quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Nossa Senhora Aparecida que se cuide, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

A guerra santa promovida após vir à tona uma notícia falsa de que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pretendia tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil ressuscitou a batalha entre duas alas do STF, às vésperas das eleições.

Não bastasse a campanha do primeiro turno estar chegando ao fim sem que os eleitores saibam as propostas dos candidatos para comandar o País pelos próximos quatro anos, agora os dois principais postulantes à Presidência têm um juiz para chamar de seu. Na prática, a agenda sobre o que precisa ser feito para impulsionar o desenvolvimento do Brasil foi sequestrada pelo escândalo do Banco Master e pela crise do STF.

De um lado da Corte está o grupo de André Mendonça, que é evangélico, integrado pelo presidente do TSE, Nunes Marques, e por Luiz Fux. De outro, a ala liderada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. O primeiro grupo virou a tropa de choque de Flávio. O segundo cerra fileiras para defender o presidente Lula.

Embora tenha sido indicado por Lula para o cargo, Dias Toffoli caiu em desgraça com o presidente após ter impedido a ida dele ao velório do irmão Vavá, em 2019. À época, o petista estava preso. Hoje, Toffoli parece mais ligado a Mendonça.

Cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, impedir que os homens de toga se digladiem, desta

Marques decidiu levar hoje o caso para o plenário virtual do TSE, longe das câmeras.

Fachin tem contado com o apoio de Cármen Lúcia em suas decisões. Mas, se até agora a dupla não conseguiu tirar do papel o Código de Ética para os magistrados, que dirá promover o armistício entre os colegas?

Enquanto o fim do mundo não vem, Lula vai erguendo a imagem da padroeira e anunciando bondades para atrair votos, como o reajuste no Bolsa Família e o fim das bets. E, como Nossa Senhora entrou para ficar na campanha, o PT aproveita para distribuir pelo WhatsApp figurinhas com a santa fazendo o “L”.

Na outra ponta, aliados de Flávio também espalham – e muito – notícias falsas, dizendo que o presidente é “macumbeiro”. Além disso, nos cultos, pastores reembalam o discurso de que Lula, se reeleito, fechará igrejas evangélicas, uma fake news cantada desde 2002.

O fato é que, nessa toada, o Brasil vai chegando ao domingo, dia da votação, sem nada saber sobre o que os candidatos à Presidência propõem para mudar o atual estado de coisas. Seria importante, até porque o difícil não é matar um leão por dia, mas, sim, se desviar das antas. 

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