quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Um pesadelo chamado Lulinha, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Os desdobramentos dos inquéritos envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, preocupam cada vez mais o comando da campanha do presidente Lula à reeleição. A equipe petista não sabe o que está por vir e, para se desviar da crise, aposta no crescimento das denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente, a partir do dia 28, quando começa a propaganda no rádio e na TV.

Nos bastidores da campanha de Lula há um clima de constrangimento e apreensão. “É dolorido para nós”, disse à coluna um dos principais auxiliares do presidente, sob a condição de anonimato. O discurso oficial é que todos serão investigados, “doa a quem doer”. Mas, como na política a melhor defesa sempre parece ser o ataque, a cobrança do governo e do PT se volta agora para o ministro do STF André Mendonça.

O magistrado é relator de dois dos três inquéritos contra Lulinha e também do caso sobre o filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio, o candidato, pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, do Banco Master, e disse que o dinheiro era para financiar o longa. A PF desconfia que Dark Horse, na verdade, não era bem um filme, mas, sim, um subterfúgio com o objetivo de angariar recursos tanto para a campanha do senador como para bancar despesas do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Embora Mendonça tenha autorizado essa investigação, o comitê de Lula afirma que o ministro e uma ala da PF agem com “dois pesos e duas medidas” para prejudicar o presidente.

Lulinha é alvo de inquéritos por tráfico de influência para obter vantagens no governo, ao lado da amiga Roberta Luchsinger, que trabalhava como lobista para Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

As suspeitas derrubaram Marco

Aurélio Ribeiro, o Marcola, que era chefe de gabinete de Lula e recebeu pagamentos de Roberta. Disse ser um empréstimo.

O Palácio do Planalto entrou em alerta, no entanto, porque a empresária e Lulinha não se reuniram apenas com Marcola. Estiveram com Swedenberger Barbosa, o Berger, à época secretário-executivo do Ministério da Saúde e hoje chefe do Gabinete Adjunto de Lula.

Roberta tentou fechar contrato com o ministério para a venda de medicamentos à base de canabidiol, sem licitação, e enviou até mesmo uma minuta do documento para Marcola. Nada, porém, foi adiante. Em troca de mensagens com Lulinha, obtida pela PF, ela reclamou e disse que Berger fazia corpo mole. “Nosso futuro é Suíça”, escreveu a empresária.

Para quem não se lembra, Roberta é neta do ex-banqueiro suíço Peter Paul Luchsinger. Em 2017, chegou a fazer uma doação de R$ 500 mil para ajudar Lula, que havia tido dinheiro e bens bloqueados pelo então juiz da Lava Jato Sérgio Moro. Roberta não é e nunca foi uma estranha no ninho petista. Ex-filiada ao PCdoB, ela sempre circulou com desenvoltura nas fileiras do PT.

 

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