sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A desvantagem de quem se recandidata - Maria Cristina Fernandes


Marcio Lacerda (PSB), Eduardo Paes (PMDB) e José Fortunatti (PDT) são, nesta ordem, os prefeitos de capital melhor avaliados do país (Datafolha, 28/08). As pesquisas indicam que os prefeitos do Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre lideram com folga a disputa eleitoral e têm grandes chances de reeleição.

Deste minúsculo universo não é possível tirar a conclusão de que prefeitos candidatos à reeleição sempre levam a melhor. A boa avaliação de suas gestões pode estar relacionada com sua vantagem eleitoral mas até esta inferência tem que ser matizada. O quarto prefeito de capital melhor avaliado pelo Datafolha, Luciano Ducci (PSB), cuja nota é apenas 0,3 pontos abaixo daquela recebida por Fortunatti está atrás de Ratinho Jr (PSC) na disputa por Curitiba.

O foco nas capitais e grandes municípios tem levado a conclusões precipitadas sobre o instituto da reeleição, principalmente quando a disputa em jogo é a municipal. A opinião ligeira que trata o Brasil como um grande curral de votos vê nas disputas locais o locus por excelência do mandonismo secular que, amparado no uso da máquina, só teria ganho força com a reeleição.

Quanto menor e mais pobre a cidade, mais difícil é a reeleição

Artigo publicado no mais recente número da Novos Estudos/Cebrap dos pesquisadores Thomas Brambor e Ricardo Ceneviva jogam por terra a tese de que o candidato à reeleição parte em vantagem. Estudos anteriores baseavam-se nas capitais e cidades com segundo turno. Nesse universo, a taxa de reeleição ronda os 70%.

Por mais que este colégio eleitoral represente as 83 maiores cidades do país, generalizar seus resultados para o conjunto de 5.563 municípios envieza e distorce os fatos.

Desde que a reeleição foi instituída já se realizaram sete disputas, três das quais municipais. Foi sobre essas três disputas (2000, 2004 e 2008), em que concorreram 42.493 mil candidatos que os pesquisadores se debruçaram.

Fizeram vários recortes, dos quais excluíram aqueles que se elegeram por largas margens de voto da primeira vez para evitar que fatores difíceis de mensurar, como carisma, melassem a comparação.

Entre os recortes há aqueles de prefeitos candidatos à reeleição que, na primeira disputa, haviam ganho por margem de 1% até 5% dos votos. Incluíram ainda um levantamento para duplas de candidatos que voltariam a se encontrar nas eleições seguintes, quando apenas um deles estaria no cargo disputando na condição de prefeito.

Em todos os recortes a fatia de prefeitos elegíveis que tentou a reeleição varia de 65% a 74%. O dado já indica as dificuldades de quem está no cargo. Fosse fácil, os prefeitos candidatos à reeleição se aproximariam da totalidade.

Dos que resolvem se candidatar, cerca de metade se reelege. O que significa que, dos elegíveis, gira em torno de um terço aqueles que são bem sucedidos em ficar dois mandatos na prefeitura.

Nas duplas de candidatos que se encontram em eleições consecutivas, quando um deles já está no cargo, a taxa dos que permanecem no poder é apenas de 40% dos elegíveis. Prefeitos que reencontram seus oponentes quatro anos depois perdem, em média, 4,4% de sua margem de votos.

Foi mais difícil para quem era prefeito em 2000 e 2004 buscar a reeleição do que para aqueles que se recandidataram em 2008. Isso pode ter a ver com a economia que melhorou ao longo da década. A disputa de 2008 aconteceu no mês seguinte à queda do Lehmann Brothers, quando os efeitos sobre a economia brasileira ainda eram irrisórios.

Cruzados com PIB per capita e população, os dados de Brambor e Ceneviva também levam à conclusão de que a desvantagem dos prefeitos é maior nas cidades pequenas e mais pobres.

O artigo não avança nas razões do fenômeno, mas o acesso mais restrito dessas cidades a fontes de financiamento deve ser parte da explicação.

A execução das políticas públicas sob sua responsabilidade também ajuda a entender por que é tão difícil ser prefeito.

Das sondagens que se tem notícia nem o melhor avaliado deles, Márcio Lacerda, alcança a popularidade da presidente Dilma Rousseff que, esta semana, bateu novo recorde.

Os prefeitos desgastam-se porque estão sob sua alçada as principais políticas públicas: saúde, boa parte da educação, transporte e a infraestrutura urbana.

Essas atribuições de políticas públicas nem sempre são acompanhadas de recursos. Na saúde, por exemplo, que os eleitores dizem ser o maior problema de suas cidades, os gastos municipais aumentaram mais que os federais e estaduais e estariam, como mostrou o repórter Luciano Máximo, do Valor (27/09), numa média de 22% das receitas próprias, mais do que manda a Emenda 29 (15%).

Os prefeitos gastam mais do que são obrigados com o principal problema da população e ainda assim penam para se reeleger. Que a competição política aumente na proporção inversa da população e renda só contraria a tese de que a democracia claudica nos grotões.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso envia esclarecimentos sobre a coluna da semana passada. Em resumo, diz o seguinte:

"Depois de vários inquéritos nada foi comprovado em relação ao Sivam e não há ação na Justiça. Processos sobre eventuais interferências de membros do governo em benefício de um consórcio vencedor foram arquivados pela Justiça. O caso Marka/Cidam, com o qual o governo nada teve a ver, pois sempre respeitou a autonomia do BC, ainda é objeto de decisões judiciais cuja questão é saber se havia ou não "risco sistêmico" quando o mercado derrubou a regra cambial vigente e se houve ou não informação privilegiada dada por pessoas do BC a bancos. Sobre a acusação de compra de votos da reeleição houve investigação na CCJ da Câmara, não houve denúncia nem processo. Dois deputados acreanos foram cassados e outros três renunciaram ao mandato. O PSDB jamais foi mencionado. É absurdo atribuir-se à "compra de votos" a aprovação por folgada maioria. Sondagens de opinião pública, editoriais e forças políticas (com exceção dos petistas e malufistas que temiam minha vitória) foram favoráveis à sua aprovação".

Fonte: Valor Econômico

Pesquisa Datafolha: S. Paulo, Rio, BH, Recife, Curitiba e Porto Alegre


Russomanno cai pela 1ª vez; Haddad cresce e empata com Serra, diz Datafolha
SÃO PAULO - O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, caiu cinco pontos percentuais e tem 30% das intenções de votos, de acordo com pesquisa Datafolha concluída nesta quinta-feira.

Esta é a primeira queda fora da margem de erro do candidato desde o início da campanha. Apesar da queda, o candidato do PRB segue líder. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento mostra também crescimento de Fernando Haddad (PT), que saiu de 15% para 18%, e voltou a aparecer em empate técnico com José Serra (PSDB), que aparece com 22% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, divulgada na semana passada, Serra tinha 21%.

Gabriel Chalita (PMDB), que tinha 8%, aparece com 9% das intenções de voto. Soninha (PPS) aparece com 4%. Os candidatos Paulinho (PDT), Carlos Giannazi (PSOL) e Ana Luiza (PSTU) têm 1%. Os demais candidatos não pontuaram na pesquisa.

Nas simulações de segundo turno, Russomanno triunfaria contra qualquer adversário. Com Serra, venceria por 50% a 34%. No cenário com Haddad, Russomanno tem 49% e o petista, 34%.

Serra continua com o maior índice de rejeição no levantamento, com 45%. Fernando Haddad tem 24% e Russomanno aparece com 22%, mesmo índice de Soninha (PPS) e Paulinho (PDT).

O Datafolha fez 1799 entrevistas entre quarta (26) e quinta-feira (27). A pesquisa é uma parceria com a TV Globo e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número SP-01182/2012.

Vantagem de Lacerda cai a 13 pontos em BH, mas ele ainda venceria no primeiro turno
Paulo Peixoto

BELO HORIZONTE - O petista Patrus Ananias diminuiu a distância em relação ao atual prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), mas não o suficiente para evitar a reeleição já no primeiro turno, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (27) em parceria com a TV Globo.

Segundo o levantamento, Lacerda passou de 49% para 45% em um intervalo de duas semanas, enquanto Patrus oscilou de 31% para 32%. Entre as duas pesquisas, a diferença recuou de 18 para 13 pontos.

A pesquisa foi realizada nesta terça (25) e quarta (26). A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Com a disputa polarizada entre os dois, contudo, pouco ajuda a Patrus a intenção de voto que têm os demais cinco candidatos. A soma não passa de 5%. Vanessa Portugal (PSTU) tem 3%. Maria da Consolação (PSOL) e
Alfredo Flister (PHS), 1% cada um. Tadeu Martins (PPL) e Pepê (PCO) não atingiram 1%.

Para a disputa ocorrer em dois turnos, é preciso que a soma dos seis outros candidatos seja superior ao número de votos do líder da disputa.

Pelos votos válidos, que excluem brancos, nulos e eleitores indecisos, e é o critério de divulgação oficial dos resultados pela Justiça Eleitoral, Lacerda tem 55%, e Patrus, 39%.

A rejeição aos dois principais candidatos é parecida. Lacerda é rejeitado por 20%, e Patrus, por 21%.

Mesmo podendo ser a disputa em apenas um turno, o Datafolha fez a simulação de segundo turno, e Lacerda também venceria. Teria 49% dos votos, contra 37% do candidato petista.

Lula e Dilma

Patrus faz o que pode para tentar reverter o quadro. Faz campanha por toda a cidade e todos os dias. E pelo seu programa eleitoral já passaram os seus principais cabos eleitorais. Primeiro foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, continua no ar, embora com menos aparições na TV e no rádio, a presidente Dilma Rousseff.

Os padrinhos, contudo, não foram até aqui capazes de alterar o quadro. Na primeira pesquisa Datafolha, em 19 e 20 de julho, a diferença a favor do prefeito era de 17 pontos. Após uma semana de horário eleitoral, em 28 e 29 de agosto, com intensa participação de Lula, a diferença era de 16 pontos.

Dilma entrou no ar na noite de 10 de setembro, quando a diferença era 18 pontos. Com a pesquisa de agora, a diferença baixou cinco pontos. O PT mineiro tentou trazê-la para um comício, mas a presidente não veio.

A pesquisa Datafolha apontou 9% de indecisos. E 9% dos eleitores dizem que votarão em branco ou nulo.

Foram ouvidos 1.277 eleitores. A pesquisa está registrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas com o número MG- 00650/2012.

Paes mantém liderança isolada no Rio, aponta Datafolha
RIO - O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, mantém a liderança nas intenções de voto na cidade, de acordo com pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira (27). Pela primeira vez desde o início da campanha, o deputado Marcelo Freixo (PSOL) não apresentou alta significativa.

De acordo com o levantamento, encomendado pela Folha em parceria com a TV Globo, Paes tem 55% das intenções de voto, contra 19% de Freixo. Ambos oscilaram positivamente um ponto percentual em relação à pesquisa anterior, realizada há duas semanas.

Os demais candidatos estão empatados tecnicamente. Os deputados Rodrigo Maia (DEM), Otávio Leite (PSDB) e Aspásia Camargo (PV) aparecem com 4%, 3% e 2%, respectivamente --mesma pontuação apresentada no último levantamento. Cyro Garcia (PSTU) e Fernando Siqueira (PPL) alcançaram 1%. Antônio Carlos (PCO) não pontuou.

Declararam votar nulo 8% dos entrevistados, enquanto 7% deles disseram não saber em quem votar. O Datafolha ouviu 1.461 pessoas entre terça (25) e quarta-feira (26). A pesquisa foi registrada sob o número 126/2012 no Tribunal Regional Eleitoral do Rio.

O resultado mostra larga vantagem do peemedebista. Ele teria hoje, segundo a pesquisa, 65% dos votos válidos. O Datafolha simulou um segundo turno entre Paes e Freixo. Segundo o levantamento, o prefeito venceria com 61% dos votos, contra 30% do socialista.

Paes manteve a liderança após dois adversários lançarem mão de trunfos nas últimas semanas a fim de atrair eleitores do prefeito. Freixo realizou comício na última sexta-feira para tentar alavancar a candidatura. Maia usou declaração do ex-governador Anthony Garotinho (PR) criticando a aproximação do prefeito com evangélicos a fim de atrair fiéis do grupo religioso. De acordo com a pesquisa, os artifícios ainda não tiveram impacto.

Rejeição

Maia segue como o mais rejeitado entre os candidatos, segundo o Datafolha. O levantamento aponta que 41% dos eleitores declararam que não votariam no candidato do DEM. Aspásia e Cyro Garcia têm 17% de rejeição. Paes, 16% e Freixo, 10%.

Candidato do PSB lidera disputa pela Prefeitura de Recife
Fábio Guibu

RECIFE - O candidato do PSB a prefeito de Recife, Geraldo Julio, conquistou mais oito pontos percentuais em duas semanas e alcançou 42% das intenções de voto, aponta pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (27).

O levantamento, encomendado pela Folha, em parceria com a TV Globo, indica também que o candidato do PSDB, Daniel Coelho, ultrapassou numericamente o petista Humberto Costa na segunda colocação.

O tucano oscilou positivamente três pontos no mesmo período, passando de 19% para 22%. Já o petista manteve a trajetória de queda apontada nos levantamentos anteriores e caiu de 23% para 17%. Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, ambos estão em empate técnico no segundo lugar.

Mendonça (DEM) também oscilou negativamente, de 8% para 5%. Edna Costa (PPL) obteve 2%, enquanto Jair Pedro (PSTU) e Roberto Numeriano (PCB) foram citados por 1% dos entrevistados, cada um.

Disseram que votariam em branco ou nulo 6%, enquanto 5% afirmaram estar indecisos. O Datafolha ouviu 1.146 eleitores em Recife nesta terça (25) e quarta (26).

Votos válidos

Pela primeira vez nesse processo eleitoral, o Datafolha divulgou também os votos válidos, critério que exclui brancos, nulos e indecisos, e é a forma de divulgação oficial dos resultados pela Justiça Eleitoral.

Nessa situação, Geraldo Julio, com 47% das intenções de voto, ficaria a três pontos percentuais, mais um voto, de vencer no primeiro turno.

Daniel Coelho aparece com 25%, seguido de Humberto Costa, com 19%, e Mendonça, com 5%. Edna Costa surge em seguida, com 2% das citações. Jair Pedro e Numeriano têm 1% cada um.

Segundo turno

O Datafolha também simulou duas situações para um eventual segundo turno. Nas duas, Geraldo Julio aparece como vencedor, com mais de 50% dos votos.

Contra Humberto Costa, o candidato socialista teria 59%, e o petista, 28%.

Nessa situação, a pesquisa mostra que 52% dos eleitores de Daniel Coelho votariam em Geraldo Julio e 28% em Humberto Costa.

Na segunda simulação, com a disputa no segundo turno envolvendo Geraldo Julio e Daniel Coelho, o socialista teria 51% das intenções de voto, contra 38% do tucano.

Nesse quadro, os eleitores do petista ficariam divididos. Enquanto 44% afirmaram que votariam no candidato socialista, 42% declararam apoio ao tucano.

Rejeição

A pesquisa mostrou ainda o quadro de rejeição aos candidatos. Humberto Costa continua em primeiro lugar, com 43%, cinco pontos percentuais acima do índice apurado duas semanas atrás, que era de 38%.

Mendonça aparece em segundo lugar, com 37%, ante 36% no levantamento anterior. Em terceiro lugar, estão tecnicamente empatados Jair Pedro e Edna Costa, com 32% e 31%, respectivamente.

O levantamento mostra ainda que Roberto Numeriano é rejeitado por 24%, enquanto Geraldo Julio e Daniel Coelho também estão em situação de empate técnico. O socialista é rejeitado por 18% e o tucano, por 17% dos eleitores.

Dos entrevistados, 4% disseram que votariam em qualquer um e outros 4% não votariam em nenhum dos candidatos.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco com o número PE-00161/2012.

Ratinho Junior assume liderança na disputa em Curitiba, segundo Datafolha
SÃO PAULO - O candidato Ratinho Junior, do PSC, assumiu a liderança isolada na disputa pela Prefeitura de Curitiba, mostra pesquisa Datafolha em parceria com a RPC TV divulgada nesta quinta-feira (27).

O deputado federal e filho do apresentador do SBT aparece com 32% das intenções de voto, deixando para trás, na segunda colocação, com 25%, o atual prefeito da cidade e candidato à reeleição, Luciano Ducci (PSB).

No levantamento anterior, nos dias 10 e 11 deste mês, Ratinho, também com 32%, e Ducci, então com 26%, estavam tecnicamente empatados, apesar da vantagem numérica do candidato do PSC.

A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 1.201 eleitores nesta terça (25) e quarta-feira (26). A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral com o número 00326/2012.

Na terceira colocação está Gustavo Fruet, do PDT, com 17%. O pedetista e ex-deputado federal pelo PSDB foi um dos mais ferozes integrantes da CPI que investigou o mensalão durante o governo Lula e agora faz campanha com o apoio do PT.

Rafael Greca, do PMDB, é o quarto, com 11%, tecnicamente empatado com Fruet, mas no limite máximo da margem de erro. Greca subiu quatro pontos nessa pesquisa, enquanto Fruet, um ponto.

Levando em conta apenas os votos válidos, quando são excluídos nulos, brancos e eleitores indecisos, Ratinho aparece com 36%, seguido por Ducci (29%), Fruet (20%) e Greca (12%).

Para vencer já no primeiro turno, o candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

Segundo turno

O Datafolha fez também simulações de segundo turno.

Numa eventual disputa entre Ratinho e Ducci, o candidato do PSC venceria com 48% dos votos, ante 40% do atual prefeito.

Num confronto com Fruet, Ratinho também venceria (50% a 39%). Já em um confronto Fruet versus Ducci, há um empate técnico, 46% para o pedetista e 42% para Ducci.

O Datafolha também mediu a rejeição dos candidatos. Prefeito de Curitiba, Ducci lidera, com 29%, seis pontos acima do registrado no levantamento anterior. Greca tem 26%, Ratinho Junior, 23%, e Fruet, 13%.

José Fortunati amplia vantagem na disputa em Porto Alegre, aponta Datafolha
Felipe Bächtold

PORTO ALEGRE - O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), ampliou sua vantagem na corrida eleitoral na cidade e está em condições de definir a disputa já no primeiro turno, de acordo com o Datafolha.

Ele obteve 47% das intenções de voto, quase o dobro da segunda colocada, Manuela D'Ávila (PC do B), que registrou 24%.

Manuela, que em agosto chegou a ficar tecnicamente empatada com o prefeito na liderança, caiu seis pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, feita há duas semanas, enquanto Fortunati subiu seis.

A pesquisa, feita em parceria com o grupo RBS, ouviu 1.152 eleitores entre terça (25) e quarta-feira (26). A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Pela primeira vez, o Datafolha também apresentou os números em votos válidos, critério que exclui brancos, nulos e indecisos, e é a forma como o resultado oficial da eleição é divulgado pela Justiça Eleitoral.

Se Fortunati ultrapassar os 50% dos votos válidos, já vence a eleição. Por esse critério, que exclui brancos e nulos, ele aparece atualmente com 56%, contra 29% de Manuela.

O Datafolha também mostrou oscilação do candidato do PT na cidade, Adão Villaverde. Ele passou dos 7% da sondagem anterior para 9% --pelo critério de votos válidos, tem 10%.

Em quarto lugar nas intenções de voto, está Roberto Robaina (PSOL), que obteve 2% em todos os levantamentos do Datafolha na campanha. Wambert di Lorenzo (PSDB) tem 1%.

Apelos

Em sua campanha, Manuela vem fazendo apelos para a realização do segundo turno, citando que nessa etapa há tempos iguais de TV para a divulgação de propostas.

Com a maior coligação, o prefeito falou em um debate que a candidata do PC do B e o PT promove uma "dobradinha" de ataques contra a sua gestão, visando o segundo turno.

Villaverde, porém, subiu o tom de críticas contra Manuela nos últimos dias. Questionou, por exemplo, os apoios que ela recebeu, como o da senadora Ana Amélia Lemos (PP), adversária do PT no Estado.

O Datafolha fez também uma simulação de segundo turno, em que Manuela perde para Fortunati por 53% a 32%.

Segundo o instituto, a candidata e Villaverde têm mais do que o dobro da taxa de rejeição do prefeito, com 22% cada um --Fortunati tem a menor rejeição, 10%. O tucano Wambert di Lorenzo foi o mais rejeitado pelos eleitores entrevistados: 24%.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo RS-00224/2012.

Fonte: Folha de S. Paulo

Pesquisa Ibope: Fortaleza e Salvador


Pesquisas mostram polarização entre PT e PSB em Fortaleza

Ibope aponta Roberto Claudio (PSB) em 1º; Datafolha, Elmano de Freitas (PT)

FORTALEZA - Duas pesquisas de intenção de voto divulgadas ontem mostram que o cenário eleitoral da disputa pela prefeitura de Fortaleza (CE) está indefinido. Na sondagem do Ibope, encomendada pela TV Verdes Mares, o candidato Roberto Claudio (PSB) aparece em primeiro, com 25%. Elmano de Freitas (PT) está em segundo, com 21% e Moroni Torgan (DEM) em terceiro, com 19%. A consulta feita pelo instituto Datafolha, no entanto, mostra um quadro diferente. Encomendada pelo jornal "O Povo", os números apontam Elmano Freitas, candidato pelo PT, com 24%; Roberto Claudio (PSB), 19%, e Moroni Torgan (DEM), 18%. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos em ambas as pesquisas, o que caracteriza tecnicamente um empate triplo.

A consulta anterior do Ibope, divulgada em 13 de setembro, registrava um cenário diferente do encontrado nos últimos dias: Moroni Torgan (DEM), 23%; Elmano de Freitas (PT), 19%; e Roberto Claudio (PSB), 18%. Quando considerados os três principais candidatos, o Datafolha não encontrou diferenças em relação à última pesquisa divulgada.

Em um possível segundo turno, a atual consulta do Ibope aponta que, em um enfrentamento entre Roberto Claudio e Elmano de Freitas, o candidato do PSB teria 44% e o do PT, 39%. Se o segundo turno for entre Roberto Claudio e Moroni Torgan, o candidato do PSB tem 49% e o do DEM, 34%.

Para o Datafolha, o cenário do segundo turno aponta vitória de Roberto Claudio (PSB) com 46% contra 37% de Elmano de Freitas (PT). Contra Moroni Torgan (DEM), Roberto Claudio (PSB) tem 47% contra 32%. Elmano de Freitas (PT) tem 47% contra 35% de Moroni Torgan (DEM).

O Ibope aponta 5% de votos brancos e nulos, e 3% não sabem ou não responderam. A pesquisa foi realizada de 22 a 26 de setembro e está registrada no TRE-CE sob o número 00086/2012. Participaram 805 pessoas.

O Datafolha foi a campo em 25 e 26 de setembro. Brancos e nulos são 4%; não sabem, não responderam, 8%. Foram ouvidas 1.143 pessoas. O registro no TRE-CE tem o número 00079/2012

Pelegrino passa ACM Neto em Salvador

Pela primeira vez, candidato do PT supera o do DEM, que liderava pesquisa do Ibope desde o início da campanha

SALVADOR O candidato do PT, Nelson Pelegrino, passou a liderar a corrida pela sucessão municipal em Salvador, segundo a quarta rodada da pesquisa Ibope, divulgada ontem à noite pela TV Bahia, afiliada da Rede Globo. Pelegrino registrou 34% contra 31% de ACM Neto (DEM), que liderava a disputa desde o início da campanha. Em relação à rodada anterior, Pelegrino subiu 7 pontos: tinha 27%, enquanto Neto caiu 8 pontos, saiu de 39% para os atuais 31%.

Mário Kertész, do PMDB, permanece em terceiro lugar, com 7%. Em quarto, aparece Márcio Marinho (PRB), com 4%; em quinto, está Hamilton Assis (PSOL), com 2%; e em sexto, Tadeu da Luz (PRTB), com 1%. Brancos e nulos somam 15%, e indecisos 6%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Foram ouvidos 805 eleitores entre os dias 24 e 26 de setembro. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) sob o número 00236/2012.

O Ibope continua apontando segundo turno na cidade. Entre os candidatos mencionados pelos eleitores como aqueles em quem não votariam de jeito nenhum, Luz tem 38%; ACM Neto aparece com 35 %; Pelegrino soma 30%; Mário Kertész, 28%; Hamilton Assis aparece com 25%, e Márcio Marinho tem 24% de rejeição. Entre os eleitores ouvidos, 4% não rejeitariam nenhum candidato e 7% não sabem.

Fonte: O Globo

'O PT está sendo um parceiro pesado para carregar na eleição'


Alvo de denúncias de corrupção, aliado se queixa do mensalão

Maria Lima

BELO HORIZONTE - Em nome de uma coligação que lhe garanta votos, o candidato Fernando Haddad, do PT, em São Paulo, abraçou o polêmico apoio do deputado Paulo Maluf (PP) e tem sido muito cobrado por isso. No caso de Belo Horizonte, um político alvo de denúncias de corrupção reclama por precisar carregar o pesado PT do mensalão nestas eleições. Com os resultados das pesquisas, que mostram o prefeito Marcio Lacerda (PSB) à frente, o polêmico deputado Newton Cardoso (PMDB), responsável pela indicação do deputado Aloisio Vasconcelos (PMDB) como vice na chapa do petista Patrus Ananias, já jogou a toalha. Diz que o impacto do julgamento no Supremo Tribunal Federal está enterrando não só Patrus, mas levando junto candidatos a vereadores do PMDB. Mas, com a desgraça do PT nestas eleições, ele diz acreditar que o PMDB sairá fortalecido nacionalmente, com mais cacife para negociar a composição da chapa, na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014.

O senhor acha que dá para reverter a situação de Patrus Ananias? A vinda da presidente Dilma pode mudar essa situação?

É muito difícil, né? Sou do PMDB, que está coligado com o PT em Belo Horizonte, mas acho que o Patrus está muito longe do Márcio Lacerda. O mensalão está prejudicando muito, não só em Belo Horizonte. Está derrubando também em Recife, São Paulo, para todo lado.

Mas em Belo Horizonte, Lacerda nem tem usado o mensalão na campanha contra o Patrus...

Não é o Marcio Lacerda. É o PT que está sendo julgado a nível nacional. O problema é o PT. O Lula e o PT perderam o discurso, não tem mais aquela coisa do apelo do partido novo, da ética e da moral.

Isso está afetando candidaturas do PMDB na coligação do Patrus?

Não só em Belo Horizonte. Estou sentindo isso na pele. Onde vou, ouço que o Lula não é mais o mesmo, que o lulismo está acabando. O Lula esteve aqui no palanque do Patrus e não ajudou em nada! Ele está perdendo força em razão das denúncias contra o PT.

O que fazer para impedir que isso afete o desempenho do PMDB?

Quem diria? Estamos assistindo a ascensão e queda do PT. Tudo que sobe demais cai com mais força, né? O PT está sendo um parceiro pesado para carregar. Estou viajando e trabalhando muito para que isso não atrapalhe a eleição dos vereadores e prefeitos do PMDB.

Quem vai ocupar o espaço que o PT está perdendo nestas eleições?

Julgo que o PMDB vai acabar ganhando com isso. O partido ganha força para negociar a chapa para presidente em 2014.

Fonte: O Globo

Em Recife, Daniel em dia de 'caciques'


Perto do fim da campanha, Daniel Coelho reúne as “raposas políticas” de sua coligação. Todos destacam sua “independência”

Carolina Albuquerque

Desafiado durante a campanha a mostrar os “caciques” do seu partido, o candidato a prefeito do Recife pelo PSDB, Daniel Coelho, encontrou na reta final o momento perfeito. A vinda do senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB) provocou a articulação de um grande palanque montado às pressas, ontem, no Centro, recheado de líderes políticos. O evento foi anunciado com a presença de todos os candidatos a prefeito tucanos da região metropolitana. Porém, com a ausência deles, os holofotes recaíram sobre Daniel.

O terreno estava preparado. As lideranças presentes, com um discurso afinado, faziam questão de pontuar a “independência” do tucano. “A sua responsabilidade é a da sua gente de caminhar com independência e liberdade. Não há força maior do que a consciência livre para escolher o futuro. Não venho aqui achando que possa acrescentar um voto à sua campanha. A sua eleição é da nova política, com consistência, mas sobretudo com independência para fazer o melhor”, bradou Aécio.

Antes da comitiva sair às ruas, o presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra declarou que o evento não produz nenhuma contradição ao discurso de Daniel contra os “poderosos”. “Eu acho que ele pode pedir a quem quiser para falar o que bem entender. Agora o candidato tem que ser ele próprio, seu projeto e sua liderança. Ele vai ganhar por conta dele e do que ele diz”, afirmou.

Já no palanque, ao lado de Guerra, de Aécio e do presidente nacional do PPS, o deputado federal Roberto Freire (SP), Daniel tratou de explicar o papel de cada um na sua candidatura.

Pouco conhecido pela população nordestina, o senador Aécio Neves foi apresentado como um “nobre” exemplo político. “Um exemplo de gestão eficiente não só para o seu Estado, mas para todo o Brasil. E que colocou em primeiro lugar não os interesses dos políticos e da política, mas os do povo. Foi assim que ele concluiu seus oito anos de governo como o governador mais bem avaliado do País. Aécio vem aqui para muito nos mostrar, as mudanças que nós podemos fazer no município”, disse Daniel.

A Guerra creditou a coragem de ter apostado na sua candidatura. “Ele foi essencial para consolidação dessa candidatura. Quando todos acreditavam e achavam que o caminho do PSDB era continuar como acessório, escada para que outros continuassem a governar, Sérgio teve a coragem de renovar”. O mesmo agradecimento foi conferido a Freire e Raul Jungmann, do PPS, coligado com o PSDB.

No seu discurso, o único alvo foi o candidato do PSB, Geraldo Julio. “Quem tem qualquer questionamento contra minha moral, esse palanque ou o PSDB, que faça frente a frente! Nunca me furtei de discutir ou debater qualquer assunto”, provocou Daniel.

Aécio ironiza PT: 'Vocês viram Lula?'

Bastante à vontade, o senador mineiro e principal presidenciável para 2014 do PSDB, Aécio Neves, não se furtou aos questionamentos de âmbito nacional e local. “Não tenho voto para oferecer a Daniel”, disparou.

Aliado do PSB, do governador Eduardo Campos, em Belo Horizonte (MG), por exemplo, Aécio não vê constrangimento em desembarcar no Recife, onde os partidos são rivais. “Ontem, falei com ele. Conversamos mais do que imaginam”. Ao contrário da última vez, em maio, os dois não se encontraram.

Ele condenou as recentes inserções contra Daniel. E ainda provocou: “Vou trabalhar para levar o PT novamente para a oposição. Quem sabe não seja uma boa essa reciclagem? E por falar nisso, vocês não sentiram a falta de Lula aqui no Recife?”

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Mais inflação e menos crescimento


O Banco Central aumentou para 5,2% a previsão de inflação para este ano, ao mesmo tempo que cortou projeção para crescimento da economia, de 2,5% para 1,6%.

Mais inflação e menos PIB

Banco Central prevê crescimento de só 1,6% na economia e preços subindo 5,2% este ano

Gabriela Valente

FORA DA META

BRASÍLIA - O Banco Central (BC) traçou um cenário pior para a economia este ano no relatório trimestral de inflação divulgado ontem. Derrubou a previsão de crescimento, elevou a estimativa para a alta de preços e abandonou a promessa de cumprimento do centro da meta de inflação, de 4,5%. A previsão de crescimento desabou de 2,5% para 1,6% e se aproximou da aposta dos analistas do mercado financeiro, que esperam que o país cresça somente 1,57% neste ano. A inflação chegará a 5,2%, segundo o BC, meio ponto percentual acima do projetado em junho pela autarquia e 0,7 ponto acima do centro da meta.

- Desde 2009, o BC vem sistematicamente jurando de pé junto que a inflação no ano seguinte vai ficar na meta e também de forma sistemática tem errado. Parece mais uma torcida do que uma política. O que ajuda dessa vez é a política de energia, mas nem isso será suficiente para levar a inflação para a antiga meta de 4,5%, já que o crescimento volta a acelerar ano que vem. Ficará dentro da nova meta do banco, de 5,5% - disse o economista da MB Associados Sérgio Vale.

Para não abalar as expectativas de empresários e consumidores, o relatório de inflação traz uma novidade, que é a divulgação da previsão de crescimento para os próximos quatro trimestres. Até junho do ano que vem, será de 3,3%, segundo o BC. A novidade tenta reforçar o discurso do BC de que a economia está em retomada. No entanto, a previsão atual para o resultado do PIB este ano é praticamente a mesma que o banco Credit Suisse divulgou há pouco mais de dois meses e que, na época, foi considerada uma "piada" pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Nas contas do BC, as famílias não consumirão tanto, as importações não aumentarão como previsto antes e a indústria terá um desempenho pior do que o imaginado e amargará uma retração de 0,1%, em vez de crescer 1,9% neste ano. As perspectivas para os investimentos despencarem. A aposta antes era de aumento de 3,2%. Agora, é de uma queda de 2,2% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).

- O ponto mais preocupante do relatório foi o investimento, porque a economia precisa dele para voltar a crescer mais - disse o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Octávio Leal.

Em junho, o BC já havia reduzido a estimativa de crescimento da economia em 2012, de 3,5% para 2,5%. Há alguns dias, o governo revisou formalmente sua previsão para 2%. No primeiro semestre, com os vários pacotes de estímulo anunciados, a equipe econômica esperava conseguir fazer o país crescer os 4,5% desejados pela presidente Dilma Rousseff.

Esse quadro de baixo crescimento avalizou o corte da taxa básica de juros (Selic) feito pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC na reunião no fim do mês passado, apesar de uma pressão maior na inflação. Foi a quebra da safra americana de soja e milho que fez o BC aumentar a projeção para a inflação deste ano. Já a estimativa para o IPCA em 2013 caiu de 5% para 4,9%, com a redução do custo de energia anunciada pelo governo.

O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, admitiu que o IPCA só chegará ao centro da meta no terceiro trimestre do ano que vem. Em março do ano passado, a autarquia anunciou que esse objetivo seria atingido em dezembro de 2012. No entanto, ele rebateu as críticas de que o BC teria abandonado o centro da meta para cortar juros. E justificou que uma alta da taxa básica, agora, não faria sentido, porque ela demora para agir na economia e a "boa prática" não recomenda combater um choque de oferta (no caso, a quebra na safra americana) com esse instrumento.

- Caso não tivesse ocorrido esse choque no mercado de grãos, a inflação teria convergido para a meta. Isso desviou a inflação temporariamente dessa tendência de recuo. O custo (de aumentar os juros agora) seria enorme. E, a rigor, do ponto de vista de política monetária sobre a atividade, não faria sentido subir taxa de juros - frisou o diretor do BC.

Brasil cresce menos que emergentes

Em defesa do comportamento do BC, o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, afirma que o mercado não percebeu que o sistema de metas de inflação é uma política para tempos normais. Segundo ele, hoje o mundo atravessa um período de exceção econômica:

- O BC vê que a desaceleração econômica em curso já está fazendo o "trabalho sujo" da Selic, não precisa subir a taxa uma vez que a economia já está em ponto morto.

A autoridade monetária reafirmou o discurso de 1ue, se houver um novo corte de juros, será feito com a "máxima parcimônia". Carlos Hamilton ainda disse que não espera uma nova alta do dólar como ocorreu nos últimos 12 meses, afetando a inflação.

Os analistas do mercado financeiro entendem que o governo fixou, na prática, um novo patamar para a moeda americana, apesar de as autoridades econômicas manterem o discurso de que o dólar é flutuante no Brasil.

Se a nova projeção do BC de que o Brasil crescerá 1,6% neste ano se confirmar, o país terá um crescimento superior ao de economias desenvolvidas. Segundo projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Alemanha vai crescer só 1,2% este ano e a França, 0,6%.

- Se comparamos o crescimento com os desenvolvidos está de bom tamanho, mas com os emergentes, especialmente na América Latina, estamos bem mal - diz Vale.

O Chile deve crescer 4,4% neste ano, segundo a OCDE. O México, 3,6%, e a Turquia, 3,3%

Fonte: O Globo

PIB com baixa reação - Celso Ming


O Relatório de Inflação, divulgado trimestralmente pelo Banco Central para ajudar a fazer a cabeça dos agentes econômicos sobre seus movimentos, tem servido menos para passar recados sobre a trajetória futura dos juros e mais para aferir o comportamento da economia em outros setores. O que saiu ontem também.

O Banco Central já não opera o instrumento que tem à sua disposição, a política monetária, só para empurrar a inflação para o centro da meta (de 4,5% em 2012) - como até recentemente. Atua também para garantir mais crescimento (e mais emprego) e para calibrar a política cambial, hoje à altura dos R$ 2 por dólar.

Em princípio, nada de errado em usar a política monetária para isso. Outros bancos centrais não se limitam a conter a inflação. Mas assumem e reconhecem o que fazem, ao contrário do nosso Banco Central - que mantém o discurso de que se atém a cumprir rigorosamente a meta de inflação.

E quando lida com três metas simultâneas (metas de inflação, de juros e de câmbio), não pode cumprir todas, porque uma tromba com a outra. A meta de juros (mais baixos), por exemplo, deixa a inflação mais solta. E o câmbio praticamente fixo não absorve choques externos (como o dos alimentos) e os transmite diretamente para a inflação. Assim, o Banco Central tolera uma inflação mais alta, mais próxima do teto da meta (6,5%) do que do centro (4,5%).

O Banco Central reconhece, lá do jeito dele, que não dá para esperar uma inflação totalmente sob controle: "A inflação tende a se deslocar para a meta de forma não linear". Segue-se que os juros podem até cair alguma cosita, mas no mucho. Não podem resvalar para abaixo dos 2,0% reais ao ano. Se, como agora, a inflação está nos 5,5% e os juros básicos (Selic), nos 7,5%, não há muito espaço para a queda. É por isso que o Banco Central reprisa a informação de que eventual nova queda dos juros será "com máxima parcimônia".

Especialmente significativas são as novas projeções do Banco Central sobre o crescimento do PIB. Três meses depois, assumiu os números do Credit Suisse, que apontava para este ano uma expansão do PIB de somente 1,5% - os mesmos que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, viu como "piada".

Na verdade, o Banco Central crê em que, neste ano, o avanço do PIB não irá além de 1,6%. Parece rejeitar ainda as projeções do Ministério da Fazenda para este final de ano e para todo o ano de 2013 (crescimento anualizado de 4,5%). Avisa que, no período de 12 meses terminado no dia 30 de junho de 2013, o PIB estará avançando apenas 3,6%.

Mais duas observações sobre o Relatório. Primeira delas - e também contrariando o ministro Mantega, que não vê aquecimento no mercado de Trabalho -, o Banco Central avisa que aí há "margem estreita de ociosidade" e reitera suas preocupações para o risco de que os reajustes salariais ultrapassem os ganhos de produtividade.

Em segundo lugar, o Banco Central manifesta seus cuidados com o fato de que o governo federal esteja gastando mais do que deveria. E alerta para "a política fiscal ligeiramente expansionista".

Fonte: O Estado de S. Paulo

O BC, o tripé e as incertezas do mercado - Claudia Safatle


O Comitê de Política Monetária (Copom) derrubou a taxa básica de juros para 7,5% ao ano, mas deixou, no seu rastro, um enorme rol de dúvidas e preocupações. Algumas legítimas, outras nem tanto.

No mercado, as perguntas surgem aos borbotões. Há incertezas sobre a real extensão da mudança do chamado tripé da política macroeconômica - regime de meta para a inflação, taxa de câmbio flutuante e superávit fiscal. Dúvidas sobre a autonomia do Copom para elevar os juros, se a inflação assim o exigir. Teme-se que o governo tenha optado por manter tabelada a taxa de câmbio.

A lista prossegue. O BC não firmou compromisso claro de que vai buscar a convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%, no próximo ano nem em 2014, e nas indicações feitas até agora não explicitou como o faria. As expectativas estão desancoradas. É forte a percepção de que a inflação está reprimida - por uma série de incentivos fiscais, como a isenção e redução do IPI sobre automóveis, e pelo adiamento do reajuste de preços dos combustíveis. Uma hora, quando os incentivos forem retirados, ela vai aparecer.

Para Fraga, há "desvios" do modelo do tripe econômico

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, da Gávea Investimentos, comunga de algumas dessas inquietações, que poderiam ser resumidas numa só indagação: o BC trabalha hoje com o regime de meta de inflação ou tem metas múltiplas - para os juros, para o câmbio, para o crescimento - e guarda uma certa flexibilidade quanto à inflação?

"Me preocupa um BC que é percebido como tendo metas múltiplas. O governo, claramente, tem. Isso, porém, foge ao controle do BC e traz custos", disse Fraga ao Valor. Se ficar claro, por exemplo, que o governo trabalha com taxa de câmbio fixa, será cobrado um preço sob a forma de prêmio de risco na taxa de juros.

"Esse é um modelo perigoso. Os países que sobrevivem com câmbio fixo têm elevada taxa de poupança, juros muito baixos - e o nosso ainda é muito alto - e acumularam quantidades enormes de reservas", disse.

Os dados divulgados no relatório de inflação do Banco Central, ontem, apontam - no cenário de referência - uma variação do IPCA persistentemente acima do centro da meta até o terceiro trimestre de 2014. A inflação chega a 5,2% este ano, cai para 4,9% em 2013 e sobe para 5,1% até o período indicado de 2014, consumindo, assim, praticamente, o restante do governo de Dilma Rousseff.

Pelas contas que constam do relatório, a inflação segue essa trilha, mesmo considerando um ganho de 0,5 ponto percentual com a redução das tarifas de energia no próximo ano. Sem tal contribuição, então, a inflação para o ano que vem chegaria a 5,4%.

Longe de ser um economista dogmático, Fraga acha que há "desvios" em relação ao regime amparado no tripé que vigorou nos últimos 13 anos. "Há um conjunto de indicadores que sugerem, não que se acabou com o regime, mas que ele está sendo flexibilizado e perdendo um pouco da sua coerência original", comentou.

No sistema de metas, o BC deve perseguir a meta de inflação definida pelo governo, suavizando os ciclos econômicos e mantendo, com as ferramentas próprias, a estabilidade financeira. Não caberiam, aí, outros objetivos.

"Eu me identifico um pouco com esse caminho (do BC que reduziu os juros), pois considero que os juros elevados eram a principal distorção da economia brasileira. Só acho que é preciso um pouco de cuidado. Você começa a escorregar, escorregar e num determinado momento você se vê em uma situação meio complicada", ponderou o ex-presidente do BC.

"Me preocupa essa história do câmbio e do adiamento da convergência da inflação para a meta, principalmente levando-se em conta que a inflação está se beneficiando de medidas que não são recorrentes", disse, referindo-se ao incentivo do IPI para carros, cujos preços caíram, à postergação do reajuste dos combustíveis e à queda das tarifas de energia no ano que vem.

"Fala-se em choque de oferta quando o índice sobe, mas não se está levando em conta essas medidas pontuais e não recorrentes, que são da mesma família", comentou.

Para ele, também não está claro se a desvalorização do real frente ao dólar, de março para cá, decorreu das medidas que o governo tomou, de controle cambial, ou se foram fruto da piora das relações de troca, da deterioração da percepção do Brasil no exterior e do impacto, em geral, da situação mundial. "O câmbio subiu e talvez não tenha nada a ver com as medidas do governo."

O BC, corretamente, identificou que o mundo estava desacelerando em 2011 quando, em agosto, de forma inesperada, começou a cortar a Selic, reconheceu. "Mas algumas coisas mudaram de lá para cá", assinalou ele, "a começar pela ênfase do governo em defender uma determinada taxa de câmbio".

Depois de cortar os juros em cinco pontos percentuais, de 12,5% para 7,5% ao ano, o crescimento este ano será de 1,6%, conforme prognóstico do relatório de inflação, em uma combinação singular ao mesmo tempo que o desemprego está em baixa e a inflação em alta.
Para Fraga, essa é uma clara indicação de que não é o BC que está bloqueando o crescimento econômico. "Meu diagnóstico hoje é de que temos problema do lado da oferta" e é aí que as questões têm que ser resolvidas.

O BC traçou cenários onde a inflação encosta no centro da meta no terceiro trimestre de 2013, quando cai para 4,6%, e depois sobe. Isso não significa, porém, que ficará de braços cruzados olhando a inflação descarrilhar. A favor da autoridade monetária - e com isso Fraga concorda - estão o acerto no ano passado e a constatação, a posteriori, de que as medidas macroprudenciais - que tanto barulho causaram no debate sobre taxa de juros - foram, de fato, prudenciais e não substitutas da Selic.

Quando perguntado sobre se os juros vão ficar estáveis ou podem subir em 2013 - quando o crescimento estará mais forte, o presidente do BC, Alexandre Tombini, costuma responder: a inflação é que vai dizer. Do contrário, o Brasil corre o risco de ficar como o México, que passou anos com a taxa de inflação na metade superior da banda sem obter crescimento. O que seria ruim para ele e péssimo para a presidente.

Fonte: Valor Econômico

Dois anos de PIB magro - Míriam Leitão


Quem acompanha o cotidiano da economia já sabia que o Banco Central iria reduzir novamente a previsão de crescimento. A queda foi para 1,6%. Em março, a previsão era 3,5%, em junho, foi a 2,5%. Meses atrás, quando os economistas do Credit Suisse divulgaram que seria 1,5%, o ministro Guido Mantega rebateu dizendo que aquela projeção era uma piada. Antes fosse.

O quadro que sai do Relatório de Inflação é o de um crescimento murchando e uma inflação subindo. O BC calcula que o IPCA será de 5,2%. E isso apesar do fato de que o indicador deste ano foi favorecido pela mudança na estrutura de ponderação do IBGE, que tirou quase meio ponto percentual do índice.

A economia recebeu um volume espantoso de estímulos. Foram cinco pontos percentuais de queda da taxa Selic, desde setembro, e uma dezena de pacotes de estímulos fiscais. Mesmo assim, o nível de atividade foi perdendo gás.

A situação internacional explica uma parte desse resultado, mas não tudo. A Europa está em recessão; os Estados Unidos, rodando em torno de 2% de crescimento; a Índia e a China estão crescendo menos. Mas a economia brasileira é, principalmente, baseada no mercado interno. Por isso deveria ter tido um resultado melhor.

O governo escolheu incentivar o consumo através da expansão do crédito e ajudar setores com benefícios fiscais setoriais. Isso não funcionou para manter o ritmo da economia. Depois de 2,7% de crescimento em 2011, o país vai se contentar com 1,6% em 2012. A presidente Dilma Rousseff chegará ao meio do seu mandato com um desempenho pífio para uma economia que sustenta ser "desenvolvimentista".

Na previsão do próprio Relatório de Inflação, a crise econômica internacional será longa. Portanto, o Brasil precisa se sustentar com suas próprias políticas. A guinada recente para reformas mais estruturais, como a proposta de investimento em logística e a mudança da cobrança da contribuição patronal, está elevando a confiança do empresariado, provando que essa é a forma mais eficiente de incentivo.

O relatório prevê para o ano que vem uma inflação em torno de 4,9%. Isso é bom, mas é preciso considerar três pontos: nessa projeção está o efeito da diminuição de 16% nos preços da conta de luz; o BC não incluiu a possibilidade de um reajuste da gasolina; está considerando como "neutras" as pressões inflacionárias externas. No último relatório, ele considerava que eram "desinflacionárias", mas não foram. O petróleo subiu e algumas commodities tiveram alta pela pressão da seca americana. O temor é que no ano que vem, num cenário de maior crescimento, a inflação volte a subir.

Também é preciso levar em consideração a alta do dólar. Até agora, o repasse da moeda americana para os preços tem sido menor justamente porque o PIB está fraco. Há economistas prevendo que na medida em que o nível de atividade fique mais forte, esse repasse também será intensificado. O Banco Central parece trabalhar com uma piso no câmbio, na casa de R$ 2. Pelo menos tem feito intervenções no mercado, com compra de moeda americana, toda vez que o real volta a se valorizar. Todas as indicações do Ministério da Fazenda também vão nessa direção.

Há cada vez mais dúvidas sobre se ainda estão de pé os três pilares da política econômica que vinham sendo mantidos até aqui: câmbio flutuante, meta de inflação, superávit primário. A ideia de uma faixa de flutuação para o dólar está ficando mais evidente, e o BC parece perseguir uma meta de crescimento do PIB, sem se importar que a inflação fique um pouco acima do centro.

Fonte: O Globo

Geraldo Vandré - Pra não dizer que não falei das flores

Aos que virão depois de nós - Bertolt Brecht


I
Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de
estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia.


Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?


É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)


Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a
quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para
viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!


II

Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.


III

Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.


Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.


Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a
amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensã
o.