O Estado de S. Paulo
Davi Alcolumbre preside o Senado desde 2019, considerados os anos em que teve Rodrigo Pacheco por fachada, período em que dirigiu a Casa a partir da Comissão de Constituição e Justiça. Entre aquele 19 e este 26, o imperador do Congresso movimentaria mais de R$ 1,2 bilhão em emendas parlamentares para o Amapá, Estado de cujo governo tem o guidão. Imperador do Congresso porque um dos controladores-distribuidores dos dinheiros do orçamento secreto, ferramenta autoritária – fundo eleitoral paralelo – por meio da qual exerce poder e impõe desequilíbrios. Não será auspicioso lhe ter como inimigo. É um querido. Irresistível.
Comandante do orçamento secreto e do governo
amapaense, teme as investigações da Polícia Federal. Ou melhor: o aparelhamento
da corporação. Teme, claro, a criminalização da atividade política e do
Parlamento. Em fevereiro, a PF foi bater à porta da Amprev, o fundo
previdenciário dos servidores do Amapá, que despejara R$ 400 milhões no Master
e era então comandada pelo ex-tesoureiro de campanha do senador. Em abril,
Alcolumbre lideraria a articulação pela rejeição do indicado de Lula ao
Supremo. Chumbos trocados e forças exibidas, não estará o presidente do Senado
entre os que guardam mágoas – sentimento que transforma em oportunidades. É um
prático. Instrumentaliza a desconfiança. Precifica a paz.
Por isso, para se proteger, reaproxima-se do
presidente da República. Também porque, na hipótese em que reeleito Lula,
precisará dele como base segura de onde construir a sua tentativa de reeleição
à presidência do Senado. Não se sabe quão mais bolsonarista será a Casa em 2027
– e Alcolumbre tem medo de ser o que foi Renan Calheiros em 19, a “velha
política” com a qual romper. Não pode mais encarnar a “renovação”; aqui
explicitado (provado) não ser renovação valor positivo por si.
Alcolumbre se acerca de Lula graças sobretudo
a Alexandre de Moraes, dublê de ministro do Supremo e articulador político,
juiz em cujo tribunal têm foro por prerrogativa de função Lula e Alcolumbre.
São amigos – e em comum terão a amizade de Daniel Vorcaro: aquele cuja casa
Xandão frequentava; aquele que chegava à residência oficial da presidência do
Senado sem avisar. Moraes precisa de Alcolumbre forte, aquele que barra CPIs da
Toga e do Master. “Semanalmente, os dois se encontram e conversam desde
amenidades a costuras delicadas (...)” – escreveu a repórter Victoria Azevedo
no excelente perfil sobre o presidente do Senado, publicado no Globo.
Fazem “costuras delicadas” o político, senhor do orçamento secreto, e o ministro do Supremo em cuja bancada forma o senador-togado Flávio Dino, gestor xandônico dos inquéritos sobre o orçamento secreto. Amizades sinceras à parte, Alcolumbre também precisa de Moraes forte. Inimizades sinceras à parte, Alcolumbre nunca perdeu – nem com a rejeição a Jorge Messias – as suas codevasfs no governo Lula. Irresistível.

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