Valor Econômico
O que é possível apostar é que tanto Lula
quanto Flávio devem crescer no dia das eleições para percentuais acima de 40%
A pesquisa Datafolha divulgada na
quinta-feira (24) deve atenuar a euforia entre os bolsonaristas que nos últimos
dias trabalhavam com o cenário de uma virada do senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno,
que poderia culminar até mesmo com a vitória já no dia 4 de outubro.
A intenção de voto no senador interrompeu a trajetória de alta das últimas três rodadas, permanecendo em 36%. E Lula cresceu um ponto, voltando ao patamar de 40% que tinha em julho. Mas o presidente continua patinando na avaliação de governo, cujo índice de bom e ótimo não cresce, e na aprovação pessoal, que oscilou um ponto percentual para baixo na última semana.
Em abril, a diferença entre eles era de 39% a
35%, o que evidencia o quadro estático desta eleição. Praticamente nada se
move. A desestimular um “sprint” de Flávio na reta final ainda está a igualdade
entre os dois candidatos na taxa de rejeição: 45% para cada um, dois pontos
percentuais a menos do que na semana passada. A simulação de segundo turno,
como era de se esperar, permanece no mesmo empate técnico do qual só saiu na
rodada de julho. Lula tem 47% e Flávio 45%. Em março, seis meses atrás, era 46%
a 43%.
Os demais candidatos somam 14%, dois pontos
percentuais a menos que na semana passada. Para que fosse plausível uma
definição ainda no primeiro turno a favor de Lula seria necessário que o
petista subtraísse cinco pontos percentuais deste contingente. Para Flávio
vencer já na rodada de 4 de outubro, ele precisaria remover nove pontos
percentuais do pelotão de baixo. Ou seja, ganhar um ponto percentual por dia.
O espólio dos candidatos fora da polarização
está dividido da seguinte maneira: dos que pontuam existe apenas uma
candidatura de esquerda, a de Samara Martins (UP), com 1%. Romeu Zema (Novo)
está limitado a 1%. Augusto Cury (Avante), em queda constante, está com 5%. O
eleitorado de Cury é o menos consolidado: 50% dizem que vão com ele até o
final. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), com respectivamente 4% e
3%, avançaram no eleitorado consolidado, do patamar de 50% para 62% nos dois
casos. Isso indica que a tarefa de vencer no primeiro turno no caso de Lula é
virtualmente impossível pelo perfil ideológico dos oponentes não competitivos e
a de Flávio é improvável pelo grau de consolidação que existe em relação às
demais candidaturas.
O que é possível apostar é que tanto Lula
quanto Flávio devem crescer no dia das eleições para percentuais acima de 40%.
O Datafolha mediu que praticamente todo o eleitorado conhece o número dos dois
na urna. No caso de Renan Santos, esse conhecimento é de 53%. No de Cury, de
34%. No de Caiado, apenas 18%.
Esse índice tão pequeno no caso de Caiado
sugere baixa intensidade de campanha, apesar de ser um dos poucos com acesso ao
horário eleitoral gratuito e de estar em um partido grande, com capilaridade
nacional e fundo público razoável. Desde que teve alta de uma internação por
pneumonia, no início do mês, Caiado tem se limitado a percorrer o seu reduto,
Goiás, e cumprir algumas agendas em São Paulo. É até surpreendente ele
manter-se no patamar de 4%.
Os cruzamentos da pesquisa Datafolha indicam
dados mais alentadores para Flávio do que para Lula. O candidato do PL avança
em fortalezas do adversário, como no segmento com renda até dois salários
mínimos por exemplo. Passou de 27% para 32% em duas semanas. No eleitorado com
mais de 60 anos, foi de 34% para 37% neste intervalo de tempo. Entre as
mulheres também cresceu, de 30% para 33% em 15 dias. No eleitorado com ensino
até fundamental, foi de 24% para 29%
Todas essas faixas são de eleitores com menor
engajamento político e mais receptivos à propaganda partidária tradicional, no
rádio e na televisão, fora das redes sociais. É um sinal que o uso do horário
eleitoral está sendo mais efetivo para o candidato do PL do que para o
presidente, apesar da campanha de Lula já ter declarado gastos de R$ 35 milhões
de marketing político e de produção audiovisual.

Nenhum comentário:
Postar um comentário