terça-feira, 27 de outubro de 2026

Desafios internos e externos para Lula 4, por Rubens Barbosa*

O Estado de S. Paulo

A política externa deve ser vista como política de Estado, sem influência ideológica e partidária

Em seu quarto mandato, o governo Lula, desde o início, terá de enfrentar desafios institucionais, de governabilidade, econômicos, na área de defesa e segurança e na de política externa para atender aos anseios e demandas do eleitorado de centro que o apoiou para não votar em Flávio Bolsonaro. O Congresso, de maioria conservadora, pode dificultar as iniciativas do novo Executivo. A contestação do resultado eleitoral acrescentará problemas internos e externos. A nova geopolítica global impõe uma nova agenda na defesa dos interesses nacionais.

Esquerda fraca, direita desgovernada, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

É com Centrão, não com PT e esquerda, que Lula vai responder sobre a crise fiscal

Passada a festa da vitória e curada a ressaca, o presidente Lula tem de retomar o fôlego para enfrentar adversários de peso: a crise fiscal, o mercado financeiro, o agronegócio e um bolsonarismo forte, mas sem liderança. Logo, uma força à deriva, desgovernada, com o único objetivo de infernizar o governo.

O Brasil caminha para 2027 com um desequilíbrio descomunal entre receitas e gastos, uma herança maldita que Lula deixa para o próprio quarto mandato e dá o empurrão final para a turma da Faria Lima deixar o pragmatismo de lado, apostar errado e perder com Flávio Bolsonaro.

2º turno foi sobre medo de Bolsonaro no poder, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A mobilização lulojanonista não foi espuma para convertidos. No mundo real, onda convertedora de nulos, arrastadora de votos para Lula, capaz de tirá-los, aos milhões, de Flávio Bolsonaro; de explorar a ressaca daquele eleitor que, rejeitando mais o presidente que o desafiante no primeiro turno, terá passado três semanas diante da própria escolha, condenado a contemplar o que seria um governo do filho de Jair.

A projeção da imagem do Flávio presidencial – subsidiada por um candidato à vontade para exibir o que é – foi-lhe feia, ao que se somaria a campanha que o apregoava como supressor de direitos, enquanto Lula corrompia a máquina para prometer até Pix de R$ 5 mil. Se a eleição no primeiro turno fora sobre Lula e teve como produto uma advertência ao incumbente, a do segundo foi sobre o medo de Bolsonaro no poder. Considere-se a hipótese de o eleitor ter afinal optado por Lula frente ao que seria o capital político na mão de um Bolsonaro: quase autossuficiente no Senado e a indicar três ministros do Supremo.

O que Lula 4 pode fazer para domar o pânico dos donos do dinheiro grosso, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Virada enorme em 'o mercado' era previsível, com volta a uma situação anterior já ruim

Questão agora é se novo governo vai reagir logo para ganhar crédito, perdido sob Lula 3

Os patinetes que congestionam as ciclovias da Faria Lima sabiam que esta segunda (26) seria de pânico. Os donos do dinheiro grosso e os povos dos mercados em geral entraram no final de semana achando que, depois de Lula 3, viria Bolsonaro 2. Houve gente que viajou para a Boa Vista ou para a Grama e nem votou (são nomes de condomínios de lazer para ricos no interior paulista). Para o choque de muitos e surpresa geral (deste jornalista inclusive), veio Lula 4. Muita gente perdeu dinheiro e quase todo mundo teve de mudar as aplicações com medo de perder ainda mais, para dizer a coisa de modo caseirinho.

Ufa! Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Virada histórica de Lula sobre Flávio Bolsonaro reduz riscos para a democracia

Na economia, presidente terá de lidar com herança maldita que ele próprio criou

Entre a sabedoria das massas e a loucura das multidões, o Brasil se pautou, talvez excepcionalmente, pela primeira. A população preferiu reentronizar um Lula enfraquecido a entregar as chaves do Planalto a um Flávio Bolsonaro com representação reforçada no Legislativo. É uma atitude inteligente, considerando o histórico antidemocrático do bolsonarismo. Prova-o a recusa de Flávio em reconhecer de imediato que sofreu uma derrota por mais de 4 milhões de votos de diferença.

Desafio de Lula é corresponder à vitória do esforço coletivo, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Conquista da reeleição foi obra construída a milhões de mãos, às quais será imprescindível retribuir a confiança

Agora o presidente tem dois meses até a posse para dizer realmente o que pretende no quarto mandato

Feita a escolha dos brasileiros, o presidente reeleito terá pela frente pouco mais de dois meses até a nova posse para dizer realmente a que pretende vir em seu quarto mandato, sem a máscara cor-de-rosa das contingências de campanha.

No discurso da vitória, Luiz Inácio da Silva (PT) sinalizou ter absorvido aprendizado dessa eleição ao dizer que mudará "o jeito de governar". Não tendo sido mero reflexo do feito memorável da virada e fruto de alívio diante do susto da sombra da derrota, a frase carrega uma boa mensagem.

Amasso de Lula muda o cenário das paixões políticas, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Ruas, redes e queda da abstenção determinam a virada de votos

Restou a Flávio Bolsonaro a imagem de golpista que ele tentou mascarar

Na vida e nas eleições —a experiência e a fábula de Esopo ensinam— não se deve contar com o ovo dentro da galinha. Ainda mais quando o adversário é Lula, um animal político de 80 anos e sete campanhas presidenciais.

Atordoado pela derrota no morno primeiro turno, Lula publicou no dia 7 de outubro um vídeo em formato selfie, talvez o primeiro que tenha feito como candidato. Muita gente riu do velhinho de voz rouca, sem jeito com a tecnologia, vestindo uma camisa social azul. Mas a mensagem, simples e que se mostraria infalível, estava lá: "Bora, gente, pra rua".

Poesia | Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira

 

Música | Samba da utopia (Jonathan Silva)