CartaCapital
Flávio Bolsonaro não procura voto, espera
apenas que Trump tome o poder para ele, à força
Se a extrema-direita apostasse, de fato, na conquista do poder pelo voto, teria se imposto à família Bolsonaro e substituído o candidato às eleições presidenciais. Flávio é inepto e corrupto. Como o pai, confiou na débil Justiça fluminense e no socorro de uma ala do Ministério Público (e agora, na condescendência de um ministro do STF “terrivelmente evangélico”) para livrá-lo dos rigores da lei, embora sem conseguir apagar os rastros das atividades ilícitas. O último escândalo no qual aparece envolvido até o pescoço, o do Banco Master, ainda está quente. Também são indeléveis suas digitais nas negociações com o governo de Donald Trump para impor sanções ao Brasil e ameaçar a soberania do País.
Além da folha corrida, o filho de Jair não
oferece nada ao eleitor. Escancarou um discurso misógino mesmo diante da
evidência de que estará derrotado nas urnas se não quebrar o franco favoritismo
do presidente Lula no eleitorado feminino. Escolheu como vice um homem que traz
na bagagem uma denúncia por estupro de vulnerável. Fez discursos
ameaçadores contra o seu próprio País e apoiou publicamente (e incentivou) as ameaças de Trump
ao sistema eleitoral. Rompeu publicamente com a madrasta que, dizem, tem mais
votos do que ele. Perdeu apoio entre evangélicos, segmento fundamental na
eleição de seu pai em 2018 e na tessitura de um movimento de massas de perfil
fascista que manteve Jair no poder e apoiou a tentativa de golpe quando o
“mito” foi derrotado por Lula em 2022.
Flávio faz movimentos desagregadores no
próprio partido. Tomou para si, como se propriedade sua fosse, uma máquina
partidária que, embora tenha ganhado força e importância na esteira do
bolsonarismo, constituiu-se nacional e regionalmente como uma legenda forte,
com boa representação municipal e uma bancada expressiva no Congresso. É
duvidoso que a tomada de assalto do PL de Valdemar Costa Neto dê ao candidato
algo além do que financiamento eleitoral. Não existe uma relação orgânica da
legenda com ele. O partido cristianizá-lo no meio de um processo eleitoral
(jargão político para designar abandono do candidato pelo seu próprio partido,
em favor de outro com maiores chances de vitória) não é uma hipótese
implausível.
São enormes as evidências de que Flávio é um
candidato fraco. Por que, então, se mantém candidato?
A candidatura é um projeto familiar, não
apenas de poder, mas de sobrevivência. Estar no poder é a única proteção contra
os processos que correm em várias instâncias judiciais contra seus integrantes.
Um dos filhos, Eduardo, é foragido da Justiça. O pai está preso por tentativa de golpe de Estado. Carlos e
Renan, candidatos, respectivamente, a senador e deputado federal por Santa
Catarina, precisam de um mandato parlamentar para se proteger de futuras
condenações. Flávio seria a tábua de salvação dele próprio. Em algum
momento, algum juiz pode se perguntar por que ele compra tantos apartamentos em
dinheiro vivo e os vende meses depois pelo triplo do preço.
Se hoje o único apoio inconteste de Flávio é
o do governo Trump, e se a tendência eleitoral da família Bolsonaro,
representada pelo senador, é a de declínio, e perder a eleição é a hipótese
mais plausível no momento, se ele não exerce poder agregador sobre as outras
candidaturas de direita, de cujos votos precisaria desesperadamente no segundo
turno, se optou por uma candidatura do medo – ou ele, ou a intervenção dos EUA
sobre as eleições brasileiras e um possível golpe no candidato com chances
efetivas de vitória, o presidente Lula, se conseguiu a façanha de ser rejeitado
inclusive pelo setor das Forças Armadas que apoiou a tentativa de golpe contra
Lula em 8 de janeiro de 2023, é lógico que aposta na chegada ao poder por um
golpe tipo Venezuela. Lula ganha, os EUA contestam a eleição e usam a força
para tirá-lo do poder, e Flávio, o amigo do imperador do mundo, assume.
É esse o projeto de Flávio, Eduardo, Carlos,
Jair Renan e Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo. E,
principalmente, de Jair, que não quer morrer na cadeia. É esse o projeto de
Trump, que quer do Brasil petróleo, terras-raras e o que der para agregar não
apenas à riqueza dos EUA, mas, principalmente, às próprias finanças. O mundo
vive o imperialismo das plutocracias, do uso do poder militar para a
concentração cada vez maior das riquezas do planeta nas mãos de poucos. Nesta
nova divisão internacional existem os hiper-ricos, o poder militar concentrado
nas mãos do país central do capitalismo e os capitães do mato, aqueles que
fazem o serviço sujo de desviar a riqueza das nações para os bolsos dos donos
do mundo.
Flávio é candidato a capitão do mato.
Publicado na edição n° 1426 de CartaCapital, em 19 de agosto de 2026.

Nenhum comentário:
Postar um comentário