sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Alckmin vai em busca de voto do eleitor de centro, por Lucas Borges Teixeira e Sofia Aguiar

Valor Econômico

Na leitura de petistas, Alckmin agrega imagem de ponderação no momento em que o partido busca convencer os indecisos

Chamado para participar mais ativamente da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) já intensificou sua agenda nos primeiros dias de segundo turno. Sua missão é tentar persuadir o eleitorado de centro, em especial aqueles que não foram às urnas votar no domingo (4). Antes mais restrito a São Paulo, um dos principais reforços será em torno de religiosos, segmento que a candidatura busca maior interlocução, além de manter os encontros com empresários.

Sensação de disputa resolvida não se confirma na pesquisa, por César Felício

Valor Econômico

Diferença de 4pp mostra descompasso com o clima de já ganhou entre bolsonaristas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já não faz mais campanha presidencial, embora ainda faltem mais de duas semanas para o segundo turno. Negocia as adesões do Centrão em troca não de votos, mas de espaços de poder nas mesas diretoras do Congresso e do ministério. Organiza como se dará o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e até sinaliza para uma costura que, em nome de acabar com a reeleição, prorrogará o próprio mandato que disputa e adiará as eleições de 2030. Já há até especulação sobre a divisão de cargos de segundo escalão.

‘Influencers’ crescem, mas velha política resiste, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Regra elementar do poder dita que, em Brasília, manda quem tem votos

O ano era 2012. A imprensa aguardava, com desânimo, o resultado de uma reunião do PT com o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevista para 16h, que definiria se a votação de um projeto de interesse do governo no Senado ocorreria naquele dia ou na semana seguinte. Passava das 17h quando o então líder do partido, senador Walter Pinheiro, da Bahia, cruzou o cafezinho do plenário do Senado em direção ao elevador, com a tranquilidade dos baianos, para se deslocar à Esplanada.

Alertado que o ministro o aguardava havia mais de uma hora, Pinheiro se voltou aos jornalistas e questionou: “Quantos votos o Mantega tem?” A resposta era nenhum. E prosseguiu: “Eu tenho 3,6 milhões, por isso, é ele que deve me esperar”. Em 2010, ele obteve 31% dos votos válidos. Mais do que o alcançado nesse domingo (4) pelo ex-ministro Rui Costa (PT), que conquistou 4,3 milhões de votos, equivalentes a 30% do total.

Corra, Lula, corra, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Presidente deveria dar início a um plano de redução de danos institucionais

Precisa indicar nomes para cargos federais que estão vagos, começando pelo STF

É cedo para Lula desistir. Suas chances de virar no segundo turno são reduzidas, mas diferentes de zero. Até o dia 25, tudo pode acontecer. De todo modo, o petista já deve implementar um plano de redução de danos institucionais, que começa pelo preenchimento de cargos estratégicos que estão em aberto.

Refiro-me a quatro ou cinco dezenas de postos de direção em órgãos federais e vagas em tribunais que estão sem titular. Essas posições são providas com nomes indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado. Para dar alguns exemplos, estão em aberto uma cadeira no STF, três no STJ, duas diretorias no BC, uma na CVM e três no Cade.

Flávio gera suspeita ao se propor a redemocratizar o país, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

As palavras 'democracia' e 'Constituição' soam duvidosas ante o histórico golpista da família Bolsonaro

Candidato a presidente está obrigado a se expressar sem resquício de dubiedade em questões institucionais

Se não for bravata ou fruto de ignorância, a ideia de Flávio Bolsonaro (PL) de "redemocratizar o país" caso seja eleito é um acinte aos 41 anos de vigência da democracia e uma provocação à concertação nacional que pôs fim ao regime militar.

A dianteira no primeiro turno não dá ao candidato apenas o favoritismo na disputa presidencial. Obriga-o a medir palavras, sopesar pensamentos, conter certos ímpetos e, sobretudo, demonstrar conhecimento sobre a história (ao menos a mais recente) do Brasil.

Lula não ganha mais eleitores no Nordeste, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Apenas Flávio ganha voto na região; se fosse o contrário, eleição estaria perto de empate

Presidente-candidato ganhou mais votos do que adversário no Sul e no Sudeste

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não ganhou votos no Nordeste neste começo de segundo turno, a julgar pelos resultados do primeiro turno e pelos dados da primeira pesquisa Datafolha a respeito deste fim de campanha. Lula teve 63,8% dos votos válidos nas urnas nordestinas; na pesquisa, 63,4%. Flávio Bolsonaro passou de 30,9% para 36,6%. Ganhou votos na praça-forte petista.

É sempre possível que tenha havido migração muito mínima de eleitores de Lula para Flávio e vice-versa, mas parece por ora que Flávio levou todos os eleitores que não votaram nele ou em Lula no primeiro turno do Nordeste. Se tivesse ocorrido o inverso, a eleição estaria agora quase empatada no Datafolha, nessa aritmética elementar.

Lula e PT não sabem falar em autonomia e em prosperidade, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Dissociação entre condição econômica e identidade política ficou clara no recado da urna

Esquerda parece não entender novos tempos; onda de direita provoca mudança geracional

O recado das urnas, seja quem ganhe o segundo turno, foi uma grande onda de direita na direção da mudança de nomes tradicionais e do padrão de representação política com jeito de século 20 dominante na redemocratização.

Nada disso é tão novo e nada disso flutua no ar. Há uma base material da sociedade em movimento que nos leva à hipótese, senão à evidência, de que presenciamos uma dissociação entre condição econômica e identidade política.

Datafolha: 2º turno começa com vantagem estreita de Flávio Bolsonaro e caminho longo para Lula, por Bruno Boghossian

Folha de S. Paulo

Senador herda mais votos de candidatos derrotados e avança além da base bolsonarista fiel

Petista reinicia campanha com esforço para ampliar desempenho entre os mais pobres e ampliar rejeição a rival

O segundo turno começa com uma vantagem estreita de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) e tarefas de dimensões diferentes para os dois candidatos. A nova pesquisa Datafolha indica que o senador tentará se segurar no apoio que consolidou em regiões e grupos diversos, enquanto o presidente precisa buscar mais votos fora do Nordeste e ampliar vantagem em segmentos próximos do petismo.

O resultado vai depender de quem consegue convencer os eleitores que ainda não se fecharam: os que não rejeitam nenhum dos dois candidatos e os que não se alinham automaticamente a nenhum dos lados. As duas campanhas vão gastar energia nesse território até 25 de outubro.

Centrão terá de compor para sobreviver, por Vera Magalhães

O Globo

Legendas correm a aderir a Flávio, na esperança de ficar com os camarotes da distribuição do poder em caso de vitória do candidato do PL, que saiu fortalecido

A eleição de 2026 produziu um rearranjo importante no Centrão. O grupo de seis partidos composto por União e PP, agora integrantes de uma federação, mais MDB, PSD, Republicanos e Podemos continua reunindo parcela expressiva da representação parlamentar e ampliou sua presença nos governos estaduais já definidos. Mas o crescimento do PL, sobretudo no Senado, alterou a correlação de forças e puxou a hegemonia do centro para a direita. Agora, essas siglas terão de recalcular a rota.

O peso das emendas na disputa pelo Parlamento prometia uma colheita gloriosa aos partidos do grupo, que sairiam com bancadas ainda maiores e manteriam o controle do Congresso tanto em caso de vitória de Lula quanto de Flávio Bolsonaro.

A sina do Rio, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Após devassa em esquemas de corrupção, PL volta ao Palácio Guanabara com Douglas Ruas

Depois de ter cinco governadores presos e dois cassados, o Rio de Janeiro terá um novo governador investigado antes mesmo de tomar posse.

Ao anular os votos de Anthony Garotinho, o Tribunal Superior Eleitoral abriu caminho para declarar a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno. O bolsonarista é alvo de procedimento que apura supostas práticas de peculato, lavagem de dinheiro, fraudes licitatórias e organização criminosa.

Para uma nova esquerda - 1, por Pablo Ortellado

O Globo

É necessário fugir daquelas posições que levam à radicalização da direita

A vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno colocou a esquerda em modo desespero. Mais uma vez, vemos a difusão de campanhas para virar voto e tentar reverter em duas semanas o que deveria ter sido construído em oito anos.

A esquerda tem duas tarefas diferentes e concomitantes: para o bem do país, precisa fugir daquelas posições que levam à radicalização da direita e, para sua própria identidade e sobrevivência, se colocar de maneira distinta — responder aos problemas colocados pela direita, mas sem se descaracterizar caminhando para o centro. A partir desta semana, farei uma série de colunas sobre o que é preciso para construir uma nova esquerda.

Pausa no ‘já ganhou’ de Flávio, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Centrão pulou no barco de Flávio Bolsonaro, mas é cedo para o ‘já ganhou’

Poder atrai poder e, neste momento, todos os caminhos levam, não a Roma, mas ao barco de Flávio Bolsonaro, que acolhe os náufragos do primeiro turno e os partidos do Centrão, tão rápidos e vorazes como quando pularam em todos os governos eleitos e no barco de Lula quando ele era, ou parecia, favorito no primeiro turno.

Esse movimento criava a percepção de que Flávio era imbatível e puxava votos para ele, já que o eleitorado não ideológico e de baixa escolaridade gosta de votar em quem “vai ganhar”, para “não jogar o voto fora”. Por isso, o primeiro Datafolha do segundo turno foi um alívio na campanha de Lula: 49% para Flávio e 45% para ele.

Chefe da economia vai segurar a ‘boiada’? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Flávio ainda não anunciou seu ministro da Fazenda; mercado parece não se importar

Às vésperas do segundo turno, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, favorito para vencer o pleito, ainda não anunciou seu ministro da Fazenda. Não quer provocar atrito entre seus auxiliares.

O mercado parece não se importar. Já iniciou um rally de alta confiando em promessas de austeridade, na boa equipe técnica que cerca o candidato e na base parlamentar confortável feita no Congresso.

O PL terá maioria na Câmara e no Senado e, com apoio de partidos do Centrão, poderá aprovar o que Flávio quiser.

Avanço da direita num mundo transformado, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Estamos diante de uma forte onda internacional de direita. Para fazer frente a ela é preciso estudo, pesquisa, humildade, uma tentativa de compreender o outro

O problema desse primeiro turno, encerrado com a vitória de Flávio Bolsonaro e uma grande votação da direita no Senado, é o fato de precisarmos de muito tempo para entender, num contexto em que não há tempo, pois o segundo turno já começou. É difícil corrigir em 20 dias erros que se arrastaram por quatro anos. Um deles se refere à amplitude e eficácia da frente democrática, bem-sucedida em 2022. Para ser fiel à proposta, o governo teria de evitar a hegemonia de um só partido e tentar, progressivamente, conquistar setores da sociedade que ainda estavam fora da frente. Não foi isso que aconteceu. A frente foi vista apenas como um instrumento da vitória eleitoral, e não como uma ferramenta que precisa ser aperfeiçoada para confrontar o crescimento da direita, uma realidade internacional.

Ana Elisa: Urnas mostraram que eleitores estão cansados do jeito velho de fazer política

 

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Reforma tributária deve entrar em vigor como promulgada

Por O Globo

Em vez de mudar avanços resultantes de décadas de debate, candidatos têm de se preocupar em implementá-los

Em 20 de dezembro de 2023, numa sessão histórica com a presença de autoridades dos três Poderes, o Congresso promulgou a reforma tributária, proposta discutida havia mais de 30 anos. Foi um momento raro de consenso político em favor dos brasileiros, reféns de um sistema tributário caótico e injusto. Esse avanço não pode ser desperdiçado. Por isso mesmo, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputarão o segundo turno em 25 de outubro, precisam se comprometer a preservar o que foi decidido e dar andamento à implementação da reforma.

Poesia | Epígrafe, de Manuel Bandeira


Música | Noel Rosa - João Ninguém