sábado, 4 de março de 2017

Opinião do dia - Ronaldo Vainfas

O novo Plano de Ensino Médio, ao maltratar a História, isto sim é um golpe contra a educação dos adolescentes, além de, por descuido ou incúria, endossar uma BNCC chavista e xenófoba. A impressão que fica é a de que o governo federal não sabe o que está fazendo. Sem rumo.

O presidente Temer deveria tomar ciência do que veio a sancionar para corrigir tal aberração. Do contrário, seu governo será lembrado como o único do mundo que excluiu a História como disciplina obrigatória da educação brasileira.

Este imbróglio só pode derivar, quero crer, de um malentendu, quem sabe um descuido, uma desatenção sobre o que se passa no MEC. Prioridades outras, educação violentada. Este plano é o caminho mais curto para aumentar o número dos presídios no Brasil. O país não merece.

*Ronaldo Vainfas é professor universitário. “Excluir a História da grade é uma aberração”, O Globo , 4/3/2017

Odebrecht diz que financiou apoios à chapa PT-PMDB

Delatores relatam pagamentos a partidos por alianças com Dilma-Temer

No total, segundo ex-executivo relatou ao TSE, empreiteira repassou R$ 200 milhões na campanha de 2014, sendo R$ 40 milhões via caixa dois; acusados negam irregularidades 

Em depoimento ao TSE, três ex-dirigentes da Odebrecht sustentaram que a empreiteira repassou, via caixa dois, recursos a partidos para garantir apoio e tempo de TV à chapa Dilma-Temer, em 2014. O pagamento teria sido pedido pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo os delatores, um total de R$ 30 milhões foi pago a PDT, PROS, PCdoB, PP e PRB. Um dos exexecutivos contou que a Odebrecht doou R$ 200 milhões nas eleições de 2014, inclusive para o PSDB, sendo R$ 40 milhões via caixa dois.

‘Mensalão’ da Lava-Jato

Delatores contam que Odebrecht pagou apoio de partidos à chapa Dilma-Temer em 2014

Simone Iglesias e Eduardo Bresciani | O Globo

-BRASÍLIA- Os depoimentos de três ex-dirigentes da Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelaram que o PT teria garantido apoio de partidos à chapa Dilma-Temer em 2014 às custas de dinheiro doado por caixa 2 pela empreiteira. No que pode se tornar uma espécie de novo mensalão, os delatores contaram que pelo menos o pagamento a um desses partidos, o PDT, foi intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Além do PDT, O GLOBO confirmou que os depoentes relataram repasses ao PROS. O “Jornal Nacional” citou ainda o PCdoB, PP e PRB, legendas que garantiram à chapa Dilma-Temer tempo maior no horário eleitoral gratuito de TV e rádio. De acordo com as investigações da Lava-Jato, o total destinado pela Odebrecht a esses partidos chegou a cerca de R$ 30 milhões.

Senhas para PDT eram nomes de jogadores

- O Globo

No depoimento que deu ao TSE, o ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis deu detalhes da negociação financeira que fez com Marcelo Panella, tesoureiro do PDT.

Contou que ficou responsável pela doação à legenda porque tinha relação com Panella. Segundo ele, o pagamento de R$ 4 milhões foi feito em quatro parcelas de R$ 1 milhão: duas em agosto e outras duas em setembro de 2014. As senhas para avisar da disponibilidade dos recursos eram nomes de jogadores do Fluminense, disse Reis, reforçando que o pedetista é tricolor.

Outro dado curioso contado em seu depoimento é o de que Marcelo Odebrecht deu um orçamento de R$ 7 milhões para negociar com o tesoureiro do PDT. Fernando Reis disse que Panella aceitou de pronto a primeira oferta: R$ 4 milhões. Panella é conhecido dentro do partido, mas não é uma figura de proeminência nas rodas políticas de Brasília.

Segundo pedetistas, ele tem uma vida profissional independente das questões partidárias. Sem trajetória de mandatos eletivos, chegou a se candidatar a suplente de senador, no Rio, em 2014, na chapa de Carlos Lupi, presidente do PDT, que concorreu à vaga principal. No entanto, renunciou à candidatura. Procurado por telefone e mensagens de celular pela reportagem, Panella não se manifestou

Caixa 2 para todo lado

Delator da Odebrecht diz que empresa doou R$ 40 milhões em recursos do departamento da propina

Simone Iglesias | O Globo

BRASÍLIA - A Odebrecht doou aos partidos por meio de caixa 2 cerca de R$ 40 milhões só nas eleições de 2014. A cifra é uma estimativa feita a partir do depoimento do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior. No interrogatório ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o empresário foi bem explícito quanto à origem desses recursos: todos seriam provenientes do “Departamento de Operações Estruturadas” da Odebrecht, área da empresa responsável pelo pagamento de propinas.

O executivo disse que “todos os grandes partidos” receberam dinheiro legal e também por meio de caixa 2 da Odebrecht e subsidiárias. Segundo Benedicto Júnior, a empresa doou em 2014 um total de R$ 200 milhões. Essa cifra foi definida numa reunião entre Marcelo Odebrecht e executivos da companhia. Deste total, 60% saíram da construtora; de 20 % a 25% de empresas terceirizadas ligadas a Odebrecht; e de 15% a 20% (R$ de 30 milhões a R$ 40 milhões) por meio de caixa 2.

Fernando Henrique sai em defesa de Aécio e relativiza tipos de caixa 2

Especialistas discordam da nota do ex-presidente, que criticou também a imprensa

Tiago Dantas | O Globo

-SÃO PAULO- O ex-presidente Fernando Henrique saiu ontem em defesa do PSDB e do senador Aécio Neves, suspeito de receber R$ 9 milhões da Odebrecht na campanha de 2014 que não foram declarados oficialmente. Em nota divulgada à imprensa, FH relativizou o uso do caixa 2, dizendo que há diferença entre o dinheiro para financiar campanhas políticas e o recebido pelos partidos por fora para enriquecimento pessoal. Especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pelo GLOBO divergem divisão feita pelo ex-presidente e afirmam que a lei prevê as mesmas punições para os dois casos.

Falando como presidente de honra do PSDB, FH afirmou que Aécio não pediu doação de caixa 2 para aliados e que Marcelo Odebrecht disse, em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quarta-feira, que “as doações à campanha presidencial, em 2014, foram feitas oficialmente”. Na sequência, o ex-presidente escreveu que é preciso fazer distinções:

Aécio diz que jamais foi acusado por delatores de solicitar caixa dois

- Folha de S. Paulo

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) divulgou um vídeo nesta sexta-feira (3) no qual afirma que "em nenhum momento" foi acusado por delatores da Odebrecht de ter solicitado doações ilegais, o chamado caixa dois, para o candidatos do PSDB nas eleições de 2014. O tucano diz ainda que há uma tentativa de disseminar inverdades envolvendo seu nome.

Aécio afirma na gravação que "dois fatos" ocorridos nas últimas 48 horas "são elucidativos e podem ser pedagógicos em relação ao futuro". "O primeiros deles diz respeito ao depoimento do sr. Marcelo Odebrecht ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral], no qual ele afirma de forma categórica que os recursos transferidos à campanha do PSDB em 2014, quando eu era candidato à presidência da República, foram feitos oficialmente, via caixa um, e que uma solicitação que chegou a ser feita em um determinado momento da campanha não pode ser atendida."

FHC sai em defesa de Aécio: 'o senador não fez tal pedido'

Em nota divulgada nesta sexta, ex-presidente chama de 'verdade alternativa' afirmação de que parte da campanha do PSDB em 2014 foi financiada com caixa 2

Ricardo Brito | Agência Estado

BRASÍLIA - O ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, divulgou na tarde desta sexta-feira, 3, nota oficial em que sai em defesa do atual comandante do partido, o senador Aécio Neves (MG). O tucano disse lamentar que haja o que chamou de uma estratégia usada por adversários da legenda de difundir “notícias alternativas” de modo a confundir a opinião pública.

FHC disse que parte do noticiário do dia sobre os depoimentos de executivos da Odebrecht “serve de alerta”. Segundo ele, ao invés de se dar ênfase à afirmação de Marcelo Odebrecht de que doações à campanha presidencial de Aécio em 2014 foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados.

“O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE”, disse o ex-presidente. “É preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa”, completa.

FHC disse que no importante debate travado no País é preciso se fazer distinções. “Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção”, avaliou.

Para o ex-presidente, divulgações “apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais”. “A palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação. É preciso que a Justiça continue a fazer seu trabalho, que o país possa crer na eficácia da lei e que continue funcionando”, ponderou.

FHC disse que a desmoralização de pessoas a partir de “verdades alternativas” é injusta e não serve ao País, pois confunde tudo e todos. Ele conclui ser a hora de continuar a dar apoio ao esforço moralizador das instituições de Estado e deixar que elas, criteriosamente, façam Justiça.

Leia a íntegra da nota

Indústria volta a abrir postos de trabalho

Após 20 meses de resultados negativos desde março de 2015, a indústria voltou a contratar. Em janeiro, foram criados 17.501 postos de trabalho com carteira, indicando o início da retomada. No geral, houve perda de vagas, sendo que 65% delas no Rio.

A retomada da indústria

Fábricas criam 17.501 vagas com carteira em janeiro, com recuperação em vários setores

Geralda Doca | O Globo

BRASÍLIA - A indústria de transformação voltou a gerar empregos em janeiro e fechou o primeiro mês do ano com um saldo líquido positivo de 17.501 postos. Desde março de 2015, o setor vinha apresentando resultados mensais negativos, com exceções pontuais em agosto e setembro do ano passado. Depois disso, os empresários voltaram a demitir. A virada só ocorreu no início de 2017, quando a recuperação na indústria foi disseminada por vários subsetores.

Brasil perde 40,9 mil vagas de emprego em janeiro

Enquanto o comércio fechou 60 mil vagas, a indústria da transformação foi responsável por criar 17,5 mil postos

Anne Warth, Maria Regina Silva, Eduardo Laguna | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O Brasil perdeu 40.864 vagas formais de emprego em janeiro deste ano. Apesar do resultado negativo, o ritmo de demissões diminuiu em relação aos últimos dois anos. Desde abril do ano passado, o ritmo de fechamento de postos de trabalho vem sendo menos intenso na comparação com o mesmo mês do ano anterior, mas a tendência de demissões ainda não se inverteu. O emprego industrial registrou, pela primeira vez desde janeiro de 2015, saldo positivo de mais de 10 mil vagas.

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o saldo de janeiro é resultado de 1.225.262 contratações e de 1.266.126 demissões de trabalhadores. Em janeiro de 2016, o resultado havia sido pior: 99.694 postos foram fechados.

Cultura, modernidade e democracia - *Alberto Aggio

- O Estado de S. Paulo

O embate no Prêmio Camões só impediu que se discutisse o que deve ser discutido

As cenas de antidemocracia que ocorreram na entrega do Prêmio Camões a Raduan Nassar, promovidas por uma claque conhecida em determinados ambientes políticos, é mais um desserviço à cultura e à política democrática em nosso país. Os atos e especialmente sua repercussão nas redes e na opinião pública, negativos em si, retiram o foco do que seria essencial discutir, de forma mais produtiva, a respeito das relações entre cultura e política na contemporaneidade e no nosso país.

No passado havíamos muitas vezes provado que sabemos fazer essa reflexão, mas parece que precisamos reaprender, ultrapassando as inclinações instrumentais que, a partir de visões finalistas e autoritárias, querem anular a convivência entre diferentes. A natureza e os sentidos do debate cultural sempre foram muito vivos entre nós e precisam ser resgatados e expandidos para o conjunto da sociedade. Há que superar ideologismos rasteiros, posturas fechadas e diretrizes normativas preestabelecidas e ir ao encontro do pluralismo que marca nossas sociedades para se estabelecer uma relação fecunda entre cultura, modernidade e democracia.

Sem privilégios - Cristovam Buarque

- O Globo

O foro jurídico privilegiado aos políticos deve ser abolido de imediato

República deve ser o sistema social e econômico que assegura a todos os mesmos direitos, mas a brasileira usa foro privilegiado para políticos, rompendo as bases republicanas, até porque estes processos se alongam tanto que prescrevem antes do julgamento, deixando impunes os “nobres da República”. Para corrigir esta deformação bastaria aprovar as reformas da Constituição propostas pelo senador Álvaro Dias e pelo deputado Rubens Bueno, eliminando o foro privilegiado que protege políticos com mandato. Mas isso não bastaria para fazer uma República, porque o regime brasileiro apresenta outros privilégios incompatíveis com o espírito e a prática republicana.

Os bobos da corte - João Domingos

- O Estado de S. Paulo

Conluio entre Estado e setor privado jogou a legislação do País na lama

Convenhamos. O empresário Marcelo Odebrecht nunca foi o bobo da corte dos governos de Lula e de Dilma Rousseff, como se autodefiniu em depoimento para o TSE. Nem foi o otário dos mesmos governos, como ele quis fazer crer. Tampouco foi o dono do governo petista, essa uma imagem criada pelos partidos que fizeram oposição ao PT e que hoje fazem parte do grupo que assumiu o poder.

O dono dos governos do PT foi o PT, assim como o do PMDB é o PMDB. Apesar da força que aliados costumam ter nos governos no presidencialismo de coalizão, como o que é praticado no Brasil, quem vai responder perante a história pelo que fez ou não fez enquanto exerceu o poder será o partido do presidente da República.

Terrorismo previdenciário – Julianna Sofia

- Folha de S. Paulo

O governo do presidente Michel Temer está convencido de que a reforma da Previdência enviada ao Congresso é a ideal. Põe pressão para que o texto seja aprovado na Câmara e no Senado até o final deste semestre. Mobiliza ministros e líderes governistas para exigir, desde já, lealdade da hoste aliada.

Na ata da última reunião, o Copom voltou a cobrar reformas estruturais para que o país possa alcançar taxa de juros civilizada, demonstrando preocupação particular com a aprovação das mudanças no sistema de aposentadorias e pensões.

O pedido da indústria - Miriam Leitão

- O Globo

Um grupo de 10 entidades empresariais formou o que eles chamam de “coalizão” para conseguir que o governo eleve o benefício à exportação, conhecido como Reintegra, que havia sido praticamente zerado no ano passado. Os exportadores querem receber 5% sobre o valor exportado. Eles dizem que não é subsídio e que é apenas a “eliminação do resíduo tributário”.

O governo transferiria recursos para exportadores, apesar de estar em meio de cortes gerais de despesas. O grupo é formado por entidades de calçados, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, máquinas e equipamentos, autopeças, produtos químicos, siderurgia, têxteis e confecções e automotivo. Um dos seus líderes, Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, argumentou que o consumo das famílias caiu 9,8% do primeiro trimestre de 2015 ao terceiro trimestre de 2016 e as exportações de nove dos dez setores despencaram:

O fantasma da meta - Adriana Fernandes

- O Estado de S. Paulo

Será preciso “torturar” muito os números para o governo fechar um corte no Orçamento muito menor do que o buraco concreto que existe hoje entre as despesas e as receitas do governo neste ano. A tortura nesse caso é sinônimo de previsões que já se sabe de antemão são frágeis e com grandes chances de frustração.

A velha e conhecida maquiagem na contabilidade pública e que pode atingir também as chamadas receitas extraordinárias projetadas para entrarem nos cofres do governo com privatizações, concessões, vendas de ativos e programas de parcelamento de dívidas. Prática condenada e que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, prometeu banir da política fiscal logo no primeiro dia no cargo.

O sectarismo nosso de cada dia – Demétrio Magnoli

- Folha de S. Paulo

A corrupção está disseminada, mas o 'Estado-Odebrecht' nasceu sob as asas de Lula

"A direita brasileira precisa se decidir sobre Temer; abandoná-lo é colocar em risco as reformas de mercado, apoiá-lo é colocar-se no centro do alvo da Lava Jato". Celso de Barros, autor da disjuntiva (Folha, 1º/3), tende a ser uma voz ponderada. Quando mesmo ele cede ao sectarismo, temos a dimensão do esgarçamento da nossa praça de debate.

A "nova direita", na expressão de Barros, só tem relevância para almas viciadas nas guerrilhas crônicas das redes sociais. O governo Temer, obviamente, tem a sua importância, mas o dilema de fundo, entre as reformas de mercado e a Lava Jato, diz respeito à nação inteira, não só aos governistas ou à tal "direita brasileira". A pergunta é: como se situa frente a ele a "esquerda brasileira", da qual Barros faz parte?

Excluir a História da grade é uma aberração - Ronaldo Vainfas

- O Globo

O novo Plano de Ensino Médio, ao maltratar a História, é um golpe contra a educação dos adolescentes, além de endossar uma BNCC chavista e xenófoba
N o final de 2015, veio à tona a discussão sobre a Base Nacional Curricular Comum para os ensinos Fundamental e Médio, matéria na qual o governo federal trabalhava desde o primeiro governo Lula. A visibilidade da discussão era, porém, precária, e só repercutiu quando o governo Dilma deu sinais de esgotamento.

O tratamento que a primeira versão da BNCC dava à História era teoricista e ideologizada. No Fundamental, estabelecia-se, nos dois níveis, o ensino de sujeitos, grupos sociais, comunidades etc., prevalecendo um abstracionismo incompatível com a faixa etária dos alunos, além de certa ojeriza em face da história concreta. No Ensino Médio, ideologização total: “mundos ameríndios, africanos e afro-brasileiros”, no início, seguidos de “mundos europeus e asiáticos”, nos anos finais.

O Supremo em xeque - *Miguel Reale Júnior

- O Estado de S. Paulo

É hora de atuar em inquéritos e ações penais contra deputados e senadores

Independentemente da discussão sobre o cabimento ou a limitação do foro privilegiado, debatendo-se sua eliminação total ou restrição, há de se ver, com absoluto pragmatismo, a existência de problema extremamente grave para a Justiça brasileira: a tramitação, neste momento, de elevado número de inquéritos policiais e de processos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) tendo por investigados ou réus deputados e senadores.

Recentemente, na Ação Penal 937/ RJ, o ministro Luís Roberto Barroso, em despacho, destacou: “As estatísticas evidenciam o volume espantoso de feitos e a ineficiência do sistema. Tramita atualmente perante o Supremo Tribunal Federal um número próximo a 500 processos contra parlamentares (357 inquéritos e 103 ações penais)”.

Os partidos e seus corruptos – Editorial | O Estado de S. Paulo

Muitos políticos enrolados na Justiça ou mesmo já condenados por corrupção encontram em seus partidos o conforto da impunidade. Reportagem do Estado mostrou que 86 integrantes de 10 partidos aparecem como suspeitos, denunciados ou mesmo sentenciados em processos relativos à Operação Lava Jato, e a maioria absoluta deles continua a gozar da confiança de seus correligionários. É como se os partidos, em lugar de representar os interesses dos eleitores, se prestassem a acoitar delinquentes.

Embora a Lei 9.906/95, que normatiza a existência e o funcionamento dos partidos, estabeleça que os acusados “de violação dos deveres partidários” devem ter “amplo direito de defesa” quando seus casos forem avaliados pelo “competente órgão” partidário, o que se observa é que os políticos com contas a acertar com a Justiça dificilmente são cobrados pelos seus pares ou pela direção da legenda. Ou seja, nem precisam exercer o “amplo direito de defesa”.

Sombras sobre Minas – Editorial | Folha de S. Paulo

Um dia depois de finalizado o depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral, a respeito do financiamento à chapa presidencial de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), voltaram-se contra o senador tucano Aécio Neves (PSDB-MG) as atenções que as atividades da maior empreiteira do país estão a merecer.

Ironicamente, é no contexto do mesmo processo contra a dupla vitoriosa em 2014 —movido pela sigla de Aécio— que surge a informação comprometedora. Segundo o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedito Júnior, R$ 9 milhões foram canalizados para o caixa dois de campanhas tucanas.

Teria sido o senador mineiro, candidato da oposição naquele ano e presidente do partido, o autor dos pedidos de doação. O senador não os desmente, mas afirma ter respeitado os procedimentos legais.

O que esperar da segunda lista de Janot – Editorial | O Globo

O país está em um ciclo de escândalos, mas também de fortalecimento das instituições, o que dá segurança à sociedade diante das novas denúncias

A primeira lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, conhecida em março de 2015, com nomes da Lava-Jato abrigados no foro especial do Supremo, gerou grande expectativa. Era, enfim, a leva inicial de políticos apanhados na investigação do petrolão, um esquema que tornaria o mensalão do PT algo menor.

Aproxima-se o encaminhamento ao STF da segunda lista de Janot, referente às delações da Odebrecht A expectativa, dessa vez, é menos quanto a nomes e mais em relação ao conteúdo dos 78 depoimentos da cúpula da empreiteira.

O Relógio – Joaquim Cardozo

Quem é que sobe as escadas
Batendo o liso degrau?
Marcando o surdo compasso
Com uma perna de pau?

Quem é que tosse baixinho
Na penumbra da ante-sala?
Por que resmunga sozinho?
Por que não cospe e não fala?

Por que dois vermes sombrios
Passando na face morta?
E o mesmo sopro contínuo
Na frincha daquela porta?

Da velha parede triste
No musgo roçar macio:
São horas leves e tenras
Nascendo do solo frio.

Um punhal feriu o espaço...
E o alvo sangue a gotejar;
Deste sangue os meus cabelos
Pela vida hão de sangrar.

Todos os grilos calaram
Só o silêncio assobia;
Parece que o tempo passa
Com sua capa vazia.

O tempo enfim cristaliza
Em dimensão natural;
Mas há demônios que arpejam
Na aresta do seu cristal.
No tempo pulverizado
Há cinza também da morte:
Estão serrando no escuro
As tábuas da minha sorte.

Paulinho da Viola - Foi um Rio que passou em minha vida

sexta-feira, 3 de março de 2017

Opinião do dia – Hannah Arendt

As tiranias são condenadas porque destroem a união dos homens: isolando os homens uns dos outros, elas buscam destruir a pluralidade humana. As tiranias se baseiam na única experiência fundamental na qual estou totalmente só, que é estar impotente (como Epicteto definiu a solidão), incapaz de angariar a ajuda de meus semelhantes.

*Hannah Arendt (1905-1975). ‘A promessa da política ‘, p. 117. Difel, 2008.

Odebrecht cita Dilma, Temer e Aécio, mas Planalto vê alívio

Ao TSE, delator diz que deu R$ 300 milhões ao PT de 2008 a 2014

Empresário afirmou que foram três os encontros para repasse ao PMDB, em 2014, e revelou ainda o pagamento de R$ 15 milhões à campanha do tucano; governo achou que teor não compromete

Em depoimento ao TSE na investigação sobre a chapa Dilma-Temer, o empresário Marcelo Odebrecht revelou ter posto R$ 300 milhões à disposição do PT de 2008 a 2014, nos governos Lula e Dilma. Parte desse montante não foi registrada oficialmente, segundo ele. E o dinheiro era liberado após conversas com os então ministros Palocci e Mantega. O clima no Planalto foi de alívio, porque Odebrecht disse que, com Temer, tratou de ajuda para campanhas, não de valores. Contou ter tido dois encontros posteriormente com o ministro Eliseu Padilha para falar de doações. E afirmou ter repassado R$ 15 milhões à campanha de Aécio Neves (PSDB), sem dizer se por caixa 1 ou 2. Benedito Júnior, outro delator da empreiteira, disse que o PSDB recebeu R$ 9 milhões no caixa 2 a pedido de Aécio.

Delações perigosas

Marcelo Odebrecht cita Dilma, Temer e Aécio, mas Planalto vê alívio; outro executivo diz que pagou caixa 2 a tucano l

Simone Iglesias | O Globo

-BRASÍLIA- Numa prévia do impacto a ser desencadeado no mundo político com a divulgação da delação premiada da Odebrecht na próxima semana, os primeiros depoimentos de ex-executivos no processo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçaram as suspeitas sobre doações em caixa 2 para a chapa Dilma-Temer. O testemunho do empreiteiro Marcelo Odebrecht, anteontem, em Curitiba, envolveu o nome da ex-presidente da República, revelou mais detalhes sobre repasses ao PMDB do atual presidente Michel Temer e atingiu o senador Aécio Neves, do PSDB, partido autor do processo que pede a punição da chapa vencedora na disputa presidencial em 2014.

Para o Planalto, depoimento sob medida

Aliados de Temer festejam blindagem ao presidente, que teria saído ileso do relato de Odebrecht

Simone Iglesias – O Globo

BRASÍLIA - Para um governo que se vê envolvido em turbulências políticas quase que diariamente, ontem foi um dia sem sobressaltos no Palácio do Planalto. O depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seguiu o roteiro divulgado à exaustão pelo Palácio do Planalto. Fosse ensaiado com os advogados de Temer, a oitiva do ex-presidente da empreiteira não teria sido melhor.

O empresário deu detalhes do jantar no Palácio do Jaburu, em que foi recebido por Temer, contou ter ouvido um genérico pedido de ajuda financeira, sem detalhar valores, e tratado de amenidades. Um “shake hands”, como o herdeiro da maior construtora do país descreveu, poupando o presidente de maiores complicações.

Dilma diz que declarações são mentirosas

Dilma diz que suspeitas são 'insulto' à sua 'honestidade'

Ex-presidente se defende de acusações passadas por ex-presidente da Odebrecht ao TSE

Ricardo Galhardo | O Estado de S.Paulo

A ex-presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira, 2, por meio de nota, que é mentirosa a versão de que ela teria pedido ao ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht recurso para suas campanhas presidenciais em 2010 e 2014 por meio de caixa 2. Segundo ela, é um "insulto à sua honestidade" a tentativa, segundo Dilma, de "impor à ex-presidenta uma conduta suspeita ou lesiva à democracia ou ao processo eleitoral".

"É mentirosa a informação de que Dilma Rousseff teria pedido recursos ao senhor Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, ou mesmo autorizado pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois, durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014", diz o texto.

Após mensalão, Delúbio recebe condenação de Moro na Lava-Jato

Ex-tesoureiro do PT teve sentença de cinco anos de prisão por lavagem

- O Globo

-SÃO PAULO- O juiz Sérgio Moro condenou ontem o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal “Diário do Grande ABC”, ambos a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato. Eles foram considerados culpados pelo juiz na ação que apura um empréstimo de R$ 12 milhões feito no Banco Schahin para supostamente beneficiar o PT em 2004. Ronan foi preso na 27ª fase da Lava-Jato, enquanto Delúbio foi alvo de condução coercitiva em abril do ano passado. Os dois devem continuar em liberdade enquanto a sentença não for confirmada em segunda instância.

Odebrecht diz que usou cervejaria em caixa dois da chapa Dilma-Temer

Camila Mattoso, Bela Megale, Leandro Colon – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Ao detalhar o caixa dois na campanha da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, o empresário Marcelo Odebrecht afirmou à Justiça Eleitoral que a empreiteira, da qual foi presidente, usou um esquema de terceirizar o repasse de recursos nas eleições de 2014.

Segundo o depoimento, prestado na quarta (1), grande parte do que foi repassado pela Odebrecht saiu dos cofres de terceiros, entre eles a cervejaria Itaipava, do grupo Petrópolis.

A declaração do herdeiro da Odebrecht corrobora investigações da Lava Jato e delações de outros executivos do grupo de que a Itaipava foi usada para intermediar dinheiro a partidos políticos.

Uma tabela apreendida pela Polícia Federal lista pagamentos a 19 partidos pelo "parceiro IT" no valor de R$ 19,7 milhões. Um esquema envolvendo Odebrecht e Itaipava usando um paraíso fiscal movimentou R$ 117 milhões, de acordo com a investigação.

A campanha de Dilma-Temer em 2014 recebeu R$ 17,5 milhões em doações oficiais diretamente da cervejaria em 2014.

Odebrecht pagou R$ 4 mi ao PDT, segundo ex-diretor

Valor teria sido repassado, em quatro parcelas, para que partido ingressasse a coligação Dilma-Temer; presidente da legenda, Carlos Lupi, nega

Erich Decat e Beatriz Bulla | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Em depoimento nesta quinta-feira, 2, ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin, o ex-diretor da Odebrecht Ambiental Fernando Cunha Reis afirmou que foram pagos R$ 4 milhões ao PDT para que o partido ingressasse a coligação da chapa presidencial de Dilma Rousseff-Michel Temer de 2014.

A audiência com Cunha Reis foi feita no Rio e faz parte do processo que investiga se houve abuso de poder econômico e político por parte da chapa nas últimas eleições. Nesta quarta-feira, 1.º, foi ouvido na mesma ação o executivo e ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht.

Segundo relatos, Cunha Reis detalhou que o pagamento foi feito em quatro parcelas – duas em agosto e o restante em setembro de 2014. O montante teria sido pago em espécie, no escritório do tesoureiro do PDT, Marcelo Panela, localizado no Rio. Panela atuou como chefe de gabinete do presidente da legenda, Carlos Lupi, quando o dirigente comandou o Ministério do Trabalho, no segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na primeira gestão de Dilma.

Banco Central indica que pode acelerar corte de juros

BC sinaliza que pode acelerar queda do juro

Ata da última reunião do Copom indica que, diante das expectativas para inflação e ociosidade da economia, Selic pode sofrer redução maior

- O Estado de S.Paulo

O Banco Central (BC) indicou que pode acelerar o ritmo de queda da taxa de juros, segundo ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira.

"Os membros do Comitê reafirmaram o entendimento de que, com expectativas de inflação ancoradas, projeções de inflação na meta para 2018 e marginalmente abaixo da meta para 2017, e elevado grau de ociosidade na economia, o cenário básico do Copom prescreve antecipação do ciclo de distensão da política monetária", informou pelo documento.

Expansão global já ajuda o Brasil via commodities

Por Sergio Lamucci | Valor Econômico

SÃO PAULO - O crescimento mais forte e sincronizado das maiores economias do mundo, fenômeno que não ocorria desde a crise de 2008, está impulsionando os preços das commodities e beneficiando o Brasil. Em 12 meses até fevereiro, o índice de termos de troca - a relação entre preços de exportação e de importação - subiu 8,2%. A alta registrada na média de 2016, que já foi um ano favorável nesse quesito, foi de 3%, o que mostra a aceleração desse indicador no começo deste ano.

A alta das commodities, além de engordar o saldo comercial - superávit de US$ 51 bilhões também em 12 meses até fevereiro -, valoriza o real e melhora a arrecadação de tributos, uma boa notícia para Estados como o Rio de Janeiro, que dependem muito das receitas de royalties. Já a valorização da taxa de câmbio, embora diminua a competitividade de alguns produtos da indústria brasileira, ajuda a desacelerar a inflação em um ritmo mais rápido que o esperado.

Temer e a dúvida - Míriam Leitão

- O Globo

O governo Temer ficará sempre sob a pressão da dúvida. Uma dessas incertezas está no TSE e na ação proposta pelo seu atual aliado, o PSDB. O depoimento de Marcelo Odebrecht confirma o que já se sabia ou se suspeitava. A chapa foi beneficiada por efeito do abuso do poder econômico. Usou o fato de que governava o país para, em troca de facilidades, receber dinheiro de forma irregular.

Os dois, Dilma e Temer, são inseparáveis neste ponto. Vieram do mesmo rio, foram águas misturadas. Brigaram depois, se separaram e tomaram cursos distintos, mas é o mesmo rio de origem. O fato de o presidente estar ameaçado por uma ação proposta por seu aliado tucano é apenas mais um exemplo do caprichoso enredo da política brasileira. O PSDB pode até estar arrependido a esta altura, mas a Justiça Eleitoral tem que continuar a análise e julgar diante das evidências e provas daquela campanha em tudo condenável.

Troca-troca tucano - Eliane Cantanhêde

- O Estado de S. Paulo

Aloysio vai para o Itamaraty, Serra volta para o Senado, mas a política externa fica na mesma

A nomeação de Aloysio Nunes Ferreira para o Ministério das Relações Exteriores é um troca-troca de tucanos: José Serra sai do Itamaraty e volta para o Senado, seu amigo Aloysio sai da liderança do governo no Senado para o Itamaraty e... a política externa continua a mesma.

A primeira marca importante da mudança do governo Dilma para o governo Temer foi justamente na política externa, quando Serra agiu menos como diplomata (que não é) e mais como político (que sempre será) e deu um chega pra lá no bolivarianismo que afunda a Venezuela e que se metia a dar aulas de democracia ao Brasil. Foi uma guinada clara na diplomacia brasileira.

Presidente sem estado-maior - Luiz Carlos Azedo

- Correio Braziliense (02/03/2017)

Um velho princípio militar diz que a tropa de assalto não serve para manter a ocupação. É mais ou menos essa a situação

O presidente Michel Temer foi protagonista de sua chegada ao poder, mas não é dono das circunstâncias em que governa. Elas foram favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas continuam sendo desfavoráveis ao ato de governar. Temer é prisioneiro das circunstâncias que o fizeram chegar ao Palácio do Planalto, assim como seus parceiros políticos que apearam Dilma e o PT do poder.

Temer herdou a impopularidade do governo do qual já fazia parte, mas não consegue revertê-la por três razões: primeiro, enfrenta uma oposição implacável; segundo, os problemas têm envergadura maior do que o tempo de que dispõe para resolvê-los; terceiro, não tem um estado-maior capaz de enfrentar essas duas questões e otimizar as possibilidades reais de melhorar a vida das pessoas.

Uma presidenta honesta? - Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

"Tiraram uma presidenta honesta". A frase, que se refere ao impeachment de Dilma Rousseff, ainda ecoa nas redes sociais. Mas será que é verdadeira? A resposta, óbvio, depende de como conceituamos o termo "honesta".

Se os vazamentos do depoimento de Marcelo Odebrecht à Justiça Eleitoral são fidedignos e se o empresário ainda não aderiu à moda dos fatos alternativos, a situação de Dilma se complica. Pelo relato de "O Estado de S. Paulo", que me pareceu o mais contundente, Odebrecht disse que 4/5 de um total de R$ 150 milhões que o grupo empresarial destinou à campanha de Dilma e de Temer em 2014 vieram via caixa dois e que a petista tinha a dimensão desses valores.

Temer tem um problema - Ricardo Noblat

- Blog do Noblat

Não um, o presidente Michel Temer tem vários problemas para administrar. O mais urgente deles talvez seja o que fazer com Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil da presidência da República, seu amigo há muitos anos, conselheiro e executivo eficiente.

Padilha está de licença médica. Recupera-se de uma operação de próstata. Mas já avisou a Temer que pretende voltar ao trabalho o mais rapidamente possível. Não procede a história de que ele queira ou de que esteja conformado em ficar distante de Brasília por um tempo razoável.

O príncipe e os bobos – Bernardo Mello Franco

- Folha de S. Paulo

O empreiteiro Marcelo Odebrecht abriu os arquivos para a Justiça Eleitoral. Na Quarta-Feira de Cinzas, ele descreveu um carnaval de doações irregulares a políticos. Entre outros pecados, confirmou que sua empresa abasteceu o caixa dois da chapa Dilma-Temer em 2014.

Em quatro horas de depoimento, o empresário fez acusações para todos os gostos. Complicou o presidente Michel Temer ao confirmar que foi chamado ao Palácio do Jaburu para acertar contribuições ao PMDB. Também deixou mal a ex-presidente Dilma Rousseff ao dizer que ela sabia da origem dos repasses ao PT.

Corrida contra o relógio - Murillo de Aragão

- Blog do Noblat

Por conta da Operação Lava-Jato, o mundo político e o mundo jurídico estão em uma corrida contra o relógio.

O mundo político quer, além de se salvar, obviamente, evitar que decisões dramáticas sejam tomadas até as eleições de 2018. Imaginem, por exemplo, se o ex-presidente Lula for condenado em duas instâncias pelas questões que envolvem o sítio em Atibaia e o triplex em Guarujá? Estará inelegível, além de correr o risco de ir para a cadeia.

Selic ladeira abaixo - Fernando Dantas

- O Estado de S. Paulo

O dilema é caminhar com passos de 0,75 ou 1 ponto por reunião rumo à Selic neutra

O Banco Central está acelerando o ritmo do corte de juros da economia brasileira. Nas reuniões de outubro e novembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) fez dois cortes na Selic, a taxa básica de juros, de 0,25 ponto porcentual cada. Em janeiro e fevereiro, o ritmo de baixa por reunião saltou para 0,75 ponto. Ontem, na divulgação da ata do Copom de fevereiro, o BC deixou claramente aberta a porta para mais um salto, com cortes de 1 ponto nas próximas reuniões. Por outro lado, também sinalizou que esta última possibilidade dependerá de fatores tanto estruturais quanto conjunturais.