terça-feira, 9 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais /Opiniões

Eleições tornam urgente regulação das redes sociais

O Globo

Congresso deve reduzir riscos trazidos por desinformação e inteligência artificial às campanhas

No primeiro aniversário da tentativa de golpe de 8 de janeiro, é salutar o país avaliar o que foi feito nos últimos 12 meses para evitar novos ataques à democracia e urgente destacar o que falta fazer. Um ponto parece unir as principais autoridades da República: a necessidade de regular as redes sociais, principais focos de conspirações golpistas.

Em entrevista ao GLOBO, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi categórico: “A prioridade é impedir a continuidade dessa terra sem lei das redes sociais”. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também defendeu a regulação em entrevista recente: “Esse movimento de uma vida paralela, não analógica, uma vida digital muito rápida, vai exigir de nós, congressistas, que algumas modificações aconteçam”.

Faltando sete meses para o início da propaganda eleitoral, o Congresso deve dar atenção ao tema. Passou da hora de deputados e senadores deixarem de ser reféns das fabulações espalhadas pelas grandes plataformas digitais. A falta de regras transformou as redes sociais e os aplicativos de comunicação em centros de disseminação de desinformação. Repetidas vezes, as empresas de tecnologia falharam. Quando vídeos, áudios ou memes fraudulentos são removidos, milhões já os viram, e o estrago já está feito.

Merval Pereira - Polarização corrói a democracia

O Globo

Na noite em que Tancredo Neves se internou em Brasília e ficou claro que não poderia tomar posse no dia seguinte como presidente da República, quem decidiu que o vice José Sarney assumiria foi o general Leônidas Pires Gonçalves, já escolhido como novo ministro do Exército.

Os juristas se dividiam entre Sarney e o presidente da Câmara, deputado Ulysses Guimarães, e Leônidas desempatou. O senador Pedro Simon perguntou, indignado, a Ulysses por que ele não reagira àquela decisão:

— Não podia, meu Pontes de Miranda estava me cutucando com a espada dizendo que seria o Sarney.

Trinta e oito anos depois, na baderna insurrecional que tomou conta da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, houve uma reunião em que ficou decidido que seria aberto um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a tentativa de golpe.

Míriam Leitão - A dúvida entre punir e apaziguar

O Globo

O que os discursos e as conversas de bastidores mostraram é que há necessidade de punir os responsáveis antes de se superar esses atos

Estive ontem nos dois eventos que lembraram a tentativa de golpe de um ano atrás. O que ficou das conversas de bastidores e dos discursos é que há muito a fazer para garantir que agressões como as de 8 de janeiro de 2023 não se repitam. A sensação que colhi foi que é preciso esclarecer muita coisa e punir muita gente antes de se considerar que o risco passou. Foi muito caro mobilizar tantas pessoas, trazê-las do país inteiro, manter acampamentos por dois meses, com infraestrutura, e coordenar atos daquela dimensão, além de bloqueios em diversas estradas e refinarias do país. O que se sabe até agora da origem do grosso do dinheiro é muito pouco.

O presidente do Superior Tribunal Militar, brigadeiro Joseli Camelo, me disse que militares que forem condenados a mais de dois anos pela Justiça Federal serão também julgados pela Justiça Militar. E podem ser condenados à “indignidade para o oficialato” e expulsos das Forças Armadas.

Vera Magalhães – Risco de politizar ato é que haverá o dia seguinte

O Globo

Atos como o desta segunda-feira, para marcar efemérides históricas, sejam elas virtuosas ou infames, como o 8 de Janeiro, são benéficos para a Histórica e educativos para a sociedade. Assim, feriados em datas de grandes tragédias ou guerras, ou museus como o do Holocausto, o de Hiroshima ou de diferentes ditaduras mundo afora têm o caráter de evitar que esses eventos sejam esquecidos, minimizados ou repetidos.

O grande problema é quando o caráter cívico e institucional descamba para a partidarização, porque isso tisna o objetivo e dá munição aos que tentam desvirtuar os fatos. A solenidade desta segunda-feira teve o mérito de se inscrever na primeira modalidade, mas teve momentos em que incorreu na armadilha da politização.

Malu Gaspar - Bolsonaro é sujeito oculto dos discursos de Moraes e Lula

O Globo

Embora não tenham mencionado diretamente Jair Bolsonaro em seus discursos, tanto Lula como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STFAlexandre de Moraes procuraram deixar claro em suas falas, no ato realizado no Congresso Nacional para lembrar o 8 de janeiro, que não desistiram de responsabilizar o ex-presidente da República por seu envolvimento nos atos golpistas.

Moraes disse que "não haverá impunidade, apaziguamento ou esquecimento" aos envolvidos na trama golpista, e que "não haverá qualquer tipo de anistia aos personagens envolvidos nos ataques".

Já Lula afirmou que "não haverá perdão para quem atenta contra a democracia, seu país e contra seu próprio povo”, em um discurso em que falou o tempo todo do antecessor.

“Adversários políticos e autoridades constituídas poderiam ser fuziladas ou enforcadas em praça pública, a julgar por aquilo que o ex-presidente golpista pregou em campanha e seus seguidores tramam nas redes sociais”, disse o petista.

Carlos Andreazza - Crítica construtiva, ministro

O Globo

Alexandre de Moraes deu entrevista ao GLOBO. Um ano do 8 de Janeiro. Documento já histórico; em que justifica o afastamento de governador com o argumento de “evitar que pudesse ocorrer algo extremista em outros estados, eventualmente outro governador apoiar movimento golpista”.

Ibaneis Rocha, eleito, afastado para dar exemplo; para que, o Supremo monocrata se antecipando a pretenso “efeito dominó”, nenhum outro governante se animasse. E tudo bem. Pela democracia, à margem do Direito.

Não ornará, não em linguagem compatível com a República, um arranjo em que, para desmontar o 7 de Setembro permanente de Bolsonaro, prospere este estado de vigília; que, sob a inatacável defesa das instituições democráticas, legitime medidas de exceção e interdite o debate público — a ser fascista, trabalhando pela volta do capeta, aquele que criticar o governo Lula e as extravagâncias xandônicas.

Pedro Cafardo - O papel das missões na nova política industrial

Valor Econômico

Plano de reindustrialização do país deve envolver cooperação entre governo e setor privado, pautando-se por direções, prioridades e instrumentos para alcançar objetivos econômicos e sociais no longo prazo

Não há mais muitas divergências nem conflitos ideológicos significativos sobre a necessidade de lançamento de uma nova política industrial no país. Ficou para trás a ideia de que o setor de serviços, apesar de sua importância na estrutura produtiva, viria a comandar o crescimento econômico. E isso é um entendimento global.

A discussão do problema da desindustrialização e das formas de correção desse processo maligno se tornou dominante nas economias, inclusive nos países desenvolvidos. O pensamento majoritário sugere que a indústria de transformação continuará sendo a principal propulsora do crescimento econômico e difusora do progresso tecnológico.

Andrea Jubé - O encontro re-marcado de Haddad com o diálogo

Valor Econômico

Ministro tem recebido críticas veladas até de aliados

A primeira coluna do ano é sobre ódio, diálogo e esperança. O ódio foi tema de uma carta de Clarice Lispector ao amigo Fernando Sabino em maio de 1956, na qual ela confidenciou seu especial interesse no conto “O búfalo”, que havia acabado de escrever. O texto continha “uma violência que me faz tremer”, descreveu.

A escritora revelou que tomada por um “ódio muito forte”, sentimento que lhe era incomum, sentiu necessidade de criar aquela história. A protagonista é uma mulher abandonada que decide fazer uma visita ao Jardim Zoológico para aprender com os animais enjaulados como odiar.

Em sua busca, subitamente, a mulher se depara com um búfalo negro e imponente, e ambos passam a se encarar. “Ela não olhou a cara, nem a boca, nem os cornos. Olhou seus olhos... Olhos pequenos e vermelhos a olhavam... Lentamente a mulher meneava a cabeça, espantada, com o ódio com que o búfalo, tranquilo de ódio, a olhava”. A personagem então conclui que a busca chegou ao fim, até que sua mão alcança o punhal que guardava no bolso do sobretudo.

César Felício - Ataques golpistas permitiram a Lula ultrapassar barreiras da polarização

Valor Econômico

Documentários mostram participação decisiva de Janja na rejeição à GLO

Um traço marcante dos dois documentários divulgados nesse domingo (7) sobre o 8 de Janeiro, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi o bastidor sobre a decisão do governo de rejeitar na ocasião uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Tanto na produção levada ao ar pela GloboNews quanto na peça publicada pelo site do jornal “Folha de S.Paulo” destaca-se o papel decisivo da primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, de ter afastado o presidente dessa solução, em reunião feita na Prefeitura de Araraquara (SP), onde o presidente estava por ocasião dos ataques em Brasília.

Fernando Exman - Oposição erra ao boicotar ato do 8 de Janeiro e Lula se equivoca ao citar PT em discurso

Valor Econômico

Ao falar de improviso, presidente resolveu citar, ainda que indiretamente, Bolsonaro e seus três filhos

Histórico, o ato em memória ao 8 de Janeiro poderia ter sido ainda mais bem-sucedido se governo e oposição tivessem deixado de lado seus interesses partidários pelo menos por um dia.

A ausência da oposição estava dada. Situação que contrastava, aliás, com a garantida presença dos comandantes das Forças Armadas. No fim do ano passado, o ministro da Defesa, José Múcio, contou em evento realizado no Comando da Marinha que havia garantido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, confirmada a realização do evento, os três oficiais seriam os primeiros a chegar ao local.

Já alguns líderes de partidos do Centrão, inclusive integrantes das mesas diretoras da Câmara e do Senado, haviam anunciado que não interromperiam o recesso parlamentar para prestigiar a solenidade. Muitos dependem dos votos de eleitores mais radicais nas eleições, e argumentavam que o ato, originalmente concebido para registrar a reação institucional em defesa da democracia empreendida no dia 8 de janeiro de 2023, seria transformado num evento político capturado pelo Palácio do Planalto. A orientação era “sumir” de Brasília nessa segunda-feira.

Eliane Cantanhêde - Dois pra lá, dois pra cá

O Estado de S. Paulo

Um ministério só para Justiça e Segurança Pública, mas com comando duplo

Em 8 de janeiro de 2023, o secretário-geral do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, almoçava tranquilamente, enquanto esperava a mulher e o filho chegarem de mala e cuia para Brasília, quando estourou a invasão das sedes dos três Poderes. Ele correu para o gabinete do ministro Flávio Dino e, depois de virar interventor do Distrito Federal quase por acaso, poderá assumir agora um, digamos assim, meio Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O presidente Lula não vai dividir a pasta em duas, como foi no governo Michel Temer, mas pode redefinir as duas funções, na prática, dentro do mesmo ministério. O ex-presidente do Supremo Ricardo Lewandowski como ministro e Cappelli como um supersecretário executivo, com carta-branca para cuidar da Segurança Pública.

Bruno Boghossian - Força tarefa contra golpismo se renova, e ausentes passam recibo

Folha de S. Paulo

Autoridades reforçam punições e fazem campanha por regulação de redes, em data com inevitáveis interesses políticos em jogo

Além dos esperados desagravos e adjetivos carregados, as cerimônias em memória dos atos golpistas de 8 de janeiro serviram para renovar uma espécie de força-tarefa formada por algumas das autoridades mais poderosas de Brasília.

O evento principal, que reuniu chefes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, repetiu o caráter simbólico das primeiras reações aos ataques, ainda no início de 2023. Um ano depois, a reunião desses mesmos atores também foi palco da defesa de uma agenda mais concreta.

Boa parte dos discursos passou por um tripé que se consolidou como linha mestra da resposta aos ataques: a punição exemplar aos envolvidos nos atos, a regulação das redes sociais em que se cultivou o caldo dos ataques e um isolamento dos grupos políticos que alimentaram os desejos golpistas.

Joel Pinheiro da Fonseca - 8 de janeiro foi uma tentativa de golpe?

Folha de S. Paulo

Última linha de defesa dos atos é dizer que houve apenas vandalismo desesperado

A última linha de defesa dos atos de 8 de janeiro de 2023 é dizer que não foram uma tentativa de golpe, mas apenas um vandalismo desesperado. Será? Vamos aos fatos.

O dia 8 de janeiro não nasceu do nada. Foram anos de discursos mentirosos acusando nosso sistema eleitoral e meses de acampamentos golpistas em frente a quarteis clamando aos militares por um golpe de Estado. Foi a esses manifestantes que Braga Netto disse em novembro: "Tenham fé". Foi com eles que Michelle Bolsonaro orou. Dos mesmos acampamentos saíram os atos de vandalismo da noite de 12 de dezembro em Brasília e ainda a tentativa de explodir um caminhão tanque no aeroporto de Brasília em 24 de dezembro. Mais do que o suficiente para criar o clima de pânico que poderia justificar uma intervenção militar.

Esse era o objetivo único. A invasão do dia 8, já desesperada porque a troca de poder ocorrera sem obstáculos, buscava promover um tumulto tal que provocasse a intervenção militar para garantir a ordem e, na sequência, sob algum pretexto qualquer, tirar Lula do poder.

Hélio Schwartsman - Sob o espectro do golpe

Folha de S. Paulo

Apaziguamento de militares evita crises no presente, mas dificulta normalização democrática das Forças Armadas

Se eu estivesse na pele do Lula também faria o possível para evitar problemas com os militares. A última coisa de que o governo precisa é uma quartelada ou uma crise institucional. Mas é importante ressaltar que a opção pela política de apaziguamento tem um preço, que não é baixo.

Neste primeiro aniversário da tentativa de golpe bolsonarista, os incorrigivelmente otimistas destacam que a intentona fracassou porque a cúpula das Forças Armadas se recusou a patrocinar a aventura. Verdade, mas, considerado o quadro geral, não vejo motivos para celebração. Militares, incluindo alguns oficiais-generais, participaram ativamente das tramas democraticidas, se é que não constituíam a espinha dorsal do movimento. E, ao que tudo indica, serão poupados dos rigores da lei.

Dora Kramer - Da boca para fora

Folha de S. Paulo

A pacificação não interessa à direita nem à esquerda porque não é eleitoralmente sexy

De verdade a direita nem a esquerda têm interesse na pacificação dos ânimos na política. Pelo simples fato de que a moderação não é eleitoralmente sexy. Políticos se movem ao ritmo da demanda dos que lhes dão votos e estes não se mostram inclinados a aderir à calmaria celebrada na teoria, mas na prática rejeitada.

As pesquisas comprovam. Em dezembro, o Datafolha mostrou que com erros e acertos, derrotas e vitórias de um lado e de outro, 90% dos eleitores de Luiz Inácio da Silva e de Jair Bolsonaro continuam apegados às escolhas de 2022.

Alvaro Costa e Silva -Zeladoria versus ideologia

Folha de S. Paulo

Com Lula e Bolsonaro consolidados como cabos eleitorais, debate está desvirtuado

Em 1985, pressionado pelo Partidão, João Saldanha —cartola, técnico e comentarista de futebol, além de comunista de carteirinha— aceitou sair candidato a vice-prefeito do Rio na coligação de esquerda encabeçada pelo advogado Marcelo Cerqueira. Ele cumpriu a ordem e depois resmungou: "A lagoa Rodrigo de Freitas é do estado, só o peixe podre é da prefeitura. O Theatro é municipal, mas quem manda é o estado. Eu vou fazer o quê? Pegar o lixo?".

Poesia | O Teu Riso | Pablo Neruda

 

Música | O Pinto da Madrugada - Alceu Valença

 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Instituições deram prova de força ao derrotar golpismo

Valor Econômico

Ainda há pela frente um caminho de pacificação no país, além da identificação e punição dos mentores e organizadores dos atos golpistas

Um ano após a infame tentativa de golpe de Estado, com a invasão e depredação da sede dos Três Poderes - a mais séria investida para subverter a ordem legal desde o fim do regime militar - o país ainda acerta as contas com o passado. O regime democrático resistiu graças à ação imediata do Judiciário, do Executivo, Legislativo e das Forças Armadas, cujo comando alinhou-se na defesa da Constituição. Trinta pessoas foram condenadas até agora, e mil das 1.430 denúncias apresentadas tiveram ação penal suspensa a pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e poderão ser objeto de acordo com a Procuradoria Geral da República, com penas leves. Falta ainda outra ação fundamental: levar à Justiça quem planejou, financiou e organizou o levante em Brasília.

Fernando Gabeira - Para sobreviver em 2024

O Globo

Mudanças climáticas e El Niño não darão trégua. Será preciso insistir em algumas teses, ainda que políticos não as ouçam

Passado o ano, as listas pessoais de desejos, nada mais a fazer do que encarar a realidade. Mesmo um tipo de realidade sobre a qual nada podemos fazer: as eleições nos Estados Unidos, o esforço da China para anexar Taiwan. Até na guerra no Oriente Médio, tudo o que pudemos fazer foi sofrer e reclamar, exceto, é claro, a iniciativa oficial de trazer brasileiros de Israel, da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

O ano entrou com o terremoto no Japão. É um ano de eleições municipais no Brasil. Pensei em ligar o progresso japonês em prevenção e resposta aos grandes eventos naturais a um debate sobre as cidades brasileiras. As mudanças climáticas estão aí, é preciso tirar gente de área de risco, preparar comunidades para uma resposta de emergência.

No primeiro artigo que escrevi no ano cheguei a sugerir que bons planos nesse campo poderiam sonhar com financiamento internacional. Afinal, é o esforço de adaptação às mudanças, e já no Acordo do Paris se falou numa verba para financiá-lo.

Simone Tebet* - A eterna vigilância

O Globo

Todos aqueles que participaram da infâmia de 8 de janeiro devem responder cabalmente por seus atos

Um ano atrás, no dia 8 de janeiro, todos nós, brasileiros e brasileiras que amamos a liberdade, a democracia e respeitamos a Constituição, conquistamos uma das maiores vitórias da civilização contra a barbárie desde o fim da ditadura militar e da redemocratização do país.

Aos que pensem que exagero nas palavras, quero lembrar apenas que acabamos de ser informados de que, entre os planos maquinados por alguns dos extremistas do golpe derrotado, estava o enforcamento de um ministro do Supremo Tribunal Federal em plena praça pública. Na verdade, na maior praça pública do Brasil, a Praça dos Três Poderes, que foi atacada e enxovalhada nos atos infames de 8 de janeiro de 2023.

Nós amamos a liberdade, a democracia e a Constituição porque aprendemos, ao longo das décadas, que, longe de ser palavras vazias, elas são os conceitos fundamentais que regem nossas vidas como cidadãs e cidadãos de uma sociedade moderna, que se pretende justa.

Carlos Pereira - A democracia não se fragilizou

O Estado de S. Paulo

Esquerda foi míope, enquanto a direita iliberal errou grosseiramente no 8 de Janeiro

Hoje celebra-se um ano da vitória da democracia no Brasil. Ao contrário do que Lula tem dito, não tem havido uma “reconstrução da democracia”, pois só se pode reconstruir algo que foi quebrado. A democracia brasileira nem se fragilizou nem se quebrou, a despeito das inúmeras tentativas iliberais de Bolsonaro de enfraquecê-la.

De um lado, a esquerda, aflita com seus medos e fantasmas do passado autoritário, foi míope ao enxergar que a democracia estava em risco iminente com Bolsonaro na presidência. Além de ter interpretado suas ameaças como críveis, não percebeu a capacidade de resiliência da sociedade e a força das instituições de resistir às iniciativas iliberais do ex-presidente.

Eliane Cantanhêde - Golpe foi articulado antes mesmo de 2018, mas a democracia foi mais forte

O Estado de S. Paulo

Tentativa não funcionou porque as Forças Armadas não aderiram; decisão de não decretar GLO foi decisiva

Era domingo, 8/1 de 2023, e o ex-metalúrgico Luiz Inácio da Silva, recém-empossado para seu terceiro mandato na Presidência da República, levou um susto ao saber da invasão e do quebra-quebra do Planalto, Supremo, Câmara e Senado e tomou três decisões: transformar a Prefeitura de Araraquara em quartel general de resistência ao golpe, só voltar a Brasília em plena segurança, depois da situação controlada, e não aplicar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que significaria botar tropas e tanques do Exército nas ruas – principalmente na Praça dos Três Poderes.

Acertou nas decisões, mas a principal delas partiu da primeira-dama Janja da Silva: recusar o que idealizadores do golpe, civis e militares, queriam: a GLO. O Exército iria para a rua legalmente, dentro da Constituição. Só que, em vez de garantir a lei e a ordem, ficaria assistindo e, assim, aprofundaria o caos. As cúpulas das Forças Armadas, porém, se recusaram. E, no dia fatal, Lula vetou a GLO.

Ao entrar em campanha para a eleição presidencial de 2018, o capitão insubordinado Jair Bolsonaro mirava quatro segmentos que lhe serviriam como eleitores e que, mais adiante, ele cooptaria como golpistas: Forças Armadas, polícias estaduais, igrejas evangélicas e os Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs), civis apaixonados por armas, num ambiente em que há muita gente boa, mas é favorável a valentões que adoram tiros, brigas, confusões e “patriotadas”.

Três Poderes unem-se para celebrar a consolidação da democracia

Por Andrea Jubé, Julia Lindner, Marcelo Ribeiro e Isadora Peron / Valor Econômico

Políticos ligados a Bolsonaro não devem estar presentes na cerimônia que relembra tentativa de golpe para evitar imagem de alinhamento a Lula

Completado um ano dos ataques de radicais bolsonaristas às sedes das instituições democráticas na capital federal, com depredação de prédios públicos e destruição de obras de arte e objetos históricos, autoridades dos três Poderes reúnem-se nesta segunda-feira em Brasília para relembrar a data, comemorar a consolidação da democracia face à tentativa de golpe e reafirmar a defesa dos Poderes.

Em contrapartida, parlamentares, governadores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro devem faltar à cerimônia para evitar a imagem de alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem como indisposição com as bases em ano eleitoral.

O Senado e o Supremo vão promover solenidades, trazendo parlamentares, governadores, ministros, magistrados e oficiais militares a Brasília, interrompendo as férias de janeiro.

Lula desembarcou em Brasília na quinta-feira, após um recesso de nove dias, e desde então, sua agenda voltou-se para a preparação do ato, e declarações sobre o episódio que abalou a primeira semana de seu terceiro mandato.

Brasil reagiu melhor à tentativa de golpe do que os EUA, diz Levitsky

Por Caio Sartori / Valor Econômico

Autor de ‘Como as Democracias Morrem’ e ‘Como Salvar a Democracia’, professor de Harvard elogia união da política brasileira e faz críticas ao Partido Republicano

Notório analista da crise das democracias mundo afora, o cientista político americano Steven Levitsky avalia que o Brasil reagiu melhor ao 8 de janeiro do que os Estados Unidos à invasão do Capitólio, em 2021. Não só: mesmo na forma de lidar com os ímpetos autoritários de Jair Bolsonaro e Donald Trump como um todo, afirma o professor de Harvard, as elites políticas e o Judiciário brasileiros tiveram desempenho mais sólido. Os atos golpistas que resultaram na depredação dos Poderes completam um ano nesta segunda-feira.

“Depois do 8 de janeiro, os políticos do Brasil, quase sem exceções, foram muito rápidos em repudiar completamente o ataque ao Planalto e ao STF e em pedir uma investigação sobre os atos. Não procuraram achar desculpas para as causas daquilo, subestimar a seriedade ou defender os que se insurgiram”, diz em entrevista por vídeo ao Valor o autor do bestseller: “Como as Democracias Morrem” e do recém-lançado “Como Salvar a Democracia”, ambos em parceria com o colega de Harvard Daniel Ziblatt e publicados no Brasil pela Companhia das Letras.

Bruno Carazza* - O país ao sabor das previsões dos economistas

Valor Econômico

Em 2024 também se comemoram os 25 anos do sistema de metas de inflação no Brasil

Dizem que as previsões dos economistas são ótimas para dar credibilidade aos astrólogos e meteorologistas. E que, se todos os economistas forem colocados juntos, nunca chegarão a um consenso.

Com uma fama dessas, parece loucura basear a condução do país na coordenação das expectativas dos economistas sobre o futuro.

Nas últimas semanas, muita atenção se deu ao fato de que a maioria do mercado errou suas previsões para a economia brasileira em 2023. O ano passado fechou com números bem melhores do que o esperado: dólar a R$ 4,85 (contra previsão de R$ 5,28), taxa Selic em 11,75% (a expectativa era de 12,25%), inflação abaixo de 4,7% (versus 5,3% do mercado) e crescimento em torno de 3% (muito superior à pessimista marca de 0,79%).

Sergio Lamucci - Novas fontes de renda sustentam o consumo das famílias

Valor Econômico

Em comparação com 2019, houve um aumento expressivo de pessoas que ganharam alguma forma de renda assistencial, trabalhista ou previdenciária, diz Fernando Montero, da Tullett Prebon

A força do consumo das famílias é um dos fatores que levaram a economia brasileira a crescer cerca de 3% em 2023, segundo estimativas dos analistas, um desempenho bem melhor que o 0,8% previsto no fim de 2022. O resultado excepcional da agropecuária, pelo lado da oferta, e o impulso do setor externo, pelo lado da demanda, também contribuíram para uma expansão mais robusta da atividade no ano passado, mas o comportamento do consumo privado teve um papel de destaque, o que vem ocorrendo desde 2021.

Os números do PIB de 2023 serão conhecidos apenas no começo de março deste ano, mas o consenso de mercado aponta para uma expansão de 3,2% para a demanda das famílias. No fim de 2022, os analistas também esperavam para o principal componente do PIB pelo lado da demanda um crescimento de apenas 0,8% no ano passado. O economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, aponta dados que ajudam a explicar a sustentação do consumo privado, ressaltando “o notável avanço em tempos recentes da população que ganhou alguma forma de renda assistencial, trabalhista ou previdenciária”.

André Gustavo Stump - Palpite infeliz

Correio Braziliense

Havia, claramente, uma torcida contra o governo do presidente Lula. E uma desconfiança perceptível em relação ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad

"Quem é você que não sabe o que diz, meu Deus do céu que palpite infeliz". Noel Rosa, quem diria, transformou-se em sagaz crítico da política e da economia do país. Os bons números apresentados pelo cenário econômico brasileiro tornaram evidente que os profetas do mercado financeiro são, na verdade, palpiteiros que ajustam suas previsões às circunstâncias do momento. No início de 2023, o boletim Focus antecipava que o crescimento do Produto Interno Bruto do país seria de 0,7%. O resultado foi de 2,9%. Um verdadeiro palpite infeliz que se repetiu na previsão da inflação e da cotação do dólar. Tudo errado.

Havia, claramente, uma torcida contra o governo do presidente Lula. E uma desconfiança perceptível em relação ao ministro Fernando Haddad, um scholar que produziu tese sobre a economia nos países comunistas. Na economia planificada, tudo deve ser previsto no projeto anual ou plurianual. Não há que falar em inflação, porque os preços são controlados pelo Estado. Os deficits orçamentários são cobertos por emissão de moeda. E o consumo é controlado pela reduzida oferta de produtos. O cidadão tem dinheiro, mas não tem onde gastar. Era comum em Moscou, no tempo do comunismo, o estrangeiro ser assediado na rua para vender sua calça jeans. O pagamento era em dólares.

Manuella Mirella* - Resistência democrática: reescrever o 8 de janeiro

Correio Braziliense

Um ano depois, temos a oportunidade de criar uma narrativa para a data impulsionada pelo contexto de união dos setores que marcou os últimos 365 dias, para repudiar e coibir novos ataques

O marco de um ano da tentativa de golpe caminha para adquirir novo significado em nossa história de luta pela democracia. Se em 8 de janeiro de 2023 o Brasil viveu o ápice dos ataques ao Estado Democrático de Direito de um período marcado por fissuras no nosso sistema, hoje, um ano depois, temos a oportunidade de criar uma narrativa para a data impulsionada pelo contexto de união dos setores que marcou os últimos 365 dias, para repudiar e coibir novos ataques. Além disso, é também um marco para reforçar nosso compromisso com a memória e a verdade.

Com manifestações em todo o país neste 8 de janeiro de 2024, o povo brasileiro nas ruas reescreverá um novo capítulo dessa história, como um reforço ao sentimento deste último ano — o de resistência democrática, ampliando a compreensão de que ela é muito mais que um sistema político, mas, sim, um caminho para uma sociedade mais justa.

Cristovam Buarque - Haddad, primeiro passo de esquerda lúcida

Blog do Noblat / Metrópoles

Parte dos militantes da esquerda sofre esta ilusão nostálgica: vê a sociedade atual como ela era antes, sem entender que ela mudou

Às vezes uma pessoa perde a lucidez por ilusão interna, psiquiátrica ou neurológica, que a impedem entender a realidade. Em 1985, o neurologista Oliver Sachs conta em seu livro O homem que confundiu sua mulher com um chapéu que um paciente, no lugar de falar com a esposa em frente, pensou levantá-la para colocar sobre a cabeça. Na política existe uma outra ilusão, nostálgica: quando a realidade se transforma, mas o militante continua entendendo-a em sua forma anterior; sem perceber a marcha da história, continua pensando com base na mesma realidade e nos mesmos sonhos vindos do passado. Parafraseando Sachs, seria o caso de a mulher ter se transformado de fato em chapéu e o marido sem lucidez continuar conversando com ela.

Camila Rocha* - Os responsáveis pelo 8 de janeiro

Folha de S. Paulo

Um ano depois, pouco se avançou na punição de golpistas graúdos

Passado um ano do fatídico 8 de janeiro, pouco se avançou na punição de golpistas graúdos. Nenhum político, militar, grande empresário ou proprietário foi responsabilizado, ainda, com rigor similar ao dispensado àqueles que não ostentam altos cargos, patentes ou grandes posses.

Entre estes figuram pessoas como Matheus Lima de Carvalho Lázaro, um entregador de Apucarana (PR) que portava um canivete, e Raquel de Souza Lopes, uma cozinheira de Joinville. Ambos foram acusados de cometer cinco crimes, incluindo golpe de Estado. O paranaense deve passar os próximos 17 anos em regime fechado, pena similar a da catarinense, 16 anos e meio de reclusão.

Ruy Castro - A história em três caracteres

Folha de S. Paulo

Todos sabem o significado de 8/1. Mas a história exige que essa data infame se torne o 'Dia da Democracia'

Amanhã é o dia 8/1. Todos os leitores sabem o que significa. Em três caracteres, voltam as cenas do 8 de janeiro de 2023, quando os bolsonaristas invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília e botaram literalmente para quebrar. Era a "festa da Selma", um código para a baderna que, supunha-se, faria as Forças Armadas intervirem para eternizar Bolsonaro no poder. É uma data que entrou para a nossa história, mas por pouco com outro sentido. Se Lula, recém-empossado, tivesse transferido aos militares o controle da capital, o 8/1 teria se convertido num novo 1º de abril —o de 1964, data que se arrastou por 21 anos.

Ana Cristina Rosa - Olho vivo

Folha de S. Paulo

Agentes públicos e governador de SP não deveriam refutar políticas públicas eficazes

Entre muitas outras coisas, os atos golpistas do 8 de janeiro serviram para atestar o poder e a eficácia das imagens na defesa de direitos e garantias constitucionais.

Travestidos de "cidadãos do bem", os vândalos que dilapidaram o patrimônio público na praça dos Três Poderes, em Brasília, num ato de insanidade ou de idiotice produziram provas contra si incluídas no inquérito da Polícia Federal. Afinal, no século 21, até os tolos sabem que é praticamente impossível passar despercebido por aparelhos que captam imagens.

Então é, no mínimo, "estranho" que o governador do Estado mais rico do país se posicione contra o uso de câmeras nas fardas dos policiais sob a alegação de que não oferecem segurança aos cidadãos —contrariando a lógica e os dados, que apontam queda de 76% no número de civis mortos em operações policiais de 2019 a 2022.

Marcus André Melo* - Por que Milei escolheu uma estratégia maximalista?

Folha de S. Paulo

A armadilha da escolha trágica entre status quo intolerável e a mudança hiperbólica

Por que Milei escolheu a estratégia maximalista de apresentar um decreto de necessidade e urgência (DNU) para revogar 300 dispositivos legais? Seria por que todos os presidentes argentinos no período democrático fizeram algo semelhante? Sim, aqui a novidade seria apenas sua amplitude inédita. E nem tanto.

O peronista Carlos Menem implementou, via 545 DNUs, um programa radical que incluía a privatização da YPF, dos Correios, da Aerolíneas Argentinas etc. Como ampliou de 5 para 9 o número de ministros da Suprema Corte, adquiriu uma conhecida "maioria automática" contra questionamentos sobre a necessidade ou urgência dos DNUs.

Há muito ruído na cobertura do DNU. Entre nós, o paralelo com as medidas provisórias é descabido. O DNU foi introduzido pela Constituição argentina de 1994, mas, ao contrário das MPs brasileiras, permaneceu sem regulamentação. Esta só veio em 2006, quando Cristina Kirchner aprovou uma lei neste sentido. No entanto a lei é ainda mais problemática do que o texto vago da Constituição porque praticamente impede o rechaço dos DNUs.

Poesia | O enterrado vivo - Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Coral Edgard Moraes e Getúlio Cavalcanti - Escuta Boêmio

 

domingo, 7 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Um dia para celebrar a democracia

O Globo

Ao enfrentar seu teste mais duro — a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 —, as instituições resistiram

A primeira e mais evidente lição a extrair do fatídico 8 de Janeiro de 2023 é que a vigília pela democracia precisa ser permanente. Os riscos estão sempre à espreita, e não deve haver trégua ante a ameaça do golpismo. A segunda lição, corroborada pelos acontecimentos posteriores, é a constatação louvável de que, mesmo enfrentando seu teste mais duro nas quase quatro décadas desde o fim da ditadura militar, a democracia brasileira resistiu. É essencial entender por quê. Para evitar que o pior venha a acontecer de novo e celebrar a vitória da democracia, é preciso conhecer em detalhes o que deu errado — e o que deu certo.

Naquele dia, num dos episódios mais sombrios da História do Brasil, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes em Brasília em atos de vandalismo sem precedentes. Num primeiro momento, poderia parecer apenas uma manifestação fora de controle em razão da negligência da polícia. Não era. Foi uma tentativa de golpe de Estado, planejada e articulada ao longo dos meses que seguiram a derrota de Bolsonaro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

ENTREVISTA | Geraldo Alckmin: 'Foi vergonha nacional, mas houve resposta firme a favor da democracia'

Vice-presidente defende que houve contraofensiva "firme e rápida" dos Três Poderes ao ataque golpista

Por Jeniffer Gularte / O Globo

O vice-presidente Geraldo Alckmin estava numa missa em São Paulo quando foi avisado por meio de um bilhete de um assessor sobre a movimentação golpista em Brasília. Ao tomar conhecimento da gravidade dos fatos, antecipou a volta à capital federal para reforçar a reação institucional para dissipar os ataques à República. Um ano após o 8 de janeiro que marcou a História do país, Alckmin destaca a importância da “resposta firme e rápida” dos Três Poderes para a defesa da democracia e avalia que a polarização política está diminuindo.

Onde o senhor estava no dia 8 de janeiro?

Eu estava na missa. No dia 8 de janeiro, à tarde, foi a posse do Bispo de São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo. Recebi um bilhete do Capitão (Pedro) Lamoso (assessor da Vice-Presidência) dizendo: “Olha, está tendo um problema grave em Brasília, invasão de prédios públicos”. Achei que era um pouco exagero da segurança e terminei a missa. Quando saí é que eu fui verificar as notícias e a gravidade. Voltei ainda naquela noite para Brasília.

Quando se deu conta da gravidade?

Quando cheguei em Brasília, já era mais tarde. Fui para o hotel, porque era uma semana depois da posse, então estava hospedado lá ainda. No outro dia de manhã é que fomos ver os problemas. E é impressionante, no Supremo Tribunal Federal foi coisa gravíssima. O 8 de janeiro foi uma vergonha nacional.

Como foi a sua conversa com o presidente Lula?

Ele me ligou. O presidente estava em Araraquara (SP). Eu falei que ia voltar para Brasília. Estivemos juntos no outro dia (9 de janeiro). Foi um momento importante, porque todos os Poderes se uniram. Todo o Executivo, a Suprema Corte, o Legislativo, com os presidentes da Câmara e do Senado, e depois vieram também os governadores, as entidades de prefeitos. A resposta foi rápida e muito firme na defesa da democracia.