sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O Semiárido ergue as mãos para o alto -Washington Novaes

São boas notícias. Em reunião na Namíbia, há poucos dias, a Convenção da ONU para combate à Desertificação, que debatia o uso de tecnologias para uso sustentável da terra, decidiu adotar práticas do Departamento de Combate à Desertificação do nosso Ministério do Meio Ambiente, que põem ênfase na convivência sustentável com ambientes naturalmente áridos - e não tentativas de "combate à seca", como fizeram durante décadas nossas políticas governamentais. Aponto de o escritor Ariano Suassuna haver dito ao autor destas linhas, há alguns anos, que "tentar combater a seca no Nordeste brasileiro é o mesmo que tentar combater a neve na Sibéria". Fez lembrar o competente ministro Celso Furtado, que demonstrava haver sido praticamente toda a área fértil mais próxima do mar na região ocupada pela cana-de-açúcar, o que obrigou famílias pobres a migrar para as áreas secas; e ali foram realizadas as tentativas de transplantar culturas inadequadas para o solo e clima da região - agravando a escassez.

Também no recente encontro de ministros da Agricultura das Américas na Argentina o tema da desertificação ocupou parte das discussões sobre "uso sustentável da água". E ali o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) apresentou alguns dos trabalhos que vem executando em áreas como a de Gilbués, no Piauí, uma das mais problemáticas. Ali, em 55 mil quilômetros quadrados, está um dos cenários mais dramáticos da seca e da desertificação no Brasil, que atingem 1,3 milhão de quilômetros quadrados em 1.488 municípios do Nordeste, de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Embora não lhes destine os recursos necessários, o Ministério do Meio Ambiente de fato tem órgãos e profissionais competentes que se empenham há anos na implantação de políticas e programas de convivência com o clima e o ambiente. Além de sistema de alerta precoce para a seca e a desertificação, esses profissionais trabalham com os programas de sustentabilidade da matriz energética - e aí merece destaque o "fogão ecológico", que permite reduzir em 30% o consumo de lenha predominante em grande parte da região. Outro programa é o do manejo florestal integrado para uso múltiplo comunitário da lenha em áreas plantadas - e que permite reduzir o consumo de vegetação natural em locais como o "pólo gesseiro"de Pernambuco, onde não se encontrou alternativa mais barata. Um terceiro caminho é o da instalação de "barragens subterrâneas" (que acumulam água da chuva no subsolo e possibilitam o uso posterior para plantio). Todos no caminho da "convivência".

É preciso insistir: a ONU inclui a desertificação e a fome entre os problemas mais graves do mundo, com 14% da população mundial sofrendo; e a desertificação avança 60 mil quilômetros quadrados por ano. A ponto de o papa Francisco haver dito (FAO, 21/6) que o mundo já produz alimentos suficientes, mas ""há milhões de pessoas que continuam a morrer de inanição; é um verdadeiro escândalo". De fato a própria Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirma que a produção de alimentos hoje seria suficiente para alimentar os 7 bilhões de habitantes do planeta, mas o desperdício e a concentração de renda impedem. Pode piorar, com os problemas de mudanças climáticas, inclusive no Brasil, onde se prevê uma redução de até 30% nas chuvas no Semiárido - sem falar que tudo pode ser ainda mais grave com a diminuição do fluxo de águas que nascem no Cerrado e correm para o Nordeste. E com o problema - analisado em trabalho de 26 pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - da expansão de culturas de soja e cana, do Maranhão à Bahia, agravando as condições sociais da região.

O presidente do Comitê de Ciência e Tecnologia da convenção da ONU sobre desertificação, Antônio M. Magalhães, enfatiza que as terras secas já significam 40% do território do planeta, onde vi vem 33% da população. E onde se concentram 50% da pobreza. No Brasil, uma das situações mais graves está em Gilbués (Piauí), onde até chove entre 800 e 1.200 milímetros por ano, mas as condições do solo apressam a infiltração de água e dificultam o plantio de alimentos. írauçuba (Ceará), Cabrobó (Pernambuco) e a região do Seridó (lho Grande do Norte e Paraiba) são outros pontos críticos,

Ao todo, 399 mil pessoas envolvidas. E a questão mais delicada é a da Paraíba, com 54,88% do território cm processo de desercificação (O Globo, 9/7).

Não estranha, assim, que o Semiárido seja o principal polo de origem de migrações para o Centro-Oeste, principalmente para Brasília. As informações das últimas semapas sobre renda no Brasil mostram o Maranhão e o Piauí, por exemplo, com os mais baixos padrões de renda do País. No geral, a situação até tem melhorado, com um crescimento real da renda em 2012, mas ainda com alto nível de concentraçao: enquanto na faixa dos 10% mais pobres a renda está em R$ 215, na faixas dos 1% mais ricos chega a R$ 18.889, ou 87 vezes mais. E a média no Nordeste é de R$ 1.044,00, ante RS 1.507 da media nacional.

Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) já está testando em Sergipe projeto que deverá ser replicado em todo o Semiárido, com ênfase no combate à erosão do solo e seu esgotamento. Juntamente com o os conhecimentos do IICA em Gilbués e outros do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, além dos programas da Articulação do Semiárido -principalmente o de cistemas de placa (custo médio de R$ 2,4 mil) para prover de água captada nos telhados uma família durante toda a estiagem -, talvez seja possível conseguir avanços importantes para toda a população do Semiárido.

Como respondeu ao autor destas linhas, com as mãos voltadas para o céu, uma beneficiária de cisterna de placa, com quase 80 anos, ao ser perguntada sobre o que mudara em sua vida: "Vixe Maria!".

*Jornalista

Fonte: O Estado de S. Paulo

Revendo conceitos - Merval Pereira

Lentamente, o acordo entre a ex-senadora I Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vai voltando ao seu leito natural. O acordo foi originariamente montado para que a candidatura à Presidência da República ficasse em segundo plano, ressaltando o aspecto programático da união.

A "coligação democrática" deixaria a escolha do candidato oficial do grupo político a ser formado para uma etapa posterior, quando o programa já estivesse definido. Dessa maneira, a união dos dois é mais forte do que definindo de antemão quem será o candidato. Por que reduzir o espectro da escolha se existem dois candidatos possíveis para buscar um mesmo objetivo? Entre a primeira conversa, na sexta-feira à noite, e o anúncio oficial, no sábado, houve pressão dos socialistas para que Campos não abrisse mão de sua candidatura, e foi isso que fez com que Marina afirmasse na sua fala que a candidatura posta era a de Campos, e que ela embarcava no seu projeto.

Mas Marina tratou de recolocar a questão em entrevistas, lembrando que ambos sabiam que os dois são possibilidades a serem testadas junto ao eleitor até a tomada de posição oficial.

Um primeiro teste deve ser divulgado ainda neste fim de semana, quando está sendo esperada uma pesquisa do Datafolha. O Ibope irá às ruas só na próxima semana, dando tempo para que o eleitor se acostume com o novo quadro.
Da mesma maneira que Marina deu mostras de desprendimento indo ao encontro de Eduardo Campos, ele também está demonstrando que fez um acordo para ganhar, e não para alimentar seu ego.

Outro ponto importante nessa mudança de atitude é que Marina precisa manter seus seguidores amarrados ao projeto da Rede, e sua candidatura é parte fundamental para estimular os "marineiros" empenhados na campanha. Cortar os tênues fios que ligavam o PSB de Campos a Ronaldo Caiado em Goiás teve o aspecto simbólico de garantir à sua base que nada mudou no projeto original. Embora eles saibam que muita coisa mudou.

Mas é preciso preservar aspectos simbólicos do projeto original para não perdê-lo. A legislação aprovada a toque de caixa no Senado e o parecer do procurador-geral da República que retiram dos novos partidos a capacidade de disputar a eleição municipal de 2016 em condições similares às dos outros — ou seja, com tempo de TV e fundo partidário — são obstáculos que servirão para unir os "marineiros" em tomo do PSB, a barriga de aluguel que viabilizará a formação da Rede. Mesmo aqueles que rejeitam a aproximação com os socialistas, alegando que eles representam a "velha política" que Marina quer superar, terão de se valer da estrutura formal do PSB para gerar a Rede, até que ela possa caminhar pelas próprias pernas.

Se vencerem a eleição, sós ou apoiando o PSDB de Aécio Neves, o novo governo poderá promover verdadeira reforma política que reorganize nossos sistemas partidário e eleitoral.

Fazendo o diabo
A presidente Dilma, que anda em fase de paz e amor, não abre mão de "fazer o diabo" na pré-campanha eleitoral antecipada, aliás, por ela mesma, quando tirou do ex-presidente Lula a garantia de que seria a candidata oficial do PT. Na hora do expediente, reuniu-se com seu mentor e mais conselheiros políticos, como o ex-ministro Franklin Martins e o 40° ministro, o marqueteiro João Santana, para discutir a corrida presidencial. Não deveria ser assim, mas, no Brasil, nada que é impedido por lei deixa de ser feito, pois as sanções pecuniárias são ridículas, e as morais já há muito não fazem mais efeito em nossos políticos.

Afinal, se o governador de Pernambuco pode se dedicar exclusivamente à sua candidatura nos últimos dias, por que não poderia nossa "soberana"?

Fonte: O Globo

E se...? - Eliane Cantanhêde

A tensão na novíssima aliança Eduardo Campos-Marina Silva agora é pública, cheia de disse não disse, mas a ansiedade nas searas opostas de tucanos e petistas também existe, só que nos bastidores --ou melhor, nos corredores do Congresso Nacional.

No quadro de hoje, Campos tem um partido, e Marina, os votos; Aécio tem a pré-candidatura, mas Serra, o "recall" de 2010; Dilma está em campanha aberta, mas Lula é o único, entre todos os candidatos, capaz de vencer no primeiro turno.

E se, em março de 2014, a sete meses da eleição, a economia não ajudar, as manifestações voltarem, a base aliada desandar, Dilma Rousseff empacar nas pesquisas e um(a) adversário(a) disparar?

É improvável que o PT assista a isso de braços cruzados, sem acionar o sempre latente "volta Lula". E é muito mais improvável ainda que Lula corra o risco de derrota só para não melindrar a afilhada e sucessora.

E se Campos tiver toda a campanha estruturada, aliados garantidos e apoios no empresariado, mas não decolar e continuar patinando com um dígito nas pesquisas?

É difícil imaginar que o PSB insista no nome do governador tendo ali à mão o da ex-senadora, que arrebanhou quase 20 milhões de votos em 2010. E é muito mais difícil ainda que Marina e a Rede, ou o núcleo da futura Rede, não forcem a barra para trocar a cabeça da chapa.

E se Aécio estiver forte no PSDB, mas débil no eleitorado?

É preciso um enorme esforço de imaginação para pensar nos tucanos e seus aliados unidos para mais uma derrota sem espernear. E mais imaginação ainda para visualizar Serra desistindo de lutar pela vaga.

Assim, em 2014, os institutos vão multiplicar simulações, com os analistas tateando e os atuais candidatos com medo até da sombra. Até porque todas essas sombras são bem reais.

PS - Fundo branco, mesa preta, Marina vestida de freira. Aquilo ontem era entrevista ou velório?

Fonte: Folha de S. Paulo

Condomínio eleitoral regado a vinagre - Maria Cristina Fernandes

Quarenta e oito horas separaram o anúncio da aliança entre a ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do recrudescimento de manifestações nas duas maiores cidades do país. É óbvio que ninguém saiu para protestar contra o pacto dos ex-ministros de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas está claro que, sendo Marina o único pré-candidato a ter militantes na muvuca, seus movimentos não ignorem o que se passa nas ruas.

O primeiro sinal é de que não pretende desperdiçar o capital político acumulado pela campanha de 2010 e por sua versão molotov. O dueto que chega a sugerir uma definição postergada da cabeça de chapa escancara essa pretensão.

Se é importante para o futuro eleitoral da aliança preservar o capital político de Marina, como a dupla deixou claro ontem na TV, o PSB parece atento aos riscos de que a aliada se transforme num cavalo de troia.

Aliança reivindica herança lulista até nas contradições

Eduardo Campos ganhou espaço junto ao empresariado por vender uma condução desideologizada da economia, mas a aliança com Marina reforça o apelo da origem política de esquerda do anfitrião. Marina traz verniz, mas o discurso busca deixar claro que a militância-nas-lutas-populares do governador a precede.

E a estratégia não se resume a reprisar a saga do engenho Cananeia. No ato de filiação, Marina já tinha começado a falar quando foi anunciada a entrada no auditório da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), logo chamada ao palco pela ex-senadora.

Ao discursar em seguida, Campos não apenas homenageou Erundina como lembrou que ela havia entrado naquele auditório na companhia de Renata, sua mulher.

Se o governador trabalhava para ser um herdeiro recauchutado do lulismo, a entrada de Marina na chapa só reforça essa tendência. Até mesmo nas contradições.

Marina tinha uma constelação de símbolos da amorfia lulista para alvejar em seu discurso de estreia mas escolheu logo o chavismo. Foi no auge das relações de Lula com Hugo Chávez que foi gestada a refinaria Abreu e Lima, o general pernambucano que lutou ao lado de Simon Bolívar. A Venezuela nunca pôs um tostão lá e a Petrobras entrou sozinha no maior empreendimento industrial jamais feito no Estado.

O condomínio de contradições que ambos vão gerir a partir de agora tem seu valor pedagógico. Tivesse entrado em outra da miríade de legendas nanicas que se lhe ofereciam, Marina estaria mais exposta à acusação de que só a candidatura a presidente lhe move. Ao ingressar no PSB a ex-senadora faz uma inflexão na rota que percorre desde que deixou o PT.

Não há dúvidas de que o insucesso eleitoral da empreitada acelerará a retomada do Rede. Mas a aposta no PSB é o reconhecimento de Marina de que o insulamento de seu projeto não o faria avançar. No máximo, como já disse em discurso, seria a mais curtida e cutucada ex-candidata que o país jamais teve.

A surpresa da aliança não desmerece o dote que vinha sendo preparado por Campos desde 2010, quando começou a falar pra quem quisesse ouvir que a votação de Marina, inclusive na cidade onde mora, que lhe deu 36,7% dos votos, era a maior lição das urnas. O governador levou o candidato de Marina em Pernambuco para ser seu secretário e dele fez seu emissário em sucessivos e frustrados gestos de aproximação. Nenhum deles parece ter sido tão eficaz quanto aquele que levou o PSB a contestar no Supremo o cerceamento a criação do Rede.

Marina, a exemplo de Lula, começou a falar de si na terceira pessoa. Juntou-se ao político cujo tino mais rivaliza com o ex-presidente. Essa dupla reencarnação de Lula tem pela frente a difícil montagem de um condomínio eleitoral regado a vinagre.

A saída do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) da aliança de Campos-Marina é um só o começo da disputa pelo agronegócio, o setor empresarial que tradicionalmente mais se expõe nas campanhas eleitorais.

A articulação, que precede o PSB vitaminado, foi posta em curso pelo ex-presidente Lula com vistas a reaproximar Dilma do empresariado no final deste governo e preparar terreno para um segundo mandato que se quer mais azeitado nesta relação.

A estratégia que estava em curso ganhou fôlego com o apelo redobrado que os dois ex-ministros, ambos com avançadas relações em nichos do capital, passaram a ter.

A articulação lulista passa pela filiação de empresários que possam servir de ponte do governo junto aos seus pares. O PMDB é o partido escolhido.

Começou pela filiação de José Batista Júnior, do grupo Friboi, que estava para fechar com o PSB e acabou levado pelo PMDB com a promessa de candidatura ao governo de Goiás. O cordão sanitário do agronegócio se estende ao vizinho Tocantins, com a adesão da presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (TO) também ao PMDB e chega a São Paulo onde Maurílio Biagi, filiado ao PR, é cogitado para vice do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A rede (empresarial) se estende à indústria com Josué Gomes da Silva, o presidente da Coteminas levado por Lula ao PMDB. Ex-presidente e sucessora têm outros planos para o filho de José Alencar. Vice não traz voto. Os bons ajudam na composição partidária e na articulação política. Outros são escolhidos a dedo para sanar lacunas do titular. Assim fez Alencar, na vice de Lula. Seu filho parece ter outro destino.

Ministro mais próximo da presidente Dilma Rousseff, o titular do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, é líder nas pesquisas para o governo de Minas. Tem 12 anos de administração tucana a enfrentar no Estado em que o senador Aécio Neves vai jogar seu futuro na política. A chapa de Pimentel tem arestas a aparar com o PMDB, mas não parece ser esta a vocação de Josué ou a necessidade dos petistas.

Uma e outra parecem conspirar para colocar o presidente da Coteminas no lugar do ministro-candidato.

Fonte: Valor Econômico

A chave da terceira via - Denise Rothenburg

A escolha de São Paulo para cenário do primeiro encontro entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva está longe de ser obra do acaso ou da "praticidade" A opção foi feita de caso pensado e extremamente avaliado. E tem um motivo crucial: eles já perceberam que todas as tentativas fracassadas de quebrar a polarização PT-PSDB tiveram dois pontos em comum: primeiro, nenhum dos candidatos tinha o controle do partido. Em segundo lugar, não tinham inserção em São Paulo. Desfilaram nessas ondas de quebra da polaridade Anthony Garotinho, Ciro Gomes, Heloisa Helena e Cristovam Buarque. Nenhum deles tinha construído algo sólido em São Paulo, berço do PT e do PSDB, e cada onda que tentaram formar viraram marolinhas.

Juntos, Eduardo e Marina buscam, nessa primeira etapa, escapar dessa sina. No quesito controle partidário, ambos não podem se queixar. Marina decidiu praticamente sozinha levar a Rede para reforçar Eduardo Campos. E, no papel de presidente do PSB, o governador de Pernambuco não pede, manda. Falta, entretanto, o outro pilar capaz de dar sustentação a um projeto. Construir algo de peso em solo paulista, uma vez que, pelos cálculos deles, Aécio Neves, do PSDB, sairá bem de Minas Gerais e Dilma Rousseff já está no segundo turno.

Esse ponto, entretanto, ainda é uma incógnita. A candidatura própria de Walter Feldman ao goveriíò de São Paulo é vista com certo receio, porque seria a "5ª via", conforme definido pelos próprios integrantes do PSB e da Rede. O cenário de São Paulo apresenta quatro pré-candidatòs hoje: o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, concorrerá à reeleição. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já foi apresentado por Lula como o nome do PT. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, é o nome do PMDB e aparece bem posicionado.

O ex-prefeito Gilberto Kassab é o nome mais forte do PSD. Ou seja, só tem "feras" nessa disputa. À exceção de Skaf, que vem do meio empresarial e é tido como alguém meio avesso aos jogos da política, os outros três são "do ramo", expressão que os políticos usam para definir aqueles que são extremamente habilidosos e conhecedores do terreno onde pisam.

Nesse cenário, avaliam alguns, uma candidatura de Feldman seria a 5ª via, que chegaria numa faixa estreita de votos. Portanto, enquanto ainda mantêm a hipótese de nome próprio reservada, os integrantes da Rede e do PSB observam o quarteto de pré-candidatos. Está praticamente definido que, com o PT, eles não seguirão. Tampouco pretendem apoiar Skaf. Nesse caso, restam duas opções: Kassab e o governador Geraldo Alckmin.

A notícia veiculada na internet de que teria havido um encontro de Eduardo e Marina com Alckmin ontem, no fim da manhã — que não ocorreu —deixou o mundo político desconfiado. Realmente, eles não se encontraram, mas essa reunião não está longe de acontecer. Os tucanos sempre se referem ao deputado Márcio França, do PSB, como futuro candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin. Se isso ocorrer, Alckmin terá dois candidatos a presidente no palanque. Ocorre que Feldman já foi secretário de Kassab e, como em política nada é impossível, não será tão esquisito quanto parece se a dupla Eduardo-Marina ou Marina-Eduardo estiver com o ex-prefeito, uma vez que a dupla Lula-Dilma ou Dilma-Lula estará dedicada à campanha de Alexandre Padilha.

Enquanto isso, no Palácio dos Bandeirantes...
A construção entre Eduardo e Marina Silva e esse alicerce que eles buscam em São Paulo vai acelerar a formatação do palanque de Geraldo Alckmin. A cada dia, encurta-se o prazo para que o governador possa fazer um convite oficial ao PSB para compor a chapa. Está no ar a sensação de que, se esse convite não vier logo, a Rede de Marina pode levar o PSB a outro projeto, que não a reeleição de Alckmin. Afinal, é preciso ter em mente que, tanto Eduardo quanto Marina buscam um pé em São Paulo. E, em política, assim como no futebol, vale a máxima: quem se desloca, recebe. Quem pede, tem preferência. Os atores de São Paulo vão começar a se deslocar agora, Resta saber quem terá a preferência.

Fonte: Correio Braziliense

Panorama político – Ilimar Franco

Puxão de orelhas
A ministra Ideli Salvatti comunicou ao PMDB do Senado, anteontem, que o diretor financeiro da Postalis, Ricardo Oliveira Azevedo, seria afastado. Ele é apontado como responsável pelo prejuízo de R$ 762 milhões ao fundo de pensão dos Correios. A demissão não saiu antes devido à demora do PMDB em indicar o substituto. O partido não sugeriu nada. O governo perdeu a paciência.

Na era do pragmatismo
Os defensores do mercado estão se sentindo sós. O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), pressiona para votar ainda neste mês o Código da Mineração. Nem o PSDB está disposto a fazer o discurso contra a mão grande do Estado e do desestímulo ao mercado. O código vai aumentar os royalties dos minerais de 2% para 4%. Acontece que os maiores interessados no aumento do pagamento, pelas empresas privadas, são os governadores tucanos Antonio Anastasia (MG), Simão Jatene (PA.) e Marconi Perillo (GO), e o pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Minas Gerais responde por 53% da produção mineral do país. O Pará, por 28%; e Goiás, por 4%.

"Tenho certeza que não trilhamos o caminho errado, mas temos que admitir: estamos num caminho que já deu o que tinha que dar"  Eduardo Campos Candidato à Presidência no programa do PSB na TV

No comando
O ex-ministro Fernando Bezerra, além de coordenar a construção do programa da coalizão PSB/Rede, vai assumir uma vice-presidência do partido. Vai ocupar a vaga do prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso, que deixou o PSB.

Se a moda pega
O Ministério das Comunicações fez um acordo com o Serpro. A empresa pública vai fornecer e-mails criptografados para uso da pasta. A empresa I internacional que atendia o ministério já foi informada que o contrato não será renovado. A experiência é piloto e, se der certo, pode vir a ser adotada pelo conjunto do governo.

Objeto de cobiça
Os socialistas ainda não entregaram todos os cargos no governo Dilma. O diretor-presidente da Chesf, João Bosco de Almeida, indicação do grupo de Eduardo Campos, segue no cargo. Há socialistas também na Sudene e em outras áreas.

Cláusula de barreira
A criação de cláusula de barreira de 3% dos votos nacionais, para um partido ter direito a tempo de TV e ao Fundo Partidário, será adotada pelos grandes partidos na Câmara. A comissão criada para propor uma reforma política vai aprovar emenda constitucional com esse fim. O texto incorpora tese do DEM: deputado que trocar de partido não leva tempo de TV nem o Fundo.

No dia seguinte
O candidato do PSDB, Aécio Neves, ligou ontem de Nova York para o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Emissário do candidato do PSB, Eduardo Campos, o ex-deputado Pedro Valadares esteve com Caiado tentando consertar o estrago.

Mais realistas que o rei
Ò presidente do PROS, Eurípedes Junior, contou na primeira reunião de deputados do partido, na quarta-feira, que sua assinatura foi rejeitada pelo cartório eleitoral quando estava no processo de criação do partido. Ele foi ao cartório reclamar.

A COMISSÃO DA REFORMA POLÍTICA da Câmara analisa ideia de dividir os estados de maior bancada, São Paulo e Rio de Janeiro, em seis ou nove distritos.

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

Com pimenta e dendê
Em resposta ao marqueteiro João Santana, que disse ter sido o responsável por convencer Lula a ser candidato em 2002, Duda Mendonça rebate: "Já conheci profetas do futuro, mas é a primeira vez que alguém tenta mudar o passado". O publicitário nega que tenha defendido que o PT lançasse outro candidato naquela eleição. Critica, ainda, o tom da entrevista do ex-sócio à revista "Época": "Vaidosa, grosseira e invejosa. Não é digna de um marqueteiro talentoso e vencedor".

Em silêncio Procurado, João Santana não quis se manifestar sobre a polêmica.

Porteira... Além de discutirem o novo cenário eleitoral, com a dobradinha Eduardo Campos e Marina Silva, Dilma Rousseff e Lula conversaram sobre a necessidade de evitar que partidos médios deixem a aliança e migrem para candidatos de oposição.

... fechada A lista das siglas sob risco de ataque especulativo inclui PP, PR, PSD e PDT. Segundo interlocutores do Planalto, ficou "subentendido" que a reforma ministerial, prevista para dezembro, vai fidelizar os partidos para a reeleição da presidente.

Criptonita Campos e Marina têm algo em comum além do projeto político: alergia a camarão. "Se nossos adversários quiserem nos derrubar, já têm uma arma secreta", brinca a ex-senadora.

Beijo do gordo Marina grava na próxima terça-feira participação no "Programa do Jô", da TV Globo. A entrevista deve ir ao ar no mesmo dia. Campos também recebeu convite de Jô Soares, mas ainda não marcou data.

Ciranda A ex-senadora também será a entrevistada do programa "Roda Viva", da TV Cultura, no dia 21.

Giro Depois de participar de evento do governo paulista, na terça-feira, José Serra disse a aliados que recebeu convites de outros governadores do PSDB para fazer o mesmo.

Pé... Em encontro com Dilma nos EUA, no mês passado, Bill Clinton disse à presidente que os episódios recentes envolvendo espionagem no Brasil eram "coisa dos republicanos", citando o partido adversário do ex-presidente e de Barack Obama.

... do ouvido A petista escutou e respondeu que quem pagava a conta era o Brasil.

Estratégia A direção nacional do PP avisou a governadores aliados que pretende se aproximar de candidatos de situação nas eleições de 2014. O objetivo é ampliar a bancada do partido na Câmara e ganhar espaço de negociação com o governo federal.

DNA Em entrevista a Luciana Gimenez exibida na terça-feira, Paulo Skaf (PMDB) foi apresentado como "um dos responsáveis pela diminuição da conta de luz e pelo fim da CPMF". "Ninguém gostava de pagar. Eu ficava brava", disse a apresentadora.

Palanquinho 1 O Palácio dos Bandeirantes só abriu o microfone para um prefeito em uma grande cerimônia de assinatura de convênios ontem: Jonas Donizette, do PSB.

Palanquinho 2 Foi um gesto de Geraldo Alckmin (PSDB) em direção à sigla do prefeito, eleito em 2012 com apoio de Campos e do tucano Aécio Neves. O governador quer conversar com dirigentes do PSB no fim de semana.

Tudo... Carlos Lupi assumiu a presidência provisória do PDT em São Paulo após a saída de Paulinho da Força para fundar o Solidariedade. Ele acumula a presidência da sigla no Brasil e no Rio.

... nosso O endereço e o telefone do PDT-SP registrados na Justiça Eleitoral são da liderança do partido na Assembleia Legislativa paulista.

Tiroteio

"Quem mais ganha com a aliança com Marina é o próprio Eduardo: ele vai achar uma saída honrosa para não ser candidato."

DO GOVERNADOR DO CEARÁ, CID GOMES (Pros), comparando índices de intenção de voto da ex-senadora e do governador Eduardo Campos (PSB-PE).

Contraponto

Acidente de trabalho

O senador José Pimentel (PT-CE), líder do governo no Congresso, participou ontem do Seminário Nacional sobre Alterações no Estatuto da Micro e Pequena Empresa, que aconteceu na Câmara dos Deputados.

Ao cumprimentar o ministro Guilherme Afif Domingos, da Micro e Pequena Empresa, ele brincou:

--Nós temos aqui um ministro que, literalmente, tem dor de cotovelo!

Afif levou um tombo em agosto e sofreu uma contusão séria no cotovelo, que o fez ficar afastado do trabalho. Com o braço na tipoia, o ministro riu da brincadeira.

Fonte: Folha de S. Paulo

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo

De olho// A cúpula do PT está monitorando o impacto eleitoral da filiação de Marina Silva e sua Rede Sustentabilidade ao PSB na candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ao Palácio do Planalto. Encomendou duas pesquisas, uma qualitativa e outra de intenção de votos. Vão medir a repercussão do programa de tevê de Campos e Marina, ontem à noite.

Fios desencapados
Fala-se muito na tutela exercida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à presidente Dilma Rousseff e ao govemo dela, principalmente quanto às eleições de 2014, mas há que se reconhecer duas coisas: Dilma é uma criação de Lula, mas o "poste" ganhou asas e hoje voa por meios próprios; e Lula administra a situação com habilidade, nada faz para enfraquecê-la ou provocar uma crise na base do govemo.

Os pré-candidatos do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e do PSB, governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vivem situação diferente. O ex-governador José Sena (PSDB) e a ex-senadora Marina Silva (PSB), por temperamento, são dois fios desencapados. O curto-circuito só não ocorrerá se Aécio e Campos esbanjarem tolerância pessoal e habilidade política, principalmente enquanto não Programaticamente, Serra não se afina com Aécio em matéria de economia e política de alianças, Sempre criticou o "mais do mesmo" (câmbio flutuante, superavit fiscal e juros altos) que garantiu o sucesso do Plano Real e as composições políticas na administração pública, que chama "balcanização" do Estado. Marina Silva também não é fácil, gosta de "blocar" os aliados. É o que fez ao anunciar que apoia o deputado Reguffe (PDT) em Brasília, e não o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), ao Palácio do Buriti. Além disso, o apoio de Marina depende da incorporação da plataforma da Rede, que é conservacionista, ao programa de governo de Campos, que é um desenvolvimentista de berço.

Aposentados
Nem caças, nem cargueiros. Os KC-137, versão militar do Boeing 707, foram desativados ontem, em solenidade na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Os aviões pertenciam ao Esquadrão Corsário do 2o Grupo de Transporte. Por enquanto, não serão substituídos, assim como os caças Mirage 2.000, recentemente aposentados.

Idosos
Até 2050, a estimativa é que o universo dê indivíduos com 60 anos ou mais triplique no Brasil, chegando a 30% da população, ou seja, 64 milhões de idosos

Berlinda
Bismarck Maia, secretário de Turismo no Ceará, é o nome que o governador Cid Gomes (foto), do Pros, quer emplacar na Secretaria dos Portos. Leônidas Cristino, que deixou o posto na Esplanada, deverá ser seu candidato a governador. O problema é que Bismarck precisa também do aval do senador Eunício de Oliveira (PMDB-CE), que lidera as pesquisas para a sucessão de Gomes e que anda às turras com o governador cearense.

Amazônia/ Companhias aéreas e órgãos governamentais foram duramente criticados na audiência pública da Comissão da Amazônia, na qual foi discutida a situação da aviação civil na região, com representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e de empresas aéreas. Os deputado Plínio Valério (PSDB-AM) e Arnaldo Jordy (PPS-PA) foram os que mais estrilaram.

Roda Viva/ Marina Silva adiou sua participação no Roda Viva, da TV Cultura, que estava prevista para a próxima segunda-feira.

Padrinho
O ex-prefeito de Unaí Antério Mânica, um dos acusados pela chacina de três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho, em janeiro de 2004, filiou-se ao PMDB, a convite do ministro da Agricultura, Antônio Andrade. Os auditores Nelson José da Silva, João Batista Lages e Erastótenes de Almeida Gonçalves, conduzidos pelo motorista Ailton Pereira de Oliveira, investigavam a exploração de trabalhadores em fazendas da região. Durante a fiscalização, eles foram abordados e assassinados a tiros.

Recado
Tucanos paulistas reagiram às declarações de José Serra de que o candidato do PSDB somente deve ser definido depois de março. Para eles, com a aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva, é mais aconselhável que o partido decida logo quem é o candidato, sob pena de perder terreno na disputa ao Palácio do Planalto. "O Serra não só ficou, como começou a andar", avalia um dos conselheiros do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (foto), do PSDB. Na quarta-feira, Serra estava no Rio Grande do Sul.

Fonte: Correio Braziliense

Política – Claudio Humberto

• Dirigentes só pensam naquilo: o fundo partidário
Não é o interesse público, a coerência política e nem muito menos a ideologia. O que move a grande maioria dos dirigentes é o milionário fundo partidário, que só em 2012 distribuiu R$ 350 milhões às 29 siglas então existentes. Tudo administrado pelo presidente (ou dono, na maioria dos casos) do partido, sem dar satisfações a ninguém, exceto em prestações de conta que raramente são auditadas ou conferidas.

• Grande negócio
São rateados 95% do fundo conforme a votação de cada deputado federal. É só multiplicar a votação por R$ 3,21, o valor de cada voto.

• Um exemplo
Tiririca, com 1,3 milhão de votos, garantiu ao PR de Valdemar Costa Neto, o dono mensaleiro, mais de R$ 4,2 milhões do fundo só este ano.

• Máquina registradora
Por tudo isso, Paulinho da Força comemorou: o Solidariedade terá R$ 1 milhão mensais do fundo só com os 8 deputados que eram do PDT.

• Balcão de negócios
Em “janelas” de transferência, como a encerrada no dia 5, os partidos avaliam “dotes” e tentam conter a debandada, para não perder receita.

• PMDB retoma pressão para Vital virar ministro
A cúpula do PMDB decidiu ser mais agressiva na recomendação do senador Vital do Rêgo (PB) para o Ministério da Integração. Desde que foi devolvido pelo PSB, o cargo passou a ser ambicionado pelo PMDB, e Dilma pediu que o partido aguardasse até o final do ano. Mas o PT e o PTB passaram a pretender o ministério, e a cúpula do PMDB resolveu agir. E pediu reunião com Dilma já na segunda-feira (14).

• Apoio forte
Apoiam a indicação de Vital do Rêgo e os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e Henrique Alves e o vice Michel Temer.

• Ideia fixa
Modéstia não é o forte do senador Armando Monteiro (PTB): ele tenta fazer o PT desistir de disputar o governo de Pernambuco para apoiá-lo.

• Aqui me tens de regresso
O casal porralouca preso e liberado em São Paulo escapou de boa: a Lei de Segurança Nacional não prevê fiança. Eles voltarão à baderna.

• Beto bate Gleisi
O dinheiro abunda e o maridão Paulo Bernardo “tratora” obstáculos, mas Gleisi Hoffmann (PT) não chega perto de Beto Richa (PSDB), para o governo do Paraná. Ele teria hoje 43,8% e ela 23,2% dos votos, diz sondagem da Paraná Pesquisas, revelada pelo portal Diário do Poder.

• Fogo em Paris
O governador Sérgio Cabral (PMDB) foge como o diabo da cruz de declarações sobre o terror que os “Black Bloc” tocam no Rio. E, louco por cargo no governo Dilma, tenta evitar confronto com sindicalistas.

• Não é automático
Aliado da ex-senadora Marina Silva, o deputado Miro Teixeira (PROS) ainda não conseguiu qualquer garantia de apoio do PSB de Eduardo Campos (PE) a sua candidatura ao governo do Rio em 2014.

• Me engana que eu gosto
Com sinceridade própria dos políticos, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, tenta acalmar o deputado Arthur Lira (AL), que seu amigão Eduardo da Fonte (PE) derrubou da liderança, na Câmara.

• O crime compensou
Saiu barato, para o deputado Jairo Vieira (DEM-MG), utilizar dinheiro da prefeitura de Montes Claros em promoção pessoal. Foi condenado a 2 anos pelo Supremo Tribunal Federal, mas o crime está prescrito.

• Único jeito
Diante do boicote do PT, foi preciso o relator Vanderlei Macris (PSDB-SP) coletar assinaturas para conseguir convocar sessão e apresentar seu parecer favorável ao voto aberto, em caso cassação de mandato.

• Rebordosa
O promotor Paulo Gomes de Sousa Júnior, do Ministério Público Militar, está solicitado à imprensa fotos e vídeos das agressões covardes de policiais militares do DF no 7 de Setembro, inclusive contra jornalistas, até mulheres, caçados enfurecidamente nas ruas de Brasília.

• Gourmet Experience
O Experience Club, clube de networking e negócios que reúne líderes e executivos das mais importantes empresas do Brasil, fará a etapa de Brasília “Gourmet Experience” com o festejado chef Felipe Bronze (restaurante Oro, Rio). Será no Iate Clube, dia 15, a partir das 19h30.

• Pensando bem…
…o PT vai mudar de número se 13 condenados do mensalão forem presos no próximo dia 13.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

O caderno - Chico Buarque

O vento no canavial - João Cabral de Melo Neto.

Não se vê no canavial
nenhuma planta com nome;
nenhuma planta maria,
planta com nome de homem.
É anônimo o canavial,
sem feições, como a campina;
é como um mar sem navios,
papel em branco de escrita.
É como um grande lençol
sem dobras e sem bainha;
penugem de moça ao sol,
roupa lavada estendida.
Contudo há no canavial
oculta fisionomia:
como em pulso de relógio
há possível melodia,
ou como de um avião,
a paisagem se organiza,
ou há finos desenhos nas
pedras da praça vazia.
Se venta no canavial
estendido sob o sol
seu tecido inanimado
faz-se sensível lençol,
se muda em bandeira viva,
de cor verde sobre verde,
com estrelas verdes que
no verde nascem, se perdem.
Não lembra o canavial
então, as praças vazias:
não tem, como têm as pedras,
disciplina de milícias.
É solta sua simetria:
como a das ondas na areia
ou as ondas da multidão
lutando na praça cheia.
Então, é da praça cheia
que o canavial é a imagem:
vêem-se as mesmas correntes
que se fazem e desfazem,
voragens que se desatam,
redemoinhos iguais,
estrelas iguais àquelas
que o povo na praça faz.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

OPINIÃO DO DIA – José Serra: candidatíssimo

“Sou candidatíssimo a continuar batalhando pelo país, analisando o que está acontecendo e fazendo propostas. Questões eleitorais, de candidatura, são coisas para o ano que vem. Ainda tem muita coisa para acontecer. É tudo muito cedo e, aliás, o inesperado já mostrou a sua presença nesta aliança, que foi uma novidade completa, da Marina Silva com o Eduardo Campos.”

José Serra, ex-prefeito e ex-governador de S. Paulo. In Entrevista. Zero Hora, 10/10/2013

Brasil grande: País volta a ter maior taxa de juro real do mundo

BC eleva Selic para 9,5% mesmo com inflação menor.

Para analistas, decisão do Banco Central mira controle do custo de vida em 2014, quando haverá eleições. Em 12 meses, acumulado ficou abaixo de 6%.

Apesar do recuo da inflação em 12 meses para 5,86%, abaixo de 6% pela primeira vez este ano, a diretoria do Banco Central decidiu, por unanimidade, subir a taxa básica de juros de 9% para 9,5% ao ano, na quinta alta seguida. Com isso, o Brasil volta a ter o maior juro real (acima da inflação) do mundo, com 3,5%, o que não acontecia desde abril de 2012. Segundo analistas, o objetivo seria controlar a inflação em 2014, ano de eleição.

Inflação cai, e BC eleva juro

IPCA recua para 5,86%, mas Selic sobe para 9,5%. Brasil volta a ter a maior taxa real do mundo

Gabriela Valente e Roberta Scrivano

No mesmo dia em que a inflação medida pelo IPCA em 12 meses recuou para 5,86%, patamar abaixo de 6% pela primeira vez este ano, o Banco Central (BC) decidiu aumentar os juros pela quinta vez seguida. Atento aos riscos de os índices de preços continuarem num patamar alto em 2014 — ano eleitoral — o BC elevou a taxa básica (Selic) de 9% para 9,5% ao ano. Com a medida, o país volta a ter o juro real mais alto do mundo, de 3,5%, segundo levantamento do economista Jason Vieira, à frente de Chile e China. Desde abril do ano passado, o país não ocupava o primeiro lugar na listagem. A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) foi tomada depois de o governo começar a ajustar o discurso político para justificar o abandono da bandeira dos juros baixos. A cúpula do BC também indicou que a taxa pode subir mais e deixou o caminho aberto para a Selic voltar à casa dos dois dígitos ainda neste ano.

Essa foi a leitura feita pelos economistas do mercado financeiro do comunicado publicado após a reunião. O texto enxuto foi exatamente o mesmo divulgado nos três encontros anteriores do comitê. Nele, os diretores do BC afirmam que a decisão mira no controle de preços no ano que vem.

"O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano" diz a nota. Para os economistas, esse é um sinal de que o Palácio do Planalto diminuiu a interferência no trabalho do Banco Central por entender que a inflação alta pode representar um perigo político ainda maior do que a fragilidade do crescimento.

— O discurso político está sendo ajustado de olho nas eleições de 2014. Vão deixar claro que elevar os juros para dois dígitos não é retrocesso, mas uma ação conjuntural para manter conquistas — frisou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Para o economista-chefe da Asset Votorantim, Fernando Fix, é cedo para mudar o cenário original: juros básicos em 9,75% ao ano no fim de 2013. Essa é a aposta da maioria dos analistas.
— Não seria recomendável declarar vitória (no combate à inflação) neste período — disse.

Segundo analistas, havia argumentos para indicar que os juros não continuariam a subir no mesmo ritmo. A economia não voltou a crescer na velocidade desejada. O dólar caiu e pressionará menos
a inflação no Juturo, e a incerteza em razão do possível calote da dívida dos EUA embaralha de vez as previsões. De outro lado, o BC tem dito que o mais importante é ancorar expectativas de consumidores e empresários. E as apostas para a inflação no ano que vem são altas. O próprio BC espera que o IPCA feche o ano em 5,8%. E projeta taxa de 5,7% para 2014. A meta anual é de 4,5% com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais.

— É um desafio muito grande entrar no ano que vem corn previsão de inflação alta e uma i pressão forte que vem dos preços administrados — ponderou o ex-secretário do Tesouro Nacional Carlos Kawall.

FiRJAN e FIESP criticam decisão

O economista referiu-se ao prometido aumento de gasolina e às perspectivas de alta de tarifas de trans-j portes. Nas projeções de Kawall, o BC deve começar 2014 com mais altas de juros. Ele aposta em dois aumentos de 0,25 ponto percentual nas duas primeiras reuniões do Copom. Com isso, a Selic chegaria a 10,5% ao ano.

A ata da reunião de agosto já indicava maior preocupação com a inflação. Vários trechos destacavam seus efeitos na economia: aumento de riscos, depressão de investimentos, encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos e deterioração da confiança de empresários. Além disso, ressaltava que inflação alta subtrai poder de compra de salários e de transferências, diminui o consumo, reduz o potencial de crescimento da economia e geração de empregos e de renda.

Entidades empresariais e sindicais criticaram a decisão do BC. Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) a alta foi equivocada e o ciclo de aperto monetário deve ser encerrado. Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), avalia que o novo aumento prejudica um momento propício à retomada da atividade econômica,

— É hora de baixar os juros e aumentar o investimento público em concessões, para voltarmos a crescer — disse Skaf.

Fonte: O Globo

Réus do mensalão podem cumprir pena este ano

Presidente do STF diz que tradição é encerrar julgamento após recurso

Carolina Brígido

BRASÍLIA- Pelo menos 13 dos 25 condenados no processo do mensalão já podem começar a cumprir a pena este ano. Ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, explicou que é tradição na Corte decretar o trânsito em julgado, ou seja, encerrar um processo, depois da análise dos segundos embargos declaratórios. Esse recurso serve para esclarecer pontos dúbios do julgamento. Com o fim da ação penal, só restaria ao j tribunal mandar prender os condenados que não tenham direito aos embargos infringentes, o recurso que pode dar um novo julgamento a outros 12 dos 25 condenados. A expectativa é que os segundos embargos sejam analisados ainda em outubro.

— Essa é a tradição do tribunal — disse Barbosa, sobre o trânsito em julgado ao fim dos segundos embargos.

Nessa hipótese, pode haver prisões no mensalão ainda este mês. O presidente afirmou, contudo, que caberá ao plenário decidir quando as prisões serão decretadas:

— Quem decide é o colegiado.

Em junho, o STF analisou os segundos embargos de declaração do deputado Natan Donadon (sem partido-RO). O recurso foi negado, foi decretado o fim do processo e o tribunal mandou prender o réu.

Mais cedo, em um evento no Congresso Nacional sobre o 25º aniversário da Constituição Federal, Barbosa avisou que conversaria com os demais ministros sobre as prisões. Mas não disse quando faria isso. Ontem, ele embarcou para a Itália, onde representará o tribunal em um evento em Veneza. Barbosa só estará de volta à Corte na próxima segunda-feira.

— Vamos ver, vamos ver. Vou conversar lá com os colegas para saber o que fazer — afirmou o presidente.

O ministro Gilmar Mendes concordou que as prisões sejam discutidas com os colegas. Ele espera que o caso seja solucionado logo.

— Vamos aguardar agora a submissão dessa matéria ao plenário, eventualmente por iniciativa do relator, para que nós tenhamos uma definição. Devemos ver se, de fato, haverá esses segundos embargos e certamente o relator vai provocar uma questão de ordem — declarou Mendes. — Imagino que não vai demorar muito tempo para uma definição. O processo tem que andar pra frente.

Marco Aurélio também defende prisão

Mendes explicou que o plenário também terá de decidir se mesmo os condenados com direito a embargos infringentes poderão começar a cumprir pena antes do julgamento do último recurso. Isso porque, em alguns casos, os infringentes teriam o poder de diminuir a pena em pouco tempo, deixando os condenados ainda com muitos anos a cumprir atrás das grades.

— Vejam, por exemplo a situação do réu Marcos Valério. Ele tem um cumulado de penas e, salvo engano, dois anos da quadrilha. Só esta parte está suscetível de embargos infringentes. Então, isso tem que ser analisado, talvez seja expletivo de todo esse dilema — disse.

O ministro Marco Aurélio Mello defende as prisões depois do julgamento dos segundos embargos declaratórios, mesmo que o réu ainda tenha direito aos embargos infringentes. Nesse caso, o condenado começaria a cumprir as penas referentes aos crimes que não serão mais alvo de recurso.

Fonte: O Globo

Com Dilma em ‘fase de beijos’, ministro vai ao ataque contra Marina e Campos

Sucessão 2014. Enquanto presidente evita falar em público sobre acordo que une ex-ministra do Meio Ambiente e governador de Pernambuco, Paulo Bernardo, titular das Comunicações, questiona competitividade da chapa e diz que no Brasil 'ninguém vota em vice'

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura

BRASÍLIA - Enquanto Dilma Rousseff evita comentar em público a aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos e pede respeito à ex-ministra do Meio Ambiente em reuniões privadas com aliados, seus auxiliares e correligionários iniciaram nessa quarta-feira, 9, uma ação para minar a dupla que se uniu pelo projeto presidencial do PSB.

A estratégia consiste em mostrar as contradições da união da ex-ministra com o governador de Pernambuco. A aposta dos petistas é que haverá uma disputa entre os dois pela vaga de cabeça de chapa na campanha ao Palácio do Planalto no ano que vem.

Coube ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, fazer nessa quarta a mais crítica declaração do governo até agora contra a parceria de Marina com Campos. "Não sei se a chapa é competitiva. Ela (Marina) acrescenta para ele (Campos), mas se você for pensar, se ela for vice, no Brasil ninguém vota por causa do vice", afirmou o ministro logo após deixar reunião com Dilma no Palácio do Planalto ontem.

"As pessoas votam no candidato. Precisamos saber quem vai ser o candidato, porque hoje, nos jornais, ela tá falando claramente que pode ser candidata. Temos de observar isso com tranquilidade: vai ser o Eduardo com a Marina de vice, ou vai ser a Marina com o Eduardo de vice, ou vai ser um dos dois candidatos sem o outro como vice?"

Bernardo disse ainda que ambos, por articularem uma candidatura contrária ao PT, mudaram o discurso - Marina foi ministra do Meio Ambiente de Lula e Campos, da Ciência e Tecnologia, também na gestão do ex-presidente. Para o ministro, a aliança anunciada no sábado passado aumentou as chances de Dilma vencer a eleição do ano que vem ainda no 1.º turno.

"Eles tiraram pelo menos um candidato. Se tiraram a Marina, significa tirar uma candidata que tinha mais de 20 pontos (de intenção de voto) nas pesquisas. Não podemos supor que todos esses 20% vão migrar para o Eduardo Campos, com certeza a presidente Dilma vai receber um porcentual disso", disse.

Horas depois da reunião com o ministro, Dilma esteve no Congresso. Questionada sobre Marina e Campos, respondeu: "Hoje estou na fase dos grandes beijos". Na segunda-feira, disse em reunião de líderes que a parceria de Marina com Campos deveria ser tratada com precaução. "Marina não é qualquer pessoa", afirmou, segundo aliados.

Petistas. No mesmo evento do Congresso em que Dilma disse estar na "fase dos grandes beijos", os petistas repetiam as críticas de Bernardo. "Em eleição, dois mais dois não é quatro: a redução do número de candidatos fortalece quem está no governo", afirmou o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE).

"Os votos tendem a se pulverizar, é uma aliança que vai para a direita", disse o petista, lembrando a adesão ao PSB de Paulo Bornhausen, filho do ex-senador Jorge Bornhausen, e do ex-senador Heráclito Fortes (PI), ambos do antigo PFL, adversário histórico do petismo.

'Conservadores'. O secretário-geral do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), afirmou que a aliança tem incoerências que decepcionaram os militantes da Rede - partido que teve o registro negado por falta de assinaturas - e que não garantirão a transferência de votos de um para o outro. "Há um descontentamento da militância da Rede. Ele (Campos) trouxe setores muito conservadores para o partido", disse o petista, segundo quem o posicionamento do PSB em temas ambientais, como na votação do novo Código Florestal, tende a afastar os eleitores que apoiaram Marina nas eleições de 2010.

As falas coincidem com a tese dos assessores mais próximos de Dilma, como o marqueteiro João Santana, para quem a presidente poderá aparecer nas próximas pesquisas ainda mais bem colocada do que antes do fechamento da aliança do PSB.

Para alguns assessores do Planalto, há chance de as intenções de voto apontarem vitória no 1.º turno. A melhora nas pesquisas, apostam petistas, poderá ajudar o governo na negociação com os partidos aliados no Congresso Nacional, um dos principais gargalos do Planalto. Outro efeito, afirmam, pode ser o maior poder de sedução do PT para atrair outras legendas ainda sem aliança para a eleição do ano que vem.

Colaboraram Débora Bergamasco e Ricardo Della Coletta

Fonte: O Estado de S. Paulo

Para ex-ministra, atual governo põe em risco legado de FHC

Marina diz que presidente vai bem ao manter conquistas sociais, mas patina na estabilidade econômica

Eduardo Bresciani e Daiene Cardoso

BRASÍLIA - A ex-ministra Marina Silva afirmou nesta quarta-feira, 9, que a presidente Dilma Rousseff tem dificuldade de manter a estabilidade econômica alcançada no governo Fernando Henrique Cardoso. A nova colega de partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou que um dos principais objetivos da aliança recém-fechada é manter essa estabilidade, além de conservar o legado social do sucessor do governo tucano, o petista Luiz Inácio Lula da Silva.

As declarações foram dadas após ela participar de reunião da comissão executiva provisória da Rede, partido cuja criação foi rejeitada por falta de assinaturas, fato que a fez aderir ao PSB de Campos e ao seu projeto presidencial do ano que vem.

Questionada sobre se não havia nada a manter do governo Dilma, a ex-ministra afirmou: "Eu acho que a presidente Dilma manteve as conquistas do governo do presidente Lula e está manejando a dificuldade de manter a conquista da estabilidade econômica e eu espero sinceramente que ela consiga evitar que tenhamos retrocesso em relação a essa questão.

O presidente Fernando Henrique tem uma marca: a estabilidade econômica. O presidente Lula tem uma: a inclusão social. A presidente Dilma precisa deixar sua marca e torço para que ela deixe, não a marca do retrocesso na área ambiental. Não torço pelo quanto pior melhor".

Marina atribuiu o acordo com Campos à disposição dele de incorporar as ideias defendidas pela Rede à plataforma que defenderá nas próximas eleições. "Acho que a candidatura do Eduardo Campos sinalizou que precisa das ideias e das propostas da Rede Sustentabilidade, e foi isso que nós nos dispomos a fazer, esse encontro de ideias. Vamos aprofundar esse programa e temos consciência de que suscitamos no Brasil a manutenção da esperança de que não vai ter a polarização PT-PSDB e que uma terceira via tem a possibilidade de se constituir", afirmou a ex-ministra.

A ex-senadora também comentou as negociações para a formação dos palanques regionais. Ela disse que o limite para a aliança, nacional e nos Estados, é a "coerência". Questionada se o PV, partido pelo qual foi candidata à Presidência, mas depois abandonou por causa de disputas internas, poderia ser um aliado, respondeu de forma positiva. "Não saí do PV por causa do programa, mas por causa da democracia interna. O programa é inspirado na luta pela sustentabilidade e é próximo do nosso."

Fonte: O Estado de S. Paulo

Campos e Marina agem contra crise

Eduardo Campos e Marina Silva atuaram ontem para tentar desfazer a tensão entre seus aliados, depois de críticas da ex-senadora a apoiadores do governador de Pernambuco. Eles também mantiveram dúvidas sobre qual dos dois vai liderar a chapa presidencial na eleição do ano que vem.

Ruídos na aliança

Declarações de Marina afastam aliados, e Campos deixa dúvida sobre cabeça de chapa

Chico de Gois

BRASÍLIA- De forma separada, mas com objetivo comum, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a ex-senadora Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, procuraram ontem desfazer o clima de crise criado com as críticas que ela fez a alianças que estavam em andamento por parte da direção do PSB nos estados. Eles mantiveram também dúvidas sobre qual dos dois vai liderar a chapa presidencial na eleição do ano que vem. Em entrevista ao GLOBO publicada ontem, Marina criticou abertamente uma união entre o partido de Campos e o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado, afirmando que, para a Rede, não há lugar para um inimigo histórico dos trabalhadores sem terra.

Pela manhã, Campos procurou desanuviar a tensão, mas acabou gerando outro mal-estar, desta vez com o próprio Caiado. Em entrevista à Radio CBN, o pré-candidato a presidente negou que o PSB estivesse negociando uma aliança com o líder do DEM, o que provocou a ira dos representantes do agronegócio no Congresso, que afirmaram que, deste jeito, será impossível o apoio a Campos em 2014.

— Não há aliança com o Ronaldo Caiado desse conjunto do PSB e da Rede. Existe um quadro em Goiás, de um conjunto de partidos na oposição ao PMDB e ao PSDB que vinham discutindo, e que, claro, com a aliança PSB-Rede, isso vai mudar o curso do debate na política nacional e nos estados — declarou Campos.

Integrantes da cúpula do PSB admitem que será mais fácil interromper um entendimento com Caiado, que, dizem, não está ainda amarrado, do que desfazer uma aliança já consolidada com a família Bornhausen, em Santa Catarina. O deputado Paulo Bornhausen foi empossado como presidente do diretório do PSB no estado pelo próprio Eduardo Campos. No caso de Caiado, dizem, o que há, por enquanto, é só uma possibilidade de aliança com o candidato do PSB ao governo de Goiás, Vanderlan Cardoso.

— As declarações de Marina, em relação a Caiado, vão facilitar para o PSB explicar o novo momento que o partido vive. Não tem nada acertado ainda com ele — disse o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, indicado pelo partido para discutir com integrantes da Rede como serão feitas as coligações estaduais e o programa conjunto da coligação.

Ex-senadora cobra coerência

Depois de provocarem a ira de representantes do agronegócio no Congresso, Marina e Campos : voltam a se encontrar hoje, em São Paulo, com integrantes do setor produtivo. Ela vai apresentar o pré-candidato do PSB aos empresários que vêm apoiando a Rede, entre eles Neca Setúbal, do banco Itaú, e o pessoal da Natura. Será uma forma de demonstrar que o partido de Marina tem apoio entre os empresários também, embora não seja bem vista pelos ruralistas.

Marina, por sua vez, embora não tenha voltado a rechaçar abertamente uma suposta união entre o PSB e Caiado, afirmou, em entrevista coletiva, que é necessário ter coerência.

— O limite é o limite da coerência. Agora, o limite da coerência a Rede vai discutir e o próprio PSB também vai discutir, porque eles vão procurar agir de acordo com sua coerência — afirmou a ex-senadora, lembrando que o partido de Eduardo Campos tem história e foi comprometido com a redemocratização do país, mas evitando comentar que o PSB atraiu para seus quadros ex-filiados do DEM, como os ex-senadores Jorge Bornhausen (SC) e Heráclito Fortes (PI).

— O esforço que estamos fazendo é perfeitamente compatível com as nossas coerências. O limite para qualquer empreitada deve ser a manutenção da coerência. Foi isso que aconteceu quando fizemos a escolha de conversar com o PSB. A coerência. Quem é a pessoa, qual é o partido que guarda coerência para que possamos fazer este gesto? É o partido que vem das lutas democráticas, da defesa da democracia, da luta do povo brasileiro; é um jovem líder que está surgindo, que tem todo tempo pela frente para construir, preservar sua experiência política.

Apesar de falar em limites, a ex-senadora fez questão de dizer que caberá ao PSB fazer as discussões que achar conveniente para definir cenários nos estados.

— O PSB vai tratar das questões internas que entenda que deva tratar. Só coloquei qual é o limite da Rede Sustentabilidade como termo de referência para nossa discussão. Obviamente, que o que vai ser feito desse limite será uma avaliação no tempo adequado ao processo do PSB, porque eles estavam num processo anterior.

Marina também declarou que, no momento, só há uma candidatura presidencial possível na aliança: a de Eduardo Campos. E que sua candidatura foi descartada pelos cartórios eleitorais, que não atestaram a validade das assinaturas para a legalização da Rede. Mas sua candidatura não parece descartada, embora Marina tenha dito o seguinte:

— Só tem uma posição na chapa: a do Eduardo, que está posta, e a Rede foi conversar com ele já tratando isso como um fato.

Eduardo Campos, por sua vez, não quis responder, na entrevista à CBN, se poderá abrir mão da candidatura caso Marina continue à frente nas pesquisas eleitorais. Mas disse que hão haverá problema na discussão desta questão no ano que vem:

— Nós não vamos ter nenhum problema em decidir chapa em 2014. Está redondamente enganado quem imaginar que existe essa contradição aqui dentro. Pelo contrário. Existe uma grande unidade entre PSB e Rede, entre a minha posição e a posição de Marina. O que nos desafia neste momento é a gente aprofundar o debate sobre uma plataforma a ser apresentada ao país e nós vamos estar muito juntos, sintonizados em tomo de um programa para vencer essa coisa do bipartidarismo.

Ataques também a Dilma

Campos acusou os adversários de tentarem minar a parceria entre o PSB e a Rede:

— Aqueles que estão incomodados com o surgimento de uma aliança que voltou a animar a política brasileira procuram de todas as formas, até meio desesperadas, tentar atrapalhar essa construção. Uma é imaginar que vão me jogar contra a Marina, ou a Marina contra mim, o que é completamente impossível.

Comparando a gestão da presidente Dilma Rousseff com a de seus antecessores — Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Marina afirmou que o tucano deixou como marca a estabilização monetária, e Lula, a inclusão social. Mas Dilma, no entendimento dela, ainda não tem uma marca:

— A presidente Dilma precisa deixar sua marca e torço para que ela consiga e que a marca não seja a do retrocesso na questão socioambiental.

(Colaboraram Maria Lima e Cristiane Jungblut)

Fonte: O Globo

Nome que estará na urna é Eduardo Campos, diz PSB

PSB reage a Marina e diz que candidato em 2014 é Campos

Partido tenta evitar crise após ex-senadora rejeitar definição de chapa agora

Declaração de líder da Rede constrange aliados do governador; divergências nos Estados se acentuam

Ranier Bragon, Natuza Nery

BRASÍLIA - Um dia depois de a senadora Marina Silva afirmar em entrevista à Folha que tanto ela quanto o governador Eduardo Campos são "possibilidades" para 2014, integrantes do PSB afirmaram que o nome que aparecerá na urna no dia 5 de outubro de 2014 como o candidato do partido à Presidência será o de "Eduardo Henrique Accioly Campos".

"Não tem isso de discutir lá na frente posição na chapa. A candidatura posta é a de Eduardo e ela vai até o dia da eleição. A cabeça de chapa se chama Eduardo Henrique Accioly Campos e esse será o nome na urna no dia da eleição", afirmou o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira.

Um dos congressistas que participaram da articulação para a aliança Campos-Marina, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também negou a possibilidade de que o governador possa vir a ceder a vaga a Marina, a depender das circunstâncias.

"Os que apostarem em uma disputa entre Eduardo e Marina vão perder. Não tenho nenhuma dúvida de que a Marina fez opção pela candidatura do Eduardo, e essa candidatura vai até o fim."

Ontem, Marina reclamou do destaque dado à sua declaração e disse que falava só em possibilidades para o Brasil, mas voltou a se negar a responder diretamente se descarta a sua postulação.

Apesar de reconhecerem o constrangimento, integrantes do PSB dizem, nos bastidores, que Marina não deixará clara agora a sua possível desistência de concorrer ao Planalto por dois motivos: risco de desmobilização na Rede, o partido que ela tentou criar, mas foi barrado pela Justiça Eleitoral, e possibilidade de que Campos vire o foco principal dos adversários.

De acordo com o Datafolha, Marina tem 26% das intenções de voto contra 8% de Campos, o que leva militantes da Rede a defender que ela seja a cabeça de chapa.

Anunciada no último sábado, a aliança entre Campo e Marina representou o lance mais surpreendente da corrida ao Planalto e teve o objetivo de criar uma terceira via contra as candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).

A ameaça tácita de possível "inversão" de papéis na chapa é só um dos potenciais curtos-circuitos que já surgiram após o anúncio da aliança.

Nos Estados, há chances reais de que Rede e PSB caminhem em lados distintos. Em São Paulo, o PSB tendia a apoiar a reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB), mas integrantes da Rede já passaram a defender o nome do deputado federal Walter Feldman, "marineiro".

Em Goiás, a ex-senadora "vetou" publicamente a aliança do PSB com o deputado ruralista Ronaldo Caiado (DEM).

No Distrito Federal, Marina anunciou apoio à pré-candidatura do deputado federal Reguffe (PDT), apesar de o PSB também ter um nome para a disputa, o de Rollemberg.

"O Reguffe trabalhou pela criação da Rede, e é natural que ela manifeste preferência por ele", disse o senador.

Em entrevista ontem, Marina disse que o limite para os acertos com o PSB nos Estados será a "coerência".

Fonte: Folha de S. Paulo

Serra diz que é cedo para PSDB se decidir

Flávio Ilha

PORTO ALEGRE- O ex-governador de São Paulo José Serra aproveitou ontem uma declaração do colega de partido e senador Aécio Neves (MG) para alimentar mais uma vez seu desejo de concorrer à Presidência da República pelo PSDB. Em Porto Alegre, em reunião com empresários e líderes políticos, fez um discurso de candidato, recheado de críticas à atual administração federal, e disse que, após a aliança PSB-Rede, o quadro eleitoral do país ficou indefinido:

— As coisas estão bastante indeterminadas e realmente não há pressa para isso (anunciar candidaturas presidenciais). É muito difícil traçar um rumo neste momento. Nesse sentido, estou na expectativa e analisando também. Mas o PSDB deixou claro, o próprio Aécio Neves declarou isso mais de uma vez, que essa vai ser uma decisão para ser tomada em março, a partir de março — afirmou.

No último dia 30, Serra anunciou que ficaria no PSDB. Ele disse ontem não crer que a oposição esteja perdendo tempo ao não definir uma candidatura já. Contou que em 1993, menos de um ano antes da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência, o candidato preferencial do campo tucano-peemedebista era o então ministro da Previdência Social, Antônio Britto.

Segundo Serra, a antecipação do debate eleitoral "virou uma doença, cujo primeiro vírus foi inoculado pelo Lula"

Convidado pela Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul) para falar sobre economia, citou dez problemas que o próximo presidente terá de resolve — entre eles "questões graves" em Saúde, Educação e contas externas — e listou gargalos de infraestrutura. Disse que, se tivesse vencido a eleição em 2010, teria enfrentado essa questão com "competência" e "planejamento":

— Posso garantir que aquela maioria que o Rio Grande me deu (em 2010) ia ficar plenamente realizada. Nada disso teria sido assim, se a vontade do Rio Grande tivesse sido a do país naquele momento.

Críticas também a oposição

Serra classificou o programa Mais Médicos de "cortina de fumaça" para o governo não enfrentar a falta de investimentos públicos no setor Criticou a implantação do trem-bala entre Rio e São Paulo, projeto defendido pela presidente Dilma Rousseff.

O tucano afirmou que esse trem "não terá passageiros" e frisou que os R$ 70 bilhões previstos para o projeto seriam suficientes para construir metrôs nas principais metrópoles brasileiras.

Também atribuiu ao "decênio petista" no poder a partidarização do Estado, que provocou, segundo ele, um comércio de filiações e troca-troca de partidos nunca visto na política brasileira. Para Serra, tempo de TV e fundo partidário viraram mercadoria na política nacional:

— Isso é um acinte à nossa democracia, mas não aconteceu a partir do zero. De alguma maneira, o governo tem sido cúmplice dessas distorções — afirmou.

O ex-governador, que por duas vezes disputou a Presidência também não poupou a oposição. Reconheceu que é muito difícil ser oposicionista no Brasil, quando o governo tem maioria no Congresso, e que não surgiu um nome capaz de galvanizar as mudanças que a população exigiu nas manifestações este ano:

— Se você me perguntasse se a oposição merece nota 100, eu diria que não. E não estou me excluindo, não.

Fonte: O Globo

Ainda sem jogar a toalha

José Serra diz que o PSDB "não tem pressa" para indicar o nome do partido que disputará a Presidência. 

Definição deve ocorrer em março

Alice Maciel

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) afirmou ontem que o rumo de seu partido nas eleições presidenciais no ano que vem será definido em março e não descartou a possibilidade de sair candidato ao Planalto. "As coisas estão bastante indeterminadas e realmente não há pressa para isso (anunciar candidaturas majoritárias para 2014). É muito difícil traçar um rumo neste momento. Nesse sentido, estou na expectativa e analisando também. Mas o PSDB deixou claro, o próprio (presidente da sigla e senador) Aécio Neves declarou isso mais de uma vez, que essa vai ser uma decisão para ser tomada em março", disse.

Em tom de campanha, o tucano, que participou de reunião com empresário e lideranças políticas em Porto Alegre, fez várias críticas à atual administração e disse que, depois da união entre PSB e Rede, anunciada no sábado, o quadro eleitoral do país está indefinido. Serra classificou as trocas de legenda das últimas semanas de "mercado partidário", e culpou a presidente Dilma Rousseff de ser "cúmplice" dessa prática.

Serra defendeu que a oposição trabalhe de maneira integrada para que o projeto de retirar os petistas do poder se concretize, mas não quis comentar eventuais acordos entre seu partido e a força política nascida da união da Rede de Marina Silva com o PSB, de Eduardo Campos. "Eu sempre disse que trabalharia para que houvesse uma alternativa capaz de derrotar o PT e oferecer ao Brasil uma mudança de rumo. Mas não avalio quem poderá fazer isso, tanto no PSDB quanto na oposição como um todo", ponderou. "A oposição não merece nota 100 — não estou me excluindo disso —, mas não tem sido fácil ser oposição, minoria", acrescentou.

Convidado pela Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul) para falar sobre economia, o ex-governador citou 10 problemas que o próximo presidente terá de resolver a partir de 2015 — entre eles, questões nas áreas da saúde, da educação e as contas externas — e também listou gargalos de infraestrutura que a atual gestão federal prometeu solucionar e que, de acordo com ele, "nunca passaram do anúncio".

José Serra ainda chamou o Mercosul de "bobagem", defendeu que o país reveja a participação no bloco econômico e disse que o governo federal faz "fru-fru" com a Bolívia. "A verdade é que a nave da economia brasileira não está subindo nem descendo, mas tem um viés para baixo, não está indo bem."

Fonte: Correio Braziliense

Para Serra, governo foi 'cúmplice' do 'comércio partidário'

Naira Hofmeister

O ex-governador José Serra (PSDB) disse ontem, em Porto Alegre, que o governo Dilma Rousseff foi "cúmplice" do troca-troca partidário no Congresso. "Fundo Partidário e tempo de TV viraram mercadorias. Isso é uma síntese da nossa democracia, a política está cada vez mais distante daquilo que o Brasil precisa", afirmou. "Não me lembro de um comércio, de um troca-troca com as características das deste último mês."

Para o tucano, a cláusula de barreira, derrubada pelo Supremo Tribunal Federal, poderia evitar esse problema. "O fato é que o governo não se dispôs a dar batalha: embora não possa mexer na Constituição, suas ideias e posições têm influência. Então, de certa maneira, o governo é cúmplice desta distorção."

Serra reiterou que a definição do nome tucano para a disputa pela Presidência ocorrerá apenas em março do ano que vem.

Fonte: O Estado de S. Paulo