segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Bruno Carazza* - O voto também está mais caro em 2022

Valor Econômico

Fundão turbinou custo nas campanhas deste ano

Nos últimos anos nos acostumamos a analisar cada postagem dos políticos no Twitter e no Facebook, assim como seus vídeos no YouTube, Instagram e TikTok. Mas não há nada igual à boa e velha reportagem de campo, aquela em que o jornalista segue cada passo do candidato no corpo-a-corpo com o eleitor.

Presidente da Câmara e líder do Centrão, posições que lhe permitem manobrar votações e controlar a distribuição de verbas do orçamento, cada declaração de Arthur Lira (PP-AL) em Brasília repercute no meio político e no mercado.

O repórter Raphael di Cunto, do Valor, porém, mostrou uma face diferente do todo-poderoso Arthur Lira que estamos habituados a acompanhar pela TV. O jornalista passou uma semana viajando por Alagoas, cobrindo carreatas, entrevistas a rádios e dezenas de almoços e jantares com prefeitos em apoio à reeleição de Lira.

Sergio Lamucci - Os problemas do Auxílio Brasil

Valor Econômico

O desenho malfeito e a expansão sem planejamento do programa têm causado problemas para a principal política de transferência de renda do país

O desenho malfeito e a expansão sem planejamento do Auxílio Brasil têm causado problemas para a principal política de transferência de renda do país, além de gerar incertezas sobre as contas públicas. O programa que sucedeu o Bolsa Família recebe críticas de especialistas principalmente pelo fato de destinar um valor fixo por família, a despeito do número de integrantes. Isso provoca estragos no Cadastro Único, o banco de dados usado numa série de programas sociais.

O governo de Jair Bolsonaro também atropelou regras fiscais para elevar o valor do benefício e o total de famílias atendidas. A mais recente manobra foi por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Kamikaze, aprovada em julho. Com a medida, o Auxílio Brasil subiu de R$ 400 a R$ 600, além de terem sido instituídos o bolsa caminhoneiro e o auxílio taxista. A PEC foi o mais recente drible no teto de gastos, com o objetivo de tentar melhorar a qualquer custo a popularidade do presidente, afetada em especial pela inflação alta.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

PRF se tornou modelo de polícia do bolsonarismo

O Globo

Corporação que deveria patrulhar estradas vira protagonista de chacinas e investigações de caráter duvidoso

Na antológica reunião ministerial do dia 22 de abril de 2020, o presidente Jair Bolsonaro, ao seu jeito, reclamava que os serviços de inteligência não lhe forneciam informações para proteger família e amigos. Anunciou que faria mudanças. Desde então, houve denúncias de interferência dele na Polícia Federal (PF) e de uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em benefício de seus familiares. Mas foi na Polícia Rodoviária Federal (PRF) que Bolsonaro e seus filhos encontraram o braço policial e de inteligência com que sonhavam.

Uma reportagem da revista piauí narra em detalhes a progressiva transformação da PRF. De uma polícia dedicada ao patrulhamento de rodovias federais, ela se tornou uma corporação a serviço do bolsonarismo, cuja tropa de elite passou a investigar e combater crimes fora das estradas, com envolvimento em operações policiais e chacinas elogiadas nas redes sociais pelo clã Bolsonaro. É um assunto que, pela gravidade, precisa ser investigado pelo Congresso, pelo Ministério Público e demais autoridades competentes.

Poesia | Fernando Pessoa - Quadras ao gosto popular

 

Música | Chico César - Bolsominions

 

domingo, 18 de setembro de 2022

Luiz Sérgio Henriques* - Compromisso histórico à brasileira

O Estado de S. Paulo

O nacional-populismo prospera sobretudo à direita, mas convém evitar a húbris: há na praça versões à esquerda, que só incautos ignoram.

Nestas últimas décadas, nem mesmo a mudança tumultuosa da estrutura do mundo a que, atônitos, assistimos pôde cancelar fatos paradigmáticos do passado, particularmente quando redefiniram modos de ser e de pensar a política. Nos anos 1960 ou 1970, para definir desde logo nosso problema, costumava estar na ordem do dia algum tipo de transição ao socialismo, entendido este último, teleologicamente, como a parada final do trem da História.

No Chile de Allende, por exemplo, a aposta era seguir viagem pelo caminho das eleições, do Parlamento e demais instituições que muitos de nós, mal-avisados, chamávamos “burguesas”. O contexto, porém, era o da guerra fria, e para adeptos do “realismo político”, como Nixon e Kissinger, uma segunda Cuba nas Américas era algo impensável, ainda quando viesse não pela “luta armada”, o voluntarioso lema da época. A decisão de derrubar Allende viu-se facilitada pelo seu isolamento tanto no Congresso quanto no eleitorado: a maioria relativa de que dispunha não era suficiente para vencer as dificuldades políticas e econômicas da transição. Para não falar da ferocidade com que a direita militar armava o golpe de 1973, neste fatal mês de setembro – bem ao estilo da época.

Cristovam Buarque* - Voto de Responsabilidade

Blog do Noblat / Metrópoles

Será melhor para o Brasil decidir a eleição logo no dia 02 de outubro

Em 2006, disputei a eleição presidencial. Junto com Heloisa Helena, tivemos os votos que forçaram o segundo turno entre Lula e Alckmin, com propostas diferentes para o governo, mas com intenções parecidas para o futuro do país. Desta vez, um segundo turno será com um candidato sem compromisso com a verdade, com a democracia, com a ciência, com os pobres, nem com os doentes. Por isto, tudo indica que será melhor para o Brasil decidir a eleição logo no dia 02 de outubro. Não se retrata de apelar para o voto útil, mas para o voto responsável do eleitor. Cada eleitor deve votar com consciência ideológica, de qual candidato ele considera o melhor, mas também com a responsabilidade de como evitar riscos para o pais, neste momento.

Isto depende, em primeiro lugar, dos próprios eleitores que em 2018 preferiram eleger o atual presidente. Tinham razões que justificavam o voto que deram em 2018. Não o conheciam e estavam indignados com o quadro político naquele ano. Queriam renovação e Bolsonaro, apesar de ser um político profissional medíocre por 26 anos, viciado em práticas corruptas como rachadinhas e sem propostas para o Brasil. Mesmo assim conseguiu encarnar a imagem de ser o contrário aos políticos tradicionais. Agora, vocês sabem que ele é do mesmo time, usa os mesmos métodos e beneficia os mesmos grupos e além disto demonstrou que é irresponsável e despreparado para governar o Brasile representar nosso país no mundo.

Merval Pereira - Coalizão propositiva

O Globo

Agenda ambiental entra definitivamente na pauta das eleições, com a união entre Marina Silva e Lula

A questão ambiental ganhou definitivamente protagonismo na campanha eleitoral com a adesão de Lula a um programa apresentado por Marina Silva em nome do partido Rede Sustentabilidade. Foi o primeiro passo para um governo de coalizão baseado em programas de ação, e não em distribuição de cargos ou benesses fisiológicas.

O mesmo aconteceu recentemente na Alemanha para a formação da nova aliança que dá sustentação ao sucessor de Angela Merkel, o primeiro-ministro Olaf Scholz. A Alemanha será governada pela primeira vez a nível federal por uma coalizão de três partidos, o que já está sendo conhecida como uma "coalizão semáforo", devido às cores dos partidos social-democrata (vermelho), liberal (amarelo) e verde.

O acordo de coalizão prevê mudanças significativas na política ambiental da Alemanha, com grandes investimentos em energias renováveis. Os verdes, o terceiro partido mais votado na eleição de setembro, conquistaram 14,8% dos votos, já o SPD foi o mais votado, com 25,7%, e os liberais ficaram em quarto, com 11,5%. O Partido Verde terá cinco ministérios (Exterior, Economia e Clima, Agricultura, Família, Meio Ambiente).

Elio Gaspari - A rejeição de Bolsonaro

O Globo

Bolsonaro precisa mudar para reduzir a sua elevada taxa de rejeição. Vá lá. Como? Para quê?

Em 2018, o capitão foi eleito numa onda antipetista propondo um governo conservador nos costumes, liberal na economia e independente na política.

Para explicar como armaria sua independência política, prometia basear-se no que chamava de “bancadas temáticas”. Eleito, ele ainda não tinha tomado posse, e o deputado Alceu Moreira (MDB-RS) ensinava:

“Quem disser que sabe qual é o resultado que esse novo modelo produzirá, de duas uma: ou é adivinho ou está mentindo”.

Não havia adivinhos no pedaço, e o modelo foi o de sempre: o governo aninhou-se no colo do Centrão.

O governo liberal na economia fechou o Posto Ipiranga e passou a vender picolés de carestia. Restavam dois temas: o conservadorismo nos costumes e o antipetismo. Conservador não é miliciano, não ofende mulheres e repele atitudes vulgares. Sobrava o antipetismo.

Ele existe, mas foi abalado por dois fatos. Uma foi a transformação da Lava-Jato em poeira pela desmistificação de seus cavaleiros. O juiz Sergio Moro começou prometendo liquidar o arranjo corrupto dos partidos políticos, tornou-se o todo-poderoso ministro da Justiça e Segurança de Bolsonaro e acabou comprando bermudas com dinheiro do Podemos.

Bernardo Mello Franco – A eleição do medo

O Globo

Sete em cada dez brasileiros temem ser agredidos por razões políticas; clima de violência favorece a extrema direita no poder

O bolsonarismo vai mal nas pesquisas, mas já garantiu uma vitória: transformou a eleição da fome na eleição do medo. O debate sobre a carestia perdeu espaço na corrida presidencial. Agora o país discute se o capitão aceitará uma possível derrota, se os militares apoiarão uma tentativa de golpe, se o eleitor poderá votar em paz e segurança.

Sete em cada dez brasileiros temem sofrer agressões por causa de sua opinião política. A informação é do Datafolha, em levantamento encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pela Rede de Ação Política pela Sustentabilidade.

O medo tem razão de ser. Em 60 dias, dois eleitores do PT foram assassinados por bolsonaristas — um a tiros, outro a facadas. Casos de intimidações e ameaças se acumulam pelo país. Jornalistas e funcionários de institutos de pesquisa são hostilizados no exercício de suas funções.

Luiz Carlos Azedo - A violência pode aumentar na reta final do primeiro turno

Correio Braziliense

Na reta final da campanha eleitoral, clube de tiros estão virando comitês eleitorais e muitos de seus integrantes fazem uso ostensivo de suas armas em eventos públicos

A pistola G2C 9mm tem carregadores de 12 munições e uma bala na câmara, para pronto emprego, sendo atualmente a arma compacta de porte velado mais vendida no Brasil. Custa em torno de R$ 3,8 mil no mercado legal de armas e pode ser comprada pela internet, parcelada em até 12 vezes no cartão de crédito. Nos Estados Unidos, custa US$ 200, pouco mais de R$ 1 mil. Quase todo bolsonarista raiz que se preza tem uma arma: as mais populares são as pistolas Taurus da linha G, a arma mais vendida no mundo.

Considerando o repasse da inflação, a receita da Taurus com a venda de armas cresceu 47,4% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Sua participação no mercado brasileiro de armas passou de 21,3%, no primeiro semestre de 2021, para 28,6%. Foram 186 mil armas vendidas no Brasil de janeiro a junho, um aumento de 17,7% em base anual.

Míriam Leitão - Um olhar positivo sobre a Amazônia

O Globo

Projeto Amazônia 2030 apresenta soluções para o desenvolvimento econômico sustentável da floresta, com ganhos em múltiplas áreas para o país e o mundo

O país está chegando ao fim destes quatro anos de governo com a sensação de que está tudo perdido em relação à Amazônia. Porém, o olhar por outro ângulo surpreende. O desmatamento cresceu, mas essa área vazia permite expandir a agropecuária sem derrubar novas árvores. O fim do desmatamento criará enormes oportunidades, e renda, para o Brasil. A população amazônica é mais jovem do que a do resto do país, mas a taxa de desemprego chega a 40% entre 25 e 29 anos. Com um bom projeto, esses jovens podem ser a força propulsora do desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Esse outro olhar, para as chances que ainda temos, está num estudo inédito que a coluna conseguiu de três grandes especialistas. Beto Veríssimo, co-fundador do Imazon, Juliano Assunção, economista da PUC-Rio e diretor do Climate Policy Initiative, e Paulo Barreto, pesquisador do Imazon. O texto se chama “O paradoxo Amazônico” e faz parte do projeto Amazônia 2030, que tem estudado profundamente inúmeros aspectos da região com profissionais de diversas áreas.

Muniz Sodré* - Um medo visceral

Folha de S. Paulo

A esse medo tenta-se contrapor a grotesca exaltação do falo

É antigo o histórico da baixa taxa de natalidade na maioria dos países europeus. Mas notícia recente da Hungria traz uma perspectiva francamente rasteira para o problema.

Na opinião do primeiro-ministro ultradireitista Viktor Orbán e de seu partido, Fidesz, educação muito elevada tornaria as mulheres húngaras superiores aos homens, desestimulando a procriação. Misógino e racista, ele é também inimigo ferrenho da imigração.

Essa questão aparece quando os dirigentes húngaros começam a preocupar-se com a precariedade demográfica nacional, pois a xenofobia institucionalizada é uma barreira prática ao incremento populacional por parte de imigrantes. O ultranacionalismo sonha com húngaros "puros".

Por outro lado, o fato de 82% dos professores serem do sexo feminino é interpretado por Orbán como causa do desinteresse das mulheres pela maternidade. Quanto mais educadas, menos afeitas seriam à execução de tarefas tradicionais como cuidar dos filhos e da casa.

Janio de Freitas - Na má hora de Bolsonaro

Folha de S. Paulo

Medo da derrota nas urnas pode gerar ataque desvairado da criminalidade

1 — O período entre a eleição e a posse está propenso a ser alarmante, mas não por desatinos militarescos. Três meses a mais da matança já em curso de chefes indígenas, invasão das terras de reserva, maior desmatamento, novos e urgentes garimpos ilegais —um ataque desvairado da criminalidade em tempo de aproveitar a licenciosidade que Bolsonaro lhe proporciona, por sua própria criminalidade. A ofensiva apressada pelo medo da derrota eleitoral.

É o que está havendo em grande parte do Brasil, não só na Amazônia. E sem providência alguma nos muitos braços do governo destinados a esses problemas. Onde consta haver ou ter havido algum olhar da Polícia Federal, sempre por apelos desesperados, nada de resultante se registra contra a ilegalidade armada e endinheirada. Nas informações imprecisas, as mortes de chefes indígenas já estão entre sete e dez.

A única maneira de talvez conseguir-se algumas providências é maior atenção da imprensa para as situações agudas, ao menos essas. Não seria generosidade. É um dever historicamente muito mal cumprido pela imprensa. Como se não compreendesse que relegar a dimensão humana e moral do extermínio de indígenas e da exploração ilegal de riquezas públicas é, no mínimo, também conivência com essa criminalidade.

Bruno Boghossian - Momento da decisão

Folha de S. Paulo

Impopularidade do presidente cria barreira para onda de migração de apoio nesse grupo

Qualquer mudança nos ponteiros da corrida presidencial antes do primeiro turno depende do comportamento de um grupo formado por um de cada cinco eleitores. São aqueles que têm candidato ou declaram voto nulo, mas dizem que podem rever a escolha nas próximas semanas.

A conexão de muitos desses eleitores com o voto é relativamente frágil: 45% deles não conseguem apontar um candidato de forma espontânea, antes de ver uma cartela com as opções. Entre aqueles que se dizem totalmente decididos, 95% já têm um nome na ponta da língua.

As campanhas tentam mover o primeiro grupo, mas o espaço para grandes variações parece limitado. Os números são particularmente complicados para quem espera uma onda de migração de votos a favor de Jair Bolsonaro na reta final.

Vinicius Torres Freire - A eleição dos distraídos em SP

Folha de S. Paulo

Eleitor mal conhece tucano e bolsonarista, e petista tem menos voto que Lula

Quase metade dos eleitores de São Paulo não sabe quem é o governador candidato à reeleição, Rodrigo Garcia (PSDB), nem o enviado do bolsonarismo ao estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos). São desconhecidos por 44% do eleitorado, lê-se no Datafolha. Fernando Haddad (PT) é desconhecido por 7%.

A indiferença e o desconhecimento do eleitor são dos assuntos mais importantes para esta quinzena restante de campanha. Também importante, o voto para governador não tem diferenças de "classe" (de renda, de escolaridade) como é o voto para presidente no estado.

De relevância histórica, mas ainda não se sabe se política, faz mais de 20 anos que a capital e o estado não elegem extravagâncias daninhas —um eufemismo diplomático. O malufismo acabou em 2000 na capital, e o quercismo acabou em 1995 no estado.

Eliane Cantanhêde - Uma muralha atrás da outra

O Estado de S. Paulo.

Sem munição, Bolsonaro enfrenta rejeição, má avaliação, dificuldade em SP e MG e... ele mesmo

O presidente Jair Bolsonaro terá de implodir várias muralhas para vencer em outubro, mas, seja qual for o resultado, já garantiu ineditismo. Se perder, será o único presidente derrotado na disputa pela reeleição. Se vencer, será o primeiro candidato a superar uma rejeição de mais de 50% a duas semanas das urnas.

E tem mais. Para derrotar o favorito nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro teria de implodir as muralhas que bloqueiam seu caminho com a mesma força com que detonou o teto de gastos, a responsabilidade fiscal e a lei eleitoral.

Ah! E sem apoio do Centrão, que foi uma mão na roda para aprovar a PEC da reeleição e os R$ 41 bilhões para comprar votos, mas não tem sido de grande valia para arrancar votos de Lula e dar para ele no Nordeste, por exemplo.

Celso Lafer* - Sobre a Fundação Fernando Henrique Cardoso

O Estado de S. Paulo

Cabe-nos seguir com seminários e pesquisas que enfrentam, no qualificado debate das ideias, a agenda da atualidade do Brasil e do mundo.

A convergência dos atributos de grande intelectual e de notável homem público assinala a identidade de FHC. Integra o capital simbólico da Fundação Fernando Henrique Cardoso (FFHC), por ele criada e concebida como instituição apartidária voltada para pesquisar e debater a agenda do presente na perspectiva do futuro. Alinha-se à sua recorrente preocupação intelectual em captar o novo que aflora na dinâmica dos processos sociais, econômicos e políticos.

Assumi este ano a presidência do Conselho da fundação, por indicação de FHC e com o apoio da governança da instituição. FHC avaliou que, nesta fase de sua vida, precisava diminuir os encargos de suas atividades, permanecendo na fundação com a auctoritas de presidente de honra.

Refleti sobre o desafio desta incumbência em relação aos caminhos da fundação com o lastro de quem dela participou desde o início e no espírito de parceria e da amizade que desde sempre me une a FHC.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

É natural haver divergência entre pesquisas eleitorais

O Globo

Disparidades decorrentes de técnicas de amostragem distintas exigem maior transparência dos institutos

A campanha eleitoral foi tomada nos últimos dias por intenso debate a respeito da discrepância no resultado de pesquisas de opinião promovidas por diferentes institutos de reputação reconhecida no mercado. Chamou a atenção, entre pesquisas com metodologias semelhantes, uma diferença muito além daquilo que se convencionou chamar de “margem de erro”, aquela que os institutos afirmam abarcar a realidade com uma confiança acima de 95%.

O exemplo mais eloquente está na divergência entre as pesquisas realizadas na última semana por IpecDatafolha e Quaest — três institutos que fazem entrevistas cara a cara, metodologia tradicionalmente considerada mais confiável pelos estatísticos. Na corrida presidencial, a distância entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro foi de 15 pontos percentuais no Datafolha, 12 no Ipec e oito no Quaest. Na disputa pelo governo mineiro, a diferença entre o líder Romeu Zema e o desafiante Alexandre Kalil é de 28 no Datafolha, 18 no Quaest e 16 no Ipec. No Rio, o governador Cláudio Castro livra 15 pontos sobre Marcelo Freixo no Ipec, dez no Quaest e apenas quatro no Datafolha (na prática, um empate). São números desconcertantes para quem quer conhecer os fatos.

Poesia | Edgar Allan Poe - O palácio assombrado

 

Música - Jorge Aragão, Jorge Vercilo - Encontro das águas

 

sábado, 17 de setembro de 2022

Luiz Werneck Vianna* - Após o pesadelo, que tal uma primavera?

A longa noite de pesadelo que por tanto nos afligiu, expostos à ameaça do ressurgimento do fascismo, patologia política preservada em estado latente a partir do Estado Novo de 1937 – este, claramente fascista – manifesta também no regime do AI-5 e reanimado pela apropriação do Estado por um golpe de fortuna de um aventureiro que se impôs a missão de devolver a vida essa infausta experiência, encontra seu fim nesses dias que anunciam a primavera. A sociedade ainda mal desperta desses momentos de amargura que viveu indefesa, em meio a uma cruel pandemia, pela criminosa omissão de um governo que conscientemente, por cálculos políticos canhestros, ignorou a gravidade da situação e nos deixou o legado macabro de quase 700 mil mortos.

Decerto que o desenlace da tragédia política que nos acometeu ainda ronda o terreno da imprevisibilidade, e poderosas resistências já se antepõem aos anseios democráticos que animam cada vez mais vastos setores da vida social, especialmente entre os jovens, as mulheres e os que procedem do mundo do trabalho, particularmente estes atingidos diretamente em seus direitos e no rebaixamento de suas condições de vida. O patriarcalismo com que nascemos como sociedade está ferido de morte, e de nada importam os esforços do atual governo em lhe assegurar continuidade, uma das peças do arsenal autoritário desde sempre.

Merval Pereira - Eleição parece estar decidida

O Globo

Pesquisas apontam quadro praticamente definido. Nenhum candidato parece ter capacidade de mudar alguma coisa

Nunca houve uma eleição em que os eleitores estivessem tão definidos. Não há nenhuma perspectiva de mudança na campanha daqui pra frente. Dificilmente Bolsonaro vai crescer no primeiro turno, muito menos ultrapassar Lula, que também parou num patamar e não consegue subir para definir no primeiro turno.

Ciro e Simone Tebet estão estacionados e nada indica que poderão substituir Bolsonaro no segundo turno. E ele também não cai do patamar de 30%; se acontecesse, poderia haver um voto útil em Simone ou Ciro.

A não ser que aconteça algo extraordinário, o resultado deve ser um segundo turno entre Lula e Bolsonaro; e Bolsonaro sem a menor condição de vencer. Bolsonaro cometeu erros fundamentais e nunca se preocupou muito com trabalho social, sempre foi metido com valores regressivos da sociedade. Pegou um vácuo na sociedade que até hoje não se explica e se elegeu presidente da República.

Mas não preparou o caminho para se reeleger, se descuidou de todas as coisas importantes que aconteceram no país, principalmente a pandemia, que foi a gota d’água. Querer convencer, nos últimos seis meses, que é bom e pensa nos pobres, não adianta.

Não é possível querer ganhar uma eleição fazendo tanta bobagem e absurdos, como a farmácia popular cortar remédio de pobres nesta reta final de campanha. Há uma incompetência muito grande na gestão desde o início do governo – foram cinco ministros da Educação – e não houve estabilidade nos setores mais importantes – a exceção foi o Paulo Guedes, mesmo com Bolsonaro sempre forçando a mudar posições.

Marco Aurélio Nogueira* - Como hostilizar a democracia em troca de um “tiquinho”

Campanha pelo voto útil não pode intimidar os eleitores centristas. Um novo governo precisará deles para reformar o País.

Está em plena articulação uma campanha, feita por petistas e eleitores de Lula, em favor de uma concentração de votos no ex-presidente logo no primeiro turno das eleições do próximo dia 2 de outubro.

A campanha está em sintonia com o plano seguido pela candidatura de Lula desde o início: formar uma articulação de esquerda com musculatura eleitoral suficiente para impulsionar o PT à conquista do governo federal.

Nada a se questionar nisso. É a marca petista: mostrar a própria força e vencer. Acordos, negociações e entendimentos, caso tenham de ser considerados, só serão empreendidos depois da vitória. E serão pontuais, olhos postos na formação de uma base parlamentar de perfil governista, pensada mais em termos aritméticos do que políticos. Não seria inédito se, em 2023, o governo Lula estivesse com um Centrão devidamente repaginado.

Ala do PDT do Rio defende apoio a ex-presidente

Pedetistas devem se reunir na próxima segunda-feira para discutir reposicionamento na eleição

Por Camila Zarur / O Globo

BRASÍLIA - Com a possibilidade de segundo turno na eleição à Presidência, uma ala do PDT do Rio, composta por integrantes históricos da sigla, tentam convencer a cúpula partidária a aderir ao chamado voto útil e declarar apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já no primeiro turno. O apelo deve ser oficializado nos próximos dias e tem como justificativa a disputa cristalizada entre o petista e o atual chefe do Planalto, Jair Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas de intenção de voto. Um ato de brizolistas — nomes ligados ao ex-governador Leonel Brizola — em favor de Lula está marcado para a próxima segunda-feira, na sede do Sindicato dos Engenheiros do Rio.

Os pedidos para que tanto o PDT e Ciro reconsiderem a corrida presidencial partem da premissa que, com a eleição se estendendo para o segundo turno, Bolsonaro ficaria fortalecido. Uma eventual reeleição do presidente é vista pelos pedetistas como um retrocesso e daria aval aos frequentes ataques do mandatário e seus aliados contra as instituições democráticas.

— Lula é a melhor opção no atual cenário. É a opção da esperança contra a barbárie. E penso que Lula tem todas as credenciais para ser presidente da República. Ele fez um bom governo e é uma personalidade muita respeitada no plano internacional — diz o advogado Siqueira Castro, um dos fundadores do partido e ex-chefe da Casa Civil no governo de Brizola no Rio.

Demétrio Magnoli - O bolsonarismo tem futuro?

Folha de S. Paulo

O conservadorismo tem tradição no Brasil, mas o bolsonarismo é reacionário, não conservador

O vírus da Covid-19 estará com a humanidade pelo futuro previsível. Mas e o outro vírus, a extrema direita bolsonarista, terá um futuro após a quase certa derrota eleitoral? Depois dela, permanecerá na cena política brasileira ou se dissolverá na irrelevância?

A tese da permanência tem bons argumentos. Cerca de um terço dos eleitores mantém fidelidade a Bolsonaro, especialmente o núcleo do eleitorado evangélico. No 7 de Setembro, o bolsonarismo comprovou, mais uma vez, sua capacidade de mobilização popular. Ancorado no apoio de parcela similar da população, o PT sobreviveu a devastadoras intempéries e prepara-se para retornar ao Planalto. Será, porém, que popularidade basta?

Os partidos da extrema direita europeia que ascenderam recentemente deitam raízes em correntes profundas das histórias nacionais. A Reunião Nacional francesa deriva tanto da nostalgia do regime colaboracionista de Vichy quanto do neocolonialismo poujadista —e Marine Le Pen tenta expandir sua base para os saudosistas do nacionalismo gaullista. O Vox, na Espanha, nutre-se da memória do franquismo. O Irmãos da Itália, de Giorgia Meloni, engaja-se na reforma e atualização do mussolinismo. O bolsonarismo, por outro lado, carece de chão histórico.

Alvaro Costa e Silva - O bolsonarismo hoje é um bicho acuado

Folha de S. Paulo

A escalada da violência é mais provável do que um golpe contra as instituições

Diante do cinismo que impera no Brasil, a notícia passa despercebida, não há mais surpresa ou novidade: candidatos alinhados a Bolsonaro têm usado estandes de tiro para fazer campanha. Entre eles estão ex-ministros do governo e o presidente da Câmara dos Deputados, um dos donos do centrão e maior aliado do presidente.

No início do mês, Arthur Lira esteve em Arapiraca, pegou uma espingarda de cano longo, efetuou disparos e prometeu abrir seu gabinete para a pauta armamentista. Nenhuma palavra sobre "matar a fome" em Alagoas, seu estado de origem, onde 36,7% das pessoas não têm acesso a alimentos em quantidade suficiente, segundo recente pesquisa. Três em cada dez famílias passam fome no país; são 125,2 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar.

Alexa Salomão - A escolha dos indecisos

Folha de S. Paulo

Segundo o Datafolha, 21% dos eleitores ainda podem mudar o voto

As análises de prateleira erraram. Esta nunca foi a eleição definida pela economia, pelo tamanho do PIB, vagas de emprego, reformas estruturantes, preço da gasolina ou quantos votos podem ser comprados com a improvisação de um aumento para o Auxílio Brasil.

Não é a reedição de mais uma discussão eleitoral sobre corrupção. Muito menos um embate sacro santo entre Deus e o diabo na terra do sol. País que produz Anitta e Pabllo Vittar não se doutrina com reza ideológica. Precisa de fé genuína.

Esta é a eleição em que o Brasil define quem quer ser.

O país da inclusão racial ou da meritocracia branca. Individual ou coletivo. Do lar ou dá vida. Com acesso à informação ou sigilo de 100 anos. Com mais ou menos árvores em pé. Com ou sem porte de armas. Com ou sem camisa da seleção brasileira para todos. Rosa e azul ou verde, lilás, roxo, extra +.

Pablo Ortellado - A melhor resposta ao bolsonarismo é o equilíbrio

O Globo

Simpatizantes do presidente precisam ser persuadidos e recuperados para o jogo democrático regular

Vivemos tempos desafiadores. O bolsonarismo ameaça as instituições democráticas e ataca duramente a credibilidade da imprensa, da ciência e das artes. O impulso de jornalistas, cientistas e artistas tem sido responder a esses ataques vis com posturas firmes de rechaço e oposição. Mas essa reação, totalmente compreensível, termina involuntariamente por reforçar a crítica bolsonarista de que as instituições estão corrompidas e são enviesadas contra ele e contra o povo. De maneira contraintuitiva, é preciso respirar fundo e responder ao desafio bolsonarista aprimorando os mecanismos de equilíbrio e pluralidade das instituições.

O bolsonarismo acusa a imprensa profissional de ser esquerdista e petista — sem sombra de dúvidas, um delírio. A mesma imprensa que critica duramente Bolsonaro não deu vida fácil aos petistas durante os anos 2000 e 2010. Apesar disso, os bolsonaristas vão acumulando “evidências” do caráter militante e “petista” da imprensa.

Ascânio Seleme - Eles insultam, agridem e matam jornalistas

O Globo

Bolsonaro, que não esconde sua admiração por déspotas como Putin e MSB, acha que pode repetir aqui os métodos russos e sauditas com agressões como a que fez a Vera Magalhães

Há 20 anos, o jornalista Tim Lopes, da TV Globo, foi sequestrado, torturado, morto e carbonizado no alto do morro da Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, Rio de Janeiro, por traficantes liderados por um bandido inescrupuloso chamado Elias Maluco. Poucos anos depois, uma repórter do GLOBO foi perseguida e ameaçada de morte por milicianos da Zona Oeste. O assédio e as ameaças foram de tal ordem que a jornalista teve que sair de casa com marido e filho, deixar o Rio e, por um ano, viver exilada em outro estado. Foi a única forma encontrada para preservar a sua vida e a de seus familiares.

Tanto Tim Lopes quanto a repórter do GLOBO, que depois voltou ao Rio e reassumiu suas atividades, foram objeto da ira de pessoas ameaçadas pelo trabalho de ambos. Tim filmava com câmera escondida a ação dos traficantes nas ruas da Penha. A repórter que se exilou cobriu exaustivamente a CPI da Milícias, a mesma que resultou na escolta permanente que o então deputado estadual Marcelo Freixo, presidente da comissão, passou a usar desde aquela época.

Carlos Alberto Sardenberg - Voto no escuro

O Globo

Como retomar investimentos e consumo? Como elevar os gastos em programas sociais com o governo quebrado e endividado?

Quanto mais distante o candidato está da vitória, mais detalhadas são suas propostas de governo. Inversamente, quanto mais perto do poder, mais vagos tornam-se seus programas.

Tome-se o caso do endividamento. Cerca de 80% das famílias brasileiras estão endividadas. Claro, há dívidas boas (como aquelas para compra da casa própria) e dívidas péssimas, como as do cheque especial ou o rotativo do cartão de crédito.

Mas, como as taxas de juros estão em alta e devem permanecer elevadas por muitos meses, avançando até 2024, toda dívida torna-se perigosa, ainda mais com inflação alta e renda real em queda.

Muitos lares já foram atropelados. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio, em agosto passado 30% das famílias tinham alguma conta em atraso — o maior percentual da série iniciada em 2010.

O que dizem os candidatos?

Eduardo Affonso - Atrás do prejuízo

O Globo

Tática arriscada, essa de pregar para os convertidos, no próprio cercadinho, e não buscar ampliar a base de apoio

Se tivesse mantido meu título de eleitor no Paraná, eu não seria elegível para receber a propaganda virtual de Sergio Moro, postulante a uma vaga no Senado. Nem eu nem qualquer outro fã de Chico Buarque ou Caetano Veloso. O que significa que praticamente toda a minha geração está fora do foco do candidato.

Os marqueteiros do ex-juiz devem ter imaginado que suas propostas não encontrariam eco entre aqueles que se emocionam com Futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber/Com o amor que eu um dia deixei pra você ou Gente é pra brilhar/Não pra morrer de fome.

Falando em fome, eu seria descartado também por ser vegetariano. Só carnívoros, supõem os estrategistas da campanha, se sensibilizariam com a pauta de combate à corrupção, reforço à segurança pública, defesa das liberdades individuais.

Adriana Fernandes - Cortina de fumaça

O Estado de S. Paulo

Enquanto repercutia o corte do Farmácia Popular, o governo tentava emplacar o tema das reservas

A poucos dias das eleições, não passa de cortina de fumaça a notícia antecipada pelo Ministério da Economia, por meio de informações de bastidores, de que estuda a criação de uma meta para as reservas internacionais.

Esse não é um assunto alvo de estudos centrais da equipe do Ministério da Economia nesse momento nem do Banco Central, que é uma instituição autônoma e a responsável pela gestão das reservas do País.

Existe a ideia do ministro Paulo Guedes que, passados quase quatro anos de governo, não foi para frente. Foi assunto da transição, em 2018, e depois reforçado por ele no final de 2020, quando disse que poderia até vender “um pouco” das reservas para reduzir a relação entre dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).

João Gabriel de Lima - As mulheres vão decidir a eleição

O Estado de S. Paulo

A pior coisa que pode acontecer a um candidato é evocar a imagem de um chefe inconveniente

Um tiro disparado por seu próprio exército feriu a campanha do presidente Jair Bolsonaro. Quem puxou o gatilho foi o deputado bolsonarista Douglas Garcia – que, nos bastidores de debate entre candidatos ao governo de São Paulo, agrediu e ofendeu a jornalista Vera Magalhães. Foi o assunto da semana nas redes sociais. Vera Magalhães teve cerca de 800 mil interações, mais do que todos os debatedores somados.

O núcleo jurídico da campanha de Bolsonaro ordenou que se estancasse a ferida o quanto antes. Coube ao deputado Eduardo Bolsonaro condenar a atitude de Garcia nas redes. No episódio, Garcia valeu-se dos mesmos xingamentos que o presidente usara em outro debate, duas semanas atrás, contra a mesma jornalista – comportamento que lhe custou pontos nas pesquisas.

As mulheres vão decidir a próxima eleição. Não é exagero retórico. É raciocínio lógico. Segundo as pesquisas, a diferença entre Lula e Bolsonaro entre os homens é muito pequena, quase um empate técnico. Assim, o próximo presidente será quem as mulheres escolherem. Até agora tem sido Lula, com certa folga, embora Bolsonaro venha ganhando pontos entre as evangélicas. Num artigo, o cientista político Jairo Nicolau mostrou que o maior contingente de indecisos está entre as mulheres.

Ricardo Henriques - Políticas sociais: mudança urgente

O Globo

Voltar ao que tínhamos antes não basta. É preciso ousadia para resolver a atual emergência humanitária e garantir o crescimento futuro

O Brasil precisa de políticas sociais inovadoras e mais ambiciosas. De um lado, porque anos de desmonte continuado das que construímos levaram-nos a uma emergência humanitária, cuja face mais cruel são 33 milhões de pessoas passando fome. De outro, porque a transição demográfica e profundas transformações na economia e no trabalho — cada vez mais dependentes de conhecimento, da criatividade e da capacidade de aprender ao longo da vida — agregam à emergência humanitária urgência histórica.

Quais políticas seriam? Voltar ao caminho que trilhávamos antes do desmonte será um grande desafio, mas é insuficiente. Precisamos da ousadia para inovar no desenho e na implementação, como fizemos, por exemplo, ao criar o SUS, ao derrotar a hiperinflação com o Plano Real e ao instituir, unificar, expandir e aprimorar programas de transferência condicionada de renda no início deste século.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Pandemia distorce índice de qualidade da educação básica

O Globo

Resultados do Ideb não captam a extensão do retrocesso desastroso no ensino brasileiro nos últimos anos

A última edição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que avalia a qualidade das escolas públicas e privadas, com dados de 2021, apresentou variação mínima na comparação com 2019. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota teve leve queda e ficou em 5,8 numa escala de zero a dez, quase idêntica à de 2019. Nos anos finais do fundamental houve pequena elevação (de 4,9 para 5,1), e no ensino médio o índice ficou estacionado.

Pela primeira vez, o Ideb trouxe questionários sobre a educação infantil (creches e pré-escola), deu prosseguimento a testes de disciplinas além de português e matemática (ainda restritos) e aplicou provas em conformidade com a Base Nacional Comum Curricular. Mas a realidade é muito pior do que os esforços de inovação e os números sugerem. A pandemia não apenas descarrilou o ensino, com as escolas fechadas por períodos intermináveis e sistemas remotos ineficientes. Também desregulou o “termômetro” do Ideb.

Poesia | Bertold Brecht - General (Por Adolfo Celdrán)

 

Música | Caetano Veloso - O ciúme