à fórmula durante uma agenda como governador na capital paulista.

Outra tecla em que Alckmin bate é o problema que virou o "sistema pluri, multipartidário" brasileiro.

"Hoje você tem 35 partidos no Brasil. Não há 35 ideologias diferentes, então o que temos são pequenas e médias empresas financiadas com dinheiro público", repete desde, pelo menos, abril de 2017.

Só nos últimos dois meses, públicos distintos ouviram essa mesma formulação no Rio de Janeiro, Niterói, Florianópolis, Novo Hamburgo, Vitória, Sergipe e Teresina.

Comandante do Exército encontra-se hoje com Fernando Haddad

Por Carla Araújo e Andrea Jubé | Valor Econômico

BRASÍLIA - O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, reuniu-se nos últimos dias com nove pré-candidatos à Presidência da República. Hoje consta da agenda uma audiência ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, coordenador do programa de governo da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba há mais de dois meses.

A assessoria de Lula diz que Haddad vai se reunir com o general na qualidade de "representante da campanha" do ex-presidente. Apontado como um dos "planos B" do PT, Haddad é um dos petistas a transitar em todas os círculos. O PT tem reafirmando que registrará a candidatura de Lula no dia 15 de agosto, prazo final do calendário eleitoral.

Os encontros começaram com o senador Alvaro Dias (PR), pré-candidato pelo Podemos, no dia 23 de maio. Depois Villas Bôas reuniu-se com os pré-candidatos Rodrigo Maia (DEM), Jair Bolsonaro (PSL), Henrique Meirelles (MDB) Paulo Rabello de Castro (PSC) Marina Silva (Rede), Aldo Rebelo (SD), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Nos bastidores, fontes do governo alertam para o temor de autoridades das três Forças quanto à "politização" da instituição em meio ao processo eleitoral, e com o que pode sobrevir do resultado das urnas.

O grande mal e a grande vilã: Editorial | O Estado de S. Paulo

Em entrevista ao Estado, o ex-diretor da Polícia Federal (PF) Leandro Daiello disse que “o que tinha de papel e dados digitais na polícia quando eu saí era suficiente para quatro ou cinco anos de operações”. Leandro Daiello, que esteve à frente da PF de janeiro de 2011 a novembro de 2017, dá a entender assim que as grandes operações policiais dos últimos anos não deverão acabar tão cedo. Haveria tanta corrupção a ser investigada que não seria possível o País voltar ao seu leito de normalidade nos próximos anos.

Leandro Daiello fala em “quatro ou cinco anos de operações”. Outros, mais impetuosos, entendem que tal estado de coisas não deve ter prazo para terminar. Com isso, dão mostras de uma visão um tanto peculiar do País, na qual tudo deveria se submeter ao que chamam de “combate à corrupção”.

Ainda que faltem evidências empíricas à tese de que a corrupção é o principal problema do País, sua simplicidade, repleta de certezas, atrai cada vez mais adeptos, como mostram as pesquisas de opinião. A ideia central é simplista: a corrupção não é apenas o maior problema nacional, mas também a matriz de todas as mazelas do País.

A corrupção é, assim, transformada no grande – e, a rigor, no único – inimigo que merece ser combatido. Bastaria aniquilá-lo para que todos os outros problemas do País tivessem um novo e promissor encaminhamento. E o inverso também é válido: enquanto a corrupção não fosse extinta, não haveria possibilidade de uma melhora efetiva do País, por mais que pudesse haver avanços em outras áreas. Tudo seria inútil enquanto o grande mal não fosse vencido.

Padrão colonial no setor de petróleo: Editorial | O Globo

A produção cresce, faz o país passar o Kuwait, mas os desmandos ocorridos na Petrobras forçam a exportação da matéria-prima e a importação de combustíveis

A rara conjugação de intervencionismo estatal, dirigismo, incompetência e corrupção constrói, no setor de petróleo, uma situação clássica de país subdesenvolvido. Ou seja, embora chegue à posição de nono maior produtor de petróleo do mundo, com 3,2 milhões de barris diários, o Brasil deverá ser um dos cinco maiores importadores de combustíveis. Exporta matéria-prima, importa o produto manufaturado, como nos sistemas coloniais.

Por paradoxal que seja, as políticas que resultaram neste quadro degradante foram acompanhadas, nos governos Lula e Dilma, por bravatas nacionalistas e brados de independência em relação ao “imperialismo” e ao mundo. Não deu certo, aconteceu o contrário.

Era previsível. Sabia-se, desde que começaram as descobertas de reservas na camada do pré-sal, principalmente nas costas paulista e fluminense, que a Petrobras aumentaria bastante a produção. Tornou-se óbvio que o parque de refino precisaria ser ampliado.

Não que todo o petróleo produzido tenha de ser refinado no próprio país. A depender do seu tipo, deve-se exportá-lo. Há estratégias de combinação de exportações e importações de óleo, a depender do seu tipo e da adequação técnica do parque de refino. Mas o estatismo dirigista que tomou conta da Petrobras, paralelamente à corrupção sistêmica, com Lula e Dilma, impediu a definição e execução de um programa estratégico eficiente para o processamento do óleo do pré-sal.

Medos globais: Editorial | Folha de S. Paulo

Novas ameaças de Trump ao comércio com a China elevam a instabilidade aos mercados financeiros

Ainda são incertos os efeitos da ofensiva de Donald Trump contra o livre comércio, que afronta também a racionalidade econômica e o direito internacional. Já há o bastante, porém, para transtornar os mercados financeiros e abater as perspectivas do crescimento mundial, incluindo o brasileiro.

Na semana passada, os EUA passaram a cobrar impostos de importação mais altos sobre US$ 50 bilhões (R$ 187 bilhões) em produtos da China, que respondeu na mesma moeda. Na segunda (18), o republicano voltou à carga: ameaçou impor tarifas mais altas sobre outros US$ 200 bilhões (R$ 749 bilhões).

A consequência prática de tais escaramuças na economia americana —cujo PIB passa dos US$ 18 trilhões (R$ 67 trilhões)— ainda é pequena. Além do mais, apesar da retórica belicosa, as transações entre as duas potências aumentam sem parar, assim como o saldo em favor do país asiático.

No entanto Trump tumultua o mundo. Em primeiro lugar, cria incerteza, e o investimento tende a se retrair. Segundo, cresce a volatilidade nos negócios financeiros, o que gera mais especulação e, agora, perdas de patrimônio.

Argentina espera o dinheiro do FMI para sustentar o peso: Editorial | Valor Econômico

Com contas públicas desordenadas, déficit em conta corrente e baixas reservas, a Argentina sofre em busca do equilíbrio. Desde abril, o peso perdeu um quarto de seu valor e o governo acertou às pressas um programa stand by com o Fundo Monetário Internacional, que lhe dará o direito de sacar, em etapas, US$ 50 bilhões. A primeira parcela, de US$ 7,5 bilhões, deve ser aprovada hoje em reunião do board do Fundo e será o primeiro anteparo para o peso, que tem oscilado muito, em geral com viés de baixa.

O presidente Mauricio Macri trocou o presidente do Banco Central, Federico Sturzenegger e em seu lugar colocou Luis Caputo, que ocupava o ministério das Finanças. Caputo lançou na segunda-feira uma primeira bateria de ações para conter a alta do dólar, com relativo sucesso. A moeda se valorizou 2,2% no dia, mas a bolsa derreteu, com queda superior a 8%. O novo presidente do BC atacou em duas frentes. Numa, angariou US$ 700 milhões ao reduzir o limite da exposição líquida dos bancos em moeda estrangeira de 10% para 5%. Depois fez leilão de dólares (US$ 400 milhões) após o fechamento do mercado, para repor o desencaixe dos bancos ao longo do dia - eles compraram um pouco mais da metade, apenas.

Vinicius Torres Freire: Trump, o Nero Laranja, volta a atacar

- Folha S. Paulo

Líder da desumanidade parece desembestado a ponto de programar um conflito internacional

Donald Trump é uma inspiração para a escória política do mundo, para a extrema direita francesa, brasileira ou italiana; para nacionalistas, racistas, autoritários e desumanos em geral.

Sua política econômica ignorante pode causar danos domésticos, que talvez ricocheteiem pelo mundo, dado o peso dos Estados Unidos. Havia dúvidas sobre sua capacidade de provocar um conflito internacional. O primeiro teste começa em duas semanas, quando em tese passa a valer o aumento de imposto de importação sobre produtos chineses.

No entanto, os danos das escaramuças comerciais já começam a se espalhar pela finança do mundo. Além do mais, Trump ameaçou imposto extra sobre 86% das exportações chinesas, caso a China não se renda.

Em si mesmos, o aumento de tarifas e a retaliação chinesa não são lá grande coisa. Trump prometeu prejudicar importações no valor de US$ 50 bilhões, mas a partir do dia 6 de julho o imposto afeta apenas US$ 34 bilhões. A retaliação chinesa é equivalente. No total, trata-se de 10% do comércio entre os dois países (de US$ 654 bilhões), que juntos têm um PIB de US$ 30 trilhões (o do Brasil é de US$ 2 trilhões).

Mas o confronto não para por aí.

O governo Trump prometeu anunciar nos próximos dias restrições a investimentos chineses nos Estados Unidos, além de sanções contra indivíduos e empresas. Diante da promessa da China de retaliar olho por olho, Trump pediu estudos de sobretarifas que afetem outros US$ 200 bilhões de exportações chinesas. Em caso de novo revide chinês, sobre mais US$ 200 bilhões.

Míriam Leitão: Risco da guerra comercial

- O Globo

O governo americano escolheu um caminho que é um tiro no seu próprio pé. Se ele fosse o único a se ferir, não haveria problema. Mas sempre que há uma guerra comercial todos perdem. Para o Brasil, o confronto entre Estados Unidos e China significa a briga entre os nossos dois maiores parceiros. O protecionismo quando se generaliza reduz o crescimento mundial e espalha prejuízos.

A Casa Branca disse que na opinião do presidente Donald Trump a China tem mais a perder e que serão os chineses que piscarão primeiro. É assim, com essa superficialidade, que Trump vê a intrincada questão comercial. A escalada foi rápida. Na sexta-feira passada o escritório comercial da Casa Branca anunciou que seriam impostas tarifas sobre exportações chinesas no valor de US$ 50 bilhões. Como os chineses disseram que iriam retaliar, a ameaça agora é de atingir US$ 450 bilhões. Em situações como essa, os investidores fogem de ativos de risco e compram ouro e moedas como o dólar e a libra esterlina, considerados reservas de valor. Para o Brasil, a situação é ainda mais delicada porque o país está vivendo uma crise interna.

A economista Monica de Bolle, diretora do programa de Estudos Latino-Americanos e de Mercados Emergentes da SAIS/Johns Hopkins, nos EUA, chama a atenção para o fato de que o Brasil pode ser obrigado a escolher um lado na disputa. Ela lembra que o vice-presidente americano, Mike Pence, fará uma visita ao país na próxima semana e que esse assunto poderá ser abordado na pauta.

— Entre portas fechadas, o governo brasileiro poderá sofrer pressão dos americanos. Temos uma guerra comercial escalando entre os nossos dois principais parceiros — diz Monica.

José Augusto de Castro, presidente da AEB, dá a dimensão do que está acontecendo:

— Os Estados Unidos são o maior importador do mundo e a China, o maior exportador. Por aí se pode ver a dimensão da briga. Se as sobretaxas forem de fato adotadas, haverá menos comércio, menos demanda e isso derruba os preços das commodities.

Monica De Bolle: O medo de flutuar

- O Estado de S.Paulo

O excesso de zelo do Banco Central não se justifica pela ótica do risco de uma crise externa, hoje quase nulo

Há pouco mais de duas semanas, em meio à forte turbulência nos mercados locais, o Banco Central corretamente anunciou que não mudaria a política de juros para conter a desvalorização do real. Ao mesmo tempo, anunciou o aumento das operações de swap cambial para frear a volatilidade e a disparada da moeda americana. De lá para cá, a autoridade monetária brasileira já fez cerca de 25% do ápice do montante de operações dessa natureza durante o governo Dilma. Por que o Banco Central brasileiro tem tanto medo de deixar a moeda flutuar, conforme exige o regime que constantemente reafirmamos ter?

Primeiramente, a usual digressão sobre os swaps cambiais. Nessas operações, o Banco Central oferece aos investidores o pagamento da oscilação do dólar adicionado um prêmio, enquanto o investidor se compromete a pagar ao BC a variação das taxas de juros durante o período de validade do contrato. No fim do contrato, as duas partes trocam os rendimentos e, caso o dólar tenha oscilado mais do que os juros, os investidores recebem proteção cambial enquanto o Banco Central assume o custo dessa proteção.

O fenômeno ‘Bolsodoria’

Efeito anti-PT faz eleitores de Doria em SP preferirem Bolsonaro no lugar de Alckmin

Silvia Amorim | O Globo

-SÃO PAULO E BRASÍLIA- Além do distanciamento político com o ex-prefeito João Doria (PSDB), um outro embaraço desponta com potencial de dificultar a situação do presidenciável tucano Geraldo Alckmin e seu palanque duplo em São Paulo. No maior colégio eleitoral do país começa a se desenhar o voto “Bolsodoria” — eleitores que declaram voto no pré-candidato do PSDB ao governo paulista e, ao mesmo tempo, no précandidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Assim como ocorreu em 2006 em Minas Gerais, quando o fenômeno “Lulécio” — voto em Lula para presidente e Aécio Neves para governador — (leia quadro ao lado) ajudou a tirar Alckmin do páreo pela Presidência da República, surge na campanha alckmista a suspeita de que o voto “Bolsodoria” possa comprometer o empenho do PSDB paulista na campanha de Alckmin. O desempenho do presidenciável tucano em São Paulo é considerado chave para que ele alcance o segundo turno.

Alckmin está empatado com Bolsonaro em São Paulo com cerca de 15% das intenções de voto. No estado que governou por 13 anos, o tucano calcula que precisará obter 30%, no mínimo, no primeiro turno para ter chance de vitória.

O discurso anti-PT, marca registrada de Doria e Bolsonaro, é apontado como a maior razão para o fenômeno “Bolsodoria”. O ex-prefeito é disparado a preferência número 1 dos que declaram voto em Bolsonaro em São Paulo. Trechos não divulgados de uma pesquisa Datafolha feita em abril mostram que, em vários cenários, os apoiadores do presidenciável do PSL aparecem em maior quantidade entre o eleitorado de Doria do que os simpatizantes de Alckmin. A fatia dos bolsonaristas representa de 20% a 23% do eleitorado do tucano, enquanto a dos alckmistas, de 18% a 23%.

“EU NÃO SOU CONHECIDO NO BRASIL”, DIZ ALCKMIN
O fantasma do voto “Bolsodoria” soma-se a um quadro que já é de dificuldades para a pré-candidatura de Alckmin. Em sua própria casa, o presidenciável tem o palanque mais problemático. Na verdade, são dois. Alckmin se omitiu na disputa entre dois partidos de sua base, PSDB e PSB, e agora tem dois pré-candidatos ao governo paulista em guerra — Doria e o governador e candidato à reeleição, Márcio França (PSB).

Fernando Gabeira: A corrida atrás da bola

- O Globo

Nem todos os brasileiros são malandros e nem todos os russos são preguiçosos

No meu plano de trabalho, só tocaria neste tema ao final da Copa. Acontece que ele acabou surgindo no Brasil. Miranda deveria ou não cair para que o gol da Suíça fosse anulado? Faltou malandragem?

O lendário personagem nacional Macunaíma reaparece e me dá chance de mostrar que essa figura, de alguma maneira, não é estranha aos russos. Eles têm seu Macunaíma. Não veio de lendas indígenas, mas de um romance escrito em 1859 por Ivan Gonchárov: “Oblómov”.

Na verdade, o personagem russo não tem a esperteza de Macunaíma. O traço que os une fortemente é a preguiça. Oblómov era um nobre que apenas se movia da cadeira para a cama e se recusava a fazer outra coisa, além de pensar. Seu símbolo era o roupão, assim como a rede era o de Macunaíma.

O oblomovismo chegou a ser descrito como um problema nacional. O próprio Lênin manifestava-se sobre ele em seus discursos, advertindo que era impossível construir um país com a preguiça de Oblómov. Traduzindo o discurso para um português mais coloquial, creio que estava pedindo apenas o que o saudoso Hugo Carvana dizia nos seus filmes: vai trabalhar, vagabundo.

Luiz Gonzaga: Vem morena

Joaquim Cardozo: A Escultura folheada

Aqui está um livro
Um livro de gravuras coloridas;
Há um ponto-furo. um simples ponto
simples furo
E nada mais.

Abro a capa do livro e
Vejo por trás da mesma que o furo continua;
Folheio as páginas, uma a uma.
- Vou passando as folhas, devagar,
o furo continua

Noto que, de repente, o furo vai se alargando
Se abrindo, florindo, emprenhando,
Compondo um volume vazio, irregular, interior e conexo:
Superpostas aberturas recortadas nas folhas do livro,
Têm a forma rara de uma escultura vazia e fechada,
Uma variedade, uma escultura guardada dentro de um livro,
Escultura de nada: ou antes, de um pseudo-não;
Fechada, escondida, para todos os que não quiserem
Folhear o livro.

Mas, prossigo desfolhando:
Agora a forma vai de novo se estreitando
Se afunilando, se reduzindo, desaparecendo/surgindo
E na capa do outro lado se tornando
novamente
Um ponto-furo, um simples ponto
simples furo
E nada mais.

Os seres que a construíram, simples formigas aladas,
Evoluíam sob o sol de uma lâmpada
Onde perderam as asas. Caíram.
As linhas de vôo, incertas e belas, aluíram;
Mas essas linhas volantes, a princípio, foram
se reproduzindo nas folhas do livro, compondo desenhos
De fazer inveja aos mais “ sábios artistas”.
Circunvagueando, indecisas nas primeiras páginas,
À procura da forma formante e formada.
Seus vôos transcritos, “refletidos” nessas primeiras linhas,
Enfim se aprofundam, se avolumam no vazio
De uma escultura escondida, no escuro do interno;
Somente visível, “de fora”, por dois pontos;
Dois pontos furos: simples pontos
simples furos
E nada mais.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Opinião do dia: Luiz Werneck Vianna

HU On-Line — Que balanço faz de Junho de 2013, cinco anos depois?

Luiz Werneck Vianna — As sociedades democráticas, quando conhecem pequenos abalos, têm mecanismos de sintonia com eles e mudam, procuram identificar a fonte desses abalos e mudam. Quando uma sociedade não é tão democrática assim, nem um terremoto como aquele foi capaz de propiciar mudanças: a sociedade ficou igual, o governo e o legislativo não providenciaram mudanças e tudo isso terminou no impeachment, como uma derivação natural, uma falta de reação a um grande sinal de que algo precisava mudar. E como esse sinal grande não foi registrado, metabolizado e assimilado, entramos numa descendente que terminou no impeachment, que é sempre um processo doloroso, que deixa marcas, as quais estamos experimentando agora.

IHU On-Line — Nada mudou desde Junho de 2013 para cá, ou houve mudanças em decorrência do impeachment?

Luiz Werneck Vianna — As jornadas de Junho foram uma sinalização forte, mas nada se fez para mudar o curso dos acontecimentos que estavam sendo desenhados nessas mesmas jornadas de 2013. As manifestações levaram a uma mudança, mas não a uma mudança controlada, e sim a uma mudança que acabou sendo precedida pelas instituições democráticas para o impeachment, que faz parte da nossa Constituição.

O impeachment introduziu outra lógica: nós nos desprendemos da política anterior, que deu sinal de exaustão, e foi isso que 2013 quis dizer — “não nos representam”. Junho de 2013 deu as costas ao sistema e aos partidos políticos, deu as costas à política econômica que o governo Dilma praticava e abriu-se a possibilidade de outra política econômica, uma política econômica para a qual não estávamos preparados. Isso significa uma ruptura, um afastamento e uma distância muito grande com a política centrada no Estado, com a qual vivemos desde 1930. Nós estamos vivendo agora uma nova configuração do Estado-Sociedade sem que a sociedade tenha pensado nisso, esteja querendo isso. Aliás, há candidatos que preconizam a volta do status quo anterior, quer dizer, a volta à experiência do governo de Dilma Rousseff, que foi uma experiência desastrosa para o país, com desemprego e inflação altíssimos.

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Luiz Werneck Vianna é professor-pesquisador na Pontifícia Universidade Católica - PUC-Rio. Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo - USP, Entrevista em 14/6/2018

Raymundo Costa: Jobim pode compor o PSDB com o MDB

- Valor Econômico

Fracasso econômico é o que tira Meirelles da sucessão

Alas do PSDB e do MDB retomaram as conversas sobre uma aliança na sucessão presidencial. Nem todos os tucanos querem a companhia do partido do governo, seja pelo envolvimento de seus principais líderes com a corrupção seja pela reprovação recorde do presidente Michel Temer nas pesquisas eleitorais.

A ala do PSDB que quer a aliança com o MDB acredita que o partido aceitará a composição e pedirá a Vice-Presidência para o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro nos governos FHC e Dilma Rousseff Nelson Jobim. É o nome que agradaria Geraldo Alckmin, o pré-candidato do PSDB.

O PSDB se movimenta de novo para juntar o centro político, e nessa investida trabalha com mais de uma alternativa. Jobim é o candidato que mais agrada a Alckmin, mas o MDB indicará quem achar melhor. Ter a simpatia do candidato, no entanto, ajuda.

Jobim faz parte do chamado grupo ético do MDB. Em princípio seria o escolhido só pela preferência de Alckmin. Pode ser. Mas não se deve esquecer que o político gaúcho é polivalente. Além de trânsito fácil nas três legendas - MDB, PSDB e PT -, o ex-ministro já presidiu a instância mais alta do Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF).

Num momento de conflito entre os poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário -, seria preciosa a experiência e o conhecimento que Jobim tem do Congresso (foi deputado constituinte), do governo (foi ministro de dois governos) e dos tribunais superiores.

Bruno Boghossian: Super-homem 2018

- Folha de S. Paulo

Ao ofender vereador, presidenciável evidencia risco a sua viabilidade eleitoral

Ciro Gomes é um eterno penitente. Em 2002, quando concorreu ao Planalto pela segunda vez, lamentou ter chamado de burro um homem que o atacara durante um programa de rádio. “Para ser presidente da República, eu tenho que ter a capacidade de nunca mais me deixar levar por uma provocação dessa natureza. É uma lição que eu aprendi.”

Faltou fazer o dever de casa. Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta segunda (18), o presidenciável pelo PDT disse que se arrependia de declarações feitas ao longo de sua vida pública. “O povo precisa saber que, sob estresse, o seu futuro presidente sabe se comportar”, afirmou.

Em menos de cinco minutos, Ciro desferiu seu mais novo insulto. Chamou de “capitãozinho do mato” o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM). “A pior coisa que tem é um negro que é usado pelo preconceito para estigmatizar”, declarou.

Holiday é negro, crítico de ações afirmativas como cotas raciais e nem havia sido mencionado na entrevista. Foi usado gratuitamente como escada por Ciro para ressaltar suas divergências com o DEM.

Ana Carla Abrão: O Brasil é um sonho intenso

- O Estado de S.Paulo

Eleição, ao contrário do jogo do último domingo, não é só mais um jogo

A apatia parecia ser a característica dessa Copa, como que refletindo um sentimento mais amplo. Não havia bandeiras expostas nem ruas pintadas. Mas foi o Brasil entrar em campo que o verde-amarelo apareceu. Marca brasileira, o futebol nos dá alegria, nos traz o Brasil grande, forte, vitorioso. A Copa, em particular, nos resgata aquele orgulho canarinho e desperta nossa identidade. Ela expõe com orgulho nossas raízes, revive a mistura de raças e levanta aquela moral nacional, algo combalida nos tempos atuais.

Sonhamos com a vitória, com o gol, com o brilho de um país cheio de vontade. Mas vem um empate e hoje nos frustra mais que nunca. Talvez menos pelo jogo e mais porque estamos em busca de salvação, de redenção. Nos falta onde nos segurar e por onde resgatar a confiança de que os dias que virão serão melhores do que aqueles que já foram. Afinal, estamos órfãos de heróis, que teimam em não surgir, se negam a nos surpreender.

Na falta deles, um povo cansado se agarra a falsos salvadores, que só nos sensibilizam nas nossas raivas, decepções e frustrações. Não é desses que precisamos. O Brasil precisa de uma liderança que nos defenda a todos nós – e não aqueles que gritam mais e podem mais. Precisamos de alguém com legitimidade, que nos defina um rumo, um caminho, uma agenda. Precisamos de alguém que nos diga que chegamos ao limite e que assim não dá mais para continuar, pois, se assim formos, corremos o risco de perder tudo, inclusive o que merecemos. Precisamos de alguém que faça o que precisa ser feito, em nome de todos e não dos que já nos levaram quase tudo.

Míriam Leitão: Mudanças de cenário

- O Globo

O Banco Central deve manter a taxa de juros na reunião desta semana, mas espera-se alguma indicação sobre o futuro da relação entre o câmbio e a política monetária. Na reunião em que os juros caíram para 6,5%, o dólar estava cotado a R$ 3,29. De lá para cá, houve a greve do transporte de carga que pressionou os preços. A incerteza internacional também subiu. Tudo está em alteração na economia.

Desde que os juros caíram para 6,5% em 21 de março, o dólar já subiu 13,9%. No dia 21 de maio, quando teve início a greve, o mercado financeiro ainda esperava crescimento de 2,46% para o PIB de 2018, de acordo com a pesquisa feita semanalmente pelo Banco Central junto a bancos e consultorias. Ontem, o número já havia caído para 1,76%. Alguns economistas sustentavam, quando começou a paralisação, que os efeitos seriam pontuais e reversíveis.

Quem subestimou esse impacto já teve tempo de rever suas previsões. Primeiro porque aumentou a fragilidade fiscal do governo com as concessões feitas ao setor e as contas de 2019 ficaram ainda mais nebulosas. Depois porque os choques secundários permanecem na economia provocados pela novela do frete, que tem gerado um desdobramento por dia. A circulação de mercadorias não voltou completamente à normalidade e certos preços ainda não recuaram ao patamar anterior, o que tem provocado a retração do consumo.

Maria Clara R. M. do Prado: Insustentável prognóstico político

- Valor Econômico

Sem menosprezar a necessidade das reformas, é com o caos no curto prazo que todos devem se preocupar

Não basta um arrazoado de boas intenções contra a intolerância, o radicalismo e a instabilidade, ademais eivado de platitudes, para modificar o panorama político que se desenha a partir das eleições de 2018. O manifesto divulgado há cerca de vinte dias por um grupo de personalidades, sob o nebuloso título "Por um polo democrático e reformista", conclama forças de centro-direita à unidade política em torno de uma só candidatura à Presidência da República, mas esquece de indicar o nome do candidato com condições de atrair a maioria do eleitorado para o projeto nacional proposto.

A iniciativa é louvável, mas inócua. De um lado, o manifesto surge poucos meses antes da renovação do Congresso Nacional. Sim, porque além do presidente da República, também deputados federais e senadores, além de governadores e deputados estaduais passarão pelo escrutínio da população. É de se perguntar com que apoio político estariam os signatários contando para garantir a implementação dos 17 itens propostos no documento? De outro, mais imediatamente relevante, esbarra na consolidação das candidaturas de políticos que têm se sobressaído nas pesquisas de opinião a despeito, justamente, de flertarem com tudo o que o documento condena: "populismos radicais, autoritários e anacrônicos".

A ocasião mais propícia para uma virada, a partir não de um simples manifesto, mas de um grande pacto nacional entre representantes das diversas agremiações políticas, empresários e trabalhadores, passando pelo Congresso Nacional, aconteceu entre 2013 e 2014, quando a mobilização da sociedade nas ruas clamava por mudanças rápidas e efetivas. O que veio depois apenas confirmou o modus operandi da política brasileira, magnificando a insatisfação popular e abrindo caminho para candidaturas avulsas do tipo Jair Bolsonaro.

Ricardo Noblat: Marina Silva aposta no voto útil para vencer Bolsonaro

- Blog do Noblat

Vitória improvável, mas não impossível

Sem tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, sem partidos – fora o seu – que queiram apoiá-la, e com pouco dinheiro para pagar despesas de campanha, a ex-ministra Marina Silva só tem como se eleger presidente da República em outubro próximo se a sua candidatura, apesar de todas as desvantagens, for capaz de unir a maioria dos brasileiros.

Isso será possível? Possível, sim. Marina é vista pelos eleitores, mesmo por aqueles que não a admiram, como alguém que veio do andar de baixo e que sabe como poucos políticos o que é ser pobre e ter que lutar para sobreviver em um país tão desigual como o Brasil. Sobreviveu à miséria, a doenças que quase lhe custaram a vida, e aos preconceitos.

Soube abrir espaço à base de cotoveladas gentis e afirmar-se como uma figura pública que jamais abriu mão dos seus princípios. Passou incólume por todos os escândalos que destruíram a boa reputação do seu partido de origem, o PT. Serviu como ministra do Meio Ambiente ao primeiro governo Lula, mas nem por isso se deixou contaminar pela podridão do ambiente em torno.

Por duas outras vezes, já foi candidata a presidente e perdeu. Mas saiu de cada uma delas maior do que entrou. Em 2014, ao suceder como candidata a Eduardo Campos, morto em um acidente de avião, Marina chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto. Com pouco tempo de rádio e de televisão para se defender, acabou como vítima do formidável poder de fogo da dobradinha Dilma-Aécio.

Tucano poupa Alvaro Dias ao criticar infidelidade partidária

Adriana Ferraz, Pedro Venceslau | O Estado de S. Paulo.

Em busca de uma aliança ainda no primeiro turno, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin poupou críticas ao senador Alvaro Dias (PR), pré-candidato do Podemos à Presidência, em novo vídeo de campanha que passou a circular ontem.

Para ressaltar o fato de Alckmin estar filiado ao PSDB há quase 30 anos, a equipe de marketing digital do tucano produziu um filme que enumera os partidos pelos quais já passaram Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Henrique Meirelles (MDB). Dias, que mudou oito vezes de sigla, ficou fora da lista.

O vídeo, cujo tema é “coerência na política”, também não cita que o próprio Alckmin já mudou de partido uma vez. Antes de o PSDB ser criado, em junho de 1988, o ex-governador era filiado ao MDB, informação omitida na propaganda feita para as redes sociais. “Veja o Geraldo Alckmin, há 30 anos no mesmo partido, o PSDB. Se você cobra coerência, seja coerente”, diz a mensagem.

Segundo a assessoria de Alckmin, a estratégia foi revelar a trajetória partidária dos pré-candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, além de Meirelles, classificado como o candidato do governo Michel Temer. Seria essa a justificativa para Dias não ter sido alvo, apesar de registrar cerca de 4% nas principais pesquisas de intenção de voto – o emedebista tem apenas 1%.

A campanha de Alckmin coloca Bolsonaro como o presidenciável recordista no troca-troca partidário, apesar de o deputado ter mudado de partido o mesmo número de vezes do senador. Sobre não ter divulgado a passagem pelo MDB, a equipe de Alckmin disse que ele está há 30 anos no mesmo partido e que o PSDB não existia quando o ex-governador iniciou sua vida pública. Não teria sido, portanto, uma troca como os demais presidenciáveis praticam, baseada em cargos ou interesses eleitorais.

Questionado sobre a decisão do PSDB de poupá-lo e a possibilidade de aliança com seu expartido, Dias disse que não guarda ressentimento e está disposto a conversar com os tucanos, mas considera “difícil” uma aliança no primeiro turno.

Aliança com Alckmin é ‘sentimento amplo’ no PSD, afirma Kassab

Pré-candidato e ministro jantaram juntos no fim de semana; tucano também tenta coligação com PPS, PTB e PV

Felipe Frazão, Vera Rosa | O Estado de S. Paulo.

/ BRASÍLIA - Diante da cobrança de tucanos pela criação de fatos políticos, o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, decidiu acelerar as articulações para obter o apoio explícito de pelo menos quatro partidos à sua campanha. O primeiro passo foi dado no domingo, quando Alckmin jantou, em São Paulo, na casa do ministro de Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, presidente licenciado do PSD.

O presidenciável estava acompanhado de Marconi Perillo, escolhido na quinta-feira como coordenador político de sua equipe, e do ex-prefeito João Doria, pré-candidato do PSDB ao governo paulista. Alckmin ouviu de Kassab que, se depender dele, a aliança está garantida e que “esse sentimento é o mais amplo no partido”..

Além do PSD, o tucano tenta fechar aliança com PPS, PTB e PV. Embora tenha compromisso com Alckmin, o PPS apresenta sinais de divisão e setores da sigla defendem uma composição com Marina Silva (Rede).

Alckmin pede calma a empresários

Por Fernando Taquari, Cristiane Agostine e Ricardo Mendonça | Valor Econômico

SÃO PAULO - Com o pior desempenho do PSDB em pesquisas eleitorais em quase 30 anos, o ex-governador e presidenciável Geraldo Alckmin pediu ontem a uma plateia de empresários para que não se "impressionem" com as sondagens. O tucano disse que suas chances de chegar ao segundo turno são "enormes". "Não se impressionem com pesquisa eleitoral fora de hora", disse Alckmin ao participar de evento promovido pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), na capital paulista.

Ao fazer o apelo, o tucano lembrou da recente eleição suplementar no Tocantins, cujos levantamentos anteriores ao primeiro turno apontavam para uma disputa no segundo turno entre a senadora Kátia Abreu (PDT) e o ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha (PSB). Ambos foram derrotados na primeira fase da eleição.

Alckmin planeja lançar um movimento suprapartidário em apoio à sua pré-candidatura no início do próximo mês. O articulador político da campanha, ex-governador de Goiás Marconi Perillo, disse que o PSDB deve anunciar nesse evento os primeiros acordos partidários e que as conversas "estão avançadas" com PPS, PV, PTB e PSD.

Alckmin prioriza segurança para crescer no Nordeste

Presidenciável escolhe ex-delegada da Polícia Federal, hoje prefeita de Caruaru (PE), para elaborar programa para área

José Marques | Folha de S. Paulo

CARUARU (PE) - Com a escolha de uma prefeita que é ex-delegada da Polícia Federal para a equipe que elabora seu programa de segurança pública, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) tenta aumentar suasintenções de voto no interior do Nordeste com a bandeira do combate à violência.

Além de o número de mortes ter estourado em cidades de médio porte da região nos últimos anos, o problema tem sido incorporado por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL), adversário de Alckmin na campanha ao Palácio do Planalto.

Raquel Lyra (PSDB), 39, se elegeu com a promessa de tornar mais segura a cidade de Caruaru, no agreste pernambucano, que tinha uma taxa de 60 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2016, segundo os dados mais recentes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O município tem 360 mil habitantes.

Em comparação, a proporção no Rio de Janeiro era de 25/100 mil no mesmo ano.

Ela se junta ao professor de relações internacionais da USP Leandro Piquet e ao general do Exército João Campos na tarefa de elaborar um texto que apresente soluções para um problema que deve ser um dos principais pontos de discussão da eleição.

Adicionalmente, é apoiadora de Alckmin em uma região cujo candidato, no melhor cenário do Datafolha, alcança 5% das intenções de voto. No pior, está com 2%.

"Ser do PSDB, ser mulher e ser prefeita no agreste de Pernambuco e no Nordeste brasileiro não é uma coisa simples, e talvez seja por isso que ele tenha me escolhido", diz Raquel Lyra, numa sede de prefeitura decorada com imagens que remetem à literatura de cordel.

Junto com Piquet, que conheceu no gabinete do senador Armando Monteiro (PTB-PE), pré-candidato ao governo pernambucano apoiado pelos tucanos, a prefeita afirma que ajudará a elaborar o programa não como especialista, mas "como uma gestora que está lidando com segurança pública na sua cidade e buscando trazer do governo municipal seu papel para o apoio da segurança pública".

De sua parte, defende que haja um indicador único, nacional, sobre violência. Segundo ela, hoje cada estado usa parâmetros diferentes para levantar as estatísticas.

"Se a gente fizer um mapa disso, podemos ter um cruzamento de onde está ocorrendo a violência e buscar trabalhar as causas dela", afirmou.

A prefeita também negocia uma visita de Alckmin à região para apresentar suas ideias. A pré-campanha do candidato diz que a viagem está prevista para a sexta (22) ou sábado (23). O ex-governador de São Paulo deve ir ainda, no mesmo dia, à cidade de Campina Grande (PB), também governada por um tucano.

A viagem será feita no ápice da comemoração de São João nas duas cidades, que disputam o título de maior festa junina do país.

Coordenador da campanha de Alckmin busca comando do MDB e prega pragmatismo

Painel | Folha de S. Paulo

Vinde a mim O time de Geraldo Alckmin (PSDB) fez um gesto oficial ao partido de Michel Temer. Alçado à coordenação política da campanha do tucano ao Planalto, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB-GO) marcou um encontro com o presidente nacional do MDB, Romero Jucá (RR). A conversa está pré-agendada para quinta (21). A pessoas próximas, Perillo defendeu pragmatismo nessa etapa da disputa: além de valioso tempo de TV, o MDB tem cerca de mil prefeitos, capilaridade nada desprezível.

Próxima vítima Se os acenos do tucanato ao MDB ganharem corpo, a situação de Henrique Meirelles, hoje pré-candidato do partido de Temer ao Planalto, tende a se agravar. O ex-ministro da Fazenda tenta calibrar o discurso, mas a patinada da economia acabou inflando ala que não vê vantagem em mantê-lo no pleito.

Cerco tucano

Poder em jogo / O Globo

O ex-governador Marconi Perillo recebeu como primeira tarefa na coordenação da campanha de Geraldo Alckmin “segurar” os partidos que têm caminhado com o PSDB. Depois de ver o DEM flertar com Ciro Gomes (PDT), o medo agora é com o rumo do PPS, que sinalizava apoio ao tucano. Com Alckmin estagnado nas pesquisas, porém, há integrantes da cúpula do PPS que defendem outro rumo. A Perillo, Alckmin pediu que as investidas da Rede, de Marina Silva, sobre o aliado não fiquem sem reação. A missão de Perillo é também a prioridade de Alckmin.

Ex-tucano, Álvaro Dias é entrave para crescimento de Alckmin

Pré-candidato do PSDB ofereceu cargos em troca da desistência do adversário

Cristiane Jungblut | O Globo

-BRASÍLIA- Companheiro de partido do pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, durante mais de uma década, o presidenciável do Podemos, senador Álvaro Dias, tornou-se, nesta eleição, um dos principais obstáculos ao projeto de poder tucano. Com 4% das intenções de voto no último Datafolha, Dias virou uma barreira para o crescimento de Alckmin nos estados de Sul e Sudeste, onde o PSDB costuma ter um bom desempenho.

Estagnado nas pesquisas — registrou 7% no último Datafolha —, Alckmin decidiu intensificar agendas de campanha no Sul para reconquistar o território perdido. Ontem, ele disse que precisar ser “mais conhecido” no país. O tucano já esteve no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Ele deve voltar a Florianópolis hoje.

Integrantes da campanha do PSDB admitem que os votos perdidos pelo crescimento de Dias estão fazendo falta no Sul e em São Paulo. Para estancar a sangria, os tucanos tentaram, há alguns meses, demover o Podemos de manter a candidatura de Dias a presidente. Emissários de Alckmin ofereceram à direção do partido secretarias no governo de São Paulo, mas o plano de cooptação não deu certo.

A relação entre Dias e a campanha de Alckmin passou a ser tensa desde então. Embora tenha pregado a união de partidos em torno de um candidato de centro, o senador do Podemos não pensa em associar seu projeto eleitoral ao tucano. Parlamentares do PSDB do Paraná, como o deputado Luiz Carlos Hauly, já avisaram ao comando que farão campanha para Alckmin, mas que não podem sair criticando Dias nem fazer campanha contra ele. Alguns tucanos ainda sonham que, na convergência dos partidos de centro, Dias volte a se aliar ao PSDB — o próprio senador, no entanto, tem descartado essa possibilidade em conversas com aliados.

Álvaro Dias já foi líder do PSDB no Senado, mas deixou o partido, em 2016, depois de muito desgaste e de bater de frente com as posições da sigla, especialmente no processo do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele criticava a decisão do comando do partido de apoiar apenas a saída de Dilma, aceitando até mesmo a participação no governo de Michel Temer, que era vice e assumiu a Presidência com o afastamento da petista. Nas disputas internas, Álvaro também viu seus planos no Paraná serem preteridos pelo projeto do ex-governador Beto Richa (PSDB), aliado de Aécio.

Bernardo Mello Franco: Deixe as testemunhas falarem, doutor Moro

- O Globo

Uma testemunha de defesa existe para defender o réu. É direito do acusado indicá-la para reforçar sua versão dos fatos. A testemunha tem o dever de dizer a verdade. Se mentir, pode virar alvo de outro processo. Dentro dessas regras, quem é convocado deve ter liberdade para falar. Se vai convencer o juiz, são outros quinhentos.

Ontem Sergio Moro voltou a interromper um depoimento a favor de Lula no processo sobre o sítio de Atibaia. O juiz cassou a palavra de Rui Falcão, ex-presidente do PT. Ele sustentava a tese de que o aliado seria perseguido pela Lava-Jato.

Falcão respondia a uma pergunta do advogado Cristiano Zanin. “O senhor conhece o ex-presidente Lula, tem relação pessoal e política com ele?”, perguntou o defensor. “Principalmente relação política. E estou muito preocupado com o processo de perseguição que vem sendo movido contra ele”, disse o petista.

Neste momento, o procurador interrompeu o depoimento. Falcão tentou prosseguir: “Cujo único objetivo é impedir que ele seja candidato a presidente da República”... Foi a senha para Moro cortar sua palavra: “Não é propaganda política aqui, viu, ô senhor Rui?”.

Hélio Schwartsman: Tem que manter isso

- Folha de S. Paulo

Privados das conduções coercitivas, magistrados de fato determinariam mais prisões?

Fez bem o Supremo Tribunal Federal em proibir a condução coercitiva. Ela sempre me pareceu uma impossibilidade lógica. Como já escrevi aqui, num país cuja Constituição assegura a réus e suspeitos o direito de permanecer em silêncio, levá-los para depor “manu militari” não passa de um exercício de exibicionismo narcísico e um enorme desperdício de gasolina pública.

Se tudo o que as autoridades podem fazer em relação ao sujeito que se nega a prestar esclarecimentos é registrar a recusa, não há por que transformar a providência burocrática num espetáculo circense.

Registre-se, porém, que não era ruim o argumento dos defensores das conduções. Diziam que elas eram, na prática, uma espécie de proteção ao suspeito, já que os juízes as utilizavam como alternativa à prisão cautelar, que está em seu poder decretar em qualquer fase do processo. E é sempre preferível passar algumas horas com o delegado a ser preso.

Esse tipo de raciocínio é sedutor, mas complicado, porque depende de contrafactuais aos quais não temos acesso. Privados das conduções coercitivas, magistrados de fato determinariam mais prisões? Não sabemos.

O risco do cartel chapa-branca: Editorial | O Estado de S. Paulo

Um novo cartel poderá surgir na economia brasileira, com prejuízo para o setor produtivo, para o comércio e para o consumidor, com a implantação de uma tabela de fretes negociada entre o Poder Executivo e representantes do transporte rodoviário. Por isso, se a tabela for mesmo posta em vigor, será prudente mantê-la pelo menor prazo possível, para limitar a extensão dos danos. A recomendação aparece em documento enviado pelo Ministério da Fazenda na semana passada ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. As advertências quanto ao risco do cartel estão contidas nesse documento e também numa avaliação enviada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia vinculada ao Ministério da Justiça. Os técnicos da Fazenda e do Conselho entendem do assunto e manifestaram-se em resposta a uma consulta formulada pelo ministro Fux. Segundo ações iniciadas na Justiça, a tabela de preços criada pela Medida Provisória 832 é inconstitucional e ele, escalado como relator da matéria, decidiu buscar informações técnicas sobre o assunto.

Os técnicos da Fazenda e do Cade entendem do assunto e seus pontos de vista serão provavelmente levados em conta pelo ministro Fux, mas neste momento é arriscado tentar prever sua decisão. A avaliação preparada pelo pessoal do Ministério da Fazenda abre a porta para uma solução intermediária: restringir a duração da tabela ao menor prazo possível. Poderá haver algum argumento a favor da escolha desse caminho, mas, ainda assim, os brasileiros estarão diante de um fato bizarro, a criação de um cartel privado por determinação oficial.

Acordo de leniência não é para quebrar a empresa: Editorial | O Globo

Não ajudam ao combate à corrupção punições pesadas, na esfera administrativa, de quem já colaborou com as investigações no campo criminal

Embora a acordo de colaboração premiada já existisse, foi em 2013, por meio da lei nº 12.850 — ironicamente, sancionada por Dilma Rousseff —, que a figura jurídica do instrumento foi mais bem delineada. E, logo no ano seguinte, o da instalação da Operação Lava-Jato, em Curitiba, a legislação começou a servir de instrumento eficaz para o Ministério Público obter informações privilegiadas sobre o petrolão, em troca da atenuação de penas.

Como em vários outros países, esta barganha feita em bases legais desmontou um grande esquema, o de assalto à Petrobras, com tal eficácia que, hoje, estão presos em Curitiba o ex-presidente Lula e seus principais braços direitos no governo, Antonio Palocci e José Dirceu.

Mas, no âmbito empresarial, em que o instrumento se chama “acordo de leniência”, tem havido conflitos entre as áreas criminal, em que tramitam os casos de corrupção, e administrativa, responsável pela punição das empresas envolvidas nos esquemas, na forma de multas e proibição de acesso a financiamentos de bancos oficiais e a concorrências na área pública.

É neste campo que se enfrentam, de um lado, o juiz Sergio Moro e o MP, da Lava-Jato, e, de outro, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão auxiliar do Poder Legislativo, Bruno Dantas, apadrinhado do senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Despesa invisível: Editorial | Folha de S. Paulo

Sem transparência nem avaliações de eficiência a contento, governo abre mão de 4% do PIB em tributos

O esgotamento das finanças do Estado brasileiro tornou inadiável a revisão dos generosos incentivos tributários concedidos no país.

Abre-se mão de receitas expressivas como se houvesse dinheiro de sobra. Pior, a maior parte dos benefícios é criada à margem do Orçamento, por meio de mudanças legislativas patrocinadas por grupos de interesse, sem nenhuma avaliação de impacto e eficiência.

Em 2018, estima-se que a União deixe de arrecadar R$ 283,4 bilhões, cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) —o dobro da média mundial, segundo afirmou a esta Folha o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.

Decerto que as cifras devem ser relativizadas. Não é nada líquido e certo que tal montante ingressaria de imediato nos cofres públicos em caso de eliminação dos incentivos, dado que alguns negócios fechariam suas portas ou adotariam estratégias diferentes.

Ainda assim o valor se mostra exorbitante para um governo que acumula déficit primário (a diferença entre receitas e gastos, excluindo encargos da dívida pública) na casa de 1,8% do PIB.

De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), nada menos que 85% do valor das benesses diz respeito a programas sem data para acabar, impondo custo permanente para a sociedade.

Distribuidoras da Eletrobras testarão interesse estrangeiro: Editorial | Valor Econômico

Saiu o edital de privatização de seis distribuidoras de energia da Eletrobras, localizadas no Norte e Nordeste. Com operações no Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Rondônia e Roraima, as empresas têm leilão marcado para o fim de julho. Os investidores que vencerem a disputa precisarão assumir cerca de R$ 35,3 bilhões em dívidas, dos quais R$ 10,9 bilhões vencem em até 12 meses, e R$ 24,4 bilhões a longo prazo, informou o BNDES, que desenhou a operação.

Além de se livrar do passivo, o governo conta com que os novos concessionários façam R$ 2,4 bilhões em investimentos imediatos, recursos que não dispõem e são necessários para reestruturação das empresas, expansão da rede de distribuição, melhoria da qualidade dos serviços prestados à população, expansão de empreendimentos existentes ou abertura de novos negócios. A venda das distribuidoras é considerada como primeira etapa para a privatização da própria Eletrobras, cuja venda é necessária pelos mesmos motivos das distribuidoras, mas considerada cada vez mais improvável neste ano pela dificuldade política em ser aprovada.

Já a venda das seis distribuidoras tem mais chances de sucesso. A aposta vem da constatação do forte interesse do investidor estrangeiro pela atuação na área de energia no Brasil. Exemplo disso é a chinesa State Grid, que chegou ao Brasil em 2010 e já fez diversas aquisições na transmissão de energia. A empresa inaugurou o primeiro linhão de Belo Monte, com pouco mais de 2 mil quilômetros de extensão, que leva energia da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA) para a região Sudeste, terminando em São Paulo. É responsável também pelo segundo linhão, que atravessa cinco Estados, até o Rio, empreendimento, que pertence integralmente à empresa e demandará investimentos de cerca de R$ 10 bilhões. O interesse pelo país foi confirmado pela recente compra do controle da CPFL.

Renovação enganosa

Segundo pesquisadores, movimentos de renovação na política estão errados

Rotatividade do Congresso brasileiro é uma das maiores do mundo

Marcos Augusto Gonçalves | Ilustríssima/ Folha de S. Paulo, 17/6/2018

[Resumo] Movimentos de renovação da política estão errados tanto em suas premissas quanto nas soluções que propõem, afirmam pesquisadores. Eles mostram que rotatividade do Congresso brasileiro é uma das maiores do mundo e dizem que país não precisa de salvadores da pátria.

Pelo menos desde a eclosão dos movimentos de junho de 2013, a sociedade brasileira atravessa um período de agudo questionamento da política e de seus representantes.

O fenômeno, que encontra paralelo em movimentações de outros países, ganhou aqui contornos inquietantes com o processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e a ampliação do arco partidário atingido por denúncias de corrupção e condenações da Lava Jato.

O enfraquecimento das principais siglas e lideranças levou a uma busca por saídas não convencionais que se traduziu no repentino prestígio de nomes até então pouco considerados ou sem experiência no jogo eleitoral.

Jair Bolsonaro, que permanece em posição de destaque nas pesquisas, é o mais rumoroso deles, mas especulou-se também, entre outras, sobre as candidaturas do apresentador de TV Luciano Huck e de Joaquim Barbosa, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal.

Nesse cenário passou a prosperar a organização de movimentos da sociedade civil com o propósito de renovar a política. Em pouco tempo, a ideia de lançar nomes novos, éticos e jovens tornou-se coqueluche. Institutos e organizações se multiplicaram, e o discurso da renovação difundiu-se.

Seria imperioso renovar não só a Presidência, mas notadamente o Congresso, que se apresentou na TV, à época da votação do impeachment, em toda sua precariedade moral, vileza ética e despreparo cívico.

De uma hora para outra, assumiu-se em determinados círculos que o principal problema do país residia na perpetuação de políticos tradicionais, permeáveis à corrupção e ligados a interesses nebulosos.

Recentemente, uma dupla de pesquisadores brasileiros, Eduardo Cavaliere, 23, e Otavio Miranda, 24, arregaçou as mangas e partiu para levantar e analisar os números relativos à renovação do Congresso de 1986 a 2014 —o que eles chamam de "renovação orgânica" do Legislativo.

O esforço de Cavaliere, graduado em direito com concentração em matemática pela FGV do Rio, e de Miranda, pesquisador na área de economia política no Instituto Chongyang de Estudos Financeiros, na China, traz à luz fatos pouco conhecidos e levanta questionamentos a certas premissas do discurso dos movimentos renovadores, como o primado da ética ou a ideia de que candidaturas mais jovens seriam mais adequadas ao país.

Por exemplo:

1 - No Congresso, reeleição não é regra, mas exceção; 75% dos deputados federais não ultrapassam o segundo mandato.

2 - O excesso de nacionalização do debate público negligencia a complexidade da política local. Erros de avaliação do desempenho dos partidos levam a conclusões equivocadas sobre o Congresso. Por exemplo, apesar do bom resultado em eleições presidenciais, ao longo da história o pior desempenho eleitoral do PT, por regiões, é no Nordeste. O partido, aliás, elegeu mais deputados federais que o PSDB em São Paulo.

3 - Um número muito baixo (2,88%) de deputados federais venceu eleições majoritárias seguintes ao mandato no Legislativo.

4 - Não existe nenhum exemplo concreto na história brasileira em que o fortalecimento conjunto de jovens, figuras inexperientes e ativistas tenha desaguado em imediata melhora qualitativa na resolução dos principais gargalos da vida pública.

Na entrevista que se segue, os dois apresentam os diversos aspectos da pesquisa e comentam o debate acerca da renovação política no país.

Fernando Gabeira: Um mundo diferente

- O Globo

Chefiada por um aliado de Putin, a Chechênia vive uma pequena abertura graças ao Mundial

Os chechenos são simpáticos e bem-humorados, mas há controle policial até na montanha
Escrevo num dos apertados assentos do avião da Aeroflot, rumo a São Petersburgo. Minha passagem pela Chechênia foi curta. Não sei se pelo cansaço, senti-me um pouco desorientado no princípio. Os franceses chamam isso de dépaysement, mas numa linguagem popular, é estar perdidão.

Você sai direto para o saguão do pequeno aeroporto. As portas se fecham atrás de você. Não há esteira de bagagem. E as portas não se abrem mais. Uma senhora me fez um sinal de que estariam ali dentro, mas só depois de algum tempo é possível recolhê-las. Ao sair do aeroporto, vê-se um prédio que parece uma mesquita. A entrar no hotel e passar diante da tevê, ela liga automaticamente e aparece um jovem lendo o Corão.

Cheguei no final do Ramadã. Há dois dias de festas. Perguntei por um restaurante chamado Esperanto, que o Trip Advisor o recomenda. Mas todos os restaurantes estariam fechados. O jeito era comer no hotel, um prédio suntuoso com enormes pilastras e elevadores automáticos.

Dos 200 táxis de Grosny, apenas alguns funcionavam. Tive de passar por varias barreiras policiais e detetores de metal para chegar ao estádio e ao hotel The Local, suntuoso prédio construído com capital árabe para abrigar o time do Egito e o craque muçulmano Salah. A Chechênia passou por duas guerras: uma de 1994 a 1996, outra de 1999 a 2004. Nos anos 1940, Stálin deportou quase todos os chechenos por suspeita de simpatia ao nazismo. Até hoje há dúvidas quanto à veracidade dessa acusação. Os grandes atentados terroristas na Rússia foram atribuídos a chechenos. Um deles foi num teatro de Moscou, outro numa escola do interior. Centenas de mortos.

Merval Pereira: Uma cautela com raízes no passado

- O Globo

Medo do terror e brigas do passado inspiram o aparato gigante que patrulha a Copa

O formidável aparato de segurança montado para a Copa que acontece na Rússia tem razões politicas internas e externas. O perigo de terrorismo é real, a ponto de as embaixadas dos EUA e países europeus terem sugerido a seus cidadãos que não viessem à Copa. O que não impediu que os americanos fossem os maiores compradores de ingressos entre os estrangeiros, seguidos dos brasileiros.

O que se vê nos jogos é um aparato policial sem precedentes, com os policiais fazendo um corredor por onde os torcedores têm que passar em direção à saída. Ruas são interditadas várias horas antes, e operações policiais revistam automóveis aleatoriamente pelas ruas, mesmo quando não há jogos. Uma espécie de blitz, como a da Lei Seca que existe em vários estados do Brasil, mas não para conter a bebida.

Aqui, com o índice altíssimo de alcoolismo na população russa, a maioria perderia a carteira de habilitação. O álcool, por sinal, está liberado nos estádios — a Budweiser é uma das patrocinadoras oficiais da Copa — embora seja proibida em eventos esportivos públicos, justamente como aconteceu no Brasil em 2014.

As ameaças do Estado Islâmico são a maior preocupação, devido ao apoio da Rússia ao ditador sírio Bashar Al Assad. Imagens de Messi e Neymar com ameaças de morte apareceram na internet nos últimos meses. Também há preocupação com separatistas da Chechênia, que realizaram atos terroristas em Moscou em 2002, quando tomaram o Teatro Dubrovka e fizeram 700 reféns. A ação da segurança estatal, após dois dias de negociações infrutíferas, causou 170 mortes, a maioria reféns, devido ao gás introduzido pelos dutos. Até 2010, outros atentados ocorreram em Moscou, com mulheres-bomba provocando mortes em estações de metrô.

O mais grave de todos foi a captura de uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, com mais de mil reféns. As forças de segurança reagiram com uma invasão que provocou a morte de mais de 300 pessoas, a maioria crianças.

Zimbo Trio e Fabiana Cozza - O samba é meu dom

João Cabral de Melo Neto: A Ademir Menezes

Você, como outros recifenses,
nascido onde mangues e o frevo,
soube mais que nenhum passar
de um para o outro, sem tropeço.

Recifense e, assim dividido
entre dois climas diferentes,
ambidextro do seco e do úmido
como em geral os recifenses,
como você, ninguém passou
de dentro de um para o outro ritmo
nem soube emergir, punhal, do lento.
secar-se dele, vivo, arisco.
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Ademir Marques de Menezes, o Queixada, craque famoso dos anos 40 e 50, foi artilheiro da Copa de 1950 com nove gols. Jogou a maior parte de sua carreira no Vasco da Gama, no famoso time do Expresso da Vitória. Em 1946 e 1947 jogou no Fluminense, sagrando-se campeão carioca na sua primeira temporada