sexta-feira, 22 de julho de 2022

Vera Magalhães - Bolsonaro é seu maior entrave eleitoral

O Globo

Presidente trabalha mais contra sua candidatura que a oposição, que erra ao lhe dar colher de chá

O ato golpista com os embaixadores na segunda-feira e as pesquisas variadas que apontam um estreitamento da diferença entre Lula e Jair Bolsonaro, tanto nacionalmente quanto nos colégios eleitorais mais importantes para definir a eleição, mostram que, hoje, o caos provocado pelo presidente é um entrave maior a suas chances de ser competitivo em outubro que as estratégias da oposição.

Lula e o PT deram uma enorme colher de chá para Bolsonaro se recuperar em diferentes momentos. Na fase mais aguda da pandemia, quando ainda não havia vacina, e o auxílio emergencial deixou de ser pago, e depois, quando ela saiu de sua fase mais aguda.

Enquanto o presidente armava, ao longo dos últimos dois anos, o discurso golpista, com a participação ativa de altos escalões das Forças Armadas, representado pelos dois últimos ministros da Defesa, Lula e o PT preferiram não lhe dar o combate direto, duro, olho no olho, na esperança de que ele seria contido e naufragaria sozinho.

A crença segundo a qual a eleição teria tudo para se decidir no primeiro turno — justamente por esse show de horrores que é o governo Bolsonaro, da emergência sanitária à destruição institucional, passando pela devastação ambiental e pelo desmonte da Educação — levou a um clima de “vamos ganhar a eleição, e amanhã a gente vê o estrago”.

César Felício - A virada é improvável

Valor Econômico

Será muito difícil Bolsonaro repetir a façanha de FHC

O governo acelera as providências para começar em 9 de agosto os pagamentos vitaminados do Auxílio Brasil, carro-chefe de outras medidas assistencialistas como o vale-gás dobrado e os vouchers para taxistas e caminhoneiros. Será portanto na segunda quinzena de agosto, mais ao redor do fim do mês, que será possível aferir a potência política do pacote bilionário em pleno período eleitoral.

A memória do que aconteceu há exatos 28 anos, no Plano Real, está bem viva. A nova moeda foi lançada oficialmente no dia 1º de julho, quando o petista Luiz Inácio Lula da Silva vinha de um Datafolha com 41%, ante 19% de Fernando Henrique Cardoso, aferidos em 13 de junho. No dia 26 de julho o tucano já estava com 36% e o petista com 29%. Em 8 de agosto daquele ano FHC alcançou 41% e Lula 24% e o cenário cristalizou, permanecendo relativamente inalterado até o pleito. Foi uma virada total, da derrota no primeiro turno para a vitória no primeiro turno, em menos de um mês.

E lógico que o impacto econômico na vida do eleitor comum que o Plano Real proporcionou não é comparável com o que o pacote de Bolsonaro terá. E o impacto político? No caso de 1994, houve transferência de voto direta de Lula para FHC. Cada voto que Lula perdia era um a mais no embornal do tucano. Cair cinco pontos portanto para o petista significava uma redução de dez pontos na distância para FHC, e ele caiu muito mais. Em 2022 uma parte do eleitor lulista passará ou voltará a ser bolsonarista? Para que fique claro: pela última pesquisa Datafolha disponível, uma virada se dará se dez pontos percentuais de Lula forem transferidos para Bolsonaro.

José de Souza Martins* - O sentido do bolsonarismo

Valor Econômico / Eu & Fim de Semana

Não cuidamos de decifrá-lo, conhecer-lhe a origem, o enraizamento na sociedade, a ação corrosiva contra as estruturas frágeis da democracia, as alianças de interesses antissociais

O Brasil político tem perdido um tempo enorme com assuntos adjetivos da crise pela qual passa o país, tal o complexo cruzamento de realidades sociais e políticas desencontradas que ganharam corpo e visibilidade a partir do dia 1º de janeiro de 2019.

O bolsonarismo vitorioso é consequência do lento agrupamento da diversidade de anomalias e contradições que foram desdenhadas pelos partidos de motivação social. Tornou-se ele um aglomerado de resíduos antidemocráticos da democracia frágil, o negativo que encontrou sua lógica no conjunto de irracionalidades que deu vida à sua política do absurdo. Um sistema criado para assegurar o primado de uma política de crescimento econômico sem compromisso com o desenvolvimento social. Seu objetivo tem sido o de assegurar ganhos de Primeiro Mundo num país de Terceiro Mundo. A explosão da miséria, da fome, do desemprego detonaram esse modelo econômico.

Só lentamente tem conseguido o Brasil político definir como atuar, nas eleições e também depois delas, como uma frente democrática contra o autoritarismo e a herança maldita que dele ficará.

Fernando Gabeira - Discurso de perdedor com ameaça de golpe

O Estado de S. Paulo

Só resta tentativa de golpe para conquistar pela força o que foi perdido em empatia e credibilidade. Missão quase impossível, nos tempos modernos

No momento em que os partidos preparam convenções, o que se espera dos candidatos são discursos sobre seu projeto de governo e o otimismo sobre a possibilidade de vitória.

Bolsonaro está na contramão. Ele reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada para fazer um discurso de perdedor, levantando uma série de dúvidas sobre o sistema eleitoral, já amplamente respondidas.

Na verdade, Bolsonaro violentou os fatos muitas vezes. Usou indevidamente um inquérito da Polícia Federal para concluir o que não está nele: a possibilidade de alterar nomes e votos. Mencionou o questionamento do PSDB ao resultado das eleições, sem admitir que o partido ficou satisfeito com a resposta. Afirmou que o sistema não é auditável, quando este é um dos seus atributos, ao lado da segurança e da transparência.

Bolsonaro reuniu os embaixadores para caluniar o sistema eleitoral e alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). É algo que deveria ser punido pelas leis brasileiras, porque isso foi, inclusive, realizado num prédio público e tinha objetivos eleitorais.

Eliane Cantanhêde - Um país fora da casinha

O Estado de S. Paulo

Feminismo é ‘transtorno mental’, gays são ‘desajustados’ e o presidente achincalha o Brasil

O procurador Anderson Santos usou redes institucionais do Ministério Público para cobrar “débito conjugal” e “obrigação sexual” das mulheres com seus maridos e atribuir o feminismo a “transtorno mental”. De que profundezas do atraso e da loucura essa gente está brotando no Brasil, talvez do mundo?

A comparação direta é com o pastor e ex-ministro da Educação (!) Milton Ribeiro, que, antes de disparar um tiro acidental em pleno aeroporto de Brasília e de ser preso por suspeita de negociatas no MEC, declarou ao Estadão que jovens gays são “fruto de famílias desajustadas”. Para um, feminismo é “transtorno mental”. Para outro, homossexualidade é “desajuste”.

Essas posições não são isoladas, são parte de um tsunami que tentam chamar de “conservador”, mas é muito pior e absurdo e está impregnado em setores da sociedade, borbulhando exemplos aterrorizantes.

Luiz Carlos Azedo - PT submerge na campanha de Lula

Correio Braziliense

A ausência da convenção petista não é inédita, aconteceu em 2018, mas, naquela época, ele estava preso. Agora, não, só tem uma explicação: reforçar a imagem de que é o candidato da “frente ampla”

Não tem muita explicação a forma como o PT realizou sua convenção e da federação que lidera, integrada também pelo PCdoB e pelo PV, ontem, para homologar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. O evento foi realizado a portas fechadas, sem grande divulgação. Após a reunião, Gleisi Hoffmann concedeu uma entrevista coletiva e anunciou a oficialização da chapa Lula-Geraldo Alckmin (PSB). Nenhum dos dois compareceu.

Gleisi choveu no molhado: “A primeira deliberação homologada é a indicação da candidatura à presidência de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência e de vice-presidência de Geraldo Alckmin. A segunda deliberação é a de coligação de PSol, Rede, PV e Solidariedade. A terceira é o número do candidato à presidência da República. Número 13, Lula”, afirmou. O PCdoB já havia tomado a mesma decisão na quarta-feira; resta ainda o PV, que deve se reunir virtualmente para endossar a proposta.

Reinaldo Azevedo - Também o capital contra o golpe

Folha de S. Paulo

Nada fora, acima ou contra as urnas, de acordo com a Constituição

Cobrei neste espaço, na semana passada, que o capital dissesse aos brasileiros se a democracia é um valor universal e inegociável ou se está disposto a flertar com um golpe de Estado. Algo se move. No dia 11 de agosto, a Faculdade de Direito da USP —as históricas Arcadas da São Francisco— reeditarão, em novo contexto, a célebre "Carta aos Brasileiros", de 1977, lida, então, por Goffredo da Silva Telles Jr., em repúdio à ditadura e em defesa do estado democrático e de direito.

Desta feita, trata-se de defender a liberdade já conquistada para que possamos transformá-la em qualidade de vida para os mais pobres, esconjurando as ameaças golpistas feitas pelo presidente da República. Diz a nova carta, de que sou um dos signatários: "Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar de lado divergências menores em prol de algo muito maior: a defesa da ordem democrática."

Bruno Boghossian - O voto da geração pós Lula

Folha de S. Paulo

Presidente pede que pais convençam os filhos e diz que garante celular funcionando

Jair Bolsonaro tem um plano peculiar para contornar o mau desempenho de sua campanha entre os mais jovens. Em dois eventos na semana passada, ele pediu que os pais tentem convencer os filhos a votarem nele, não em Lula. Como argumento, o presidente insinuou que o petista vai limitar o uso de redes sociais.

"É chegar para o mais jovem e falar: 'Olha, quem está garantindo o teu celular funcionar é o presidente. Será que do outro lado alguém quer controlar a mídia?'. É só mostrar para o garoto", afirmou Bolsonaro, durante um encontro da Assembleia de Deus em Juiz de Fora (MG). "Falem para os filhos de vocês."

Vinicius Torres Freire - Inflação ainda está bem viva

Folha de S. Paulo

Preços das commodities até compensa carestia do dólar, mas há outros problemas

O real voltou a ser uma das moedas mais desvalorizadas do mundo, seja em relação a um ano ou ao início da epidemia. Foi-se a melhora surpreendente que se viu de janeiro a abril (dólar a R$ 4,76, na média de abril, ante R$ 5,41 na última semana). Pegamos um dos bondes da desvalorização quase mundial em relação ao dólar, mas pegamos aquele que corre mais ladeira abaixo, quase como de costume.

A diferença agora é que, no que diz respeito a inflação, a resultante poderia não ser tão ruim, por um lado (o lado de preços de commodities). Mas a pressão inflacionária pode vir de outro lugar.

O preço de commodities relevantes, grãos básicos, açúcar, ferro e cobre, carnes e mesmo o do petróleo, por exemplo, passou a cair em ritmo que compensa a carestia do dólar no Brasil. Em reais, apenas o preço do barril do petróleo está mais caro (muito mais caro) do que no início do ano, por exemplo. É bom, mas é ruim: é medo ou sinal de recessão global.

Naercio Menezes Filho* - Dificuldades na área social

Valor Econômico

Agora, além de não resolver problemas crônicos, andamos para trás nas áreas em que havíamos avançado

Tivemos muitos problemas na área social nos últimos anos. Avanços importantes obtidos nas últimas décadas estão em risco pela falta de políticas públicas adequadas para enfrentar os efeitos da pandemia. O que poderemos fazer para reverter esta situação no futuro?

Vários avanços institucionais e políticas públicas foram construídos nos últimos 30 anos no Brasil. Estabilizamos a inflação, construímos uma rede de proteção social, universalizamos o acesso ao ensino fundamental, criamos o Sistema Único de Saúde e os programas de transferência de renda e democratizamos o acesso ao ensino superior. Foram criados institutos e políticas de proteção ao meio ambiente e aos povos indígenas. Isto fez com que a desigualdade e a pobreza declinassem continuamente no período e que a situação das minorias melhorasse.

Claudia Safatle - Situação fiscal: governo e mercado divergem

Valor Econômico

Em um país com risco fiscal crescente a dívida não tende a cair

O Brasil deve fechar o ano com superávit primário nas contas do governo central, o que não ocorre desde 2013, e no consolidado do setor público. Mas, ainda assim, há uma desconexão entre as expectativas do mercado e os dados reais da política fiscal.

No Ministério da Economia, atribui-se essa desconexão a “sinais misturados” entre o que está ocorrendo no mundo, sobretudo nos países da Zona do Euro e nos Estados Unidos, que estão, agora, sob aperto monetário, e os indicadores domésticos.

Quando, nas conversas dos economistas oficiais com os do setor financeiro, alguém argumenta, por exemplo, que o Credit Default Swap (CDS) do Brasil, um titulo que funciona como indicador de risco de crédito de um país, piorou, ouve-se que sim, mas que piorou menos do que os dos demais países emergentes. E assim trava-se uma tentativa de persuasão.

Flávia Oliveira - Epidemia de brutalidade

O Globo

As estatísticas confirmam o que os casos tornados públicos diariamente já sugeriam

É das leituras mais dolorosas da robusta edição 2022 do Anuário Brasileiro da Segurança Pública o capítulo sobre violência de gênero. As estatísticas confirmam o massacre que os casos tornados públicos diariamente já sugeriam. Num dia, uma menina de 11 anos vítima de estupro tem cerceado o direito ao aborto legal, tanto pelo sistema de saúde quanto por autoridades judiciais. Noutra noite, uma equipe de enfermagem flagra o abuso de um anestesista a uma parturiente em pleno centro cirúrgico. Em cinco dias de julho, no Grande Rio, três casos bárbaros de feminicídio. Mais uma semana, e um procurador do Ministério Público Federal trata, em mensagens no grupo de colegas, o feminismo como transtorno mental e evoca a ideia de débito conjugal para subtrair das mulheres o direito ao sexo consensual.

Bernardo Mello Franco - Voto nulo larga na frente na eleição do Rio

O Globo

Se disputa fosse hoje, Cláudio Castro e Marcelo Freixo seriam vencidos pelo candidato "Ninguém"

Depois de ter cinco ex-governadores presos e um cassado, o Rio escolherá em outubro o próximo inquilino do Palácio Guanabara. Até aqui, a disputa só despertou o interesse dos políticos. De cada dez eleitores, quatro pretendem anular o voto ou ainda não sabem quem escolher.

Se a eleição fosse hoje, o vencedor seria o candidato “Ninguém”. Nulos, brancos e indecisos somam 39%, informou ontem o Ipec. Depois aparecem Cláudio Castro, com 20%, e Marcelo Freixo, com 14%. Os dois estão tecnicamente empatados no limite da margem de erro.

Na pesquisa espontânea, em que não é apresentada uma lista de concorrentes, a apatia é ainda maior: 72% dos eleitores não sabem ou não querem apontar um candidato. Isso indica um cenário indefinido, aberto a surpresas e reviravoltas.

Pedro Doria - Bolsonaro questiona urna eletrônica por má-fé

O Globo

O principal ponto que garante a segurança da votação é que, apesar de tudo ser digital, nada ocorre na internet

Todo ano de eleição, nós, jornalistas, arranjamos algum jeito de produzir algo que seja explicando como funciona o sistema de votação brasileiro. No jargão das redações, é uma “matéria de serviço”. Sua utilidade é ajudar o eleitor a se nortear no dia do voto. É para que ele entenda o processo. Neste ano, explicar como funcionam a urna e a contagem dos votos, porém, não é mero serviço. É uma defesa ativa da democracia. E, sim, nosso sistema está entre os mais seguros e eficientes do mundo.

O principal ponto que garante a segurança da eleição brasileira é que todo o processo, apesar de digital, não ocorre na internet. Nem as urnas nem os computadores que contam os votos estão na grande rede. Em seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro se aproveita de conceitos pouco compreendidos para deixar as pessoas inseguras. Confusas. A ação é de clara má-fé. O presidente da República mente, mente acintosamente, mente sabendo que está mentindo.

Rogério F. Werneck - A cada reeleição, nova devastação

O Globo

Estragos já constatados compõem um quadro assustador de demolição institucional

Mal refeito da devastação que Dilma Rousseff se permitiu perpetrar, para se reeleger em 2014, o Brasil se vê mais uma vez assolado pela sanha devastadora de um presidente irresponsável, disposto a se reeleger a qualquer custo, como se não houvesse amanhã. Não há país que aguente a recorrência de devastações de tais proporções, a cada oito anos.

Embora só faltem cerca de 70 dias para as eleições, os danos mais graves do desastroso projeto de reeleição de Bolsonaro ainda parecem estar por vir. Mas os estragos já constatados compõem um quadro assustador de demolição institucional.

Do ponto de vista estrito da política econômica, já no final do ano passado, o governo escancarou seu descompromisso com a preservação do regime fiscal. Alarmado com seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto, o presidente não relutou em promover injustificável calote de dívidas judiciais e uma mudança oportunista na regra de correção do teto de gastos, para viabilizar, às pressas, a concessão do Auxílio Brasil e outras expansões de dispêndio, em 2023.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

À vista de todos

Folha de S. Paulo

Suspeitas na Codevasf e no FNDE são vazamento em duto de dinheiro que une Bolsonaro e o centrão

A Polícia Federal fez uma operação para buscar provas de crimes nos contratos entre a empresa Construservice, possíveis laranjas e a Codevasf. O valor dos negócios dessa empreiteira com o governo avançou como nunca no governo de Jair Bolsonaro. O valor da estatal para os negócios do centrão com o presidente da República também.

A Codevasf faz parte do acordo por meio do qual Bolsonaro entregou ao centrão parte maior do Orçamento, controle de estatais e fundos públicos em troca de proteção. Em tese uma estatal, é na prática uma agência governamental estruturada como uma companhia a fim de facilitar o repasse de recursos para obras de infraestrutura no interior pobre do país, pois sujeita a menos procedimentos burocráticos. E como facilita.

A empresa é um escoadouro de verbas para pequenas obras e compras de máquinas. O dinheiro escorre por meio de emendas parlamentares obscuras, determinadas sem critérios técnicos de prioridade e eficiência.

A Codevasf é controlada por União Brasil e o PP, assim como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o FNDE, por PP, PR e PL —o centrão. O FNDE é a agência de repasse da maior parte do dinheiro do Ministério da Educação ao ensino básico, canalizado também por meio de sugestões de pastores indicados por Bolsonaro. Na Saúde, há esquema parecido.

Livro | Convite | Lançamento - Cristovam no Rio de Janeiro


Poesia | Fernando Pessoa - Tabacaria

 

Música | Marisa Monte - Feliz, alegre e forte

 

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Luiz Werneck Vianna* - Os gansos do Capitólio e nós

O negacionismo, seja lá o que isso for, é marca registrada desses tempos de governo Bolsonaro em sua revolta permanente contra os fatos, nega-se a pandemia com seu cortejo fúnebre de mais de 650 mil vítimas, as virtudes do direito social e do próprio direito como conquista civilizatória em nome de uma liberdade irrestrita dos indivíduos no espaço social em guerra entre si, a questão ambiental cuja degradação contínua ameaça a sobrevivência da espécie, e entre os mais afoitos, até a forma esférica da terra. Trata-se, na verdade, de uma ação combatente contra a razão e a ciência, típica do irracionalismo fascista com seu culto à supremacia da vontade na instituição da vida social. Noutras palavras, recusar realidade empírica a essa coisa tida por sociedade, pois quem sabe faz a hora, não espera acontecer, alardeia o voluntarismo político.

Sob essa sinistra orientação, nega-se a lisura do processo eleitoral realizado por urnas eletrônicas, prática usual bem-sucedida entre nós, coincidente com várias pesquisas eleitorais que apontam a vitória oposicionista por larga margem de votos, e se urde no preparo do que em linguagem popular significa melar a apuração eleitoral, possivelmente com o concurso de ações criminosas por parte de esbirros milicianos. O golpe está sobre a mesa disponível para o uso.

O cometimento desse ultraje que se premedita é de gravidade inaudita, e, caso ocorra, poderá suscitar um amplo movimento de indignação, nacional e extramuros. Na eventualidade, é preciso atentar para os cálculos dos estrategistas do golpe que contam com um tumulto superveniente para desferir o movimento desde sempre desejado, a restauração, remodelada, aqui e ali, do regime do AI-5.

Merval Pereira - Punição necessária

O Globo

Nada acontecer é como estarmos numa aparência de democracia, onde o autoritário de plantão faz o que quer

O presidente Bolsonaro confirmou a avaliação de que ele é seu principal opositor. Na patacoada que protagonizou no Palácio da Alvorada diante de embaixadores, parecia um líder da oposição numa daquelas repúblicas bananeiras que reprimem e impedem adversários de se pronunciar publicamente. Falava contra seu próprio país na função de presidente da República, com o desembaraço de quem acusava a oposição de tentar impedir sua vitória nas urnas em outubro.

Falava ao lado de líderes militares da reserva que pareciam garantir sua manifestação ao mundo para o caso de o palácio onde mora ser invadido. Só que os inimigos imaginários de Bolsonaro fazem parte da mesma estrutura de poder a que ele pertence, como chefe de um deles, o Executivo. Os ataques ao Judiciário soaram ainda mais desajustados quando disse que o fazia para defender a democracia. E que ela dependeria da ação mais aprofundada dos militares junto aos tribunais eleitorais.

Míriam Leitão - Bolsonaro fracassa mas risco continua

O Globo

Presidente atirou contra a democracia brasileira, mas a bala voltou-se contra ele mesmo

O presidente Jair Bolsonaro fracassou totalmente na sua investida contra as urnas eletrônicas. Recebeu de volta uma saraivada de reações fortes vindas de todas as áreas. As diversas notas do Ministério Público deixaram o procurador-geral, Augusto Aras, isolado e com a obrigação de responder à notícia-crime feita pelos seus colegas. O comunicado do governo americano, elogiando o sistema eleitoral brasileiro, deu o tom do ceticismo com o qual as acusações sem provas de Bolsonaro foram recebidas nas embaixadas de países com governos democráticos. A nota conjunta de delegados e peritos da Polícia Federal tirou dele o argumento de que a PF tinha constatado fragilidades no sistema eleitoral. O comunicado dos servidores da Abin mostrou que ele ficou quase totalmente sozinho nesse “putsch” do Alvorada.

Vera Magalhães - Recado dos EUA é direto para as Forças Armadas

O Globo

Nota e manifestação do porta-voz destacam necessidade de instituições seguirem papel constitucional

Tanto a nota da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil quanto a declaração do porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, reiterando a confiança do governo norte-americano no processo eleitoral brasileiro têm outro destinatário direto, além de Jair Bolsonaro: as Forças Armadas brasileiras.

Escaldado em tentativas da nova extrema-direita de tumultuar a democracia e contestar o resultado de eleições graças ao que Donald Trump promoveu internamente, o governo Joe Biden sabe que o apoio militar a aventuras deste tipo é a chave para o maior ou menor grau de risco de ruptura democrática.

Por lá, os militares foram firmes em deixar Trump falando sozinho quanto ao questionamento do resultado das eleições e o incentivo a atos como o que culminou na invasão do Capitólio.

Ao reiterar a expectativa de que as eleições ocorram de forma justa, livre e confiável, "com todas as instituições agindo conforme seu papel constitucional", o governo Biden comunica aos militares que o resultado das eleições será prontamente reconhecido por Washington.

William Waack - A originalidade de Bolsonaro

O Estado de S. Paulo

Em geral o presidente tornou pior o que já existia na política, mas trouxe duas contribuições pessoais

A obra de destruição presidida por Bolsonaro está quase completa, e falta apenas provocar a “convulsão social” – a caminho, que ninguém se iluda – por conta da provável derrota eleitoral. Essa obra se compõe da dissolução da institucionalidade e da formidável expansão do patrimonialismo, com suas velhas marcas de corrupção. Só teve dois aspectos originais.

Bolsonaro não foi muito criativo. O empenho em atacar a imprensa, por exemplo, é parte de um fenômeno mais amplo do desgaste da mídia profissional em seu papel tradicional como guardiã da veracidade objetiva dos fatos. Daí o destaque alcançado por fake news, e a presença desproporcional no debate público brasileiro de celebridades projetadas por redes sociais.

Maria Cristina Fernandes - O golpismo sufocado

Valor Econômico

Resta à oposição contestar legado com igual veemência

Repousa nos escaninhos do Tribunal de Contas da União um relatório sobre a sonegação de informações por parte do Exército, da Marinha e da Aeronáutica relativo a compras de equipamentos e serviços no exterior. Acumulam-se R$ 2 bilhões nas contas a serem auditadas. Desde o início dos anos 1990, quando foi retomado o acordo militar com os Estados Unidos, denunciado por Ernesto Geisel em 1977, que o tribunal não registra uma prestação de contas completa dessas compras, cujo carimbo da segurança nacional dispensa de licitação. O relatório do TCU sugere que o não atendimento às informações requeridas incorrerá em penalidades que vão de multas ao afastamento dos responsáveis pelas despesas e seus superiores, passando pelo arresto de bens.

É a contraface nacional da pressão de deputados democratas nos Estados Unidos. Eles tentaram condicionar as transações do orçamento do Pentágono com as Forças Armadas brasileiras a um compromisso democrático. Incluem-se nessas transações desde o crédito para a aquisição de equipamentos a cursos para oficiais passando pelo fornecimento a projetos sensíveis como os da vigilância das fronteiras. Seja pelo histórico dos anos 1970, quando o Brasil alegou ingerência em sua política de direitos humanos para romper o acordo militar, seja porque o Brasil, no momento, ocupa a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os parlamentares americanos recuaram do veto.

Sérgio Besserman* - Agir antes que seja tarde

O Globo

Há soluções, mas é necessário vencer a inércia

Os impactos das mudanças do clima atingem severamente a população mundial. O AR6, último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), estima que de 3,3 bilhões a 3,6 bilhões de pessoas vivam hoje em locais ou contextos altamente vulneráveis às alterações. Gênero, etnia e renda são fatores de aumento de vulnerabilidade.

Diversos eventos previstos nos relatórios de estado da arte da ciência estão ocorrendo antes do esperado, e muitas ocorrências extremas não previstas também estão acontecendo. Isso não surpreende, na medida em que a ciência só pode se pronunciar quando todas as etapas do método científico são preenchidas, sendo sempre e corretamente conservadora.

No Brasil, apenas em 2022, sofremos grandes inundações em Pernambuco, Alagoas, Minas e Bahia. A ocorrência no ano passado, mais uma vez, de crise de escassez de recursos hídricos no Sul do país acendeu o sinal de alerta sobre o aumento da frequência de evento tão impactante e o temor de uma mudança de padrão na disponibilidade de água no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com consequências de grande magnitude.

Vinicius Torres Freire – Os amigos secretos de Bolsonaro

Folha de S. Paulo

Na ressaca do show golpista, Brasília estava quieta e há um esboço de acordão

O Brasil oficial e oficioso saiu de fininho do palco e da plateia do mais recente show da turnê golpista de Jair Bolsonaro.

Políticos governistas, publicitários da reeleição, gente das Forças Armadas ou do Itamaraty dizem a jornalistas que nada tiveram a ver com o espetáculo em que Bolsonaro enxovalhou a democracia para diplomatas estrangeiros. Tudo foi obra da camarilha íntima do bolsonarismo. No mais, Brasília estava quieta no dia da ressaca do show golpista.

"Você não acredita no que sai nos seus jornais?", pergunta um general ao jornalista. "Bolsonaro é isso aí. Junta uns dois ou três com quem ele come sanduíche com guaraná, mais um camarada [colega de farda] imprudente, uns malucos com quem ele confraterniza no Palácio e dá nisso. Ele não ouve ninguém, vive em outro universo".

Note-se de passagem que, para esse general da ativa, não haveria "problema" com um governo do PT. Os militares esperam apenas "respeito à autonomia, às capacidades e às condições de trabalho" —inclui cargos, salários e aposentadorias bons e dinheiro para armas. Uma tentativa de acordão começou.

Luiz Carlos Azedo - Resiliência mantém Ciro na disputa do primeiro turno

Correio Braziliense

Ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, foi responsável pela implementação do Plano Real, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deixou o cargo para concorrer e vencer as eleições de 1994

O perfil político do ex-governador do Ceará Ciro Gomes pode ser sintetizado numa palavra da moda: resiliência. Ontem, o PDT aprovou em convenção nacional, por aclamação e sem votos contrários, a escolha do seu nome como candidato à Presidência da República. Ele resistiu a todas as investidas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para desestabilizar sua candidatura. O petista comeu pelas beiradas as alianças do PDT nos estados, mas o político cearense, intempestivo e destemperado, duas palavras que também constituem o seu perfil, resistiu bravamente. Manteve-se em cena com uma fatia de 8% do eleitorado, que segue firme e forte apoiando sua candidatura.

Esta será a quarta vez que Ciro disputará a Presidência, que é a sua grande obsessão política. Nunca chegou ao segundo turno, mas sempre deu trabalho aos adversários, nos pleitos de 1998 e 2002, pelo antigo PPS, e 2018, pelo PDT, quando obteve seu melhor desempenho, com 13,3% dos votos.

Ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, foi responsável pela implementação do Plano Real, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deixou o cargo para concorrer e vencer as eleições de 1994, derrotando Lula. Ciro tem uma trajetória bem-sucedida de gestor público, como prefeito de Sobral e Fortaleza e governador do Ceará, que hoje se destaca por ter uma das melhores redes de ensino público e gratuito do país.

Bruno Boghossian - Ciro e o fantasma do voto útil

Folha de S. Paulo

Máquina do governo e fantasma do voto útil devem concentrar ainda mais a disputa Lula-Bolsonaro

Ciro Gomes (PDT) recauchutou um discurso de oposição a Lula e Jair Bolsonaro para lançar sua quarta candidatura ao Palácio do Planalto. Primeiro, o pedetista tentou igualar os dois adversários. Ele reconheceu que a dupla tem diferenças ideológicas, mas argumentou que o petista e o atual presidente, "na essência, praticam o mesmo modelo". Depois, vendeu o próprio peixe: "Eu procuro ser completamente diferente".

O problema do candidato é que o eleitor não anda muito interessado no produto. Ciro ainda luta para romper a barreira dos 10% das intenções de voto num momento em que o embate direto entre os dois líderes da corrida presidencial tende a ficar ainda mais sólido.

Ruy Castro - Bolsonaro falando sozinho

Folha de S. Paulo

Mas os crimes em seu discurso para os embaixadores podem ter sido uma cartada

Para Jair Bolsonaro, neste momento, a pior forma de solidão deve ser a companhia dele mesmo. Encerrado seu sketch cômico no Alvorada contra as urnas eletrônicas, viu que estava falando sozinho. Nenhum dos embaixadores o aplaudiu e, ao sair dali, todos alertaram seus governos para a possibilidade de uma versão roceira da arruaça de Donald Trump em 6 de janeiro de 2021. Habituado a governar no tapa, Bolsonaro pode ter sentido a mão se voltar contra a sua própria face.

Nas 48 horas seguintes, o Departamento de Estado dos EUA, escolado em trumpices, declarou que as eleições brasileiras são um modelo para o hemisfério e o mundo. A mídia internacional repudiou em massa a encenação e organismos da área econômica insinuaram que uma aventura, de inspiração óbvia e desfecho conhecido, não fará bem aos negócios do Brasil.

Conrado Hübner Mendes* - Corrupção bolsonarista, capítulo 6

Folha de S. Paulo

Corromper eleição com dinheiro, assédio, violência e desinformação

Victor Nunes Leal, maior ministro da história do STF, escreveu "Coronelismo, Enxada e Voto", clássico de interpretação do Brasil. Militares não suportavam sua inteligência jurídica e seu desprezo à delinquência armada. Foi sequestrado por sargentos revoltosos em 1963 e aposentado na marra pelo AI-5 em 1968.

O livro de Nunes Leal descreveu o sistema eleitoral corrupto da primeira República, fundado na barganha entre o poder privado local, do coronel, e o poder público central. Vitórias eleitorais dependiam da pobreza, da força bruta e do dinheiro. A representação política resultante, baseada no mando e na obediência, retroalimentava o sistema patrimonialista.

Eleições no Brasil tornaram-se gradualmente mais competitivas e democráticas a partir de 1988. Mas Jair Bolsonaro veio para resgatar nossa pré-modernidade eleitoral à máxima potência. Todos os seus atos na disputa eleitoral reavivam a tradição do consórcio entre poder privado rudimentar e um governo incivil e insubmisso à lei. Com tecnologia do século 21.

Adriana Fernandes - A promessa dos R$ 600

O Estado de S. Paulo

Quem for eleito terá de arrumar a casa e mostrar uma trajetória de redução da dívida

No final de agosto, o governo terá de enviar ao Congresso projeto de lei do Orçamento de 2023 prevendo o retorno do piso do Auxílio Brasil de R$ 600 para R$ 400.

Parece um detalhe técnico, sem muita importância neste momento de esquenta da campanha, uma vez que o Orçamento só será votado mesmo no final do ano e sempre muito modificado. Mas em ano de eleições não é bem assim que a música toca.

Não haverá tecnicamente outra saída para o Ministério da Economia na elaboração do Orçamento do primeiro ano do próximo governo porque o teto de gastos é uma regra fiscal prevista na Constituição que ainda está em vigor.

Não há espaço no teto para acomodar a partir de 1.° de janeiro esse valor com a inclusão de mais 2 milhões de famílias. O orçamento do programa anual teria de subir de R$ 89 bilhões para um patamar mais próximo de R$ 150 bilhões. Cenário que absolutamente não cabe nas contas do governo.

Celso Ming - A Europa atolada em conflitos

O Estado de S. Paulo

A Europa enfrenta grave conflito de prioridades. Não sabe se põe força total para garantir o cumprimento das metas ambientais ou se trata primeiramente de assegurar a segurança energética.

Esses dois objetivos contraditórios produzem estresse econômico e político. A forte onda de calor e de incêndios que se espraia pela França, Espanha, Portugal, Itália e Inglaterra exige ação imediata dos governos para combater a exacerbação do efeito estufa e a promoção da substituição mais rápida da energia de fonte fóssil pela energia de fonte limpa e sustentável.

No entanto, a guerra na Ucrânia e as sanções contra a Rússia são fatores que aumentam a dependência de gás natural russo.

Ao mesmo tempo, tornam inevitável a reativação das usinas térmicas a carvão e a outros derivados de petróleo.

Pedro Cavalcanti Ferreira / Renato Fragelli Cardoso* - Reformas, contrarreformas e não reformas

Valor Econômico

A destruição do arcabouço fiscal, construído a duras penas, terá graves e duradoras consequências

Economistas do governo apontam, com razão, o grande número de reformas implantadas nos últimos três anos e meio, que terão um impacto positivo permanente sobre a taxa de crescimento da economia. Entretanto, contrapondo-se a elas, houve várias “contrarreformas” e retrocessos institucionais com efeitos na direção contrária. Além disso, há muitas “não reformas”, aquelas prometidas no início do governo que não saíram do papel. Só se conhecerá o resultado final no futuro, mas não há razões para otimismo.

A teoria econômica ensina que distorções, principalmente microeconômicas, afetam negativamente a alocação de recursos, os investimentos e, consequentemente, o crescimento e a renda de longo prazo. Ao canalizar fundos para firmas e empresas pouco produtivas, e dificultar a operação de outras mais eficientes, concentrando desproporcionalmente recursos nas “piores” empresas e agentes econômicos, as distorções reduzem o produto agregado. Má regulação, barreiras comerciais, tributação cumulativa, subsídios mal direcionados são exemplos de distorções que prejudicam o funcionamento dos mercados, desincentivam o investimento e a entrada de novas firmas mais eficientes.

Lu Aiko Otta - Orçamento muda para favorecer “gol de mão”

Valor Econômico

O desgaste silencioso do arcabouço fiscal, que veio de mãos dadas com o ataque à isonomia entre candidatos na eleição, deveria acender todos os sinais de alerta

A arrecadação de impostos federais seguiu “bombando” em junho e o time do ministro da Economia, Paulo Guedes, anuncia nesta sexta-feira novas projeções para receitas e despesas que mostrarão um quadro bem mais favorável para as contas federais este ano. Tem gente otimista com a perspectiva de obter saldo primário positivo, algo que não se vê desde 2013. É uma notícia positiva, sim, mas isso não quer dizer que o Brasil não enfrente outros problemas em relação à gestão do Orçamento.

O saldo anual no azul não deve ser anunciado esta semana. A expectativa é que isso ocorra mais para o fim do ano, mantidas as atuais condições de temperatura e pressão.

Há aí pelo menos dois fatos com potencial de animar o debate eleitoral pelo lado do governo: a superação da “herança maldita” de quase uma década de saldos negativos e o fato de o governo de Jair Bolsonaro terminar com um nível de gastos inferior ao de seu início. A projeção atual é terminar o ano com despesas primárias equivalentes a 18,7% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 19,5% do PIB em 2019.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Resposta vigorosa à ofensa de Bolsonaro

O Estado de S. Paulo

Ante o ataque de Bolsonaro ao País, a reação brotou forte. Instituições públicas, entidades civis e governos estrangeiros expressam incondicional apoio ao sistema eleitoral brasileiro

Na segunda-feira, Jair Bolsonaro disse ao mundo que o Brasil não era uma democracia confiável. Desde então, o Brasil e o mundo têm dado uma impressionante resposta rechaçando as teorias conspiratórias. Instituições públicas, entidades da sociedade civil, lideranças políticas, governos estrangeiros e muitíssimos cidadãos, das mais diversas áreas, reafirmaram sua confiança no sistema eleitoral brasileiro: na sua eficiência e na sua segurança. A falsa tese bolsonarista contra as urnas eletrônicas é apenas isso: uma falsa tese bolsonarista, à qual ninguém fora da patota dá crédito.

Nada poderia ter sido mais acachapante para a credibilidade de Jair Bolsonaro do que a nota do governo dos Estados Unidos. Um dia depois de o presidente da República dizer que a apuração das urnas eletrônicas no Brasil era uma farsa, os Estados Unidos afirmaram o exato oposto, reiterando sua confiança em nosso sistema eleitoral. “As eleições brasileiras conduzidas e testadas ao longo do tempo pelo sistema eleitoral e instituições democráticas servem como modelo para as nações do hemisfério e do mundo”, disse o governo americano.