quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Alta no custo do BPC exige revisão de critérios

Por O Globo

Tornar mais racional gasto com o benefício não significa deixar quem precisa sem assistência — ao contrário

A trajetória do gasto com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo a brasileiros com mais de 65 anos ou com deficiência e baixa renda, ressalta a urgência de reformular os programas sociais. Entre 2016 e 2025, o BPC foi a despesa com maior aumento médio real entre os gastos não financeiros do governo. Pelos cálculos otimistas da equipe econômica, custará R$ 153,3 bilhões aos cofres públicos em 2027, alta de 7,2% na comparação com 2026. Computando o reajuste recente do Bolsa Família, os dois principais benefícios assistenciais consumirão mais de 10% das despesas primárias da União no ano que vem.

O gênio das eleições, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Na reta final do primeiro turno, Lula parte para o vale-tudo do populismo

Medidas testam limites do eleitor moderado, que não tem tantas alternativas

O eventual eleitor institucionalista em busca de argumentos para não votar em Lula deparou-se com vários no último par de semanas. Como a lista é longa, concentro-me nos dois casos mais gritantes de populismo eleitoreiro.

O primeiro foi o reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família, decretado a apenas 17 dias do primeiro turno. O problema aqui não é o conteúdo, mas o timing. Compensar o programa pelas perdas inflacionárias dos últimos anos sempre teve sentido, mas o governo Lula, por boas ou más razões, havia preferido não fazê-lo. O reajuste não constava da proposta de Orçamento para 2027 enviada ao Congresso pouco antes. Mas bastaram as pesquisas o colocarem num quadro eleitoralmente desafiador para ele agir.

O que muda de Jair Bolsonaro em 2018 para Flávio em 2026? Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

STF enfraquecido, Trump e aprendizado institucional tornam diferente um eventual novo ciclo bolsonarista

Em 2026, o projeto é mais legível e as condições para executá-lo podem ser mais favoráveis

Em 2018, a rejeição ao PT, a ojeriza aos partidos e grupos que dominavam a política nacional, a sensação de que a vida havia parado de melhorar, os ventos internacionais favoráveis a um populismo radical de direita e, como decorrência disso tudo, uma vontade quase desesperada de mudança de rumo político levaram milhões de eleitores a conceder praticamente um cheque em branco a Jair Bolsonaro. Um candidato que, sabia-se então como se sabe hoje, exibia poucas, se alguma, das qualidades que normalmente se procuram em alguém a quem se pretende entregar o governo do país.

Um Inverno prolongado na política brasileira, por Vagner Gomes*

Em 1986, nas eleições legislativas para a Constituinte, o sociólogo Luiz Werneck Vianna foi candidato a Deputado Federal pelo PMDB do Rio de Janeiro. Aqueles que gostam de fazer o exercício da memória das antigas campanhas eleitorais deveriam resgatar as imagens dessa campanha eleitoral, que foi a primeira após o prolongado período de autoritarismo no Brasil. O partido mencionado fazia um “círculo” de candidaturas ao legislativo, debatendo propostas no horário da propaganda eleitoral gratuita. Muito distante da competição individualizada nas eleições atuais.

Foi naquele ano que o PMDB se tornou vitorioso em todo o país ao ponto da imprensa o comparar ao PRI do México (uma comparação que demonstrava o temor dos meios de comunicação de uma hegemonia em favor de um Estado de Bem Estar Social). A comparação se apresentou como equivocada, pois o Partido de Ulisses era uma grande frente de diversificadas tendências que tinham em comum a luta pela derrota política do atraso ao qual o país se entregou após 1964.

Poesia | Mauro Mota - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Xande - Gente (Caetano Veloso)