quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Lewandowski deve integrar o combate ao crime

O Globo

Novo ministro tem oportunidade de fazer o governo federal enfim assumir sua responsabilidade em área crítica

O jurista Ricardo Lewandowski, de 75 anos, assume o Ministério da Justiça e Segurança Pública com talvez a missão mais espinhosa do governo Luiz Inácio Lula da Silva: domar a violência que fustiga o país, aterroriza os brasileiros e ameaça a imagem do presidente.

Embora os números registrem queda de 4% nos assassinatos no ano passado, nas ruas predomina a sensação de insegurança, atestada por pesquisas de opinião e pelo senso comum. Oito em cada dez brasileiros acreditam que a violência se agravou, segundo pesquisa Quaest de novembro. As ações do governo para debelar a crise não têm sido bem recebidas pela população. A gestão de Lula na segurança é considerada ruim ou péssima por 50% e regular por 29%, mostrou o Datafolha em dezembro.

Assis Moreira* - Carro blindado, snipers e licitações para o G20

Valor Econômico

Na presidência do grupo o Brasil tem a responsabilidade de fixar a ordem do dia e dar os resultados dos debates entre as maiores economias do mundo em meio a crises

A reunião de ministros de Relações Exteriores do G20 nos dias 21 e 22 de fevereiro no Rio de Janeiro ocorrerá sob segurança máxima, como era de se esperar. Os EUA e a Rússia vão trazer seus próprios carros blindados para transportar na cidade seus representantes, o secretário de Estado Antony Blinken e o ministro Sergey Lavrov, como fazem normalmente. As forças de segurança brasileira terão um esquema de “proteção cabível”, o que significa admitir que alguns trazem mais riscos que outros. Snipers, os chamados atiradores de elite, acompanharão certos ministros por todo lado.

Outro peso pesado da diplomacia internacional, o ministro chinês Wang Yi, não irá ao Rio. Ele passou recentemente pelo Brasil, conversou com o presidente Lula e será substituído por uma autoridade provavelmente de peso no Partido Comunista e que, pela praxe chinesa, será designada em cima da hora.

Luiz Carlos Azedo - Copom mostra alinhamento entre Campos e Haddad

Correio Braziliense

A unanimidade no Copom não é inédita, porém, com cinco diretores indicados por Bolsonaro e quatro por Lula, sinaliza a blindagem da equipe econômica do governo

A redução da taxa Selic em 0,5 ponto percentual, de 11,75% ao ano para 11,25% ao ano, nesta quinta-feira, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, decidida por unanimidade, mostra um alinhamento tácito entre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foi o quinto corte seguido na taxa básica de juros, desde agosto do ano passado, a taxa de 11,25% permanece no menor nível de 2022, quando chegou a 10,75% ao ano.

A unanimidade no Copom não é inédita, porém, com a composição atual, com cinco diretores indicados durante o governo Bolsonaro e quatro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sinaliza a blindagem da equipe econômica do governo, apesar dos ataques especulativos que Haddad vem sofrendo por parte de lideranças do PT e, também, das contradições e dos resultados fiscais negativos da própria política econômica do governo.

Felipe Salto* - As bombas fiscais e o futuro em aberto

O Estado de S. Paulo

O problema fiscal tem duas cabeças. Uma, de curto prazo. Outra, relacionada a melhorar a qualidade do gasto e restabelecer instrumentos de planejamento e gestão

O governo apresentou um déficit de R$ 230,5 bilhões ou 2,1% do PIB em 2023. O resultado inclui o pagamento dos precatórios extras, de R$ 92,4 bilhões, após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional o teto anual inventado há alguns anos. Por outro lado, o governo conseguiu aprovar uma nova regra fiscal e uma série de medidas para elevar a arrecadação. Os números de 2023 ensejam uma discussão de maior fôlego sobre os desafios para melhorar as contas do País.

As despesas primárias federais (sem contar os juros da dívida) passaram de 18% para 19,6% do PIB entre 2022 e 2023. O Bolsa Família subiu 0,7 ponto porcentual (p.p.); os precatórios de custeio e capital, 0,5 p.p.; os benefícios previdenciários, 0,4 p.p.; as despesas discricionárias, 0,2 p.p.; o apoio financeiro aos Estados e municípios, 0,1 p.p.; e o benefício de prestação continuada, 0,1 p.p.. Outros efeitos redundaram em queda de 0,4 p.p., explicando, assim, a alta de 1,6 p.p. do PIB no gasto total.

Vinicius Torres Freire - Para a Selic cair mais rápido

Folha de S. Paulo

Inflação para 2025 está na meta, na conta do Banco Central, que mantém ritmo de cortes

A inflação de 2025 deve chegar à meta, segundo as contas do Banco Central. O IPCA do ano que vem seria de 3,2%, um preciosismo acima do objetivo de 3%, segundo o "cenário de referência" do BC, mesma projeção de dezembro.

Qual é a base desse "cenário"? Espera-se que a Selic, a taxa básica de juros, baixe aos poucos até 9% ao ano em setembro e por aí permaneça até dezembro (é a atual mediana das projeções de economistas de "o mercado"). Que os preços de dólar e petróleo se comportem como projeta o BC, embora apenas os céus saibam o que será dessas cotações. Que o preço da eletricidade siga sob "bandeira verde".

Isso quer dizer que a Selic real, descontada a inflação, estaria perto dos 6% no final deste 2024, se ficar estacionada por aí. É horrível e um desestímulo econômico. Para o cotidiano do cidadão comum que pega empréstimos quaisquer, quer dizer que vai ser possível notar diferença maior no arrocho apenas a partir de lá pela metade do ano.

Maria Hermínia Tavares* - Lamentável surpresa

Folha de S. Paulo

A suspensão das aulas na pandemia fez pouca ou nenhuma diferença; a maioria das escolas quase nada ensina

A julgar pelo domínio de matemática, a pandemia não afetou o aprendizado médio dos brasileiros na faixa dos 15 anos. E mais, a queda, onde houve, foi pior entre estudantes de renda mais alta, ao contrário do que ocorreu em países ricos como Alemanha, França, Islândia e Suécia.

A informação é do professor da USP e do Insper, Naercio Menezes Filho, reconhecido especialista em economia da educação. Na sua coluna de 26/1 no jornal Valor, ele comparou os resultados de 2019 e 2022 do exame internacional Pisa. Realizada em 81 países, a prova afere conhecimentos de estudantes do mesmo grupo de idade em matemática, leitura e ciências.

Conrado Hübner Mendes* - O STF senta à mesa com empresários

Folha de S. Paulo

E por coincidência esvazia a proteção constitucional da dignidade do trabalhador

O Brasil, sozinho, tem 98% de todas as ações trabalhistas do mundo. Ministros do STF folgam 98% do tempo. Bancos financiam 98% das viagens de ministros do STF ao exterior. Ministros do STF são 98% técnica, 2% família. 98% dos brasileiros apoiam Alexandre de Moraes para a Presidência. 98% dos militares respeitam a lei e não acreditam ter última palavra na interpretação constitucional.

Essas frases falsas dariam boas manchetes na política do pânico e circo. Na democracia com déficit de atenção, a desinformação verossímil se espalha com mais força e facilidade do que a mentira voando abaixo do radar da verossimilhança. Ou talvez o contrário, a depender das inclinações de espírito da rede por onde navega.

Pois uma dessas frases foi dita por Luís Roberto Barroso, presidente do STF, anos atrás. Afirmou que o país tinha 98% das ações trabalhistas do mundo (do mundo) e prejulgou qualquer discordância: "Na vida devemos trabalhar com fatos, não escolhas ideológicas prévias." Sua frase, ironicamente, dizia mais sobre si mesmo do que sobre o mundo. Faltavam fatos, sobraram escolhas prévias. Falhava empiricamente e teoricamente.

Bruno Boghossian - Dino foi a China

Folha de S. Paulo

Ministro trabalhou para flexibilizar visões internas; Lewandowski pode ter mais dificuldade

Quando pisou em Pequim, em 1972, Richard Nixon estabeleceu um paradigma na política. Naquele momento de tensão global, um gesto de conciliação com os chineses seria encarado com desconfiança pelo eleitor americano. Mas a reputação do presidente como um anticomunista incontestável foi visto como garantia de rigor com os rivais.

A expressão "Nixon vai à China" passou a ser usada para descrever episódios em que um representante de uma corrente ideológica faz uma jogada tipicamente associada a uma linha política contrária. Seu objetivo é explorar a credibilidade interna para reduzir resistências e persuadir seu próprio campo da importância de determinada medida.

Maria Cristina Fernandes - A disputa é pela asfixia da extrema-direita

Valor Econômico

Sobrevivência do bolsonarismo está em jogo

O ex-presidente Jair Bolsonaro não perdeu a malandragem com a qual bem encarna o injustiçado. Tem aparecido em mangas de camisa, com sobrepeso e a proficiência de sempre ao embaralhar assuntos, desviar o foco e se mostrar como alguém que, assim como o telespectador, nada entende desta derradeira operação da Polícia Federal sobre o aparelhamento da Abin.

A habilidade não escamoteia o cerco, evidente, mas mostra um personagem nos cascos para nova fase de vitimização. Já se sabe que está fora da palheta de 2026. O que está em jogo agora é a sobrevivência do bolsonarismo.

A decisão do PL de manter o deputado federal Alexandre Ramagem como candidato no Rio, apesar das suspeitas que pesam contra si nesta operação, seus colegas, Nikolas Ferreira, em BH, e Abílio Brunini, em Cuiabá, o ex-ministro sanfoneiro Gilson Machado, no Recife, além da pressão pela chapa do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, com o ex-comandante da Rota, Mello Araújo, mostram a aposta no bolsonarismo raiz.

Nem todos têm chance, mas puxam a eleição de vereadores, cabos eleitorais da futura Câmara, e mantêm acesa, na política, a chama com a qual as investigações em curso ameaçam tosquear o ex-presidente. A operação não deixa dúvidas de que prossegue, no STF e na PF, a expectativa de que é deles a missão de banir o bolsonarismo.

Ruy Castro -Na mira do araponga

 

Folha de S. Paulo

Se a Abin fez o meu dossiê, ignoro. Mas o que sairá da investigação sobre Bolsonaro será letal

Em algum momento de 2020 ou 21, alguém me soprou: "Fique esperto. Ouvi dizer que estão de olho em você. Tem gente do governo levantando os podres de cada desafeto do Bolsonaro e reunindo num dossiê para ser usado um dia." Não me surpreendi. Eu desconfiava que o então presidente não era grande fã das minhas colunas na Folha, porque, desde o começo de seu mandato, eu apontava para a inevitabilidade do golpe com que ele esperava se perpetuar no poder.

Hoje, com a investigação em curso sobre o uso por Bolsonaro da Abin (Agência Brasileira de Informação) para bisbilhotar os passos de ex-aliados, juízes, advogados, políticos e jornalistas, vejo que a dica fazia sentido. E começo a me dar conta das vezes em que tive a sensação de estar sendo observado e de algo que parecia diferente do que deveria ser.

William Waack - Lula e o medo da Abin

O Estado de S. Paulo

O presidente quer resolver a crise do jeito habitual, pelo lado pessoal

A desconfiança que Lula nutre por órgãos de inteligência como a Abin vem de uma dificuldade mais profunda de governantes brasileiros, que é o desprezo pelo princípio da impessoalidade (recentemente apontado aqui pelo sociólogo Bolívar Lamounier). De fato, quem assume o governo assume também que o aparato de Estado pertence ao vencedor da eleição.

Nesse sentido, o que Jair Bolsonaro fez com a Abin foi devastador. Da mesma maneira como se comportou no setor de saúde, desprezando estruturas do Estado, Bolsonaro dizia confiar mais no seu “serviço de inteligência informal”, ao qual tentou subordinar a Abin.

Investigações da PF indicam que a finalidade principal era a proteção de si e da família de investigações criminais. Bolsonaro também não distinguia entre sua pessoa e a figura institucional do presidente da República nas batalhas com tribunais superiores ou a Câmara dos Deputados, nas quais usou a Abin.

Malu Gaspar – A gente nunca está seguro

O Globo

Abin paralela de Bolsonaro impõe a Lula desafio de separar inteligência de espionagem

‘A gente nunca está seguro’, disse Lula na segunda-feira à Rádio CBN de Recife, quando questionado a respeito da operação da Polícia Federal (PF) sobre a “Abin paralela” — o esquema de espionagem ilegal que funcionou durante o governo de Jair Bolsonaro, mas que a PF sustenta ter sido encoberto pela Abin de Lula.

No dia seguinte, a Presidência da República trocou cinco diretores da agência, incluindo o número 2, Alessandro Moretti, acusado pela PF de atuar para barrar as investigações. Moretti nega. Afirma até que foi ele o primeiro a abrir uma sindicância para averiguar as denúncias de arapongagem. Quem conhece bem o inquérito, porém, diz que há diversos documentos mostrando como e quando ele tentou impedir que a apuração avançasse.

Poesia | Amigo, de Pablo Neruda

 

Música | Roberta Sá e Zeca Pagodinho - Pago pra ver

 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Alta na percepção de corrupção traz custo ao Brasil

O Globo

Recuo do país em ranking global expõe enfraquecimento de instituições de controle depois da Lava-Jato

O Judiciário — em especial os tribunais superiores — deveria dar atenção à última lista de percepção da corrupção global preparada pela Transparência Internacional. A sensação de um ambiente contaminado por negociatas tem custo enorme para a reputação brasileira e afasta empresas e investidores sérios do país.

Numa escala em que zero é o cenário menos e cem o mais corrupto, o Brasil ficou com 36 pontos. Caiu dez posições, para o 104º lugar entre 180 países. Merece reflexão o histórico dos últimos dez anos. Em 2014, início da Operação Lava-Jato, eram 43 pontos. De lá para cá, a trajetória, com altos e baixos, foi descendente. Os piores resultados aconteceram em 2018 e 2019, quando a pontuação foi 35, patamar equivalente ao atual.

Medir corrupção é das tarefas mais difíceis. Negociatas são feitas nas sombras justamente para ficarem longe do escrutínio público. Paradoxalmente, um aumento no combate à corrupção pode, com a revelação dos esquemas, contribuir para a percepção de que houve aumento na roubalheira. Um ranking que apenas somasse os valores descobertos em operações ilegais penalizaria os países dispostos a coibi-las. Por isso a análise baseada em percepção, de preferência com prazo mais alongado, é medida mais precisa.

Vera Magalhães - Polarização como vício

O Globo

As declarações recentes de Lula mostram um presidente capturado pela ideia de contraposição com Bolsonaro

Não bastasse o mal que faz ao debate público, o desgaste que causa às instituições de Estado e o risco que representa para a própria democracia, a polarização política virou uma muleta que os dois lados que dela se alimentam passaram a usar para justificar todas as suas mazelas e exigir do público complacência com as inconsistências de seus projetos de governo.

O clã Bolsonaro — investigado em múltiplas frentes por suspeitas que vão de aparelhamento de Estado e tentativa de minar o processo eleitoral, por parte do patriarca e ex-presidente, a traficâncias várias por que são investigados os filhos — coloca tudo no saco da perseguição política do PT, do Judiciário e da imprensa.

Mais: essa sanha incontrolável não estaria voltada apenas à família, mas seria destinada a abater toda a direita e o pensamento conservador, incluídos aí cristãos, por meio de uma cruzada religiosa.

Trata-se de uma tática tão surrada quanto ainda eficaz de criar uma cortina de fumaça para fatos de extrema gravidade. A parcela do público que reza segundo a cartilha do bolsonarismo compra de forma acrítica essa explicação, que não se sustenta de pé e funciona como elixir para tudo, de Abin paralela a joias ofertadas por um país ao governo brasileiras e vendidas sorrateiramente.

Bernardo Mello Franco – Em nome do papai

O Globo

Investigado por arapongagem, Zero Dois sempre deixou claro que cumpria ordens do pai

Depois de se eleger presidente, Jair Bolsonaro informou que presentearia o filho Carlos com a Secretaria de Comunicação Social. “O cara é uma fera nas mídias sociais. Tem tudo para dar certo”, justificou. A ideia pegou mal, e o capitão desistiu do ato de nepotismo explícito. O Zero Dois não virou ministro, mas se tornaria uma eminência parda do governo.

Carluxo fabricou crises, derrubou ministros e comandou o famigerado gabinete do ódio. Sem cargo formal em Brasília, ganhou o apelido de vereador federal. O pai preferia chamá-lo de “meu pit bull”. Um cão feroz, sempre a postos para morder a canela dos adversários.

Em março de 2020, o ex-ministro Gustavo Bebianno disse que o Zero Dois queria criar uma “Abin paralela”. Um sistema de informações clandestino, que não deixaria rastros de suas atividades. Agora a Polícia Federal acredita que essa ideia também ficou pelo caminho. Os Bolsonaro acharam mais útil capturar a Abin oficial.

Zeina Latif - A necessária renovação política, nos EUA e no Brasil

O Globo

A falta de novas candidaturas, mais conectadas aos anseios da sociedade, poderá trazer desânimo aos mercados e à sociedade

Os EUA terão eleição este ano num clima de desânimo. De um lado, uma sociedade insatisfeita e, de outro, a incapacidade de renovação da política. Os partidos rivais não conseguiram construir candidaturas competitivas alternativas a Donald Trump e Joe Biden.

Nutre-se, assim, a polarização, que por sua vez, dificulta a construção de consensos necessários para atender aos anseios da sociedade, hoje mais complexa. Que o Brasil não siga o mesmo caminho.

O desconforto da sociedade é revelado em pesquisas de opinião e nos indicadores de confiança. O baixo desemprego (3,7% em dezembro ante 14,9% no auge da pandemia e média histórica de 5,7%) e o recuo da inflação (3,3% ao ano em 2023 ante 8,9% em meados de 2022) não têm trazido maior satisfação aos indivíduos.

Afinal, não basta ter trabalho; as pessoas anseiam também por melhor qualidade de vida, igualdade de oportunidades e justiça.

Roberto DaMatta - Esse eu conheço!

O Globo

Nossa aversão à impessoalidade chega às raias da repulsa. De tal modo que a regra universal é tida como desgraça ou castigo

Salta aos olhos a trivialidade da expressão acima. No entanto, quanto mais a usamos, menos penetramos em seu significado. Veja como ela pouco diz traduzida para o inglês, justamente porque, como diria Gilberto Freyre, ela — como o carnaval — é um “brasileirismo”.

É um “conhecer cultural” inscrito no nosso inconsciente. Na escondida hierarquia das nossas relações sociais, e no modo como as vivenciamos.

Todos conhecem X, mas nem todos podem dizer com orgulho, revelação ou desprezo: “Esse eu conheço!” — o que equivale a revelar um elo pessoal. Um laço instaurador de um conhecimento íntimo, cotidiano e familiar. Tudo o que socialmente faz diferença, porque afasta o demônio do informal e do impessoal que não sabe quem somos.

Realmente, nossa aversão à impessoalidade chega às raias da repulsa. De tal modo que a regra universal é tida como desgraça ou castigo, jamais como regulador informal de um hábito ou costume.

Elio Gaspari - O jogo pesado de Emmanuel Macron

O Globo

Até as pedras sabiam que o presidente francês, Emmanuel Macron, se opunha ao acordo de comércio da União Europeia com o Mercosul, mas, ao anunciar que as negociações deveriam ser interrompidas, ele jogou pesado. Uma coisa é divergir, o que vem acontecendo desde que as conversas começaram, há 25 anos. Outra é fechar a porta. No século passado, americanos e vietnamitas negociavam em Paris, enquanto Hanói e Haiphong eram bombardeadas.

Macron falou grosso porque agricultores franceses sitiaram Paris. Bloqueada, a cidade tem três dias de comida. Sua atitude foi truculenta, porém compreensível. Na França, enfrentar os agricultores é suicídio. Eles defendem seus interesses.

O petardo partiu da assessoria de Macron:

Fernando Exman - O baile de máscaras de Lula e Lira no pré-carnaval

Valor Econômico

Volta dos trabalhos legislativos agita Brasília

Sempre falta animação no pré-carnaval de Brasília. Mas não neste ano. Na política, pelo menos, há grande agitação em torno da volta dos trabalhos do Congresso. A grande dúvida é como estarão as relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, depois dos vetos às propostas que ampliam o poder dos parlamentares na gestão dos recursos do Orçamento.

Por parte do Palácio do Planalto, a expectativa de auxiliares diretos de Lula é que o presidente da Câmara passe a adotar o que, na visão deles, seria um posicionamento menos ambíguo. Já pelo lado das lideranças do Centrão, espera-se que o governo passe a cumprir com mais rapidez os acordos fechados. Torcem para que a situação da Funasa, a Fundação Nacional da Saúde, seja resolvida antes da quarta-feira de cinzas.

Lu Aiko Otta - Dúvidas e desconfianças na política industrial

Valor Econômico

Anúncio da semana passada foi incompleto, mas a promessa é de que não se aceitará a repetição da gastança vista nas iniciativas anteriores

Torneiro mecânico, com a carreira política forjada em portas de fábrica no ABC paulista, Luiz Inácio Lula da Silva levou mais de um ano para anunciar seu plano de “neoindustrialização”. Chegou incompleto, como ficou claro no anúncio, na semana passada. Serão necessários ainda 90 dias para lhe dar carne e osso.

Na falta de informações, a Nova Indústria Brasil (NIB), como foi batizada, é criticada pelo que pode vir a ser e pelo que pode deixar de entregar. Afinal, não se sabe.

Ao trazer à tona a ideia de um “Estado empreendedor” e colocar compras governamentais, exigência de conteúdo nacional e empréstimos subsidiados como ferramentas para apoiar o desenvolvimento de cadeias produtivas nacionais, a nova política industrial pareceu a reedição de sua desastrosa versão anterior, que trouxe prejuízos aos cofres públicos e esteve no centro das investigações da Lava-Jato.

Nicolau da Rocha Cavalcanti* - Proteger a proteção da democracia

O Estado de S. Paulo

A Lei 14.197/2021 não tem nada a ver com incriminação por motivos políticos, nem com redução do espaço do debate público

No dia 10 de janeiro, houve um fato em São Paulo que pode causar enorme estrago. A Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito (Lei 14.197/2021) foi usada para constranger manifestantes que protestavam contra o aumento do valor da passagem de metrô e trens, em ato do Movimento Passe Livre (MPL). Sob a alegação de que portavam objetos com potencial ofensivo, como faca, canivete e porrete, e colocavam em risco a ordem e a segurança pública, várias pessoas foram detidas pela Polícia Militar. Depois, sete delas foram indiciadas, entre outros crimes, por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Criado pela Lei 14.197/2021, o art. 359-L do Código Penal (CP) estabelece pena de quatro a oito anos para quem “tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais”.

Wilson Gomes* - Pobreza, voto e esquerda

Folha de S. Paulo

Quem tem fome não tem doutrina econômica preferida, tem é urgência

Se uma pessoa é pobre ou vive na miséria, continua um bom negócio votar na esquerda? Os defensores do liberalismo econômico argumentam que a esquerda não resolve efetivamente o problema dos pobres, por ser incapaz de gerar riqueza. Na visão deles, tudo o que a esquerda consegue fazer é socializar a pobreza ou criar Estados que acodem os pobres, nada mais.

No entanto, esse tipo de argumento, seja verdadeiro ou falso, raramente se torna uma "razão de voto" para os mais vulneráveis da sociedade. Quem tem fome e vive na precariedade, com a vida por um fio, não tem doutrina econômica preferida, tem é urgência.

É nessa perspectiva a minha indagação sobre se os pobres continuam tendo boas razões para votar na esquerda. Intuitivamente, pareceria que sim. Afinal, até onde meu conhecimento alcança, ser de esquerda consiste em priorizar a igualdade, inclusive a igualdade econômica.

Vinicius Torres Freire - A carga tributária baixou

Folha de S. Paulo

No ano passado, arrecadação federal como proporção do PIB caiu, mas não por ação do governo

A carga tributária federal baixou em 2023, primeiro ano de Lula 3. Ainda não há números bons para os estados depois de outubro de 2023, mas a não ser em caso de exorbitância extrema do Sobrenatural de Almeida, a carga estadual também terá diminuído em 2023.

A fim de tentar desanimar quem venha com "argumentos de twitter", "zap" e "opiniões", recorde-se que "carga tributária" é apenas uma proporção, uma fração: o total de dinheiros recolhidos pelos governos por meio de tributos e similares dividido pelo valor do PIB.

Se a carga tributária baixou em certo ano não quer dizer, necessariamente, quase nunca, que alíquotas de impostos diminuíram. É possível que, devido ao ritmo da economia em tal ou qual setor, menos tributos tenham sido recolhidos.

Bruno Boghossian - Lula cutucou uma briga feia

Folha de S. Paulo

Presidente reconhece tamanho do problema que dois órgãos estratégicos representam hoje

Lula cutucou uma disputa que evoluiu de intriga para briga feia entre a Abin e a Polícia Federal. Ao comentar as investigações que miram o órgão de inteligência, o presidente alertou que a PF não deveria fazer "show pirotécnico" em suas ações. Na sequência, o petista se virou para o outro lado e admitiu sua desconfiança em relação à agência.

O excesso de sinceridade do presidente dá conta do tamanho do problema que os dois aparelhos estratégicos representam para o governo. Lula tem hoje uma Polícia Federal que se lançou numa cruzada para derrubar a cúpula da Abin. A chefia da agência, por sua vez, foi contaminada por acusações de arapongagem com fins políticos.

Hélio Schwartsman - O segredo sujo da corrupção

Folha de S. Paulo

Brasil piora sua posição em ranking anual da Transparência Internacional

Brasil piorou sua posição no ranking anual de percepção da corrupção da ONG Transparência Internacional. O país ocupa o 104º lugar entre as 180 nações analisadas.

Medir a corrupção esbarra num problema óbvio. Corruptos e corruptores têm todo interesse em permanecer nas sombras. É só quando cometem algum erro e o esquema é descoberto que vai para os registros. Como é razoável imaginar que a taxa de sucesso não seja das mais baixas, o grosso fica fora do radar.

Luiz Carlos Azedo - Congresso empareda governo com emendas ao Orçamento

Correio Braziliense

Lula ainda tenta recuperar o poder dos mandatos anteriores, mas não consegue. Sua alternativa é confrontar o Congresso e negociar, mas essa é uma via de mão dupla

Deve-se ao pensador italiano Antônio Gramsci, quando encarcerado pelo ditador Benito Mussolini, nos seus Cadernos do Cárcere, a diferenciação entre a pequena política e a grande política. A pequena política é do dia a dia, nos bastidores do poder: intrigas, articulações e interesses fisiológicos. A grande política envolve os assuntos que dizem respeito aos grandes interesses nacionais, às estruturas econômico-sociais e estaria ligada à fundação e conservação do Estado. Assim, seria de interesse de quem faz a grande política excluí-la do debate político e trazer para o primeiro plano o debate sobre a pequena política.

É mais ou menos o que ocorre na discussão sobre as vultosas emendas parlamentares ao Orçamento da União, que saltaram de R$ 11 bilhões para R$ 16,6 bilhões só para as emendas de comissão, conhecidas como RP8. Em 2023, o valor foi de R$ 6,9 bilhões. Ao sancionar o Orçamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou R$ 5,6 bilhões dessas emendas, o que mais ou menos corresponde aos cortes feitos pelo Congresso nas verbas do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Mesmo com o veto, o saldo total das emendas parlamentares será de cerca de R$ 47,4 bilhões. As verbas do PAC somam cerca de R$ 55 bilhões.

Cláudio Carraly* - Computação quântica, inteligência artificial e o homo sapiens sapiens. O futuro de hoje.

A Lei de Moore é um conceito desenvolvido pelo co-fundador da Intel, Gordon Moore, em 1965. A teoria previa que o número de transistores em um chip dobraria a cada dois anos.

Este crescimento exponencial da tecnologia do chip ajudou a revolucionar a indústria da computação, permitindo máquinas mais rápidas e mais confiáveis que poderiam ser usadas para uma gama cada vez maior de aplicações. Serviu como uma pedra angular no desenvolvimento de computadores.

Hoje nossos aparelhos celulares tem a capacidade computacional superior a muitos dos nossos computadores pessoais, que nesse momento já excedem a necessidade básica de trabalho e entretenimento pessoal, da maioria das pessoas na pesquisa. Dito isto, questionamos se a lei de Moore vai se esvair pela falta de necessidade pessoal de tanto hardware e processamento? Claro que não, essa capacidade vai migrar para outras áreas de conhecimento trazendo novas respostas e necessidades que nem sabíamos que tínhamos 

Aqui proponho um exercício futurologico, que como todo exercício de análise para o que há de vir, pode estar fadado ao fracasso pois baseado no presente projetamos o futuro, porém acredito que por conta do caminho que opera nossa tecnologia científica, podemos prever com bastante segurança o casamento inexorável da atual tão discutida inteligência artificial, com a pouco lembrada tecnologia computacional quântica.

Poesia | No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Zé Ramalho - Frevo Mulher

 

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Déficit primário acende alerta sobre meta fiscal

O Globo

Mesmo levando em conta ressalvas sobre precatórios e auxílio a estados, resultado ficou aquém do previsto

O anúncio do Tesouro Nacional a respeito do desempenho das contas públicas em 2023 deve servir de alerta ao governo federal sobre os desafios para 2024. O resultado foi pior que o prometido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no início de 2023, quando falou num déficit inferior a R$ 100 bilhões. O número anunciado ficou acima da meta oficial, de até R$ 213,6 bilhões no vermelho. A União registrou déficit de R$ 230,5 bilhões, ou 2,1% do PIB. Foi o pior resultado desde o início da série histórica, em 1997, com a exceção de 2020, primeiro ano da pandemia.

É verdade que esse número precisa ser lido com ressalvas. Ele considera o gasto extraordinário para regularizar as pedaladas do governo Jair Bolsonaro com a quitação das dívidas sem possibilidade de recurso na Justiça, os precatórios. E inclui outro esqueleto da administração anterior: pagamentos para compensar estados e municípios pelas perdas em 2022 com a redução do ICMS. Descontando os precatórios do resultado primário — como determina decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) —, o déficit primário ficou em R$ 138,1 bilhões, ou 1,3% do PIB. E retirando a ajuda aos estados, em R$ 117,2 bilhões. Ainda assim, acima do que previa Haddad no início do ano.

Merval Pereira - A realidade se impõe

O Globo

As informações da PF, que investiga ações da Abin durante o governo Bolsonaro, levam à quase certeza de que realmente foi montado um esquema paralelo para servir de apoio ao presidente e a seus filhos

O estilo tosco e boquirroto do ex-presidente Jair Bolsonaro se volta contra ele na maioria das vezes. Pode até entusiasmar parte de seus seguidores, aqueles que querem sangue, mas acaba produzindo provas contra si mesmo. É o caso, para citar apenas um, dos ataques que proferiu de um palanque contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Tão grave foi a investida que Bolsonaro, assessorado por Michel Temer, teve de pedir desculpas numa carta pública.

É o caso, agora, da intervenção na Agência Brasileira de Inteligência com a intenção de formar uma “Abin paralela” para espionar adversários políticos e obter informações sobre investigações que pudessem atingi-lo e sua família. Nada mais espontâneo, justamente porque ele não vislumbrava a possibilidade de o vídeo ser divulgado, do que a exortação de Bolsonaro na famosa reunião ministerial de 2020 em favor de um sistema de informações mais eficiente para proteger sua família e seus amigos.

Dora Kramer - Amargo regresso

Folha de S. Paulo

Daqui em diante, Congresso será mais hostil do que nunca na relação com o Planalto

Congresso Nacional volta do recesso nesta semana mais hostil do que nunca em relação ao Planalto. O presidente da República teve um ano para ajeitar a base, fazer o que seria de se espertar de sua festejada competência política aliada à experiência dos mandatos anteriores, além de um aprendizado de escândalos decorrentes do convívio com o Legislativo escrito por linhas tortas.

Luiz Inácio da Silva (PT) teve outras prioridades em 2023 e dedicou-se a elas confiante na ideia de que o Senado lhe seria mais amigável e a Câmara estaria pacificada se não atrapalhasse a vida de Arthur Lira (PP-AL) na renovação do comando da Casa.

Alvaro Costa e Silva - O voto na arapongagem

Folha de S. Paulo

PL sabia que Alexandre Ramagem era investigado e pagou para ver

Maior e mais rico partido (R$ 863 milhões de fundo para as eleições deste ano), o PL, quanto mais tenta, mais se complica na escolha do candidato a prefeito do Rio. Se for mantido na disputa, Alexandre Ramagem —alvo da operação da PF que acusa a Abin de espionagem ilegal para Bolsonaro— terá de conviver ao longo da campanha com os desdobramentos do escândalo, que é daqueles que prometem mais revelações escabrosas. No momento, a mira é o filho 02, Carlos.

Bolsonaro ainda chorava (longe do Brasil, na Flórida) as pitangas da sua dupla derrota, na reeleição e no ensaio de golpe, quando surgiu a informação de que ele tentaria a volta por cima na cidade que o viu nascer como político. Provavelmente a candidatura era delírio de puxa-saco, e logo o ex-presidente se tornou inelegível.

Joel Pinheiro da Fonseca – Os fatos e tudo a seu redor

Folha de S. Paulo

Assunto do dia deixou de ser os fatos graves que motivaram a investigação e passou a ser o que fizeram com esses fatos

Naquela infame reunião ministerial de 22 de abril de 2020, cujo vídeo circulou o país na época da denúncia de Sergio Moro sobre a interferência presidencial na Polícia Federal, Jair Bolsonaro falou de um sistema particular de informação, em oposição aos oficiais, que não funcionavam a contento. Poderia isso ser uma referência a um uso ilícito da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), uma "Abin paralela" que, por meio do delegado Alexandre Ramagem passava ao presidente e seu núcleo duro informações sigilosas sobre operações policiais e adversários políticos?

A PF já tem algumas provas, como troca de mensagens entre assessora de Carlos Bolsonaro e auxiliar de Ramagem na qual ela pede informações sobre inquéritos policiais. Por esse motivo, celulares e computadores na casa de Carlos Bolsonaro foram apreendidos. A coisa já é grave o bastante por si só.

Eliane Cantanhêde - Abin e gabinete do ódio

O Estado de S. Paulo

Como na pandemia, quem deu pistas e provas sobre o ‘SNI particular’ foram Bolsonaro e os seus

Apesar da reação da família Bolsonaro e seus seguidores, qual a surpresa na operação da Polícia Federal para aprofundar as provas, que não são poucas, contra o vereador do Rio Carlos Bolsonaro? O próprio Jair Bolsonaro, como presidente, admitiu ter um SNI “particular”. O ex-ministro Gustavo Bebianno denunciou no Roda Viva que Carlos comandava “uma Abin paralela”. O general e exministro Santos Cruz saiu indignado com as traquinagens dos “meninos” no governo. E o “gabinete do ódio” revelado pelo nosso Estadão, era para quê?

Luiz Carlos Azedo - Inquérito da "Abin paralela" chegou ao clã Bolsonaro

Correio Braziliense

As ligações da "Abin paralela" com o chamado "Gabinete do ódio", supostamente comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro, é que justificaram as operações desta segunda-feira

Ward Littell, ex-agente do FBI, advogado de Howard Hughes, e Pete Bondurant, ex-agente da CIA, anticomunista fervoroso, são dois personagens noir de Tabloide Americano, de James Ellroy, considerado o melhor romance de 1996 pela crítica norte-americana. Descreve a trama política e mafiosa cujo desfecho foi o assassinato do presidente John Kennedy, em Dallas, no dia 22 de novembro de 1963. Os glamourosos bastidores da Casa Branca são devassados pelos serviços de inteligência.

John Kennedy tinha um caso escancarado com Marilyn Monroe; o magnata Howard Hughes, que financiava a extrema direita supremacista, era um paranoico drogado; Ava Gardner traía Frank Sinatra. O senador Robert Kennedy, que também viria a ser morto, investigava a máfia; o poderoso chefe do FBI, J. Edgard Hoover, vigiava os "comunistas" e o presidente da República; e a CIA investiga todo mundo. Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, era o pretexto para toda sorte de atividades ilegais.