- O Estado de S. Paulo
Exigência de critérios ambientais nas
políticas públicas será questão de sobrevivência
Poucos temas produzem tantas oposições
falsas quanto a questão ambiental, contrapondo as necessidades econômicas à
preservação de ecossistemas. Desde os anos 1970 modelos econômicos de pesquisa
vêm incorporando variáveis ambientais, no pressuposto de que o desempenho das
economias, no curto e longo prazos, depende do manejo de seus recursos
naturais. O Brasil precisa deixar de amadorismos e ativismos ruidosos nessa
área e adotar com seriedade uma agenda que nos alavanque como potência em
matéria ambiental.
Trabalho recente publicado por cientistas
da UFMG comprovou hipóteses de que o desmatamento na Amazônia afeta o volume de
chuvas na região desmatada, comprometendo a produtividade do seu setor agrícola
e o bem-estar nas cidades. A pesquisa aponta que, no trato de sistemas
altamente complexos como o ambiental, medidas isoladas ou mal concebidas podem
ter consequências dramáticas. Nas últimas décadas, eventos extremos associados
a variações climáticas impuseram perdas vultosas a muitas comunidades.
Não por acaso, crescem mundialmente os esforços de coordenação com o objetivo de fazer frente aos riscos ambientais. Com respeito ao aquecimento global, a assinatura do Protocolo de Kyoto (1997) foi seguida pelo Acordo de Paris (2015), um ousado compromisso internacional abrangendo intenções e metas de redução de emissões de gases relacionados ao efeito estufa. Quando ministro das Relações Exteriores (2016-2017), adotei como prioridade a adesão do Brasil ao Acordo de Paris, convicto de que, além de sua relevância intrínseca, a agenda climática envolveria relações diplomáticas, políticas públicas e decisões de investimento.




























