O Globo
Após dias de bombardeio de críticas do PT e
do presidente Lula, comunicado do Copom mantém os juros e não dá sinais de
trégua futura
O Banco Central fez um comunicado, ao fim
da mais controversa reunião dos últimos tempos, que se compara a uma declaração
de guerra, na avaliação até de economistas de mercado. Integrantes do governo e
do PT têm radicalizado também. E a palavra serena ficou com o ministro Fernando
Haddad que admitiu apenas que “o comunicado preocupa”. Houve forte artilharia
disparada pelo PT, pelo próprio presidente Lula, por economistas reunidos no
BNDES contra o Banco Central. Como se esperava, os juros foram mantidos. Mas
não houve promessa de trégua futura. O Banco Central parece muito preso ao
modelo e sem ver os sinais de desinflação, de desaceleração, e de piora do
crédito no país e no mundo.
Nos últimos dias, os críticos do Banco Central no governo radicalizaram suas manifestações e o próprio presidente Lula disse que continuará “batendo” no BC. No comunicado, o BC fala que a reoneração dos combustíveis reduziu a incerteza fiscal, mas disse que inflação aqui e no exterior permanece resistente, há volatilidade internacional e “expectativas de inflação desancoradas”. Avisa que “perseverá” na política monetária, e “não hesitará” em subir de novo os juros se a inflação não cair como o esperado.
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