quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Entrevista: José Serra (PSDB), ex-governador de São Paulo

"É muito cedo para candidaturas"

Cleidi Pereira e Rosane de Oliveira

Um José Serra mais zen e risonho, mas com o mesmo discurso afiado de candidato, recheado de críticas ao PT, passou ontem por Porto Alegre.

Na Federasul, onde falou a empresários sobre o desenvolvimento econômico, o tucano elencou uma lista de 10 problemas que deverão ser enfrentados a partir de 2015, como inflação e gargalos logísticos. E demonstrou disposição para encará-los, mesmo que, hoje, o pré-candidato do PSDB seja o senador Aécio Neves (MG). Nas entrelinhas, ficou claro que ex-governador de São Paulo não irá desistir tão fácil de ser, pela terceira vez, o postulante tucano ao Planalto. O martelo – insistiu – só será batido em março.

No Tá na Mesa, o tucano reclamou do Mercosul e disse que o RS é vítima da falta de planejamento e do processo de desindustrialização.

Serra visitou a sede do Grupo RBS, onde foi recebido pela direção da empresa. Na sequência, deu entrevista aos veículos do grupo. Também participaram da conversa os jornalistas Cid Martins, da Rádio Gaúcha, Luciane Kohlmann, da RBS TV, e Nathalia Fruet, da TVCOM.

Zero Hora – O senhor é candidato à Presidência?

José Serra – Sou candidatíssimo a continuar batalhando pelo país, analisando o que está acontecendo e fazendo propostas. Questões eleitorais, de candidatura, são coisas para o ano que vem. Ainda tem muita coisa para acontecer. É tudo muito cedo e, aliás, o inesperado já mostrou a sua presença nesta aliança, que foi uma novidade completa, da Marina Silva com o Eduardo Campos.

ZH – A escolha do candidato do PSDB tem de ser por prévia?

Serra – Aécio Neves é presidente do partido, e ele já declarou que este é um assunto para ser abordado a partir de março do ano que vem.

ZH – Até que ponto a decisão de Marina transforma Campos em candidato competitivo?

Serra – Só o tempo vai dizer. Quem souber dizer o que vai acontecer no ano que vem está por fora. Quem disser que sabe é porque não está entendendo nada.

ZH – O governador Tarso Genro fez avaliação de que a eleição não vai se dar em torno do debate sobre as heranças dos governos FH e Lula. Ou seja, haverá um cenário para discutir o país daqui para frente.

Serra – De olhar para frente, sim. Mas não diria que é uma disputa em torno de heranças. Será um disputa em torno dos problemas que o país vai encontrar no começo de 2015. Hoje, não sabemos bem como vai evoluir o processo eleitoral, mas uma coisa tenho certeza: quais são os principais problemas que o novo presidente vai ter de tratar para governar bem o país.

ZH – O senhor falou em uma lista de 10 problemas. É síntese dos problemas do país ou o senhor fez para simplificar?

Serra – É a síntese. O próximo presidente vai encontrar uma economia em uma situação de desequilíbrio externo. O Brasil teve uma fase de bonança que não vai se repetir. Vai ter de fazer frente a um desequilíbrio externo que constrange o crescimento da economia, não vai ter muito raio de manobra do ponto de vista do gasto público, do ponto de vista fiscal, que a situação está muito apertada. Tem o problema da inflação, que, no mundo atual, é alta, mais ainda com os preços reprimidos. Tem o problema de falta de infraestrutura – me refiro a estradas, energia – que está estrangulando o desenvolvimento brasileiro. Tem o problema da saúde a curto prazo, que coloca demandas impactantes do ponto de vista econômico.

ZH – Que avaliação o senhor faz da realização da Copa e suas obras?

Serra – A Copa é uma coisa boa. Agora, teve muita megalomania, estádios demais e em lugares onde não há times e atropelos que, em obras, significam custos maiores.

ZH – Como o senhor avalia as respostas de Dilma aos protestos?

Serra – Nada a ver. São cortinas de fumaça. Mais médicos todo mundo quer. É como falar a favor da energia elétrica e da água encanada. Quem é contra? Todo mundo é a favor. O problema da saúde não é a escassez de médicos e, sim, de serviços de saúde, porque o médico não trabalha sozinho. No Brasil, a disponibilidade média de médicos é satisfatória. A questão é levar o médico onde ele é necessário. Para isso, você tem de ter salário e estrutura, enfermagem, medicamento, aparelhos. Você não vai resolver o problema de saúde com o médico andando em chinelos, perdido no Interior, sem apoio nenhum.

ZH – As denúncias de corrupção envolvendo o metrô de São Paulo podem repercutir na eleição?

Serra – Tem barulho e fumaça, nenhum fogo e pouca substância.

ZH – Tudo não passa de fogo de palha, inclusive as denúncias de formação de cartel?

Serra – Até agora, não teve nada de concreto. Cartel é uma associação de empresas da mesma área, e isso existe em tudo no Brasil, na área bancária, de alimentação. É um fenômeno de atividade econômica, que cabe ao governo combater. Mas existe no mundo inteiro.

ZH – A aliança Marina-Campos não enfraquece a chapa do PSDB?

Serra – Em princípio, olhando a oposição no conjunto, a aliança não faz mal à oposição. Faz bem. Agora, do ponto de vista de quem vai faturar ou deixar de faturar em torno disso, é muito difícil, é muito prematuro.

ZH – O que pesou na sua decisão de rejeitar o convite para ingressar em outros partidos?

Serra – Minha decisão foi continuar no partido que fundei e do qual fui coautor do programa original, ao lado do Fernando Henrique. E já disputei muito dentro do PSDB.

ZH – Faltou fortalecer a imagem de líderes do PSDB como fez o PT?

Serra – São partidos tão diferentes. O PT, na origem, é um partido bolchevique, sem utopia. O PT não tem um programa para o Brasil. E, além disso, tem uma liderança carismática que o PSDB nunca teve. Lula disputou a eleição quatro vezes consecutivas e ganhou na quarta.

ZH – Isso anima o senhor?

Serra – O Salvador Allende foi eleito na quarta vez, o Rafael Caldera, na Venezuela, disputou seis vezes e ganhou duas. O número de eleições que são disputadas não é tão relevante assim. A questão é política, se você tem um partido, se tem o que dizer, se tem programa, se tem clareza de propósitos.

ZH – O senhor acha que o PSDB tem mais chances se apostar no mesmo candidato?

Serra – Imagina (risos) se vou responder isso.

ZH – O senhor vai disputar as prévias no partido?

Serra – Isso não está posto. É a partir de março que vamos ver.

Fonte: Zero Hora (RS)

Fora do governo, PSB ataca gestão de Dilma

Partido de Campos e Marina tinha dois ministérios

Maria Lima

BRASÍLIA- O discurso é de terceira via, para quebrar a polarização PT/PSDB, mas, no programa de rádio e TV do PSB que vai ao ar hoje à noite, o pré-candidato Eduardo Campos fala sobre o que deu certo nos dois últimos governos petistas e deixa claro: o país desandou na gestão da presidente Dilma Rousseff — que o partido integrou até dez dias. Com a participação da ex-senadora Marina Silva em um terço do programa de dez minutos, Campos critica a falta de planejamento, aponta problemas em Educação, Saúde, qualificação profissional e falta de democracia no governo. Diz ainda que não cabe mais a conversa de governar se contentando em dizer que no passado já foi pior.

O programa começa questionando: "O que está acontecendo com o Brasil? Cadê aquele país que há alguns anos despertou a admiração do mundo? Que deixou de ser devedor para ser credor? O que está acontecendo com este país que voltou a ter receio da inflação? Que um dia levou um homem do povo ao poder e hoje sente que o poder não fala a língua do povo? Será que estamos no caminho errado?"

Eduardo Campos diz que o Brasil não trilha o caminho errado, mas está num caminho que já deu o que tinha que dar. Sem citar o Bolsa Família, afirma que está na hora de dar um salto adiante, seguir combatendo a miséria, protegendo os mais vulneráveis, mas emancipando o cidadão, dando a ele os instrumentos para crescer e evoluir.

Em seguida, dá o recado de que agora buscará, ao lado de Marina, um novo caminho: "É hora de reunir as boas ideias e as boas pessoas para fazer mais" , afirma, completando mais adiante que, para começar, é preciso abandonar as velhas práticas políticas para dar espaço e oportunidade para as novas lideranças. No encerramento, aparecem trechos dos discursos de Campos e Marina no lançamento da aliança dos dois.

Fonte: O Globo

Palanques duplos e até triplos na disputa no Rio

Depois do petista Lindbergh, agora PSDB e PR falam em apoiar no estado mais de um candidato à Presidência

Cássio Bruno

Ninguém se entende na pré-campanha do Rio. Depois de o senador Lindbergh Farias, pré-candidato ao governo em 2014 pelo PT, anunciar a intenção de palanque duplo para a presidente Dilma Rousseff e o governador Eduardo Campos (PSB), e provocar crise com os petistas, agora é a vez do PSDB. Tucanos fluminenses querem formar um bloco de oposição com sete partidos. Assim, apoiariam à Presidência o senador Aécio Neves e, ao mesmo tempo, Campos.

Outro pré-candidato ao governo, o deputado federal Anthony Garotinho (PR) vai além. Trabalha com possível palanque triplo aos concorrentes ao Planalto.

Neste caso, pediria votos para Dilma na Baixada. No interior, caminharia com Aécio. E, na capital, as atenções se voltariam para Campos e Marina Silva.

A proposta do PSDB será levada hoje a Aécio. Além de negociar com aliados, como PV PPS e DEM, os tucanos querem se aproximar do PSB e dos novos PROS e Solidariedade. Com isso, o nome para a disputa ao governo ficaria entre o técnico de vôlei Bernardinho (PSDB) e o deputado federal Miro Teixeira (PROS), Para o Senado, o sonho é o deputado federal Romário (PSB).

— Faremos reunião com Aécio amanhã (hoje). Mas não vemos dificuldades no campo nacional. Em SP, o vice na chapa do PSDB pode ser do PSB. Em Minas, o PSB deve apoiar o candidato de Aécio — diz o deputado federal tucano Otávio Leite.

Próximo de Aécio, o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG) não descarta o palanque duplo:

— Aécio e Campos têm um canal direto e estão conversando. É possível (palanque duplo). Ambos têm relação de competição, mas também de cooperação. O Rio é estratégico para uma campanha presidencial, não só pelo contingente eleitoral, mas por ser vitrine para formação de opinião.

Filiado ao PSDB, Bernardinho ainda não deu resposta ao convite de Aécio. Já Miro saiu do PDT para o PROS justamente de olho na disputa ao governo. — Não posso falar nada sem antes conversar com o PROS e com a Rede. Mas pode existir aí uma discussão (sobre a proposta do PSDB) — diz Miro.

Fonte: O Globo

Para romper a inércia do atraso - José Serra

Na segunda-feira um homem falou comigo simpaticamente no elevador do prédio onde está meu escritório: "Olhe, desculpe-me a liberdade de lhe perguntar, o senhor nem me conhece, mas o que vai acontecer na disputa eleitoral do ano que vem?". Eu tinha apenas alguns segundos até chegar ao meu andar e sorri: "Francamente, não sei. E se alguém lhe disser que sabe, é porque está por fora, não compreende nada do que está acontecendo".

Uma certeza, no entanto, é possível ter: a diversidade e o tamanho dos problemas que o presidente que vier a ser eleito terá de enfrentar a partir de 2015 para administrar o País e corresponder às expectativas da população. O problema n.º 1 será o desequilíbrio externo da economia, que trava o crescimento com qualidade. O indicador mais sintético é a evolução do déficit em conta corrente do balanço de pagamentos, perto de 4% do PIB este ano - cerca de US$ 75 bilhões. O Brasil, na última década, não utilizou a notável bonança externa - juros internacionais baixíssimos e preços de nossas exportações agrominerais nas nuvens - para investir e fortalecer a competitividade. O modelo lulista transformou os recursos dessa bênção em consumo privado e público, substituindo boa parte da produção doméstica da indústria, que vem regredindo em marcha forçada, perdendo mercado interno e capacidade para exportar.

O desequilíbrio no balanço de pagamentos não vai ser atenuado durante o próximo mandato por algum novo surto de bonança externa: pode não ocorrer um desabamento dos preços das commodities, mas não haverá novo salto para cima. E os juros internacionais vão subir, pois, tudo indica, as economias desenvolvidas vão puxar o crescimento mundial. Assim, o governo terá de enfrentar duas questões difíceis: a desvalorização do real, pressionando a inflação, e os juros reais domésticos elevados, a fim de atrair capitais para fechar as contas externas. As grandes reservas de divisas do Brasil não são panaceia nesse caso. Este ano o Banco Central já vendeu US$ 50 bilhões a câmbio futuro para segurar o valor do real.

O próximo presidente será o herdeiro da falta de uma política de comércio exterior, uma anomalia para uma nação continental e tão dependente do exterior. A ponta do novelo dessa aberração está no Mercosul, um monumental equívoco. Ao eliminar a soberania comercial brasileira, forneceu pretexto à inércia nos acordos bilaterais e à doutrina do dolce far niente do Itamaraty.

A inflação será o terceiro grande problema: não é explosiva, mas, no mundo de hoje, é alta, mesmo sendo reprimida. O novo governo não terá raio de manobra para expandir os atuais preços controlados - haverá pressão para absorvê-los. Até quando os preços de combustíveis e tarifas de transporte podem ser reprimidos? Mais ainda, o próximo presidente terá de lidar com a indexação da economia, ampliada e intensificada no último decênio.

Dominará a agenda uma quarta questão: a da infraestrutura de energia e transportes, hoje em estado crítico em razão da incapacidade das gestões petistas de investir, seja diretamente, seja mediante parcerias com a área privada. Nessa área, o PT não revelou apenas impaciência para aprender. Contaram também a ideologia, a propaganda e a malandragem com dinheiro público. Exemplo eloquente em transportes: o frete de livros brasileiros impressos na China, por navio, é inferior ao custo Rio-São Paulo.

Será preciso também encarar a estreiteza do espaço para manobras fiscais. Não há perspectiva de desastre até 2015, mas cessou o repertório abusivo do último decênio, que permitiu sustentar o consumo governamental, fazer financiamentos públicos sem critérios e, em suma, desperdiçar recursos. Nem mesmo é possível elevar a carga tributária, hoje a maior do mundo em desenvolvimento, expediente principal do combate ao déficit público desde a segunda metade da década de 1990. Essa carga explica três quintos do custo Brasil, que corresponde ao acréscimo de 25% nos preços da produção doméstica na comparação com a média dos nossos parceiros comerciais!

Essa perda do raio de manobra fiscal vai limitar não apenas a gastança em consumo governamental, mas também a chamada "bolsa BNDES" e, mais amplamente, a atuação do Tesouro Nacional como fonte transbordante de crédito da economia. Acrescente-se que o próximo presidente é que terá de arcar com os inevitáveis micos na cobrança dos juros e do principal desses financiamentos.

Um sexto problema, mas não nessa ordem, será o enfrentamento das demandas de saúde, principal item de insatisfação no Brasil de hoje. A demonização da classe médica é só uma cortina de fumaça que esconde os problemas de má gestão e de encolhimento relativo dos gastos do governo federal no setor em relação a Estados e municípios. Com realismo, sem uma recomposição para cima da distribuição das despesas as dificuldades prosseguirão, com ou sem a fantasia dos recursos do pré-sal.

Os nós da educação são ainda mais difíceis de desatar. Apesar do expressivo aumento de despesas públicas, o setor é administrado com mediocridade e controlado pelo corporativismo. Os números da propaganda mal escondem a incapacidade de atrelar a educação à questão do desenvolvimento. Só por isso o setor é considerado estratégico mundo afora. Por enquanto, entende-se a educação só pelo viés de uma suposta justiça social. É evidente que isso faz sentido, mas é só primeiro passo da equação. Há ainda questões prementes como a epidemia de drogas ou a sustentabilidade ambiental, ignoradas pelo petismo.

O fecho da lista de problemas é a necessidade de um novo estilo de governar, que aposente a estridência publicitária e a balcanização do Estado brasileiro. Esse modelo não só não resolve as dificuldades, como cria entraves adicionais. O primeiro passo para romper a inércia do atraso é o reconhecimento de que os problemas existem. E as respostas certamente não podem ser dadas por quem fez dessas dificuldades a razão de sua força.

*Ex-governador e ex-prefeito de São Paulo

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aliança Marina/Campos. 2º turno e efeitos contra reeleição e Aécio - Jarbas de Holanda

A surpreendente iniciativa de Marina Silva de partir para filiar-se ao PSB e apoiar a candidatura de Eduardo Campos (como resposta ao papel que atribuiu ao lulopetismo no bloqueio ao registro do seu partido) tem um potencial de implicações capaz de reorientar significativa-mente a disputa presidencial de 2014. Na dependência de progressiva confirmação, ou não, desse potencial em pesquisas a serem feitas daqui para a frente. Mesmo antes dos testes dessa confirmação, tais implicações apontam para vários efeitos no campo governista e no da oposição. Entre os quais, no primeiro, um retorno do risco do 2º turno (reduzido pela recuperação da presidente Dilma nas pesquisas e considerado praticamente extinto com a rejeição legal da Rede Sustentabilidade). Com a agravante de que isso decorra de um forte adensamento da campanha de Campos sobretudo no Nordeste (e não apenas em Pernambuco), o qual tem constituído decisiva reserva eleitoral do PT. E no segundo campo, a emergência de possibilidade consistente de uma troca do tucano Aécio pelo concorrente do PSB no embate final.

Seguem-se outros efeitos ou desdobramentos, possíveis da iniciativa de Marina. O papel relevante dela na parceria com o PSB, de um lado, estende o adensamento nordestino de Campos aos centros urbanos do Sudeste e do Sul, mas, de outro lado, favorece uma opção do empresariado, a partir do agronegócio, para a candidatura de Aécio, (que, porém, terá maior dificuldade para crescer na chamada classe média). Uma persistência da superioridade – até agora muito ampla – dos índices de intenção de voto em Marina em relação aos de Campos poderá forçar uma mudança dos termos iniciais da parceria entre os dois, por meio da assunção por ela da candidatura presidencial. Mantendo-se forte durante a campanha eleitoral o peso das duas lideranças dissidentes coligadas, ao mesmo tempo que se enfraquecerá a polarização PT-PSDB, reduzir-se-á ou se diluirá a ênfase petista na retórica da luta de classes, pois a campanha governista terá de voltar-se também contra a “traição” dos dissidentes.

E mais dois desdobramentos significativos dessa iniciativa: 1º) a configuração, ao longo do primeiro semestre de 2014, do cenário de um 2º turno, de confronto entre Dilma e Aécio ou Campos (ou Marina) num contexto de provável aliança dos oposicionistas com os dissidentes, recolocará – para o PT e outros partidos da co-ligação eleitoral do Palácio do Planalto – o imperativo do “volta Lula”, com a substituição da candidatura de Dilma pela dele; e 2º) a presença de Marina no processo eleitoral evitará uma elevada taxa de votos nulos ou em branco, que seria muito negativa para a institucionalidade democrática.

Mas toda essa reorientação da corrida presidencial (com efeitos, menores, nos palanques estaduais), previsível após o inesperado apoio de Marina Silva a Eduardo Campos, está na dependência, primeiro, das reações dos “marineiros” a tal apoio, que podem ser frustrantes, no que o lulopetismo aposta. E, na sequência, entre outros fatores negativos, a incapacidade das duas lideranças de superar contradições partidárias no novo relacionamento, o que o governo e o ex-presidente Lula se empenharão em acentuar.

Jarbas de Holanda é jornalista

O pragmatismo da irmã e o sofisma do sinhorzinho – Michel Zaidan Filho

O que poderia ter em comum a agenda programática do partido-rede de Marina da Silva e as ambições políticas do governador de Pernambuco? - O que teria justificado o aceite da ex-senadora para ingressar nos quadros do PSB, na condição de simples cabo eleitoral do presidenciável do partido, abrindo mão da publicização da novel organização partidária, num momento crucial de sua autoafirmação política? - Essas, as perguntas que os crentes da Assembléia de Deus, os agnósticos, socialistas e ateus devem estar se fazendo a esta hora pela Brasil afora....

Como foi possível que uma pré-candidata de confissão pentecostal, avessa às relações homoeróticas, ao aborto,aos métodos contraceptivos e a pesquisa com célula tronco, com finalidades terapêuticas, aceitasse de bom grado o convite de um político "soi dissant" socialista, agnóstico, que só se preocupa com o poder pura e simplesmente, sem veleidades éticas, republicanas, democráticas, como o nosso sinhorzinho de Pernambuco?

Em outros tempos de cruzada, diríamos que seria o casamento de uma missionária de Deus com o representante do demo, tema bom para a literatura surrealista de cordel, apresentada nas praças públicas do interior do nordeste. Infelizmente, a realidade é outra: a ex-senadora e irmã, Marina da Silva, pela segunda vez em sua carreira dá mostras de que não está a altura de uma verdadeira líder de um grande, novo, autêntico movimento de mudança na sociedade brasileira.

Desde de sua clamorosa omissão no 2. turno das eleições presidenciais, quando ela teve 20 milhões de voto, permitindo a dispersão dos votos para as várias legendas, já se percebia que o idealismo político da irmã tinha um fôlego curto. Seu projeto político era pessoal, dela, de seu imaginado carisma, de sua história de vida, dos percalços de sua formação. A líder era um engodo, embalada numa aura de santidade e louvor. Nada mais do que isso.

No sábado passado, na ocasião de anunciar a sua decisão - esperada em clima de copa do mundo - disse a irmã Marina, em alto e bom som, que era uma gesto de pragmatismo político, aceitar o convite do sinhorzinho agnóstico ou cético, pois o partido "rede e sustentabilidade" ia continuar, talvez em busca de um momento mais favorável para ressurgir na cena política brasileira. Por enquanto, aceitava ser um mero cabo eleitoral (do voto evangélico, dos descontentes com a política do PT, da oposição realmente existente no país etc.)

Belo papel para uma líder reformadora do sistema partidário brasileiro: ser cabo eleitoral de uma aventura política, de um oligarca regional, que não encontra unanimidade nem em seu próprio partido e na sua base aliada. Nada desautoriza, por sua vez, a hipótese de que esse acordo já não existisse, por debaixo dos planos, na possibilidade bem concreta do partida da irmã não ser autorizado pela justiça eleitoral. E que haja um outro acordo com o candidato mineiro do PSDB, Aécio neves, de quem o sinhorzinho é um declarado fã. É bem possível que em face da posição relativa dos dos pré-candidatos na corrida presidencial, haja sim um pacto de reciprocidade no apoio mútuo de um a outro. Do nosso pequeno Maquiavel, tudo é possível, menos a sinceridade e a transparência.

Ora o que une a irmã Marina da Silva ao autodeclarado socialista de Pernambuco é o puro e simples pragmatismo político, na primeira ainda de forma acanhada e envergonhada: no segundo sem limites, sem pudor, abertamente escancarado. O avô ainda alimentava o apego ao "povo" e a "nação". O neto, globalizou-se.

Michel Zaidan Filho, sociólogo, é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Sigam a história! - Demétrio Magnoli

"Sigam o dinheiro", indicou o Garganta Profunda aos repórteres do Washington Post que terminariam por desnudar o rei, provocando a renúncia de Richard Nixon. Bob Woodward e Carl Bernstein sabiam que andavam sobre o abismo, mas persistiram na investigação, pois o editor do jornal lhes garantiu apoio. "Sigam a história, custe o que custar", teria dito Ben Bradlee. Dois meses atrás, o Washington Post foi vendido por meros US$ 250 milhões a Jeff Bezos, proprietário da Amazon. "Nós agora pertencemos a um cara tão rico que o jornal vale cerca de 1% de seu patrimônio líquido", disse um tristonho jornalista após o encontro da redação em que a família Graham comunicou o negócio. O episódio lança um jato de luz sobre a encruzilhada em que se encontra o jornalismo - e não só nos EUA.

John Milton pronunciou sua clássica defesa da liberdade de imprensa em 1644, quando surgiam os primeiros jornais modernos. Durante os dois séculos da "pré-história" do jornalismo, os jornais e a opinião pública configuraram um ao outro. Mas o jornalismo, tal como o conhecemos, nasceu em meados do século 19, com a primeira revolução da informação, propiciada pelo telégrafo. Antes dominados por textos de opinião, os jornais encheram-se de notícias - e firmaram-se como infraestruturas públicas das sociedades abertas. No 16 de abril de 1912, um dia depois do naufrágio do Titanic, milhares de pessoas aglomeraram-se diante das sedes dos jornais de Nova York, disputando edições extraordinárias com as notícias da tragédia.

Os Grahams renunciaram ao Washington Post, que controlavam desde 1933, depois de sete anos de prejuízos. A revolução da informação em curso tem efeitos opostos aos da revolução pioneira. A notícia tornou-se uma commodity, que já não paga o preço do papel de imprensa. O dinheiro deslocou-se das empresas jornalísticas para conglomerados de telecomunicações e de internet. Nos EUA, sob o pano de fundo de recuos gerais nas tiragens, na publicidade e na dimensão das redações, só o New York Times anuncia triunfos embrionários na árdua luta para se adaptar a um ambiente desafiador. O espectro da morte dos jornais ronda as sociedades - e provoca indagações sobre o futuro da democracia.

No Brasil a crise ainda é atenuada por uma expansão marginal das tiragens, mas o poder político tenta cavalgá-la para calar as vozes dissonantes. A paisagem salpicada de blogueiros chapa-branca que clamam pela censura em textos hidrófobos, circundados por banners da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, é apenas um sintoma superficial. O projeto de fundo não é censurar, mas sujeitar. O ex-ministro Franklin Martins, um destacado assessor de Lula, repete há anos, incansavelmente, uma ameaça velada. Os jornais, explica, só têm as alternativas de aceitar o "controle social da mídia" ou enfrentar mudanças regulatórias que permitiriam a aquisição das empresas jornalísticas por grupos bilionários fincados no mercado de telecomunicações. Bezos repetiu a célebre instrução de Bradlee, prometendo respeitar os valores do Washington Post. Não é prudente, porém, esperar o mesmo de outros magnatas pós-modernos - especialmente se operam concessões públicas.

Os jornais precisam mudar se pretendem sobreviver e resguardar sua independência. Um caminho é a revalorização dos textos de opinião. "Um bom jornal é uma nação dialogando com ela mesma", disse certa vez Arthur Miller. Na internet cada esquina funciona como um palanque autossuficiente de opinião. Só os jornais, porém, têm o condão de reunir os interlocutores numa mesma praça, que não tem compromissos com o poder de turno. Esse curioso retorno às origens da imprensa não representa, todavia, mais que uma decifração precária do enigma da era da internet.

Numa época de informação abundante, o Estado protege como nunca seus próprios subterrâneos. "Sigam a história": só o jornalismo possui as competências para desnudar o rei, expondo à luz do sol as vísceras dos governos. Edward Snowden procurou o Guardian e o Washington Post porque a denúncia da máquina de espionagem em massa da NSA precisava dos filtros e da credibilidade dos jornais. Uma investigação de O Estado de S. Paulo revelou nada menos que a montagem de um Estado paralelo, partidário, ilegal e clandestino, sob as asas do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Sem jornalistas treinados, redações estruturadas e critérios éticos de apuração os cidadãos só conheceriam as notícias manufaturadas por marqueteiros e assessores de comunicação. O jornal, impresso no papel ou distribuído em versões eletrônicas, continua a ser uma infraestrutura pública indispensável à democracia.

Minha trajetória pessoal se enlaça em pontos diversos com a história do Estadão. No início da adolescência aprendi bastante sobre a natureza das ditaduras pelos vislumbres proporcionados em páginas do jornal preenchidas com trechos de Os Lusíadas. À época eu produzia fragmentos de textos mentais na tentativa de imaginar as linhas que, riscadas pelos censores, jaziam ocultas debaixo dos versos de Camões. Nos últimos sete anos, a cada duas semanas, sem uma única interrupção, experimentei o privilégio de assinar artigos nesta página. Foram 183 textos, o equivalente a um livro de 560 páginas, que agora se encerra. Os difamadores do jornalismo, em geral regiamente remunerados, espalham a lenda de que "liberdade de imprensa é liberdade de empresa". Eu testemunho que sempre escrevi exatamente o que quis - e, mais, que meus editores nunca souberam o que eu escreveria antes de receberem o artigo pronto.

"Sigam o dinheiro!", dizem os estrategistas do rei aos jornais, animados com a perspectiva de transferir essas infraestruturas públicas a conglomerados que orbitam em torno do governo.

"Sigam a história!", digo eu na despedida, repetindo aquele editor, que não tinha medo de cara feia.

*Sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP

Fonte: O Estado de S. Paulo

Lá Vem o Patto! – Urbano Patto

Diz o ditado: Esperteza quando é demais costuma comer o esperto.

Parece que o PT e o governo ao "fazer o diabo" para viabilizar a reeleição de Dilma, está correndo o risco de criar contra si uma unidade de forças políticas que tem sido pressionadas, negligenciadas, subestimadas e maltratadas pelo governo e pelo partido.

E isso não é uma prática nova do governo e da campanha atual. No governo Lula também foi assim, quando afastaram-se progressivamente das hostes governistas o PPS, o PSOL, o PV e o que hoje veio a ser a Rede Sustentabilidade, com Marina Silva a frente. Hoje já se afastaram ou caminham celeremente para o afastamento, o PSB, do pré-candidato Eduardo Campos e o Solidariedade, que consiste em significativa parte do PDT.

Dizem que o que atrai e mantém as alianças políticas é muito mais a perspectiva de poder do que o seu exercício no momento, ainda mais quando o poder do momento é avaliado de maneira duvidosa gerando incertezas futuras.

Na transição anterior dúvidas muito menores que as de hoje existiam. Havia uma certa estabilidade econômica, a inflação estava controlada, o crédito era dado a rodo para o consumo, a Bolsa Família era uma novidade funcionando, etc e mesmo assim fomos ao segundo turno graças a candidatura de Marina Silva, desgarrada do governo por insatisfação com os rumos que este vinha tomando.

As candidaturas de Eduardo Campos e Marina Silva, ambos para presidente até ontem, buscavam, com seus programas e projetos próprios e isolados, se constituírem como uma alternativas de poder futuro. Apertados pelos formidáveis esforços dos espertos, do governo e do PT, em obstruir-lhes espaços políticos, apoios, ações de governo e o fazer o que mais pudessem para lhes dificultar a vida, fizeram com que se unissem, com um ou outro candidato a presidente ou vice-versa, e iniciassem o que pode se transformar, se bem conduzido, em um polo político - e não só eleitoral - com real substância e perspectivas reais de poder.

Aguardam- se os novos movimentos. Se os espertos continuarem tão desenvoltos e prepotentes como o marqueteiro de Dilma, João Santana, que disse textualmente sobre a oposição: "Eles vão se comer, lá embaixo, e ela [Dilma], sobranceira! vai planar no Olimpo." não haverá surpresa se mais defecções ocorrerem na caravana governista e mais unidade se formar na oposição.

Urbano Patto é Arquiteto-Urbanista, Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional, dirigente do Partido Popular Socialista (PPS) de Taubaté e do Estado de São Paulo. Comentários, sugestões e críticas para urbanopatto@gmail.com

Estruturas de poder - Merval Pereira

A tentativa de quebra da polarização entre PT e PSDB na disputa presidencial, independentemente do candidato que surja como a terceira via, não tem sido exitosa em nossa História política, e o cientista político da PUC-Rio Cesar Romero Jacob é cético quanto ao êxito dessa empreitada, pois, desde a redemocratização, não há repetição de uma terceira via solidamente implantada no território, que é onde se faz a política, com máquina, militância, uma ação no plano do territorial.

Seriam três os pilares das "estruturas de poder" que viabilizam a disputa eleitoral para presidente: as oligarquias nos grotões; os pastores pentecostais e os políticos populistas na periferia; e a classe média urbana escolarizada. Essa constatação fragiliza em parte a tese de que o eleitor vota no candidato, não no partido, pois o partido é fundamental para o candidato ter consistência eleitoral. A terceira via tem sido questão muito episódica, lembra Romero Jacob.

Em cada eleição houve uma preponderância: Brizola era bem votado no Estado do Rio e no Rio Grande do Sul; Enéas, no entorno metropolitano; Ciro Gomes era I muito centrado no Nordeste; Garotinho, muito no Rio j e nos territórios evangélicos; não há a repetição, de : uma eleição para outra, de uma terceira via com uma mesma base territorial. Isso se deve, segundo o cientista político, ao peso de São Paulo no jogo eleitoral: o estado tem 1/3 do PIB nacional e 1/4 do eleitorado, e os partidos solidamente implantados em São Paulo são o PSDB e o PT, o que, na sua opinião, condiciona o resto.

Ele ressalta que, em eleição presidencial, nosso sistema é bipartidário, no Parlamento é que há fragmentação eleitoral. O PSDB é forte na capital paulista e nos municípios do interior, e o PT no entorno da capital e no cinturão industrial. Esta é a primeira vez em que não há, por enquanto, candidato paulista na disputa, mas ao mesmo tempo Dilma e Aécio contarão com forças políticas importantes no estado de São Paulo.

Romero Jacob chama de "maldição do terceiro colocado" o que tem acontecido com os candidatos que a cada eleição surgem como novidade, mas não se firmam como alternativa de uma terceira via eleitoral que se contraponha à polarização entre PT-PSDB. Desta vez é Eduardo Campos quem aparece nesse papel.

A ex-senadora Marina, que não conseguiu partido para se candidatar e teve de entrar para o PSB como coadjuvante, pelo menos até agora vive essa "maldição" Segundo Romero Jacob, a "maldição" pode ser medida pelo retrospecto dos candidatos que chegaram em terceiro lugar nas recentes eleições presidenciais após a redemocratização.

Ninguém emplacou na eleição seguinte. Brizola, em 1989, teve 16% dos votos, quase foi para o segundo turno contra Collor. Em 1994, teve apenas 3%; em 1998, foi vice de Lula; e terminou a carreira política sendo derrotado para senador. Enéas teve 7% de votos em 1994, caiu para 2% em 1998 e, em 2002, candidatou-se a deputado federal. Ciro Gomes teve 11% em 1998; 12% em 2002; mas, em 2006, se candidatou a deputado federal.

Garotinho teve 18% dos votos em 2002; em 2006, o PMDB não lhe deu legenda para concorrer. A senadora Heloisa Helena teve 6% dos votos em 2006 e não se elegeu senadora em Alagoas. Eles se tomam políticos regionais, caso de Ciro e Garotinho, ou locais, como Heloisa Helena, hoje vereadora em Alagoas.

Um trabalho da PUC-Rio que Romero Jacob coordena mostra que, até agora, a terceira via não se mostrou possível porque não se observa nada em comum, do ponto de vista eleitoral ou geográfico, entre os terceiros colocados nas eleições anteriores. Na verdade, cada uma das situações que levaram um candidato ao terceiro lugar foi pontual. Romero Jacob diz que nos seus estudos só há um registro de transferência de votos no segundo turno, o de Brizola em 1989, que transferiu para Lula todos os seus votos. Em 2002, por exemplo, Ciro teve 12% dos votos, e Garotinho, 18%, e os dois propuseram apoio a Lula, mas os votos foram meio a meio para Lula e Serra. Isso porque os votos de Ciro na Bahia não eram dele, mas de Antonio Carlos Magalhães, que estava em dissidência, os votos no Maranhão eram de Sarney. Assim como Garotinho, que não tinha votos na Amazônia, onde sua força vinha da Assembleia de Deus, cujo voto ele não decidia.

Em 2010, apesar de sua grande votação, Marina não transferiu votos para o Partido Verde, pelo qual concorreu. O mesmo pode acontecer com sua ida para o PSB.

Os pontos-chave
1. Cientista político da PUC-Rio é cético quando ao êxito de uma terceira via, pois, desde a redemocratização, não há a repetição de uma alternativa solidamente implantada no território
2. O estado de São Paulo tem 1/3 do PIB nacional e 1/4 do eleitorado, e os partidos solidamente implantados lá são o PSDB e o PT, o que condiciona o resto
3. Em 2010, apesar de sua grande votação, Marina não transferiu votos para o PV, pelo qual concorreu. 0 mesmo pode acontecer com sua ida para o PSB

Fonte: O Globo

Frente de oposições - Eliane Cantanhêde

Em meio a tantas notícias e a tantas emoções, a coluna do mestre Elio Gaspari no domingo (6) está no topo da lista de importância, ao mostrar o que aconteceu com o núcleo dos "campeões nacionais", ou seja, das empresas que receberam perto de R$ 20 bilhões do BNDES para mergulharem no fantástico mundo das grandes mundiais.

Em resumo, foram para o vinagre, ou acabaram fundidas, ou perderam abrupto valor de mercado, o grupo OGX, a "supertele" Oi, o frigorífico Marfrig, a campeã do ramo de laticínios LBR, a Fibria e o Bertin. Gaspari deixou uma pergunta no ar: quanto custou a brincadeira?

Além do dinheiro jogado fora, há aí toda uma questão altamente política. A outra pergunta que não quer calar é se os tais "campeões nacionais" valiam por si, ou valiam pela então capacidade de sustentar o projeto de 20 anos do PT no poder.

O BNDES, portanto, vem se somar à Petrobras como carro-chefe do discurso de oposição ao PT e a Dilma nas eleições de 2014, invertendo o uso político. Se as duas instituições foram usadas a favor do projeto petista, serão agora usadas contra ele.

Isso é mais evidente na campanha de Aécio Neves, mas o que está se desenhando para o ano que vem não é mais a polarização entre PSDB e PT, mas, sim, uma frente de oposições contra a reeleição, unindo Aécio, Eduardo Campos e Marina Silva.

É melhor para Dilma forçar a vitória no primeiro turno, e é nessa direção que Lula se move, mas esse cenário parece cada vez mais distante.

Na hipótese de segundo turno, Aécio não tem outra alternativa senão apoiar a dupla Eduardo Campos-Marina Silva (que tende a ser nessa ordem, mas não necessariamente). E Campos e Marina tenderão a apoiar Aécio, pois entraram numa rota de oposição que não tem volta.

No quadro de hoje, Dilma é franca favorita. Mas os "anões" --como João Santana ironizou os candidatos de oposição-- dessa vez têm discurso e um objetivo comum.

Fonte: Folha de S. Paulo

O grande trunfo - Denise Rothenburg

Em todas as rodas do Congresso que discutem política o tema recorrente é a nova aliança entre Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato do PSB à Presidência da República. E há uma razão básica para isso: os dois juntos hoje formam uma dupla praticamente inatacável pelos adversários. Do ponto de vista estratégico, nem o PT de Lula e Dilma Rousseff nem o PSDB de Aécio Neves e José Serra podem se dar ao luxo de bater neles. Daí, a perspectiva de uma eleição de gigantes, muito além do “jogo dos anões” vislumbrado pelo marqueteiro João Santana que, por sinal, terá que se desdobrar para enfrentar antigos aliados de Lula.

No caso do PT, a impossibilidade de ataque vai além do embate político atual. Tanto Marina quanto Eduardo são frutos do processo político resultante do governo Lula. Marina, por exemplo, já foi tratada como “Lula de saias”. Eduardo, por sua vez, foi fundamental no momento em que o presidente enfrentou o processo do mensalão na pré-campanha pela reeleição, em 2006. O máximo que Lula pode dizer é que Eduardo está indo com muita sede ao pote, que Marina não tinha nada que ter brigado e por aí vai. Mas ele sabe que eles têm a legitimidade de defesa do governo Lula, daí a dificuldade de ataque.

O PSDB também evitará ataques por causa de um raciocínio diametralmente oposto. No papel de candidato a presidente da República, o senador Aécio Neves poderia até dizer que Eduardo e Marina são cópias melhoradas do governo Dilma, pois também são crias de Lula. Mas não o fará por um único motivo: O PSDB também pleiteia a vaga no segundo turno e, sendo assim, não baterá em quem pode virar um potencial aliado.

Nesse jogo, fica cada vez mais claro que os embates ferrenhos daqui para frente não se darão entre potenciais candidatos. A briga para valer terá como palco os estados, onde os adversários dessa nova construção política tratam de semear a discórdia no ambiente de Eduardo e Marina. Não faltaram deputados e senadores para dizer a José Antônio Reguffe, do Distrito Federal, que ele tem mais é que insistir na candidatura própria ao governo, ainda que se afaste do senador Rodrigo Rollemberg. Reguffe, até onde se sabe, não mordeu a isca. Tem dito apenas que prefere esperar para ver o que acontecerá lá na frente.

Enquanto isso, no Planalto...
A presidente Dilma Rousseff está ciente desses detalhes. Tanto é que já orientou o marqueteiro João Santana a deixar de lado adversários futuros, evitar entrevistas arrogantes e manter o trabalho focado nos resultados do governo. Ela não está brincando quando diz que qualquer sucesso eleitoral passa antes por realizações de projetos governamentais e pelo bom desempenho da economia. E, até aqui, pelo menos no que se refere à economia, o Copom sinaliza aumento de juros e, em termos de infraestrutura, as obras que parecem caminhar em maior velocidade são as dos estádios da Copa do Mundo.

Paralelamente à governança, a presidente avalia a reforma ministerial de dezembro. Já está praticamente definido que o Ministério de Portos ficará com o Ceará de Ciro e Cid Gomes. Ainda que a indicação seja técnica deverá ter o aval deles. O mesmo ocorrerá no caso dos outros 11 ministérios incluídos na reforma. A ordem com a consulta aos partidos é evitar que Eduardo Campos e Aécio Neves arrebanhem insatisfeitos com as mudanças no primeiro escalão.

E em São Paulo...
Enquanto Dilma trabalha com a reforma e a economia, Eduardo trata de seu programa. Hoje, ele se reúne com os economistas que apoiaram Marina Silva, André Lara Rezende e Guilherme Leal, da Natura. Começa aí a montagem do projeto de economia sustentável para apresentar em 2014. Aécio cuidou do tema em sua viagem a Nova York. É 2014 em plena avenida nessa reta final de 2013.

E por falar em 2013...
Muita gente estranhou a falta de um discurso da presidente Dilma Rousseff na cerimônia de comemoração dos 25 anos da Constituição de 1988, ontem na Câmara. Mas era para ser assim mesmo. Não estava previsto pelo cerimonial. Foi, aliás, o único momento de paz do parlamento nos últimos tempos. Tão logo terminou a solenidade, voltaram as rusgas em torno do Mais Médicos, do orçamento impositivo e da luta pelos cargos no governo, conflitos, que, sinceramente, ainda vão ocupar muitas páginas de jornal.

Fonte: Correio Braziliense

Ao trem pagador - Dora Kramer

No que depender do pragmatismo de seus aliados, a presidente Dilma Rousseff corre sério risco de acabar ajudando a ex-senadora Marina Silva a construir um cenário bastante compreensível ao senso comum sobre o contraponto entre a velha que vigora e a nova política que vem pregando.

Por enquanto, a união de Marina com Eduardo Campos provocou só efeitos políticos. Nesse ambiente, o lance foi recebido como nada menos que magistral. Faltam, contudo, as consequências eleitorais, no momento, impossíveis de serem previstas, pois reféns das circunstâncias e da tão propagada quanto indispensável combinação com os "russos". Vale dizer, o respeitável público.

Ninguém sabe como reagirá o eleitorado nem tão cedo essa resposta aparecerá nas pesquisas de opinião. Já a reação do baronato do fisiologismo grudado nas glândulas mamárias do governo (qualquer um) já se desenha com a clareza de sempre.

Os partidos que haviam recolhido as armas temporariamente quando a presidente da República recuperou pontos expressivos na popularidade e resolveu amenizar o tom das conversas com eles, depois do anúncio do último sábado começaram a mostrar as garras preparando-se para o que um experiente ator da cena política qualifica como um legítimo "escalpo".

Na falta de cerimônia que lhes é peculiar reivindicam mais espaços no governo, endurecem as exigências para alianças e providenciam as facas para espetar o pescoço da presidente. A maior ou menor pressão, o sucesso ou fracasso da empreitada vão depender do resultado da combinação com os russos referida acima.

Se a aliança entre Campos e Marina der sinais de prosperidade eleitoral a rapaziada que sente esse tipo de aroma de longe vai exigir mundos e fundos (principalmente fundos) - não necessariamente com a intenção de entregar o prometido apoio - e o governo não terá saída a não ser ceder. Nesta hipótese, em nada remota, Dilma ficará diante do eleitorado com o ônus da face mais carcomida da política.

Duplex. Lula e Dilma não fazem uma dobradinha na linha dois em um? Então, Campos e Marina adotarão modelo parecido, que ficará demonstrado no modelo do programa do PSB que irá hoje ao ar.

Até agora só o PT contava com essa dupla militância em prol de uma candidatura, agregando forças dos setores mais pobres aos de classe média.

O PSB entra em campo com o governador falando a linguagem da administração eficiente, sensível ao empresariado, e a ex-senadora fazendo o discurso do bom combate para a modernização da política, tão caro às ruas.

O PSDB perdeu a oportunidade de fazer algo semelhante em 2010 quando não levou adiante a ideia da chapa puro-sangue entre José Serra e Aécio Neves.

Consultivo. O governador Eduardo Campos tem ouvido de amigos e aliados ponderações para que deixe de lado a discrição dos últimos meses e aproveite o momento para circular, falar e se dar a conhecer ao grande público.

Se não se mostrar, ponderam, não haverá aliança que o faça subir nas pesquisas.

Outro conselho que vem recebendo: preservar o pacto de não agressão com Aécio Neves e investir na construção de coligações com os tucanos nos Estados a fim de retirar palanques do governo.

Painho. Se a Venezuela é um país onde há até "excesso" de democracia, como disse uma vez Lula da Silva, se o projeto de poder do falecido Hugo Chávez é visto como símbolo de justiça social, do que reclamam os petistas quando Marina Silva se refere ao "chavismo" do partido?

A coerência aconselharia a tomarem a expressão como elogio.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Sob os fogos - Tereza Cruvinel

É preciso relativizar conclusões iniciais sobre os riscos para a candidatura de Dilma Rousseff e a perda de consistência da candidatura tucana de Aécio Neves diante

Desde domingo, estamos sob o estrépito dos fogos detonados pela surpreendente aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva, sejam eles de contentamento, despeito ou estranhamento. Todo foguetório levanta e espalha uma fumaça impressionista, que turva a visão de todos, tirando a nitidez das formas e dos conteúdos. Evidência disso são as avaliações e leituras para todo gosto e para todas as conveniências que circulam no meio político. Muito falta ainda para ser visto, dito e compreendido, especialmente no que diz respeito ao destino dos votos de Marina. Mas, abstraindo o brilho da novidade, algumas leituras iniciais já podem ser relativizadas, especialmente quanto aos riscos para a candidatura de Dilma Rousseff e à perda de consistência da candidatura tucana de Aécio Neves.

Comecemos por este segundo aspecto. É verdade que o novo polo da disputa representará para os eleitores uma alternativa à polaridade PT-PSDB. Uma nova força agregará novas ideias e enriquecerá o debate sucessório. Já a conclusão de que Aécio será fortemente prejudicado pela emergência da nova chapa, antes de qualquer indicação das pesquisas é, no mínimo, precipitada. Os tucanos estão naturalmente cuidadosos, saudando a nova aliança como sinal de que os tempos do PT no poder estão chegando ao fim. Mas o que garante, hoje, que a chapa Campos-Marina será mais forte do que a do candidato tucano? O senador Aloisio Nunes Ferreira, que é um tucano imune a estridências e um analista racional, recorda as bases concretas de que disporá seu partido na disputa: “O campo da oposição se alargou e isso é bom. Mas o PSDB continua sendo o partido de oposição com maior capilaridade, organizado em todo o país. Governa mais de 700 municípios e dois estados de alta relevância política e econômica, como São Paulo e Minas Gerais. Tem um programa histórico e terá uma plataforma consistente de mudanças para o Brasil. Terá candidatos fortes em boa parte dos estados. Acreditamos que haverá segundo turno e que estaremos nele, unificando a oposição em torno de nosso candidato. Mas discutir isso hoje não tem sentido. O processo trará todas as respostas”, diz ele, evitando comparações negativas com o PSB e a Rede, em todos esses aspectos. Ele não afasta a hipótese de que haja troca de candidato, lembrando que o acordo entre Aécio e José Serra que levou à permanência deste último no PSDB previu uma avaliação do potencial de cada um em março do ano que vem. Isso, porém, não afetaria os pilares tucanos na disputa.

Três na raia
A própria presidente Dilma Rousseff, em ligeira abordagem do assunto com líderes aliados, evitou subestimar o feito e o prestígio político de Marina Silva. É claro que o PT está incomodado com a união entre dois ex-aliados que não escondem mais o ímpeto oposicionista e mesmo o ressentimento, embora insistam: Marina perdeu a Rede porque foi imprevidente, não colheu assinaturas de sobra como o Pros e o PSD, que sofreram impugnações em escala. Mais frios, os senadores Welligton Dias e Humberto Costa faziam ontem uma avaliação mais positiva do novo quadro eleitoral: a estratégia da oposição sempre foi levar a disputa para o segundo turno por meio da dispersão dos votos no primeiro. E, para isso, contava com a apresentação de três ou quatro candidatos anti-Dilma. Com a decisão de Serra, de ficar no PSDB, desistindo de concorrer pelo PPS, acabou-se a quarta candidatura. E, com o fracasso da Rede e a união Marina-Campos, duas candidaturas resultaram em uma só. Dilma enfrentaria então, segundo o quadro de hoje, apenas dois adversários competitivos. Ainda que ocorra o segundo turno, suas chances de vitórias não teriam diminuído, muito pelo contrário, dizem eles. Num jogo convencional, Dilma terá um tempo de televisão muito maior, a força da máquina federal, um grande cabo eleitoral, que é Lula, entre outras vantagens, que ela só perderá se um dos concorrentes adquirir a força dos fenômenos eleitorais, ancorada na percepção de que mudarão o país par melhor. A ver.

As cólicas
Em algum momento, passada a reverência ao novo, algumas explicações serão cobradas da nova força política que se levanta. Por exemplo, o que vem a ser o chavismo que precisa ser derrotado no Brasil, segundo Marina Silva? “Não entendi esse libelo direitista”, disse o deputado Chico Alencar (PSol-RJ). O PSol, aliás, vem dando sinais de que não entrará nesse barco. Campos poderia nominar as “raposas” da política que precisam ir para casa. Entre elas, estaria aquele que o fez ministro e o apoiou para governador? Por falar em raposices, ele está comandando uma fina ação felina em Pernambuco: tirou deputados do PTB, do senador Armando Monteiro, e do PT. Agora, trabalha para influir na eleição direta da nova direção estadual do PT, de modo a garantir o apoio do partido a seu candidato a governador. Já seria significativo o campo minado por ele no PT estadual.

Reencontro
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, retirou do armário as medalhas que Ulysses Guimarães mandou cunhar em 1988, para agraciar os que contribuíram com a Constituinte. Além dos ex-constituintes, Alves distinguiu ontem funcionários e jornalistas, honrando-me com a inclusão. Evocando ainda os 25 anos da nova Carta, a solenidade reuniu pessoas que há anos não se viam, e propiciou, sem desmerecer ninguém, reparos sobre a qualidade perdida na política. Não podendo citar tantos que ali ressurgiram, faço-o na pessoa do relator geral, Bernardo Cabral.

Fonte: Correio Braziliense

O xadrez de Marina - Rogério Gentile

Eduardo Campos não é um "zero", como Ciro Gomes o chamou na sua tola e habitual verborragia, tampouco é o estrategista político formidável, tal qual passou a ser pintado em Brasília após a surpreendente filiação da ex-senadora Marina Silva ao seu PSB.

O governador de Pernambuco é um construtor de pontes, paciente e habilidoso, que consegue se manter como interlocutor de quase todo o mundo, de Lula a Serra, de Bornhausen e Ronaldo Caiado a Marina. É um conciliador que parece mais mineiro do que o próprio Aécio Neves.

É evidente que esses traços o ajudaram a se posicionar no momento em que Marina precisava achar uma saída para o imbróglio em que se meteu ao não conseguir oficializar a tal Rede Sustentabilidade --não se filiar a um partido significaria abdicar totalmente da eleição presidencial; entrar numa sigla qualquer apenas para ser candidata seria um gesto personalista que poderia arranhar a imagem da nova política, que Marina tanto cultiva.

Mas, na prática, o governador pernambucano foi um agente passivo nessa história toda. Se alguém anteviu alguma coisa, foi Marina. A ex-senadora criou o principal fato político desde a eleição de Dilma e ainda jogou sobre Campos a responsabilidade de crescer nas pesquisas em pouco tempo, ao deixar claro que, se o governador não se viabilizar, ela pode concorrer.

No cenário anterior, Campos seria um vitorioso se terminasse a eleição presidencial do ano que vem com cerca de 15% dos votos. Atingiria seu objetivo de tornar-se um nome nacionalmente conhecido a fim de, quatro anos depois, disputar a sucessão para valer.

Agora, após o empurrão da ex-senadora, se Campos não atingir esse patamar nos próximos meses, antes mesmo de a campanha eleitoral começar, poderá ser forçado a abdicar da candidatura em favor de Marina. Sob o risco de ficar com o ônus de ter atrapalhado a real terceira via.

Fonte: Folha de S. Paulo

Panorama político - Ilimar Franco

Walter Feldman vem aí
O PSB pode disputar o governo de São Paulo. Eduardo Campos e Marina Silva concluíram que o estado é estratégico para a campanha à Presidência. E que Eduardo não poderia ficar sem um candidato que falasse em seu nome na TV nos programas de segunda, quarta e sexta-feira. As articulações em curso são para fazer do deputado Walter Feldman, um ex-tucano, o candidato da aliança PSB-Rede.

É só o começo?
A ex-candidata Marina Silva expulsou Ronaldo Caiado (DEM) da campanha de Eduardo Campos (PSB). Este, depois de ter convidado o democrata a apoiá-lo, declarou na rádio CBN que "não há nenhuma aliança com o Caiado" As próximas vítimas serão os Bornhausen e Heráclito Fortes? Ambos são egressos do DEM. Ou haverá freio de arrumação? Homem da corte, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), candidato ao governo de Brasília, foi à tribuna do Senado tecer loas a Marina. Ontem, no "Correio Braziliense" ela disse que apoia Reguffe (PDT) no DF. É como disse o ex-presidente FH, para o Radar On-line de "Veja": "Hoje, é tudo novidade. Dentro de três meses, porém, as contradições aparecerão mais."

"O Eduardo (Campos) não pode mais falar o que pensa. Ele agora é refém da Marina (Silva), dos marineiros e dos sonháticos"
Carlos Sampaio
Líder do PSDB na Câmara (SP), sobre o cartão vermelho para Ronaldo Caiado

Com o peito estufado
Na votação do Mais Médicos, na terça-feira à noite, o líder do DEM, Ronaldo Caiado, zoado por Marina Silva ter declarado apoio a Eduardo Campos, garantia: "Para com isso. Minha relação é com o Eduardo. A Marina não muda nada".

Crise no império
O ex-presidente Lula convocou o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o economista Luiz Gonzaga Belluzzo (foto) para tratar dos efeitos do impasse j americano na economia. O debate foi segunda-feira no Instituto Lula. Mantega disse que o Brasil está preparado para o calote americano. Belluzzo previu que o efeito no mundo será devastador.

Deixa disso
A direção do PT não fez drama com a declaração dúbia de seu candidato ao governo do Rio, o senador Lindbergh Farias. Dizem que foi uma "precipitação" e que ele "se expressou mal" Garantem que ele só fará a campanha da presidente Dilma.

As aparências enganam
É verdade, o PPS está indignado com o desfecho da negociação com Marina Silva. O partido, diz um dirigente nacional, sente-se como "o noivo abandonado no altar" Mas as portas continuam abertas para a candidatura Eduardo Campos (PSB). O partido culpa Marina. O PPS só não se entrega já porque há quem ainda acredite que a candidatura José Serra ressurja no PSDB.

Hora do recreio
A presidente Dilma jantou na terça-feira em uma casa no Largo Norte de Brasília. Foi no aniversário de seu acupunturista, o dr. Gu Hanghu. Levou de presente uma camisa e tirou várias fotos com os netos bebês do acupunturista.

O candidato do Nordeste
Pesquisa Vox Populi no Ceará: Dilma, 64%; Marina Silva, 13%; Aécio Neves, 6%; e, Eduardo Campos, 2%. Eunício Oliveira (PMDB) lidera para o governo (37%) e Tasso Jereissati (PSDB) para o Senado (38%). Foram 1.600 entrevistas de 29 de setembro a 3 de outubro.

APÓS CONSULTAR o ex-presidente Lula, o governador Sérgio Cabral desistiu de seus planos de virar ministro e deixar o governo do Rio em dezembro.

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

Meia-volta, volver
O vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, considerou improcedente representação assinada por sua antecessora, Sandra Cureau, contra o PT, Dilma Rousseff e Lula por campanha antecipada. Cureau acionou o TSE pedindo multa e cassação da propaganda eleitoral do partido por "referência explícita" à disputa de 2014 e "exaltação" do nome de Dilma em inserções de TV do primeiro semestre. Aragão, em seu parecer, disse que a divulgação é "parte do discurso político".

Em frente No fim de setembro, Aragão havia emitido parecer pela procedência de uma representação feita por Sandra Cureau contra a propaganda do PSDB, também por campanha antecipada.

Veja bem Aragão diz entender que menções a ações de governos são válidas nos programas partidários e que não houve "fulanização" nas peças do PT. Adianta ainda que pedirá o arquivamento de outra representação contra spots com Aécio Neves.

Fogo amigo Governistas que acompanharam os últimos debates dos candidatos a presidente do PT se assustaram com o tom beligerante em relação a Dilma.

Barreira Há queixas sobre a "incompreensão" da presidente quanto a políticas do PT em áreas como direitos humanos, índios, reforma agrária, sindicalismo e comunicação. E cobrança de que "tudo precisa mudar" num eventual segundo mandato.

Jogo... Assessores presidenciais leram as várias entrevistas de Marina Silva nos últimos dias como fruto de acordo com Eduardo Campos.

... combinado Ao deixar as possibilidades abertas, avaliam, Marina mantém seu eleitorado cativo até a decisão da candidatura, em junho de 2014. Tanto para ser candidata como para transferir esse cacife para Campos.

Camomila Emissários do governador de Pernambuco foram enviados ontem para acalmar o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), alvo de críticas por parte de Marina.

Cartola Hoje, em São Paulo, evento com a presença de Campos celebra a adesão de outro ex-jogador da Seleção de futebol ao PSB: Cafu, o capitão do penta de 2002.

Plataforma As indicações para a cúpula da PPSA, estatal que vai gerir o pré-sal, devem sair hoje ou amanhã.

Sem vazamentos A escolha da diretoria está sendo tocada pessoalmente por Dilma, que cerca de sigilo os escolhidos e elimina os nomes com eventual indicação política. A presidente quer que o novo executivo tenha passado pelo mercado de petróleo.

Língua solta Advogados da Operação Miqueias relatam que foram feitas duas delações premiadas na investigação. A informação consta de despacho do desembargador Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, quando mandou o processo para o STF.

Confessionário Geraldo Alckmin recebeu a Rede Vida ontem para falar sobre fé, por conta do Dia de Nossa Senhora Aparecida, que ele sempre acompanha na Basílica. Quem fez a entrevista, que vai ao ar hoje, foi o ex-padre Dalcides Biscalquin.

Selada Em setembro, sindicatos e associações de pensionistas dos Correios divulgaram carta aberta a Dilma pedindo providências no Postalis, fundo de pensão da estatal. Ontem, o diretor financeiro, Ricardo Oliveira Azevedo, pediu demissão.

Histórico No texto, as entidades apontavam "investimentos duvidosos que provocaram déficits elevados no plano de previdência", e pediam a saída de Azevedo.

Tiroteio

"Caetano nos ensinou que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Não pode querer calar na boca dos biógrafos as notícias ruins."

DA DEPUTADA MANUELA D'ÁVILA (PC do B-RS), autora de projeto liberando biografias não-autorizadas, sobre o apoio de expoentes da MPB à proibição.

Contraponto

Em família

Em evento no Paraná, o deputado federal Sandro Alex (PPS-PR) brincou com uma equipe da TV Globo sobre algumas coincidências que enxergou na minissérie "A Mulher do Prefeito", que conta a história de um político preso por desviar verbas de seu município.

--Essa série vai causar problemas para o meu irmão! Ele também é prefeito, em Ponta Grossa, e o nome dele também é Rangel, como o protagonista! --disse.

O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) retrucou:

--Não se preocupe. Se você preferir, mudamos o nome de "A Mulher do Prefeito" para "A Cunhada de Sandro".

Fonte: Folha de S. Paulo

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo

A sombra de cada um
O quadro eleitoral das eleições de 2014, em tese, está desenhado: a presidente Dilma Rousseff (PT), em busca do segundo mandato, terá como principais adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Será? É cedo ainda para afirmar, porque aqueles que seriam os candidatos com maior poder fogo, segundo todas as pesquisas, estão de fora da disputa. Vejamos:
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sepultou o “Volta, Lula” entre petistas e aliados, mas continua sendo uma sombra para Dilma, que, por pouco, não foi à lona com as manifestações de junho. A petista deu a volta por cima e parece recuperar o prestígio, mas muita água ainda vai rolar. Seu Rubicão certamente será a Copa do Mundo de 2014, que começa em junho e coincide com as convenções para a escolha de candidatos. Lula é o nome de mais prestígio eleitoral no país.
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Situação semelhante ocorre no PSDB, que optou pela candidatura de Aécio e conseguiu manter na legenda o ex-governador paulista José Serra, que sonha acordado com o Palácio do Planalto e ainda não definiu o cargo que pretende disputar em 2014. A mesma situação se repete com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), depois da filiação de Marina Silva e sua Rede à legenda. Grandes eleitores, por obra da fortuna (como diria Maquiavel), Lula, Serra e Marina contingenciam o processo eleitoral porque qualquer um deles ainda pode virar candidato.

Palanque// A filiação do deputado Walter Feldman ao PSB, na esteira de Marina Silva, deixou de cabelo em pé os tucanos paulistas. O parlamentar é um potencial candidato ao Palácio dos Bandeirantes, em coligação com o PSD. O ex-tucano é aliado do ex-prefeito Gilberto Kassab.

Veto
Líder do DEM na Câmara, o deputado Ronaldo Caiado, de Goiás, rebateu Marina Silva, que vetou a presença dele na coligação do governador Eduardo Campos (PSB). “O veto da candidata Marina Silva não é à minha pessoa, mas ao que represento, em três décadas de vida pública: o setor agropecuário e a liberdade de iniciativa.” Caiado diz que Marina é intolerante e hostil ao setor mais produtivo da economia, responsável por 23% do PIB e por mais de um terço dos empregos formais do país.

Mineração
O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM), Elmer Salomão, afinou a viola com o relator do novo Código de Mineração, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). Preocupado com a aprovação do texto atual, Salomão saiu da conversa convencido de que Quintão está preparado para tratar do tema e aberto para dialogar com o mercado. Pesquisadores andam estrilando com o relator.

Verdade
A OAB requereu ao STF ingresso em ação que busca a divulgação dos arquivos públicos existentes no Superior Tribunal Militar (STM) que tratam do julgamento dos presos políticos durante a ditadura. Ao justificar o pedido, o presidente da entidade, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, afirmou que é de fundamental importância para o Estado brasileiro tornar público “mais um capítulo em memória da verdade e ao direito do povo brasileiro conhecer sua própria história”.

Governadores
A cúpula do PMDB comemora pesquisas eleitorais no Norte e no Nordeste. No Amazonas, o senador Eduardo Braga tem 51,9%. Hissa Abraão (PPS) está em segundo, com 16,2% dos votos, seguida de perto por Rebecca Garcia (PP), que tem 15,1%. José Melo (Pros) aparece em quarto, com 5,2%. Em Alagoas, o presidente do Senado, Renan Calheiros, aparece com 43%. O principal adversário é Benedito de Lira (PP), com 21%. O atual vice-governador, Thomaz Nonô (DEM), tem 8%. No Ceará, o peemedebista Eunício Oliveira tem 43% dos votos. O segundo colocado na pesquisa é Zezinho Albuquerque (Pros), que aparece com 9%.

Espionagem/ O jornalista norte-americano Glenn Greenwald prestou depoimento ontem na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem, no Senado. Disse que tem publicado tudo o que sabe sobre os documentos que tratam da espionagem que a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos fez sobre as comunicações brasileiras, mas se recusou a entregar os documentos à CPI.

Boas práticas/ O Ministério do Turismo emplacou dois sistemas entre os finalistas em um concurso de boas práticas da Controladoria-Geral da União, cujo resultado final será conhecido em 18 de novembro. Um deles é o Sistema de Acompanhamento de Contratos de Repasse (Siacor), que permite a qualquer cidadão o monitoramento on-line dos contratos de execução de obras de infraestrutura da pasta. O outro finalista é o Sistema de Controle de Demandas Externas, um cadastro inteligente que direciona eletronicamente os pedidos a áreas específicas do Ministério do Turismo.

Palestra/ Vice-presidente da Arko Advice, o cientista político Cristiano Noronha faz palestra amanhã sobre a sucessão presidencial de 2014 para investidores em Washington. O evento é organizado pelo Bank of America Merril Lynch. O road show continua até quarta-feira da próxima semana, em Nova York e em Boston.

Greve
Assembleia do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro decidiu manter a greve da categoria, que não aceita o novo plano de cargos e salários proposto pelo prefeito carioca, Eduardo Paes (PMDB), já aprovado pela Câmara Municipal. A greve já dura 62 dias

Fonte: Correio Braziliense

Política – Claudio Humberto

• PTB exige ministério para não virar oposição
O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), avisou o presidente do PTB, Benito Gama, vice-presidente de governo do Banco do Brasil, que a presidenta Dilma “terá de negociar cargo na Esplanada” para garantir o apoio da bancada, que ameaça abandonar a base aliada e se bandear para a oposição. O PTB tem 17 deputados federais e o PDT, com 18, tem o Ministério do Trabalho desde o governo Lula.

• É dívida
Segundo Jovair, o Planalto prometeu dar a “próxima vaga” ao PTB, e o partido está de olho na Integração, também pretendido pelo PMDB.

• Está valendo
O Ministério do Turismo, nas mãos de Gastão Vieira (MA), também é “azarado” pelo PTB, caso o Ministério da Integração vá para o PMDB.

• Ninguém mexe
O senador José Sarney (PMDB-AP) entrou em ação para segurar Gastão Vieira no Turismo, alvo da cobiça do PTB e também do PT.

• Terror no Rio
Talvez a Polícia Civil e a Agência Brasileira de Inteligência não saibam, mas os Black Bloc planejam manifestação “de arromba”, segunda (21).

• Saída de Cid e Ciro fez Marina optar pelo PSB
A saída dos irmãos Cid e Ciro Gomes foi determinante para a opção da ex-senadora Marina Silva pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ela não esconde sua mágoa pelos ataques do ex-ministro Ciro Gomes, por isso o PSB jamais foi uma opção. Com a confirmação de que ele e o irmão governador do Ceará se filiaram ao Pros, um partido de aluguel, segundo interlocutores, ela achou que era momento de dar o troco.

• Eu espiono, tu espionas
Se consola Dilma, o Canadá foi alvo de espionagem industrial de 20 países, diz o Canadian International Council, fórum de política externa.

• Impostômetro
Outro consolo para Dilma: sem prestar serviços, os EUA recolheram US$ 57 bilhões em impostos, segundo o site da revista Fast Company.

• Lá, não
Exportadora de médicos para 70 países, Cuba impede estrangeiros de clinicar, mesmo “companheiros” brasileiros formados na ilha de Fidel.

• Solidário a ele mesmo
O dono do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), diz “não se importar” com dinheiro, mas relatos de suas negociações nada republicanas, sobre partilha do fundo partidário, ainda vão encrencá-lo.

• Hora do rush
Não convidem para o mesmo evento sobre mobilidade urbana Lula e Fernando Haddad: o primeiro se orgulha de incentivar consumo em massa de carros, o prefeito luta para tirá-los das ruas São Paulo.

• Tri-presidente
Eleito na terça, o ministro Marco Aurélio, um dos mais admirados magistrados brasileiros, assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral pela terceira vez. A posse está marcada para 19 de novembro.

• Capivara verde
O empresário Airton Garcia, de São Carlos (SP), acusado de crimes ambientais e fundiários, saiu do DEM e filiou-se ao PSB, junto com Marina Silva. Em 2008, foi considerado o candidato mais rico do país.

• Delegados nas urnas
Exatos 2.052 delegados federais elegem nesta quinta o presidente da ADPF, sua entidade. O atual presidente, Marcos Leôncio, disputa com Fernando Segóvia, corregedor substituto que é ligado à cúpula do DPF.

• Hipótese
Aliados de Eduardo Campos cogitam a possibilidade de Walter Feldman (PSB-SP) sair candidato a vice na chapa de Eduardo Campos (PE). Sem ofuscá-lo, Marina Silva (AC) disputaria cadeira ao Senado.

• Resistência
Colaboradores da Rede têm descarregado e-mails inconformados com a ida da ex-senadora Marina Silva para o PSB do governador Eduardo Campos (PE) e ameaçam abandonar o projeto à Presidência em 2014.

• Foi por pouco
Recém-filiado ao Solidariedade, Arthur Maia (BA) fez acordo e resgatou ontem a relatoria do projeto que regulamenta terceirização, que quase parou nas mãos de Ricardo Berzoini (PT) devido à mudança de partido.

• Sem medo de ‘sapinho’
Inoculada por vírus marqueteiro, Dilma diz que vive “fase de grandes beijos com todo o Brasil”. Traduzindo: quer cair na boca do povo.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Maria Rita - Não vale a pena

Europa, França e Bahia - Carlos Drummond de Andrade

Meus olhos brasileiros sonhando exotismos.
Paris. A torre Eiffel alastrada de antenas como um caranguejo.
Os cais bolorentos de livros judeus
e a água suja do Sena escorrendo sabedoria.

O pulo da Mancha num segundo.
Meus olhos espiam olhos ingleses vigilantes nas docas.

Tarifas bancos fábricas trustes craques.
Milhões de dorsos agachados em colônias longínquas formam um tapete
para sua Graciosa Magestade Britânica pisar.
E a lua de Londres como um remorso.

Submarinos inúteis retalham mares vencidos.
O navio alemão cauteloso exporta dolicocéfalos arruinados.
Hamburgo, umbigo do mundo.
Homens de cabeça rachada cismam em rachar a cabeça dos outros
dentro de alguns anos.

A Itália explora conscienciosamente vulcões apagados,
vulcões que nunca estiveram acesos
a não ser na cabeça de Mussolini.
E a Suiça cândida se oferece
numa coleção de postais de altitudes altíssimas.

Meus olhos brasileiros se enjoam da Europa.

Não há mais Turquia
O impossível dos serralhos esfacela erotismos prestes a deslanchar.
Mas a Rússia tem as cores da vida.
A Rússia é vermelha e branca.
Sujeitos com um brilho esquisito nos olhos criam o filme bolchevista
e no túmulo de Lenin em Moscou parece que um coração enorme
está batendo, batendo
mas não bate igual ao da gente...

Chega!
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a "Canção do Exílio".
Como era mesmo a "Canção do Exílio"?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Aécio Neves: acabou o ‘nós ou eles’

“O quadro eleitoral deixará de ter aquele maniqueísmo que sempre atendeu muito aos interesses do PT: "Ou nós ou eles". Na verdade, o PT fez isso ao longo dos últimos anos querendo dividir o País em dois: os que apoiam o governo, que são brasileiros de verdade, e os que se opõem ao governo, que torcem contra, que não têm legitimidade para se dizer brasileiros. Algo absolutamente fora da realidade."

Aécio Neves, senador (MG) e presidente nacional do PSDB. In “Quadro eleitoral é 'prenúncio do fim do PT', diz Aécio”. O Estado de S. Paulo, 9/10/2013