Valor Econômico
“Progressista” nada tem a ver com os
conceitos próprios da igreja. Desde João XXIII nenhum papa foi progressista,
como nenhum foi conservador
A propósito da inundação de palpites sobre
quem seria o novo papa. Todos os que deram palpites erraram. Como vem
acontecendo desde a sucessão de Pio XII, dos sete papas desse período, cinco
não foram os previstos. O Espírito Santo não segue palpites. Somos uma
sociedade de reduzida e pobre consciência social em relação a questões
decisivas de nossa vida coletiva, muito mais em relação à religião e à Igreja
Católica.
A dificuldade começa pelo fato de que a
Igreja Católica é uma instituição dupla. É igreja e Estado. O papa não tem como
deixar de ser uma dupla personificação, a do chefe de Estado e a do profeta da
igreja. No Velho Testamento o profeta é crítico e antagônico do rei.
Sem contar as muitas outras diferenciações identitárias no interior da própria igreja. Significativamente, três dias depois de sua eleição, o novo papa recebeu na imensa Sala Paulo VI uma multidão de representantes da Igreja Oriental, sujeita à sua autoridade, que em várias questões se diferenciam da Igreja Latina, a de Roma.



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