sábado, 8 de março de 2025

Não há soluções simples para problemas complexos - Marcus Pestana

Na implantação das políticas públicas de saúde, simplismo e imediatismo desenham o caminho mais curto para o fracasso. O SUS, nascido do pacto democrático materializado na Constituição de 1988, tem uma bússola estratégica correta, uma arquitetura institucional sólida e uma base teórica robusta. Sua trajetória histórica é marcada por avanços inquestionáveis. O enfrentamento da pandemia do coronavírus foi seu último grande teste. No entanto, trinta e sete anos após o lançamento de sua pedra fundamental, o sistema nacional de saúde ainda possui lacunas visíveis no tocante ao investimento público per capita insuficiente (1/4 da média dos países da OCDE), às  falhas de gestão, na construção das redes assistenciais integradas, e na formação de seus recursos humanos.

Fui secretário de saúde de MG (2003/2010), presidente do CONASS (2005/2006) e titular da Comissão de Seguridade Social e Saúde da Câmara dos Deputados (2011/2018), quando conheci o SUS por dentro, sua complexidade, seus desafios e limitações.

Moral e política do petróleo - Cristovam Buarque

O dilema de Lula: olhar para a humanidade ou defender o eleitor?

O presidente Lula tem a chance de levar para a COP30, em Belém, metas ambiciosas para uma economia mundial sem combustíveis fósseis e a inclusão de compromisso com a educação para mudar a base da crise ambiental, em frágil equilíbrio pressionado pela voracidade por consumo e ganância por lucro. O problema: terá de optar entre a moral para cuidar da humanidade e a política para atender aos eleitores locais. A exploração de petróleo provoca desequilíbrios ecológicos, mas a população quer produção de petróleo na “Amazônia Azul”. Apesar da nomeação de André Corrêa do Lago e de Marina Silva, Lula perderá força moral se optar pela política e autorizar a Petrobras a fazer as pesquisas para aumentar, em vez de reduzir, a produção de petróleo. O eleitor não vota por barrar o aumento do nível do mar daqui a vinte anos, quer mais petróleo que permita reduzir o preço da gasolina.

Dolores Ibárruri (La Pasionaria) - Dia Internacional da Mulher

(1895-1985): Conhecida como "La Pasionaria", pseudônimo que adotou ao escrever para o jornal "El Minero Vizcaino", nasceu na Espanha no País Basco, seu nome verdadeiro era Isidora Ibárruri Gómez. Ingressou no Partido Comunista Espanhol em 1920. Em 1930 tornou-se membro do Comitê Central. Foi redatora do jornal Mundo Obrero, órgão do PC Espanhol, no qual dedicou-se às questões femininas. Foi presa pela primeira vez em 1931 e, em seguida em 1933. Com a vitória da Frente Popular foi eleita deputada. É de sua autoria o imortalizado grito de guerra "No Pasaran!", pronunciado após um pronunciamento do General Franco. Após a derrota na guerra civil espanhola refugiou-se na União Soviética. Em maio de 1944, no exílio, tornou-se Secretária Geral do Partido Comunista Espanhol e em 1960 é escolhida Presidente do Partido. Após a morte de Franco, retornou à Espanha tendo sido novamente eleita Deputada

Poesia | Quatro poemas curtos, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Grupo Revelação - Samba de Arerê

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sexta-feira, 7 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Alcolumbre eleva preço do Congresso para contribuinte

O Globo

Benesses concedidas por presidente do Senado aumentam custo de um dos legislativos mais caros do mundo

Na sexta-feira anterior ao carnaval, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apresentou um pacote repleto de benefícios para os funcionários da Casa. Os cargos mais graduados do Senado passaram a ter direito a um dia de folga para cada três trabalhados, até o limite de dez dias por mês. O vale-refeição dos servidores foi reajustado em 22,2%, para R$ 1.784,42. Também foi aumentado o número de servidores com direito a 100% de um bônus de gratificação. Para completar, Alcolumbre aumentou a cota parlamentar à disposição dos gabinetes dos senadores.

Logo surgiram pressões para que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), equiparasse os benefícios de lá aos pagos no edifício vizinho. O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis) trabalha para obter as mesmas benesses, a começar pelo aumento do vale-refeição, hoje de R$ 1.393,11 por mês (a equiparação equivaleria a um reajuste de 28%).

O dia de folga é um tipo de privilégio comum no Judiciário. Na prática, folgar um dia a cada três equivale a receber um aumento salarial de 33%, pois o valor acaba incorporado como “indenização” em dinheiro para quem não usufrui o descanso. No Senado, o benefício foi concedido a servidores em “função relevante singular”, “em virtude dos ônus e responsabilidades”. A classificação é arbitrária. Na prática, levaram o aumento os funcionários alocados na diretoria-geral, na secretaria geral da Mesa, na advocacia, no gabinete da presidência, na auditoria, nas consultorias legislativa e orçamentária e na secretaria de comunicação.

Trump enfim acorda a Europa? - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Com PIB estagnado e sob ameaça de Putin, novo governo alemão pensa em guinada econômica e militar

A inflação nos Estados Unidos vai aumentar por causa dos aumentos de impostos de importação de Donald Trump? A economia americana vai crescer menos por causa da balbúrdia de Trump?

São perguntas importantes. Mas são questões ainda quase apenas americanas, que dominam o noticiário e o debate mais corriqueiro, se por mais não fosse porque vemos o mundo com olhos e ouvidos americanos.

O que já se passa em países como, por exemplo, a Alemanha, a terceira maior economia do mundo?

Os alemães estão prestes a dar uma guinada na política econômica, a maior em mais de 30 anos, e de defesa, talvez a maior desde a Segunda Guerra. O novo comando do país pretende endividar o governo a fim de estimular a economia, refazer a infraestrutura e aparelhar suas forças armadas.

Trump destruirá o capitalismo? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Presidente americano desfere golpes contra dois princípios fundamentais da economia de mercado

Minha geração cresceu aprendendo a identificar os norte-americanos, aos quais nos referíamos como "ianques", a agentes do "capitalismo". Não é, portanto, sem assombro que vemos agora Donald Trump, o líder ianque, desferindo facadas em dois dos mais fundamentais princípios do "capitalismo", que são a especialização do trabalho e a utilização de vantagens comparativas.

Ao impor tarifas a produtos estrangeiros, Trump desliga mecanismos que vêm historicamente permitindo a consumidores obter produtos cada vez melhores e mais baratos. Isso ocorre não só porque a tecnologia avança mas também porque as coisas são fabricadas de forma mais eficiente por quem consegue fazer mais gastando menos. Se os EUA "exportaram" alguns bons empregos para países com vantagens como salários menores, o troco veio pelo barateamento de vários itens, de comida e eletrodomésticos a peças de vestuário.

A velha opinião formada sobre tudo – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Hoje resistente a mudanças, Lula soube se reinventar para ganhar sua primeira eleição em 2002

É corrente a constatação de que o cidadão Luiz Inácio da Silva é um ser analógico que não se adaptou aos novos tempos e, por isso, o presidente amarga uma impopularidade com a qual não estava acostumado.

Também evidente é a dificuldade dele em lidar com a situação e sua resistência a mudanças. Nem sempre foi assim. O político Lula (PT) anos atrás invocou Raul Seixas para se autodenominar uma "metamorfose ambulante".

Na época, 2007, usou a expressão para explicar uma tentativa (fracassada) de ressuscitar a CPMF, o malfadado imposto do cheque. Antes disso, porém, já havia demonstrado que sabia se transformar se necessário.

A guinada de Lula - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com a confirmação de que São Sidônio não faz milagre, o governo arregaçou as mangas para dar boas notícias e recuperar a popularidade do presidente Lula. Exemplo: medidas para conter os preços abusivos dos alimentos, decreto para evitar 6% de aumento nas contas de luz, liberação do FGTS de quem tinha optado pelo saque-aniversário e a ampliação do empréstimo consignado para o setor privado, enquanto dá prioridade à aprovação da isenção do IR até R$ 5.000 no Congresso.

Sendo ou não realmente necessárias, são medidas populistas, ou populares, e coincidem com um recuo de Fernando Haddad no palco, a entrada em cena de Gleisi Hoffmann, Lula se preservando e o vice e ministro Geraldo Alckmin assumindo a liderança nos dois principais temas do momento: além da inflação dos alimentos, as negociações com os EUA sobre a taxação de aço e alumínio.

A ‘guinada à esquerda’ de Lula veio para ficar? - Vera Magalhães

O Globo

Ameaças de debandada do Centrão por conta de reforma cheiram mais a tentativa dos partidos de explorar momento de baixa popularidade do presidente

Existe em Brasília certa perplexidade com as primeiras escolhas de Lula na ainda inacabada reforma ministerial. Desde que foi confirmada a nomeação de Gleisi Hoffmann para a articulação política do governo, a avaliação corrente é que o presidente optou por uma guinada à esquerda e que essa será a escolha do figurino para enfrentar as urnas em 2026 — com o próprio Lula como candidato ou com outro designado por ele.

Sim, porque a decisão de tornar o Palácio do Planalto ainda mais petista é, para muitos caciques de partidos que de alguma maneira integram hoje a base aliada, sinal de que Lula cogita pela primeira vez a possibilidade de não se candidatar a um novo mandato, encerrando sua carreira política com uma “volta às raízes”.

Craque do diálogo, Lula quase não conversa mais - Andrea Jubé

Valor Econômico

“Só faltou uma conversa”. A frase foi projetada num cartaz na Praça do Povo, no município de Canudos, na Bahia, na primeira semana de dezembro de 2002, durante um evento que celebrou os 100 anos da publicação de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. O episódio é citado pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Willi Bolle na obra “grandesertão.br”. A afirmação é atribuída ao morador João de Régis, falecido naquele ano, aos 95 anos. Ao longo da vida, ele ouviu relatos sobre a Guerra de Canudos, ocorrida entre novembro de 1896 e outubro de 1897: o conflito entre seguidores de Antonio Conselheiro e o exército da nova República, que resultou num saldo de mais de 20 mil mortos.

“Foi a falta de diálogo entre os representantes da então recente República brasileira e os rebeldes de Canudos que acabou levando àquela guerra fratricida”, analisou Bolle. “É a ausência de um verdadeiro diálogo entre os donos do poder e o povo que caracteriza também a nossa época”, acrescentou na mesma obra.

Décadas em semanas? - Armando Castelar Pinheiro

Valor Econômico

Primeiras semanas do segundo mandato de Donald Trump aceleraram bastante o processo de se criar uma nova ordem econômica global

Li em um relatório esta semana a citação a uma frase de Vladimir Lênin que não via há tempos: “Há décadas em que nada acontece e há semanas em que décadas acontecem”. O foco, claro, são as últimas sete semanas, as primeiras do segundo mandato de Donald Trump, quando se acelerou bastante o processo de se criar uma nova ordem econômica global. Muita coisa importante aconteceu em muito pouco tempo.

Chamam a atenção a dimensão e a abrangência das mudanças sendo implementadas pela nova administração americana. A forte alta das tarifas de importação, até aqui focada nas mercadorias oriundas de Canadá, China e México, é o destaque, revertendo uma longa tradição dos Estados Unidos de manter uma economia relativamente aberta.

A importância de ainda estar aqui - José de Souza Martins -

Valor Econômico

O acolhimento internacional ao filme de Walter Salles indica uma ação de difusão de consciência crítica contra a consciência bufa e a governação rastaquera

O Oscar de melhor filme internacional para “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, não é apenas o reconhecimento do excepcional talento e da competência do diretor e dos atores do filme e de todos que a ele, em diferentes campos, se dedicaram. A premiação se situa num conjunto de reconhecimentos pela concessão de vários outros prêmios de cinema, que ressaltam a enorme relevância da obra e o excepcional talento de Fernanda Torres no papel principal.

“Ainda Estou Aqui” tem dimensões ocultas que tocam em outras cordas da sensibilidade cultural das populações esclarecidas no mundo. A reação altamente positiva ao filme tem outras motivações além do apreço pela obra-prima da cinematografia brasileira. Inspirado num livro biográfico do filho da heroína do filme, Eunice Paiva, é desdobramento de uma narrativa testemunhal que pedia o complemento de uma modalidade de expressão que alargasse o alcance do texto original. São obras de criatividades diferentes que se completam, o livro de Marcelo Rubens Paiva e o filme de Walter Salles.

A polêmica tem nome – Flávia Oliveira

O Globo

carnaval chegou ao fim, tiremos a fantasia. Existe um nome para a polêmica sobre os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. Sete letras. Começa com “R”, termina com “ismo”, o sufixo que denota doutrinas, sistemas, ideologias e doenças. Racismo. A discriminação racial no Brasil se dá de muitas formas, várias camadas, como se diz hoje em dia. Uma delas é disfarçar o incômodo com o protagonismo preto, negro, afro-brasileiro, periférico, favelado com discursos relacionados à monotonia, chatice, irrelevância, falta de liberdade, cerceamento à liberdade de expressão e até incompreensão. Balela. O nome é racismo.

Começou com a entrevista do carnavalesco da Unidos de Vila Isabel, escola de samba da maior qualidade, vinculada pelo nome ao filho mais ilustre, mestre Martinho. O presidente de honra da Vila é um artista negro com imensa contribuição para a valorização da cultura e da identidade afros, bem como para a integração do Brasil com países do Atlântico Negro, Angola em particular. Paulo Barros, quatro troféus por desfiles no Grupo Especial do Rio de Janeiro, disse à Folha de S.Paulo: “A maioria dos enredos deste ano são afros, tudo que já foi visto e revisto, e posso te garantir que 90% de quem está assistindo ao desfile não vai entender nada”.

Eunice por Eunice - Bernardo Mello Franco

O Globo

Em documentário restaurado, Eunice Paiva fala de prisão e assassinato do marido na ditadura: 'Verdadeiro absurdo'

Homenageada pelo primeiro filme brasileiro a ganhar o Oscar, Eunice Paiva deve ressurgir em breve nos cinemas. Desta vez, sem o auxílio luxuoso da atriz Fernanda Torres.

Em 1978, a viúva de Rubens Paiva contou sua história ao documentarista Joatan Vilela Berbel. O depoimento está em “Eunice, Clarice, Thereza”, que acaba de ganhar versão digital em alta definição.

O filme dá voz às mulheres de três vítimas da ditadura: Eunice, viúva do engenheiro e ex-deputado Rubens Paiva; Clarice, viúva do jornalista Vladimir Herzog; e Thereza de Lourdes, viúva do operário Manoel Fiel Filho.

Eunice é a primeira a falar no curta-metragem. Descreve a rotina da família como “uma alegria total” até 20 de janeiro de 1971, quando militares bateram à porta para prender seu marido. “A empregada entra, muito assustada: ‘Doutor, tem uns homens na porta querendo falar com o senhor’. (...) Entraram seis homens com metralhadoras”, recorda.

Não haveria transição pacífica à democracia no Brasil sem anistia - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

As Forças Armadas nunca admitiram a existência de um sistema de tortura e desaparecimento, porém se comprometeram com o respeito à ordem democrática da Constituição de 1988

A conquista do Oscar de Melhor Filme Internacional por Ainda estou aqui, dirigido por Walter Salles Junior, tendo como protagonista Fernanda Torres no papel de Eunice, viúva do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado nas dependências de um quartel do Exército no Rio de Janeiro, em 1971, suscitou um novo debate sobre a “anistia recíproca” concedida pelo presidente João Figueiredo em 1979.

Ao mesmo tempo em que eleva a autoestima nacional e a cultura brasileira, o filme também realimenta a tese de que os crimes cometidos em relação aos “desaparecidos” devem ser revistos e seus responsáveis, punidos. Na anistia de 1979, os presos políticos e exilados foram beneficiados pelo perdão, assim como os agentes dos órgãos de segurança responsáveis por sequestros, torturas e assassinatos.

A farra fiscal solapa a democracia - José Pastore *

Correio Braziliense

No passado, as democracias eram derrubadas por grupos armados. Hoje, elas são minadas por dentro pela força das desigualdades 

O Brasil é uma das sociedades mais desiguais. São várias causas. Uma está ligada às próprias leis, muitas das quais criam desigualdades insuperáveis. É o caso, por exemplo, do enorme diferencial de aposentadoria entre servidores públicos e trabalhadores do setor privado. Outra decorre das leis que sancionam os supersalários e penduricalhos de agentes públicos. São leis extrativistas que atendem o interesse de privilegiados, extraindo os recursos dos mais pobres. Há ainda o exemplo da régua única do seguro-desemprego, que atende com o mesmo valor um desempregado solteiro e um chefe de família com cinco filhos. 

Emendas remendadas - José Sarney

Correio Braziliense

É inacreditável o que ocorre agora no Congresso Nacional: predominantemente, só se fala em dinheiro, dinheiro das emendas

Quando fui presidente havia três orçamentos: o orçamento fiscal, o das estatais e o do Banco Central. Na verdade, dos três orçamentos, não tínhamos nenhum, pois cada um apresentava um quantitativo diferenciado, como ocorre hoje quando o ministro Flávio Dino procura o nome do parlamentar autor de emendas ao orçamento, o seu valor e destino e seus objetivos. Naquele tempo, tínhamos uma leitura mais simplificada e não sabíamos qual dos três orçamentos era o verdadeiro. Beaucoup de lois, pas de lois, dizia Montesquieu.

A ideia da existência do parlamento foi consolidada na Inglaterra quando, no século 12, alguns endinheirados desejaram participar das regras de tributação nos tempos do Rei João, o João Sem Terra, que proclamou os direitos civis na Grã-Bretanha, que não possui uma Constituição escrita, seguindo as regras consuetudinárias que permanecem válidas até hoje — e ninguém as contesta.

Para combater inflação, governo zera tarifa de importação de alimentos como carne e açúcar

Por Fabio MurakawaRafael WalendorffAnaïs Fernandes e Marta Watanabe / Valor Econômico

Pacote do Executivo também inclui iniciativas regulatórias e incentivos para a produção de itens da cesta básica no próximo Plano Safra

O governo anunciou ontem uma série de medidas para tentar combater a inflação de alimentos, com destaque para a redução a zero do Imposto de Importação sobre produtos como café, açúcar e carnes. O pacote inclui iniciativas regulatórias e incentivos para a produção de itens da cesta básica no próximo Plano Safra, num momento em que a alta de preços da comida afeta a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o Executivo vai pedir aos governos estaduais para que o ICMS seja eliminado na comercialização de produtos da alimentação básica.

O anúncio foi feito pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, após uma tarde de reuniões com ministros e representantes do setor privado no Palácio do Planalto. O governo ainda não tem cálculo do impacto na arrecadação tributária. Alckmin afirmou que serão zeradas as alíquotas de importação de carne (atualmente em 10,8%), café (9%), açúcar (14%), milho (7,2%), óleo de girassol (9%), azeite de oliva (9%), sardinha (32%), biscoitos (16,2%) e massas alimentícias (14,4%). No caso do milho, Alckmin disse que a isenção terá “grandes reflexos nos custos dos ovos e proteínas animais, as carnes”. Ele também anunciou a ampliação da cota para importação isenta de óleo de palma, de 65 mil para 150 mil toneladas. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que vai conceder a equivalência do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi) aos produtores de leite, ovos e mel fiscalizados pelo Sistema de Inspeção Municipal (SIM) por um ano. Com isso, esses produtos poderão ser comercializados em todo o país e não apenas na cidade em que são produzidos.

Poesia | João Cabral de Melo Neto - O Sertanejo Falando

 

Música | Vanessa da Mata canta 'Faltando um pedaço'

 

quinta-feira, 6 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Trump faz renascer riscos que todos julgavam superados

O Globo

No mundo da fantasia de seu discurso, ele assume papel de salvador. Na realidade, é a maior fonte de tensão

No primeiro pronunciamento ao Congresso desde a posse em janeiro, Donald Trump demonstrou estar disposto a cumprir suas piores ameaças de campanha. Em discurso de cem minutos, pintou um mundo de fantasia em que se apresenta como salvador de um país em apuros. Na realidade, seu governo se tornou a maior fonte de incerteza e tensão do planeta. Trump fez renascer riscos que todos acreditavam superados. Não bastasse o alinhamento à Rússia (em detrimento da Ucrânia) que já lançou os países europeus numa nova era de rearmamento, não bastasse o caos imposto ao setor público com cortes inconsequentes ou ilegais, ele deflagrou uma guerra comercial cujos desdobramentos serão nocivos para a economia global e para seu próprio país.

Em fevereiro, anunciou tarifas sobre aço e alumínio. Nesta semana, os produtos importados de Canadá e México começaram a pagar 25% de alíquota na alfândega. A taxa sobre produtos chineses subiu 20 pontos percentuais. Em resposta, China e Canadá retaliaram. Depois do naufrágio do mercado acionário, autoridades americanas afirmaram ser viável um acordo para reduzir as tarifas (as montadoras obtiveram um adiamento). Trump, contudo, se mostra irredutível — e citou o Brasil entre os alvos. Na primeira semana de abril serão impostas barreiras a produtos agrícolas. É dado como certo que o etanol brasileiro estará na lista.

Lula começa reforma pela ‘cozinha’ e dá prioridade à isenção do IR

Por Valor Econômico

Petista deve fazer mais mexidas na Esplanada e prepara envio de projetos ao Congresso

Passado o Carnaval, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concluir nas próximas semanas a reforma ministerial. As trocas começaram na cozinha do Palácio do Planalto, com Sidônio Palmeira na Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) e Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) no lugar de Alexandre Padilha, que vai para a Saúde. Nas últimas horas, aumentaram os rumores da nomeação de Guilherme Boulos (Psol-SP) para substituir de Márcio Macêdo, na Secretaria-Geral, outro ministério palaciano.

Em meio à lentidão de Lula para fazer as mexidas, há apenas uma certeza entre os auxiliares do presidente: o PSD da Câmara deve ganhar um ministério. A sigla já sinalizou ao presidente que não se interessa por Ciência e Tecnologia, atualmente com Luciana Santos (PCdoB). O partido de Gilberto Kassab pode ser contemplado com o Turismo, hoje ocupado por Celso Sabino (União Brasil). A legenda de Sabino e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pode ir para Ciência e Tecnologia.

Hollywood, o altar que nos define - Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Um longa-metragem veio nos devolver um sentimento de nação, a lembrança dos direitos humanos e a sede de justiça

É claro que eu vi a cerimônia do Oscar. Noite de domingo, carnaval longínquo e eu no sofá, de frente para a televisão. É claro que me entediei com a torrente de breguices, mas nem foram tantas. É claro que explodi em vibração futebolística quando Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, ganhou como melhor filme internacional. É claro que desliguei de raiva quando não deram o prêmio de melhor atriz a Fernanda Torres. Achei aquilo uma ignomínia, mesmo sem nunca ter visto o filme da outra lá, que foi chamada ao palco. Nem sei o nome. É claro que liguei de novo a TV. Ainda peguei a moça agradecendo. É claro que não gostei.

O que não é claro é o resto. Vale um artigo. Walter Salles não se engalanou com um smoking. Preferiu um terno preto sumário. Fina estampa sem cores. Na segunda-feira, seu sorriso tropical encimado pelos olhos apertados carimbou a capa dos jornais. Aplaudi outra vez. Ele merece as mais altas condecorações da República. É um herói da cultura.

Trump contra o mundo inteiro - Míriam Leitão

O Globo

Donald Trump atirou contra Canadá, México e China e colocou outros países na alça de mira, entre eles, o Brasil

A guerra aberta de Donald Trump contra o comércio internacional fará ainda muito estrago na economia americana e global. Na terça, os tambores rufaram de lado a lado, com CanadáMéxico e China anunciando retaliações ao aumento generalizado de tarifas disparado por Trump. No discurso no Congresso, no fim do dia, ele disse que outros países também estão na alça de mira, entre eles, o Brasil. Ontem, o recuo em relação às montadoras foi um alívio. Temporário.

Canadá, México e China juntos representam US$ 1,4 trilhão das importações americanas. Os importadores terão que pagar mais pelos seus produtos e isso vai para o preço final, mesmo que possa ser em parte absorvido dentro da cadeia produtiva americana. O resultado é mais inflação e menos crescimento.

O Brasil e seu umbigo - William Waack

O Estado de S. Paulo

A ferocidade primitiva de Trump expõe vulnerabilidades brasileiras

Donald Trump ouviu as preces, vindas também do Brasil, e está empenhado em destruir a pax americana (“pax”, nesse contexto, significa “ordem”). Azar nosso, pois ironicamente o mundo que está indo embora servia melhor a uma potência média e vulnerável como o Brasil se comparado à situação que está se desenhando rapidamente.

O problema que se apresenta já não é mais manter a necessária equidistância entre China e Estados Unidos, sendo bastante conhecida nossa dependência de mercados na Ásia e de insumos vindos de países ocidentais. Uma das lições centrais deixadas por Trump no tratamento da questão da Ucrânia é a de que ele considera que as potências “menores” não têm opções – só as que ele determina.

A mentira como verdade – Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Os que hoje gritam cinicamente por liberdade de expressão querem usá-la justamente para suprimi-la

O principal canal de Donald Trump para disseminar mentiras chama-se Truth Social —Confederação da Verdade ou algo assim. É a rede social fundada por ele em 2021, destinada a disparar textos, posts e arquivos para os lorpas americanos. Mas, se a extrema direita acha que essa tática de fazer da mentira a verdade é de sua invenção, engana-se. Foi usada com grande sucesso pela União Soviética de 1917 a 1991, através de seu jornal oficial, Pravda, editado pelo Partido Comunista com a função de encobrir os crimes do Estado. Pravda, em português, quer dizer verdade.

A revolução do ‘senso comum’ de Trump - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Elite do mundo trata de guerra comercial; americano elogia sua 'revolução do bom senso'

A "opinião pública" convencional passou a terça-feira (4) a discutir "tarifas" e escaramuças da guerra comercial. No fim do dia, Donald Trump foi ao Congresso falar de sua "revolução do bom senso".
Tratou de "tarifas" também, palavra que apareceu depois de transcorrido um terço de um discurso de 100 minutos.

Antes e por quase o tempo todo, Trump falou de preocupações compreensíveis e comuns e dos objetivos de um governo que começa como o "melhor da história" (o segundo é o de George Washington).

Começou por enumerar feitos e, assim, a listar inimigos do povo: imigrantes, tecnocracia, "wokes", verdes, instituições multilaterais, países que barram produtos americanos.

O eloquente silêncio de Tarcísio ante Trump - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Responsável por 1/3 de tudo que o Brasil vende aos EUA, São Paulo seria o Estado mais prejudicado por um tarifaço

Dois terços das exportações do Brasil para os Estados Unidos têm origem em Estados de governadores que, em 2022, se alinharam ao bolsonarismo. São Paulo sozinho é responsável por 33,6% do que o Brasil vendeu aos EUA em 2024.

A ameaça de sobretaxa sobre produtos brasileiros, agora nominada pelo presidente americano, não moveu nenhum desses governadores em defesa da economia de seus Estados. O produto de exportação que mais preocupa o bolsonarismo hoje é o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), cujo passaporte está ameaçado de apreensão pela denúncia de crime de lesa-pátria.

Neste ano, o filho do ex-presidente já esteve três vezes nos EUA. É um dos articuladores da proposta que avança no Congresso americano para barrar o ingresso no país de autoridades estrangeiras que infrinjam a “liberdade de expressão” dos EUA. Foi uma medida talhada para atingir o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, pela contenda em torno da queda de braço com as gigantes de tecnologia daquele país.

Estratégias pessoais - Merval Pereira

O Globo

Tanto Lula quanto Bolsonaro estão convencidos de que só eles podem levar adiante os planos grandiosos que têm para o país

A insistência do ex-presidente Bolsonaro em manter-se candidato à Presidência da República em 2026, mesmo já julgado inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem o objetivo de manter seu lugar intocado como líder da direita, mesmo que para isso precise abrir caminho à reeleição do presidente Lula.

Foi o que o próprio Lula fez em 2018, colocando o hoje ministro da Fazenda Fernando Haddad em seu lugar na chapa presidencial pouco menos de um mês antes da eleição, sem chances de vencer. Lula conseguiu se desvencilhar das condenações graças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e voltou a ser o único nome da esquerda capaz de impedir a reeleição de Bolsonaro.

A geringonça de Lula - Malu Gaspar

O Globo

Circulam em Brasília diferentes teorias para explicar a escolha de Gleisi Hoffmann para a Secretaria das Relações Institucionais (SRI) de Lula. Para os articuladores do Centrão, ao nomear uma petista puro-sangue, o presidente desistiu de fazer articulação política com o Congresso. A premissa é que, se Alexandre Padilha, com perfil mais conciliador, não conseguia cumprir acordos de liberação de verba e cargos, com Gleisi a relação pode até não piorar, mas melhorar é que não vai.

Aliados bem próximos do presidente avaliam que Lula pôs Gleisi na SRI não para negociar emendas, mas para que comece já a trabalhar na composição da aliança para disputar a reeleição em 2026. Lembram que, em 2022, ela exerceu exatamente o mesmo papel no comando do PT e deu certo. É mais ou menos isso o que a própria Gleisi tem dito sobre a missão que recebeu, tanto em público quanto nos bastidores.

Embora pareçam divergentes, as duas visões partem do mesmo diagnóstico: Lula se rendeu aos fatos e aceitou que a SRI não tem poder para negociar votações com o Congresso em troca de emendas ou cargos.

Faltam novos sonhos ao PT - Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Não basta que as forças ora no poder cumpram o compromisso de reparar os danos feitos pela extrema direita

Ao se despedir da vida pública em 2024, o octagenário Ricardo Lagos, político socialista que presidiu o Chile entre 2000 e 2006, conclamou seus conterrâneos a perseguir novos sonhos. Àquela altura, já se desfizera a Concertação de Partidos pela Democracia, frente que liderara a consolidação do sistema representativo, depois de 17 anos de ditadura, e alçara Lagos ao La Moneda. Da mesma forma, seu PPD (Partido pela Democracia), que desempenhara papel essencial na transição, caminhava para a irrelevância.

Mais de uma vez, com certo fatalismo, ele explicou a mudança política que o atingia —e aos seus companheiros— como o resultado natural da vida política democrática: conquistas sociais geravam novas demandas —"novos sonhos", dizia— que as lideranças estabelecidas, por progressistas que fossem, nem sempre conseguiam discernir ou encarnar.

O tempo complica a vida do governo Lula - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O governo precisa fazer um corte de despesas da ordem de R$ 30,9 bilhões para ajustar seus gastos à receita em 2025 e permitir que o Banco Central (BC) reduza a taxa de juros

O governo Lula dá a impressão de que ficou prisioneiro do tempo, e os dias se repetem, com pequenas variações, como no Dia da Marmota, um velho filme xarope de Hollywood. Na história, o repórter Phil Connors vai à pequena Punxsutawney fazer a cobertura do evento e fica preso no tempo. É um nonsense. A indicação da deputada Gleisi Hoffman (PT-PR) para a Secretaria de Relações Institucionais do Palácio do Planalto é vista, nos bastidores do Congresso, como exemplo de que as coisas se repetem nos governos do PT: a nova ministra foi chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff.

Gleisi tem boas relações com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (PR-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O problema é outro. Dona de um estilo “bateu, levou”, a nova ministra é porta-voz da ala do PT que critica a condução da economia pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que já sofre oposição do ministro da Casa Civil, Rui Costa; com Gleisi, ficará vendido na relação com o Congresso.

Ministros de Lula são esperados em evento de filiação de Raquel Lyra ao PSD

Luísa Marzullo / O Globo

Governadora de Pernambuco entrará no partido de Gilberto Kassab no próximo dia 10; André de Paula (Pesca) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) são esperados na solenidade

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, já acertou os detalhes de sua filiação ao PSD, marcada para a próxima segunda-feira (10). A cerimônia de ingresso no partido, comandado por Gilberto Kassab, ocorrerá no Recife Expocenter, a partir das 18h55 – horário escolhido em referência ao número de urna da sigla. O local tem capacidade para 1.500 pessoas, e a expectativa é de casa cheia com a presença de importantes lideranças políticas.

Entre os convidados estão os ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), André de Paula (Pesca) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). Há uma expectativa de que Raquel Lyra assuma a presidência estadual do PSD, atualmente ocupada por André de Paula, que, por sua vez, busca ser promovido ao cargo de ministro do Turismo.

Além de Gilberto Kassab e lideranças do partido no Nordeste, outras autoridades devem comparecer ao evento, como o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o ex-governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto.

A presença de aliados do governo federal na cerimônia reforça a intenção da governadora de estreitar laços com o presidente Lula. Nos últimos meses, Lyra tem intensificado a articulação em Brasília, fortalecendo sua relação com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), a quem considera um amigo. Em Pernambuco, o PT está dividido: enquanto a ala estadual apoia Raquel Lyra, o diretório municipal mantém aliança com o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Dirigente do PT defende Eduardo Paes como vice de Lula em 2026

Johanns Eller / O Globo

Vice-presidente do partido, Washington Quaquá tem discutido cenário no Rio e em Brasília; prefeito carioca é favorito para concorrer ao governo fluminense

O vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, tem defendido em Brasília e nos círculos da política fluminense que Luiz Inácio Lula da Silva convide o prefeito Eduardo Paes (PSD), para a vice em sua chapa à reeleição em 2026. Quaquá acredita que esse movimento, que jogaria Geraldo Alckmin (PSB) para escanteio traria o PSD de Gilberto Kassab para a coligação petista, e teria o potencial de atrair também o MDB.

As siglas estão entre as maiores do Brasil e controlam três ministérios cada, mas têm hesitado em sinalizar apoio a um quarto mandato de Lula. Ambas estão rachadas entre alas do Sudeste e Sul, mais à direita, e setores lulistas no Nordeste e Norte. Para contornar as divergências, o MDB tem sinalizado interesse em ocupar a vice do presidente com os atuais ministros Renan Filho (Transportes) e Simone Tebet (Planejamento) ou o governador do Pará, Helder Barbalho.

Entrevista | Otto Alencar, novo presidente da CCJ do Senado: 'Nem sempre a prioridade do Haddad é a do Congresso'

Lauriberto Pompeu e Camila Turtelli / O Globo

Senador baiano diz que ministro da Fazenda não terá caminho fácil em propostas como limite dos supersalários do Judiciário e reclama de bloqueio de emendas

O senador Otto Alencar (PSD-BA), novo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), diz ao GLOBO que o colegiado não vai aderir de forma automática à agenda do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O senador também reclamou do bloqueio das emendas, considera elevadas as penas de alguns dos condenados pelos ataques do 8/1 e é contra mudar a Ficha Limpa para beneficiar Jair Bolsonaro.

Quais vão ser as prioridades da CCJ nos próximos dois anos?

Depois do carnaval uma das as coisa que eu vou conversar com o Marcelo Castro (relator da reforma eleitoral) é a reforma eleitoral. Muitos senadores estão defendendo acabar com a eleição de dois em dois anos. Vai ser bom para todo mundo, para o Brasil. Tem algumas coisas que estão paradas, marco temporal. A questão dos supersalários (do Judiciário), eu estou esperando o (Rodrigo) Pacheco chegar para conversar. Vem dele aquela aquela iniciativa da PEC do quinquênio (que ampliaria a remuneração do Judiciário e compensaria a limitação). Não considero urgente para botar na sala e operar, tem que examinar bem, tem muita versão, muita narrativa nisso.

Pós-carnaval, Senado debate mudanças nas regras eleitorias

Lauriberto Pompeu e Camila Turtelle / O Globo

Parlamentares querem avançar com projetos sobre reeleição, mulheres e inelegibilidade pelo Ficha Limpa

Parlamentares da cúpula do Senado querem avançar com propostas sobre mudanças no processo eleitoral na volta dos trabalhos após o recesso de carnaval. Há pressa em aprovar e sancionar alterações até o início de outubro para que novas regras possam valer já para as eleições de 2026. Ao mesmo tempo, cresce entre os senadores do centro e de direita um consenso sobre a necessidade de se discutir o fim da reeleição e a unificação do período de mandatos de presidente da República, governadores, prefeitos, deputados e vereadores.

Os projetos que tratam sobre esses temas estão concentrados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que passa a ser presidida este ano pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), e sob a relatoria do senador Marcelo Castro (MDB-PI). Ambos afirmam que as discussões devem ser iniciadas já neste mês. Crítico das eleições de dois em dois anos, Alencar já se mostrou favorável a mudança no calendário. 

Poesia | O Relógio, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | João Gilberto e Ney Matogrosso - Curare (1982)