O Globo
Presidenciáveis usaram e abusaram do nome
dEle ao lançar camapanhas
Deus não vota, mas foi arrastado para o
centro da corrida presidencial. No domingo que abriu a disputa, os principais
candidatos ao Planalto usaram e abusaram do nome dEle. Buscavam atrair o eleitorado
religioso, cada vez mais visado pelas campanhas.
Em comício na Vila Euclides, o presidente
invocou Deus nada menos do que 11 vezes. “Sou muito agradecido porque Deus
sempre foi muito generoso comigo. Deus fez vocês, e vocês fizeram o Lula ser o
que ele é”, disse, falando de si mesmo na terceira pessoa.
Em ato na Praia de Copacabana, Flávio Bolsonaro tentou atribuir sua candidatura a um desígnio divino. “Estou aqui com toda a humildade, aceitando essa missão que o presidente Bolsonaro me passou, porque eu tenho a convicção de que há um propósito de Deus para o nosso país”, discursou.
De acordo com levantamento recente da Quaest,
86% dos brasileiros consideram “importante que o candidato acredite em Deus”. O
dado parece explicar por que os candidatos fazem questão de declarar a fé no
palanque.
Lula costuma dizer que a religiosidade do
povo não deve ser explorada como arma eleitoral. Mesmo assim, seu lançamento
teve a presença do pastor Kleber Lucas, que cantou um jingle em dueto com a
primeira-dama. O autor do hino gospel “Deus cuida de mim” é candidato a
suplente de senador na chapa da petista Benedita da Silva.
Ontem um dos coordenadores da campanha à
reeleição almoçou em Brasília com pastores da Assembleia de Deus. Buscava
alianças para furar o domínio bolsonarista entre os evangélicos, atestado pelas
pesquisas desde a eleição de 2018.
Na campanha do PL, há menos pudor em misturar
fé e política. Há dez dias, Flávio desembarcou em São Paulo para um culto da
Igreja Mundial do Poder de Deus. Rezou e chorou ao lado do apóstolo Valdemiro
Santiago, processado na pandemia por vender grãos de feijão com a falsa
promessa de cura para a Covid-19. O ex-deputado Eduardo Cunha fazia companhia à
dupla.
O pastor bolsonarista Silas Malafaia, antigo
cabo eleitoral da família, evitou aparecer no comício esvaziado de Copacabana.
Escapou da foto, mas enviou áudio em que jurou “apoio irrestrito” ao Zero Um.

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