Folha de S. Paulo
Movimento importou da extrema direita
estilo, gramática e substância
A poucos dias do segundo turno das eleições
presidenciais, o cenário está mais incerto e a disputa está mais virulenta
do que em qualquer outro pleito de nossa história. Estivéssemos em tempos
tranquilos, o foco da conversa das últimas semanas seria sobre propostas
concretas para os persistentes problemas brasileiros.
Mas nada está normal. Em meio ao clima de
medo e ódio, inflamado por mentiras
e difamações, a política brasileira foi tragada para o campo da disputa
identitária, da qual supostamente depende a sobrevivência individual e
coletiva.
Estamos diante da americanização do debate
público nacional.
O conceito pluralista de democracia, que orienta nossa Constituição, está sendo substituído por uma ideia de democracia antiliberal, em que só a maioria deve se beneficiar do governo e as minorias não podem participar da formulação de políticas públicas. A identidade sincrética e multirracial do país, sempre tratada como nossa maior contribuição civilizatória, dá lugar a um tipo de supremacismo cristão, que exclui todo e qualquer cidadão que porta valores distintos.

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