O Globo
No Senado, possível avanço da extrema direita
eleva risco de crise institucional em 2027
Mais de 120 milhões de brasileiros devem ir
às urnas no domingo. A maioria está preocupada com a disputa presidencial, mas
ainda não sabe em quem votar para o Congresso.
De acordo com o Datafolha, 57% dos eleitores não escolheram candidato a deputado federal. Para o Senado, a incerteza também é regra: 59% não decidiram em quem votar, e outros 14% só definiram o primeiro dos dois votos a que têm direito.
Apesar da profusão de candidatos, a corrida
para o Legislativo é uma espécie de eleição invisível. A campanha passa ao
largo das conversas e do noticiário. Embora diga reprovar o desempenho do
Congresso, o eleitor não parece se mobilizar para transformá-lo.
Em 2026, a mudança tende a ser ainda menor do
que em eleições passadas. O Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (Diap) projeta um índice de renovação entre 39% e 43%, abaixo da
média histórica.
Dos 513 deputados, 438 tentam a reeleição, o
que equivale a 85% dos atuais detentores de mandato. Eles largam na frente
porque já são conhecidos e contam com a estrutura e as vantagens do cargo. Além
disso, têm prioridade na partilha do fundo eleitoral.
Em 2026, a concorrência com os novatos deve
ser ainda mais desigual. O Orçamento deste ano reservou cerca de R$ 40 milhões
para cada deputado em emendas individuais. A maioria usa parte da dinheirama
para fidelizar prefeitos e cabos eleitorais.
Na eleição para o Senado, estão em jogo 54
cadeiras. Dos atuais ocupantes, 32 tentam a reeleição. O Diap não arriscou
previsões, e as pesquisas que circulam na praça devem ser interpretadas com
cautela.
A última eleição que renovou dois terços da
Casa, em 2018, foi marcada por grandes surpresas. Nos três maiores colégios
eleitorais do país, os candidatos que apareciam em primeiro lugar perderam para
azarões. Foi o caso de Eduardo Suplicy (SP), Dilma Rousseff (MG) e Cesar Maia
(RJ).
Embora seja impossível antecipar o resultado
das urnas, a maioria da classe política aposta num avanço da extrema direita.
Os bolsonaristas investiram na bandeira do impeachment de ministros do Supremo
e tendem a se beneficiar do clima de guerra na Corte. Se este cenário se
confirmar, 2027 já pode começar com uma nova crise institucional.

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