sábado, 23 de dezembro de 2017

Opinião do dia: Gilvan Cavalcanti

A esquerda não deve contemplar com receio a globalização. Ela favorece o desenvolvimento econômico e a conquista de qualidade de vida mais elevada.

Aproxima mercados, mas também povos e culturas. É verdade que despontaram novas desigualdades e as antigas voltaram a superfície. É verdade que a insegurança é o novo sentimento que afeta os indivíduos e a sociedade como um todo. Adicione-se a dúvida com relação ao trabalho, ao futuro da aposentadoria, às transformações da estrutura familiar, o perigo com o aumento da marginalidade e da criminalidade. É uma circunstância nova na qual é necessário virtù para agir e lutar.

A esquerda brasileira deve saber apreender as promessas contidas na força liberada pela revolução dos fenômenos e saber reformular seus novos valores: igualdade entre sexos, etnias e grupos sociais; maior abertura possível da experiência existencial, concebida em seus aspectos individuais e coletivos; defesa do trabalho, de sua dignidade, da valorização dos recursos humanos; valorização dos méritos: valorização profissional, a inovação social, a criatividade cultural com responsabilidade social; equilíbrio ecológico: a sustentabilidade das técnicas, a proteção da natureza, o valor cultural do meio ambiente; integridade do ser humano, o respeito pela vida, a laicidade do Estado, sua democratização e a liberdade de opções com base nas convicções éticas individuais; valorização da cultura, da história e da memória; ética política: os direitos mas também os deveres da cidadania, as responsabilidade morais dos representantes. Se a esquerda quiser reavaliar a cultura política como expressão dos interesses coletivos, cabe travar a luta contra o indeterminismo de um lado e contra todos aqueles que preferem conceber a política como jogo do poder, instrumento de ambições pessoais e interesses corporativos; novo internacionalismo: à luta contra a fome e pobreza, a mundialização dos direitos humanos, base para a unificação dos povos.

Concluindo, a história ensinou de forma clara e trágica que justiça e liberdade são valores inseparáveis. Não pode haver igualdade e justiça sem liberdade, sem democracia."
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Gilvan Cavalcanti é membro efetivo do diretório nacional do PPS e do Conselho Consultivo da Fundação Astrojildo Pereira. ‘Democracia e reforma’, Blog Democracia Política e novo Reformismo. 30/6/2008.

Cristovam Buarque: O Brasil não vota

- O Globo

Brasileiros elegerão novo presidente sem eleger novo Brasil

Ao olhar ao redor, percebemos que o presente não está bem; olhando para frente, é o futuro que não parece bem. A sensação é de caminharmos sem coesão nem rumo para uma desagregação social e para o atraso econômico, científico e tecnológico. Mesmo assim, tudo indica que no próximo ano os brasileiros elegerão um novo presidente da República sem eleger um novo Brasil.

Estamos paralisados pela vergonha da corrupção, da concentração de renda, da baixa produtividade e consequente pobreza, da violência sob tantas formas. Estamos em dívida com os pobres, idosos e jovens, crianças e mulheres, com os índios e os negros.

Junte a isso um país sem instituições sólidas; um sistema judiciário bipolar; um Estado sem eficiência e privatizado política e sindicalmente; ciência e tecnologia deficientes; um sistema educacional precário e desigual; e, sobretudo, imenso descrédito nos políticos devido à corrupção generalizada. Reafirmo: o Brasil precisa eleger não apenas um novo presidente, mas também um novo Brasil.

Mas o eleitor não parece preocupado com o país de todos, apenas com o seu próprio presente ou de seu grupo social. Votará com raiva dos atuais políticos, e não com esperança nos que virão. Preocupado apenas com a vitória nas urnas, e não com o país. Em consequência, o candidato mira cada corporação e diz o que o eleitor quer ouvir, não o que ele precisa ouvir.

Marco Aurélio Nogueira*: A polarização está na política

- O Estado de S.Paulo

Nossos políticos se dividiram em tribos sem identidade, cada qual com suas taras

O Brasil não é um país polarizado. No chão duro da vida, há mais consenso que dissenso. Diferenças de opinião e de visões do mundo convivem lado a lado, mas a base é uma só.

Todos querem viver em paz, tocar a vida, criar os filhos, trabalhar e se divertir. Torcem para que surjam governos vocacionados para fazer as coisas melhorarem, na economia, no emprego, no cotidiano. Vive-se na expectativa de que o Brasil consiga deixar de ser injusto e desigual, ainda que um conformismo fatalista ande de mãos dadas com o ceticismo e com uma enorme dificuldade de saber que providências tomar para que a desigualdade desapareça ou ao menos seja atenuada a ponto de curar a chaga que mantém 50 milhões de brasileiros na miséria, enquanto 30% da renda se concentra nas mãos de apenas 1% dos habitantes do País.

A maioria despreza a corrupção. Mas são muitos os que pensam que ela é intrínseca aos políticos e aos poderosos. Os brasileiros aprenderam a ver o corrupto como símbolo de um país que não consegue sair do lugar, onde a lei não vale para todos e o “malfeito” nasce como erva daninha adubada pela arrogância e pela certeza de impunidade dos que têm poder. A relação dos brasileiros com a corrupção é confusa. Há quem aceite o “rouba, mas faz” e tenha pena dos corruptos “bonzinhos” vitimizados por terceiros. É crescente, porém, o número de pessoas que deploram a inocência fingida dos acusados. Aplaudem por isso intervenções como a Lava Jato, que pela primeira vez está pondo na cadeia gente que se achava inatingível, acima do bem e do mal.

Merval Pereira: A busca do nome

- O Globo

Partidos articulam nomes alternativos para disputar as eleições. Uma eleição sem favoritos viáveis, já que Lula depois do julgamento em segunda instância pelo TRF-4 pode ficar inelegível, faz com que os partidos políticos lancem mão de planos alternativos. Não apenas o PT se prepara para ter que trocar seu candidato, que lidera as pesquisas eleitorais, como também o grupo aliado ao governo tenta encontrar uma candidatura viável para manter-se no poder.

Como disse outro dia o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), sem Lula, a disputa “vai ter político, outsider, artistas, malucos”. Fora os “outsiders, artistas e malucos”, os bastidores políticos estão movimentados.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já avançou várias casas em dias recentes, aparecendo na propaganda eleitoral do PSD como defensor do governo Temer. O problema maior dele não é nem a falta de carisma. Ele só se viabilizará se a economia melhorar a tal ponto que reverta a impopularidade do governo. Nesse caso, porém, o próprio presidente Temer se consideraria habilitado à disputa.

João Domingos: Nada a se perdoar

- O Estado de S.Paulo

Lula se arrependeria se o encontro com Maluf não tivesse sido fotografado?

É muito fácil para qualquer um dizer que não se perdoa por algo que fez cinco, dez, quinze, ou sabe-se lá quantos anos antes em sua vida. O arrependimento é próprio da natureza humana, pois, motivado por razões que o presente explicita, cutuca e fere em relação ao passado. Nada mais natural, portanto, que Lula diga que não consegue se perdoar por ter posado para uma foto com Paulo Maluf (PP-SP) em 2012, na mansão deste, tendo ainda ao lado Fernando Haddad, então candidato a prefeito de São Paulo pelo PT. Mas será um arrependimento sincero?

A fotografia, da qual Lula agora diz que se arrepende de ter permitido que fosse feita, celebrou a aliança de dois adversários históricos, aliança fundamental para a vitória de Haddad na eleição de 2012. Sem o acordo, que deu maior tempo de TV para Haddad, e fez de Maluf importante cabo eleitoral petista na periferia e entre categorias de trabalhadores que sempre estiveram a seu lado, como os taxistas, o PT teria dificuldades para vencer a eleição.

Julianna Sofia: Clima de campanha

- Folha de S. Paulo

"Lamentavelmente se antecipou muito a campanha. Acho que temos que seguir o calendário legal, e o calendário legal exige que a partir do ano que vem se pense na campanha. Lamentavelmente é um clima de campanha, e eu não acho útil isso", reagiu Michel Temer.

Na época vice-presidente da República, o emedebista comentava, em 27 de novembro de 2013, o embate público que PSDB e PT travavam sobre o caso do cartel de trens e metrô delatado pela empresa alemã Siemens ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Sob impacto do acordo de leniência da multinacional, que jogara suspeitas de fraude sobre as gestões Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, tucanos buscavam erigir uma cortina de fumaça. Empenhavam-se em desqualificar a denúncia e acusavam o governo petista de Dilma Rousseff de criar um roteiro para prejudicar adversários políticos.

Ao então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, era atribuída uma tentativa de reeditar o "escândalo dos aloprados" —quando petistas foram flagrados comprando dossiê contra Serra nas eleições de 2006.

José Murilo de Carvalho: 2018 o ano da incerteza

- O Globo

Tentar prever como será 2018 é uma fria e correr o risco de dizer bobagem. Mas como recusar um pedido da coluna? Vou para o sacrifício.

A incerteza sobre 2018 está concentrada, sobretudo, na política, mais precisamente no resultado das eleições presidenciais. Há três cenários plausíveis. O candidato mais forte até agora, Lula, pode ou não concorrer, pendendo decisão judiciária. Se puder, terá alta probabilidade de chegar ao 2º turno.

Nessa hipótese, poderá enfrentar com vantagem seu principal concorrente atual, Bolsonaro. Sua eleição reabrirá feridas geradas pelo impeachment e, se a tendência de 2016 se repetir, será acompanhada da redução da bancada de seu partido na Câmara e no Senado. Ele terá de exercer ao máximo sua capacidade de negociação, buscando alianças até com os defensores do impeachment.

O 2º cenário será disputar o 2º turno com Alckmin. É difícil fazer qualquer previsão.

O 3º cenário será uma eleição sem Lula. Assim, Bolsonaro também sairá enfraquecido porque sua força depende da polarização com o petista: suas campanhas alimentam-se mutuamente.

Murillo de Aragão: O lado certo do muro

- IstoÉ

Ainda que os atuais resultados das pesquisas eleitorais preocupem, existe um exército de homens “mornos” no País que ainda não tomaram sua decisão

Em sua obra célebre, Dante Alighieri previa a existência de um “Anteinferno” após a morte, onde ficariam os “mornos”, ou seja, aqueles que viveram sem infâmia, mas também sem louvor. Que passaram a vida diante de um largo muro sem tomar posição e foram parar nesse “Anteinferno” exatamente por isso. No momento, a maior parte do eleitorado brasileiro não está correndo o risco de ir para o “Anteinferno”. Está correndo o risco que ir para o Inferno mesmo.

Isso porque quando olhamos as pesquisas de intenção de voto para 2018, vemos uma maioria tomando posição a favor do ex-presidente Lula (PT) ou do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Esses dois líderes das pesquisas de opinião representam alegorias justamente do que não devemos desejar para o País. Representam faces distintas do mesmo conservadorismo populista e demagógico que devemos repudiar. Conservadorismo radicalizado por uma narrativa demagógica e teatral poluída de meias verdades e de verdades mambembes.

Míriam Leitão: Voo solo

- O Globo

Embraer já tem maioria do capital com estrangeiros. O voo da Embraer para ser parte da indústria global será sempre turbulento, seja qual for a rota. Se virar parte da Boeing, não será em uma simples “combinação dos negócios”, mas sim um processo no qual a grande engolirá a pequena. Se ficar isolada em um mercado, hoje dominado por um duopólio, mas ameaçado pela China, pode ser pequena demais para competir. Para o país, o dilema também não é fácil.

Não se trata apenas da velha divisão entre nacionalistas e globalistas. O Estado foi a grande alavanca que permitiu o voo da Embraer de São José dos Campos para o mundo. Nasceu estatal com vantagens e subsídios, explícitos ou camuflados, de grande valor. Foi privatizada com financiamento estatal. Continuou voando graças aos benefícios e financiamentos do Estado. É um caso de sucesso empresarial, e de desenvolvimento de tecnologia, mas sem o incentivo do dinheiro coletivo não teria chegado onde chegou.

Demétrio Magnoli: Trump no Peloponeso

- Folha de S. Paulo

Sob Trump, potência dominante vandaliza sistema que ela esculpiu

A "armadilha de Tucídides" ressurgiu num editorial da revista "The Economist" que alerta para as agressivas táticas usadas pela China para estender sua influência externa. Trata-se de conceito oriundo da Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.): a ascensão de uma nova potência curva a geometria do sistema internacional até que a tensão explode na forma de guerra com a potência tradicional. O voto da Assembleia Geral da ONU, na quinta (21), indica que, sob Trump, a potência dominante vandaliza o sistema que ela mesma esculpiu, acelerando a tendência de colapso.

"Anotaremos os nomes dos países que votarem contra nós", ameaçou Nikki Haley, a embaixadora americana na ONU, referindo-se à resolução de condenação ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por Washington. "Economizaremos bastante", completou Trump, sugerindo que os EUA retaliarão por meio de cortes generalizados de ajuda financeira e militar. A resolução aprovada por aplastante maioria na Assembleia Geral inspirou-se em texto vetado pelos EUA no Conselho de Segurança que recebeu o apoio dos outros 14 membros, inclusive Reino Unido e França, aliados na Otan.

Foi patrocinada pelo Egito, aliado crucial no mundo árabe e recipiente de ajuda militar anual de US$ 1,3 bilhão, e pela Turquia, peça-chave da Otan no Mediterrâneo Oriental. Ao "anotar nomes", os EUA cartografam seu próprio isolamento.

Entrevista / FHC: ‘Lula não é imbatível. Eu ganhei dele duas vezes’

Por Germano Oliveira / IstoÉ - Edição 21.12.2017 - nº 2506

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 86, não está entre os milhares de brasileiros que querem a prisão de Lula. Ele diz não ser sádico para querer ver um ex-presidente preso. O líder tucano prefere que o petista dispute a eleição e seja derrotado nas urnas. “Se o Lula for candidato, não é imbatível. Eu ganhei dele duas vezes. Tá bom, eram outras circunstâncias. Mas naquele momento ele tinha uma aura de restabelecer a moralidade, que hoje não tem mais”, frisa ele. Para ele, Lula não deve voltar ao poder porque foi um dos responsáveis pela institucionalização da corrupção na vida partidária. “Lula e Bolsonaro são dois extremos indesejáveis”. Embora tenha sido um dos que defendeu a saída do PSDB do governo, o ex-presidente diz que Temer está fazendo mais do que ele esperava. E trabalha para que os deputados do PSDB votem em peso a favor da reforma da Previdência. “Se não resolvermos o déficit da Previdência, podemos virar uma Grécia”, onde os aposentados tiveram seus proventos ameaçados. Nesta entrevista, ele fala sobre a discriminação aos negros, o retrocesso no aborto, a liberação das drogas, violência e pena de morte. “Aqui, temos a pena como morte”.

Com a população desiludida, descrente nos políticos, como o senhor vê as perspectivas para 2018, quando teremos eleições?

Não é só no Brasil. Há desilusão com o modo de como a política é feita em todos os países onde há democracia representativa. Nos países autoritários não, porque as pessoas nem sabem, mas onde há liberdade há um sentimento de mal-estar. Há várias razões. Aqui se agrega a essas razões a enorme corrupção que foi destampada e isso produziu um sentimento do que é isso? Estou fora. Vocês não me representam. Isso vai ter conseqüências sobre aqueles que se dispõem a votar. Aconteceu no Chile recentemente. Houve uma queda na participação.

De acordo com as pesquisas, estaríamos hoje entre Lula e Bolsonaro. Qual é sua avaliação?

Eu acho que esse quadro é hoje. Ainda estamos longe do quadro real que vai se colocar nas eleições. Hoje isso reflete um pouco a desilusão da população. Por que Lula? Se pode entender porque as pessoas podem se lembrar dos bons momentos do governo Lula e vão esquecer os maus momentos e a responsabilidade grande que ele teve na aceleração da desarticulação do sistema partidário. Por que Bolsonaro? Porque as pessoas querem ordem. O crime está muito grande, desordem e tal, então tem esse apelo. Eu não creio que esse seja o quadro que vai se configurar nas eleições. É preciso se organizar um setor que seja democrático, popular, não de elite, progressista, que entenda qual é o papel do mundo e como o Brasil pode se engajar nisso. Para mudar o quadro, tem que ir pelo exemplo. Os políticos precisam voltar a tocar no coração dos brasileiros.

Na busca desse novo político, o senhor lançou o governador Geraldo Alckmin. A questão é que ele também está sendo investigado pelo STJ por ter recebido dinheiro de caixa dois. Esse não é um problema?

As acusações existentes sobre o Geraldo são frágeis. Não são alegações pessoais. Alegações sobre recursos de campanha. Isso não é o suficiente para desqualificar uma pessoa. O Geraldo tem história. Será que ele é o melhor brasileiro para ser presidente da República? Talvez não. Existem outros que têm tanto ou melhor qualificação do que ele. Ele tem melhores condições. Por que? Ele é governador de São Paulo. O PSDB governa São Paulo há 20 anos. Tem um caso aqui e outro ali de corrupção, mas não existe uma organização, uma máquina feita pelo partido para roubar. O Geraldo todo mundo sabe que é uma pessoa honesta e tem estilo de vida mais simples. É o que eu digo da exemplaridade. As pessoas já cansaram de gente com muita pompa e muita retórica.

Temer se vê como ‘substancioso’ cabo eleitoral em 2018

Marina Dias / Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira (22) que será um cabo eleitoral "substancioso" para 2018 e aproveitou para perguntar diretamente ao chefe de sua equipe econômica, Henrique Meirelles, se ele é candidato à Presidência da República no ano que vem.

Bem-humorado durante café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada, Temer foi questionado sobre o fato de uma eventual candidatura de seu ministro da Fazenda prejudicar a votação da reforma da Previdência, marcada para fevereiro.

Respondeu prontamente que não acreditava em qualquer tipo de prejuízo em relação à reforma para, em seguida, dirigir-se a Meirelles, que estava sentado a seu lado: "Você é candidato?". O ministro sorriu e afirmou que, como tem repetido "diversas vezes", que essa decisão só será tomada no ano que vem.

Temer fez uma espécie de balanço de seu ano e meio à frente do Palácio do Planalto e admitiu que as denúncias de corrupção prejudicaram seu governo e sua popularidade –hoje em torno de 5%.

Segundo o presidente, que citou frase do publicitário Nizan Guanaes, "a popularidade é uma jaula" e seus baixos índices de aprovação devem ser usados para que ele faça "o que o Brasil precisa". Apesar disso, acredita que os números vão melhorar até o início do ano que vem, permitindo que ele seja uma "grande cabo eleitoral" em 2018.

Presidente vê dificuldade para candidato ‘extremado’

Em café com jornalistas, Temer diz que eleitorado deseja alguém moderado, ‘que não seja guiado por um certo mal-estar’

Igor Gadelha / O Estado de S. Paulo.

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer descreveu ontem, em café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada, o cenário que prevê na disputa presidencial de 2018. Sem citar nomes, disse que candidatos “mais extremados” enfrentarão dificuldades.

“Haverá candidatos mais extremados e um candidato de centro. O que as pessoas querem é uma política de resultados. E, quando se fala em política de resultados, o que as pessoas querem é alguém moderado, alguém que saiba compor as várias correntes políticas do País, alguém que não seja guiado por um certo mal-estar”, afirmou. “Acho que os que se extremarem, tenho impressão de que terão dificuldade.”

Apesar da baixa popularidade, Temer disse acreditar que seu governo será um cabo eleitoral “substancioso” na eleição. Ele afirmou ainda que só apoiará o candidato que defender o legado das reformas.

Temer admitiu que as denúncias de corrupção prejudicaram “muito” o governo e sua popularidade, mas disse que a situação vai mudar até a eleição. “Seja o (ministro da Fazenda, Henrique) Meirelles, seja quem for, nós, em março, abril, maio, junho, julho, agosto, que é época eleitoral, o governo estará sendo reconhecido pelo desmascaramento daqueles que se mascararam para urdir o que urdiram (...) Vamos ser eleitores substanciosos.”

Temer quer um candidato único dos partidos que integram a base aliada para defender o legado de seu governo, principalmente na área econômica. Hoje, disputam o posto o ministro da Fazenda e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Ladeado por Meirelles, o presidente disse que aquele que for contra as reformas “não terá o apoio total do eleitorado”. “Evidentemente, não poderá ter o apoio do governo. Se ele está se opondo ao que o governo fez, como é que governo vai apoiá-lo?”

Sem reforma da Previdência, inflação sai do controle, diz Temer

Presidente volta a afirmar que aprovar projeto não atrapalha eleições

Leticia Fernandes / O Globo

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer afirmou ontem que, se a reforma da Previdência não for aprovada, a inflação e os juros sairão do controle. Em café da manhã com jornalistas que acompanham o Palácio do Planalto, Temer também rebateu os argumentos de que votar a favor da proposta em ano eleitoral pode tirar votos dos deputados.

— A inflação está sob controle, os juros, sob controle. O que pode ocorrer (se não se aprovar a reforma da Previdência) é a quebra desse controle que hoje existe. Seria péssimo para a economia, além do descrédito de natureza nacional e internacional — disse o presidente.

Temer também afirmou que já foi relator da Previdência e que acabou sendo reeleito como deputado federal com mais votos do que antes. O governo tenta convencer deputados de que aprovar a reforma não vai representar menores votações nas eleições de 2018, apesar de já ter dito que entende o temor dos parlamentares.

— Alguns colegas nossos parlamentares tendem a votar contra a reforma ao fundamento de que vem aí o ano eleitoral. Eu vou contar o meu exemplo, que fui relator da reforma da Previdência. Eu fui eleito em 1994 com 71 mil votos. Depois, eu fui relator da Previdência, vieram as eleições, e eu fui eleito com 206 mil votos. As pessoas perceberam que a reforma não era o bicho papão, ao contrário — afirmou Temer.

Devagar, o crédito melhora: Editorial/O Estado de S. Paulo

Com o consumo puxando a recuperação dos negócios, os empréstimos a pessoas físicas continuam liderando o crédito acumulado em 12 meses, como acabam de confirmar os últimos números publicados pelo Banco Central (BC). Em novembro os financiamentos a pessoas físicas, no valor de R$ 169,2 bilhões, foram 2,8% maiores que no mês anterior. Em 12 meses a expansão foi de 8,1%. A concessão de recursos às pessoas jurídicas, no total de R$ 123,6 bilhões, aumentou 3,3% em outubro, mas ainda diminuiu 5,7% no acumulado de dezembro do ano passado a novembro. Esse recuo reflete, entre outros fatores, a redução das operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os próprios empresários têm sido cautelosos na contratação de novas dívidas. Mas há sinais de substituição do financiamento bancário pela captação de dinheiro no mercado de capitais, segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha. Por enquanto, o movimento em busca dessa outra forma de financiamento é característico de grandes empresas.

A concessão total de crédito pelo sistema financeiro cresceu 1,7% em 12 meses, mas o estoque do crédito concedido – o valor acumulado nas carteiras das instituições – diminuiu nesse período. O saldo das operações, de R$ 3,06 trilhões em novembro, aumentou 0,4% em novembro, mas encolheu 1,3% em 12 meses. A economia brasileira voltou a crescer em 2017, com a produção puxada pelo consumo. A inflação em queda proporcionou alguma folga aos consumidores, preservando sua renda real, e além disso as condições de financiamento ficaram um pouco mais suportáveis. Mas, de modo geral, a recuperação ainda lenta ocorreu com escassa contribuição de novos empréstimos.

País precisa mudar a escandalosa situação educacional

O fracasso de um sistema educacional com quase 12 milhões de analfabetos é o legado da persistência em um modelo falido adotado por todos os governos

São 11,8 milhões de analfabetos, com mais de 15 anos de idade, representando 7,2% da população, segundo o IBGE.

Esse é, em síntese, o atestado de um clamoroso fracasso de gerações na governança do país. Não há atenuante para a situação educacional desoladora do Brasil. A culpa é, sim, de governos — no plural, em sucessão cronológica e na plena acepção do termo. E não é de um especificamente, mas de todos que se revezaram no último século com a promessa de estabelecer a Educação como prioridade, com destaque para líderes do período recente, pós-ditadura.

É o legado de fracasso da persistência em um modelo falido de administração do Estado brasileiro, no qual os Poderes republicanos se mantêm inertes, sem cumprir a obrigação constitucional de zelar por objetivos fundamentais como a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; a garantia do desenvolvimento nacional; a erradicação da pobreza e da marginalização; a promoção do bem coletivo, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Parceria aérea: Editorial/Folha de S. Paulo

A hipótese de venda da Embraer para a Boeingcausou excitação e celeuma, em boa parte por mexer com os nervos nacionalistas brasileiros. Entretanto as reações de pretensos guardiões dos interesses estratégicos pátrios parecem, nesse caso, ainda mais desinformadas que de costume.

Há interesse nacional envolvido, de fato. Convém ao país que a fabricante de aeronaves tenha sucesso, cresça e continue a desenvolver sua capacidade de competir e desenvolver tecnologia.

É necessário ainda resguardar o fornecimento de equipamento de defesa e, talvez, o desenvolvimento futuro de material aeroespacial, uma competência possível da empresa que pode ser explorada pelo Estado, por exemplo.

No mais, trata-se de negócios. Quanto à suscetibilidade nacionalista mais primitiva, note-se que o controle da Embraer está pulverizado, sendo suas ações na maior parte de propriedade de investidores institucionais estrangeiros.

A empresa já tem fábricas nos Estados Unidos e, de resto, parcerias cruciais com a própria Boeing e com a sueca Saab, entre outras.

Coluna do Estadão: Janela partidária deve mudar 10% da Câmara

A janela partidária, que vai permitir a parlamentares trocar de partido em março, deve alterar de forma significativa a composição das bancadas na Câmara dos Deputados. A avaliação de líderes é que cerca de 50 deputados vão trocar de sigla, 10% da Casa Legislativa. O PMDB admite que deve perder oito nomes, mas está na expectativa de ganhar até dez. DEM, PP, PSD e PR têm prometido recursos dos fundos eleitoral e partidário como atrativo, além de tempo de TV na eleição de 2018, algo precioso com a redução da campanha de 90 para 45 dias.

» Carta na manga. Os partidos que não vão lançar nome próprio ao Planalto levam vantagem na disputa por deputados porque poderão concentrar os recursos do Fundo Eleitoral na reeleição dos parlamentares. Com mais verba, fica mais fácil atrair novas adesões.

» Leva tudo. Uma eventual candidatura do ministro Henrique Meirelles ao Planalto prejudica o plano de crescimento do PSD. A sigla teria de usar boa parte dos recursos do fundo com a campanha dele.

» Bolo. O plano do PSD é aumentar a bancada na Câmara. Motivo: 95% dos recursos do Fundo Partidário são distribuídos conforme a proporção dos votos obtidos na última eleição para a Casa Legislativa.

» Reserva. Apesar de ter descartado disputar o Planalto, Luciano Huck voltou às rodas políticas como opção caso Geraldo Alckmin não decole. No dia 10, Huck ofereceu jantar para seu “grupo político”, com a presença de Armínio Fraga e Marcos Lisboa.

» Banho de sol. Um mês antes de ser mandado à prisão pelo ministro Edson Fachin, do Supremo, o deputado Paulo Maluf se hospedou no hotel Gran Marquise, em frente à praia de Meireles, em Fortaleza. Ele passou dois dias no hotel no início de novembro.

» Cinco-estrelas. Entre os hóspedes que já ficaram no Gran Marquise, estão Bill Clinton e a cantora Shakira.

» Com a palavra. Ao pedir a suspensão da prisão à presidente do STF, a defesa alegou que Maluf tem “limitação severa de mobilidade”. O criminalista Kakay disse que não vai comentar.

Tô chegando. O ministro Dias Toffoli já tem planos para dinamizar o Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de setembro do ano que vem, quando sucederá à ministra Cármen Lúcia no comando da Corte.

» STF.com. Toffoli quer aumentar a utilização do plenário virtual da Corte, plataforma digital onde os ministros se manifestam sobre alguns casos.

» Triagem. Uma das ideias é levar ações que contestam normas estaduais, desafogando o plenário “real” e evitando longos debates.

» Feliz Natal! O governador de Sergipe, Jackson Barreto, decidiu exonerar 2,2 mil cargos comissionados para conter gastos.

» Na própria pele. O peemedebista determinou que o próprio salário, de R$ 30,4 mil brutos, só caia na sua conta depois que for regularizado o pagamento atrasado de aposentados.

» Com licença. No café da manhã de Michel Temer com a imprensa, a primeira-dama Marcela interrompeu o marido para desejar boas-festas aos repórteres.

Painel/Folha de S. Paulo: Construtora Andrade Gutierrez vai ao Supremo para tentar proibir TCU de declará-la inidônea

A última fronteira A construtora Andrade Gutierrez entrou com um mandado de segurança no Supremo contra o Tribunal de Contas da União. A ação corre em sigilo e está nas mãos do ministro Ricardo Lewandowski. A empreiteira tenta convencer o STF a interferir no TCU e suspender o processo que pode deixá-la inidônea por desvios em Angra 3. Pede que o caso pare de tramitar enquanto seu acordo de leniência com o MPF for válido ou que a corte de contas seja proibida de declarar sua inidoneidade.

Pegar em armas O Supremo vai ouvir a AGU e o TCU sobre a ofensiva da Andrade. O tribunal de contas viu a iniciativa da construtora como declaração de guerra.

Prepare o arsenal Ministros do TCU lembram que, hoje, existem cerca de dez ações em andamento que podem levá-los a classificar a Andrade como inidônea.

É o fim O impasse começou em março. O TCU deu às empreiteiras que fizeram leniência com a Lava Jato um prazo para que pudessem reconhecer superfaturamento nas obras de Angra 3, apontar responsáveis e negociar a devolução de valores. As novas informações não chegaram.

Pioneira A Andrade, que já negociou multa de R$ 1 bilhão com a Lava Jato, é a primeira construtora a levar o impasse ao STF. A Odebrecht está na mesma situação –fez leniência com o MPF, mas está na mira do TCU– e também cogita recorrer ao Supremo.

Oiapoque ao Chuí O PT estimula militantes e movimentos sociais a promoverem atos por todo o país no dia 24 de janeiro, quando o recurso do ex-presidente Lula será julgado pelo TRF-4.

Menos é mais Para a mobilização in loco, em Porto Alegre, o partido contará com militantes da região Sul.

Bons tempos Fernando Collor, que ostentou boa relação com Carlos Menen, da Argentina, durante seu período no Planalto, matou a saudade dos hermanos no encontro do Mercosul, em Brasília, na quinta-feira (21).

Relembrar é viver Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Collor foi convidado pelo presidente Michel Temer a participar da cerimônia. Sentou-se ao lado de Maurício Macri e conversou longamente com o atual mandatário do país vizinho.

Estica e puxa O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), discute na próxima semana com o Secretário da Previdência, Marcelo Caetano, opções para amenizar a regra de transição para servidores que ingressaram antes de 2003 no funcionalismo.

Acelerado O ministro da articulação política do governo, Carlos Marun (MDB), por sua vez, quer fechar com o presidente Michel Temer uma estratégia de atuação pró-reforma da Previdência durante o recesso parlamentar.

Terra, mar e ar Um dos pontos já está fechado: a partir do dia 15 de janeiro, Marun fará uma série de viagens pelos Estados para conversar com deputados da base.

Prenúncio As duas legendas que discutiram filiar Jair Bolsonaro para a eleição de 2018 racharam: PSL e PEN, que mudaria de nome para Patriota pelo presidenciável.

Deu pra mim O deputado queria 51% dos cargos do diretório nacional do PEN. Ofereceram, em contraproposta, a presidência da sigla. Ele recusou. Agora, o dono do PEN, Adilson Barroso, decidiu que vai destituir todos os aliados de Bolsonaro que já havia alocado nos diretórios estaduais da legenda.

Arapuca No PSL, Bolsonaro provoca atritos. A ala da sigla ligada ao Livres controla 12 diretórios estaduais e não quer negociar com ele. O presidente da legenda, quer. Em entrevista à Gazeta do Povo, Bolsonaro disse que o grupo opositor vai “deixar de existir”.

Fernando Pessoa: É Dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
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Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

André Rio e Spok Frevo Orquestra - Chuva de sombrinhas

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

FELIZ NATAL


Opinião do dia: Roberto Freire

Não há dúvidas de que ainda há muito por fazer. Dado o tamanho do estrago causado pelo PT, é evidente que os nossos problemas não serão resolvidos em um passe de mágica. Mas, com o apoio do Legislativo e o empenho das forças políticas que viabilizaram o impeachment e têm compromisso com o país – entre as quais o PPS, que assume um protagonismo cada vez mais eloquente –, a rota da retomada é inevitável. Foi difícil, ainda haverá obstáculos pelo caminho, mas o Brasil voltou aos trilhos em 2017. Para o ano que está por começar, o lema é avançar nas reformas e consolidar a recuperação. Que venha 2018!

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Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS. ‘O ano em que o Brasil voltou aos trilhos’, Diário do Poder, 21/12/2017

José de Souza Martins: Os dois Natais

- Valor Econômico / Eu & Fim de Semana

Nos dias de hoje, ninguém se dá conta das consequências da chegada da árvore de Natal e de Papai Noel ao Brasil. Chegada como coisas, encaixotadas. Vieram em troca do dinheiro que dava em árvore nos cafezais do Rio, de Minas e de São Paulo, nas últimas décadas do século XIX. Vieram como coisas supérfluas (uma caixa de árvores de Natal e outra de quinquilharias, diz o manifesto de um navio alemão, em dezembro de 1890). Mediações de um novo enredo social gerado pelo esvaziamento do que éramos para sermos o inacabado do que nunca conseguiríamos ser. O enredo do faz de conta, das ilusões que se compra em loja, sonho empacotado e perecível.

Fantasias propriamente brasileiras deram revestimento nativo ao bom velho e à árvore. Adaptações. Aqui, tempo de dar presentes para crianças e mesmo adultos não era o dia de Natal, e sim o dia dos Santos Reis, os magos que fizeram a longa viagem para oferecer ao menino da manjedoura incenso, ouro e mirra.

As informações daquela época indicam que os brasileiros não sabiam onde encaixar a árvore, primeiro, e o simpático barbudo, depois. Havia uma certa tendência em favor do dia 1º de janeiro, muitos insistiam no dia 6 de janeiro e alguns começavam a se agarrar ao 25 de dezembro, que afinal venceu. O dia dos Santos Reis foi sendo esquecido, e hoje são poucos os que o celebram.

Luís Henrique Machado*: O uso da mídia por juízes e procuradores

- O Estado de S.Paulo

Fundamental é que não se pretenda fazer valer, a qualquer preço, uma determinada ideologia

Atualmente não pairam dúvidas de que a mídia desempenha papel fundamental na sorte dos processos judiciais, especialmente nos criminais. A par disso, muito se discute sobre a conduta de magistrados e de procuradores que externam suas opiniões fora dos processos, utilizando os veículos de difusão de informação como uma nova forma de “comunicação judicial”.

Tradicionalmente, juízes e membros do Ministério Público restringiam-se a manifestar suas posições tão somente no âmbito de suas atividades, uma vez que se considerava inapropriado participarem de discussões públicas, tendo em vista que com seus comentários se arriscariam a fragilizar a independência e a autoridade de suas decisões.

Essa era a regra, seja no Brasil, seja no exterior. O sempre ministro do Supremo Tribunal Federal Paulo Brossard dizia que quando o juiz fala fora dos autos, ele está tentando politizar ou moralizar o Direito, pois se lhe interessasse só o Direito os autos lhe bastariam. Interessante exemplo desse tipo de comportamento se verificou na Inglaterra no ano de 1955, quando lorde Kilmuir, chanceler da Inglaterra e de Gales, então chefe do Judiciário, foi convidado pela emissora BBC para participar de uma transmissão sobre os grandes juízes do passado. Como resposta, ele estabeleceu a premissa conhecida posteriormente como “a regra Kilmuir”, em que os membros do Judiciário não deveriam conceder entrevistas no rádio ou na televisão sem o prévio consentimento do lorde chanceler. Então, quando abordado por algum repórter, não importava quão interessante o assunto ou relevante para seu trabalho, os juízes simplesmente respondiam que não lhes era permitido contribuir para a matéria sem a anuência do lorde chanceler. Os jornalistas estavam bem conscientes de que o consentimento era improvável, na prática, o que punha um fim na discussão.

Reinaldo Azevedo: 'Façam como Reinaldo Azevedo', diz Lula

- Folha de S. Paulo

Lula nunca diria a jornalistas: 'Façam como Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e os blogs sujos'

Lula nunca diria a jornalistas: "Façam como Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e os blogs sujos; leiam o processo".

Porque Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e os blogs sujos nunca precisaram ler processos para que a Secom de então patrocinasse sua luta contra, como é mesmo?, a "mídia tradicional". Nota: tal discurso foi sequestrado pela extrema direita. E segue asqueroso.

Mas Lula disse na quarta (20) a jornalistas: "Façam como Reinaldo Azevedo. Leiam o processo". Sim. Eu leio. Os que dizem respeito a Lula e a alguns outros.

Abaixo, leitor, vai uma digressão, quase um apólogo –uma pequena narrativa que encerra uma sabedoria de sentido moral.

"Façam como Reinaldo Azevedo" é um conselho em favor da prudência. Sou disciplinado e cumpridor de regras. Sempre fiz a lição de casa. Até a terceira série, este então gordinho de óculos levantava a mão e dizia:

"Professora, a senhora esqueceu de 'dar vista' à lição." Um dia, o aluno mais vagabundo da sala, mas bom de bola –ele decidia quem vivia e quem morria no futebol–, me deu um esporro. A linguagem presente, teria dito: "Pare de ferrar seus colegas. Você é um cara legal!"

Merval Pereira: Reforma inadiável

- O Globo

Ao receber o presidente argentino Mauricio Macri no Itamaraty, Michel Temer apontou para ele e comemorou, chamando a atenção dos jornalistas: “Ele aprovou a Previdência lá na Argentina, viu? Serve de exemplo.” Não apenas Macri, como Emanuel Macron na França, estão às voltas com reformas estruturantes como as que o governo brasileiro está levando adiante por aqui.

A reforma trabalhista aprovada na França e a da Previdência, na Argentina, provocaram protestos nas ruas, mas os dois presidentes conseguiram maioria nos seus respectivos Congressos em eleições recentes e resistiram às pressões.

No caso argentino, as reações são geradas pelas mesmas forças que estão unidas aqui para combater a reforma da Previdência: oposicionismo derrotado politicamente e corporativismo. Como a questão não chegou às ruas, as ações de grupelhos ultra esquerdistas que apelam para a violência ainda são esporádicas, como aconteceu pontualmente durante a tramitação da reforma trabalhista.

Fernando Dantas *: Veio para confundir

- O Estado de S.Paulo

Incerteza sobre reais intenções de Lula é péssima para evolução democrática do País

No Brasil, entre 1994 e 2005, claramente vigorou o mesmo programa básico de governo, ainda que o período compreenda os arquirrivais PSDB e PT. Essa fase pode ser descrita como moderadamente liberal, mas com viés social (mais bem-sucedido no governo Lula).

A inflação foi combatida, mas permaneceu mais alta que em países semelhantes ao Brasil. As contas públicas foram saneadas, mas com aumento de impostos, e não cortes de despesas. Empresas públicas foram privatizadas, mas as maiores, como Petrobrás e Banco do Brasil, permaneceram em mãos do Estado. A economia permaneceu fechada e a indústria nacional protegida. Houve forte aumento das transferências previdenciárias e sociais.

De 2006 a 2014, o modelo mudou. Relaxou-se a preocupação com as contas públicas e a inflação. Fortaleceram-se os subsídios e a proteção às empresas nacionais, e o governo direcionou os investimentos da Petrobrás e tentou reerguer a indústria naval. Houve aumento mais agressivo das transferências previdenciárias e sociais, na esteira principalmente do aumento real do salário mínimo, além da implantação de outros programas de caráter social, como o Minha Casa Minha Vida e o Fies.

Ricardo Balthazar: O lugar de Lula

- Folha de S. Paulo

Há bons argumentos para quem torce pela participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição do ano que vem.

No encontro que teve com um grupo de jornalistas nesta quarta-feira (20), o líder petista disse mais uma vez que as acusações feitas contra ele são mentirosas, desqualificou os procuradores da Lava Jato e classificou a sentença que recebeu do juiz Sergio Moro como "quase uma piada".

Se a Justiça barrar sua candidatura, o discurso que Lula adota ao se apresentar como perseguido político tende a ganhar força. Com ele no páreo, dificilmente essa conversa cola.

É certo que haverá questionamentos à legitimidade do processo eleitoral se Lula for impedido, num momento em que aparece como favorito. Se ele concorrer e for derrotado nas urnas, é improvável que seus aliados possam contestar o resultado.

Míriam Leitão: Mistério e risco

- O Globo

Há uma velha máxima de que ministro da Fazenda só é popular se estiver fazendo alguma coisa errada. Portanto, quem ocupa esta pasta nem deveria querer a popularidade, porque isso certamente afetaria a tinta da sua caneta, com a qual ele toma decisões necessárias, mesmo que impopulares, e rejeita os muitos pedidos de vantagens com o dinheiro público.

Oministro Henrique Meirelles tem 75% de desaprovação e apenas 6% de aceitação, segundo o barômetro político Estadão/Ipsos. E pertence a um governo cuja aprovação se aproxima de zero. Sua candidatura pelo PSD, assumida claramente no programa partidário desta semana, e na entrevista que concederá na sede do partido hoje, é um mistério e um risco.

Mistério é em que se sustenta uma candidatura assim tão sem perspectivas? O que leva Meirelles a pensar que ele conseguirá vencer as barreiras praticamente intransponíveis da impopularidade do atual governo? Se ele fosse uma pessoa com carisma e capaz de inspirar empatia natural, mas entre os seus atributos não estão estes.

Bernardo Mello Franco: Qual Lula?

- Folha de S. Paulo

Duas perguntas rondam a sexta candidatura de Lula à Presidência. A primeira será respondida pela Justiça: ele poderá ou não concorrer? A segunda deve ser feita ao próprio petista: se o seu favoritismo nas pesquisas se confirmar, qual Lula vai governar o país?

O ex-presidente tem dado pistas contraditórias. Em maio, ele subiu o tom dos ataques à Lava Jato e deixou um cheiro de radicalização no ar: "Se eles não me prenderem logo, quem sabe um dia eu mando prendê-los pelas mentiras que eles contam".

A frase soou como uma ameaça autoritária, já que nas democracias só juízes mandam prender. Na semana seguinte, o petista disse ter usado apenas uma "força de expressão".

Apesar do recuo, o tom de confronto persistiu. Em discursos invocados, o ex-presidente distribuiu bordoadas na imprensa, na elite e nos adversários. Parecia uma receita para espantar de vez a classe média, que já vem se distanciando do PT.

Humberto Saccomandi: Cenário externo em 2018 favorece o Brasil

- Valor Econômico

Vários países, nos últimos dias, elevaram previsões para 2018

Todo ano começa com uma lista de riscos potenciais, e 2018 não será diferente. Mas tudo indica que o ano será muito favorável à retomada de um crescimento vigoroso no Brasil. As expectativas estão em alta em quase todo o mundo, e as principais economias vêm elevando as suas previsões de crescimento. Curiosamente, o maior impulso e o maior risco devem vir dos Estados Unidos de Donald Trump.

Este já foi um bom ano, pelos padrões recentes. Em 2017, pela primeira vez em dez anos, todas as 20 maiores economias do mundo, o chamado G-20, estão crescendo simultaneamente. Esse grupo responde por quase 85% da economia mundial. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento global neste ano, estimado em 3,6%, será o melhor desde 2011. Se o Brasil está patinando, a culpa é nossa.

O FMI já previu, no seu mais recente Panorama Econômico Mundial (de outubro), um pequeno aumento do crescimento mundial em 2018, para 3,7%. Mas essa melhora deverá ser mais robusta.

Nas últimos dias, vários países relataram um crescimento acima do previsto neste final de ano e, com isso, elevaram as suas previsões para 2018, em geral para além das estimativas do FMI, que eram consideradas conservadoras.

Só o começo: Editorial/Folha de S. Paulo

O Brasil conta enfim com uma carta essencial de direitos de aprendizagem e obrigações da escola, batizada Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Incompleta, decerto, pois falta a parte do ensino médio —e mesmo quanto ao fundamental há pendências no texto recém-homologado, vez que não se resolveu a questão divisiva da educação religiosa.

Ainda assim, é um bom começo.

Só o começo, ressalve-se. Um documento com objetivos claros não garante, pelo simples fato de existir, que venham a ser alcançados já em 2020, quando a base deverá estar implantada. Resta um trabalho hercúleo pela frente.

De todo modo, não deixa de ser admirável que o passo inicial tenha sido dado. Desde 2015, sob dois presidentes e um processo de impeachment de permeio, o Ministério da Educação logrou apresentar três versões anteriores da BNCC.

Agenda ambiental tem a chance de ser valorizada: Editorial/Valor Econômico

Durante 13 dias entre outubro e novembro a Gomes da Costa, a maior processadora de pescados da América Latina, deu férias coletivas para mil funcionários e paralisou a produção de sardinha e atum em lata. Foi a resposta possível à pior safra de sardinha dos últimos 20 anos, provocada, imagina-se, por impactos ambientais causados pela mudança climática somados à má gestão do governo federal dos recursos pesqueiros do país. O caso de extremo estresse de recursos naturais é simbólico, mas não é isolado nem exclusividade brasileira. Este mês, durante a Assembleia Ambiental das Nações Unidas no Quênia, a ONU Meio Ambiente divulgou estudos sobre a sucessão de crises ecológicas globais da atualidade. Em todas as frentes, no mar, no ar ou no solo, más notícias atropelam as poucas boas.

Os relatórios dizem que anualmente oito milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos. A continuar assim, alerta a ONU, em 2050 haverá mais plásticos no mar do que peixes. A poluição do ar, por seu turno, é o que mais mata seres humanos - sete milhões de pessoas ao ano. Efluentes com antibióticos e bactérias lançados no ambiente desencadeiam um ciclo de evolução que produz cepas mais resistentes e pode levar a superbactérias. O cenário desolador arrancou de Edgar Gutiérrez, presidente da assembleia, a constatação de que "fomos tão ruins em cuidar do planeta que temos pouco espaço para cometer mais erros".

Um bom legado para 2019: Editorial/O Estado de S. Paulo

Quando o novo presidente da República receber a faixa, em 2019, a economia brasileira deverá estar bem mais vigorosa do que hoje e infinitamente mais saudável do que no primeiro semestre de 2016, quando terminou a irresponsável aventura petista. A produção terá crescido entre 2,5% e 3% em 2018, menos pessoas estarão desempregadas e a inflação continuará moderada, segundo todas as projeções divulgadas nas últimas semanas por equipes de competência reconhecida. Os economistas do Banco Central (BC) apresentaram sua contribuição ontem. Segundo suas contas, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 2,6% nos próximos 12 meses, mais que o dobro da taxa estimada para este ano, de 1%. Os números divergem dos produzidos por outras instituições, públicas e privadas, mas há concordância quanto a pontos fundamentais: a recessão ficou para trás, a recuperação se instalou, o desempenho é muito melhor que o do trimestre final do ano passado e a tendência é de aceleração em 2018.

As novas estimativas do BC apareceram na edição de dezembro do Relatório de Inflação, um panorama amplo das condições econômicas internas e externas. É o mais importante relatório desse tipo divulgado periodicamente por uma instituição federal. Os cenários tomados como base para decisões sobre juros são apresentados com muito mais detalhes que em comunicados e atas de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Oportunidade na campanha eleitoral de 2018: Editorial/O Globo

Sem um consenso mínimo em torno da reforma do Estado brasileiro, futuros eleitos podem se ver condenados ao papel de gerentes de governos falidos

A única certeza possível sobre a política brasileira em 2018 é a eleição. Estima-se que pelo menos 35 mil candidatos se mobilizem durante o ano na disputa pela Presidência, governos, assembleias estaduais, Câmara e Senado. São restritas as perspectivas de renovação de lideranças sob uma lei eleitoral feita sob medida para garantir a reeleição de quem já possui mandato.

Com 35 partidos, 28 deles com bancadas no Congresso, assegurou-se, também, a continuidade da fragmentação na representatividade parlamentar em nível sem paralelo no mundo.

Por isso, os futuros presidente e governadores vão precisar demonstrar desde a campanha extrema habilidade para governar nesse mosaico político-partidário. Caso contrário, podem se descobrir emparedados antes mesmo da posse, condenados ao papel de gerentes de governos falidos, sob permanente desconfiança de um eleitorado arisco às praticas políticas tradicionais e, ao mesmo tempo, acossados por grupos de interesses.

'Fator Lula' vai definir o 2º turno

Por Raymundo Costa | Valor Econômico

BRASÍLIA - Há uma vaga em disputa para o segundo turno da eleição de 2018. Os tambores das pesquisas anunciam que a outra praticamente já tem dono: Luiz Inácio Lula da Silva. Restaria, portanto, uma vaga, cenário ideal para que mais candidatos possam arriscar a sorte - cairia o percentual necessário para chegar à rodada final. Um quadro parecido com o de 1989, quando Lula passou com 16,6% dos votos válidos. O PT traçou um plano de protelações judiciais para levar Lula até o horário eleitoral (em 31 agosto) e, no limite, elegê-lo sub judice. Um Plano B - um candidato apoiado por Lula - será acionado se o ex-presidente for impugnado antes de 17 de setembro.

Eleição de 2018 poderá ser "com Lula e sem Lula"
Há uma vaga em disputa no segundo turno da eleição presidencial de 2018. Os tambores das pesquisas anunciam que uma delas praticamente já tem dono: Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente mais popular da história do Brasil, pelo menos desde a redemocratização. Restaria, portanto, uma vaga em jogo. Mas o vento que sopra a favor do PT pode mudar de direção, se a candidatura do ex-presidente for impugnada pela Justiça Eleitoral antes da eleição, o que não é improvável, uma vez que o Judiciário acelerou a tramitação dos processos a que Lula responde na primeira instância.

Lula é o divisor de águas da eleição de 2018. Se a candidatura do ex-presidente for efetivamente impugnada, as duas vagas no segundo turno estarão em disputa. A eleição ganha ainda mais em incerteza e imprevisibilidade, pois a ausência de Lula deixará uma legião de eleitores sem referência imediata. É que o PT pretende levar Lula ao menos até o horário eleitoral gratuito, em setembro. Está pronta a moldura de um terceiro cenário, a eleição "com e sem Lula", ou seja, uma campanha feita por Lula para um outro nome assumir às vésperas da eleição, mas com a benção do ex-presidente. O PT não vai abrir mão de ter candidato.

Segundo o Datafolha, Lula tem hoje algo em torno dos 35% das intenções de voto. Mas seus eleitores ainda não decidiram pra onde correr, caso ele seja tirado da disputa. Neste caso, o contingente de votos brancos, nulos e de quem não sabe em quem votar sobe de 16% para 31%. No espectro político mais à esquerda, a ex-senadora Marina Silva (Rede Sustentabilidade) é quem mais ganha com a saída do ex-presidente - 6 pontos. Antítese de Lula da Silva, o ex-capitão e deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ganha quatro pontos, o que só ressalta o caráter populista das duas candidaturas.

Marina Silva: Brasil por se descobrir

- Valor Econômico

Prosperidade não pode ser sinônimo de corrupção, indiferença com o sofrimento das pessoas e destruição da natureza

O que significa falar sobre as perspectivas para o Brasil em um momento de tantas dores e dificuldades, como o que estamos vivendo hoje nesse mundo plasmado de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, resumido na sigla "vuca", em inglês, e que em português parece ter virado muvuca?

A chegada do fim do ano é um momento propício para pensarmos em novos começos. E por que não tentarmos unir as pessoas para encontrar uma aspiração de país, como parte significativa de nossa busca por um Brasil ideal? Qual será o sonho de Brasil com o qual precisamos passar a nos identificar depois dessa grave crise política, econômica, social e de valores?

Tenho insistido que o Brasil possui um enorme potencial para ter protagonismo e ser uma liderança global na agenda de desenvolvimento sustentável. Temos clima favorável, mão de obra abundante, diversidade sociocultural, disponibilidade de água doce, mega biodiversidade, economia diversificada, sistema financeiro moderno, pesquisa tecnológica, relativa capacidade inovadora, além de uma democracia estável, apesar da crise política.

Meirelles afirma que Temer seria um bom cabo eleitoral

Segundo o ministro da Fazenda, com a recuperação da economia, os índices de aprovação do governo vão mudar muito

Renan Truffi e Idiana Tomazelli / O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Mesmo com a elevada rejeição ao governo do presidente Michel Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse hoje acreditar que Temer seria um bom cabo eleitoral em uma eventual campanha sua para concorrer ao Palácio do Planalto. Em coletiva na sede do PSD, partido ao qual ele é filiado, Meirelles afirmou que "está claro" que os índices de aprovação do governo começam a melhorar e que a recuperação da economia ajudará ainda mais nesse sentido.
"Acredito que sim (Temer é bom cabo eleitoral), talvez não hoje, mas certamente em 2018. Com a recuperação da economia, os índices de aprovação do governo vão mudar muito", afirmou Meirelles.

O governo revisou recentemente sua projeção para o crescimento em 2018, elevando de 2% para 3%. Ele admitiu que a votação da reforma da Previdência poderá ter efeito, mas essas estimativas são muito "imprecisas", segundo o ministro. "Se efeito (de uma não aprovação) for muito negativo, o PIB pode cair mais do que esperamos. Se for aprovada, dizer que vai crescer 3,25% em 2018 é muito impreciso. Por que não 4%?", disse, emendando um sorriso.

"Independentemente de 2018, o efeito positivo da aprovação da reforma da Previdência para os anos seguintes é muito forte", afirmou o ministro.

Para o ministro da Fazenda, o presidente Michel Temer está certo em não descartar uma candidatura à reeleição em 2018. Meirelles se esquivou, porém, de responder sobre como seria uma virtual disputa entre o presidente e seu ministro na campanha eleitoral do ano que vem.

Prévia da inflação oficial do governo fecha o ano abaixo de 3%

IPCA-15 terminou 2017 em 2,94%, reforçando as análises de que o IPCA ficará abaixo do piso da meta do Banco Central

Daniela Amorim / O Estado de S.Paulo

RIO - A prévia da inflação oficial no País encerrou 2017 em 2,94%, abaixo do piso de tolerância da meta estabelecida pelo governo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou pequena aceleração em relação a novembro, com taxa de 0,35% em dezembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou dentro das previsões dos analistas e corroborou a expectativa de que o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tenha de se explicar em carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, por ter entregado uma inflação fora do intervalo de tolerância, de 3% a 6% no ano.

Nos cálculos do economista Helcio Takeda, da consultoria Pezco, a inflação medida pelo IPCA deve fechar 2017 perto de 2,90%. Entretanto, esse descumprimento da meta não deve ser visto como algo desfavorável nem embasar críticas contra a autoridade monetária, defendeu. “Não vejo como um fato que mereça crítica. Boa parte desse alívio é explicado pela deflação de alimentos, que depende da dinâmica de safra, e não é o foco da política monetária.”