O Globo
Eleição de 2022 inaugura nova versão do
ditado: de onde só se espera golpismo, não sai nada além de golpismo mesmo
Não era o barão de Itararé quem dizia que,
de onde não se espera nada, daí é que não sai nada mesmo? Pois a eleição de
2022 está inaugurando outra versão do ditado: de onde só se espera golpismo,
não sai nada além de golpismo mesmo.
Ninguém duvidava que Jair
Bolsonaro não aceitaria outro desfecho para esta eleição além da
própria vitória. Mas, depois do fiasco produzido pela auditoria dos militares
sobre as urnas eletrônicas — aquela que ninguém viu, mas que todo mundo sabe
ter atestado a segurança do sistema eleitoral —, parecia que o presidente havia
finalmente aceitado o que seus estrategistas não se cansavam de repetir, com
base no que viam nas pesquisas: o brasileiro médio não quer saber de confusão.
Sempre que percebe que alguma ação do chefe
do Executivo pode causar instabilidade e tumulto, esse eleitor se afasta dele.
Numa disputa apertada como a que vivemos, qualquer voto conta. Até o “Jefferson Day”, quando o bolsonarista Roberto Jefferson lançou granadas e tiros de fuzil contra uma viatura da Polícia Federal, Bolsonaro parecia endossar o esforço na campanha para repaginar seu comportamento.

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