sábado, 10 de outubro de 2026

Antes fosse, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

“Menos Janja e mais Alckmin.” Esse mote – produto da semana de lavação explícita de roupa suja – resume, reúne a campanha de Lula inteira. O “menos Janja” é uma impossibilidade. Janja é o governo que se pretende reeleger. Diagnosticou-se, por exemplo, que a campanha falhara na gestão das redes sociais, envelhecida. Solução: mais janjismo cultural, de imediato inundadas as postagens de Lula com as selfies-consultorias da juventude psolista. Para falar com o eleitor que Lula já tem.

Antes o problema principal fosse de forma. Quer-se atrair o eleitor de Renan Santos com discurso identitário. Quer-se conquistar o eleitor de Augusto Cury com texto woke. Quer-se baixar o índice de abstenção assim.

A propósito, outro diagnóstico da semana de bateção explícita de cabeças: o de que Lula deveria se aproximar do centro. Diagnóstico correto. Não virará o jogo sem esse voto. Esse voto já não existe. Lula o esculachou. No seu governo, descaracterizou-o. Chegamos “ao mais Alckmin”. Outra impossibilidade. Geraldo Alckmin seria o agente capaz de liderar o movimento. A própria exposição da falta petista de recursos. Antes fosse esse o maior problema. O PT quer alcançar o centro usando por instrumento aquele que simboliza a asfixia do centro. Lula precisa do centro – que devastou.

Campanha eleitoral de presidente candidato à reeleição espelha, sintetiza mesmo, o que lhe foi o governo. Campanha desorganizada, segundo o próprio Lula, como expressão – diz o cronista – de governo desorganizado. Antes fosse somente a desorganização. Governo ruim. Cansado. Sem marcas. Que se fechou à esquerda, na esquerda. Que só olhou para trás. Que falou para um trabalhador inexistente. Que não compreendeu as razões por que existia.

Diga-se que o eleitor brasileiro, impaciente, incorporou o valor democrático – prático – da alternância de poder e decretou, sem precisar de PEC, o fim da reeleição.

Lula colhe – não o que plantou na corrida concentrada até o primeiro turno – a semeadura de quase quatro anos. Governo, o seu terceiro, que acredita – parece convicto – ter sido o seu melhor. (O seu melhor, ainda que tenha passado a campanha inteira pedindo votos para o Lula de 20 anos atrás.) Governo – o seu melhor – ao final do qual, concorrendo à reeleição, operador dedicado da máquina, teria cerca de 3.5 milhões de votos a menos que em 2022, quando desafiante.

Produto do governo Janja. Período ao final do qual Lula imaginou poder pedir votos para a sua biografia. História não dá voto. Período em que, tendo sido eleito sob a fachada da “frente ampla”, dedicou-se a canibalizar o centro, alckminizar o parco centro, sem o qual não teria vencido em 2022. Sem o qual não vencerá em 2026. Entendeu mal as premissas daquela vitória, eleito para que não fosse o outro. E hoje vai – tem de ir – para o tudo ou nada, isolado. •

 

5 comentários:

Anônimo disse...

A única coisa que eu sei é que essa calculista e interesseira Janha é mim pain in the a..

Anônimo disse...

A única coisa que eu sei é que essa calculista e interesseira Janha é mim pain in the a..

Anônimo disse...

Janja

Anônimo disse...

Uma pain in the a

Anônimo disse...

É cada personagem acompanhando o Lula, enjoativo igual a ele mesmo.