domingo, 13 de outubro de 2013

A bomba e o traque - Gaudêncio Torquato

Anote-se na agenda das mutações tupiniquins: a bomba da primavera de 2013 pode ser o traque do verão de 2014. A hipótese é bastante sustentável na esfera da política. Quem diria que a sonhática Maria Osmarina Silva de Lima, ex-seringueira e ex-senadora do Acre, se uniria em aliança política com o pragmático e garboso governador de Pernambuco, Eduardo Henrique Accioly Campos, comandante do PSB, para juntos lutarem pela cadeira presidencial?

O sonho de Marina Silva é depurar as práticas da velha política, banhando-as nas águas da ética, ou, em seus termos, "assumir responsabilidades com a sustentabilidade política, social, ambiental e cultural". O pragmatismo de Campos tem como ideia "aposentar um bocado de raposas que estão enchendo a paciência do povo brasileiro para o Brasil seguir em frente". A propósito, o governador, tempos atrás, já confessara a este escriba a meta de reunir no mesmo espaço "o grupo pós-64" (citando Aécio Neves, Gilberto Kassab, Ciro e Cid Gomes, entre outros), assumir o comando da Nação e dar adeus aos guerreiros da velha-guarda.
A fome moral da líder da Rede Sustentabilidade e a vontade do neto de Miguel Armes de presidir a mesa dos comensais do poder produziram 0 artefato de maior repercussão neste ciclo pré-eleitoral. Como é costume no balcão de nossos produtos políticos, as dobraduras da engrenagem deixam de ser examinadas de forma a mostrar se estão ajustadas ou até se faltam parafusos para dar lugar ao ""feito extraordinário" que, à primeira leitura, induz à convicção de que tal parceria abre um rombo nos costados da candidatura governista. Nem se atenta para o fato de que o elo entre Marina e Campos, à luz da racionalidade, não é tão resistente como aparenta* Basta lembrar a posição da bancada do PSB na votação do Código Florestal, alinhada em peso aos ruralistas. Nem o látex da seringueira que Marina extraía em sua adolescência é capaz de emprestar firmeza a essa liga. Que só se justifica em função das composições frankensteinianas que a política nestes trópicos é capaz de produzir.

Façamos uma leitura dos fatores - alguns de fundo sociocultural - que embasam as práticas eleitorais, a começar pela cultura de votação. O candidato prevalece sobre os partidos. Há casos em que as organizações predominam e avançam sobre os perfis pessoais. Isso ocorre nos espaços onde a polarização entre elas é muito aguda - PT e PSDB, por exemplo, em algumas regiões formam batalhões em seus campos de guerra. Ou com as siglas de caráter religioso (principalmente as patrocinadas por credos e igrejas) e as que ocupam as extremidades do arco ideológico, cujo discurso radical é seletivo, afastando as massas eleitorais (PCO, PSTU, etc.). Sob a ordem de um sistema cognitivo que tende a privilegiar perfis pessoais, transferir votos constitui operação dificilmente viável. Assim, a hipótese de Marina transferir seu patrimônio eleitoral para Campos é frágil. Nem se fossem irmãos siameses a transferência seria realizada. O individualismo é o vértice da política brasileira. Ideários formam acenas pequenas ilhas no arquipélago.

Mas as figuras diferentes de Marina e Campos não contêm uma raiz ideológica comum? É possível. A convivência por bom tempo no mesmo canto do espectro ideológico condiciona amigos de ontem e parceiros de hoje a usarem a mesma linguagem e, por conseguinte, a comporem discurso sintonizado. O parentesco doutrinário favorece a formação de um ideário comum e, nessa condição, os noivos se motivam a formar uma união estável com direito a lua de mel de algumas semanas. Ainda assim, a transferência de voto não se dáem grandes quantidades: pode-se calcular margem de 10% a 15%.

Ademais, por maior esforço que façam os nubentes, a união estará sujeita a trovoadas. E já se ouvem trovões. Marina pediu que Ronaldo Caiado, líder do DEM, conhecido guerreiro ruralista, buscasse a porta de saída do PSB. O deputado aceitou. Alfredo Sirkis, fundador da Rede e um dos principais aliados de Marina, defende "realinhamento" de forças com políticos de outros conjuntos. Marina é contra. Imagine-se, agora, um cabo de guerra puxado pela sonhática e pelo pragmático.

Se a passagem devotos de Marina para Campos não encher o bomal dele, quem acabará levando a melhor com a "jogada de mestre"? A própria Marina, em caso de inversão da chapa, ela encabeçando-a. Ou Dilma. A proximidade entre eles foi firmada no ciclo petista. O governador e a ex-senadora saíram dos espaços que o PT abriu, à esquerda. A Rede e o PSB tentam desfraldar, mesmo de maneira acanhada, a bandeira do socialismo. Logo, o parentesco com a presidente é patente.

Outras pedras do tabuleiro deverão ser jogadas quando os discursos começarem a jorrar das trombetas eleitorais. Os eixos centrais já foram apresentados. Campos tem intensificado a pregação com os verbetes "melhorar, fazer mais e melhor, qualificar serviços públicos". Não é oposicionista como Aécio, que defende um programa radical de "mudanças". As pesquisas mostram a contrariedade da população com os serviços públicos (o que combina com o discurso de Campos), mas não está insatisfeita com seu modo de vida. O bolso do consumidor continua bancando o suprimento cotidiano.

O estado social conduz a hipótese de que o conceito "melhorar" é mais palatável que o verbo "mudar", aquele expressando aperfeiçoamento, melhoria dos serviços públicos, este despertando o receio de uma virada de mesa. A resposta das urnas, como se sabe, será dada pela economia. A manutenção de índices elevados de satisfação, o controle da inflação e a garantia de empregos seriam os requisitos para a candidata à reeleição capturar parcela dos votos de Marina.

Sob essas espessas nuvens, a tão comentada bomba da primavera ameaça perder combustão e virar um traque no verâo.

Jornalista, professor titular da USP.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Panorama Político - Ilimar Franco

O alvo é São Paulo
A prioridade imediata do candidato Eduardo Campos é fincar os pés em São Paulo. Ele avalia que há espaço vazio. Pela primeira vez, desde a redemocratização, os paulistas não têm candidato ao Planalto. “São Paulo é o terceiro estado nordestino do Brasil. É mais fácil um gaúcho, um mineiro ou um nordestino entrar lá? diz. Eduardo espera ter o apoio de pedaço do PSDB paulista.

A aposta petista
Um petista explica por que o ex-presidente Lula não quer que Eduardo Campos e Marina Silva sejam tratados como inimigos. Isso não se deve apenas à crença de Lula de que a real disputa será contra o tucano Aécio Neves e que, num segundo turno, os eleitores do socialista tendem a migrar para a presidente Dilma. Mas também porque, apesar do pacto de convivência entre Eduardo e Aécio, crê ser inevitável um confronto entre eles para ver quem irá para o segundo turno. Quanto aos estados, em grandes colégios eleitorais, como São Paulo, Minas Gerais e Paraná, o PSB já está com os tucanos. No Rio e no Ceará, o partido foi destroçado; e, na Bahia, o PSB depende do PT.

“Precisamos resolver isso enquanto há tempo. Falam que está muito longe (das eleições), mas melhor muito longe do que tarde demais”
Eunício Oliveira
Líder do PMDB no Senado e candidato ao governo do Ceará

Mudança de plano
Há sinalização de que a presidente Dilma quer fazer o secretário-executivo da Previdência, Carlos Gabas, ministro da Casa Civil, no lugar de Gleisi Hoffmann. Aloizio Mercadante (Educação) sairá do governo para coordenar sua campanha.

Voto de silêncio
Socialistas respiram aliviados. Marina Silva deu sinais de que limitará seu veto ao deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Eles contam que ela não pretende hostilizar o presidente do PSB de Santa Catarina, Paulo Bornhausen, filho do ex-presidente do antigo PFL Jorge Bornhausen. Ele se filiou com o aval de Eduardo Campos.

Espionagem internacional
A presidente Dilma recebeu em audiência Neelie Kroes, uma das vices da União Europeia. Ela disse que “a presidente Dilma demonstrou sua forte crença na cooperação multilateral na governança da internet’ E sentenciou: “Apoio essa linha’

O programa
As prioridades do programa de governo do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, segundo um dirigente tucano, são: “destravar a economia, combater a corrupção, estabelecer regras estáveis para o mercado e profissionalizar o funcionamento das agências reguladoras’. Não é conhecida ainda a abordagem para o social.

PSB na rede
O PSB estuda criar sistema de participação direta dos filiados, via internet, para que tenham peso e possam interferir nas votações do PSB na Câmara, Senado, Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas. Já foi batizado de “PSB em rede’

Nova ponte
O ingresso da presidente da CNA e senadora Kátia Abreu ao PMDB foi bem recebido no Palácio do Planalto. Ela estabelece ponte com o setor do agronegócio. Historicamente, esses empresários resistem em apoiar o PT.

AGORA VAI. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) embarcou de mala e cuia na campanha presidencial do socialista Eduardo Campos (PE).

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

'Faxina' virou pó
Apesar da recuperação na pesquisa Datafolha, Dilma Rousseff não retomou todo seu espaço no eleitorado de renda mais alta, que era refratário a Lula, mas que a presidente tinha conquistado nos primeiros anos de mandato. Em março, Dilma chegou a ter 51% das intenções de voto entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos. Despencou para 21% em junho e pontuou 31% agora. A erosão dá respaldo ao conselho de Lula para que a sucessora foque no eleitorado mais pobre.

Inflação Aécio Neves (PSDB) passou de 15% nas duas faixas mais altas de renda, em março, para 26%. Eduardo Campos (PSB) subiu de 5% para 17%. Marina Silva, que aparecia com 19% nesses grupos, hoje tem 35%.

Foco Após analisar a pesquisa, o governo vai intensificar as viagens de Dilma ao Nordeste para evitar o avanço de Campos e consolidar a vantagem da presidente na região, tradicional reduto do PT.

Menina dos olhos Uma das pontas de lança dessa operação será o Mais Médicos, concentrado em cidades do interior nordestino.

Hormônio O QG de Campos projetava na semana passada que o pernambucano só chegaria aos dois dígitos nas pesquisas em dezembro.

Que oposição? Eleitores críticos ao governo preferem Aécio a Campos, mas Marina é quem vai melhor nesse grupo. Entre quem julga Dilma ruim ou péssima, o tucano tem 33%, e o pessebista, 23%. Já Marina tem 43% desses votos, contra 27% de Aécio.

Fase de beijos Dilma tem melhor desempenho entre eleitores que não tomaram conhecimento sobre a aliança entre Marina e Campos. Ela tem 47% nesse grupo no cenário mais provável, contra 34% entre aqueles que se dizem "bem informados".

Marinou Já Campos tem seu melhor resultado no grupo de entrevistados bem informados sobre a coligação. Nesse extrato, ele empata tecnicamente com Aécio: vai a 24%, frente a 25% do mineiro.

Sem Lula Dilma voltou a crescer entre os eleitores que têm o PT como partido preferido. Depois de cair para 58% após os protestos, a presidente aparece com 71% no grupo.

Tela livre 1 Além de flexibilizar o entendimento sobre campanha antecipada na propaganda partidária, o vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, também acha que não cabe punição a políticos entrevistados em programas de TV, caso não peçam voto abertamente.

Tela livre 2 Pré-candidatos à Presidência fizeram périplo por programas populares nos últimos meses. Aécio foi alvo de representação de Sandra Cureau, antecessora de Aragão, por ter ido ao "Programa do Ratinho".

Alfarrábios Eduardo Campos anota todas as expressões de Marina que fogem ao seu "repertório", dizem aliados. Na última semana, tomou nota quando a ex-senadora falou que será necessário "metabolizar" a aliança e quando ela citou o psicanalista Jacques Lacan.

Voo... O PMDB na Câmara votou a favor da convocação do ministro da Aviação Civil na Comissão de Finanças e Tributação para explicar o leilão dos aeroportos.

... solo Há uma divisão no governo quanto a limitar a 15% a participação nos leilões de Galeão (RJ) e Confins (MG) de grupos que já possuem outras concessões.

Terminais A ala que é contra a barreira teme que concorrentes de peso sejam excluídos da disputa, com prejuízo para o governo. Franco defende o limite para evitar monopólio no setor.

Tiroteio

"O problema da Marina com o agronegócio não é ideológico: é patológico. E Eduardo Campos parece que já foi contagiado."
DA SENADORA KÁTIA ABREU (PMDB-TO), presidente da CNA, sobre o veto de Marina Silva a Ronaldo Caiado (DEM-GO), que gerou protestos entre ruralistas.

Contraponto

Melhor idade
Miguel Arraes era governador de Pernambuco quando aceitou convite de Márcio França (PSB) para participar de um evento de sua campanha para prefeito de São Vicente, em 1996. Conhecido por fumar cachimbo, o avô de Eduardo Campos, com quase 80 anos, acendeu um ao entrar no carro, com as janelas fechadas. O motorista começou a tossir, e Arraes perguntou ao correligionário:

--Você se importa se eu fumar aqui?

--Claro que não, doutor Arraes! --respondeu França.

--Que bom, porque estou velho demais para me preocupar com o que as pessoas gostam ou não...

Fonte: Folha de S. Paulo

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo

Professores e mascarados
Terça-feira é Dia do Professor, categoria sofrida, que protagoniza uma das mais longas greves do país no Rio de Janeiro. O movimento obteve grande adesão de estudantes e da oposição ao prefeito Eduardo Paes (PMDB). Parecia já derrotado, porém, ganhou novo fôlego com a decisão da juíza Roseli Nalin, da 5ª Vara da Fazenda Pública do Rio, que suspendeu a sessão plenária da Câmara dos Vereadores que aprovou a proposta do Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR), o real motivo da greve.
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A Lei 442/2013, sancionada pelo prefeito do Rio, está suspensa. Havia sido aprovada em 1º de outubro, em reunião extraordinária, enquanto do lado de fora da Câmara professores e soldados da Polícia Militar entravam em confronto. Os manifestantes foram impedidos de entrar no Palácio Pedro Ernesto para assistir à sessão de votação do plano na base das bombas de efeito moral e do spray de pimenta. Assim, a greve dos professores virou um caso de polícia.
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O episódio motivou uma passeata de 50 mil professores na célebre Avenida Rio Branco, que transcorreu pacificamente da Candelária à Cinelândia. Foi, então, que entraram em cena os black blocs: os mascarados tentaram invadir a Câmara Municipal e enfrentaram a PM. Houve muito gás lacrimogêneo e atos de vandalismo. É provável que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro casse a decisão da juíza, a pedido de Eduardo Paes. A greve, porém, continua.

Cadeia
Ser black bloc virou status entre os secundaristas cariocas. Mas, quem for flagrado praticando atos de vandalismo pode pegar até oito anos de prisão. Na sexta-feira, a Polícia Civil fez uma operação de busca e apreensão nas residências dos líderes do grupo Black Bloc. Seis pessoas foram detidas, suspeitas de atos de vandalismo. Depois de autuados, acabaram liberados.

Massa falida
De acordo com informações do Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), a extinta Vasp lidera a lista dos 100 maiores devedores da Justiça do Trabalho. A empresa deve R$ 1,5 bilhão a aeronautas e aeroviários e responde a 4.833 processos.

Tensão
Apesar do jogo combinado entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (foto), e Marina Silva, que se filiou ao PSB, o clima continua tenso nos bastidores da legenda. Marina tem reiterado que Campos é o candidato a presidente, mas, nos estados, há pouca afinidade entre os candidatos apoiados pelo PSB e a turma da Rede Sustentabilidade. A Rede ainda não digeriu o acordo.

Azarão
Pesquisa de intenção de votos, feita de 6 a 12 de agosto pelo Instituto Gerp, apontou o ministro da Pesca, Marcelo Crivella, do PRB, como o preferido dos eleitores fluminenses, com 23% de intenções de votos. Anthony Garotinho (PR) está em segundo, com 12,8%. Na sequência, embolados, surgem o petista Lindbergh Farias, com 7,9%; Cesar Maia (DEM), com 7,5%; e o vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), com 6,1%.

Refugiados
Segundo o Conselho Nacional de Refugiados (Conare), o Brasil abriga oficialmente cerca de 4,4 mil pessoas nessa condição, de 79 nacionalidades, sendo 12% crianças e adolescentes. Atualmente, os refugiados que mais se deslocam para o Brasil são de Angola (1.060 mil pessoas), da Colômbia (738), da República Democrática do Congo (570), da Libéria (211) e da Síria (138).

Tangueria/ O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja amanhã para Buenos Aires, onde participará do Primeiro Fórum de Responsabilidade Social da Argentina. Na terça, dividirá uma mesa de debates com o ex-presidente espanhol Felipe González e os economistas Amartya Sen, da Índia, e Bernardo Kliksberg,
da Argentina.

Energia/ Presidentes e diretores da área ambiental de algumas das maiores empresas do país desembarcam em Brasília, na próxima quinta-feira, para evento com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Vão participar do 1º Encontro do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (Fmase) e conhecer proposta para aperfeiçoar o licenciamento ambiental de empreendimentos de geração e de transmissão de energia.

Biografias/ A censura a biografias no Brasil teve ampla repercussão na Feira do Livro de Frankfurt, pois os escritores brasileiros botaram a boca no trombone, a ponto de constrangerem o vice-presidente, Michel Temer, e a ministra da Cultura, Marta Suplicy. Na sexta-feira, o jornalista e escritor Ruy Castro repetiu as críticas. Ele é autor de uma biografia de Mané Garrincha, cuja edição foi proibida a pedido da família do jogador.

Parada gay/ Hoje é dia da Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, que reúne lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais na Avenida Atlântica. Mascarados violentos não foram convidados.

Fonte: Correio Braziliense

Direto de Brasília-João Bosco Rabello

Um índice de risco
Lidos isoladamente, os números da pesquisa publicidade ontem favorecem a candidata Dilma Rousseff, ao permitirem simulações que a dão como eleita no primeiro turno contra os candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos e vencedora em todos os cenários de segundo turno.

Mas, nessa última hipótese, a apertada diferença numa disputa com a ex-ministra Marina Silva indica que o patamar atual da presidente não é o ideal para quem tenta a reeleição.

A pesquisa, do instituto Datafolha, registra 41% para a ex-ministra num segundo turno, 21% para o senador mineiro e 15% para o governador pernambucano, no embate direto com a presidente. O total de ambos, de 36%, se somado a uma transferência mínima de votos de Marina para Campos, na hipótese dele ser o candidato, seria suficiente, em tese, para ameaçar a candidatura oficial Há, sim, uma vitória de Dilma, na recuperação de parte do patrimônio eleitoral perdido com as manifestações de junho, indicativo de que não existe ainda uma motivação para mudança em intensidade suficiente para embalar o frágil discurso oposicionista de fazer melhor simplesmente.

Se Marina Silva tivesse optado por ficar de fora da disputa, provavelmente a campanha do govemo permaneceria em céu de brigadeiro. Mas as simulações dela com Aécio ou Serra na briga levam a presidente para a casa dos 37%, porcentual de risco para sua meta de reeleição. Até maio do próximo ano, quando a campanha realmente ganhar dinâmica, é provável que as chapas de PSDB e PSB já estejam definidas com Aécio Neves e Eduardo Campos à frente, muito embora a confirmação da superioridade eleitoral da ex-ministra dobro de seu aliado projete uma fase de muita pressão interna de seu núcleo na aliança para que seja ela a candidata.

No cenário tucano, o alto índice de rejeição de José Serra dá ao adiamento da decisão formal sobre o candidato apenas um caráter de trégua na disputa entre ele e Aécio, já que na simulação ambos ficam na faixa de 20% - oito pontos abaixo de Marina - e o senador demonstra consistência eleitoral.

De tudo resulta que a aliança que viabilizou a permanência de Marina na disputa confirma a melhora do PSB, e cria dificuldades para Dilma. Se forem capazes de conciliar as diferenças, Campos e Marina tendem a crescer, projetando uma frente de oposição no segundo tumo contra a candidatura do governo.
O que explica Lula antecipara ida aos palanques. Sua liderança nas pesquisas sobre todos os candidatos, inclusive Dilma, pode fazer a diferença a favor da reeleição da presidente.

Dianteira
Pesquisa do PT para definir seus candidatos regionais dá à presidente Dilma 46% na região Nordeste e ao ex-presidente Lula, 70%. Feita antes da aliança Marina/Campos, a consulta dava a este último 5% - metade do porcentual de José Serra.

Soma
Velha raposa do PMDB avalia que as pesquisas aumentam o poder de barganha da base com o governo.

Subtração
Acordo com o Planalto reduzirá o desconto na dívida de estados e municípios com a União, no projeto a ser votado pela Câmara.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Política – Claudio Humberto

• Farra de cargos aumenta a cada Legislatura
Deputados se apressam no início de cada legislatura para apresentar e aprovar Atos da Mesa Diretora e Resoluções do Plenário que alteram a estrutura administrativa da Câmara dos Deputados, adicionando cada vez mais cargos aos quadros. No início da legislatura atual, em 2011, a “reestruturação” adicionou às oito maiores bancadas (à época PT, PP, PMDB, PSDB, DEM, PR, PSB e PDT) mais 84 cargos comissionados.

• Em miúdos
A mudança na estrutura para acomodar aspones custa R$ 8,68 milhões a mais para cada um dos quatro anos de mandato dos deputados.

• Para todos
O PSD ficou de fora da farra pois não existia no início de 2011, mas a Resolução nº 9/2011 criou 56 cargos ao custo de R$ 5,6 milhões.

• Os novatos
PROS e Solidariedade serão como o PSD: não existiam no começo da legislatura, mas serão agraciados com dezenas de cargos comissionais

• Sempre no começo
As Resoluções de nº 4 de 2011 e nº 1 de 2007 alteraram as estrutura e presentearam partidos com cargos comissionados.

• Lula evita bater de frente com Campos e Marina
O ex-presidente Lula aconselhou lideranças petistas a não partir para o enfrentamento público com o governador Eduardo Campos (PSB-PE) e a ex-senadora Marina Silva, que se uniram para disputar a Presidência em 2014. Para Lula, dar corda neste momento – sem a divulgação de pesquisas para avaliar os riscos reais – só aumenta a exposição da dupla na mídia e pode inviabilizar apoio num eventual segundo turno.

• Cá entre nós
Em reunião esta semana com políticos de Pernambuco, Lula pediu que a conversa ficasse em sigilo e reiterou: “Eduardo não tem limites”.

• Quem provoca…
Jean Wyllys (Psol-RJ) acusou o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), essa semana, de chamar índios de “vagabundos”, na Câmara.

• … leva
Heinze respondeu: Wyllys “veio com meia dúzia de votos”. Com 12 mil votos, Jean pegou carona com Chico Alencar (Psol), que teve 240 mil.

• Pode isso?
Dilma e o governador Eduardo Campos (PSB-PE) nem disfarçam a campanha antecipada, na quinta (10): ela com Lula, Mercadante e o marqueteiro João Santana, no Planalto. Campos paparicando Marina.

• Acerto de contas
Deve sair na próxima semana o resultado do inquérito interno do Itamaraty sobre as denúncias de assédio moral, sexual e homofobia envolvendo o embaixador em Sidney (Austrália) Américo Fontenelle, e seu adjunto, César Cidade. Eles foram afastados há três meses.

• Ninguém me ama
Quando ouviu na presidência do Senado que a indicação de Vital do Rêgo para o Ministério da Integração é “questão de honra”, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), três vezes preterido para ser ministro, choramingou: “Quando fui indicado, o partido não foi tão enfático…”

• Peixe na rede
De olho em obter apoio na disputa ao governo do Rio, o deputado Miro Teixeira (PROS) – aliado de Marina Silva – brinca que o presidente do PSB-RJ, o ex-jogador Romário, “sempre teve como objetivo a rede”.

• Tiro no pé
O deputado Fábio Ramalho considera um tiro no pé confiar que Marina Silva transfere votos: “Ela dá uma de popstar, mas, em 2010, apesar de sua boa votação, os deputados do PV caíram de 4 para 2 em Minas”.

• Firme e forte
A cúpula nacional do PMDB quer manter Marcelo Miranda – cassado em 2009 pela Justiça Eleitoral – na disputa pelo governo de Tocantins; a senadora Kátia Abreu deve sair candidata à reeleição pela chapa.

• Tá feia a coisa
O sindicato dos bancários anda preocupado com a saúde mental dos colegas do banco Santander, líder em queixas no Procon. É que as reclamações já viraram insultos, e o tímpano dos coitados é que sofre.

• Acertando as pontas
O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, apresentou ao vice Michel Temer seis pontos “delicados” para melhorar as relações empresariais entre os dois países. Portugal é hoje o quarto maior investidor no Brasil, que ocupa o sétimo lugar no ranking português.

• Pensando bem…
… a greve dos bancários, que ninguém percebeu, acaba nesta segunda-feira sem nem mesmo ter começado.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

O preço do button - Jairo Nicolau

No Brasil há regras muito rigorosas para criação de partidos - e muito generosas quanto ao acesso a recursos públicos para aqueles já registrados

Somente neste ano, três novos partidos (Partido Republicano da Ordem Social, Solidariedade e Partido Ecológico Nacional) foram registrados e o movimento para a criação de um quarto - a Rede de Sustentabilidade - recebeu uma expressiva cobertura da imprensa. Este novo ciclo de criação de legendas trouxe à baila a discussão sobre o número excessivo de partidos, com a inevitável lista de mudanças que poderiam ser feitas na legislação para enxugar o quadro partidário.

Qualquer discussão abordando o tema deve levar em conta três aspectos. O primeiro é que não devemos confundir os partidos registrados com aqueles que efetivamente importam no jogo político. Em muitos países o número de partidos é enorme, mas poucos realmente obtêm representação em âmbito nacional. Um bom exemplo é a Espanha. Nas últimas eleições nacionais (2011), 40 partidos concorreram, mas apenas 16 obtiveram representação na Câmara dos Deputados; outros 12 têm cadeiras apenas nos Legislativos estaduais e dezenas de outros concorrem apenas no âmbito local.

O segundo é a inexistência de critério para definir qual é o número "ótimo" de partidos que uma democracia deve ter. Existem democracias, como a Bélgica, a Itália e Israel, com um número expressivo de partidos relevantes. Outras, como os Estados Unidos e Alemanha, têm um número menor de legendas no cenário nacional.

O terceiro aspecto é que a legislação brasileira criou a figura do registro definitivo dos partidos. Gostemos ou não dos 32 brasileiros, eles têm a sobrevivência assegurada e não podem ser "banidos" por nenhuma reforma eleitoral.

Na maioria das democracias, o registro de partidos é feito de maneira mais simples e com menos controle do Estado do que acontece no Brasil. Aqui, desde 1945, um órgão estatal (a Justiça Eleitoral) assumiu a tarefa de registrar novas organizações partidárias. Durante o atual período democrático, duas regras bem distintas orientaram a criação de partidos. A primeira, extremamente liberal, vigorou entre 1985 e 1994. Para fundar uma nova legenda, bastava um grupo de 101 entrem com o pedido junto ao TSE. A simples obtenção do registro provisório já permitia que o partido participasse das eleições. Nesse período, nada menos que 69 legendas diferentes (aqui excluídas as que mudaram de nome) lançaram algum candidato. A lei partidária de 1995 adotou um critério muito mais rigoroso. Para criar uma nova legenda, um grupo de cidadãos deve obter a assinatura de milhares de eleitores (0,5% do total de votos válidos na última eleição para a Câmara dos Deputados). Hoje são necessárias cerca de 492 mil assinaturas, que são detalhadamente conferidas pelos cartórios eleitorais.

Como pudemos observar no dramático processo de não registro da Rede de Sustentabilidade, a criação de partidos no Brasil não é uma tarefa fácil. Após a adoção do sistema de assinaturas, levou mais de dez anos para que um novo partido surgisse. Apenas sete legendas conseguiram cumprir as novas regras: PRB, PSOL, PSD PPL, PEN, Solidariedade e PROS; um número realmente baixo para quase 20 anos de vigência da lei.

O fato é que, se compararmos a outras democracias, não temos tantos partidos registrados. O que nos diferencia é a facilidade com que novas legendas garantem acesso aos recursos públicos (Fundo Partidário e Horário Eleitoral Gratuito) e à representação parlamentar. A legislação é tão liberal que mesmo partidos que nunca participaram de uma única eleição já recebem recursos do fundo. O PSD, por exemplo, criado em 2011, recebeu R$ 9, 3 milhões no ano passado.

A combinação de grandes distritos eleitorais e coligações nas eleições proporcionais favorecem em demasia as pequenas legendas. Já há algum tempo, temos o Legislativo nacional mais fragmentado do mundo.

Em resumo: o Brasil criou um modelo singular para regulação dos partidos, com regras muito rigorosas para criação de novos, mas com regras muito generosas para acesso aos recursos públicos para os partidos já registrados.

Minha sugestão é que essa equação deva ser invertida: facilitar a criação de partidos, mas adotar regras mais rigorosas para acesso aos recursos públicos. Não há por que continuarmos com essa exigência de um número tão alto de assinaturas para registrar uma nova legenda. Por outro lado, somente partidos com alguma representação eleitoral teriam acesso as recursos do Fundo Partidário e tempo de rádio e TV para campanha.

Vejamos o caso da Alemanha, que tem atualmente 36 partidos políticos. O país adota uma cláusula de barreira extremamente rigorosa: um partido tem que receber pelo menos 5% dos votos e eleger um deputado na Câmara dos Deputados. Nas eleições deste ano, somente cinco partidos conseguiram ultrapassar a barreira. O Partido Liberal, que tinha 93 deputados, obteve 4,8% dos votos e ficará sem um único deputado. A regra para acesso ao Fundo Partidário é menos exigente: 0,5% dos votos em eleições nacionais.

Não imagino um modelo tão draconiano como o alemão funcionando por aqui. Mas teríamos muito a ganhar com sua premissa: criar partidos não tem nada que ver com ter recursos estatais para sua manutenção, nem com a garantia de representação parlamentar.

*Jairo Nicolau é professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor, entre outros livros, de Sistemas Eleitorais (FGV).

Fonte: O Estado de S. Paulo / Aliás

O que pensa a mídia - editoriais de algins dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Afasta de nós esse cale-se - Sérgio Augusto

Grupo que tenta cercear biografias se esquece de que figuras públicas não têm vida privada

Nem todas as atenções dos últimos dias se concentraram nas bodas de Marina e Eduardo e na avaliação das razias dos black blocs. Nas mídias e conversas, as dúvidas e controvérsias geradas pela adesão de Marina ao PSB e o racha entre os que apoiam e execram a ação dos nossos squadristi mascarados tiveram de dividir o proscênio com duas celeumas envolvendo escritores e artistas.

Ambas tiveram como palco privilegiado a Feira de Livros de Frankfurt, na Alemanha, onde o Brasil foi homenageado ao custo de R$ 18,9 milhões aos cofres públicos ("Se os empresários do mercado editorial brasileiro precisassem da homenagem da feira, poderiam recebê-la, com o dinheiro deles", criticou o comentarista político Elio Gaspari, que também sugeriu que se aplicasse a dinheirama da viúva na restauração da Biblioteca Nacional). A comitiva brasileira mal tivera tempo de curtir a maioria dos estandes da Buchmesse quando os escritores Paulo Coelho e Paulo Lins questionaram a representatividade do grupo de autores selecionados pelo governo brasileiro. Coelho exigia a presença de mais ficcionistas best-sellers e, indignado, desembarcou do "trem da alegria". Lins criticou a ausência de outros autores negros, mas permaneceu em seu vagão.

A segunda celeuma, a rigor, não eclodiu em Frankfurt, mas lá encontrou uma providencial câmara de eco. De um lado, sete músicos (Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto e Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Djavan) tentando impor limites à produção de biografias não autorizadas; de outro, um vasto contingente de biógrafos, escritores, editores, intelectuais, atores e mesmo músicos contrários a qualquer obstáculo que possa inibir ou restringir a liberdade de expressão. A cisão não é recente, mas atingiu seu ponto de ebulição no fim da semana retrasada, com uma entrevista da empresária e ex-mulher de Caetano Paula Lavigne, ideóloga e líder da cruzada contra o livre exercício do biografismo. Partindo do princípio de que o Código Civil protege igualmente o público e o privado, ela e seus templários reivindicam uma compatibilização do direito constitucional à liberdade de expressão com o direito à "inviolabilidade da vida privada e da intimidade", como se isso fosse exequível sem ferir, com letais consequências, o princípio maior da livre manifestação do pensamento.

Além de exigir autorização para qualquer biografia, o grupo, autodenominado Procure Saber, sugere o pagamento de royalties aos biografados ou seus herdeiros. Isso ou a não comercialização da obra. Se distribuída gratuitamente, tudo bem, deduzo; até aleivosias seriam relevadas, presumo. Foi um corolário dessa barganha que os advogados das filhas de Garrincha impuseram ao biógrafo Ruy Castro e à Companhia das Letras: primeiro, tentaram proibir a comercialização de Estrela Solitária, por "danos morais" à imagem do jogador, afinal entubados mediante uma graninha.

Pegou muito mal essa cobrança de "direitos autorais sobre a vida pessoal" de cada um, até porque derivada de um raciocínio canhestro. À luz da história e da biografia, figuras públicas não têm vida privada. A cantora Nana Caymmi foi direto ao ponto: "Vida de artista é vida pública". Proibir biografia, segundo ela, "é falta do que fazer". Outro raciocínio canhestro: "Editores e biógrafos ganham fortunas enquanto aos biografados resta o ônus do sofrimento e da indignação". Assim falou Djavan, de olho gordo numa fonte de renda suplementar. Uma boa biografia dá muito trabalho, consome anos, às vezes décadas, de pesquisa e finalização; o melhor que os artistas têm a fazer, recomenda Nana Caymmi, é "se sentir honrados por ter gente interessada na vida deles".

A biografia de Clarice Lispector custou cinco anos de intensa e dispendiosa pesquisa ao americano Benjamin Moser. Seria insultuoso sequer insinuar que ele só (ou sobretudo) a escreveu pensando nos cifrões sonhados por Djavan e demais faniqueiros (Wilson das Neves, Pedro Luís, Nasi) agregados à brigada do "Procure Faturar".

Em carta aberta a Caetano, publicada na Folha de S. Paulo, Moser confessou-se "constrangido" com as declarações do compositor, para ele, "escandalosas, indignas de uma pessoa que tanto tem dado para a cultura do Brasil", lembrou ao amigo que liberdade de expressão, além de "absoluta", não existe "para proteger elogios", e o estimulou a não se transformar num "velho coronel".

Na pororoca de insultos e chacotas que de imediato se seguiu nas redes sociais, as cobranças foram mais incisivas e impiedosas. "Censores!", "Imorais!", "Gananciosos!" - e não eram apenas cidadãos comuns manifestando-se contra a ditadura da biografia chapa-branca, mas também intelectuais e companheiros de ofício de Caetano & cia. No meio do fogo cruzado apareceu um gaiato, que rogou ao Chico, "afaste de nós esse cale-se". Outro, não menos irreverente, cobrou de Caetano: "Desde quando não é mais proibido proibir?"

A um retwitt da colunista da Folha S. Paulo Mônica Bergamo, Lavigne reagiu com três bombásticos adjetivos: "chata, recalcada e encalhada". Desconheço o que pensava da jornalista quando de sua coluna se beneficiou no passado. A propósito, não seria pedir notas a colunistas uma forma de invasão da privacidade, uma espécie de bullying marqueteiro?

Na Feira de Frankfurt, um manifesto a favor dos biógrafos e uma palestra do historiador Laurentino Gomes puseram mais lenha na fogueira, que ainda ardia na sexta-feira. Como poderá arder por mais algum tempo, talvez seja uma boa imitar o fotógrafo Leo Aversa, que pensa em escrever uma autobiografia para depois processar o autor.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Roberta Sá & Trio Madeira Brasil - Água da Minha Sede

Poema didático - Paulo Mendes Campos

Não vou sofrer mais sobre as armações metálicas do mundo
Como o fiz outrora, quando ainda me perturbava a rosa.
Minhas rugas são prantos da véspera, caminhos esquecidos,
Minha imaginação apodreceu sobre os lodos do Orco.
No alto, à vista de todos, onde sem equilíbrio precipitei-me,
Clown de meus próprios fantasmas, sonhei-me,
Morto do meu próprio pensamento, destruí-me,
Pausa repentina, vocação de mentira, dispersei-me,
Quem sofreria agora sobre as armações metálicas do mundo,
Como o fiz outrora, espreitando a grande cruz sombria
Que se deita sobre a cidade, olhando a ferrovia, a fábrica,
E do outro lado da tarde o mundo enigmático dos quintais.
Quem, como eu outrora, andaria cheio de uma vontade infeliz,
Vazio de naturalidade, entre as ruas poentas do subúrbio
E montes cujas vertentes descem infalíveis ao porto de mar ?

Meu instante agora é uma supressão de saudades. instante
Parado e opaco. Difícil se me vai tornando transpor este rio
Que me confundiu outrora. Já deixei de amar os desencontros.
Cansei-me de ser visão, agora sei que sou real em um mundo real.
Então, desprezando o outrora, impedi que a rosa me perturbasse.
E não olhei a ferrovia – mas o homem que sangrou na ferrovia -
E não olhei a fábrica – mas o homem que se consumiu na fábrica -
E não olhei mais a estrela – mas o rosto que refletiu o seu fulgor.
Quem agora estará absorto? Quem agora estará morto ?
O mundo, companheiro, decerto não é um desenho
De metafísicas magnificas (como imaginei outrora)
Mas um desencontro de frustrações em combate.
nele, como causa primeira, existe o corpo do homem
- cabeça, tronco, membros, aspirações e bem estar…

E só depois consolações, jogos e amarguras do espírito.
Não é um vago hálito de inefável ansiedade poética
Ou vaga advinhação de poderes ocultos, rosa
Que se sustentasse sem haste, imaginada, como o fiz outrora.
O mundo nasceu das necesidades. O caos, ou o Senhor,
Não filtraria no escuro um homem inconsequente,
Que apenas palpitasse no sopro da imaginação. O homem
É um gesto que se faz ou não se faz. Seu absurdo -
Se podemos admiti-lo – não se redime em injustiça.
Doou-nos a terra um fruto. Força é reparti-lo
Entre os filhos da terra. Força – aos que o herdaram -
É fazer esse gesto, disputar esse fruto. Outrora,
Quando ainda sofria sobre as armações metálicas do mundo,
Acuado como um cão metafísico, eu gania para a eternidade,
sem compreender que, pelo simples teorema do egoísmo,
A vida enganou a vida, o homem enganou o homem.
Por isso, agora, organizei meu sofrimento ao sofrimento
De todos: se multipliquei a minha dor,
Também multipliquei a minha esperança.

sábado, 12 de outubro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Roberto Freire: vice

"Não decidimos nem quem vamos apoiar em 2014, como discutir vice de alguém?
Temos a opção de candidatura própria e levamos em consideração duas candidaturas oposicionistas, ambas merecedoras de nosso apreço.

Roberto Freire, deputado federal e presidente nacional do PPS. In “PSDB avalia que ainda é cedo”, Correio Braziliense, 12/10/2013

Pesquisa Datafolha: Com Campos e Aécio, Dilma vence eleição no primeiro turno

Pesquisa Datafolha mostra que haveria segundo turno caso Marina Silva ou Serra concorresse com a petista

No cenário hoje mais provável, petista teria 42% dos votos, Aécio alcançaria 21%, Campos marcaria 15%

Ricardo Mendonça

SÃO PAULO - Pesquisa Datafolha realizada ontem mostra que a presidente Dilma Rousseff seria reeleita no primeiro turno se disputasse a eleição contra os dois candidatos mais prováveis do PSDB e do PSB, o tucano Aécio Neves e o socialista Eduardo Campos.

Nessa simulação, Dilma tem 42% das intenções de voto; Aécio, 21%; Campos, 15%. Votos em branco, nulo ou nenhum somam 16%. Outros 7% não sabem em quem votar.

O instituto testou quatro cenários para a eleição presidencial de 2014, alternando os nomes de Campos e Marina Silva, pelo PSB, e os de Aécio e José Serra, pelo PSDB.

Nas outras três combinações, Dilma não alcança índice suficiente para garantir vitória no primeiro turno.

No simulação em que a disputa aparece mais apertada, a petista tem 37% das intenções de voto, Marina marca 28%, Serra atinge 20%.

Trata-se, porém, justamente do cenário mais improvável da eleição, já que, hoje, os principais líderes do PSB e do PSDB trabalham pelas candidaturas de seus presidentes nacionais, Campos e Aécio.

Desta vez, o Datafolha fez 2.517 entrevistas em 154 municípios, o que resulta numa margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

As simulações do atual levantamento não podem ser diretamente comparadas com as anteriores porque não há coincidência de cenários.

No quadro que era tido como o mais provável no início de agosto, Dilma tinha 35%; Marina marcava 26%; Aécio alcançava 13%; Campos, 8%.

Após o fracasso da criação do partido Rede no prazo para concorrer em 2014, Marina filiou-se ao PSB. Com isso, não há mais como ela e Campos disputarem o mesmo cargo.

Os números da pesquisa de ontem sugerem que o eventual espólio eleitoral de Marina ficaria dividido de forma quase idêntica entre Dilma, Aécio e Campos.

Daqueles 26% que Marina tinha em agosto, Dilma teria herdado 7 pontos; Aécio, 8; Campos, também 7.

O levantamento de ontem confirma que Marina seria a adversária mais competitiva de Dilma. Após um período de forte exposição na mídia --em especial por causa da filiação ao PSB--, ela atinge 29% em seu melhor cenário. É quase o dobro da melhor situação de Eduardo Campos.

Nos recortes por idade, renda e escolaridade, Marina vence Dilma entre os mais jovens (16 a 24 anos), os que têm ensino superior e os que têm renda acima de cinco salários mínimos.

Dilma ganha em todas as simulações de 2º turno

A vitória mais apertada seria numa eventual disputa final contra Marina

Pesquisa Datafolha de ontem mostra ainda que o tucano José Serra, ex-governador de São Paulo, é o mais rejeitado

Conforme as simulações feitas ontem pelo Datafolha, a petista Dilma Rousseff venceria qualquer adversário num eventual segundo turno da eleição presidencial

A vitória mais apertada seria contra Marina Silva, recém-filiada ao PSB. Dilma teria 47% dos votos, a neossocialista ficaria com 41%.

Em relação à pesquisa anterior, de 7 a 9 de agosto, a diferença é mínima. Naquela ocasião, Dilma somava 46%, Marina tinha os mesmos 41%.

A margem de erro dos dois levantamentos é de pontos para mais ou para menos.

Na pesquisa de ontem, a vitória mais folgada de Dilma em hipóteses de segundo turno seria contra o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o outro possível candidato do PSB na disputa. O resultado seria 54% a 28%.

Contra o senador Aécio Neves (MG), o nome mais provável do PSDB na disputa de 2014, a petista ganharia por 54% a 31%. No enfrentamento ao tucano José Serra, ela seria reeleita por 51% a 33%.

Apesar de possuir mais intenções de voto que Aécio tanto no primeiro quanto no segundo turno, Serra tem algumas desvantagens em relação ao seu rival interno no PSDB.

A principal delas é a rejeição ao seu nome. O Datafolha de ontem mostra que 36% dos eleitores brasileiros não votariam no ex-governador de São Paulo de jeito nenhum.

Dilma, Campos e Aécio ostentam patamares parecidos de rejeição. Entre os nomes testados, Marina é a menos rejeitada, 17%.

Outra vantagem de Aécio está na taxa de conhecimento aos nomes dos candidatos.

Serra é conhecido por quase 100% do eleitorado. Assim, tem tem menor potencial de crescimento. Já o mineiro não é conhecido por 22%.

Por este critério, o maior potencial é o de Campos, um desconhecido de 43%.

Fonte: Folha de S. Paulo

Governador é chamado de traidor após se afastar do PT

Petistas protestaram contra Campos no RN

Aclecivam Soares

MOSSORÓ - Chamado de "traidor do PT e do Brasil" em faixa estendida perto da Câmara Municipal de Mossoró (RN), onde participou ontem de evento partidário, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disse que o PSB abdicou de candidatura à Presidência em 2010 por um pedido do ex-presidente Lula.

"O partido atendeu a apelo do presidente", afirmou.

Quando o governador chegou ao local do evento, duas pessoas seguravam uma faixa com os dizeres "Eduardo Campos, traidor do PT, traidor do Brasil".

"O presidente Lula disse que precisava vencer as eleições logo no primeiro turno, mas a campanha foi para o segundo turno diante da força política de Marina", disse.

Campos defendeu sua gestão em Pernambuco e afirmou que a população "quer um Brasil diferente". Ele minimizou a orientação de Lula ao PT no sentido de isolar o PSB para alianças estaduais para 2014. "A nossa rede será de alianças para o bem do Brasil."

Após criticar o fatiamento de cargos no governo federal, Campos enviou à Assembleia Legislativa de Pernambuco projeto de lei que obriga que 969 dos 3.536 cargos do Executivo sejam exercidos exclusivamente por servidores aprovados em concurso.

A lei trará, segundo o governo, uma economia de R$ 25 milhões por ano pois o Estado pagará uma única gratificação.

Fonte: Folha de S. Paulo

Hostilizado por petistas, Campos diz que PSB vive outra dinâmica

Fernanda Francisco e Chico de Gois

MOSSORÓ (RN) e RECIFE- O presidente nacional do PSB e pré-candidato a presidente da República, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi acusado de "traidor do PT e do Brasil" em uma faixa colocada nas imediações da Câmara Municipal de Mossoró, onde participou de encontro de seu partido, e disse que compreendia "qualquer reação que qualquer partido venha a ter" numa resposta a pergunta sobre orientação do ex-presidente Lula para isolar o PSB nos estados.

— Na verdade, o PSB está vivendo outra dinâmica desde sábado passado. Há um fato novo na política brasileira, um verdadeiro terremoto, com a aliança que construímos com a Rede — destacou Campos.

Segundo o presidente do PSB, o partido não vai focar no debate eleitoral, mas político.

— Acredito que eles (PT) também vão respeitar nosso direito, nós somos um partido político que tem 60 anos de história — afirmou Campos, ao lado da ex-governadora do Rio Grande do Norte Wilma Faria.

De volta a Recife, Campos anunciou a extinção de 969 cargos comissionados que eram ocupados por indicações políticas, com economia anual de R$ 25 milhões; ele não associou a extinção de cargos à saída de antigos aliados. Campos recebeu a visita do senador Armando Monteiro, presidente do PTB no estado e virtual candidato ao governo, com apoio do PT, que foi lhe comunicar a entrega dos cargos.

O rompimento do PTB com o PSB já era esperado após críticas do aliado petista ao governo estadual. Ontem, o PT ensaiou dar início à entrega de cargos, prevista para as próximas semanas, depois que Campos engrossou o discurso quanto ao governo Dilma.

Fonte: O Globo

Lula sugere reforçar apoio de aliados

Fernanda Krakovics e Chico de Gois

BRASÍLIA - O ex-presidente Lula alertou a presidente Dilma Rousseff e o presidente do PT, Rui Falcão, em reunião anteontem, que, com a saída do PSB da base aliada, é preciso reforçar a aliança com o PMDB e assegurar o apoio de partidos médios, como PDT, PR e PP, à reeleição da petista. A ordem é evitar que esses partidos migrem para a órbita do pré-candidato do PSB à presidência da República, governador Eduardo Campos (PE). Dilma deve usar a reforma ministerial que fará em dezembro para agradar aos aliados.

A estratégia de Lula é impedir que Campos aumente seu tempo de TV e negocie palanques fortes nos estados. Diante da consolidação da pré-candidatura do governador de Pernambuco, Lula disse ainda que não há como Dilma dividir palanque com o ex-aliado nos estados, como era defendido, por exemplo, pelo pré-candidato do PT ao governo do Rio, senador Lindbergh Farias.

Para reforçar essa tática, Dilma não pretende esperar abril para substituir os ministros que disputarão as eleições do ano que vem. O PMDB, aliado preferencial, já colocou na mesa o nome do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) para a Integração Nacional. E deve ser atendido.

Um dos partidos que preocupa o comando de reeleição é o PP, que se manteve neutro na eleição de 2010 e negocia com o PSB em alguns estados, como o Rio Grande do Sul. Com o troca-troca partidário dos últimos dias, o PP se tornou a quarta maior bancada da Câmara e agora quer mais um ministério, além de Cidades.

O líder do partido na Câmara, Eduardo da Fonte (PE), disse que, por enquanto, a avaliação é que a legenda deve apoiar a reeleição de Dilma, mas, em relação aos estados, pondera:

— No plano nacional, devemos apoiar Dilma. Mas, nos estados, temos liberdade para optar por alianças mais convenientes.

Apesar de comandar o Ministério do Trabalho, o PDT ainda não definiu apoio à reeleição de Dilma. Anteontem, Lula fez um afago público no ministro Manoel Dias, que acaba de enfrentar um escândalo de corrupção em sua pasta, ao chamá-lo de "companheiro de longa data"

O líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), avalia que nos estados a legenda está dividida entre apoios ao PT e ao PSB. No Rio Grande do Sul, em Mato Grosso e no Distrito Federal é praticamente certo que o PDT buscará aliança com o PSB. lá no Paraná e na Bahia, há possibilidade de aliança com o PT.

O primeiro secretário nacional do PSB, Carlos Siqueira, critica a estratégia governista e diz que o PSB vai continuar fazendo as alianças que achar convenientes nos estados:

— Não temos essa história de isolar ninguém. Não temos caráter autoritário de quem trata adversários como inimigos.

PT e PSB pretendiam dividir palanques no Espírito Santo, Sergipe, Amapá e Acre. Com a consolidação da pré-candidatura de Campos, essas alianças serão revistas. No Acre, estado de Marina, o PSB tem o vice-governador e deve apoiar a reeleição do petista Tião Viana.

Fonte: o Globo

PSB e Rede negam 'ruptura' com PT

Marina Silva e Eduardo Campos negaram traição ao ex-presidente Lula. "Não é ruptura. Só estamos pensando diferente do PT", disse o líder do PSB.

Em 4 Estados, PT e PSB resistem a romper aliança

Apesar do racha nacional, diretórios alegam que fim de parcerias regionais, algumas históricas, comprometeria planos eleitorais

Fernando Gallo

Diretórios do PT e do PSB em quatro Estados resistem a romper as alianças regionais entre as siglas apesar do racha nacional que deve resultar na candidatura ao Planalto do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Esses acordos existem no Acre, no Amapá no Espirito Santo e em Sergipe.

No Espírito Santo, mesmo diante de informações de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria orientado o PT a isolar Campos nos Estados, o governador Renato Casagrande (PSB) se reuniu ontem pela manhã com líderes petistas e, segundo relatos de dirigentes do PT, afirmou a eles que deseja manter o partido de Dilma em sua chapa - seu vice é petista - e que guarda uma vaga para a sigla na eleição majoritária -a vice ou o Senado. Também manifestou a intenção de se coligar com o partido na chapa proporcional. Em troca, prometeu se manter neutro em relação à eleição nacional, na qual não faria campanha para nenhum presidenciável. Participaram desse encontro a senadora Ana Rita (PT-ES), o ex-prefeito de Vitória João Coser, deputados estaduais e dirigentes do partido.

Dos petistas, Casagrande ouviu que o desejo de permanecerem juntos em 2014 é recíproco. "O PT não discute nenhum outro plano que não seja esse com o governador", afirmou José Roberto Dudé, presidente do PT capixaba e participante da reunião. Segundo ele, o diretório não recebeu nenhuma orientação da Executiva Nacional para desfazer a aliança. "Eles sabem da preferência de montar palanque com o governador e concordam com essa tática."

Plano. No Acre, onde o PT governa com Tião Viana e o PSB tem a vice, os petistas também resistem a romper a Frente Popular, que já dura 14 anos. Lá, os filiados do partido de Campos querem fazer campanha para o governador de Pernambuco e para a ex-ministra Marina Silva - que foi senadora pelo PT acriano -, mas querem apoiar a reeleição de Viana. Os petistas concordam com esse plano.

"O PSB é um aliado de primeira hora que está nos apoiando. É uma relação histórica, hoje tem o vice-governador. É importante o apoio deles", declarou o presidente do PT-AC, Leonardo de Brito. Ele lembrou que, em 2010, o PV apoiou a eleição de Viana, embora tenha feito campanha para Marina, que era a candidata ao Planalto dos verdes.

Em Sergipe, PT e PSB também integram o mesmo grupo há mais de uma década. Os diretórios sergipanos das duas siglas desejam manter a aliança, apoiando a eleição do governador em exercício Jackson Barreto (PMDB). Barreto é vice do governador Marcelo Déda (PT), que está afastado para tratamento de um câncer.

Após a filiação de Marina ao PSB, os petistas receberam um telefonema do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) reafirmando o compromisso com o bloco. Segundo o PT sergipano, uma ruptura forçada com o PSB fragilizaria o bloco no Estado. "Qualquer defecção traria prejuízos importantes para a disputa e para esse projeto que vem sendo liderado pelo PT", afirmou o presidente do partido em Sergipe, Silvio Santos.

No Amapá, a vice-governadora Dora Cavalcante (PT) afirmou que só se manifestará depois das eleições internas do partido, em novembro. A presidente do diretório não foi localizada, Integrantes dos dois partidos afirmaram ao Estado que querem querem manter o bloco. O governador Camilo Capiberibe (PSB), após a filiação de Marina a seu partido, disse no Twitter que "realidade e conjuntura nacional nem sempre refletem as especificidades locais". "No Amapá aliança PSB-PT é importante e promove a mudança."

Vice-versa
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governadores do PSB contam com PT para se reelegerem na disputa de 2014
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Governador do PT tem vice do PSB e também disputa reeleição

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aliado de Marina veta PDT no acordo entre ex-ministra e Campos

Para Walter Feldman, denúncias impedem aliança com partido; Lupi reage e diz que tendência da sigla é apoiar Dilma

Após vetar ruralistas na aliança presidencial da candidatura de Eduardo Campos (PSB), a Rede da ex-ministra Marina Silva quer agora travar negociações do pernambucano com o PDT de Carlos Lupi. Um dos principais articuladores do grupo, o deputado Walter Feldman, que há uma semana assinou a ficha de filiação do PSB, afirmou que o partido de Lupi não se enquadra dentro da ótica da Rede devido à onda de denúncias de corrupção que costuma rondar o Ministério do Trabalho.

“O PDT não cabe (na aliança) por causa do Lupi. As coisas do ministério são muito complicadas. A regra da política de ter mais partidos para aumentar o tempo de TV não pode ser para liderar o atraso. O PDT está com problemas sérios e que precisam ser respondidos, equacionados. Então, teria certo incômodo sim”, disse.

Para ele, a aliança deve ficar circunscrita a poucos partidos. “Acho que pela Rede só cabem PPS e PV. Eventualmente partidos pequenos.”

A restrição das possibilidades de acordos eleitorais é o preço inicial pago por Campos após a aliança com Marina. O governador de Pernambuco havia articulado uma chapa em Goiás com o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado, mas diante dos protestos de Marina abandonou este projeto. Agora, vê a chance de ampliar o tempo de televisão na campanha restringido com o novo veto defendido por integrantes da Rede.

O PDT era uma das apostas de Eduardo Campos para engrossar a coalizão. Mas, para o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, a situação agora é nova. Ele sinalizou que o partido deverá aceitar o veto. “O PDT nunca nos disse que apoiaria. Houve conversas com vários partidos e agora temos uma nova situação e vamos discutir juntos todas as alianças no plano nacional no momento certo.”

Dilma. Lupi afirma que só discutirá apoio em 2014, reconhece ter conversas com Campos, mas diz ser maioria no PDT a preferência por continuar com a presidente Dilma Rousseff Ele também rebateu os questionamentos de Feldmann afirmando não responder a qualquer processo em 33 anos de vida pública. “Gostaria que ele apontasse algum problema para justificar essa posição”, disse.

O presidente do PDT afirma ter conversado com Campos em algumas oportunidades e o identifica como alternativa para 2014. Diz que seu partido só decidirá o caminho no próximo ano, mas sinaliza apoio à reeleição de Dilma. “Podemos apoiar o Eduardo, ter candidatura própria ou apoiar a Dilma, que é hoje a tendência majoritária.”

O líder do PSB, deputado Beto Albuquerque (RS), minimiza o posicionamento do integrante da Rede e afirma não ser hora de discutir a amplitude das alianças. “Nós não estamos antecipando essa discussão

Faxinada - O PDT está no Ministério do Trabalho desde o governo Lula, Carlos Lupi foi demitido na gestão Dilma na chamada “faxina”. Em maio, o comando da pasta foi devolvido a Lupi, que indicou IManoel Dias. Novas irregularidades vieram à tona.

Fonte: O Estado de S. Paulo

'Sombras' que atormentam

Dilma, Aécio e Campos convivem com a possibilidade de que possam ser substituídos por Lula, Serra e Marina, respectivamente, na eleição presidencial do ano que vem

Germano Oliveira

SÃO PAULO - A corrida presidencial rumo a 2014 apresenta um quadro inédito, onde os pré-candidatos convivem com "sombras" de peso dentro de seus partidos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é a sombra de Dilma Rousseff, pode ser chamado para disputar o pleito pelo PT caso a presidente caia na avaliação popular, enquanto o ex-governador José Serra é a sombra de Aécio Neves no PSDB, podendo assumir a candidatura na eventualidade do senador mineiro não decolar. Já Marina virou uma sombra de luxo no PSB, com avaliação popular muito maior do que a de Eduardo Campos, hoje o nome que está posto, pelo domínio que o governador pernambuco exerce na máquina partidária socialista.

O ex-presidente Lula tem dito que não será candidato novamente, mas seu retorno à articulação política aumenta os comentários de que poderia disputar a Presidência da República. Nos eventos públicos do PT, a militância frequentemente grita "volta, Lula" — Lula é reserva de luxo de Dilma. Só será chamado a disputar novamente se houver uma tragédia, com piora nos indicadores econômicos, se a inflação voltar, o desemprego aumentar, e a renda cair — avaliou o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP.

No PSDB, Serra volta a assombrar Aécio Neves. A preferência da maioria dos tucanos é pela candidatura de Aécio, mas Serra pediu que a definição só ocorra em março, quando ele espera

poder estar à frente de Aécio nas pesquisas de intenção de voto. Serra ainda não desistiu da candidatura presidencial, embora Aécio seja imbatível no PSDB hoje.

O cientista político David Fleisher, da Universidade de Brasília (UnB), acha que Serra ainda tem chances.

— Se em abril ou maio o nome de Aécio não decolar, Serra pode ser chamado de volta pelo PSDB para disputar a Presidência. Ele é uma sombra que estará sempre à disposição — disse Fleisher.

De todas as sombras desta eleição, Marina é a que pode provocar uma inversão na chapa hoje liderada pelo governador de Pernambuco.

— Caso Eduardo Campos não decole até abril do ano que vem, será inevitável que a sombra de Marina cresça — afirmou Teixeira.

Fonte: O Globo

A difícil tarefa de medir o valor do vice

Entre os prováveis protagonistas da corrida presidencial, apenas Dilma sinaliza definição e deve repetir a chapa de 2010. Principal incógnita paira sobre a aliança entre Marina e Eduardo

A polêmica sobre quem será o cabeça de chapa na aliança entre o PSB e a Rede e quais são os ganhos eleitorais herdados pelo presidente do partido socialista e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, após a parceria com Marina Silva, reacendeu o questionamento sobre quanto vale o segundo posto em uma coligação. O tema é tão delicado que entre os principais pré-candidatos ao Planalto em 2014, apenas a presidente Dilma Rousseff sinaliza definição e deve repetir a aliança com Michel Temer, do PMDB. Já a chapa do tucano Aécio Neves segue indefinida (veja reportagem abaixo).

"A primeira missão de um vice é não atrapalhar. Em alguns casos, eles até ajudam, mas isso ocorre em uma segunda etapa", brincou o senador Valdir Raupp (PMDB-RO). Desde a redemocratização, em 1985, o Brasil já teve cinco vice-presidentes. Dois deles, José Sarney e Itamar Franco, acabaram assumindo o Planalto. Os demais foram escolhidos por razões distintas e específicas.

O debate atual envolve a aliança de Marina e Eduardo. Para o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, a entrada da ex-senadora na chapa traz para o campo dos socialistas o discurso ambiental, que sempre ficou em segundo plano nos debates programáticos, além de aumentar a influência da candidatura no eleitorado urbano. "Não podemos esquecer que Marina também representa o eleitor que não está satisfeito com o modo atual de fazer política", completou Amaral.

Para Valdir Raupp, sonháticos e pessebistas estão equivocados no debate sobre a transferência de votos. Na opinião do peemedebista, se já não é segura a transferência de votos do titular da candidatura, o fenômeno se dilui ainda mais quando o escolhido assume uma posição de menos destaque na aliança. "Duvido que Marina leve para Eduardo os quase 20 milhões de votos que teve em 2010. Se levar 50% disso, está muito bom", completou Raupp. Ontem, Dilma classificou a aliança de "oscilações conjunturais próprias do processo eleitoral".

O senador assegura que tem conversado com possíveis eleitores da Rede que estão desiludidos com a decisão de Marina e não pretendem votar em um candidato que não conhecem. Raupp lembra que, no caso do PMDB, a decisão da presidente Dilma em compor uma chapa com Michel Temer agregou votos à petista, mas de maneira indireta. "O PMDB é o partido com maior capilaridade no país, com o maior número de prefeitos e o maior número de vereadores, potenciais cabos eleitorais", reforçou.

Mensalão
No caso da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, a escolha de José Alencar foi fundamental para acalmar o setor produtivo do país, que ficou em alerta com a iminente chegada do ex-sindicalista ao poder. Devido ao desgaste sofrido com o mensalão, Lula chegou a cogitar, em 2006, a aliança com o PMDB, mas continuou com Alencar, a quem até hoje se refere como o melhor vice que alguém poderia ter. "Escolher Alencar foi bom para Lula e para o país, um sinal de que o PT não colocaria fogo no circo", disse o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Fernando Henrique Cardoso, antecessor de Lula, também escolheu o vice, o pernambucano Marco Maciel (ex-PFL, hoje no DEM), por uma questão específica: trabalhar a candidatura perante o eleitorado nordestino.

O número 2 da República

Confira o que representou o posto de vice-presidente desde o fim da ditadura

1985-1989
Presidente: Tancredo Neves
Vice: José Sarney
Tancredo passou mal na véspera da posse, morreu em 21 de abril e Sarney assumiu a Presidência da República

1990-1994
Presidente: Fernando Collor de Mello
Vice: Itamar Franco
Collor sofreu o impeachment em 1992 e Itamar foi alçado ao Planalto

1995-2002
Presidente: Fernando Henrique Cardoso
Vice: Marco Maciel
A escolha do pernambucano Marco Maciel, do PFL, foi importante para o PSDB ganhar capilaridade no Nordeste

2003-2010
Presidente: Luiz Inácio Lula da Silva
Vice: José Alencar
Alencar fez a ponte com o empresariado e tranquilizou o setor produtivo quanto à eleição do petista

2011-atualmente
Presidente: Dilma Rousseff
Vice: Michel Temer
Dilma escolheu o cacique do PMDB em busca de governabilidade

Fonte: Correio Braziliense

PSDB avalia que ainda é cedo

Juliana Cipriani

BELO HORIZONTE — O pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, senador Aécio Neves (MG), está longe de conhecer quem o acompanhará na briga pelos votos dos brasileiros em 2014. No que depender dos tucanos e dos possíveis partidos aliados, caso Aécio seja confirmado na disputa — a sigla deve bater o martelo nos próximos meses —, ele terá total liberdade para escolher o nome. O único conselho é tentar aliar a questão partidária ao potencial geográfico, ou seja, apostar em alguém que possa acrescentar votos em regiões em que Aécio é menos conhecido.

Segundo um dos vice-presidentes do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), a prerrogativa de escolher o vice será unicamente do cabeça da chapa. "Está muito cedo, acho cedo até para indicar o candidato. Os partidos no Brasil estão muito apressados no meu modesto entendimento", afirmou.

Para DEM e PPS, é cedo até mesmo para se falar em fechar coligação com o PSDB. "Não decidimos nem quem vamos apoiar em 2014, como discutir vice de alguém?", afirmou o presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP). Apesar de não ter aceitado de imediato uma união com Eduardo Campos (PSB) e a ex-senadora Marina Silva — que se filiou ao PSB no sábado e trocará de sigla assim que obtiver o registro da Rede —, o deputado disse que ainda pode escolher os socialistas. "Temos a opção de candidatura própria e levamos em consideração duas candidaturas oposicionistas, ambas merecedoras de nosso apreço", afirmou, referindo-se a Aécio e a Eduardo.

Os democratas também não reivindicam vaga e, apesar de a aliança com o PSDB ser considerada óbvia por muitos, consideram que está cedo para fechá-la. "O DEM vai definir na hora certa a aliança, mas, se for Aécio o nosso candidato, ele deve ter total liberdade para escolher quem melhor compõe a chapa. Ele tem de caminhar no rumo de escolher alguém dentro da geografia do país que agregue eleitoralmente", afirmou o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN). Para o senador, Aécio deveria pensar em aumentar os votos no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste do país.

"Está muito cedo, acho cedo até para indicar o candidato. Os partidos no Brasil estão muito apressados"
Alvaro Dias, senador e vice-presidente do PSDB

Fonte: Correio Braziliense

Falcão: Lindbergh é prioridade para o PT

Presidente do partido dá apoio a senador; PMDB reage e diz que decisão ameaça aliança nacional

Juliana Castro e Cássio Bruno

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, decretou ontem, em reunião no Rio, apoio absoluto à pré-candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo fluminense. Falcão disse que a eleição do parlamentar em 2014 é "prioridade total" e deu confiança aos petistas que vivem assombrados por uma possível retirada da candidatura em favor do vice-governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB.

— Poucas vezes, vi unidade tão ampla no PT como a que conseguimos produzir hoje (ontem). Primeiro, a reafirmação de prioridade total à eleição do senador Lindbergh como nosso governador aqui. Segundo, a convicção reafirmada aqui de que o palanque do PT, do senador Lindbergh e de nossos aliados é um palanque pela reeleição da presidente Dilma — declarou Falcão.

Esta semana, a hipótese de a chapa de Lindbergh dar palanque duplo à presidente Dilma Rousseff e ao pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, provocou uma crise no PT do Rio. Falcão negou ter tratado do assunto no encontro. Em seguida, divulgou que o PT estadual fará uma reunião em 25 de novembro, quando decidirá o dia da entrega dos cargos no governo de Sérgio Cabral (PMDB).

No primeiro escalão, o PT ocupa a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos e a de Meio Ambiente. O partido, porém, continuará no governo do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Lindbergh mostrou animação com as declarações:

— Foi a consolidação unânime em torno da minha candidatura e, agora, com o aval da direção nacional do PT.

Além de defender a saída imediata do governo Cabral, Lindbergh, na articulação de sua aliança, adota a tese de que o nome que vá concorrer ao Senado pela chapa seja do PSB. O nome dos sonhos do petista seria Romário, que trabalhará pela candidatura de Campos à Presidência.

— Eu não vou cogitar essas hipóteses, porque quem vai tratar das alianças é nosso pré-candidato e uma comissão da direção que estará trabalhando e sintonizada junto com ele. — afirmou Falcão.

Houve reclamação de que os peemedebistas tratam o PT como inimigo, e foi lembrado o episódio em que Cabral citou a sua relação com Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência, para tentar minar a candidatura do PT no Rio.

O governador Sérgio Cabral não quis comentar o caso. Luiz Fernando Pezão, pré-candidato do PMDB, não atendeu as ligações. O líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio, André Corrêa (PSD), criticou a atitude dos petistas:

— Entregar cargos é uma esquizofrenia. Pode ser um risco para a aliança nacional entre PT e PMDB.

O deputado estadual Rosenverg Reis (PMDB) concordou:

— O PT caminhou quase sete anos com Cabral. E tem que caminhar agora até o final. É uma atitude infeliz.

Para o deputado estadual Edson Albertassi (PMDB), é uma medida precipitada:

— Foi uma atitude afobada. Durante todo o governo, Sérgio Cabral foi leal com os aliados.

Fonte: O Globo