sábado, 21 de julho de 2018

Alberto Aggio*: Os movimentos da política e a candidatura Alckmin

A política tem dimensões longas e curtas. De um ponto de vista longo, a política que defende transformações para o país pensa na chave analítica e propositiva de um Polo Democrático e Reformista que recentemente foi apresentado e estabelece suas balizas de maneira clara no rumo da defesa da democracia e da realização de uma ampla reforma do Estado. De um ponto de vista mais curto, estamos adentrando aos momentos decisivos da campanha eleitoral que em outubro decidirá quem vai ser o novo presidente e qual será a configuração do novo Congresso e das Assembleias estaduais.

Esse pequeno texto visa incidir, de forma breve, ao acontecimento que, encerrando a semana, orienta os movimentos da disputa presidencial dos principais candidatos que até agora se apresentam à disputa. Trata-se de considerar alguns pontos sobre o apoio do chamado Centrão ao candidato Geraldo Alckmin (PSDB).

1. Em primeiro lugar, me parece importante anotar que se trata de uma decisão defensiva desse grupo. Ele esperava ter candidato próprio, o que não vingou. Não aceitou ou não cedeu, nem mesmo ao candidato do governo por vê-lo sem nenhuma chance. Aos trancos e barrancos, como não poderia deixar de ser, tentou negociar com Ciro. Abriu-se uma série de dúvidas e predominou a confusão e a divisão. Por fim, decidiu por apoiar Alckmin porque vê nele a possibilidade de vencer as eleições e poder influenciar num futuro governo, mesmo sabendo de que isso não será fácil. No frigir dos ovos, o chamado Centrão fez uma opção defensiva, quase entrando na prorrogação do tempo normal da partida.

2. Esse Centrão não é igual àquele da Constituinte. Esse Centrão poderia aderir à extrema-direita e apoiar Bolsonaro, mas conhece as tradições da politica brasileira e vislumbrou o desastre que poderia ser uma posição como essa. Mas é preciso anotar também: esse Centrão é outra coisa: sabe fazer o jogo do poder, sabe se manter vivo e não perder espaço. É uma direita que emergiu com a democracia e na democracia. Sim, na democracia existem direitas políticas nos países mais avançados; faz parte da sua legitimidade. Portanto, esse Centrão não é a direita bolsonarista e vir para junto de Alckmin significa aprofundar o isolamento da extrema direita, o que é altamente positivo para a democracia. Uma operação como essa mostra que essa é uma direita que veio para ficar, mesmo que hoje se apresente de forma difusa, inclinada à corrupção (que o PT albergou de forma integral) e em busca de um discurso próprio que hoje se coloca mais entre os outsiders liberais.

3. Para as forças democráticas, que se encontram divididas e buscavam uma alternativa competitiva em termos quantitativos e estruturais, neutralizar parte da direita e trazê-la para o campo da democracia e das reformas, isolando-a especialmente da extrema direita, é um ganho eleitoral e político notável. Esse movimento não está completo e espero que isso se efetive nos próximos dias. Atuar estabelecendo seus princípios e horizontes, se fixar neles, sem ver o cenário, os outros atores e não influenciar nos seus movimentos é um erro crasso em política.

4. Geraldo Alckmin é pré-candidato do PSDB e já contava com o apoio de alguns partidos. Poderá ampliar esse apoio ainda mais com o Centrão. Alckmin sempre foi acusado de “jogar parado”, mas isso não é inteiramente certo. Seus movimentos nem sempre são detectados pelos radares mais atentos. O fato é que, ao que tudo indica, o Centrão é que foi a Alckmin e não o inverso, como dissemos acima. Por outro lado, Alckmin é um político tradicional no contexto da democratização brasileira. É um político de centro, um democrata-cristão ao velho estilo, como foi Franco Montoro (não estou dizendo que ambos têm políticas públicas idênticas, pois os tempos são outros). Alckmin tem experiência política e administrativa suficiente para montar um governo de grande coalizão, refazendo a frente que se formou e se conectou com as ruas no processo do impeachment de Dilma Rousseff. Tem tudo para retomar a ligação entre governo, democracia, esperança e mudança. Não tem nada a ceder ao Centrão que o próprio Centrão já não saiba e não tem nada a mudar no programa já alinhavado pela sua campanha. Em termos políticos, o Centrão optou por Alckmin, não o contrário.

*Bolívar Lamounier: Profecias e premonições não são inofensivas

- O Estado de S.Paulo

Não é isenta de riscos a discussão sobre os impactos que a democracia tem sofrido

Que o mundo inteiro está imerso em dificuldades é óbvio. E é também óbvio que, por toda parte, as democracias são impactadas de forma negativa por tal situação. Mas daí a dizer que os regimes democráticos estão com um pé na cova vai uma larga distância.

As principais publicações do Primeiro Mundo têm discutido tais impactos com bastante frequência. A discussão é importante, mas não é isenta de riscos. A maioria delas toma os cuidados necessários, mas algumas às vezes resvalam para aquilo que os americanos chamam de self-fulfilling prophecies (profecias que se autorrealizam). Ou, se preferem, para o risco de jogar fora o bebê com a água do banho. Pior ainda é quando, imaginando possíveis sucedâneos para democracias supostamente defuntas, os analistas contrapõem modelos baseados em “ativismos populares” supostamente calorosos e espontâneos à suposta frieza ou ao “mero formalismo” institucional da tradição democrática ocidental.

Dias atrás a newsletter da International IDEA, uma ONG séria, sediada em Estocolmo, adotou uma linha que em geral me causa certa urticária. Título: The vote is no longer enough (o voto já não é suficiente). Mas quem disse que o voto é ou algum dia foi “suficiente”? Neste artigo, com todo respeito à intenção sem dúvida louvável da referida organização, vou tentar pôr alguns pingos nos is.

É correto, corretíssimo, dizer que eleições são uma condição sine qua non da democracia. São uma condição absolutamente necessária. Mas não me consta que algum teórico sério desse regime tenha jamais afirmado que é uma condição também suficiente. E precisamos ir mais longe. Quando dizemos que eleições são uma condição suficiente, é essencial esclarecer em que sentido fazemos tal afirmação. Sim, o pilar fundamental da democracia são eleições periódicas, limpas e livres, nas quais a maioria da população adulta tenha o direito de participar. Eleições “limpas” significam que os pleitos não podem ser vulneráveis à fraude numa escala capaz de distorcer os resultados. Eleições “livres”, que nenhuma ameaça pese sobre os eleitores no momento em que comparecem às urnas, ou seja, que eles estejam livres da coação e da coerção em qualquer de suas formas. Essa condição coloca o regime venezuelano do sr. Maduro e o nicaraguense do sr. Ortega a anos-luz da democracia. 

Fernando Gabeira: Livrai-nos de tanta loucura

- O Globo

No Brasil, Congresso decide quebrar o país, em meio à crise; nos EUA, Trump critica aliados europeus e se põe aos pés de um líder autoritário

Nos últimos dias, tenho a impressão de que estão enlouquecendo nas altas esferas do poder e talvez não possamos fazer muito a respeito. No Brasil, o Congresso aprovou um pacote de benesses de mais R$ 100 bilhões. Considerando a crise, isso representa grandes problemas em 2019: falta de recursos, atraso em pagamentos, quebradeira. E os candidatos à Presidência não protestaram. Protestar contra a farra de gastos tira votos. E eles dividem o tempo com precisão: uma coisa é o período eleitoral, outra, o mandato. Não percebem que, ao se calarem agora, perdem a possibilidade de resistir lá na frente. Isso pode significar não só crise política séria, mas até impeachment.

De qualquer forma, o futuro imediato do Brasil está comprometido por essas aventuras irresponsáveis. Há pouco o que fazer, exceto votar bem, mas ainda assim por mais que se acerte aqui e ali, o conjunto do Congresso será assustador. A pesada máquina do atraso continuará esmagando as chances de crescimento sustentável, renovação política e recuperação da confiança. Lá fora, a loucura ainda é maior. O presidente dos EUA critica duramente os aliados europeus e vai se prostrar aos pés de um líder autoritário russo. A manobra de Trump, assim como a dos deputados brasileiros, é uma ação disruptiva. Não usaria o termo subversiva, pois ele implica alteração da ordem. O que está acontecendo é apenas algo destinado a bagunçar, criar as bases instáveis para a chegada do caos.

Os parlamentares brasileiros querem apenas alguns votos para garantir sua permanência no poder. Eles já articularam uma reforma que lhes garante o dinheiro público para disputar as eleições. Insatisfeitos, cavam o próximo abismo sabendo que dinheiro não lhes faltará. Em último caso, há sempre o aumento de impostos. O problema é que a sociedade brasileira parece aceitar. A suposição de que o Estado pode gastar ilimitadamente ainda é fato na cabeça de muitos, mesmo na dos que não são diretamente interessados em conquistas corporativas.

Demétrio Magnoli: As cores da França

- Folha de S. Paulo

No fundo, a esquerda diz o mesmo que a direita, mas o faz com um sorriso no rosto

A charge do cartunista jordaniano Mahmoud Rifai correu mundo, difundida por sites e blogs de esquerda. Intitulada "Quem conquistou a Copa pela França", exibe um barco de refugiados africanos do qual emerge um punho negro segurando a taça da Fifa —e, acima dele, a bandeira francesa da qual salta uma mão que se apropria do troféu.

Superficialmente, trata-se de uma crítica da xenofobia e do racismo, tão comuns na Europa de hoje. De fato, é outra coisa, repetida sob formas similares em incontáveis textos e imagens.

A direita sempre diz que os terroristas são estrangeiros —mesmo quando se sabe que, em quase todos os casos, são cidadãos nacionais. Agora, a esquerda resolveu dizer que os jogadores da seleção francesa campeã mundial são estrangeiros –mesmo quando se sabe que todos são, obviamente, cidadãos franceses.

Entre os campeões, apenas dois nasceram fora da França: o goleiro Mandanda, na República Democrática do Congo, e Umtiti, em Camarões. Na sua maioria, os demais são filhos de imigrantes —e nenhum deles pertence a famílias de refugiados.
Sugerir que são estrangeiros equivale a identificar a nação à “raça”, à cor da pele.

A mania nada tem de novo. Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional e pai da atual líder do partido ultranacionalista, acusou os vice-campeões mundiais de 2006 de não representarem a “França verdadeira”.

Na ocasião, o zagueiro Thuram deu-lhe a resposta precisa: “Le Pen deveria saber que, assim como existem negros franceses, existem loiros e morenos, e não são convocados para a seleção por sua cor, mas por serem franceses”.

E concluiu reivindicando a “França verdadeira” da Revolução de 1789, em contraponto à “França eterna” da direita xenófoba. Agora, sua lição de história (e de política) deve ser ensinada à esquerda.

No fundo, a esquerda diz o mesmo que a direita, mas o faz com um sorriso no rosto. Para a direita, o “diferente” é o veneno que contamina a nação; para a esquerda, é o eterno estrangeiro, africano ou árabe, discriminado pela maléfica potência europeia.

João Domingos: A jogada do Centrão

- O Estado de S.Paulo

Ciro Gomes age como um escorpião de natureza autofágica: pica a si mesmo

O maior fato desta fase da campanha à Presidência da República foi a decisão de um grupo de partidos do centro político de se aliar a Geraldo Alckmin, do PSDB. Mesmo que oficialmente o acordo só vá ser anunciado na semana que vem, ele já provocou inúmeros efeitos. De uma hora para outra, Ciro Gomes, do PDT, que parecia ter construído sua viabilidade eleitoral e as condições objetivas para chegar ao segundo turno, visto que as negociações dele com o Centrão estavam em fase adiantada, viu o chão abrir-se a seus pés; e Alckmin, que parecia fadado a passar o resto da campanha patinando num sofrível índice de aceitação do eleitorado, pulou para o status de competitivo, pois, com a adesão dos partidos, terá cerca de quatro minutos e meio de tempo de propaganda eleitoral em cada bloco de 12 minutos e meio.

Alguém já lembrou que em 1989 o deputado Ulysses Guimarães, do PMDB, tinha um imenso tempo de TV e não passou de 4,73% dos votos. A situação era diferente. Ulysses fez sua campanha baseado na Assembleia Constituinte, da qual fora presidente, e que produzira a Constituição cidadã. A Constituição tornou-se importantíssima para a garantia das liberdades do estado democrático de direito que se instalava. Vencida aquela fase, no entanto, o eleitor estava preocupado mesmo era com a inflação, que chegava, mês a mês, a 30%, 35%, e acima dos 40% em novembro, quando foi realizada a eleição. Enquanto Ulysses romantizava seus feitos, o PMDB o traía com Fernando Collor, que fazia uma campanha milionária e prometia acabar com a corrupção e uma caça sem tréguas aos marajás do serviço público. Lula e Leonel Brizola disputavam o segundo lugar prometendo um Brasil mais igual.

Luiz Weber: O candidato bombado

- Folha de S. Paulo

Geraldo Alckmin (PSDB) recorreu ao mercado de anabolizantes da política

Geraldo Alckmin tomou uma injeção de PMMA. De um dia para outro inflou. Ficou na aparência competitivo na disputa pelo Planalto (apesar dos 7% de preferência do eleitorado, segundo o Datafolha).

Projeta-se maior após receber doses cavalares de tempo de TV fornecidas pela aliança com DEM, PP, PR, PRB e SD. Uma sopa de letras tão letal quanto a sigla que identifica o silicone usado em cirurgias estéticas.

Magro nas pesquisas, Alckmin recorreu ao mercado de anabolizantes da política (só a base de muita metáfora para entender isso). Para tanto, procurou o líder do PR, o mensaleiro condenado Valdemar Costa Neto.

Valdemar é um Dr. Bumbum da política. Opera na semiclandestinidade, carrega seu estoque tóxico de fisiologismo para inocular nos aliados de ocasião. E está pronto para sair de cena tão logo algo dê errado na coligação siliconada.

Se o tucano —mesmo com um bom naco de TV— não crescer, o PR e alguns associados vão escapar do flagrante e atuar noutra frente.

Dora Kramer: Largados e pelados

- Veja

Bem nas fotos das pesquisas, Ciro e Bolsonaro perdem para Alckmin no quesito confiança

A retomada da temporada eleitoral pós-Copa já acontece em ritmo de fatos relevantes. Dois, nesta semana: a adesão dos partidos do chamado centrão ao tucano Geraldo Alckmin e o isolamento de Jair Bolsonaro e Ciro Gomes no quesito alianças eleitorais. Certo de que conquistaria aliados à direita, Ciro flexibilizou posições, amenizou o discurso, mas não evitou levar uma rasteira de última hora. Por dois motivos: a mania de insultar a tudo e a todos e a ausência de firmeza ideológica, fatores que suscitam desconfiança.

Bolsonaro tem sofrido repetidas recusas de candidatos a vice na chapa de uma forma particularmente humilhante, pois as recusas ocorreram depois de anunciados os nomes pretendidos pelo deputado. Ciro e Bolsonaro reagiram na base do desprezo pelas uvas verdes, fazendo de conta que não se abalaram. Ambos menosprezaram o fator aliança. Da boca para fora.

Realmente, a adesão de partidos não garante eleitores, mas assegura tempo de televisão. Para quem dispõe, como os dois, de apenas parcos segundos cada um, a conquista de tempo no horário eleitoral não é algo de que possam abrir mão sem prejuízo.

Enquanto isso, Alckmin já contabiliza 38% do horário. Não garante votos, mas transmite confiança, dá notícia de que os partidos estão botando fé no crescimento da candidatura. Em quadro de indefinição total isso conta. E bastante.

Ricardo Noblat: PT inventou Temer presidente e quer jogá-lo no colo de Alckmin

- Blog do Noblat

Mais uma narrativa sai do forno

O PT acha que encontrou a receita para sepultar de vez a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin (PSDB) que acaba de ser resgatada do mundo dos mortos com a adesão de cinco dos mais fisiológicos partidos agrupados sob a sigla de Centrão.

Depois de tratar como golpe o impeachment de Dilma, de perguntar cadê a prova contra Lula, de dizer que eleição sem ele é fraude, e de mesmo assim estar disposto a disputá-la, o PT tentará carimbar Alckmim como o candidato de Temer e do mau governo que ele faz.

Dará certo? É claro que não. Mas não custa experimentar. Na política, o que vale é a versão do fato, não o fato em si. Ou como prefere o PT, a narrativa que se construa a respeito de qualquer coisa. Se colar, colou. Do contrário, providencie-se outra.

A lógica infantil do PT é a seguinte: o Centrão que apoiou Temer desde a queda de Dilma é o mesmo Centrão que apoiará Alckmin. O PSDB de Alckmin apoiou Temer. Logo, Alckmin é o candidato de Temer. E, se eleito, governará como Temer governa. Ora, ora, ora…

Lula governou no seu primeiro mandato com parte do Centrão que agora se alia a Alckmin. Deixou de fora o PMDB de Temer. Para no segundo mandato pô-lo para dentro. O Centrão governou com Dilma duas vezes. Abandonou-a quando não viu mais futuro.

Foi o PT que inventou Temer para candidato a vice de Dilma em 2010. Tornou a inventar em 2014. E até às vésperas do impeachment exaltou-o como um parceiro confiável. Dilma chegou a entregar a coordenação política do governo a Temer.

Tudo o que o PT poderia dizer agora é que a adesão do Centrão à candidatura de Alckmin foi engendrada para que em nome da mudança pouco se mude caso ele vença. Mas não foi o que ocorreu no período de quase 14 anos de quatro governos do PT?

O PMDB de Temer e ele próprio têm um candidato. Chama-se Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no primeiro governo Lula, por Lula sugerido a Dilma como candidato a vice, e mais tarde por Lula indicado a Dilma para ministro da Fazenda.

A espúria negociação de uma aliança: Editorial | O Globo

O candidato Geraldo Alckmin ganhou a corrida para obter apoio do centrão, mas precisa revelar o que foi negociado e não pode ter medo de ir contra a demagogia

Se o anunciado acordo entre o dito centrão e Geraldo Alckmin for confirmado no decorrer da semana, a candidatura do tucano ganhará forte impulso medido em tempo de propaganda eleitoral. Liderará o ranking de exposição na TV, com no mínimo 4 minutos e 46 segundos, 38% do total do horário político.

Isso porque Alckmin contará com as cotas, além do PSDB, do DEM, do PP, do PR, do PRB e do SD. Terá feito o maior lance de um candidato antes do período de convenções, que começou ontem. Reforça-se a imagem de Alckmin como eficiente político à antiga, da conversa ao pé do ouvido, expertise desenvolvida no interior de São Paulo, onde se lançou no ramo em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, até governar o estado por quatro vezes: ao finalizar o mandato de Mário Covas, de quem era vice, e mais três gestões.

Como o momento é de baixo nível ético na política brasileira, as legendas que compõem o centrão usam conhecidas moedas de troca nessas negociações: cargos e acesso ao dinheiro público. O PP tem extensa experiência neste balcão de negócios, bem como o PR, virtual “dono” do Ministério dos Transportes, desde o primeiro governo Lula, a partir de 2003. Enquanto Paulinho da Força, do Solidariedade (SD), até já teria conseguido algum compromisso de Alckmin de, no Planalto, encontrar nova fonte de financiamento sindical, para substituir o imposto revogado pela reforma trabalhista. Pode-se entender que a origem do dinheiro, como sempre nessas circunstâncias, será o Tesouro, sustentado pelo contribuinte.

É natural que se argumente que este é o padrão da política brasileira, e que não há outra maneira de se chegar ao poder. Argumento forte, mas o último que aceitou sujar as mãos nessas barganhas está preso em Curitiba, enquanto seu partido, o PT, se esforça para viabilizar sua impossível candidatura.

Se Alckmin seguir a trilha dessas barganhas, será necessário que o eleitor saiba o que foi negociado. Tanto quanto isso, suas propostas de governo precisarão ser claras, e terá de recusar ideias de aliados que não façam sentido no seu programa. E sem transigir na ética.

O estilo de fazer política ajuda Alckmin nesta costura, mas devem ter contribuído, também, na decisão do centrão de se afastar de Ciro Gomes e optar pelo ex-governador paulista, as posições do candidato do PDT contra a associação Embraer/ Boeing, leilões do pré-sal e a reforma trabalhista. Além de clássicas demonstrações de destempero do ex-ministro e ex-governador do Ceará.

A princípio, o cobiçado espaço do centro passa a ter um forte aspirante a ocupá-lo. Mas tudo depende do comportamento de Alckmin, que nem de longe pode ser o da campanha que disputou (2006, contra Lula), em que ficou receoso de ir contra a demagogia. Ao contrário, aderiu.

O peso do centrão: Editorial | Folha de S. Paulo

Apoio esperado de partidos fisiológicos dará alento à candidatura de Geraldo Alckmin

Poucas vezes se viu uma sucessão presidencial tão cercada de indefinições como as que têm caracterizado o atual momento. A desagregação partidária e o desgaste de lideranças imprimem, sem dúvida, elevado grau de incerteza à campanha que se aproxima.

Ao menos num ponto, todavia, os entendimentos com vistas ao pleito de outubro parecem acomodar-se num leito já conhecido.

Depois de uma fase de oscilações e desencontros, o chamado centrão prepara-se para anunciar seu apoio ao pré-candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin.

Os comandos de DEM, PP, PR, Solidariedade e PRB abandonam, assim, as perspectivas de um acordo com Ciro Gomes (PDT) ou com Jair Bolsonaro (PSL), em favor de um nome que, embora menos favorecido pelas atuais pesquisas de opinião, há de ser-lhes mais confiável.

Não foi diverso, para começar, o esquema que deu sustentação ao governo Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990.

Se o paralelo parece distante no tempo, é inegável que, do ponto de vista programático, persistem as afinidades entre um partido de perfil mais liberal e reformista, como o PSDB, e a colcha de retalhos fisiológica e conservadora que se costura à sua volta.

A aliança em formação tende a fazer mais sentido, com efeito, do que a conjunção resultante de um apoio a Ciro Gomes, cuja confusa mensagem eleitoral envereda pelo campo da esquerda, ou com o direitismo simplório de Bolsonaro.

Não que amálgamas desse tipo sejam impossíveis. Com exceção do DEM, as siglas do centrão deram longo respaldo a governos petistas, cabendo ao pragmatismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvaviabilizar suas demandas enquanto mantinha acesas as esperanças e ilusões da militância.

Tal arranjo desaguou, como se sabe, em escândalos detectados em escala inédita nos episódios do mensalão e da Lava Jato —e, mais à frente, em rompimento com a gestão econômica e politicamente inepta de Dilma Rousseff.

Se confirmado, o acordo constituirá a melhor notícia para PSDB e Geraldo Alckmin desde o início da corrida presidencial. Seu tempo de propaganda na TV crescerá de modo expressivo —os números exatos dependem da quantidade de postulantes— e sua campanha ganhará maior enraizamento nos cenários regionais.

O preço desse acordo, em termos eleitorais, já está de certa forma contabilizado. O ex-governador paulista não poderá se apresentar como um renovador dos costumes políticos ou um paladino da ruptura institucional —imagem que nunca foi sua.

Seu desafio, nesse sentido, é o que acompanha toda a política brasileira: desvencilhar-se do lastro de atraso de um grupo de legendas cujo apoio nenhum governo, afinal, tem conseguido dispensar.

A militância partidária: Editorial | O Estado de S. Paulo

A política depende dos partidos. Não há democracia sem uma vida partidária vibrante

Ainda que os partidos políticos constituam uma realidade fundamental para a democracia representativa, raramente eles são objeto de estudo detalhado. A vida interna das agremiações é pouco conhecida, o que dá margem a juízos precipitados, quase sempre negativos, sobre as legendas. Com o objetivo de reverter esse quadro, o Departamento de Ciência Política da Unicamp tem conduzido o projeto temático “Organização e funcionamento da política representativa no Estado de São Paulo (1994 e 2014)”, cujos primeiros resultados jogam luzes sobre a militância partidária, conforme noticia recente edição da revista Pesquisa Fapesp.

Circunscrita ao Estado de São Paulo, a pesquisa contou com a participação de 445 filiados dos dez principais partidos nacionais – DEM, MDB, PDT, PP, PPS, PR, PSB, PSDB, PT e PTB –, que reúnem cerca de 80% da militância no País. “Trata-se da primeira pesquisa, de natureza acadêmica, no País, que ouviu diretamente integrantes de partidos políticos”, diz Rachel Meneguello, professora titular da Unicamp e responsável pelo projeto.

Ao traçar um perfil do filiado político, o estudo revelou que, em geral, ele é mais velho, mais escolarizado e com uma renda superior à média nacional. Por exemplo, 59,3% dos filiados têm alguma formação superior. Outro dado que se destaca é a proporção de funcionários públicos na militância partidária: 58,9% dos filiados no Estado de São Paulo provêm do funcionalismo público. Segundo o pesquisador Oswaldo Amaral, da Unicamp, o alto porcentual pode ser reflexo da importância atual dos recursos estatais para as legendas. “Cada vez mais os partidos dependem de recursos estatais. Tanto para campanhas e eleições quanto para fazer suas máquinas funcionarem. Os políticos indicam para suas assessorias e cargos de confiança pessoas ligadas aos próprios partidos”, afirma Amaral.

De toda forma, a desproporção com a realidade social é significativa. Apenas 12% dos trabalhadores são funcionários públicos, mas sua participação nos principais partidos quase chega a 60%. O dado talvez ajude a entender a força da pressão política das corporações públicas no Congresso.

Aliado nacionalmente, PSDB enfrenta centrão nos estados

Apoio do bloco ao partido de Alckmin ainda tem que acertar ponteiros regionais

Daniel Carvalho , Marina Dias e João Pedro Pitombo | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA E SALVADOR -Para consolidar a aliança nacional em torno de Geraldo Alckmin na eleição, PSDB e centrão —grupo formado por DEM, PR, PP, SD e PRB— terão que acertar os ponteiros nos estados. Também será preciso evitar que parte do grupo desgarre, como já ameaça fazer o deputado Paulinho da Força (SP), do Solidariedade.

O PSDB enfrenta diretamente partidos do bloco em ao menos nove estados —número que deve mudar até 5 de agosto, fim das convenções partidárias.

Uma das principais preocupações é Minas, onde Antonio Anastasia (PSDB) e Rodrigo Pacheco (DEM) pretendem disputar o governo. Tucanos querem oferecer a Pacheco a vaga do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que, após o desgaste provocado pela Lava Jato, vem sendo pressionado a não tentar se reeleger.

A possibilidade de desistência é considerada na cúpula do DEM, mas não é vista com simpatia por Pacheco. "Tive a garantia por parte da direção nacional de que estarei liberado aqui para a aliança que acharmos devida", disse.

Apesar de o DEM cogitar também abrir mão de disputar o governo de Santa Catarina e anunciar João Paulo Kleinübing como vice de Esperidião Amin (PP), ainda há a pré-candidatura de Paulo Bauer (PSDB).

Em 14 estados, a nova aliança nacional também vai ter que lidar com embates entre candidatos de diferentes partidos apoiados por tucanos ou integrantes do centrão.

É o caso, por exemplo, de São Paulo, onde João Doria (PSDB) tem apoio de DEM, PP, PSD e PRB, mas enfrenta Márcio França (PSB), que conta com o PR.

Acordo com centrão não é regra nos estados

PSDB e partidos do bloco serão adversários pelo menos em Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Sergipe

Gustavo Schmitt e Silvia Amorim | O Globo

-SÃO PAULO- O apoio do centrão ao presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) não conseguirá impedir que tucanos e partidos do bloco sejam adversários em, pelo menos, quatro estados nas eleições para governador. São consideradas improváveis as chances de composição entre PSDB e partidos como DEM e PP em Goiás, Mato Grosso, Sergipe e Rio Grande do Sul.

Uma liderança do DEM referiu-se ontem à disputa goiana como “a terceira guerra mundial” ao descartar qualquer possibilidade de um acordo para uma candidatura única do centrão e do PSDB no estado. O pré-candidato ao governo pelo DEM é o senador Ronaldo Caiado, que enfrentará o pré-candidato tucano, Zé Eliton, afilhado do ex-governador Marconi Perilo (PSDB). Caiado e Perilo são adversários políticos de longa data. Zé Eliton chegou a ser advogado do pré-candidato do DEM no passado, mas acabou se aliando ao tucano.

No Mato Grosso, o ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes, pré-candidato do DEM ao governo estadual, descartou qualquer chance de composição com o governador Pedro Taques (PSDB), que tenta a reeleição.

— Aliança nacional é uma coisa; estadual é outra. Cada um no seu quadrado — afirma Mendes, que enfrenta uma disputa acirrada com Taques.

Temer e Valdemar influenciaram apoio a Alckmin

‘Destemperos’ de Ciro Gomes também contribuíram para decisão do centrão

Cristiane Jungblut | O Globo

-BRASÍLIA- A entrada do mensaleiro Valdemar Costa Neto, que controla o PR, nas negociações, a atuação do próprio presidente Michel Temer e os destemperos do candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, são apontados por dirigentes do centrão (DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade) como fatores decisivos para que os caciques do grupo optassem pela aliança com o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

O acordo foi fechado na quinta-feira e já tem data para ser anunciado: no próximo dia 26. Temer disse a integrantes do centrão que Ciro não era confiável, e que os partidos que também integram seu governo não poderiam aceitar fazer campanha para quem o critica de forma voraz. O mesmo discurso foi usado por Valdemar nos encontros do centrão, dando fôlego aos aliados de Alckmin que sempre apontaram a instabilidade do pedetista como fator negativo para fechar uma aliança.

E, na quinta-feira, Temer se encontrou com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e ainda com o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Na conversa com Ciro Nogueira, o presidente reiterou as preocupações a respeito de Ciro, que o chamou de “quadrilheiro”. Temer lembrou que o pedetista chamou os partidos do seu governo de “picaretas” e destacou que não era possível ser do governo e apoiar um candidato com essa postura. Temer preferia que o grupo estivesse com o MDB, que tem Henrique Meirelles como pré-candidato, mas sabe que isso não seria possível. Os partidos evitam se atrelar a Temer, devido à sua impopularidade.

Alckmin exclui de acordo rever reforma trabalhista

Tucano descarta a possibilidade de o acerto com o centrão incluir a revisão do fim do imposto sindical; Solidariedade, comandado por Paulinho da Força, ainda insiste

Felipe Frazão e Renan Truffi | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Um dia após acertar uma aliança com partidos do centrão, o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, descartou a possibilidade de o acordo eleitoral incluir a revisão de pontos da reforma trabalhista. A posição levou o Solidariedade a ameaçar a sair do bloco e voltar a apoiar Ciro Gomes (PDT). Ligado às centrais sindicais, o Solidariedade quer a volta do imposto sindical.

Nesta sexta-feira, 20, porém, Alckmin foi categórico: “Não vamos revogar nenhum dos principais pontos da reforma trabalhista. Não há plano de trazer de volta a contribuição sindical”, escreveu em uma rede social.

O centrão é formado também por DEM, PP, PR e PRB. Majoritariamente pró-Ciro Gomes, o Solidariedade queria que, no acordo com Alckmin, fosse discutida, com apoio das demais legendas, uma alternativa ao desconto obrigatório de um dia de trabalho dos empregados – extinto durante a reforma aprovada há pouco mais de um ano no Congresso.
O partido defende a chamada contribuição negociada, facultativa às convenções trabalhistas de categorias que aceitassem financiar os sindicatos.

A mensagem de Alckmin irritou a direção da Força Sindical, central que está na base da fundação do Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (SP).

“Do jeito que ele (Alckmin) falou, ficou mal. Não vai colocar nada no lugar (do imposto sindical)? Conversamos com o Paulinho hoje para não fechar nada com ele por enquanto. Essa informação prejudica mais ainda. Parece que o homem não entende o que se quer discutir”, disse o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna. “Isso é muito pouco. A questão para nós é o que ele vai fazer com a reforma da Previdência, com a reforma trabalhista. Não é só passar um mel na nossa boca.”

Os sindicalistas pressionaram Paulinho a manter conversas com outras siglas. Na quinta-feira, 19, na residência oficial da Câmara, ele chegara a dizer que “estava fora” do bloco se não fosse atendido. Paulinho telefonou nesta sexta-feira para líderes do PCdoB e do PSBpara saber o rumo que tomariam – se marchariam ou não com Ciro. Ouviu de representantes da legenda comunista que a hipótese será discutida no fim de semana. “Existe chance ainda de ter uma frente com Ciro, PCdoB, PSB e PDT”, disse Juruna. Paulinho não respondeu à reportagem.

Em conversas reservadas, integrantes da cúpula do partido avaliam que Alckmin acabará sendo o candidato do presidente Michel Temer e, portanto, “difícil de carregar” na campanha. Para o Solidariedade, Temer esvaziou a candidatura de Henrique Meirelles(MDB) ao atuar pessoalmente para que o Centrão não apoiasse Ciro, jogando todos no “colo” de Alckmin.

Garantia. O acerto do centrão com Alckmin passou pela garantia de que os partidos aliados terão fatias em um futuro governo e autonomia para manter o comando da Câmara e tentar tirar do MDB o controle do Senado. Embora os dirigentes do bloco neguem a cobrança por cargos, as demandas das siglas são conhecidas e tratadas como “óbvias” pela cúpula do PSDB. Um coordenador da campanha de Alckmin disse, reservadamente, que cada partido quer, no mínimo, manter o espaço atual no governo Temer.

Lançamento de chapa de Doria vira ato de apoio do Centrão a Alckmin

Dirigentes do bloco comparecem a evento e exaltam pré-candidatura tucana nas eleições de 2018; possível vice é elogiado

Marcelo Osakabe e Pedro Venceslau | O Estado de S.Paulo

Dirigentes do Centrão, bloco de partidos que negocia em conjunto o apoio na eleição presidencial, transformaram o evento de oficialização do deputado Rodrigo Garcia(DEM) como vice do ex-prefeito paulistano João Doria (PSDB), na disputa ao governo de São Paulo, num ato de apoio ao pré-candidato tucano à Presidência da República nas eleições de 2018, Geraldo Alckmin.

Estiveram presentes o presidente nacional do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto, e o deputado e ex-ministro Mendonça Filho (DEM-PE); o presidente do PRB, Marcos Pereira, o ministro das Comunicações Gilberto Kassab, presidente do PSD, e o deputado federal Guilherme Mussi, dirigente do PP em SP, além de outras lideranças do Centrão.

"Estivemos ao lado do PSDB desde o governo FHC para obter conquistas que perduram até hoje. Hoje estamos mais uma vez ao lado do PSDB, não apenas para desenhar o futuro de São Paulo, mas quem sabe o futuro do nosso Brasil", disse ACM Neto, que sentou ao lado do governador, o que não era esperado inicialmente. "Na próxima semana vamos anunciar o caminho do Centrão. Temos tido conversas produtivas e promissoras com Alckmin. O que sei é que o Estado de São Paulo vai liderar a construção do futuro ao lado de todos nós", emendou.

'Tempo de TV sinaliza ao eleitor qual candidato é mais competitivo'

Entrevista com Hilton Cesário Fernandes, cientista político da Fundação Escola de Sociologia e Política (Fesp)

Para analista, extensão do programa eleitoral ainda é variável mais importante nas eleições de 2018 em virtude do alcance da TV em todo o País

Luiz Raatz | O Estado de S.Paulo

A adesão em bloco do Centrão, formado por DEM, PP, PR, Solidariedade e PRB, à pré-candidatura de Geraldo Alckmin, do PSDB, à presidência nas eleições de 2018 deve aumentar sensivelmente o tempo de TV do tucano, o que, tem tese, deve ajudá-lo na corrida, apesar de seus números ainda tímidos nas pesquisas de intenção de voto.

Para o analista Hilton Cesário Fernandes, cientista político da Fundação Escola de Sociologia e Política (Fesp), a o tempo de TV ainda é a variável mais importante na campanha eleitoral. "O tempo de TV passa para o eleitor uma mensagem de que aquele candidato é competitivo ou não", disse ele ao Estado. A seguir, trechos da entrevista:

• Existe uma correlação entre tempo de TV e resultado eleitoral nas eleições majoritárias?

Sim. O tempo de TV ainda é a variável mais importante de uma campanha eleitoral. A TV é o meio de comunicação mais poderoso no Brasil, com uma penetração de quase 100% dos domicílios e ainda é a ferramenta mais usada para as campanhas eleitorais. O fato de os partidos terem diferentes tempos de TV acaba influenciando muito este momento de negociações de coligações justamente por causa disso. O tempo de TV é um ativo importante.

• O advento das redes sociais, principalmente aplicativos de troca de mensagens, como o WhatsApp, pode influenciar essa tendência de alguma maneira?

A TV não vai deixar de ser importante e provavelmente vai continuar sendo o meio de comunicação mais importante durante um tempo. Mas neste ano, a presença das redes sociais deve ter mais força, especialmente os aplicativos de mensagem. As informações podem ser espalhadas com muita velocidade e podem ser complementadas no caminho com opiniões (dos eleitores). Este ano a gente acredita deve ter uma influência talvez não diretamente no resultado, mas sim nos ataques aos candidatos.

• No que o tempo maior de TV pode ajudar um candidato como o Alckmin, que já é conhecido do eleitor, mas tem números tímidos nas pesquisas?

Um dos fatores no caso de uma disputa para cargo majoritário é que o tempo de TV passa para o eleitor uma mensagem de que aquele candidato é competitivo ou não. Quem tem pouco tempo de TV passa a impressão de ser pouco competitivo. Então quando começa o horário eleitoral os eleitores percebem o tempo de TV como um grau de influência do candidato: quem tem mais tempo é mais influente e tem mais poder. E isso mesmo de uma forma subjetiva é um indicativo de competitividade do candidato.

• Então isso em tese poderia prejudicar um candidato sem muitas alianças, como é o caso do Bolsonaro, por exemplo?

Exatamente. Quando ele começar a aparecer com pouco tempo de TV, na comparação pode parecer que ele ficou mais isolado. Mas isso não é uma fórmula exata. Às vezes o candidato tem muito tempo de TV, mas a imagem negativa é muito forte.

• O peso da TV numa campanha com menor volume de recursos investidos deve diminuir?

Acho que continua o mesmo, porque apesar de diminuir muito a produção, isso vai acontecer por igual para os candidatos. Não haverá uma diferença no peso da TV. O principal não será a mudança nas regras, mas sim as redes sociais.

Míriam Leitão: Sombras do centrão

- O Globo

O apoio dos partidos do chamado centrão pode ser tanto a salvação quanto uma fonte de problemas para o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. O ex-governador de São Paulo ganhará fôlego em sua campanha, principalmente pelo aumento do tempo de televisão, mas também dará um abraço no inimigo: DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade têm estado por trás de várias das pautas-bomba que aumentam gastos no Congresso. O mercado financeiro comemorou com alta nas bolsas e queda do dólar. Mas há quem pregue cautela.

O economista Nathan Blanche, da Tendências Consultoria e especialista em câmbio, diz que o fortalecimento da candidatura de Alckmin diminui o risco de eleição de um candidato populista em outubro, seja de esquerda, seja de direita. Por isso, a reação dos mercados foi positiva. Mesmo assim, ele avalia que o momento ainda é de reflexão porque esses partidos estão envoltos em denúncias de corrupção e tem atuado de forma ambígua em relação ao ajuste fiscal.

— Não é hora de oba-oba. O acordo é importante, mas a sombra da Lava-Jato permanece sobre esses partidos, e todo mundo sabe que o nosso presidencialismo de coalizão funciona na base do “toma lá dá cá". Há corporações organizadas que vão querer algo em troca. Isso pode ir contra o ajuste fiscal — explica.

Adriana Fernandes: Programa do Centrão

- O Estado de S.Paulo

Difícil é saber a essa altura qual presidenciável terá coragem de expor sua plataforma econômica

O apoio dos partidos do Centrão (DEM, PP, PR, PRB e SD) à candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) passou ao largo de uma negociação programática em torno das diretrizes de política econômica para o próximo governo. Foi, na verdade, uma grande desculpa.

Embora gritante, a incompatibilidade do programa econômico foi a cortina de fumaça do Centrão para se afastar das negociações com o candidato do PDT, Ciro Gomes, à Presidência, patrocinada por Rodrigo Maia, presidente da Câmara.

O programa de fundo é o de sempre: vamos ter espaço ou não no próximo governo? Tempo de televisão, alianças regionais, protagonismo nas mesas diretoras da Câmara e do Senado em 2019 e cargos estão no centro da negociação, ainda cheia de incertezas diante da reação dos políticos dos dois lados prejudicados nos seus redutos pela aliança nacional.

Alckmin já está, inclusive, sendo atacado por aliados que tiveram a vida complicada pelo acordo.

Dos cinco partidos do Centrão, talvez o DEM fosse o com maior dificuldade em enquadrar sua plataforma liberal ao programa econômico de Ciro. Para os parlamentares do restante dos partidos, ajustando vai. A maior parte deles estava nos governos petistas.

Adriana Calcanhotto - Mentiras

Charles Baudelaire: Hino à beleza

Vens do fundo do céu ou do abismo, ó sublime
Beleza? Teu olhar, que é divino e infernal,
Verte confusamente o benefício e o crime,
E por isso se diz que do vinho és rival.

Em teus olhos reténs uma aurora e um ocaso;
Tens mais perfumes que uma noite tempestuosa;
Teus beijos são um filtro e tua boca um vaso
Que tornam fraco o herói e a criança corajosa.

Sobes do abismo negro ou despencas de um astro?
O Destino servil te segue como um cão;
Semeias a desgraça e o prazer no teu rastro;
Governas tudo e vais sem dar satisfação.

Calcando mortos vais, Beleza, entre remoques;
No teu tesoiro o Horror é uma jóia atraente,
E o Assassínio, entre os teus mais preciosos berloques,
Sobre o teu volume real dança amorosamente.

A mariposa voando ao teu encontro ó vela,
"Bendito este clarão!" diz antes que sucumba.
O namorado arfante enleando a sua bela
Parece um moribundo acariciando a tumba.

Que tu venhas do céu ou do inferno, que importa,
Beleza! monstro horrendo e ingênuo! se de ti
Vêm o olhar, o sorriso, os pés, que abrem a porta
De um Infinito que amo e jamais conheci?
De Satã ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,
Se és capaz de tornar, - fada aos olhos leves,
Ritmo, perfume, luz! - a vida menos feia,
Menos triste o universo e os instantes mais breves?

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Opinião do dia: Roberto Freire

A democracia é um valor universal. Algo que tem que ser sempre reafirmado. Porque vemos ai forças políticas entre nós se organizando para disputar a eleição e não possuem nenhum compromisso com isso [a democracia]. Ao contrário. São defensores com sinais trocados. Forças políticas à esquerda e à direita com o lulopetismo e o bolsonarismo. Ambos defensores de ditaduras. Seja o saudosismo bolsonarista da ditadura militar brasileira, seja o PT e outras forças bolivarianas, na defesa de Maduro e na ditadura, hoje sanguinária, de Ortega.

Importante porque de qualquer forma na eleição terá a presença significativa [na chapa de Alckmim] de partido tradicionais. Como a legislação determina tempo de televisão, em função dos partidos, tem que se buscar essa aliança, mas não apenas do ponto de vista da contribuição para a campanha de Alckmim. É necessário também debater um programa mínimo comum. Pra poder dizer à sociedade o que é que essas forças políticas unidas propõe para o País. Não tenho dúvida que a base primária é a defesa intransigente da democracia. Essa aliança tem que dar claras garantias que é uma força política vocacionada para a vitória.
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Roberto Freire é presidente nacional do PPS

Centrão encerra conversas com Ciro e fecha com Alckmin

Na véspera da convenção que vai oficializar a candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência, o Centrão mudou de lado e decidiu fazer aliança com Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB. A reviravolta aconteceu depois que o PR se juntou ao bloco, formado por DEM, PP, Solidariedade e PRB. Chefe do PR, Valdemar Costa Neto exigiu que o vice na chapa seja Josué Gomes da Silva (PR-MG), filho do ex-vice-presidente José Alencar. Dirigentes do Centrão disseram a Alckmin que o acordo poderá ser anunciado na quinta-feira. A mudança do bloco, que estava inclinado a apoiar Ciro, foi resultado de diversos fatores políticos, entre eles pressões do Planalto. O peso maior, porém, é atribuído à decisão de Valdemar. Juntas, as siglas do Centrão têm cerca de 5 minutos por dia no horário eleitoral. A partir de hoje, os partidos fazem suas convenções para definição de candidaturas. O prazo final é 5 de agosto.

Centrão se afasta de Ciro e fecha apoio a Alckmin

Apoio ao pré-candidato do PSDB foi definido após o PR acertar que indicará o vice

Felipe Frazão Vera Rosa / O Estado de S. Paulo.

BRASÍLIA - Na véspera da convenção que vai oficializar a candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência, o Centrão mudou de lado e decidiu fechar aliança com o ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB. A reviravolta de última hora, isolando Ciro, ocorreu depois que o PR, chefiado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, se juntou ao bloco formado por DEM, PP, Solidariedade e PRB.

Em reunião realizada ontem, em São Paulo, dirigentes do Centrão disseram a Alckmin que, se não houver nenhum obstáculo no meio do caminho, o acordo será anunciado oficialmente no dia 26. O candidato a vice na chapa do tucano será o empresário Josué Gomes da Silva (PR), filho do ex-vice-presidente José Alencar, morto em 2011.

No mercado eleitoral, o apoio do Centrão é visto como muito importante na disputa pelo Palácio do Planalto. Juntos, os partidos têm no mínimo 4 minutos e 12 segundos por dia no horário eleitoral de rádio e TV, que começa em 31 de agosto. O PR dispõe de mais preciosos 45 segundos. Na Câmara, esses partidos abrigam uma bancada de 164 deputados, dos atuais 513.

A mudança do bloco, que até os últimos dias estava inclinado a avalizar a candidatura de Ciro, foi resultado da soma de fatores políticos. O peso maior, porém, é atribuído a Valdemar, que atuou como uma espécie de fiel da balança no bloco e exigiu uma composição com Josué de vice.

Alckmin cancelou compromissos em Montes Claros (MG), ao lado do senador Antonio Anastasia – pré-candidato do PSDB ao governo de Minas – para conversar ontem com representantes do Centrão. Diante da resistência do Solidariedade à aliança com Alckmin, o ex-governador se comprometeu a avaliar uma forma de compensar o fim do imposto sindical. “Vamos governar juntos. Ninguém faz política sozinho”, disse ele.

Ciro faz aceno à esquerda após negociação frustrada com o Centrão

‘Não sou o dono da verdade, cometo erros’ afirma presidenciável do PDT; Lupi minimiza perda da aliança

Renan Truffi e Gilberto Amendola | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, “reconheceu” nesta quinta-feira, 19, na véspera da convenção para oficializar sua candidatura, que “comete alguns erros”, e voltou a fazer um aceno aos partidos de esquerda nas eleições 2018. A afirmação foi feita antes de o Centrão fechar acordo com o tucano Geraldo Alckmin, mas quando já havia sinalização de que o grupo estava se distanciando de Ciro.

“Preciso sinalizar a todos os brasileiros de boa-fé que não sou o dono da verdade, eu cometo erros. Não me custa nada reconhecer isso, mas nenhum deles foi por deserção”, disse. “Quem quiser, quem puder me ajudar, será muito bem-vindo, mas saibam daquela porta para fora que este governo que eu liderar servirá aos mais pobres e trabalhadores”, complementou.

Até o início da semana, Ciro tinha a preferência de pelo menos dois presidentes dos partidos do bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade. Porém, recentes declarações polêmicas de Ciro, principalmente na área econômica, provocaram desgaste e receio nos partidos, como um xingamento a uma promotora de Justiça, na ação movida por injúria racial em declaração crítica ao vereador paulistano Fernando Holiday, do DEM. Além disso, há resistência a propostas econômicas do pedetista.

Logo depois, já com o apoio definido do Centrão a Alckmin, o presidente do PDT, Carlos Lupi, minimizou a “perda” da aliança. “Qual o prejuízo de se ter aquilo que não se tinha? Se eu não tinha, que prejuízo tive?”. Ao ser questionado se não tiraram o doce da boca da criança, ele respondeu: “Esse doce poderia estar estragado”.

As declarações de Ciro foram dadas na sede do PDT, em Brasília, depois que ele recebeu documento assinado por diversas centrais sindicais, com propostas para seu programa de governo. Depois, o presidenciável se reuniu com um grupo do PDT Mulher.

Centrão decide dar apoio a Alckmin na eleição presidencial

Centrão desiste de Ciro Gomes, apoia Alckmin e dá fôlego eleitoral a tucano

Cúpulas de DEM, PP, PR, SD e PRB levarão acordo para diretórios estaduais antes de anúncio oficial

Thais Bilenky , Daniel Carvalho , Marina Dias e Bruno Boghossian | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Após longo tempo de indefinição, a cúpula do centrão finalmente decidiu nesta quinta-feira (19) que vai apoiar Geraldo Alckmin (PSDB), isolando Ciro Gomes (PDT) na disputa pela Presidência da República.

O anúncio oficial do acordo, antecipado pela Folha, só deve ocorrer na próxima quinta (26). Até lá, os comandos de DEM, PP, PR, SD e PRB vão informar as instâncias inferiores de seus partidos e resolver questões de alianças nos estados.

Apesar do poder que têm sobre suas legendas, os líderes têm que contornar divergências internas provocadas, principalmente, por acordos regionais.

Com o apoio do centrão, Alckmin, que tinha sozinho 1 minuto e 18 segundos na propaganda eleitoral na TV (em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos), somará 4 minutos e meio, quase 40% de toda a fatia da disputa. Adversário histórico do PSDB, o PT, que ainda não fechou nenhuma aliança, tem 1 minuto e 34 segundos.

Logo após se reunirem na residência oficial da presidência da Câmara, representantes do bloco viajaram a São Paulo para encontrar Alckmin.

Participaram do encontro ACM Neto, Rodrigo Maia (ambos do DEM), Marcos Pereira (PRB), Paulinho (SD), Agnaldo Ribeiro (PP) e Luis Tibé (Avante). O PR não mandou representante, mas avalizou o acordo.

Segundo a Folha apurou com participantes da reunião, o presidenciável se comprometeu, se eleito, a avaliar com o Congresso uma alternativa de financiamento para os sindicatos, que ficaram sem dinheiro após o fim do imposto sindical.

Outro compromisso do tucano foi apoiar a candidatura de Eduardo Paes (DEM) ao governo do Rio de Janeiro.

Centrão fecha acordo para apoiar Alckmin

Com pacto, tucano alcança ao menos 4 minutos e 46 segundos na TV

DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade levaram pauta de reivindicações ao encontro em São Paulo, como condição para formalizar aliança. Anúncio oficial será feito semana que vem

O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, fechou ontem acordo em torno de sua candidatura com o centrão, que reúne DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade. Com o apoio desse bloco e as alianças com PTB e PSD, o tucano chega a ao menos 4 minutos e 46 segundos, do total de 12 minutos e 30 segundos de propaganda eleitoral de rádio e TV dos candidatos ao Planalto. Por enquanto, com alianças indefinidas, nenhum outro candidato supera um minuto e meio de propaganda. Como condição para formalizar o apoio, o centrão levou uma pauta de reivindicações ao encontro, em São Paulo. Apesar da proximidade de PP e Solidariedade com a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT), a distribuição de cargos e verbas pesou na decisão de bandearse para Alckmin. Paulinho da Força levou ao presidenciável a exigência de compromisso para um novo modelo de financiamento de sindicatos, por conta do fim do imposto sindical. Já o PP, que resistia em razão de formação de palanque no Piauí, vai manter espaços importantes. O anúncio formal da aliança será feito na próxima semana.

Centrão fecha com Alckmin

Apoio do bloco de partidos garante a tucano o maior tempo de propaganda na TV e no rádio

Cristiane Jungblut, Bruno Góes, Silvia Amorime Gustavo Schmitt | O Globo

-BRASÍLIA E SÃO PAULO- Em encontro com o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, o centrão (DEM, PP, PR, PRB e SD) fechou ontem um acordo para apoiar o tucano à Presidência da República. Com essa decisão e as alianças com PTB e PSD, Alckmin terá, no mínimo, 4 minutos e 46 segundos dos 12 minutos e 30 segundos de propaganda de TV e rádio dos candidatos ao Planalto. Ainda com alianças indefinidas, nenhum outro candidato supera 1 minuto e meio de tempo de propaganda.

A soma do tempo de todos os partidos que apoiam Alckmin até superaria os 4 minutos e 46 segundos, mas, pela nova lei eleitoral, a distribuição do tempo de TV leva em consideração apenas os seis maiores partidos da aliança.

Dirigentes do centrão que estiveram reunidos com Alckmin saíram do encontro afirmando que a aliança com o tucano está consolidada. O anúncio formal será feito na próxima semana.

— Já está fechado — disse o presidente de um dos partidos.

Na reunião, o centrão levou uma pauta de reivindicações como condição para fechar uma aliança, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO. Dirigentes das siglas discutiram a possível formação de um governo e deixaram o encontro afirmando que, agora, apenas levarão a posição às instâncias regionais dos partidos para resolverem eventuais divergências nos palanques.

'Centrão' fecha com Alckmin, mas partidos vão referendar

Por Andrea Jubé, Carla Araújo, Raphael Di Cunto e Vandson Lima | Valor Econômico

BRASÍLIA - Após nova rodada de reuniões, ontem Geraldo Alckmin (PSDB) tornou-se praticamente o candidato do "Centrão" - bloco formado por PP, PR, DEM, PRB e SD - à Presidência da República. O acordo, entretanto, terá de ser aprovado dentro de cada um dos partidos, que ainda têm reivindicações "ideológicas" e regionais.

O Solidariedade, do deputado Paulo Pereira da Silva, o "Paulinho da Força", por exemplo, quer o compromisso com a volta do imposto sindical obrigatório. Uma questão que o secretário-geral do PSDB, deputado Marcus Pestana (MG), afirma ser uma "convicção" do partido. Ciro Gomes, pré-candidato do PDT, que disputa com Alckmin o apoio do bloco, já prometeu trabalhar por uma "contribuição assistencial" para manutenção dos sindicatos.

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o senador tucano Antonio Anastasia lidera a disputa pelo governo do Estado, mas o DEM se recusa a abrir mão da pré-candidatura do deputado Rodrigo Pacheco. Outro entrave no âmbito regional é que, no Piauí, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, candidato à reeleição, já fechou aliança com o PT.

No caso de acordo, o empresário Josué Gomes (PR), dono da Coteminas, deve ser indicado à vice-presidência.

Centrão fecha acordo com Alckmin e apresenta lista de reivindicações
Após a nova rodada de reuniões do Centrão, ontem, o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, tornou-se praticamente o candidato do grupo. Dirigentes do bloco estiveram com o tucano em São Paulo e manifestaram a preferência pelo seu nome.

Uma série de reinvidicações foram apresentadas pelo bloco, como a definição do palanque em Minas Gerais, por exemplo. O Solidariedade também quer o apoio à recriação do imposto sindical. O grupo formado por PP, PR, DEM, PRB e SD pretende formalizar a aliança no dia 26 de julho. De acordo com fontes próximas ao tucano, os partidos pediram tempo para realizar consultas internas e darem satisfação a Ciro Gomes (PDT), que também negociava com o bloco.

Três presidentes de partidos que integram o bloco afirmaram ao Valor que Alckmin é "favorito" e que obterá o apoio do grupo "se não errar". O compromisso de restabelecer o imposto sindical, extinto na reforma trabalhista do governo Michel Temer, pode ser um ponto de atrito. O secretário-geral do PSDB, deputado Marcus Pestana (MG), advertiu ao Valor que a extinção da taxa é uma "convicção" do PSDB, antecipando a dificuldade das tratativas neste ponto. Uma fonte que participou do encontro, contudo, sustenta que o assunto não chegou a ser tratado.

Outro impasse que será discutido nos próximos dias são as divergências com o PSDB quanto aos palanques regionais. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, o DEM não quer renunciar à pré-candidatura ao governo do deputado Rodrigo Pacheco. No Piauí, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, candidato à reeleição, já fechou aliança com o PT. Em Alagoas, o partido quer um palanque forte para que o senador Benedito Lira (AL) possa enfrentar Renan Calheiros (MDB) na tentativa de renovar o mandato. A sigla ainda quer o apoio tucano a Esperidião Amin para o governo de Santa Catarina, sacrificando a candidatura própria do PSDB.

Tucano atuou para tirar a aliança do dedo de adversários

Ex-governador paulista conversou à miúda com dirigentes partidários a fim de conseguir mais tempo na TV e chegar fortalecido à convenção

Flávio Freire | O Globo

SÃO PAULO - Embora tenha deixado de lado a formação de anestesista diplomado pela Universidade de Taubaté, Geraldo Alckmin parece ter costurado de forma cirúrgica o apoio que poderá garantir a ele o maior tempo de exposição de TV no horário eleitoral gratuito. Com forte aderência à política tradicional, o ex-governador trabalhou o tempo todo para justamente conseguir mais audiência dos eleitores.

Mas atuou do jeito dele. Fez conta, elaborou cálculos, e principalmente conversou à miúda com dirigentes partidários. Jantou com alguns deles no início de junho, quando ouviu que o grupo estava quase colocando a aliança no dedo de Ciro Gomes (PDT). A qualquer especulação de que os partidos do centrão avaliavam embarcar na candidatura do adversário, Alckmin evitava provocações de que sua candidatura faria água antes mesmo da convenção, marcada para 4 de agosto.

Observadores políticos temiam que ele chegasse à convenção de braços dados apenas com o PTB, este um apoiador de primeira hora. Só na semana passada o PSD de Gilberto Kassab informou que estaria ao lado do tucano. O PPS e o PV também formam o arco de alianças.

Mas nem só de ideologia, porém, vivia a dúvida do centrão para firmar apoio ao tucano. O bombardeio contra o PSDB em meio às investigações da Lava-Jato — que levantou suspeita sobre o cunhado do ex-governador e levou para a prisão um de seus ex-secretários —, ajudava a afastar até mesmo quem não escapou das denúncias. À frente do acordo com Alckmin, bom lembrar que partidos como SD, PR, PRB, DEM e PP também se defendem das acusações de desvio de dinheiro público.

As alianças, porém, eram apenas um dos problemas. Alckmin foi alvo, ao mesmo tempo, do chamado fogo amigo, numa artilharia pesada justificada pela sua performance anêmica nas pesquisas até agora, amargando entre 4% e 6% das intenções. O nome de João Doria subia à superfície ao mesmo tempo em que os correligionários falavam de um suposto naufrágio da campanha alckmista.

Ainda assim, o ex-governador parecia avaliar como erro de diagnóstico quem acreditava vê-lo numa ala de isolamento. Há cerca de um mês, ainda na reta inicial da pré-campanha, o tucano projetava o apoio de oito partidos. Dizia isso antes da Copa do Mundo, ao mesmo tempo em que as legendas navegavam conforme a conveniência da maré eleitoral.

Marina Silva investe em rede de voluntários para campanha de baixo orçamento

Movimento, que pode fazer frente à escassez de dinheiro, conta com 7.000 pessoas em todo o país

Angela Boldrini, Joelmir Tavares | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA E SÃO PAULO - Acostumada a definir suas tentativas de chegar à Presidência —além deste ano, em 2010 e 2014— como uma “luta de Davi contra Golias”, a pré-candidata da Rede, Marina Silva, aposta em 2018 numa “profissionalização” de sua rede de voluntários para tentar vencer a falta de recursos.

Em uma campanha de vacas magras para todos os candidatos, o partido da ex-senadora, que está em segundo lugar nas pesquisas (em cenários sem o ex-presidente Lula), terá uma soma escassa: do fundo eleitoral de R$ 1,7 bilhão, ficará com cerca de R$ 10 milhões.

Para Marina, serão reservados R$ 5 milhões, além do dinheiro de doações de pessoas físicas —na vaquinha online, até as 19h30 de quinta (19), elas somavam R$ 74 mil.

Para suprir a demanda de serviços e articular as ações da campanha, a coordenação montou o movimento Somos Marina, que hoje conta com cerca de 7.000 pessoas em diversas regiões do Brasil.

Em grupos de WhatsApp divididos pelo DDD e listas de transmissão, os voluntários recebem “missões” ou são separados em times para cumprir funções da campanha.

O estudante de engenharia de produção Lucas Valadares, 21, é parte do grupo de cerca de 40 voluntários que faz transcrições de vídeos.

“Acompanho o trabalho da Marina há quatro anos e sempre tive a vontade de contribuir em algo”, diz ele, que mora em São João del-Rei (MG).

Com apoio do Centrão, Alckmin terá mais da metade do tempo de TV

Ao todo, os dez partidos que estarão com o tucano somam mais de 62 minutos por dia na televisão e uma fatia de mais de R$ 854 mi do fundo eleitoral

Por Guilherme Venaglia | Veja

A decisão do bloco conhecido como Centrão de apoiar a pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República nas eleições de 2018 fará disparar o tempo de televisão do candidato. Somando os quinhões a que tem direito os dez partidos que devem participar da coligação, o tucano terá mais da metade das duas horas diárias dedicadas às candidaturas, somando-se os programas eleitorais e as muitas inserções ao longo do dia.

Dos 121 minutos previstos pela divisão estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que atende a critérios relacionados ao tamanho das bancadas no Congresso, nada menos do que 62 minutos e 22 segundos serão destinados aos partidos que comporão a aliança de Alckmin – pouco mais de 51% do tempo total.

A cada bloco do horário eleitoral destinado exclusivamente aos presidenciáveis, com 12 minutos e 30 segundos, cerca de 6 minutos e 50 segundos serão destinadas à propaganda do tucano. Formado por PP, PR, DEM, PRB e Solidariedade, o bloco representa também uma nada modesta fatia de 440,4 milhões de reais no fundo eleitoral.

Essas legendas do “Centrão” irão se juntar a outras cinco siglas que já estavam na chapa de Alckmin. Além do próprio PSDB, o tucano já havia garantido as alianças com PSD, PV, PTB e PPS. Pelo acordo firmando nesta quinta-feira, o candidato a vice-presidente será o empresário mineiro Josué Gomes da Silva (PR), filho de José Alencar, que ocupou a mesma função nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O Centrão decidiu-se pelo apoio a Alckmin nesta quinta-feira após ter negociado por dias com outro presidenciável, Ciro Gomes (PDT). Segundo a coluna Radar, a principal oposição a fechar com o pedetista veio do DEM e do PRB. Também pesaram contra ele as recentes declarações polêmicas e o temor que provoca em parte do empresariado.

União de forças no Sudeste

Lydia Medeiros | O Globo

Geraldo Alckmin venceu a batalha pré-eleitoral. O acordão com os partidos do centrão, além de garantir-lhe até 6 minutos na propaganda eleitoral de rádio e TV, palanque que sempre considerou decisivo, avança na construção de uma união entre forças relevantes na política de São Paulo e de Minas, os dois maiores colégios eleitorais do país, que reúnem 43% dos votos (47 milhões de eleitores). A (forte) possibilidade de o tucano vir a ter como vice o empresário Josué Alencar sedimenta a sua posição em Minas, onde o candidato do PSDB ao governo, Antonio Anastasia, tem levado vantagem na disputa contra o governador Fernando Pimentel (PT), segundo pesquisas. Josué entrou no PR a pedido de Lula que, antes de condenado e preso, sonhou tê-lo como vice, repetindo a dupla que fizera em 2002 com o pai do empresário, José Alencar. Por enquanto, Alckmin conquistou os políticos. Agora precisa convencer o eleitor de que pode vencer, deixando para trás Ciro Gomes, Marina Silva e Jair Bolsonaro.

Trabalho pesado
Líder do DEM na Câmara, Rodrigo Garcia será confirmado hoje como o vice na chapa de João Doria para a disputa ao governo paulista. A primeira tarefa do deputado é complicada: reconciliar Doria com Geraldo Alckmin, para unir as duas campanhas.

Pregação política
O PRB usou sua ligação com os evangélicos como ativo para defender Geraldo Alckmin no centrão. O partido é identificado com a Igreja Universal do Reino de Deus. A instituição do bispo Edir Macedo diz ter 7 milhões de fiéis. A pressão do presidente da legenda, Marcos Pereira, irritou Paulinho da Força, do Solidariedade. Numa das reuniões que tiveram ontem, ele foi ríspido com Pereira: “Meu partido não se decidirá pelo peso da igreja.”

Com o PT dividido e a espera do PSB, Lula pede esforço na formação de alianças do partido

Ana Luiza Albuquerque – Folha de S. Paulo

CURITIBA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), orienta integrantes do partido a juntar esforços na formação de alianças para a sua candidatura à Presidência. Foi o que Márcio Macedo, vice-presidente nacional da legenda, disse a jornalistas na tarde desta quinta-feira (19), após visitar o ex-presidente ao lado do empresário Paulo Okamotto.

"[Lula] Pediu que cuidássemos das alianças, então vamos continuar intensificando nossas conversas com PCdoB, Pros, PSB e PCO. Muito importante ter um leque de alianças", afirmou.
No início do mês, o coordenador nacional do MST João Pedro Stédile disse, após visita ao ex-presidente, que Lula declarou apoio a Marília Arraes, pré-candidata do PT ao governo de Pernambuco.

A disputa pelo estado é peça chave nas negociações com o PSB, que deseja reeleger o atual governador, Paulo Câmara. Retirar a candidatura de Marília se desenha como uma das condições dos pessebistas para apoiar a candidatura nacional do PT.

Questionado pela Folha se a fala do ex-presidente não atrapalha as negociações com o PSB, Macedo disse que a prioridade do partido é a aliança nacional. "Os estados sabem disso. Todos sabem que a prioridade é o projeto nacional. Vamos trabalhar para que o PSB possa estar na aliança formal junto com o PT."

Segundo ele, a manifestação de Lula representa uma opinião sobre a importância de Marília como liderança. "O PT do Pernambuco sabe do projeto estratégico. Temos muito respeito pela Marília, mas a prioridade absoluta é a candidatura do presidente Lula", disse.

Macedo também afirmou que a palavra de ordem é cuidar do programa de governo e botar a campanha nas ruas.

Questionado se Lula teria comentado sobre o artigo publicado nesta quinta-feira (19) na Folha, Macedo disse que o ex-presidente perguntou se ele havia lido o texto. "Parabenizei, um belo artigo."

Dora Kramer: A hora do jogo

- Revista Veja

A eleição vai mobilizar o público quando a bola começar a rolar de fato

Previsões não se caracterizam pela confiabilidade. Disso tivemos notícia recente nos prognósticos de que os brasileiros estavam indiferentes à Copa do Mundo. A base eram as pesquisas que indicavam alto grau de desinteresse e a ausência de sinais exteriores de exaltação futebolística. Bastou o Mundial começar para aquela convicção ser rebaixada à condição de mera conjectura e durante um mês praticamente não se falar de outra coisa no país.

Pois então treino é uma coisa e jogo é outra bem diferente. Guardadas todas as proporções imagináveis, a mesma máxima se pode aplicar à eleição geral de outubro próximo, também objeto do pressuposto de que o eleitorado não está nem aí para a hora do Brasil no tocante à escolha da pessoa que vai ocupar a Presidência da República, da composição do Congresso, da chefia dos Estados e da formação das assembleias legislativas.


Tarefa fenomenal de responsabilidade oceânica e que se dá num país de ânimos completamente acirrados tanto no que diz respeito ao embate eleitor contra eleitor, em torno das posições de cada um, quanto em razão da fúria generalizada da qual os políticos se tornaram alvo depois de anos de comportamento abusivo imposto a uma população razoavelmente compassiva.

A tolerância se esgotou. Não quer dizer necessariamente que isso corresponda à inércia do eleitorado. O mais provável até é que venha a significar o contrário. Agora que se aproxima o início do jogo de verdade, as torcidas tendem a se mobilizar. Afinal, o clima é de conturbação, nunca de letargia. Os mais de 40%, 50% e, dependendo da pesquisa, 60% dos eleitores com tendência a ficar de fora do ambiente eleitoral dificilmente manterão distância quando as onças estiverem prestes a beber água.

A temperatura elevada nas redes sociais e o mau humor expresso nas pesquisas não contam uma história de apatia. Antecipam justamente o oposto: um eleitorado disposto a brigar, ainda que nem sempre dentro dos parâmetros de civilidade.

A imprevisibilidade da cena em relação a resultados fala de maneira contundente a respeito das mudanças que podem ocorrer nesses dois meses e meio que ainda faltam para o primeiro turno, em 7 de outubro. Nunca a política se assemelhou tanto como agora àquele lugar-comum que a compara com o movimento das nuvens.

Um exemplo? A quantidade de candidatos, ou pretensos candidatos, que desistiram ao longo do caminho: Luciano Huck, Joaquim Barbosa, Flávio Rocha e Michel Temer. Daqui até o prazo final para as convenções partidárias (5 de agosto), outros poderão desistir ou ser “desistidos” por ação dos respectivos partidos. Henrique Meirelles é um sério pretendente ao veto ou, no mínimo, a ser deixado de lado durante a campanha em virtude de interesses mais pragmáticos do MDB.

Tudo isso para dizer que não adiantam aflições nem previsões porque o tempo de política nesses tempos tão confusos nos leva a viver dois meses e meio como se eles fossem uma eternidade. E não tenham dúvida: uma real eternidade serão.