domingo, 1 de agosto de 2010

Serra diz que não fala de 'vaivém' das pesquisas

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Alfredo Junqueira

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, recusou-se a comentar o resultado da pesquisa do Ibope, encomendada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e pela TV Globo, divulgada na noite de sexta-feira e que o deixou a cinco pontos porcentuais de sua principal adversária, a petista Dilma Rousseff. Pela primeira vez, o tucano aparece atrás da candidata do PT em uma sondagem do instituto, fora a margem de erro de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. De acordo com o Ibope, Dilma está com 39% nas intenções de voto, contra 34% de Serra.

Ao contrário do presidente de seu partido, Sérgio Guerra, que ontem mostrou preocupação com o resultado, Serra disse que não comenta "pesquisa em nenhuma situação, porque é um vaivém. Cada dia tem uma pesquisa, cada dia é um resultado. Eu não comento porque pesquisa vai, pesquisa vem, e o importante é a pesquisa da urna". Serra participou de caminhada na periferia da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele estava acompanhado do prefeito do município e presidente do PSDB fluminense, José Camilo Zito, e de seu candidato a vice, o deputado federal Indio da Costa (DEM).

O candidato do PSDB prometeu que, se eleito, vai instalar policlínicas na região, criará unidades específicas para realização de exames médicos, transformará os trens urbanos que atendem a Baixada Fluminense em metrô de superfície e investirá em programas de ensino técnico e profissionalizante.

A caminhada foi organizada por Zito, que em um trio elétrico pedia votos para sua mulher e filha, candidatas à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados, respectivamente, e para Serra. Apesar do PSDB no Rio oficialmente apoiar a candidatura do deputado federal Fernando Gabeira (PV) ao governo, Zito não citou o nome dele nenhuma vez. Mesmo o material de campanha espalhado pelas ruas não fazia qualquer alusão ao candidato verde. Os aliados do prefeito e a estrutura do PSDB na cidade estão a serviço da candidatura de Sérgio Cabral Filho (PMDB), que busca a reeleição apoiado pelo presidente Lula. Serra chegou quando a caminhada já percorria as ruas da cidade há mais de duas horas. Ficou no local durante pouco mais de uma hora. O tucano não quis falar no microfone e passou o tempo todo cumprimentando moradores que acompanhavam o evento da porta de suas casas.

Maia afirma não crer em vitória de Serra no 1º turno

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

DO RIO - Em evento de campanha do DEM no Rio com a presença de José Serra, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que disputa o Senado, disse que não acredita mais que o candidato do PSDB à Presidência vença no primeiro turno.

A afirmação foi feita após perguntas de jornalistas sobre a presença de Fernando Gaveira (PV), candidato da aliança ao governo do Estado e aliado de Marina Silva (PV), no palanque de Serra.

Para o ex-prefeito, com um cenário de disputa entre o tucano e Dilma Rousseff (PT) no segundo turno, deixa de fazer sentido a crítica de que Serra não teria um candidato a governador a apoiá-lo exclusivamente no Rio.

Anteontem, uma pesquisa Ibope mostrou Dilma cinco pontos à frente de Serra.Mais cedo, ao participar de caminhada ao lado do vice, Índio da Costa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Serra minimizou os dados. "Cada dia é um resultado. O que importa mesmo é a pesquisa de urna."

Serra: aposta no currículo

DEU NA ZERO HORA (RS)

Um governante inovador, avesso a apadrinhamentos políticos e com sensibilidade social. Assim Serra será apresentado nos primeiros programas da propaganda eleitoral no rádio e na TV. Além de destacar a experiência acumulada pelo tucano como ex-governador e ex-ministro, a equipe de marketing do PSDB irá mostrar depoimentos de pessoas beneficiadas por iniciativas de Serra.

A propaganda irá enfatizar a biografia dele, mas também mostrar como ele criou formas de ajudar as pessoas resume um auxiliar da campanha tucana.

Nas imagens já coletadas em 10 Estados, há manifestações de pacientes operados nos mutirões das cirurgias de catarata, doentes crônicos beneficiados pelos medicamentos genéricos e por outros programas criados na gestão de Serra no Ministério da Saúde.

Durante passagem por Curitiba, na semana passada, o tucano gravou imagens na Pastoral da Criança. A equipe comandada pelo marqueteiro Luiz González pretende usar o material como antídoto à exaustiva exploração que o Bolsa-Família terá na propaganda do PT. A ideia é mostrar que Dilma nunca gerenciou programas sociais.

Os dois estão aí para serem comparados. De Dilma, não se conhece nenhuma grande atuação afirma o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

A propaganda tucana também pretende convencer o eleitor de que, no governo Lula, Dilma não conseguiu destravar gargalos na infraestrutura do país. Boa parte das críticas será direcionada ao PAC, uma das principais grifes da petista.

Jarbas: Não contesto números

DEU NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Ao comentar pesquisa do Ibope, peemedebista admite que demora em anunciar candidatura pesou negativamente, mas aposta em reverter a situação

Roseanne Albuquerque

PETROLINA. Diante da nova pesquisa Ibope, divulgada na sexta-feira, que registrou uma acentuada vantagem do governador-candidato Eduardo Campos (PSB) na disputa estadual 60% contra 24% o candidato do PMDB, Jarbas Vasconcelos, se mostrou tranquilo. Ele disse ter consciência que os resultados refletem um momento, e que durante a campanha, com as caminhadas e o reforço do guia eleitoral de rádio e TV, os números podem ser revertidos. Faltam 64 dias para a eleição. O guia começa dia 17 e estamos preparando um material bonito e competente, propositivo. Se esse guia não for assimilado pela população, paciência. Eu não posso arrumar bode expiatório. Eu demorei a me definir, reconheceu.

No seu segundo dia de visita ao Sertão do São Francisco, ontem, Jarbas lembrou que uma pesquisa divulgada na semana passada revelou que 25% do eleitorado do Recife não sabia que ele era candidato, enquanto Eduardo Campos tem todas as forças, usa muito a mídia e tem um amplo palanque. É normal que os números apareçam contra mim, não contesto. Mas pesquisa para valer tem que vir depois de dez, quinze dias do guia. Tenho tempo para reverter a situação, acrescentou Jarbas, pouco antes de seguir para a festa de lançamento da campanha do aliado Oswaldo Coelho (DEM) a deputado federal. Antes, ele conversou com feirantes da Cohab Massangano, e tomou um reforçado café da manhã no Galinhódromo, acompanhado da candidata a vice, Miriam Lacerda (DEM), e ao Senado, Marco Maciel (DEM) e Raul Jungmann (PPS).

Jarbas advertiu sobre a necessidade de uma reforma política urgente para o País, porque enquanto não houver coerência, fidelidade partidária, vamos continuar presenciando essas legendas de aluguel. Qualquer um vai fazer base parlamentar na base da negociata. Sobre o PMDB, ele foi categórico. É um aglomerado de pessoas, algumas comandadas por Michel Temer e José Sarney. Não tem nada pior para mim, senador da República, que sentar na minha cadeira e olhar Sarney presidindo o Senado, como se nada tivesse acontecido, disparou.

Após as andanças pelo sertão, Jarbas criticou a paralisação de obras de irrigação e de outras financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula esteve por dois dias no sertão com Dilma. Eu visitei os mesmos locais e encontrei as obras paradas, disse. A saúde por onde se anda é um caos. A educação, em relação ao Nordeste, está numa das piores situações. E na segurança, a redução de homicídios acontece aqui como tem acontecido em todo o país, até mesmo por conta do estatuto do desarmamento. Mas pergunta aqui (em Petrolina) e no Recife, se a pessoa está segura ao sair de casa. Os índices de sequestros relâmpagos, assaltos e roubos não estão aparecendo. É mídia. Quando começar a mostrar no guia, a população vai saber que não está bem, avaliou.

Dilma e Serra tentam tirar diferença

DEU NO ESTADO DE MINAS

Denise Rothenburg, Izabelle Torres

Brasília Os candidatos a presidente da República aproveitam o período anterior aos debates e ao horário eleitoral gratuito de rádio e TV para tentar tirar a diferença onde o adversário predomina. Na última semana, por exemplo, a candidata do PT, Dilma Rousseff, investiu pesado no Sul do país, única região em que ela apresentou uma queda na pesquisa de intenção de voto divulgada na sexta-feira pelo Ibope. Enquanto isso, o tucano se dedicou a caminhadas em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde a petista aparece com uma vantagem de 19 pontos sobre Serra.

No Sul, Dilma caiu de 35% para 31% segundo o Ibope, enquanto Serra subiu de 42% para 46%, o que elevou de sete para 15 pontos percentuais a diferença entre os dois candidatos. Coincidentemente, o presidente Lula concentrou a sua agenda em cidades sulistas na semana que passou. O presidente foi a Santa Cruz do Sul (RS), onde visitou microusinas de biodiesel e falou da produção de alimentos. De lá, seguiu para Porto Alegre, onde participou de um comício com Dilma. Ontem, Lula e Dilma apareceram juntos novamente em Curitiba, no Paraná, onde o presidente prometeu ajudar ainda o candidato a governador, Osmar Dias (PDT).

Nos dois discursos nos palanques sulistas, Lula criticou as elites e fez apelos ao voto feminino. "O Paraná poderia contribuir e ser um estado que ajudou a vencer o preconceito contra a mulher. Afinal, o governo da Dilma não terá a minha cara. Terá a cara dela e mais mulheres no governo", afirmou. "Somos diferentes do outro candidato, que representa as elites. Se alguém tem simpatia por mim, é só comparar o que somos hoje com o passado", comentou Lula.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, Serra caminhou por mais de três horas ao lado do prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos (PSDB), e do candidato a vice-presidente, deputado Índio da Costa (DEM-RJ).

Estratégias. Articuladores políticos dos candidatos afirmam que a ideia é aumentar o número de visitas aos estados em que as pesquisas mostram alguma desvantagem e nos discursos tentar buscar uma identidade entre eles e a região. Foi o que fizeram ontem. Dilma lembrou das suas visitas ao Paraná na época da ditadura e disse que a região lhe trazia muitas lembranças. O PT estadual tratou de divulgar fotos em que Lula aparecia na região da Boca Maldita nos anos 80 quando tentava divulgar o recém-nascido PT. Serra por sua vez frisou diversas vezes durante a caminhada que se preocupa com o Rio e que demonstrou isso ao escolher um vice fluminense. Nas conversas com os cariocas, o candidato garantiu que pretende prestigiar o estado e que a chapa com Índio da Costa é a prova disso.

Os analistas políticos consideram normal o fato de os candidatos escolherem terrenos onde o adversário está melhor. "Serra ainda tem o que crescer no Sul, assim como Dilma tem um palanque melhor no Rio. É natural que trabalhem agora para reduzir as diferenças e reforçar onde estão bem", diz o cientista político Antônio Lavareda, da MCI, que tem analisado as pesquisas com uma lupa.

Fatia do Tesouro nos recursos do BNDES cresce mais de 500%

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Proporção de dinheiro federal passa de 6% em 2001 para 40% em 2009

Presente nos grandes negócios fechados no País nos últimos meses, o BNDES depende cada vez mais do Tesouro, informa Lu Aiko Otta. A proporção de recursos dos cofres federais, que era de 6% em 2001, chegou a 40% em 2009, num total de R$ 144,3 bilhões, um salto de 566%. A fatia deverá ser ainda maior neste ano, porque foram injetados mais de R$ 80 bilhões de dinheiro público. Para fortalecer o BNDES, o Tesouro emitiu títulos pelos quais paga taxa de mercado, mas esse dinheiro é emprestado pelo banco pela Taxa de Juros de Longo Prazo, bem mais baixa. A diferença configura subsídio, bancado pelos cofres federais e cujo valor é desconhecido.

Parcela do Tesouro nos empréstimos do BNDES cresce 566% em oito anos

Expansão tende a se acelerar este ano, com a injeção de mais de R$ 80 bilhões de recursos públicos; economista critica falta de transparência

Lu Aiko Otta

BRASÍLIA - Presente em todos os grandes negócios fechados no País nos últimos meses, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) depende cada vez mais do Tesouro Nacional para continuar emprestando. A proporção de recursos originários dos cofres federais, que era de 6% em 2001, chegou a 40% em 2009, num total de R$ 144,3 bilhões. Foi um salto de 566%.

O porcentual deverá ser ainda maior neste ano, porque foram injetados mais R$ 80 bilhões dos cofres públicos no banco. "Essa dependência aumenta o grau de interferência do Tesouro no banco e diminui a transparência", avalia o economista Mansueto Almeida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou os dados nos balanços do banco. "Tudo isso vem sendo feito com pouco debate pela sociedade."

Para fortalecer o BNDES, o Tesouro emitiu títulos pelos quais paga a taxa de mercado, mas esse dinheiro é emprestado pelo banco pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), bem mais baixa e atualmente em 6% ao ano. Essa diferença entre taxas de juros é bancada pelos cofres federais, num subsídio cujo valor é desconhecido e que virou o debate do momento entre especialistas.

"Estamos aumentando a dívida pública para tentar suprir a carência de recursos do BNDES para fazer política industrial, dar crédito de longo prazo, financiar obras públicas etc", observa Mansueto. "Mas essa política tem um custo, por isso é preciso que a sociedade discuta o que quer do BNDES." A Petrobrás, por exemplo, tomou R$ 25 bilhões do banco. "Mas essa é uma empresa que consegue crédito em qualquer lugar do mundo."

Segundo o economista, não haveria razão para criticar o empréstimo se o BNDES tivesse dinheiro de sobra. "Mas não é o caso, pois ele está pegando recursos no Tesouro", diz. "A sociedade se beneficia da arrecadação de impostos gerados pelo setor de petróleo e gás, e não do fato de a participação do governo ser maior ou menor na Petrobrás."

Falso problema. Em defesa do empréstimo à estatal, o assessor da presidência do BNDES Marcelo Miterhofdiz que a operação ocorreu em meio à crise, num momento em que as linhas de financiamento eram escassas. "Apesar de a Petrobrás ter mais facilidade para tomar empréstimo, se tivesse recorrido ao mercado de crédito privado provavelmente haveria uma drenagem nos recursos para pequenas e médias empresas."

Ele classifica o aumento de dependência do BNDES em relação ao Tesouro como "falso problema", pois a injeção de dinheiro, que chegou a R$ 180 bilhões, foi uma manobra decorrente da crise. "Seria problema se continuasse crescendo (a dependência em relação ao Tesouro), o que não é verdade." Miterhof afirma não dispor do valor do subsídio embutido na operação.

"Está-se discutindo muito isso, sem olhar os benefícios", comenta. Ele observa que muitos países injetaram bilhões em recursos públicos na economia a fundo perdido (sem retorno), enquanto o que ocorreu no Brasil foram empréstimos que ajudaram a atenuar os efeitos da crise.

"Se o governo quisesse aumentar gastos em R$ 500 milhões com educação ou saúde, o debate teria sido mais amplo do que foi em relação a esses empréstimos do BNDES", diz Mansueto. Isso porque, para aumentar despesas do Orçamento, é preciso apontar a fonte de financiamento, por exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa discussão se dá no Congresso. Já para elevar a dívida, como no caso do BNDES, não há restrição.

Petistas fazem dossiê contra ministro do PT

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Documentos acusam Marina, filha de Mantega, de tráfico de influência no BB; ela nega, e titular da Fazenda não comenta

Na briga por cargos e poder no governo Lula, até o ministro Guido Mantega (Fazenda) foi alvo de dossiê apócrifo que o próprio governo identifica como feito pela ala do PT egressa do sindicalismo bancário. O material obtido pela Folha, contém acusações de tráfico de influência no Banco do Brasil contra Marina, filha de Mantega. O objetivo era forçar o ministro a desistir de nomear Paulo Caffarelli, vice-presidente do BB, para a chefia do fundo de pensão Previ.

O dossiê diz que Marina se reuniu com o vice do BB e fez pedidos, o que ele confirma e ela nega. Caffarelli foi preterido da Previ, mas os bancários não emplacaram seu nome. Petists apontados como culpados pelo dossiê negam; Mantega não comentou.

Mantega foi alvo de dossiê atribuído a bancários do PT

Documento acusa a filha do ministro de tráfico de influência no Banco do Brasil

Objetivo seria minar indicação de vice do BB para Previ; petistas apontados como os responsáveis negam

Leonardo Souza

DE BRASÍLIA - Na briga por cargos e poder na administração do presidente Lula, até o ministro Guido Mantega (Fazenda) foi alvo de um dossiê apócrifo que o próprio governo identifica como elaborado pela ala do partido egressa do sindicalismo bancário.O material, obtido pela Folha, traz acusações de tráfico de influência no Banco do Brasil contra a filha de Mantega, a modelo Marina. No final de abril, o papel foi enviado para a presidência do BB, para o gabinete de Mantega e para a Casa Civil.

O objetivo era forçar o ministro a desistir de nomear o vice-presidente do BB Paulo Caffarelli para a presidência da Previ (fundo de pensão dos funcionários do banco), um colosso de R$ 150 bilhões de patrimônio.

Caffarelli acabou preterido por ordem do Planalto, mas os bancários também saíram enfraquecidos. O nome por eles defendido para assumir a presidência da Previ, Joílson Ferreira, não foi escolhido.

Além disso, os dois principais expoentes do grupo, o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini e o ex-presidente da Previ Sérgio Rosa, perderam espaço no governo e foram alijados da campanha de Dilma Rousseff à Presidência.

ENCONTROS

O papel traz dados inverídicos. Diz, por exemplo, que Caffarelli autorizou, quando esteve na Previ (foi gerente de investimentos imobiliários entre 1999 e 2000), aplicações em títulos e ações desastrosas para o fundo. Sua área, porém, não tinha relação com renda variável.Mas o documento relata também que Marina esteve com Caffarelli para encaminhar pleitos por diversas vezes na sede do BB em São Paulo. Segundo Caffarelli, os encontros realmente ocorreram. Marina nega.

Caffarelli disse à Folha que a recebeu em três ocasiões e contou, de forma genérica, quais foram os pedidos. Mas afirmou que nenhum foi levado adiante.

Na versão dele, o primeiro pedido foi para a abertura de conta para a loja de uma amiga. Na segunda ocasião, ela teria solicitado informações sobre uma linha de crédito para exportação de frango. Na terceira, queria renegociar dívidas de uma empresa.

No último caso, segundo a Folha apurou, tratava-se da Gradiente. Marina namora um dos sócios da empresa, Ricardo Staub. Mas o banco manteve as medidas judiciais contra a empresa.Apenas pessoas de dentro da máquina pública saberiam dos encontros de Marina com Caffarelli.

Nas últimas quatro semanas, a Folha ouviu nove pessoas que fazem parte da estrutura do governo. Todas confirmaram que, para o Planalto, a cúpula do BB e a Fazenda, partiu dos bancários a produção do dossiê.

PT

Nas conversas, foram apontados dois supostos autores, ambos filiados ao PT e muito próximos de Berzoini.

O primeiro se chama Alencar Ferreira, secretário-executivo do Ministério do Trabalho na gestão de Berzoini, que comandou a pasta entre 2004 e 2005. Ele nega quaisquer irregularidades.

Quando Caffarelli foi alçado a vice-presidente do banco, no final de 2009, bateu de frente com Ferreira, que na época estava na Companhia de Seguros Aliança do Brasil, uma coligada do BB. Caffarelli tirou Ferreira da empresa.

O segundo suspeito, para integrantes do governo, é José Luís Salinas, que perdeu o cargo de vice-presidente de tecnologia do BB em junho.

Salinas testemunhou, segundo executivos do banco ouvidos pela Folha, encontros de Marina com Caffarelli no prédio da Paulista.

As suspeitas do governo chegaram ao conhecimento dos bancários. Em meados de maio, Alencar Ferreira ligou para dois vice-presidentes do BB para dizer que nada tinha a ver com o dossiê.

Sérgio Rosa também quis se desvincular do episódio. No dia 21 de maio, pediu para ser recebido por Mantega, que o atendeu, em São Paulo, fora da agenda oficial.

Rosa solicitou a audiência a pretexto de fazer um balanço de sua gestão, que se encerraria no dia 31 daquele mês. Mas aproveitou o encontro para dizer pessoalmente a Mantega que não teve participação no dossiê.

Além de não ter conseguido emplacar Joílson como seu sucessor, o ex-presidente da Previ também não foi convidado a participar da campanha de Dilma, ao contrário do que se cogitava no começo do ano, e não recebeu uma oferta de cargo.

No final do ano passado, havia a especulação em círculos governistas de que Rosa poderia ocupar uma diretoria na Vale ou a presidência de alguma empresa de grande porte na qual a Previ tivesse participação.

Mas foi oferecida a ele a presidência da Brasilprev, uma coligada do BB de menor peso. Rosa ainda não disse sim ao convite.

Berzoini, por sua vez, perdeu no começo de julho os últimos cargos de sua indicação na direção do BB. Após a saída de Salinas, seu apadrinhado, caíram os diretores José Raya (tecnologia) e Sebastião Brandão (logística). Ele também não participa do comando da campanha de Dilma, como foi cogitado.

Governo não fiscaliza repasses de R$ 162 milhões a sindicatos

DEU EM O GLOBO

Investigação sobre destino dos recursos públicos recebidos por centrais se arrasta há 9 anos

O governo federal repassou pelo menos R$ 162 milhões às grandes centrais sindicais do país - Força Sindical, CUT e outras quatro entidades - e até hoje não se sabe se esses recursos foram gastos corretamente, apesar de os convênios terem sido firmados de 2001 a 2009. Uma amostragem do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) revela que as prestações de contas referentes a R$ 54,9 milhões nem foram analisadas. Nos demais casos, a prestação de contas não foi apresentada ou contém irregularidades, informa Regina Alvarez. A Força, que passou a apoiar o governo Lula e sua candidata à Presidência, Dilma Rousseff, aparece como inadimplente em três convênios entre 2001 e 2003 e, somados, chegam a R$ 101,9 milhões. Todos são alvo de tomadas de contas especiais devido a irregularidades identificadas. O TCU já alertou o governo sobre as falhas na fiscalização.

Dinheiro sindical sem controle

Convênios de R$ 162 milhões com CUT, Força e mais 4 entidades têm irregularidades e pendências nas prestações de contas

Regina Alvarez

BRASÍLIA - Em campanha explícita pela candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, as grandes centrais sindicais e sindicatos ligados a essas entidades recebem tratamento complacente do governo, em relação ao controle e à fiscalização do uso do dinheiro público. Amostragem extraída do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) aponta irregularidades e pendências em, pelo menos, R$ 162 milhões repassados à CUT, à Força Sindical e a mais quatro entidades, por convênios. Desse montante, R$ 54,9 milhões são de repasses que sequer tiveram as prestações de contas analisadas pelos órgãos federais até o momento, embora os convênios tenham sido encerrados entre 2001 e 2009. O restante se refere a prestações de contas que não foram apresentadas ou contêm irregularidades.

As grandes centrais sindicais e sindicatos ligados a essas entidades receberam milhões em recursos do governo para aplicar em treinamento e capacitação de trabalhadores, cursos de aperfeiçoamento e outras atividades inerentes ao movimento sindical.

Uma parte das irregularidades na aplicação dos recursos destinados às centrais sindicais foi detectada ainda no governo anterior, a partir de auditorias feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A Força Sindical, por exemplo, que apoiava o governo anterior e agora defende a candidata do presidente Lula, aparece no Siafi como inadimplente em três convênios firmados com o Ministério do Trabalho, encerrados entre 2001 e 2003.

Somados, esses convênios (inadimplentes) da Força chegam a R$ 101,9 milhões e são objeto de tomadas de contas especiais pelos órgãos de fiscalização, mas ninguém foi punido até o momento, porque os processos não foram concluídos.

Outros três convênios entre o ministério e a Força Sindical aparecem no Siafi com prestações de contas sem análise. Um deles, no valor de R$ 4,2 milhões, foi encerrado em fevereiro de 2001. Outro, no valor de R$ 13,2 milhões, em março de 2006. Somados, os recursos repassados à Força e que apresentam algum tipo de pendência na prestação de contas irregularidades ou falta de análise chegam a R$ 123,5 milhões.

Maioria da verba transferida é do FAT

A maioria dos recursos transferidos às entidades é do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), administrado pelo Ministério do Trabalho.

Só do Fundo, são R$ 145,7 milhões sem prestações de contas aprovadas. O levantamento feito no Siafi abrange 23 convênios firmados com órgãos do governo, que apresentam pendências diversas.

Além de CUT e Força Sindical, o balanço inclui outros dois braços da CUT: Escola Sindical São PauloCUT e Escola Sindical Amazônia (CUT-PA); Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FetrafSul-CUT) e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, este último ligado à Força Sindical.

No caso da CUT, há registro de dois convênios, encerrados em 2006 e 2007, que ainda não tiveram as prestações de contas analisadas pelos órgãos federais. Um com o Ministério do Trabalho, via FAT, de R$ 5,2 milhões; outro com o Ministério da Educação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), de R$ 7,8 milhões.

A Escola Sindical Amazônia-CUT deixou de apresentar as prestações de contas de convênios com o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) encerrados em 31 de dezembro de 2007, no valor de R$ 308 mil, e aparece como inadimplente no Siafi.

A Escola Sindical São Paulo-CUT tem uma prestação de contas sem análise de um convênio com o Ministério do Trabalho encerrado em abril de 2007, no valor de R$ 5 milhões. E não apresentou prestação de contas de outro convênio, com o Ministério da Cultura, de R$ 150 mil.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, ligado à Força Sindical, tem um convênio de R$ 12,9 milhões com o Ministério do Trabalho, encerrado em fevereiro de 2001, que aparece no Siafi com a prestação de contas sem análise.

A Federação de Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-Sul-CUT) não apresentou prestações de contas de quatro convênios firmados com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). E outros quatro convênios, encerrados em 2007, não tiveram até o momento as prestações de contas analisadas. No total, são R$ 3,7 milhões repassados pelo governo à federação, e com pendências nas prestações de contas.

O Tribunal de Contas da União considera falha a fiscalização dos convênios com as chamadas entidades sem fins lucrativos, onde se enquadram as entidades sindicais, e já fez diversos alertas ao governo sobre o acúmulo de prestações de contas sem análise.

Em maio, o TCU aprovou acórdão que contém advertência à ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, e ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sobre o atraso na implantação plena do Siconv (sistema de convênios) e do Portal de Convênios.

Os sistemas foram criados pelo governo para o acompanhamento e fiscalização das transferências de recursos do Orçamento da União, por exigência do TCU.

Quando estiverem funcionando plenamente, prometem maior transparência e controle efetivo do uso do dinheiro público. A implantação começou em 2007, mas se arrasta, e o cronograma já foi adiado várias vezes, a pedido do governo.

Os sucessivos atrasos no cronograma de implantação do Siconv e do Portal de Convênios estão postergando a conclusão dessas ferramentas e, em consequência, impedindo uma melhor gestão dos recursos públicos federais descentralizados, comprometendo os custos e os resultados de parcela dos programas de governo, e propiciando a ocorrência de irregularidades na gestão orçamentária desses recursos(...), afirma o ministro Augusto Sherman, relator do acórdão do TCU.

Os órgãos que repassam os recursos têm estruturas muito precárias.

Não têm recursos humanos nem materiais para fazer trabalho eficiente disse o ministro ao GLOBO.

O que pensa a mídia

Editoriais dos principais jornais do Brasil
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Robert Schumann - Contos de fadas -Yuri Bashmet (Viola) Mikhail Mutian (Piano) - Moscow 1989

Metade:: Ferreira Gullar


Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é plateia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também

sábado, 31 de julho de 2010

Reflexão do dia – Luiz Werneck Vianna


“ A partir dos anos 1970, em uma iniciativa de Ênio Silveira, à testa da Editora Civilização Brasileira, iniciam-se as primeiras publicações da obra de Gramsci, que logo ingressa no panteão dos clássicos selecionados pela bibliografia brasileira em ciências sociais, muito particularmente em razão da sua teoria por sob nova luz a natureza da modernização autoritária, então em curso sob regime militar. Fiz parte desse movimento intelectual, atraído, como tantos da minha geração, pela capacidade de explicação dos conceitos e categorias desse autor, que favoreciam perspectivas originais para o estudo da nossa realidade, e, sob essa inspiração, o tema da revolução passiva dominou o argumento que desenvolvi em Liberalismo e Sindicato no Brasil, publicado em 1976. “


(Luiz Werneck Vianna, no artigo, ‘Revolução passiva e República’, no Valor Econômico, segunda-feira, 26/7/2010)

O poder da ideia :: Cacá Diegues

DEU EM O GLOBO

Em 1865, o quadro "Olympia", do pintor Edouard Manet, pai do impressionismo, foi recusado pelo Salão de Belas Artes de Paris. Exposto então no Salão dos Recusados, "Olympia" provocou escândalo sem precedentes. O quadro retratava uma mulher nua deitada na cama, enquanto uma criada negra lhe traz flores e um gato preto, aos pés da moça, nos encara do canto direito da tela. Além de mal pintado, um borrão de cores, atentado à boa pintura de uma época neoclássica, paródica e acadêmica, "Olympia" foi acusado também de indecente e pornográfico. Jornalistas e escritores zombavam de Manet, professores e estudantes de Belas Artes indignavam-se com ele, mães de família em passeatas cobriam o quadro para que não fosse visto. Paris inteira linchava "Olympia".

Somente o escritor e jornalista Émile Zola ousou defender publicamente o pintor e sua obra. Num artigo em que anunciava o nascimento de uma nova arte e de uma nova moral na produção artística francesa, Zola só lamentava a presença do gato preto no canto da tela que, segundo ele, servia apenas como ornamento desnecessário, elemento de distração no rigor poético da composição. Diante do clamor geral, o diretor de seu jornal exigiu que Zola se retratasse e, como o escritor se recusasse a fazê-lo, foi despedido e viu as portas de todos os jornais franceses se fecharem para ele. Manet, como agradecimento por seu gesto, pintou-lhe então um retrato que se encontra exposto no Museu d"Orsay, ao lado do "Olympia". Nesse quadro, Zola está a escrever, cercado de livros e, na parede do cômodo, o pintor reproduziu o "Olympia", sem o gato preto no canto da tela.

O grande escritor naturalista passaria depois à história como um dos inventores do papel do intelectual combatente, do maître à penser, quando denunciou, com seu manifesto "J"accuse", a manipulação política, o preconceito e a hipocrisia racista no famoso Caso Dreyfus. De Émile Zola a Susan Sontag (que teve a ousadia de explicar ao americano comum o que ele não havia entendido do 11 de setembro), muitos desses intelectuais não arriscaram apenas seu reconhecimento, mas, às vezes, a própria vida no cumprimento da missão de pensar o mundo e o estado das coisas segundo sua própria consciência, conhecimento e intuição, sem se submeter à palavra de ordem majoritária de grupos, partidos ou corporações.

É em nome disso que não tenho partido, nunca tive um, não tenho gosto pela vida partidária. Para falar a verdade, não gosto de artistas ou intelectuais "orgânicos", aqueles que submetem o que pensam à razão política de suas organizações. O que não impede que seja justo se interessar por política e manifestar sua opinião sobre ela. A diferença é que, mesmo sendo sincero, o político precisa dizer sempre aquilo que ficar mais próximo do que seu interlocutor deseja ouvir; e, ao intelectual, cabe mostrar o que nem sempre é visto, mesmo quando inoportuno ou inconveniente. Perturbar, com o poder da ideia, a harmonia construída pela ideia de poder.

O paradoxo de minha adesão irrestrita à democracia representativa é que desconfio e tenho medo daqueles que desejam mandar nos outros, embora considere inevitável e desejável que elejamos nossos governantes. E, já que temos que os eleger, pensemos no que seus programas podem nos oferecer. Assim, é claro que, nas próximas eleições, cada um de nós tem o direito e mesmo o dever de escolher um dos candidatos a presidente da República, segundo nossos interesses e necessidades.

Mas, no Brasil, artistas e intelectuais são tratados como bumbos de comício, alegres animadores do carnaval de palanques, figurinhas premiadas nos álbuns de campanhas políticas. É dramático observar como em nenhum discurso, artigo, entrevista, debate ou programa de governo dos principais candidatos (vi todos na internet), há uma só referência à cultura. Nenhum deles se manifestou, até aqui, sobre o assunto. E a cultura, com toda a sua complexa multiplicidade material, tecnológica e virtual de hoje em dia, é a flor de uma nova era do conhecimento, o fator das mudanças que a humanidade do século 21 vai assistir, como nunca antes na história desse planeta.

Desse jeito, o gato preto ornamental vai ficar para sempre no canto da tela. Os heróis do século 21 serão aqueles que não precisam escolher porque sabem que, quanto menos escolherem, menos perderão.

Cacá Diegues é cineasta.

Por que fogem? :: Míriam Leitão

DEU EM O GLOBO

A democracia se encolhe quando em época de campanha os candidatos acham que têm mais a ganhar não falando. De que forma conhecê-los melhor senão através de debates, entrevistas? Dilma Rousseff tem usado a estratégia de fugir de qualquer ambiente que não controle, com pequenas experiências fora desse padrão. Agora, José Serra começou também a se negar a ir a debate. Que eleições teremos?

O debate na internet seria muito bom, se tivesse sido. Um deles, de alguns dos portais, estava marcado para a última segunda-feira e não aconteceu. Novas mídias, formato a ser ainda experimentado pelos jornalistas com mais liberdade e interatividade. Dilma fugiu. Serra fugiu em seguida alegando que Dilma fugiu. Erraram os dois. Antes, só Dilma estava dizendo não a tudo o que ela e sua assessoria entendiam que pudesse trazer algum risco. É um espanto que quem pensa em governar o Brasil tenha medo de uma entrevista ou um debate. Terão medo dos seus próprios pensamentos? De serem traídos por suas palavras? De revelarem o que realmente pensam e, assim, fugirem ao personagem inventado pelo marketing? A negativa é suspeita em si.
Quando um candidato está muito na frente, ele costuma evitar riscos. Mas no caso, os dois estão se alternando no primeiro lugar. O jogo ainda está sendo jogado. Serra estava indo a entrevistas e se expondo, mas no último debate decidiu errar junto com sua adversária. Toda entrevista é uma oportunidade de expor o pensamento. Isso só pode ajudar o eleitor e o próprio candidato. Todo debate é uma salutar forma de confrontar ideias e estilos. Serra vinha criticando Dilma por fugir de entrevistas e debates, mas agora o que tem a dizer? Dilma revela com sua fuga que tem medo de sua falta de experiência em situações de stress normais em campanhas eleitorais. E Serra? Ele costuma dizer que já fez nove campanhas eleitorais.

Desde 1998 tenho entrevistado, na Globonews, os candidatos a presidente. Em algumas dessas eleições houve até duas rodadas de entrevistas. Só uma vez, na primeira rodada de 2002, por volta de abril, ocorreu uma recusa: a de Anthony Garotinho. Na segunda vez ele foi. Todas as entrevistas, com todos os candidatos, foram esclarecedoras. Jornalista em época de eleição deve fazer perguntas sobre os pontos fracos, não esclarecidos, contradições dos candidatos. Por que seria diferente? Para questões que levantem a bola existe o horário eleitoral. O contraponto são as entrevistas e debates. Que credibilidade pode ter uma entrevista de Dilma Rousseff a uma TV do governo? Mas a essa, com tudo sob seu controle, a candidata compareceu. Na campanha deste ano, a Globonews convidou os três candidatos mais competitivos para serem entrevistados por mim. Os representantes de Dilma Rousseff foram para as reuniões preparatórias, mas ela não quis comparecer. Marina Silva e José Serra deram respostas esclarecedoras sobre vários pontos que levantei. Escrevi sobre as entrevistas nesse espaço de coluna. O trabalho ficou incompleto porque não pude perguntar nem escrever sobre o pensamento de Dilma Rousseff. Fiquei com a sensação de que ela acha que tinha mais a ganhar não sendo entrevistada do que sendo. O que é esquisito, para dizer o mínimo.

Se a recusa tivesse sido só para um programa poderia ter sido apenas uma escolha num conflito com outras atividades de campanha, ou outra qualquer questão subjetiva que se deve respeitar. Mas Dilma recusou também a ida à sabatina da "Folha de S.Paulo". Pior: tinha já previsto e marcado a ida, quando decidiu cancelar. Espantoso. Aos jornalistas, cabe apenas fazer perguntas, por mais difíceis que sejam são apenas perguntas. O candidato tem todo o tempo, e a chance, das respostas. O que Dilma Rousseff revelou, fugindo da sabatina tradicional da "Folha", sempre tão bem feita, tão esclarecedora, é que tem medo não das perguntas, mas de suas respostas.

Essas fugas iniciais não foram boas, mas ainda há vários outros eventos jornalísticos programados e sempre haverá tempo para o confronto das ideias, programas, projetos e estilos. Tomara que novas fugas não aconteçam. Ainda há chance de corrigir esse perigoso desvio das eleições de 2010. No Rio, o candidato que está na liderança nas intenções de votos para o governo, o atual governador Sérgio Cabral disse que mudou de ideia e vai comparecer aos debates. Ótimo. Os candidatos precisam falar e se expor aos diversos tipos de pressão, porque é assim a democracia. Essa campanha já tem uma enorme distorção provocada pela presença abusiva do presidente da República, em campanha aberta, usando toda a força da máquina, todos os eventos de governo, alterando cronogramas de eventos até de estatais como a Petrobras só para construir vitrines para sua candidata. Lula fala por ela. Isso desequilibra a disputa, não por ele ser algum super-homem, mas porque ele está no supercargo. Isso distorce o ritual da escolha que o eleitor precisa fazer serenamente e com o conhecimento sobre os candidatos em si.

Se a campanha for assim, com candidatos fugindo ao debate, a candidata governista tutelada pelo presidente da República, a máquina e os recursos públicos sendo usados de forma explícita, teremos um retrocesso político grave, seja qual for o resultado das eleições. Essas atitudes enfraquecem a busca de soluções, oportunidade aberta pelo processo eleitoral. No fim, encolhem a democracia.

Guerrilhas e finanças :: Cesar Maia

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

A questão central das guerrilhas sempre foi a de financiamento e logística. Afinal, armas e munição não caem do céu. A apropriação em combate no máximo conta-se em unidades. Por ideologia, a atração de recursos humanos e a motivação dos guerrilheiros podem ser resolvidas. Medicamentos, comida e uniformes, até se conseguem em ação.

Nos anos 80 as guerrilhas de esquerda latino-americanas atingiam seu auge, inspiradas em Cuba, no Vietnã e na tomada de poder pelos sandinistas na Nicarágua em 1979. Tive uma longa conversa, em Manágua, em 2006, com Éden Pastora -o mítico Comandante Zero-, que tomou o Palácio Nacional em 1978.

Todo o encanto ideológico se desfez para ele no momento da ocupação do poder, quando as lideranças deram lugar aos parentes e amigos de Ortega, que governou até 1990 e voltou ao poder agora, num escabroso acordo.

O processo de paz com as guerrilhas de Guatemala, El Salvador e Honduras se deu na primeira metade dos anos 90, com celebração pela ONU.

A entrega de armas e a paz seriam inevitáveis depois da queda do Muro de Berlim em 1989, da implosão do Pacto de Varsóvia e da desintegração da União Soviética em 1991. Com o término do subsídio soviético ao açúcar cubano e sem as fontes de financiamento da Europa Oriental, as guerrilhas centro-americanas foram perdendo fôlego.

O processo de paz, liderado pela ONU, foi nesse sentido quase humanitário. A democratização veio com a superação das ditaduras de direita patrocinadas pela United Fruit e congêneres, cujo caso mais extravagante foi o da ditadura "hereditária" somozista na Nicarágua. As guerrilhas transformadas em partidos políticos.

Mas há exceções, ambas na América do Sul. As Farc e o ERP na Colômbia e o Sendero Luminoso no Peru. Nos três casos as fontes público-ideológicas de financiamento das guerrilhas foram substituídas por fontes "privadas".

Primeiro as extorsões mediante sequestro, que passaram a somar milhares por ano, alcançando centenas de milhões de dólares. E em seguida o tráfico de cocaína. Inicialmente com as guerrilhas cobrando pedágio para a passagem da cocaína. E em seguida com elas mesmas dando proteção à produção de coca e cobertura aos traficantes.

A liquidação dos grandes cartéis de cocaína deu curso a sua pulverização, facilitando o "trabalho" das guerrilhas. Substituídas as fontes de financiamento públicas por "privadas", o "ouro de Moscou" pela cocaína, as guerrilhas se consolidaram nos anos 90, especialmente as da Colômbia. Que ainda estão aí oxigenadas pela cocaína.


Cesar Maia escreve aos sábados nesta coluna.

Brasil não pode ver um só lado :: Clóvis Rossi

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Ainda há chance de tirar a Unasul da irrelevância; para isso, Lula deve ser intermediário confiável

Se o governo brasileiro quer evitar que a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) resvale para a irrelevância, precisa não só ser como parecer ser o que o jargão diplomático chama de "honest broker" -um intermediário confiável para as partes em conflito, no caso Venezuela e Colômbia.

Por enquanto, não é, ao menos aos olhos da Colômbia, de que dá prova cristalina a crítica do presidente Álvaro Uribe a seu colega Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira nos oito anos de gestão de cada um deles.

O pano de fundo da crítica, pelo que a Folha apurou, é este: quando a Colômbia anunciou o acordo para o uso de bases colombianas por militares norte-americanos, o Brasil reagiu duramente (dureza só retórica, mas dureza). Agora que o governo colombiano denuncia a presença das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) na Venezuela, Lula não diz nada.

A comparação entre as duas cessões de território parece um pouco de exagero, dada a imensa diferença de poder entre os Estados Unidos e as Farc. Mas o exagero encolhe quando se olha passado e presente.

Os Estados Unidos foram de fato uma ameaça à segurança da América Latina, em especial durante os anos da Guerra Fria. Dispensável listar todas as intervenções promovidas ou apoiadas por Washington, com funestas consequências para os países vítimas.

Terminada a Guerra Fria, no entanto, os Estados Unidos já não têm o pretexto de antes, o de evitar que alguma nação latino-americana caísse na órbita soviética. Hoje, cairiam na órbita de quem? De Cuba, que não tem onde cair morta?

O fato é que nenhum dos governos do subcontinente tem afetado interesses vitais americanos. Nem mesmo a Venezuela de Chávez, que manda para os EUA metade do petróleo que exporta - e que é sua única riqueza.

Nem, também, o Equador de Rafael Correa que, é bom não esquecer, mantém o dólar como moeda, o que é renunciar a uma fatia não desprezível da soberania.

VERDADEIRA AMEAÇA

Hoje, a principal ameaça à segurança dos países sul-americanos está dada pelo crime organizado, cujo financiamento depende, em boa medida, do narcotráfico, atividade à qual se dedicam as Farc.

Portanto, as Farc, estas sim, representam uma ameaça.

Para ser visto como intermediário honesto, o Brasil poderia, perfeitamente, preocupar-se com as bases norte-americanas na Colômbia mas não poderia assobiar e olhar para o lado em relação às denúncias da Colômbia, como o fez até agora.

É bom lembrar que a Unasul toma suas decisões por consenso. Logo, sem o voto colombiano (e peruano e agora chileno), a Unasul está condenada a decidir não decidir.

A alternativa à coragem de ver de fato os dois lados é esperar que o novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, prefira deixar hibernando a denúncia feita por Uribe e restabeleça as relações com a Venezuela. Pode até acontecer, mas será apenas varrer a sujeira - as Farc e as relações delas com a Venezuela - para baixo do tapete.

Adoniran Barbosa (6/8/1910) - estará completando 100 anos.

O preço da verborragia – Editorial / O Estado de S. Paulo

Os iranianos que se manifestavam contra a fraude que permitiu a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em junho do ano passado, nada podiam fazer quando o presidente Lula comparou os seus protestos ao "choro de perdedor" dos torcedores de um time de futebol e reduziu os choques de rua em Teerã entre os opositores e as forças de repressão do regime a "apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos".

Também os presos políticos cubanos não tinham como responder ao dirigente brasileiro quando, em março último, ele condenou a greve de fome que levou à morte o dissidente Orlando Zapata Tamoyo, por sinal na véspera de uma visita de Lula a Havana, onde considerou o seu sacrifício "um pretexto para liberar as pessoas" - e foi além. "Imagine", comparou, "se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade."

Muito menos poderia retrucar ao presidente a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por alegado adultério. Perguntado dias atrás sobre a campanha "Liga Lula" para que interceda pela sentenciada junto ao seu bom amigo Ahmadinejad, ele reagiu: "As pessoas têm leis. Se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação."

Mas há quem possa dar-lhe o troco. Foi o que fez o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, depois que um leviano e boquirroto Lula desdenhou do agravamento das tensões entre Bogotá e Caracas. O protoditador Hugo Chávez rompeu as relações da Venezuela com o país vizinho em represália à decisão colombiana de apresentar na OEA as provas da presença de 1.500 membros da organização narcoterrorista Farc em território venezuelano, obviamente sob a proteção do caudilho.

Lula, cuja primeira manifestação a respeito já tinha deixado claro o seu alinhamento automático com Chávez - "as Farc são um problema da Colômbia, e os problemas da Venezuela são da Venezuela", sofismou -, reincidiu na quarta-feira, véspera da reunião dos chanceleres da ineficaz União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito. O tema do encontro, que deu em nada, era o conflito político entre os dois países. "Falam em conflito, mas ainda não vi conflito", minimizou Lula. "Eu vi conflito verbal, que é o que mais ouvimos aqui nessa América Latina."

Equiparar a um bate-boca um problema dramático para a Colômbia, que passou 40 anos sob o terror das Farc antes de serem reduzidas à mínima expressão possível pela firmeza com que as enfrentou o presidente Uribe, foi nada menos do que um inconcebível insulto a uma nação e ao seu governante. Uribe, que difere de Lula por falar pouco e fazer muito, não poderia fingir que não ouviu a afronta.

Ele replicou com a mais dura mensagem já dirigida a um chefe de Estado brasileiro, até onde chega a memória. "O presidente da Colômbia", dispara a nota, "deplora que o presidente brasileiro, com quem temos cultivado as melhores relações, refira-se a nossa situação com a Venezuela como se fosse um caso pessoal." Uribe ainda o acusou de ignorar a ameaça que a presença das Farc na Venezuela representa "para a Colômbia e o continente".

Trata-se da primeira demonstração da perda de respeito por Lula no exterior - e ele só tem a culpar por isso a sua irreprimível logorreia. Não terminasse o seu mandato daqui a 5 meses, a erosão de sua imagem internacional só se intensificaria. Não seria de espantar se um dia alguém o admoestasse, como o rei da Espanha, Juan Carlos, fez com o bravateiro Chávez, perguntando-lhe: "Por qué no te callas?" Não bastasse a grosseria, Lula nada fez para assegurar aos colombianos de que poderia ser um intermediário isento entre Bogotá e Caracas.

Ele parece ecoar a batatada do chanceler venezuelano Nicolas Maduro, que falou de "um plano de paz sul-americano" para resolver "a questão de fundo" da Colômbia com as Farc. Ao que o seu colega colombiano Jaime Bermudez contrapôs ironicamente a ideia de um hipotético "plano de democracia para a Venezuela". Pensando bem, talvez fosse mesmo melhor Lula se ocupar do Irã em vez de fazer papelão perante os vizinhos do Brasil.

Alvaro Uribe tem razão – Editorial / O Globo

Impregnado de soberba pelos altíssimos índices de popularidade ao longo de quase oito anos de governo, o presidente Lula tem dado inúmeras demonstrações de que pensa estar acima de tudo e de todos. A Justiça eleitoral que o diga. São conhecidas suas tiradas e improvisos em declarações oficiais e de campanha, bem-humoradas umas, exageradas algumas, despropositadas outras. Ao longo do tempo, a reação passou a ser "mais uma do Lula", e deixa para lá. Mas, na política externa, as declarações do presidente têm causado estragos. É o que aconteceu com afirmação sobre o incidente entre Venezuela e Colômbia. Lula disse não ver ali um confronto, apenas "um conflito verbal" e pediu paciência até a posse do presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, dia 7.

Ele ignorou solenemente que o cerne do problema não é o presidente colombiano Alvaro Uribe, em despedida do cargo, nem o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Mas, sim, a presença de 1.500 homens das narcoguerrilhas colombianas Farc e ELN em território venezuelano, conforme alerta de Bogotá. Uribe denunciou o fato de o governo da Venezuela nada fazer para impedir que essas forças terroristas, que lutam para desestabilizar a Colômbia, permaneçam em solo venezuelano, fora do alcance do Exército colombiano. Em resposta, Chávez rompeu as relações com Bogotá.

O pior para o governo brasileiro é que Uribe criticou publicamente as afirmações, deplorando "que o presidente Lula se refira à nossa situação com a Venezuela como se fosse um caso de assuntos pessoais (...)".

Neste final de mandato, o governo brasileiro acentuou o caráter ideológico de sua política externa, com péssimo resultado para a credibilidade do país, principalmente como interlocutor confiável na resolução das divergências entre os países sul-americanos. Nesse caminho, a diplomacia brasileira abre mão de parâmetros éticos quando finge não ver grave desrespeito aos direitos humanos em Cuba; quando finge ver "excesso de democracia" (nas palavras de Lula) na Venezuela; quando finge que as Farc não são uma organização narcoterrorista; quando finge acreditar nos propósitos nucleares da ditadura do Irã, quando deseja apenas espicaçar os Estados Unidos, e ainda faz vista grossa ao atropelamento dos direitos humanos por Ahmadinejad.

Uma das características da diplomacia lulista foi ressuscitar o viés esquerdista e antiamericano de alguns líderes populistas do chamado Terceiro Mundo de 50 anos atrás. Um dos exemplos disso é a Unasul, organização criada para se contrapor à OEA, e que por isto exclui os Estados Unidos. Tão artificial é a ideia de que os problemas no continente possam passar ao largo de Washington que a própria reunião da Unasul sobre o conflito entre Venezuela e Colômbia foi esvaziada. Ao criticar o comportamento brasileiro no episódio, o presidente Uribe chama indiretamente a atenção para o fato de, desde o primeiro mandato, Lula ter mantido uma relação próxima com a Venezuela e fria com a Colômbia. Pena, porque a primeira está cada vez mais próxima de uma ditadura efetiva - a chavista. E a segunda, apesar dos inúmeros problemas internos, tem conseguido aperfeiçoar sua democracia. O lulismo prefere más companhias, por simples viés ideológico.

Gabeira e governador em novo 'round'

DEU EM O GLOBO

Oponentes trocam mais acusações, agora sobre quem conhece mais o estado

Henrique Gomes Batista e José Meirelles Passos

As trocas de acusações entre os dois principais candidatos ao governo do Rio subiram ontem de tom. Fernando Gabeira (PV) disse conhecer mais a realidade do estado que Sérgio Cabral (PMDB) e criticou a educação e o saneamento básico nas favelas. O candidato à reeleição, por sua vez, afirma que seu oponente investe no "quanto pior melhor" e que apenas critica em vez de propor.

Pela manhã, após visita à comunidade Parque União, no Complexo da Maré, Gabeira rebateu a ironia de seu adversário, que dissera, na véspera, que o deputado precisa conhecer melhor o estado. Cabral dera a declaração depois que o jipe que Gabeira usava na campanha ter quebrado na estrada RJ-113, devido aos buracos na pista. O candidato do PV criticou o governador que, segundo ele, utiliza helicópteros em grande parte de seus deslocamentos:

- Cabral disse que eu ficar a pé na Baixada Fluminense era para eu conhecer o estado. Bom, quem está de jipe na estrada conhece melhor o estado do que quem anda de helicóptero.

Segundo Gabeira, os maiores problemas do Parque União são a falta de saneamento e escolas de ensino médio. Ele caminhou, por mais de uma hora, pelas ruas da comunidade acompanhado do candidato ao Senado Marcelo Cerqueira (PPS) e do vereador Paulo Messina (PV).

- Na Maré, há uma rede com 14 escolas municipais de ensino fundamental e apenas uma estadual de ensino médio. Há um afunilamento que precisa ser resolvido - disse, após visitar o Museu da Maré, onde prometeu colocar o local no roteiro turístico da cidade.

Na caminhada, Gabeira encontrou moradores que faziam manutenção na rede de saneamento com recursos próprios. Segundo eles, prefeitura e estado empurravam a responsabilidade, sem resolver o problema. Gabeira disse que a situação tem que ser solucionada e disse que essa era a maior reclamação entre os moradores.

Após inaugurar o Comitê Nacional dos Trabalhadores de apoio à sua candidatura e de Dilma Rousseff (PT), Cabral rebateu as frequentes críticas de seu adversário, sugerindo que ao fazê-las Gabeira apenas insiste numa estratégia eleitoral obsoleta:

- O candidato adversário está na linha do quanto pior, melhor. Mas o Rio vive o quanto melhor, melhor. Ainda achamos problemas em alguns lugares. Mas o da falta de esgoto, que ele disse ter visto na Maré, deveria cobrar do (ex) prefeito Cesar Maia, seu candidato ao Senado, o que ele esconde.

Cabral disse que se referia ao fato de, em janeiro de 2007, ter assinado com o então prefeito Cesar Maia documento em que todo o saneamento das favelas passaria à responsabilidade da prefeitura. A mesma resposta - inclusive acusando Maia e não o atual prefeito - foi dada pela Cedae. A prefeitura não comentou. Cesar Maia, candidato ao Senado pelo DEM, divulgou uma nota sobre o assunto: "É verdade, a prefeitura assumiu, sim. E no caso da Maré, 80% contam com saneamento, embora a atual gestão da prefeitura tenha dito que interromperia o serviço. Uma pena".

A secretaria estadual de Educação informou que na Maré há duas escolas de ensino médio - o Ciep Professor Cesar Pernetta e o C.E. Bahia - e que os alunos da região também frequentam uma escola em Ramos e duas em Bonsucesso.

Itamar declara apoio formal a Serra

DEU EM O GLOBO

Marcelo Portela

BELO HORIZONTE e BETIM (MG). O ex-presidente Itamar Franco, candidato ao Senado em Minas Gerais pelo PPS, declarou apoio formal, ontem, ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Itamar disse ao próprio Serra que sempre defendeu que o ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB) fosse o candidato da oposição a presidente, mas afirmou que a "lealdade" o faz aderir à campanha do tucano paulista, seu antigo desafeto.

O encontro de Serra com Itamar ocorreu no apartamento de Aécio em Belo Horizonte, ontem à tarde. Em seguida, Serra, o próprio Aécio, candidato ao Senado, e o atual governador, Antônio Anastasia (PSDB), candidato à reeleição, fizeram uma caminhada e um encontro com líderes políticos em Betim, na Grande Belo Horizonte, sem a presença de Itamar.

- As circunstâncias levaram a que o senhor fosse o escolhido. Nós aqui estamos numa coligação em que há, sobretudo, a lealdade - disse Itamar, olhando diretamente para Serra, após afirmar que sempre defendeu Aécio.

Itamar: "Acima de tudo a ética, a lealdade"

Com o braço em uma tipoia, devido a uma fratura na clavícula, Itamar prosseguiu:

- Aqui em Minas, a gente aprende o seguinte: acima de tudo a ética, a lealdade e o comportamento que se deve ter. Eu estou numa coligação, faço parte de um partido que apoia, logo de início, a candidatura do governador José Serra. E, agora, se estou nessa coligação, cabe a mim também apoiar a candidatura.

Serra agradeceu o gesto de Itamar, ressaltando a importância da participação do ex-presidente em sua campanha, e lembrando, inclusive, conquistas de Itamar durante seu período no Palácio do Planalto.

- O apoio do (ex-) presidente Itamar tem uma enorme importância política, tem importância eleitoral e tem importância moral. É um homem que marcou a História do Brasil pela sua integridade e pelo fato de ter conduzido o Brasil à estabilidade, depois de 15 anos de superinflação. É um homem que deixou um exemplo - declarou o tucano.

Aécio agradeceu "pessoalmente" o apoio do ex-presidente a Serra:

- Nós que já estamos caminhando, levando por toda a Minas Gerais o nome do presidente Serra, e temos a convicção de que o Brasil avançará muito mais com Serra, teremos, a partir de agora, a companhia da autoridade política, da dimensão eleitoral de Itamar Franco. A campanha do Serra, que já tem uma imagem consolidada, avançará absolutamente colada na nossa campanha.

Na terceira viagem a Minas em dez dias, segundo maior colégio eleitoral do país, Serra fez questão de ressaltar o apoio que tem dos correligionários e disse que tem estado "muito à vontade" nessas visitas:

- Venho sempre contente, sempre satisfeito. Venho encontrando aqui um apoio muito grande por parte dos nossos dirigentes, do nosso partido, comandado pelo Aécio e pelo Anastasia no âmbito do PSDB. E agora, com a presença do presidente Itamar, nós, de alguma maneira, cobrimos a nossa aliança, uma vez que o presidente é membro do PPS, partido que está desde o primeiro momento na aliança nacional.

Campanha de Serra terá estrutura própria em MG

Serra confirmou ontem que sua campanha terá estrutura própria no estado, para fazer divulgação coordenada com a campanha de Anastasia, Aécio e Itamar. A criação dessa estrutura, segundo Aécio, foi sugestão pessoal a Serra.

- Há algumas semanas, sugeri ao presidente Serra que nós tivéssemos aqui uma estrutura da sua campanha que pudesse nos acompanhar em cada município. Isso é impossível de fazermos individualmente, a presença da sua campanha ao lado da nossa. Nós estamos já com nossa campanha chegando aos 853 municípios do estado - disse o ex-governador.

- Nós vamos ter, em muitos estados, comitês que cuidam especificamente de receber o material, encaminhar o material, ver questão de agenda - completou Serra, que elogiou o modelo de administração do ex-governador e disse que, caso eleito, vai implantar algo semelhante no governo federal: - Precisa melhorar muito a gestão no âmbito federal. No sentido igual era o lema de Minas: gastar menos com a máquina e mais com a população. Este é o resumo do que representa uma gestão eficiente e que nós vamos implantar no Brasil. Isso vai melhorar muito a produtividade, o rendimento de cada real que se gasta em nosso país. Melhorar o conjunto da gestão federal para poder avançar.

Em Betim, Serra voltou a criticar o custo do trem-bala. Em seguida, falou sobre o metrô de Belo Horizonte: disse que o PT ficou oito anos no poder "prometendo metrô", mas não fez as obras. E que, se fosse eleito, retomaria a obra.

Tucano palmeirense rodeado por corintianos

DEU EM O GLOBO

SÃO PAULO. O candidato a presidente pelo PSDB, José Serra, foi o convidado de um jantar oferecido pelo atacante Ronaldo, do Corinthians, anteontem, em São Paulo. Participaram da recepção, no apartamento de Ronaldo, cerca de 25 pessoas, entre elas, jogadores do time paulista, Vampeta, ex-volante e candidato a deputado federal pelo PTB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Ronaldo negou que o encontro represente um apoio à candidatura do tucano.

A notícia do jantar com o jogador foi parar no Twitter de Serra, ainda na madrugada de ontem. "Jantar agradável na casa do Ronaldo e da Bia. Estavam os craques Paulo André, Edu, Roberto Carlos, Elias, William", escreveu o tucano para seus mais de 300 mil seguidores. Serra divulgou duas fotos dele com Ronaldo.

O tucano até brincou com o fato de ser o único palmeirense no apartamento. "Incrível: entre umas 25 pessoas presentes ao jantar do Ronaldo, eu era o único palmeirense".

Ronaldo também usou o Twitter para falar do jantar. Mas para esclarecer que não se trata de um apoio à candidatura de Serra. "Pra ficar claro, não é apoio político. Eu e meus companheiros no Corinthians só demos sugestões para políticas públicas de apoio ao esporte", escreveu.

Em 2006, Ronaldo teve um desentendimento com o presidente Lula durante a Copa do Mundo da Alemanha. Lula, em tom de brincadeira, perguntou, numa videoconferência com a seleção, se o jogador estava mesmo gordo, como dizia a imprensa. Ronaldo não estava presente, mas respondeu depois, dizendo que merecia mais respeito e que também queria perguntar muita coisa a Lula.

O jogador prometeu fazer um jantar semelhante ao de Serra com as presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV).

Itamar promete ''lealdade'' a Serra

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Anúncio do ex-presidente, até então reticente em declarar apoio, cria fato político para Aécio reforçar compromisso com candidato

Eduardo Kattah

Na segunda visita a Minas nesta semana, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, recebeu ontem o apoio do ex-presidente Itamar Franco (PPS). Embora integre a coligação do governador Antonio Anastasia, candidato à reeleição, e faça dobradinha com Aécio Neves na disputa pelo Senado, Itamar estava reticente apoiar publicamente Serra.

A manifestação de apoio serviu como fato político para que Aécio reafirmasse a disposição de trabalhar pela candidatura presidencial do PSDB no segundo colégio eleitoral do País.

Itamar chegou a ser cotado para o posto de vice do presidenciável tucano, mas acabou descartado. Passou a criticar a postura amena de Serra em relação ao presidente Lula e chegou a ensaiar um encontro com a candidata do PV, Marina Silva.

Durante a reunião no apartamento de Aécio, Serra filmou os presentes e fez um pronunciamento elogioso ao ex-presidente, que quebrou a clavícula em um acidente doméstico.

Após o encontro, na frente dos jornalistas, Itamar disse para Serra que sempre defendeu a candidatura de Aécio à Presidência, mas "as circunstâncias" levaram à sua escolha. "Nós aqui estamos numa coligação em que há, sobretudo, a lealdade", destacou.

Serra, por sua vez, não economizou nos afagos ao ex-presidente. Afirmou que a declaração de apoio tem enorme importância política, eleitoral e moral. "É um homem que marcou a história do Brasil pela sua integridade e pelo fato de ter conduzido o Brasil à sua estabilidade depois de 15 anos de superinflação", disse.

Mais uma vez, o presidenciável minimizou a pouca presença de sua imagem no material de campanha dos tucanos em Minas. Ele confirmou que contará com comitês específicos no Estado. "Nós vamos ter em muitos Estados comitês que cuidam especificamente de receber o material, encaminhar o material, ver questão de agenda", disse.

"Todos os nossos comitês são Serra. Mas queremos que tenha ainda mais grosso do material chegando junto. É preciso ter alguém que coordene isso", emendou Aécio. Segundo ele a campanha de Serra "avançará absolutamente colada" à chapa em Minas.

Com Aécio e Anastasia, Serra participou no início da noite de uma caminhada no centro comercial de Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. Itamar não acompanhou os tucanos.

''Direita tenta dar golpe a cada 24 horas'', diz Lula

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Durante comício da petista Dilma Rousseff em Porto Alegre, presidente também manteve a "elite brasileira" como alvo preferencial de suas críticas

Evandro Fadel / CURITIBA

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, garantiu ontem (30) à noite a cerca de 400 empresários reunidos pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuará financiando empreendimentos a longo prazo, caso seja eleita. "Uma das realizações da área industrial foi ter clareza de que tudo o que podia ser fabricado no País seria feito", disse. "Levarei às últimas consequências como o presidente Lula levou."" Mas, segundo ela, isso não acontecerá se o crédito não for de longo prazo. ""E quem dá esse crédito é o BNDES"", acentuou, sob aplauso dos empresários. Dilma não perdeu oportunidade de criticar o governo anterior, em que, de acordo com ela, o máximo eram cinco anos. ""Hoje emprestamos por 30 anos, com TJLP e não taxa de mercado."" Dilma acentuou novamente que pretende fazer grandes investimentos no setor de educação, particularmente no ensino técnico.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também participou do evento Encontro com os Presidenciáveis, e hoje estará em comício no centro de Curitiba, reclamou do Congresso Nacional por não ter promovido a reforma tributária, apesar de ele e de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, terem levado propostas. ""Quando se trata de reforma tributária tem um inimigo oculto no Congresso Nacional"", afirmou. ""Quando chega no Congresso Nacional, as forças que querem, intrinsecamente não querem porque cada um quer resolver o seu problema e não o problema do Brasil.

Em Porto Alegre, no primeiro comício de Dilma, o presidente Lula - como seu principal cabo eleitoral - disparou ataques à "elite brasileira" e disse que "a direita tenta dar golpe a cada 24 horas neste país". Também participou do evento o candidato do PT ao governo gaúcho, Tarso Genro.

"A elite brasileira não sabia o que era capitalismo. Foi necessário um metalúrgico entrar na Presidência para ensinar como se faz capitalismo", afirmou Lula durante o evento, realizado anteontem à noite no ginásio Gigantinho, que reuniu cerca de 12 mil participantes. "Foi esse metalúrgico que chamou o presidente do FMI e disse: "Estamos cansados de gritar fora FMI.""

O presidente emendou: "A esquerda pensa que sabe fazer oposição. A esquerda pensa que sabe fazer barulho. Mas foi no governo que nós aprendemos que, se a esquerda faz oposição, a direita tenta dar golpe a cada 24 horas neste país."

Lula também manteve a elite como alvo de suas críticas. "É a mesma elite que levou Getúlio (Vargas) a dar um tiro no coração, que matou Jânio Quadros e levou João Goulart a renunciar", discursou. "Eu disse a essa elite que não estarei no gabinete lendo o jornal de vocês, mas na rua com o povo brasileiro."

Ele reafirmou seu apoio à presidenciável petista e ao candidato ao governo do Rio Grande do Sul. "Os meus adversários fazendo de tudo para eu não aparecer na TV. Agora eles vão ver minha cara na TV muitas vezes pedindo voto para a Dilma e para Tarso." Essa foi a terceira visita que Lula fez ao Rio Grande do Sul desde o início deste ano.

A presença de Lula e Dilma no palanque de Tarso criou certo desconforto entre lideranças estaduais do PMDB e do PDT, dois partidos aliados do Planalto no âmbito nacional. Apesar de manter a neutralidade em relação a quem apoiará na corrida presidencial, o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça (PMDB), candidato a governador, contava ser o segundo palanque de Dilma no Estado.

Quando Lula subiu no palco do Gigantinho, estava acompanhado de Dilma, Tarso, do candidato a vice-governador gaúcho, Beto Grill (PSB), e do ex-governador Olívio Dutra, além dos dois nomes que integram a chapa ao Senado: Paulo Paim (PT) e Abigail Pereira (PCdoB).

No discurso, que durou mais de oito minutos, Tarso repetiu que, no Rio Grande do Sul, Dilma possui apenas um palanque. "Fui ministro durante sete anos e o presidente sabe reconhecer os seus valores e reafirmar o seu projeto. Ele sabe que aqui quem vai fazer isso é a Unidade Popular pelo Rio Grande."

Dilma dançou ao som do seu jingle e tentou tomar chimarrão: "Ganhamos um chimarrão, mas tem um pequeno problema. Ele só tem erva. Vamos providenciar a água." Depois disso, discursou: "Tenho a honra de dar continuidade a esse governo e avançar. A dar educação de qualidade, que não é tratar a professora a cassetete, mas tratar bem os professores. Somos de um tipo diferente: quando falamos que vamos fazer, fazemos. Não prometemos só em épocas eleitorais."

De qual elite Lula fala?

DEU EM O GLOBO

Após multas do TSE, presidente modera discursos em atos de governo e ataca duro nos palanques

Leila Auwwan

PORTO ALEGRE. Após seis multas da Justiça eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estreou uma modalidade de atuação eleitoral anteontem em Porto Alegre. De dia, em compromissos oficiais como presidente, conseguiu evitar citar o nome de sua candidata, Dilma Rousseff, e pregou até a "perspectiva histórica" para atenuar as usuais críticas aos antecessores, entre eles o tucano Fernando Henrique Cardoso - alvo preferido de petistas para atacar o candidato José Serra (PSDB). Mas, à noite, no palanque de Dilma, Lula assumiu um discurso político agressivo, com ataques às elites, à direita e à imprensa.

Lula, que é aliado e defensor do presidente do Senado, José Sarney, dos senadores Fernando Collor e Renan Calheiros, além do deputado Paulo Maluf, é só elogios a eles, mas atacou o que chamou de elite durante o comício:

- A esquerda faz oposição. A direita tenta dar golpe a cada 24 horas para não permitir que as forças democráticas pudessem continuar neste país. Foram oito anos de ataques, provocações e infâmias. Eu mandei dizer a essa elite: vocês mataram o Getulio (Vargas), obrigaram o (João) Goulart a renunciar e o Jânio Quadros durou seis meses. Se quiserem me enfrentar, não vou estar no meu gabinete lendo o jornal de vocês. Estarei nas ruas conversando com o povo brasileiro! - atacou ele, em discurso exaltado.

No mesmo dia, em ato do governo em Porto Alegre, Lula disse que "tem gente" que não quer que o presidente faça campanha. Já no comício, à noite, ao lado de Dilma, afirmou que fará campanha diariamente, inclusive com participação no programa eleitoral da petista.

- Os meus adversários estão fazendo tudo para impedir que eu apareça na televisão. Dizem que o Lula presidente tem que ser um magistrado. Quando eles tentavam me derrubar, ninguém me achava um magistrado. Agora, eu não sei se vou ajudar, mas eles vão ter que ver minha cara na televisão todo dia pedindo voto para Dilma! - disse Lula.

No comício para pedir votos para Dilma e Tarso Genro, Lula repetiu uma mesma frase usada de manhã, em evento presidencial:

- Em oito anos, colocamos mais dinheiro neste estado, tanto de financiamento quanto de orçamento, do que todos estes governos em 25 anos.

De manhã, no entanto, havia feito uma ressalva: de que essa comparação não era crítica, apenas um resultado natural da conjuntura histórica. Ele explicou que os governantes recentes do Brasil não tinham condições de investir por causa da dívida externa assumida por Ernesto Geisel e que se tornou impagável devido à escalada dos juros dos Estados Unidos, que passaram de 3% para 21%.

- Não falo isso criticando os outros governos ou criticando outros ministros. É preciso ter noção da evolução histórica e que cada um de nós fez as coisas que tínhamos que fazer - amenizou o presidente naquela ocasião.

Lula deixou claro no comício que o PT mantém um projeto de poder no Executivo - e que a coalizão de partidos aliados serve para dar sustentação ao Executivo petista. Ele lembrou do escândalo do mensalão de 2005:

- Diziam que o PT não iria ressurgir e jamais conseguiria eleger o presidente da República.

Dilma tem 39%; Serra, 34%; e Marina, 7%

DEU EM O GLOBO

Pesquisa Ibope apontou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, com 39% das intenções de voto, contra 34% do tucano José Serra e 7% da verde Marina Silva. O Ibope considera os percentuais de todos os candidatos, incluindo os nanicos. Dilma cresceu 3 pontos em relação à última pesquisa; Serra perdeu 2. No sábado, o Datafolha tinha registrado empate técnico. No Rio, Cabral tem 58% e Gabeira, 14%.

Ibope: 39% a 34% pró-Dilma

Pesquisa mostra petista com 5 pontos à frente de Serra; Datafolha dera empate técnico

Gerson Camarotti e Cristiane Jungblut

Pesquisa Ibope divulgada ontem mostrou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, liderando a disputa, com cinco pontos percentuais de vantagem em relação ao segundo colocado, o candidato do PSDB, José Serra. Segundo os dados, Dilma aparece com 39% das intenções de voto, contra 34% de Serra. Já a candidata do PV, a senadora Marina Silva, está com 7%. A pesquisa foi encomendada pela Rede Globo e pelo jornal "O Estado de S.Paulo".

Pela pesquisa - em que o Ibope considerou os percentuais de todos os candidatos, inclusive os de partidos nanicos -, Dilma registrou um crescimento de três pontos percentuais em relação à ultima pesquisa do instituto. E Serra perdeu dois pontos, de 36% para 34%. O Ibope fez 2.506 entrevistas, em 174 cidades, entre os dias 26 e 29 deste mês, com margem de erro de dois pontos percentuais.

No último levantamento sobre a disputa presidencial, feito pelo Datafolha, entre os dias 20 e 23 de julho, foi registrado um empate técnico entre Serra e Dilma, mas o tucano aparecia com ligeira vantagem, obtendo 37% das intenções de votos, contra 36% da petista. Essa pesquisa também tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Resultado do Ibope surpreende tucanos

Considerando o histórico das pesquisas do Ibope divulgadas pela TV Globo, Dilma tinha 37% no final de maio; ficou com 38% em meados de junho; caiu para 36% no final de junho; e agora está com 39%.

Na mesma série do Ibope, o candidato tucano teve 37%; depois 32%, chegando a 36% no final de junho, e agora está com 34%.

Na pesquisa de ontem, a candidata Marina Silva ficou com 7%. No período, ela sofreu pequena oscilação em seus números. No primeiro levantamento, ela aparecia com 9%, oscilando depois para 7% e 8%. Os demais candidatos a presidente somaram menos de 1%. Na pesquisa de ontem, os votos nulos e em branco somam 7%, e os eleitores indecisos chegam a 12%.

Na simulação de um segundo turno, a petista mantém a vantagem: aparece com 46%, três pontos percentuais a mais do que no levantamento anterior. Com a margem de erro, ela pode ter de 44% a 48% dos votos. Já Serra aparece com 40%, uma queda de três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

A pesquisa Ibope surpreendeu o comando da campanha do PSDB, enquanto o resultado foi motivo de discreta comemoração no PT e no Palácio do Planalto. No ninho tucano, a expectativa era que os números registrassem um empate técnico. Internamente, a avaliação é que não há fatos que justifiquem a diferença entre essa pesquisa e o levantamento do Datafolha da semana passada, em que Serra e Dilma apareciam empatados tecnicamente.

A cúpula tucana deve analisar os novos números, e há quem defenda que Serra deve evitar o confronto direto com Dilma e partir para uma campanha mais propositiva.

- Essa não é uma boa pesquisa para nós. Nossas informações indicam que Serra e Dilma estão empatados. Mesmo assim, vamos refletir sobre os dados - disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Já na campanha de Dilma, os números foram recebidos com cautela. Para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, é preciso evitar o "salto alto", já que este é um cenário indefinido. Ele sugeriu ainda que um o discurso bélico de Serra pode ser um dos fatores que tenham influenciado para esse resultado do Ibope.

- Essa pesquisa Ibope está dentro do esperado. Independentemente das divergências de números entre institutos, o que há de concreto é uma tendência de crescimento de Dilma e uma pequena queda de Serra. Mas este é um cenário indefinido - disse Dutra. - Mas uma coisa é certa: se esse discurso que o Serra tem feito não fez ele cair, também não fez subir.

O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse que a eleição está empatada e que será decidida a partir do programa eleitoral no rádio e na TV. Para Rodrigo Maia, Serra deve explorar os pontos fracos do governo Lula e deve reforçar sua atuação no Ministério da Saúde, por exemplo.

- A eleição está empatada. O importante é saber que a eleição vai ser decidida a partir de agora, com o início dos debates - disse Rodrigo Maia, lembrando que Serra está sempre acima dos 30% e perto dos 40%.

O Ibope também fez um levantamento da avaliação do governo Lula. Pelo resultado, 77% consideram o governo ótimo ou bom; 18% o acham regular, e 4%, ruim ou péssimo.

Com 50 pontos, Alckmin liquidaria eleição em São Paulo já no 1º turno

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Mercadante aparece com 14% das intenções de voto na pesquisa Ibope, seguido de Russomanno, do PP, com 9 pontos porcentuais

Daniel Bramatti e Adriana Carranca

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem 36 pontos porcentuais de vantagem sobre seu principal adversário, Aloizio Mercadante, e venceria no primeiro turno se a eleição fosse realizada hoje.

Segundo a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, Alckmin tem 50% das intenções de voto, contra 14% de Mercadante. Em terceiro lugar está Celso Russomano (PP), com 9%.

Fabio Feldman (PV), Paulo Búfalo (PSOL) e Paulo Skaf (PSB) aparecem com 1% cada um. Luiz Carlos Prates, o Mancha (PSTU), Igor Grabois (PCB) e Anaí Caproni (PCO) não pontuaram. Brancos e nulos somam 10% e 13% estão indecisos.

A soma das intenções de voto dos adversários de Alckmin chega a 26%, praticamente metade do índice alcançado pelo tucano. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais votos que os adversários somados.

Na pesquisa espontânea, aquela em que os entrevistados manifestam suas preferências antes de ver a lista dos candidatos, o candidato tucano aparece com 13%, contra 5% de Mercadante.

"Recall". A grande diferença entre os índices de Alckmin nas pesquisas espontânea e estimulada indica que o tucano está sendo beneficiado pelo fenômeno do "recall". Ex-governador e candidato a prefeito de São Paulo em 2008, o tucano tem seu nome consolidado entre o eleitorado.

Alckmin e Russomanno são os menos rejeitados entre os principais candidatos - respectivamente, 13% e 12% dos entrevistados dizem que não votariam neles de jeito nenhum. Já o candidato do PT tem 17% no quesito rejeição.

Além de perguntar aos eleitores paulista em que vão votar no dia 3 de outubro, o Ibope avaliou a expectativa de vitória na disputa pelo governo do Estado. Na expectativa de 60%, Alckmin, que já governou o Estado entre 2001 e 2006, voltará ao cargo em 2011. Apenas 8% dizem que Mercadante será o próximo governador.

Índices. O candidato do PSDB alcança 73% das intenções de voto entre os eleitores que consideram o atual governo ótimo ou bom.

Mercadante estava em um evento de campanha e não pôde ser contatado. Apesar do resultado desfavorável, contudo, a equipe de campanha do petista diz estar confiante no "efeito Lula" no horário eleitoral gratuito, que entra no ar no dia 17. O foco principal da campanha televisiva será fixar Mercadante como o candidato do presidente. "Nosso objetivo é que o eleitor tome conhecimento de que Mercadante é candidato do Lula", disse o marqueteiro da campanha do petista, Augusto Fonseca, responsável pela campanha vitoriosa de Marta Suplicy (PT) para a Prefeitura de São Paulo, em 2000.

Responsabilidade. Já Alckmin, que estava em Ribeirão Preto, disse ter ficado satisfeito com o resultado da pesquisa. "Tenho de agradecer a enorme manifestação de confiança da população do Estado de São Paulo, o que aumenta a nossa responsabilidade", afirmou o tucano. "Recebo (o resultado da pesquisa) com alegria e com humildade. A eleição ainda está longe, agora é que está começando, mas é um bom começo. "Agradeço e vamos trabalhar muito, e muito pé no chão."

Ribeirão foi a quarta agenda do dia de Alckmin, ontem. Antes esteve em São Roque, Valinhos e Rio Claro, e ainda seguiria para Indaiatuba, para um último compromisso.

O tucano enfatizou que a campanha está caminhando bem. "Estou estudando o máximo possível pra ter o melhor programa de governo em benefício da população", disse Alckmin.

O candidato do PSDB caminhou rapidamente pelo calçadão, no centro de Ribeirão Preto, e tomou um chope no tradicional bar Pinguim. Depois encerrou a agenda com a inauguração do comitê do deputado Antônio Duarte Nogueira Júnior (PSDB), que foi seu secretário de Agricultura no governo de São Paulo. Aloysio Nunes (PSDB), candidato ao Senado, acompanhou Alckmin em Ribeirão Preto. / COLABOROU BRÁS HENRIQUE

No Rio, pesquisa indica fácil reeleição de Cabral

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Wilson Tosta

Candidato à reeleição, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) venceria no primeiro turno, de acordo com a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo. Ele alcança 58% das intenções de voto, contra 14% de Fernando Gabeira (PV). Eduardo Serra (PCB) tem 2%, enquanto Cyro Garcia (PSTU) e Fernando Peregrino (PR) marcam 1% cada um - 11% dos entrevistados se dizem indecisos e 12% votariam em branco ou anulariam.

Na espontânea, Cabral lidera por 19% a 4%. Gabeira tem maior rejeição: 29% não votariam nele de jeito nenhum. No caso de Cabral, o índice é de 14%.

Na briga pelo Senado, Marcelo Crivella (PRB) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) empatam, com 37%. Lindberg Farias (PT) tem 21%. Foram entrevistadas 1.204 pessoas, de 27 a 29 de julho. A margem de erro é de 3 pontos. A pesquisa está registrada no TRE-RJ (sob o número 62183/2010) e no TSE (número 20797/2010).

Em Minas, Hélio Costa tem 39%, e Anastasia, 21%

DEU EM O GLOBO

BRASÍLIA. A disputa pelo governo de Minas Gerais é liderada pelo candidato do PMDB, senador Hélio Costa, que ficou com 39% das intenções de voto, segundo a pesquisa do Ibope encomendada por TV Globo e jornal "O Estado de S. Paulo", e divulgada ontem. Candidato do ex-governador Aécio Neves (PSDB), o atual governador, Antonio Anastasia, também do PSDB, aparece em segundo lugar, com 21%, registrando crescimento em relação a pesquisas recentes.

Nessas eleições, Aécio Neves está dando prioridade total à campanha de seu afilhado político, como fez em 2008, na eleição para prefeito de Belo Horizonte, quando o então desconhecido Márcio Lacerda (PSB) saltou de menos de 10% nas pesquisas de intenção de votos para a vitória em menos de três meses.

Os demais candidatos ao governo de Minas somam 6%; votos em branco e nulos, mais 8%. Segundo a pesquisa, 25% das pessoas consultadas ainda estão indecisas sobre a escolha do candidato a governador de Minas.

A margem de erro da pesquisa Ibope é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O Ibope entrevistou 1.806 eleitores em Minas, de 26 a 29 de julho.

De acordo com a última pesquisa do instituto Datafolha realizada em Minas, divulgada no dia 24 passado, Anastasia estava com 18% dos votos e Hélio Costa, com 44%. Considerando as pesquisas Datafolha e Ibope - embora com metodologias diferentes -, o tucano subiu e o peemedebista caiu.

Eduardo Campos vai a 60% contra 24% de Jarbas

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Adriana Carranca

Em Pernambuco, o resultado da pesquisa Ibope/Estado/TV Globo aponta a vitória no primeiro turno do governador Eduardo Campos (PSB), candidato à reeleição. Ele desponta com 60% das intenções de voto - mais do que a soma de pontos de todos os adversários. Em segundo lugar, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) aparece com 24% da preferência do eleitorado.

Os indecisos são 8%. O peemedebista tem maior rejeição (25%) do que o adversário do PSB ( 11%).

Senado. Na pesquisa para as duas vagas do Senado, o resultado traz empate técnico: o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT) tem 44% da preferência e o senador Marco Maciel (DEM), 43%.

A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. Foram feitas 1.806 entrevistas, entre 26 e 29 de julho. A pesquisa foi registrada no TRE/PE sob nº 34524/2010 e no TSE sob n.º 20803/2010.

Guerra: ''Não vamos brigar com números''

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Julia Duailibi

O presidente do PSDB e coordenador da campanha de José Serra à Presidência, senador Sérgio Guerra (PE), disse ontem que o partido "não vai brigar com os números", mas analisará as pesquisas com maior "profundidade".

"Nossos acompanhamentos estaduais e nacionais não confirmam esse resultado", afirmou o senador, que completou: "Não vamos brigar com os números, mas vamos analisar a pesquisa com maior profundidade."

Guerra disse ainda que o Ibope, em um levantamento de junho, mostrara Serra atrás de Dilma Rousseff. "Não quero dizer que está errado, mas que temos de analisar com tranquilidade".

O que pensa a mídia

Editoriais dos principais jornais do Brasil
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Chopin Revolutionary Etude op 10 no 12

Cansado até os deuses que não são:: Fernando Pessoa


Cansado até os deuses que não são...
Ideais, sonhos... Como o sol é real
E na objetiva coisa universal
Não há o meu coração...
Eu ergo a mão.

Olho-a de mis, e o que ela é não sou eu.
Entre mim e o que sou há a escuridão.
Mas o que são isto a terra e o céu ?

Houvesse ao menos, visto que a verdade
É falsa, qualquer coisa verdadeira
De outra maneira
Que a impossível certeza ou realidade.

Houvesse ao menos, som o sol do mundo,
Qualquer postiça realidade não
O eterno abismo sem fundo,
Crível talvez, mas tenho coração.

Mas não há nada, salvo tudo sem mim.
Crível por fora da razão, mas sem
Que a razão acordasse e visse bem;
Real com o coração, inda que [...]