quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dora Kramer - Toque de reunir

- O Estado de S. Paulo

A julgar pelas decisões tomadas na reunião da direção Executiva do PT nesta segunda-feira, o partido parece mais empenhado em falar à militância que propriamente interessado em colaborar com a presidente Dilma Rousseff para enfrentar as dificuldades e dirimir os atritos já contratados para o segundo mandato.

As resoluções divulgadas vão todas na contramão do discurso de conciliação do governo, vocalizado pela presidente e levado por seus interlocutores ao Congresso a fim de propor uma trégua. O tom está longe de evocar unidade. Por outra, soa a demarcação de terreno.

Logo de início o partido reivindica participação "ativa" nas decisões políticas e econômicas dos próximos quatro anos. Desnecessário dizer o que o setor privado com o qual o governo busca reaproximação pensa do "ativismo" petista na economia. Quanto à política, é justamente da exclusiva influência do PT nas decisões de poder que reclamam os partidos aliados quando reivindicam participação efetiva, e não apenas o papel de coadjuvantes submissos.

A agenda prossegue com a decisão de enfrentar o PMDB na disputa pela presidência da Câmara.

Não que o PT não tenha esse direito. Mas há maneiras e maneiras. Uma delas é iniciar a conversa falando em negociação, principalmente quando é o adversário quem momentaneamente está na posição do mais forte. O jeito que os petistas entraram no assunto, digamos de sola, oferece ao PMDB rebelde o argumento ideal para conquistar o apoio da oposição.

A dissonância não para por aí. O partido insiste na proposta de reforma política não só mediante plebiscito, mas por meio de convocação de Assembleia Nacional Constituinte exclusiva; sugestão ampla, reiterada e contundentemente repudiada pelos partidos e entidades mobilizadas em torno do assunto.

E como se não bastasse, o PT anuncia que pretende retomar o projeto dos conselhos populares que acabou de ser derrotado na Câmara dos Deputados. Em suas resoluções de ano novo inclui também a velha ideia do controle social (agora sob a denominação de "econômico") dos meios de comunicação.

Seria o cardápio ideal para uma agremiação interessada em colecionar derrotas ou se dedicar ao exercício da malhação em ferro frio. Não sendo esses os objetivos do PT, só resta a hipótese de que o partido esteja pouco se importando com a construção de convergências que ajudem a presidente. Parece, isso sim, mais empenhado em falar ao público interno para mobilizar a antiga militância e tentar fazer ligação direta com a "rua", a fim de enfrentar a oposição passando ao largo do Congresso.

Mais embaixo. Os apelos do Palácio do Planalto à trégua no Congresso têm um pouco a ver com a chamada "pauta bomba" de criação de despesas, mas têm muito mais a ver com o receio de perder o controle da base em outro tipo de agenda: comissões de inquéritos, convocações de autoridades, tramitação de processos de cassação e até eventuais pedidos de impeachment aos quais governos estão sempre sujeitos.

Deixa que digam. Os eleitores inconformados com o resultado da eleição têm o direito de se manifestar. Já os políticos derrotados têm o dever de repudiar atos que resvalem para agressão ao regime democrático, sem dar a menor margem à desconfiança de que estariam de acordo com palavras de ordem que pregam interrupção ilegal de mandatos e pregam a volta dos militares.

Tudo bem. É gente que não sabe o que diz. Que não poderia dizer o que bem entendesse se seus apelos fossem atendidos. Mas convém manter tais gatos pingados à distância, desprovidos de eco até que o berreiro tenha por destino a morte por inanição.

Fernando Rodrigues - Disque Lula

- Folha de S. Paulo

Está péssimo o clima político em Brasília. Uma dezena de partidos disputa um naco do próximo governo da presidente reeleita. Os 39 ministérios serão insuficientes para aplacar os ânimos. Pelo menos 20 ministros serão demitidos e vão ruminar suas mágoas no time de políticos derrotados.

São exíguas as chances de Dilma Rousseff injetar entusiasmo na sua tropa no Congresso nos próximos dias. A saída para a presidente está mais na economia do que na política. Aí está a importância da escolha do novo ministro da Fazenda.

Se a petista conseguir encontrar um nome que traga tranquilidade e boas perspectivas para a retomada do crescimento do país, o ambiente pode melhorar com rapidez. De outra forma, vários problemas políticos ficarão maiores do que já são.

Há dois desafios principais no Congresso nos próximos meses. Primeiro, a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado. Segundo, o início formal dos processos contra congressistas acusados de envolvimentos no escândalo da Petrobras, revelado pela Operação Lava Jato.

Tudo poderá ser mitigado se 2015 começar com bom vigor na economia --algo que ninguém mais acredita. Mas um nome correto na Fazenda ajudaria a conter o pessimismo.

Escândalos de corrupção só fragilizam um presidente de fato se vêm acompanhados de baixo crescimento do país. Foi assim com Fernando Collor, em 1992. Já em 1994 (quando o efeito do caso dos anões do Orçamento ainda arrasava o Congresso), o então presidente Itamar Franco lançou o Plano Real e elegeu Fernando Henrique Cardoso.

O problema de Dilma é encontrar a fórmula mágica para equilibrar as contas do país em pouquíssimo tempo. Só assim minimizará o impacto dos solavancos políticos. Talvez por essa razão a petista tenha seguido sua receita mais conhecida nessas horas. Ontem, ela se reuniu com seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Luiz Carlos Azedo - A lógica da bicicleta

• O PT cobra de Dilma a conta da mobilização dos militantes para a vitória no segundo turno e tenta dar uma guinada à esquerda na política de alianças do governo

Correio Braziliense

Quem lê a resolução da Executiva Nacional do PT sobre a reeleição da presidente Dilma Rousseff e as tarefas do novo mandato chega à conclusão de que o PT pensa que venceu as eleições sem os aliados de centro-direita — como o PMDB, o PP, o PSD e o PR — e resolveu apostar na ampliação do capitalismo de Estado e na construção de uma democracia popular. O programa proposto ao novo governo não tem ideias novas, é todo ele baseado em velhas propostas de conteúdo nacional-populistas da década de 1960.

O PT cobra de Dilma a conta da mobilização dos militantes para a vitória no segundo turno e tenta dar uma guinada à esquerda na política de alianças do governo. Sai o “presidencialismo de coalizão”, que garantiu o segundo mandato do ex-presidente Lula e a eleição de Dilma em 2010, cujo eixo privilegia o Congresso, e entra uma “ampla frente” de movimentos sociais, partidos e setores de partidos, intelectuais, juventudes e sindicalistas “em defesa de reformas democrático-populares”. É uma aposta na mobilização popular como forma de sustentação do novo governo. A implantação da jornada de trabalho de 40 horas sem redução de salário, o fim do fator previdenciário e as reformas agrárias e urbana seriam as bandeiras para empolgar os sindicatos de trabalhadores e os movimentos dos sem-terra e dos sem-teto.

Quais são as reformas? Nada a ver com a necessidade de fortalecer as instituições democráticas do país, melhorar a qualidade do ensino, o atendimento à saúde, a segurança pública, a produtividade do trabalho, promover a inovação e desenvolver a tecnologia, reorganizar o sistema tributário, mudar o modelo de transportes de pessoas e de cargas, modernizar o país e voltar a crescer. A prioridade é consolidar a hegemonia petista no governo, com a realização de um plebiscito para convocar uma Constituinte exclusiva, a aprovação de uma “Nova Lei da Mídia democrática”, a reversão da derrubada da Política Nacional de Participação Social, a desmilitarização das polícias militares e a revisão da lei da Anistia, com punição dos torturadores.

O PT exagera no peso dado aos protestos do fim de semana, nos quais surgiram propostas de impeachment e apelos à volta dos militares ao poder, para legitimar a radicalização das propostas políticas. Acusa os partidos de oposição de não reconhecerem o resultado da eleição. Mas isso é uma espécie de auto-engano. O que ameaça a estratégia petista são fatores objetivos, contra os quais o PT nada pode fazer: de um lado, a situação da economia, que faz das propostas apresentadas um salto no precipício; de outro, a correlação de forças na sociedade, depois de um resultado eleitoral tão apertado.

Diante desse cenário, qual é a alternativa sensata para a presidente Dilma Rousseff? Não é apostar na radicalização política e no confronto com a oposição, numa escalada irresponsável, que nada tem a ver com a necessidade de reaproximar o Palácio do Planalto dos setores produtivos e impedir que o país mergulhe numa grave crise econômica. A alternativa de Dilma é dar um cavalo de pau e fazer parte daquilo que dizia na campanha que a oposição faria, como elevar os juros, cortar os gastos, retomar o programa de concessões, etc. Além, é claro, de fazer uma boa faxina na Esplanada.

Essa é a encruzilhada do novo governo. A montagem de seu novo ministério dirá se dobrou a aposta no modelo que quase a levou à derrota, como gostaria o PT, ou resolveu sair dessa enrascada por uma via de negociação com o Congresso, a oposição e a sociedade. Dilma é refém das forças políticas moderadas que a apoiam, principalmente o PMDB. Ou seja, se Dilma insistir nas pedaladas, vai cair da bicicleta.

Golpismo
O senador Aécio Neves (PSDB) voltou ontem ao Congresso em grande estilo, sendo recepcionado por simpatizantes da campanha. O tucano demarcou posição em relação às propostas que surgiram em redes sociais e atos públicos que pediam o impeachment da presidente Dilma e a volta dos militares ao poder. “Eu respeito a democracia permanentemente e qualquer utilização dessas manifestações no sentido de qualquer tipo de retrocesso à democracia terá a nossa mais veemente oposição. Eu fui o candidato das liberdades, da democracia, do respeito. Aqueles que agem de forma autoritária e truculenta estão no outro campo político, não estão no nosso campo político”, declarou. Aécio deixou claro, porém, que considera as propostas de diálogo do governo inconsistentes e anunciou que fará uma oposição dura ao Palácio do Planalto.

Rosângela Bittar - O PT no cheque especial

• Lula está interferindo sem constrangimento

– Valor Econômico

O advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, fundador e integrante do PT histórico, cunhou uma frase ao fim da apuração das eleições resgatada ontem por líderes do partido para explicar a impaciência do PT e de Lula com a demora das mudanças no governo com as quais já concordou Dilma e só ontem começaram a engatinhar. "O PT entrou no cheque especial", disse ele, na comemoração do resultado. O partido estava mesmo sem crédito, ganhou algum no final, a vitória foi apertada, num alerta claro do eleitorado: o PT já estava, sem trocadilho, no vermelho. Portanto, a cobertura teria que ser feita rapidamente, numa prova de que governo e partido entenderam o recado das urnas.

Mas os sinais teriam que ser concretos, efetivos. E onde eles estão sendo emitidos, em um ou outro ponto da órbita presidencial, são ainda retóricos, segundo registros de avaliação na cúpula petista. Por isso a firme intervenção de Lula, nas indicações de nomes para o ministério e de políticas a serem abrigadas no plano do segundo mandato, e a pressa do PT em reunir sua executiva para exigir pressa nas mudanças.

O Brasil, no cenário que se descortina dos gabinetes petistas, se dividiu em duas propostas. A oposição se organizou, deu um salto de qualidade, sistematizou as críticas ao governo e ao PT, conseguiu minar a hegemonia do partido e superar receios de remar contra a maré da popularidade e do carisma de Lula.

Dilma foi porta-voz da proposta petista, em que preponderou, no momento da campanha e agora, na retomada, uma visão diferente da sua. A começar pela economia, que o PT, e o ex-presidente Lula, acreditam não dar mais para sustentar como está. Nessa questão, as mudanças precisam ser radicais, visíveis e rápidas.

No partido condenam-se com veemência declarações do ministro Guido Mantega, em plena disputa, que atribuiu à votação obtida por Dilma uma aprovação em massa à política econômica que executa. A mensagem do eleitor foi o contrário e Dilma precisa compreendê-la, diz o PT nas discussões de avaliação. Houve desaprovação tanto ao governo como ao seu método de governar.

No PT, a urgência da mudança é traduzida na frase: "Nada pode esperar 31 de dezembro". Assim, a nomeação do novo ministro da Fazenda que, se for mesmo Henrique Meirelles, nome que vem se consolidando como indicado de Lula já aceitável para Dilma, teria que anunciar logo, até para mostrar a real decisão de fazer as mudanças. Pede-se pressa também na transformação do modo de operar o governo. Além de superar a característica ríspida das relações, a mudança no trato com a corrupção não poderia esperar 31 de dezembro.

Não adianta mais dizer que mandou apurar ou que a reforma política resolve tudo. Dilma não poderia, por exemplo, esperar para mexer na Petrobras. Urge impor ordem na casa, o que implica nomear novos presidente e diretores, e fazer uma limpeza nos escalões abaixo. Muitos no PT defendem que se dê a presidência da estatal a um político e não a um técnico. Em lugar de Graça Foster, Jaques Wagner, que, respaldado por vitória eleitoral, teria força para renovar a empresa.

Além de providenciar logo as mudanças, a presidente teria que partir firme para a segunda parte da equação, o diálogo com que acenou no discurso da vitória. Mas tanto a mudança quanto o diálogo teriam que ser de verdade. Não se veem passos concretos em nenhuma das duas direções. Ao contrário, as notícias que o silêncio presidencial estimulam são de não diálogo, não mudança, de marcha batida rumo ao desequilíbrio entre os poderes com o domínio absoluto do Supremo Tribunal Federal, captura do Congresso com manipulação de fusões e criações de novos partidos, além de interferência direta na escolha do comando da Câmara e do Senado.

O governo velho em vigor não se move, os ministros têm autoridade de menos e medo demais, apenas um empresário - anotou-se no PT - o da CSN, Benjamin Steinbruch, manifestou confiança de que o segundo mandato será melhor que o primeiro. O resto se calou à espera da dura realidade.

A presidente estaria ainda paralisada numa encruzilhada de três pontas: ficar independente do PT e de Lula, colar no PT e em Lula, disputar suas ideias dentro do PT na liderança inédita de um grupo que poderia ser o Mensagem, de Tarso Genro e José Eduardo Cardozo, por exemplo. A cada momento dá sinal de que tomará uma direção diferente.

Chegou ao partido a avaliação de que a presidente atribui a Lula a virada em Pernambuco, a conquista do Rio e os 3,5 milhões de votos a mais em São Paulo entre o primeiro e segundo turnos. Assim, seria normal esperar retribuição e parceria total. Mas também já se registrou comentário da presidente que sua vitória se deve à gestão no primeiro mandato e que ganhou a reeleição para fazer o seu projeto sem restrições. Um pé lá, outro cá.

Na ausência de concretude, o PT fez reunião da executiva, anteontem, apelando a que venham logo as mudanças, pelo menos na economia. E ontem, depois de um dia inteiro de especulações sobre reuniões entre Dilma e governadores para articular partido de "esquerda" a partir do Pros de Cid Gomes com o PDT de Carlos Lupi; de Dilma com novos futuros ministros sob a coordenação de Aloizio Mercadante, surgiu a informação que o partido esperava, de que o ex-presidente Lula instalara-se na Granja do Torto, residência de verão da presidente, para reunir-se com Dilma. A presidente para lá seguira, de helicóptero, sob chuva, para formar equipe e antecipar as mudanças. A reunião durava mais de três horas no fechamento desta edição e Lula poderia hospedar-se na casa presidencial. O PT respirou.

A presidente Dilma está sendo aconselhada a começar o controle da mídia por atos que não dependam de aprovação do Congresso, de mudanças constitucionais ou de ações discricionárias que provoquem corrida à Justiça. Como os colegas Cristina Kirchner e Fernando Collor, Dilma pode começar pela restrição da publicidade do governo na mídia impressa e o aumento da vigilância da Receita Federal sobre determinados órgãos. Cristina Kirchner não só não anuncia na mídia como pressiona os anunciantes privados a asfixiarem a imprensa retirando-lhe a publicidade.

O deputado petista do grupo Mensagem, Paulo Teixeira, advogado, eleito com boa votação em São Paulo, é o mais novo cotado para o Ministério da Justiça no governo Dilma.

José Nêumanne - Tucanos dão tiro na pata

- O Estado de S. Paulo

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), coordenador jurídico da campanha de Aécio Neves para a Presidência da República, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) "auditoria especial" sobre o resultado da eleição para presidente. O pedido foi criticado pelo corregedor-geral Eleitoral, João Noronha, e considerado "de imprudência a toda prova" pelo procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot. Não ficou claro até que ponto o maior partido de oposição pode ser responsabilizado pela iniciativa. No PSDB ninguém a avalizou, mas também ninguém a desautorizou.

Foi correta a reação discreta de Janot, mas Noronha poderia limitar-se a jogar a petição no lixo, em vez de, irritado, de forma imprópria para o caso e para seu cargo, fazer comparação indevida: "Não somos a Venezuela, a Bolívia. O Brasil é um país democrático, e temos uma Justiça Eleitoral democrática". Ele se imiscuiu nos negócios da economia interna do partido interessado: "Não acredito que Aécio esteja por trás disso". E se excedeu ao considerar que o palpite infeliz "é muito negativo para a imagem do processo eleitoral e para o processo democrático". Ninguém precisa arvorar-se em defensor do coordenador jurídico da campanha tucana para estranhar a reação do corregedor. Bastava-lhe destinar o desatino a seu lugar, o lixo, calar e embarcar para Nova York.

O destempero do corregedor não obscurece, contudo, o óbvio tiro na pata que os tucanos dispararam tanto ao dar entrada na petição tendo como base fofocas de rede social quanto por não terem esclarecido quem no partido avalizou esse tresloucado gesto. Se foi uma atitude isolada, que tivesse sido imediatamente desautorizada. De qualquer maneira, já que o tiro foi dado e não se pode dizer que a pata do PSDB tenha sido quebrada por efeito dele, é o caso de aproveitar a "inoportunosa ensancha" para deixar claro que oposição precisa ser feita com coragem, objetividade e, sobretudo, suor. Pois exige de quem a faz muita responsabilidade. E ainda extremado apego aos fatos.

Deste honroso espaço em página de jornal, este escriba, acusado de pertencer ao Partido da Imprensa Golpista (PIG), clamou no deserto de moral e civismo em que se transformaram a prática política e o exercício do poder dito republicano no Brasil pela maior responsável por mantê-los em alta, a presidente da República. Candidata à reeleição, Dilma Rousseff, do PT, convocou uma rede nacional de rádio e televisão, recorrendo à força do cargo, para fazer campanha para a reeleição louvando os próprios feitos a pretexto, por exemplo, de celebrar o Dia do Trabalho - episódio lembrado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em entrevista à Folha de S. Paulo.

Sua Excelência Excelentíssima fez campanha ao anunciar benefícios para empregadas domésticas, que até hoje não se empenhou em tornar factíveis. Calçou as chuteiras da Pátria quando seu conhecimento de arquibancada, adquirido quando acompanhava o pai ao Mineirão para torcer pelo Atlético antes até de o estádio existir, indicou ser oportuno. E logo as descalçou quando os alemães mandaram os anfitriões pentear sete macacos com um pente só. Nenhum ministro do TSE, incluídos o corregedor e seu presidente, Dias Toffoli, pode alegar que de nada sabia. Pois ela mesma, adepta do "sincericídio" temerário, como foi mostrado na escandalosa compra da refinaria da Astra Oil em Pasadena pela Petrobrás, invocou o príncipe das trevas ao garantir que para ganhar uma eleição "a gente faz o diabo".

Disse e fez, pois essa não seria promessa a não ser cumprida. Moeu Marina Silva, negra de origem pobre, como se esta fosse uma reles mucama da elite branca que assola o País. Depois, para provar que vovô Tancredo Neves era da mesma estirpe do ex-Paulo Maluf - antes de este apoiar Fernando Haddad, claro -, como garantia padim Lula no Colégio Eleitoral, escalpelou o neto Aecinho sem dó nem bafômetro.

Fez isso tudo sem que corregedor e presidente do TSE resolvessem dar paradeiro até que o mineirinho "cachaceiro" - conforme comprova a larga experiência no ramo de seu acusador, o mesmo patrono da presidenta (sic, pra que discutir com madame?), o padim Lula - resolveu reagir. Não se ouviu falar do corregedor, mas o presidente do TSE resolveu tornar-se o supremo inquisidor da "baixaria eleitoral" generalizada e bateu o martelo para pôr ordem no pelourinho.

Talvez o corregedor estivesse em Nova York então. Mas a imagem da Justiça Eleitoral brasileira foi maculada - e muito - na tentativa de transferir votos em branco para Moreira Franco (hoje ministro da reeleita) para derrotar o antigo líder de Dilma, o socialista moreno Leonel Brizola, na eleição para o governo do Estado do Rio em 1982. A fraude, batizada de "diferencial delta", foi denunciada e Brizola venceu o pleito. E ele morreu certo de ter sido vítima de golpe similar para facilitar a vitória de Collor (hoje senador da base governista), abrindo passagem para Lula, e não para ele, rumo ao segundo turno, em 1989.

Nos 12 anos sob Lula e Dilma, os tucanos poderiam ter usado seu poder político para investigar a coleta e apuração eletrônicas, sob suspeita desde a manipulação tentada por Figueiredo e pelo bicheiro Anísio Abrão David no caso Proconsult. E deveria ter levado o TSE à exaustão exibindo evidências de associação de Dilma com o demo pela reeleição. Mas preferiu refestelar-se na sombra e água fresca da oposição indolente. Assim, perdeu a moral para pedir a recontagem de votos. E para fazer qualquer outra acusação sem prova. Como a do senador Álvaro Dias (PR), que atribuiu a "infiltrados" do PT apelos a golpe militar, que podem gerar no movimento contra Dilma efeito nocivo similar ao dos black blocs em junho de 2013. Não é impossível. Mas é mais provável que essa seja obra da extrema direita. E, seja devoto de Dilma ou de Bolsonaro, o sabotador deve ser identificado e apontado como inimigo da democracia.

*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor

Míriam Leitão - Fundo do poço

- O Globo

Como foi que se chegou a isso na Petrobras? A maior empresa do país, nascida de um movimento popular, orgulho nacional por ter sido capaz de superar barreiras tecnológicas desafiadoras. Tivemos que ser socorridos por leis internacionais para que a empresa contratasse auditorias, afastasse um executivo sob suspeição, e uma empresa internacional se recusasse a assinar seu balanço.

Com quantos silêncios, vistas grossas e cumplicidades se montou o esquema de roubo dentro da empresa? A corrupção se espalha e contamina como um vazamento de óleo sobre o mar. Mesmo limpas antes do derramamento, as águas acabam sendo impregnadas pela mancha que tira o oxigênio.

Devemos agradecer à lei anticorrupção corporativa americana e ao rigor da SEC, a CVM dos Estados Unidos? Pior é que sim, devemos. Sem as regras deles, o balanço teria sido aprovado e anunciado com a dúvida recaindo sobre o presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, citado nominalmente por Paulo Roberto Costa. Ele teria entregue R$ 500 mil ao ex-diretor para que a licitação de compra de um navio fosse dirigida. E quantas embarcações foram compradas durante a longeva gestão do político nomeado por Lula no seu primeiro governo e até hoje no emprego?

A presidente Dilma disse em suas primeiras entrevistas pós-reeleição que não deixaria pedra sobre pedra. Pode começar removendo aquela que encobre o fato de a empresa ter demorado tanto a investigar esse escândalo desde o começo. A presidente, que muito se estarrece com as divulgações, deveria estar estarrecida com os fatos que são divulgados e o ponto fundo a que se chegou. Em lamas ultraprofundas foram feitas tenebrosas transações contra o erário, contra os contribuintes, contra os acionistas minoritários, contra a imagem do país, contra os trabalhadores da empresa, contra a companhia. Com que tristeza os brasileiros constatam o que jorra das camadas mais profundas deste escândalo.

Há perdas materiais em todos os níveis. Dinheiro retirado da empresa em superfaturamento de compras e investimentos que passassem pela Diretoria de Abastecimento. Há perdas para o pequeno investidor que mesmo sem nunca ter estado no mercado acionário comprou ações da Petrobras. Há queda de valor de mercado em qualquer comparação que se faça.

Veja essa realizada pela Mirae Asset para a coluna. Foi pedido aos analistas que comparassem o valor de mercado de empresas com o mesmo tamanho da Petrobras. O que eles responderam foi que a empresa brasileira, com 0,9% das reservas mundiais de petróleo, tem valor de mercado de US$ 74,4 bilhões. A Exxon tem 0,8% e vale US$ 406 bi; a BP Corporation, com 0,9%, é cotada a US$ 129 bi; a PetroChina também tem 0,9% e vale US$ 232 bilhões. A Petrobras perdeu valor por razões internas, pelas fraturas expostas que este caso exibe.

Ao final do dia de ontem, após a retomada da reunião do Conselho de Administração - que havia sido interrompida quando a auditoria PwC avisou que não assinaria o balanço - tudo o que se divulga é que talvez a empresa seja autorizada no fim do mês a aumentar o preço do seu principal produto. Nesta outra frente, a dos preços controlados, a Petrobras perdeu, pelo cálculo dos analistas, US$ 9 bilhões este ano. O governo adia o aumento achando que assim segura uma inflação que já estourou o teto da meta.

Mais importante que um aumento de gasolina ou a divulgação de um balanço trimestral é que seja extirpado esse tumor. E para isso é preciso investigar todo o corpo para saber até onde foi o mal que atingiu a maior empresa do Brasil.

Celso Ming - A prostração da indústria


  • O governo e qualquer um sempre pinçarão suas explicações favoritas para o atual fiasco da indústria

- O Estado de S. Paulo

O pote despencou e se estilhaçou? Sempre haverá um rosário de explicações para o acontecido: estava no lugar errado porque alguém o deixou lá; o menino espantou o gato que trombou com o pote; o gato só entrou na cozinha porque a empregada não lhe deu comida…
O governo e qualquer um sempre pinçarão suas explicações favoritas para o atual fiasco da indústria. Desta vez, até a estiagem foi mencionada pelo gerente da coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, para explicar mais uma queda mensal na produção industrial.

E, no entanto, o mau desempenho não começou anteontem. O processo que os dirigentes do setor chamam de desindustrialização vem lá de trás. É o resultado de escolhas equivocadas e de outras omissões que a qualquer momento poderiam ser mais bem avaliadas para um diagnóstico abrangente.

O resumo da ópera é o de que a indústria brasileira não tem competitividade, está tecnologicamente atrasada e ficou alijada das cadeias globais de valor. E, se nada se fizer para virar esse jogo, fica difícil de desenhar um futuro melhor.

Uma das propostas equivocadas formuladas recorrentemente para salvar a indústria é produzir uma substancial desvalorização da moeda (alta do dólar) para derrubar o preço do produto brasileiro em moeda estrangeira e criar mercado para ele.

É inegável que a desvalorização cambial será parte importante de qualquer terapia de recuperação da indústria. Mas é um equívoco pensar que o câmbio está aí só para compensar a baixa competitividade, cuja natureza é mais abrangente.

Um programa sério de recuperação tem de passar por investimentos maciços na infraestrutura, hoje precária, que afunda o setor em custos. Tem de passar, também, por uma corajosa revisão do atual sistema altamente protecionista que tenta preservar todos os níveis da produção, desde a matéria-prima até o produto acabado. Como a matéria-prima de um setor é produto acabado de outro, os custos se compõem em cascata e tornam proibitiva toda a indústria.

Se um dia funcionaram, já não funciona mais as reservas de mercado interno. A produção mundial opera dentro do sistema de cadeias globais de valor, em que o importante já não é mais garantir mercado cativo, mas participar do processo de produção e distribuição em todo o mundo. Quem está fora dessa rede fica condenado à periferia.

Desde o início da crise de 2008, o governo do PT trata a prostração da indústria como se não passasse de um caso de ressaca depois de uma noite de porre. Por isso, distribuiu programas limitados de desoneração tributária, créditos subsidiados, imposições de conteúdo local e, finalmente, promessas, muitas promessas, de derrubada dos juros e de, lá na frente, sabe-se lá como, promover uma generosa desvalorização cambial.

E não é demais relembrar: os dirigentes da indústria têm boa dose de responsabilidade pela penúria em que estão porque aceitaram o jogo clientelista e abanaram o rabo a troco de qualquer pedacinho de osso que lhes foi atirado.

Até agora, nem o governo nem os dirigentes do setor levaram a sério a prostração em que hoje está a indústria.

Cristiano Romero - De Dilma para Dilma

• Presidente considera Meirelles, mas ainda não tomou decisão

- Valor Econômico

A presidente Dilma Rousseff tem consciência de que precisa mudar a política econômica. Sabe que o risco, neste momento, é o país entrar numa grave crise econômica. "Não tem saída", disse a esta coluna um interlocutor privilegiado da presidente. "Tenho certeza absoluta de que o governo vai fazer o ajuste."

Apesar de ter consciência dos problemas, Dilma não tem a urgência dos mercados: ela ainda não escolheu quem substituirá Guido Mantega no comando do Ministério da Fazenda. Nem muito menos quem presidirá o Banco Central (BC) a partir de janeiro. "Ela não tem a urgência do curto prazo. Vai fazer tudo ao seu tempo", contou um auxiliar.

Há um jogo de bastidor em curso, além da tentativa de setores do PT de impedir uma guinada ortodoxa: a presidente analisa, de fato, a nomeação de Henrique Meirelles para a Fazenda, mas há um rito a ser seguido. O primeiro passo é tratar do assunto com o ex-presidente Lula. Este já fez chegar a Dilma sua predileção por Meirelles, que presidiu o BC de forma bem-sucedida em seus dois mandatos. Mas não houve ainda uma "conversa pessoal" entre os dois. "A presidente não vai fazer nada sem antes conversar com uma pessoa: Lula", revelou uma fonte.

Há outras duas condições. Dilma não aceitará a ideia, muito forte nos mercados, de que Meirelles entrará para o governo como o "salvador da pátria". "Ela não teve 54 milhões de votos para se submeter a isso", observou um colaborador. O outro aspecto relevante é o estabelecimento de um "acordo de convivência" entre os dois.

Em 2013, Lula tentou convencer Dilma a levar Meirelles para o governo. O argumento, já em abril daquele ano, é que isso ajudaria a restaurar a credibilidade da política econômica, abalada por contabilidades criativas e que tais. Lula está convencido de que, se tivesse seguido seus conselhos, Dilma teria vencido a eleição no primeiro turno, sem sustos.

Ao tempo em que o ex-presidente fez a indicação, havia apenas uma palavra para definir o que a presidente sentia por Meirelles: "desprezo". Conforme noticiou a repórter Andréa Jubé, do Valor, Dilma mudou de ideia. "Hoje é diferente. As circunstâncias mudaram", comentou um assessor. "Continuo achando difícil [a escolha de Meirelles], porém, hoje, não descarto."

Dilma não gosta de Meirelles porque o considera "liberal". Em 2010, pressionou-o mais de uma vez porque o BC iniciou um ciclo de aperto monetário em meio à campanha presidencial - na verdade, fez isso em abril, junho e julho, mas parou em setembro, véspera da eleição, mesmo tendo sinalizado antes que seria necessário elevar a taxa básica de juros (Selic) naquele momento.

Na transição de governo, a então candidata eleita teria dito a Meirelles que gostaria de chegar ao último ano do primeiro mandato com Selic real inferior a 2% ao ano. O então presidente do BC teria afirmado que não é possível trabalhar com meta de juros, mas, sim, de dívida pública, pré-condição para a queda da taxa Selic. Dilma não gostou e Meirelles ficou fora do governo. O então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ainda se esforçou, em vão, para indicá-lo a outro cargo.


Pode não ser de agora a mudança de opinião de Dilma quanto a Meirelles. Durante a campanha, o ex-presidente do BC recebeu alguns sinais do entorno da presidente, todos na direção de que ele pode vir a ser convidado a integrar o novo governo. Mas havia também a percepção de que isso só ocorreria se a situação econômica do país piorasse. O fato é que piorou e tudo indica que continuará piorando se nada for feito.

Se a nomeação de Meirelles não se confirmar, Nelson Barbosa pode vir a ser convidado. A relação de Dilma com o ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda não é hoje das melhores, a presidente se chateou com a forma como ele deixou o governo e mais ainda com as críticas que vem fazendo à sua política econômica - sabe-se agora, por exemplo, que, numa reunião fechada promovida pela Anbima, ele teria tachado de "desastrosa" a decisão do BC de reduzir juros em agosto de 2011. Apesar disso, Dilma gosta de Barbosa e se sente ideologicamente próxima dele.

As rusgas de Nelson Barbosa com Mantega e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, que deve continuar no governo, embora em outro cargo, não representam um impeditivo, garante um assessor.

O trabalho de quem assumir a Fazenda não será nada fácil. O quadro é de deterioração dos principais fundamentos da economia. No afã de produzir resultados a curto prazo, o governo lançou mão de uma série de experimentos heterodoxos que, no fim, não apenas não produziram os resultados esperados, mas também colocaram em risco conquistas alcançadas nos últimos 20 anos, como o controle da inflação e o equilíbrio das contas públicas.

O quadro abaixo mostra o país que a presidente Dilma encontrou e o que está entregando quatro anos depois. Ela entrega, na verdade, a si mesma porque, reeleita, terá que lidar com a própria herança. Os indicadores fiscais e externos mostram forte deterioração, mas, a rigor, tudo piorou: inflação, investimento e PIB.

Trio que chora -Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu)

Graziela Melo - A dor

A dor que se esconde
na prateleira
de minha
alma
é rosa
não é cinza
me acalenta
e acalma.
Alerta,
enquanto durmo,
espanta-me
os pesadelos.

Embala-me
com sonhos belos.
Enrosca-se
em meus cabelos.

Pernoita
nos meus lençóis.
Cativa-me
com doces gestos.
Mistura-se
aos meus temores.
Desperta
quando amanheço.

Graziela Melo

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Opinião do dia – Fernando Henrique Cardoso

“Numa democracia não cabe às oposições, como ao povo em geral, senão aceitar o resultado das urnas. Mas nem por isso devemos calar sobre o como se conseguiu vencer, nem sobre o por que se perdeu. Os resultados eleitorais mostram que a aprovação ao atual governo apenas roçou um pouco acima da metade dos votos. Ainda que a vitória se desse por 80% ou 90% deles, embora o respeito à decisão devesse ser idêntico ao que se tem hoje com a escassa maioria obtida pelo lulopetismo, nem por isso os críticos deveriam calar-se.

É bom retomar logo a ofensiva na agenda e nos debates políticos. Para começar, não se pode aceitar passivamente que a "desconstrução" do adversário, a propaganda negativa à custa de calúnias e deturpações de fatos, seja instrumento da luta democrática. Foi o que aconteceu, primeiro, com Marina Silva e, em seguida, com Aécio Neves.

O vale-tudo na política não é compatível com a legitimidade democrática do voto. Marina, de lutadora popular e mulher de visão e princípios, foi transformada em porta-bandeira do capital financeiro, o que não é somente falso, mas inescrupuloso. Aécio, que milita há 30 anos na política, governou Minas Gerais duas vezes com excelente aprovação popular, presidiu a Câmara dos Deputados e é senador, foi reduzido a playboy, farrista contumaz e "candidato dos ricos".

Até eu, que nem candidato era, fui sistematicamente atacado pelo PT, como se tivesse "quebrado" o Brasil três vezes (quando, como ministro da Fazenda, ajudei o País a sair da moratória), como se tivesse deixado a Presidência da República com a economia corroída pela inflação (como se não fôssemos eu e minha equipe os autores do Plano Real, que a reduziu de 900% ao ano para um dígito), como se os 12% de inflação em 2002 fossem responsabilidade de meu governo (quando se deveram ao temor de eventuais desmandos de Lula e do PT).”

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente da República. No artigo ‘Diálogo ou novas imposturas’. O Estado de S. Paulo / O Globo, 2 de novembro de 2014.

Acusado de pagar propina, chefe da Transpetro sai

• Presidente da Transpetro, ligado ao PMDB, é forçado a se licenciar após delação de ex-diretor da Petrobras

Bruno Rosa, Glauce Cavalcanti e Simone Iglesias – O Globo

Licença forçada

RIO e BRASÍLIA - As delações de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, no âmbito da Operação Lava-Jato fizeram a primeira vítima na estatal. Sergio Machado, há 11 anos à frente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, pediu afastamento do cargo ontem pelo prazo de 31 dias. Em nota divulgada no fim da tarde, Machado se diz vítima de calúnias, mas afirma que tomou a decisão para que a Transpetro seja investigada livremente. O Conselho de Administração da Transpetro designou, para substituir Machado, o diretor de Gás Natural Claudio Ribeiro Teixeira Campos, formado em Engenharia Mecânica e na Petrobras desde 1985.

O afastamento temporário de Machado foi sacramentado na sexta-feira, durante reunião do Conselho de Administração da Petrobras. De acordo com uma fonte ligada à estatal, a PricewaterhouseCoopers (PwC), que audita o resultado financeiro da empresa, recusou-se a validar o balanço do terceiro trimestre, alegando que Machado não poderia assinar o documento, já que seu nome foi citado por Paulo Roberto Costa ao Ministério Público em delação premiada na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

Demissão chegou a ser cogitada
Na reunião de sexta-feira, a demissão de Machado chegou a ser sugerida, mas um dos conselheiros colocou na mesa a ideia da licença. Por cinco votos a quatro, foi aprovada a licença de 31 dias, consumada ontem.

Segundo a fonte ligada à estatal, os auditores não quiseram validar o balanço como forma de se proteger da legislação americana, que proíbe casos de corrupção envolvendo empresas com ações listadas na Bolsa de Nova York.

- A lei americana é expressa. É draconiana. Sergio Machado não poderia assinar o balanço da Transpetro (uma subsidiária da Petrobras) por ter seu nome ligado a um possível caso de corrupção. Por isso, os membros do Conselho de Administração decidiram interromper a reunião para dar a Machado a possibilidade de ele pedir um afastamento temporário, até que os inquéritos (de investigação) sejam concluídos - afirmou essa fonte.

Foi a pedido da PwC que a Petrobras contratou duas empresas independentes - a brasileira Trench, Rossi e Watanabe Advogados e a americana Gibson, Dunn & Crutcher LLP - para investigar as denúncias feitas por Costa.

Apesar da decisão tomada na reunião do conselho da Transpetro, Machado trata do pedido de afastamento como "espontâneo".

- Ele está deixando o cargo temporariamente, para que se comprove que ele não fez nada de errado, para se defender - disse uma pessoa das relações de Machado.

Antes da reunião do conselho, a PwC alertou a Petrobras de que não aprovaria as contas da Transpetro e exigiu que alguma medida fosse tomada. Foi então que os conselheiros pensaram na demissão de Machado. Mas, como ele é indicado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), optou-se por dar a Machado o benefício da dúvida, sacramentando a licença não remunerada.

Machado foi citado na Operação Lava-Jato por supostamente participar de irregularidades na compra de navios para a Transpetro. O ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa afirmou, em depoimento à Justiça Federal, que Machado teria pago a ele R$ 500 mil para direcionar uma licitação de navios. Na nota, Machado diz que decidiu se licenciar para que sejam feitos todos os esclarecimentos sobre sua gestão à frente da empresa.

"Apesar de toda uma vida honrada, tenho sido vítima nas últimas semanas de imputações caluniosas feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, cujo teor ainda não foi objeto sequer de apuração pelos órgãos públicos competentes. A acusação é francamente leviana e absurda, mas mesmo assim serviu para que a auditoria externa PwC apresentasse questionamento perante o Comitê de Auditoria do Conselho de Administração da Petrobras", afirmou na nota.

Ele completa, em seguida: "Tomo a iniciativa de afastar-me temporariamente para que sejam feitos, de forma indiscutível, todos os esclarecimentos necessários. Trata-se de um gesto de quem não teme investigações. (...) Estou certo do pleno rigor e lisura de minha gestão na Transpetro, e tranquilo quanto ao curso das investigações. Tenho todo o interesse de que tudo seja averiguado rapidamente".

No texto, Machado diz ainda que, desde que assumiu a presidência da Transpetro, em 2003, teve suas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e que não responde a nenhum processo.

"Nesse período, a empresa obteve resultados notáveis e passou sem problemas pelo crivo de inúmeras fiscalizações internas e externas. As contas da Transpetro e a execução de seus principais programas são periodicamente auditadas pelo TCU, que jamais encontrou irregularidades nos contratos e no último dia 30 de outubro expediu certidão negativa atestando não haver nenhuma pendência em meu nome relativamente a contas julgadas até o presente momento. Além de não responder a nenhum processo no TCU, não sou réu em nenhuma ação penal e não tenho contra mim nenhuma ação de improbidade admitida pela Justiça. Ao longo de mais de 30 anos de vida pública, jamais fui processado em decorrência de meus atos", salientou Sergio Machado.

Nas anotações de Paulo Roberto Costa, quando este já havia deixado a Petrobras e operava negócios na iniciativa privada, o nome do presidente da Transpetro constava quatro vezes em anotações nos anos de 2012 e 2013. Na agenda de Costa, há registros de celulares de Machado e de uma menção a "curso c/ Sérgio Machado, 5%", ao lado do valor de R$ 5 mil e da inscrição "dois meses".

A PF tenta decifrar a anotação. Em julho de 2012, Costa, já ex-servidor da estatal, chamou a atenção ao comparecer a uma cerimônia de entrega do navio petroleiro Sergio Buarque de Holanda para a Transpetro.

Aécio fará crítica a Dilma sem falar em impeachment

• Tucano retorna ao Senado e planeja discurso duro e sem aceno ao ‘diálogo’ proposto por Dilma, mas não vai endossar tese do impeachment

Pedro Venceslau - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Depois de uma breve temporada recluso na fazenda de sua família em Cláudio, no interior de Minas Gerais, o senador Aécio Neves, candidato derrotado do PSDB ao Palácio do Planalto e presidente nacional da sigla, desembarca nesta terça-feira, 4, em Brasília com uma agenda preparada sob medida para apresentá-lo como líder e porta-voz da oposição à presidente reeleita Dilma Rousseff (PT).

O tucano planeja fazer entre esta terça e a quarta-feira um pronunciamento incisivo no Senado no qual, segundo seus aliados, vai criticar o governo, sem mencionar uma conciliação nacional. Aécio rejeitará, porém, a defesa de um impeachment da presidente reeleita. Este foi o mote de manifestações em capitais brasileiras realizadas no fim de semana passado.

Na quarta pela manhã, Aécio vai tentar transformar a primeira reunião da direção executiva do PSDB depois da eleição presidencial em uma demonstração de força e unidade partidária em torno de seu nome.

“Será mais que uma reunião, mas um ato político para marcar a volta de um senador que recebeu 51 milhões de votos. Será também a primeira demonstração de que ele encarna a partir de agora o papel de maior líder da oposição nacional”, diz o deputado federal Bruno Araújo, presidente do PSDB pernambucano e membro da direção executiva nacional da legenda.

Além da cúpula partidária, foram convidados para o ato, que acontecerá em um auditório para 300 pessoas no Senado, deputados eleitos e derrotados, governadores e senadores.

Governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin não estará presente. Ele pediu a Aécio que realizasse outro evento no fim de semana, apenas com governadores aliados.

‘Expressão individual’. Apesar da tentativa de demonstrar unidade e de encher seu retorno de simbolismos, o papel do senador mineiro no cenário nacional é relativizado por setores expressivos do partido.

“Esperamos que ele dê resposta ao que se colheu das ruas, mas não dependemos do discurso de apenas um. Precisamos de mais gente na linha de frente da oposição”, diz o senador reeleito Álvaro Dias, do Paraná.

Para o ex-governador paulista Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, Aécio é o nome “mais expressivo” do partido nacionalmente, mas seu discurso representará uma “expressão individual”. “A fala dele ainda não será resultado de uma avaliação coletiva.”

Em seu retorno, o senador terá de administrar a primeira crise interna da legenda. Setores do PSDB e integrantes da executiva reclamam que não foram ouvidos sobre a decisão da sigla de pedir ao Tribunal Superior Eleitoral uma auditoria do processo eleitoral. Reservadamente, tucanos classificam a iniciativa como um “tiro no pé” que serviu apenas para dar munição aos petistas, que acusam o PSDB de pedir um “3.º turno”. Diante do fato consumado, Aécio deve defender a ideia, mas com a ressalva de que reconhece a derrota.

Esses mesmos tucanos também rechaçam a proposta de se pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff e criticam as manifestações em defesa da volta da ditadura militar. / Colaborou Ricardo Chapola

No senado, Aécio fará 'oposição sem trégua'

• Liderados por FH, tucanos dizem que cobrarão investigação de escândalos

Maria Lima e Fernanda Krakovics – O Globo

BRASÍLIA - Após receber 51 milhões de votos na eleição presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) desembarca hoje em Brasília com a missão de assumir o posto de principal porta-voz da oposição no Congresso. Tucanos e líderes de outros partidos de oposição defendem que seja adotada a linha pregada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado no GLOBO no último domingo: a de uma oposição sem tréguas ao governo até que a presidente Dilma Rousseff (PT) prove que não será leniente com a corrupção e que levará às últimas consequências a apuração do escândalo que envolve aliados na Petrobras. Para tucanos, os 48,4% dos eleitores que apoiaram a oposição este ano querem mudança, cobram oposição ferrenha e rejeitam diálogo com o governo do PT.

Nas entrevistas e pronunciamentos de hoje e amanhã, Aécio fará um balanço da campanha e apontará os rumos de sua atuação. O artigo de Fernando Henrique também foi entendido como um recado para o PSDB de que Aécio sai da disputa com credenciais para disputar novamente as eleições presidenciais em 2018. O ex-presidente ressaltou que Aécio foi firme na defesa de seus pontos de vista, sem perder a compostura, que retrucou seus adversários à altura e se firmou como um "verdadeiro líder".

- O artigo de Fernando Henrique vai na direção correta. Depois do que a presidente Dilma fez na campanha, mentiras, terrorismo, acusações pessoais, diálogo, só se ela mostrar, de fato, que vai rever sua conduta. Nosso papel será de oposição ao governo, a favor do país - disse o ex-coordenador da campanha em São Paulo Alberto Goldman.

O candidato chega no meio da tarde a Brasília e deverá ser recepcionado por manifestantes no aeroporto e no Congresso. Amanhã, fará um pronunciamento no Auditório Nereu Ramos, com governadores da oposição, parlamentares e lideranças de todos os partidos que o apoiaram no segundo turno.

Alguns tucanos acreditam que, pelo fato de Fernando Henrique ser um dos principais formuladores do partido, a tendência é de que a declaração a favor da Aécio afaste temporariamente disputas com vistas a 2018. A aposta é que Aécio construirá o projeto presidencial com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, principal alternativa ao mineiro dentro do ninho tucano.

- Aécio tem o "recall" da frustração nacional. Fez campanha corajosa no sobe e desce. A liderança que conquistou é intransferível pela singularidade da campanha que enfrentou e quase ganhou. O artigo de Fernando Henrique automaticamente remete a ele - afirmou o presidente do DEM, José Agripino.

Sem ser "arroz de festa"
Os tucanos dizem que Aécio terá que se equilibrar agora em uma linha tênue que assegure uma atuação vigorosa no Senado, mas sem se expor a embates cotidianos com senadores petistas. A ideia é que o embate diário caiba a outros integrantes da tropa oposicionista, como José Agripino (DEM-RN), José Serra (PSDB-SP), Álvaro Dias (PSDB-PR), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Ronaldo Caiado (DEM-GO).

- Aécio não pode virar arroz de festa e ficar batendo boca com Gleisi (Hoffmann) ou Lindbergh (Farias). Não pode banalizar o sentimento de mudança da sociedade - explica o presidente do PSDB mineiro, deputado Marcus Pestana.

Oposição marca ato para consolidar Aécio como líder

• Evento vai representar a primeira aparição pública de Aécio desde que ele concedeu a entrevista coletiva na noite de 26 de outubro, após ser confirmada a reeleição de Dilma

Paulo de Tarso Lyra - Correio Braziliense

Para demonstrar força e se contrapor às negociações conduzidas pela presidente Dilma Rousseff para a formação do novo ministério, a oposição marcou um grande evento para amanhã, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Por decisão do ex-candidato do PSDB à Presidência Aécio Neves, a reunião da Executiva Nacional tucana para celebrar a eleição dos novos deputados e senadores do partido foi transformada em um ato político, com a presença das demais legendas que se alinharam ao PSDB no segundo turno das eleições presidenciais e garantiram 51 milhões de votos ao presidenciável tucano.

Será a primeira aparição pública de Aécio desde que ele concedeu a entrevista coletiva na noite de 26 de outubro, após ser confirmada a reeleição de Dilma para mais quatro anos de mandato. Desde então, Aécio tem se mantido recolhido, com a família, enquanto os opositores começam a ensaiar a postura para os próximos quatro anos. “Estamos fazendo oposição desde as 20h15 da noite de domingo (26 de outubro). A ideia é intensificarmos cada vez mais esse trabalho”, disse o presidente do PSDB paulista, deputado federal Duarte Nogueira.

Desde então, alguns movimentos foram lançados para tentar manter acesa a chama de oposição ao governo. Na semana passada, o PSDB apresentou um requerimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo uma auditoria especial para apurar supostas falhas no resultado final das eleições presidenciais – ontem, a Procuradoria-Geral da República emitiu parecer contrário ao pedido tucano. Paralelamente, importantes integrantes do partido, como o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), candidato a vice na chapa de Aécio, foram à tribuna do Senado colocar em dúvida a disposição da presidente Dilma Rousseff e do PT de estabelecer um diálogo com a oposição.

No domingo, em coluna publicada nos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso questionou o discurso ameno dos petistas. “epois de uma campanha de infâmias, é difícil crer que o diálogo proposto não seja manipulação”, criticou.

Os cinco governadores eleitos pelo PSDB – Geraldo Alckmin (SP), Beto Richa (PR), Marconi Perillo (GO) e Simão Jatene (PA) e Reinaldo Azambuja (MS) –deverão organizar um ato específico no fim de semana.

Outras siglas O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), vai reunir hoje a Executiva Nacional do partido para posicionar a legenda em torno das novas ações daqui para a frente. Mas ele adiantou que não vê qualquer restrição à participação dos socialistas no evento de amanhã.

O PSB, que apoiou Aécio no segundo turno das eleições, deve reunir hoje à tarde os deputados e os senadores eleitos para medir o tom oposicionista que adotará ao longo dos próximos quatro anos. O novo presidente do partido, Carlos Siqueira, tem dito que a postura dos socialistas não é de alinhamento incondicional aos tucanos, mas de crítica ao PT, sobretudo em matérias que eles considerarem prejudiciais ao país.

O presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), coordenador-geral da campanha presidencial de Aécio Neves, não vai ao evento de amanhã, porque pretende tratar de questões pessoais, mas conversou com o senador mineiro e deixou alinhavado outros atos políticos com a presença das lideranças oposicionistas. “Precisamos fazer uma oposição enérgica, contundente, que fiscalize as ações do PT e da presidente Dilma Rousseff”, disse Agripino.

Reforma política
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) lançou, durante evento em Brasília, mais uma ação para mobilizar a sociedade civil a fim de acelerar a coleta de assinaturas favoráveis ao projeto de lei de iniciativa popular para a reforma política. A primeira proposta é o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais.

Negociações tomam a agenda em Brasília

• Novo ministério, "pautas bombas" no Congresso e a disputa pela presidência da Câmara mobilizam políticos de todos os partidos. PT quer mais diálogo com Dilma em 2015

Edla Lula – Brasil Econômico

A semana política começou com reuniões tanto no Executivo quanto no Legislativo para alinhavar o ganha-ganha do período pós-eleitoral. Ontem, o ministro chefe das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, recebeu lideranças do Senado para costurar votações e esteve na reunião da Executiva Nacional do PT. Hoje, a presidenta Dilma Rousseff, que neste momento prepara seu novo ministério, terá um encontro com lideranças do PSD, partido de Gilberto Kassab, cotado para uma pasta na Esplanada. Na Câmara de Deputados, outro encontro importante reunirá hoje parlamentares do PMDB com o chamado blocão – PTB, PSC, PR e SD — para costurar a candidatura do Líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), à Presidência da Casa.

O mesmo tema motivará a reunião dos parlamentares do PT, partido que se julga no direito à Presidência, por ser a maior bancada e ter a vez no acordo de revezamento feito desde 2006 como PMDB, a segunda maior bancada. "O que nós queremos é manter a tradição e o acordo que existe entre os dois maiores partidos. Como esta seria a vez do PT, entendemos que devemos indicar. Mas isso será decidido na reunião da bancada", diz o líder do PT na Câmara, Vicentinho (SP), que ontem participou de reunião da Executiva Nacional do partido. O presidente da legenda, Rui Falcão, evitou comentar a decisão de Cunha de lançar o seu nome, mas também defendeu a vez do PT. "Queremos que aconteça como manda a rotina do parlamento, que a maior bancada tenha o direito de indicar o presidente.

Pessoalmente acho que o PT deve indicar o candidato a presidente", afirmou Falcão, após a reunião da Executiva. Sem opinar sobre a possibilidade de Cunha se candidatar, Falcão disse apenas que o peemedebista "precisa fazer maioria para ser presidente". Outro tema que preocupa o governo é a votação de matérias que elevam os gastos públicos. No caso do Senado, estão marcada para esta semana duas dessas pautas: o Projeto de Lei que altera o indexador da dívida dos estados e municípios (PLC 99/13) e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que aumenta os salários dos juízes (PEC 63), conhecida como PEC dos Magistrados. O líder do PT no Senado, Humberto Costa, lembrou que as chamadas "pautas bombas", que elevam gastos, "mexem com governos tanto da oposição quanto da situação".

Por isso, chamou atenção para a responsabilidade da oposição em evitar uma crise fiscal maior. "Essas repercussões repercutem também sobre os governos estaduais. Eu acredito que o Senado terá o equilíbrio suficiente para evitar que nós entremos em uma crise fiscal desnecessariamente", disse. Sobre a PEC dos Magistrados, o líder do PT no Senado afirmou que será necessária uma negociação entre os três poderes para que a elevação dos salários não acabe por aumentar o rombo nos cofres da União. "Isso (a PEC) exige que o governo tome a dianteira e faça uma negociação com o Legislativo e o Judiciário para termos uma proposta que seja boa para o Judiciário, mas que também seja boa para o país".

Na Câmara dos Deputados, uma das pautas em discussão é a PEC do Orçamento Impositivo, que obriga a União a executar recursos previstos nas emendas dos parlamentares. A proposta, já aprovada no Senado, determina que governo pague as emendas em um limite de até 1,2% da Receita Corrente Líquida. Também na Câmara está a PEC que eleva em um ponto percentual o repasse de recursos da União para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Este aumento já havia sido acordado com o governo, mas parlamentares de oposição querem ampliar para dois pontos percentuais. A elevação de apenas um ponto já significa impacto de R$ 3,8 bilhões. Rui Falcão afirmou que uma das definições da Executiva petista é de que o PT pretende ter uma interlocução maior com Dilma Rousseff no próximo mandato e, para preparar o terreno, convidou a presidenta reeleita para a reunião do Diretório Nacional do partido, marcada para os dias 28 e 29 de novembro.

Executiva do PT defende 'controle' do Banco Central

Vera Rosa e Ricardo Della Coletta – O Estado de S. Paulo

Na primeira reunião após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, a Executiva Nacional do PT cobrou maior influência do partido no segundo mandato, até mesmo nos rumos da política econômica, pregou o "controle" do Banco Central, a regulamentação da mídia e um discurso mais à esquerda. Em resolução aprovada nesta segunda-feira, a cúpula petista também defendeu temas que não contam com a aprovação de Dilma, como o fim do fator previdenciário e a jornada de 40 horas, sem redução dos salários.

"O PT deve buscar participar ativamente das decisões acerca das primeiras medidas do segundo mandato, em particular sugerir medidas claras no debate sobre a política econômica, sobre a reforma política e em defesa da democracia nos meios de comunicação", diz um trecho da resolução, antecipada pelo Portal do Estadão. "É preciso incidir na disputa principal em curso neste início do segundo mandato: as definições sobre os rumos da política econômica."

A portas fechadas, dirigentes do PT disseram que será preciso pressionar Dilma para ouvir o partido, dialogar com movimentos sociais, aprovar a "democratização" dos meios de comunicação e fazer mudanças na economia. Embora a presidente esteja disposta a montar um governo "mais Dilma", sem ceder a pressões, o PT fará de tudo para ter voz ativa no segundo mandato. "Nós vamos pressionar o governo. Queremos também discutir fator previdenciário e nova correção da tabela do Imposto de Renda e achamos que polêmica e atrito são normais", disse Jorge Coelho, um dos vice-presidentes do PT. "O PT precisa estar mais perto do governo e a presidente Dilma, mais perto do PT", emendou o secretário-geral do partido, Geraldo Magela.

Para o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, que participou do encontro de hoje, o partido terá agora o desafio de "unir a base aliada" no Congresso, se não quiser sofrer novas derrotas. A escolha do ministro que substituirá Guido Mantega na Fazenda também é vista como primordial pelo comando da legenda. Apesar do economista Nelson Barbosa ser o preferido por nove entre dez petistas para o cargo, deputados do PT chegaram hoje a elogiar o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, o primeiro indicado por Luiz Inácio Lula da Silva para a cadeira de Mantega.

A resolução aprovada pela Executiva, no entanto, deixou claro que, no governo Dilma, o Banco Central não terá autonomia. No item 6 da resolução os petistas pregam o "controle democrático e republicano sobre as instituições que administram a economia brasileira, entre as quais o Banco Central, a quem compete, entre outras missões, combater a especulação financeira".

PSDB
O presidente do PT, Rui Falcão, disse que o PSDB do candidato derrotado, Aécio Neves, tentou criar um "factóide" quando pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma auditoria sobre os resultados das eleições. Foi um tom mais ameno do que o contido no documento que passou pelo crivo da Executiva, para quem a oposição caiu no "ridículo" com esse pedido. Falcão também evitou atacar com mais ênfase as manifestações que pediram o impeachment de Dilma e até a intervenção militar no País. "Numa democracia, os movimentos e a participação de setores da população, ainda que minoritários, são legítimos", afirmou ele. "Mas nós também estamos conclamando nossa militância em atos de defesa da democracia e da reforma política."

O PT criou hoje uma comissão para preparar a festa de posse de Dilma, em 1º de janeiro de 2015. Depois da vitória em uma disputa definida pelo PT como "duríssima", o partido quer fazer uma festa popular, resgatando o sentimento de "esquerda". Na reunião de hoje, dirigentes do PT disseram que todos precisam se debruçar agora sobre o motivo da rejeição à sigla, escancarado nessas eleições. Numa autocrítica, a resolução da Executiva diz que o partido necessita "retomar sua capacidade de fazer política cotidiana, sua independência frente ao Estado" e também "ser muito mais proativo no enfrentamento das acusações de corrupção, em especial no ambiente dos próximos meses em que setores da direita vão continuar premiando delatores".

Na campanha, o PT e o governo sofreram desgaste após a série de denúncias do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff, que apontaram um esquema de desvio de recursos na estatal para favorecer aliados do governo. O nome do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi citado pela dupla como operador do esquema.

Agenda adequada para a reforma política – O Globo / Editorial

• Não serão extintos partidos, apenas ficarão com representantes no Congresso e com acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita as legendas que têm votos

Mesmo que seja por caminhos tortuosos, o tema da reforma política ganha espaço na agenda do país neste momento em que a presidente reeleita se prepara para assumir o segundo mandato, em 1º de janeiro, a um mês de um novo Congresso abrir a legislatura de 2015 a 2018.

Do ponto de vista político, é a ocasião adequada para Executivo e Legislativo enfrentarem questões espinhosas, a fim de equacionar problemas que tornem os próximos quatro anos proveitosos para a sociedade. No campo econômico, há sérias e óbvias reformas a fazer — queira ou não o governo — e, na política, se impõe a necessidade de algumas mudanças na legislação que rege a vida político-partidária.

Tem ajudado a impulsionar esta agenda a campanha que frações do PT começaram a fazer, a partir das manifestações de rua do ano passado, para impor um projeto de reforma política — financiamento público de campanha e todo poder aos caciques dos partidos, a serem fortalecidos pelo sistema de votação em listas fechadas, redigidas pelas lideranças das legendas.

O sonho dessas facções petistas é viabilizar uma "constituinte exclusiva" sob pretexto de realizar esta reforma com votações por maioria simples.

Por ser reconhecidamente inconstitucional, a proposta, de inspiração chavista, não conta com o apoio entusiasmado da própria presidente Dilma, que continua a defender a realização de um inadequado plebiscito, mas já admite a alternativa realista: o Congresso decide, e o eleitor, em referendo, sanciona ou não o aprovado por deputados e senadores. À medida que o bom senso impere na forma de se fazer as alterações nesta legislação, espera-se que o mesmo ocorra em relação ao que mudar. E fica cada vez mais evidente que a "reforma política" não requer muitas alterações, tampouco heroicas., como um novo sistema de votação e outras de grande alcance.

Duas medidas tópicas — a cláusula de barreira e o fim das coligações em pleitos proporcionais — teriam enorme impacto no saneamento do quadro político-partidário, com o escanteamento de legendas de aluguel e sem representatividade eleitoral, golpe forte no toma lá dá cá do fisiologismo.

Demonstrou O GLOBO no domingo que as duas medidas, conjugadas, reduzirão os 28 partidos hoje com representação no Congresso para sete, os de maior peso junto ao eleitorado. Facilitam-se as negociações para a montagem de base parlamentar com vistas à governabilidade. Além de os acertos entre legendas ficarem mais transparentes. Nenhum partido desaparecerá, apenas os que não têm votos — por exemplo, no mínimo 5% dos eleitores em um determinado número de estados — continuariam a existir, mas sem atuar no Congresso, sem fundo partidário e horário no programa eleitoral. O simples fim das coligações — pelas quais são eleitos candidatos de outros partidos sem que o eleitor saiba, um claro estelionato — já enxugaria o quadro partidário, mas não o necessário.

Radicais atacam de novo - O Estado de S. Paulo / Editorial

A presidente Dilma Rousseff, coerente com seu passado de militância nos movimentos de esquerda radical que combateram a ditadura militar e posteriormente nas fileiras brizolistas, tem uma visão claramente intervencionista do Estado. Nessa questão, alinha-se com a esquerda do PT. Justiça lhe seja feita, no entanto: tem resistido bravamente, desde seus primeiros dias como presidente, aos radicais de seu partido que pregam a censura dos meios de comunicação por meio do que eufemisticamente chamam de "controle social" da mídia. Periodicamente, porém, os inimigos da liberdade de imprensa voltam à carga.

O dirigente nacional do PT Valter Pomar, um dos líderes da corrente minoritária Articulação de Esquerda, divulgou documento propondo que, na reunião que o Diretório Nacional do partido realizará na capital federal nos dias 28 e 29 de dezembro para dar início à discussão das prioridades do segundo mandato de Dilma Rousseff, seja relançada "a campanha pela reforma política e pela mídia democrática", temas das "batalhas" que esse grupo promete travar no Congresso Nacional no próximo ano.

O documento da Articulação de Esquerda insiste no habitual repertório de temas políticos caros aos esquerdistas radicais e propõe que o PT lance um "jornal diário de massas e uma agência de notícias" destinados a dar apoio à atuação do "campo democrático". É uma ideia típica do voluntarismo inconsequente e do sectarismo de esquerda, do discurso daqueles para quem a população é deliberadamente mal informada por uma mídia "burguesa" comprometida apenas com interesses da "elite". Mas esse é um problema que se resolve facilmente, como demonstra acreditar a facção petista, com o lançamento de um jornal para as "massas", capaz de colocar a elite perversa no devido lugar.

Esse raciocínio implica, é claro, a suposição de que as "massas" estejam ávidas pela maravilhosa perspectiva de que se lhes ofereça um jornal preocupado em divulgar apenas boas notícias: as façanhas, promessas e diretrizes dos salvadores da pátria. Uma perspectiva que, mesmo capaz de superar, mediante o investimento de enorme volume de recursos financeiros, as dificuldades de produção industrial e distribuição de um diário de tiragem compatível com a demanda da "massa", certamente terá dificuldades para transformar a leitura diária de um jornal em objeto de desejo dessa "massa".

Parecem se esquecer de que o Brasil ainda é um dos países com pior desempenho na área da Educação, o que resulta na existência do enorme flagelo do analfabetismo funcional. Valter Pomar e companheiros estariam mais bem sintonizados com a vida real se ficassem satisfeitos em produzir um jornal para a militância da Articulação de Esquerda. Felizmente, seus arreganhos totalitários não obtiveram, até agora, acolhida por parte da presidente reeleita.

De qualquer modo, não deixa de ser preocupante o fato de que, mais recentemente, talvez devido à tendência à radicalização da campanha eleitoral, Dilma Rousseff tenha passado a admitir a regulação econômica das atividades midiáticas, de modo a coibir os abusos provocados pela concentração da posse de um grande número de veículos de comunicação nas mãos de grupos econômicos. É óbvio que o monopólio e o oligopólio são indesejáveis em sociedades democráticas, especialmente numa área particularmente estratégica como a da comunicação.

Não é por outra razão que em países com instituições democráticas sólidas, como os Estados Unidos, não existe, por exemplo, a propriedade cruzada de meios de comunicação.

Essa, no entanto, é uma questão a ser amplamente debatida em todos os foros adequados, de modo a sintonizar a legislação brasileira com os avanços tecnológicos das últimas décadas e sua inevitável repercussão no negócio da comunicação.

O que não se pode admitir é a tentativa de manipulação desse debate, como foi tentado por setores radicais do PT que, ao apagar das luzes do governo Lula, promoveram um encontro nacional para definir um projeto de "controle social da mídia" que, apresentado a Dilma Rousseff nos primeiros dias de seu governo, foi prudentemente engavetado. Em benefício da liberdade de imprensa, é bom que esse projeto permaneça onde a presidente o colocou.

Reajuste da Light pode levar inflação do Rio a fechar em 7,3%

• Economistas veem impacto entre 0,35 e 0,80 ponto. Índice sai hoje

Bruno Rosa, Lucianne Carneiro – O Globo

O aumento na conta de luz para os cerca de quatro milhões de clientes da Light, que entrará em vigor na sexta-feira, dará impulso extra à inflação no Rio de Janeiro. De acordo com projeção da MB Associados, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza as metas de inflação do país, vai fechar o ano em 7,3% na Região Metropolitana do Rio, bem acima do teto da meta, de 6,5%, e da média esperada pelo mercado para o país, de 6,43%, segundo o boletim Focus, do Banco Central. No ano passado, o IPCA no Rio foi de 6,16%.

Economistas estimam que apenas o impacto de um reajuste de 25% no preço da energia residencial pela Light represente algo entre 0,35 e 0,80 ponto percentual na inflação do Rio. No país, esse efeito deve variar entre 0,04 e 0,10 ponto percentual.

Em 2013, o preço da energia elétrica no país recuou 15,6%. Até setembro deste ano, a alta acumulada é de 13,2%. A MB Associados calcula que o aumento de energia em 2014 chegue a 18,1%. Na taxa de 6,75% da inflação nos 12 meses encerrados em setembro, a energia elétrica respondeu por 0,38 ponto percentual.

Segundo a Light, o reajuste pedido à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi na faixa de 20%. No entanto, a Aneel informa em seu site que o pedido foi de 25,04%. O índice será anunciado hoje e entra em vigor no próximo dia 7.

O forte aumento da tarifa é um reflexo da atual crise do setor. Com a falta de chuvas, o baixo nível dos reservatórios obrigou o governo a ligar as térmicas, que têm um custo maior, para gerar energia. Segundo dados da Aneel, só neste semestre, a média dos aumentos é de 25,6% entre as distribuidoras com mais de 500 mil clientes. Na semana passada, Roraima teve reajuste superior a 50%.

Peso de térmicas e dólar
Segundo Sergio Valle, economista-chefe da MB Associados, que estima o IPCA do Rio em 7,3%. Se houver reajuste nos combustíveis, chegaria a 7,5%.

- Projetamos um avanço de 18,1% nos preços de energia elétrica no país este ano, justamente com um peso mais importante do Rio em novembro. Tudo o que o governo fez no ano passado foi desfeito e não deve ser diferente no ano que vem, com as estimativas iniciais de elevação de energia indo para casa dos 20% - diz Valle.

Segundo Fabio Romão, da LCA, o grupo energia deve fechar o ano em 17,3%, sendo o principal vilão da inflação. Ele projeta o IPCA fechado no país em 6,43%.

Já a economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Maria Andreia Parente estima um impacto de até, no máximo, 0,80 ponto percentual na inflação da Região Metropolitana do Rio caso a Light obtenha um reajuste de 25%.No IPCA nacional, esse impacto seria de 0,10 ponto. Com um reajuste de 20%, esse impacto seria de 0,64 ponto no Rio e de 0,08 ponto no país.

A projeção do economista-chefe do ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, é um pouco mais cautelosa. Seu cálculo considera que apenas parte do reajuste da Light será refletido no IPCA, já que alguns municípios são atendidos pela Ampla. Caso o aumento seja de 25%, o impacto seria de 0,35 ponto no IPCA do Rio e de 0,04 ponto no do país. Ele estima que o IPCA encerre 2014 em 6,4%, sem considerar um reajuste de combustível.

- Esse aumento reflete apenas as condições de mercado, com maior uso das térmicas e alta do dólar, que influencia o preço da energia de Itaipu. Para 2015, além desse impacto, teremos os custos com os empréstimos às distribuidoras. Trabalho com reajustes pelo menos iguais aos de 2014 - diz Leal.

Petrobras pedirá alta de 5% na gasolina

• Presidente da estatal participa hoje de reunião do Conselho em Brasília

Bruno Rosa – O Globo

Na reunião do Conselho de Administração da Petrobras - que foi suspensa na última sexta-feira e será retomada hoje -, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, vai pleitear um aumento de 5% no preço da gasolina. Ela estará em Brasília, onde vai apresentar sua proposta na reunião. O encontro, diz uma fonte que não quis se identificar, será feito via teleconferência, com parte dos conselheiros em São Paulo e Rio de Janeiro.

Na sexta-feira, os conselheiros decidiram interromper a reunião, após os auditores da PwC se recusarem a aprovar o balanço do terceiro trimestre da Petrobras com a permanência de Sergio Machado no comando da Transpetro, subsidiária da estatal, já que seu nome foi citado no depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa ao Ministério Público, no âmbito da Operação Lava-Jato.

Em 2013, reajuste foi de 4%
O preço da gasolina não sobe há um ano.

- É grande a chance de o governo aceitar a proposta de reajuste que será apresentada pela Graça. O número seria maior, mas houve queda na cotação do petróleo no mercado internacional. Apesar disso, a empresa ainda acumula muitas perdas ao longo deste ano (com a defasagem dos combustíveis). No fim do ano passado,o aumento na gasolina foi de 4%. Acredito que haverá, sim, o aumento do combustível hoje - disse essa fonte.

Segundo essa mesma fonte, os conselheiros terão uma pauta extensa de assuntos para analisar ao longo do dia. Além de relatórios de análise envolvendo as refinarias Abreu e Lima, ou Refinaria do Nordeste (Rnest), em Pernambuco, e o Comperj, os conselheiros terão de dar o aval para a venda de ativos propostos pela diretoria.

- É muita coisa na pauta, com questões administrativas e financeiras. Além do item "preço do combustível", ainda há o ponto "aquisição de compra e venda de ativos" - completou a fonte.

Ontem, com as incertezas em torno da reunião, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da estatal caíram 2,81%, e as ordinárias (ON, com direito a voto) recuaram 2,73%, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

A reunião começa hoje às 9h. Em Brasília, além de Graça, estarão o ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do Conselho de Administração; Márcio Zimmerman, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia; Míriam Belchior, ministra do Planejamento; e Sílvio Sinedino Pinheiro, presidente da associação dos engenheiros da Petrobras, a Aepet. De São Paulo, participam o general Francisco Roberto de Albuquerque, indicado pelo governo; além de Mauro Cunha e José Guimarães Monforte, indicados pelos acionistas minoritários e pelos acionistas preferenciais, respectivamente. No Rio, estarão Sérgio Quintella, indicado pelo governo, e Luciano Coutinho, presidente do BNDES.