quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Política – Claudio Humberto

• Genoino ‘pobretão’ é farsa: deputado ganha bem
O estado de saúde de José Genoino (PT-SP) não é a única farsa na história do mensalão. Ele faz pose de coitadinho, divulga que mora na mesma casa financiada pela Caixa há trinta anos, blá-bla-blá, mas recebe salários de marajá (R$ 26.723,13), como deputado federal há 27 anos, além da Cota mensal para Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), de R$ 31.301. Entre janeiro e setembro, embolsou R$ 522 mil.

• Tudo por nossa conta
Como deputado, Genoino tem auxílio moradia de R$ 3.800 em espécie, verba para passagens aéreas e cota para correios e telefone.

• Dá de sobra
A multa a que Genoino foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (R$ 468 mil) é bem menos do que ele recebe como deputado por ano.

• Direto no bolso
Deputado recebe verba mensal de gabinete no valor de R$ 78 mil para contratar assessores, mas na maioria dos casos fica com quase tudo.

• Pé de chumbo
Da cota Ceap de R$ 31,3 mil, Genoino dispõe de R$ 4,5 mil para torrar com combustíveis e outros R$ 4,5 mil em “segurança pessoal”.

• PT tenta negociar cassação por aposentadoria
O vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), e o líder do PT, José Guimarães (CE), negociam a aposentadoria “por invalidez” do deputado José Genoino (PT-SP) antes que a mesa diretora inicie o processo de cassação. Mas a tese perdeu força com o laudo da junta médica designada pelo Supremo Tribunal Federal, atestando não ser grave o estado de saúde do deputado presidiário, como ele fez parecer.

• Loteria
Se a aposentadoria por invalidez vingar, o deputado corrupto receberá salários integrais de R$ 26 mil e se livrará da cassação.

• Tem pressa
Esperto, Genoino enviou na quarta (20) à Câmara um pedido para antecipar a avaliação da junta médica, marcada apenas para janeiro.

• Qualquer um
Senadores do PTB tentaram obter de Dilma garantia de um ministério: “Queremos a Integração, mas aceitaríamos Portos”, diz um deles.

• Incontestáveis
É muito qualificada a junta médica que atestou a farsa do presidiário José Genoino, atestando que a cardiopatia não é grave, nem impõe prisão domiciliar. Todos têm PhD e alentados currículos.

• Já era
Aos 64 anos, Valdemar Costa Neto (PR) vê na prisão seu fim político. Condenado a 7 anos e 10 meses de cadeia e inelegível por mais 8 anos, o mensaleiro só pode disputar eleição outra vez aos 80 anos.

• Mão na massa
Na tentativa de conquistar apoio de dissidentes do PMDB em 2014, o vice Michel Temer encaminha esta semana aos ministérios um calhamaço de pedidos de prefeitos e vereadores do Rio Grande do Sul.

• Prioridade
Atolado em denúncias, o ex-diretor do DNIT Luiz Antonio Pagot (PTB) quer abandonar a candidatura a deputado federal para coordenar a campanha do senador Pedro Taques (PDT-MT) ao governo em 2014.

• Pedala!
O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), pediu a Décio Lima (PT-SC), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, para votar já nesta quarta (27) a proposta de orçamento impositivo.

• Desmoralizado
Líder do PROS, Givaldo Carimbão (AL) desceu a lenha na “inércia do Parlamento”, em reunião do conselho político com a presidenta Dilma. Há mais de três semanas a Câmara empurra votações com a barriga.

• Retífica CH
Os serviços dos Correios são uma porcaria, numa decadência de dar dó, mas a média de espera por atendimento em suas agências de São Paulo e Brasília, segundo a ONG ProTeste, é de 8 minutos e meio e de 2 minutos, respectivamente, e não horas, como publicamos.

• Emendas
A Comissão de Constituição e Justiça escolheu “órgãos mais pobres” para destinar verba ao Orçamento de 2014. Serão R$ 300 milhões para AGU, R$ 180 milhões ao Ministério Público Federal, de R$ 45 a R$ 55 milhões à Defensoria, e mais R$ 20 milhões à Justiça Federal de RO.

• O homem da mala
Já se sabe o que o ex-ministro José Dirceu vai fazer no Hotel Saint Peter: carregar malas.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Brasília-DF - Denise Rothenburg

Objeto do desejo
Em almoço com a presidente Dilma Rousseff, o PTB apresentou o nome do ex-deputado Benito Gama, hoje vice-presidente de governo do Banco do Brasil, para assumir um cargo de primeiro escalão na reforma ministerial do próximo mês. Para completar, os petebistas mencionaram ainda o lugar que desejam: Integração Nacional. Com esse, sobe para quatro o número de partidos interessados em ficar com a vaga aberta depois da saída do PSB da base governista.
» » »
O PMDB aguarda o posto para o senador Vital do Rêgo Filho, mas o PT e o Pros também têm preferência por esse ministério. É a briga para angariar mais espaço no Nordeste no ano eleitoral. Dilma ainda não bateu o martelo. Disse apenas que chamará o PTB.

De saída
O vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica, Geddel Vieira Lima, deixa o cargo no mês que vem. Assim, fica livre para cuidar das alianças eleitorais em torno de sua candidatura ao governo estadual. Conforme publicado em primeira mão aqui, ele já conversou com Aécio Neves.

Tendência
Muitos defenderão, na quinta-feira, que a aposentadoria de José Genoino seja decidida apenas em janeiro. Se brincar, a abertura do processo de cassação sai antes.

A deixa
Os petistas citam a prisão dos réus do mensalão em pleno feriado como a deixa que levou ontem os sindicalistas às ruas de Brasília em defesa dos detentos. Até aquele momento, qualquer gesto mais ostensivo por parte do PT e dos sindicatos ligados ao partido seria visto como mero esperneio. Agora, na visão deles, não é mais.

O peso da discórdia
Vários setores da indústria estão em pleno lobby no Congresso contra o projeto que limita em 30 kg o peso que um trabalhador pode carregar. Hoje, as sacas de café, de cimento e de açúcar estão na casa dos 60kg.

Docinho!/ Meio constrangido com a notícia de que a presidente tinha lhe dado uma gravata de presente, o líder do PR, Anthony Garotinho, levou um bombom de presente para Dilma. Na hora, o líder do PMDB, Eunício Oliveira, saiu-se com esta: "Não é assim, não, tem que ver se esse bombom não está em envenenado". Dilma, por via das dúvidas, não comeu o bombom na hora.

Piada pronta/ As excelências não perdoam. Mal saiu a notícia de que o ex-ministro José Dirceu trabalharia de gerente num hotel de Brasília, os congressistas da oposição saíram com esta: "Ele agora vai trabalhar onde sempre quis, no lobby".

Na paz/ O presidente do DEM, senador José Agripino, recebeu ontem a governadora Rosalba Ciarlini para tratar das verbas orçamentárias de 2014. Falaram sobre candidatura? "Essa é outra conversa. Temos que eleger deputados federais e estaduais. Candidatura a governo estadual, nós decidiremos mais à frente. Se ela estiver bem, terá a legenda", diz ele.

Superstição/ Alguns auxiliares bateram na madeira quando a presidente Dilma colocou um cocar de palha sobre a cabeça ontem. O artefato é considerado de mau agouro ao mundo dos políticos. Na hora eles se lembraram de José Sarney, pra lá de supersticioso, que a vida inteira evitou ao máximo colocar um cocar sobre a cabeça.

Fonte: Correio Braziliense

Panorama Político - Ilimar Franco

Desfeito o mistério?
Os aliados de Aécio Neves, candidato do PSDB ao Planalto, garantem que ele não quer ficar ancorado nem em Bernardinho nem em César Maia. Sustentam que ele está ganhando tempo. Sua aposta é no divórcio entre o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a presidente Dilma (PT). O seu objetivo seria ter, ao seu lado, a máquina e a estrutura de Cabral na Baixada Fluminense e no interior.

Radicalizando a campanha
Pablo Capilé, um dos criadores do coletivo cultural Fora do Eixo e do Mídia NINJA, será a principal atração de seminário fechado que o PCdoB promove, na sexta-feira, no Rio, para debater propostas para o programa de sua candidata ao governo, a deputada Jandira Feghali. Estas redes foram as principais protagonistas das manifestações contra o governador Sérgio Cabral (PMDB) deflagradas em junho. Seus integrantes são ligados ao PSOL e ao deputado Marcelo Freixo, cuja prioridade deve ser a de puxar votos para candidatos ao Legislativo. Surpresos com o desempenho de Jandira no Ibope, os comunistas iniciaram namoro com a turma da anti política.

“O eleitor ainda não me identifica com o governo Sérgio Cabral. Meu objetivo agora é colar no ótimo/bom do Cabral. Vai dar para brigar”

Luiz Fernando Pezão
Vice-governador do Rio e candidato do PMDB ao governo

Medo de avião
Durante almoço, ontem no Alvorada, a presidente Dilma confessou para senadores do PTB, PSC e PR, que temia pelas concessões dos aeroportos. Avalia que eles deram um novo fôlego à concessão da BR-163 e demais rodovias.

Batido o martelo
O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB) vai deixar o cargo na primeira semana de abril. Ele deve disputar as eleições de outubro. A maior probabilidade é a de que ele seja candidato ao Senado. Nas pesquisas, ele aparece com 60% das intenções de voto. Os aliados não têm um nome melhor para disputar apenas uma vaga.

Um dia depois do outro
Depois de um advogado pedir a cassação do registro do ex-ministro José Dirceu na OAB, chegaram pedidos à entidade para cancelar o registro do ex-presidente do PTB, Roberto Jefferson, que detonou o escândalo do mensalão.

Embale que o filho é teu
O PT concluiu que precisa da candidatura do senador Roberto Requião (PMDB) ao governo do Paraná para evitar que o governador Beto Richa (PSDB) vença a eleição no primeiro turno. Mas como a maioria do seu partido integra o governo tucano e apoia a reeleição de Richa, Requião tem dito que quem deve viabilizá-lo é a candidata petista, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

Candidato para valer
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL) rejeita o rótulo de candidatura auxiliar do PSDB. Ele acusa os demais candidatos ao Planalto de defenderem o mesmo programa econômico e se considera a única alternativa dos protestos de junho.

“EP”, a nova sigla do STF
O STF criou uma nova sigla em seu sistema processual em decorrência do julgamento do mensalão: a “EP”. Ela significa Execução Penal. A “EP" número 1 é a de José Genoíno, a número 2 a de José Dirceu e a número 3 a de Delúbio Soares.

Acreditem! Todos os principais candidatos ao governo do Rio acharam muito bons os seus resultados na recente pesquisa do Ibope.

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

Como está fica
O ministro Marco Aurélio Mello vai propor na sessão de hoje do STF o adiamento da análise do processo sobre a correção das cadernetas de poupança pelos planos econômicos dos anos 80 e 90. Terá o apoio de Gilmar Mendes e de outros ministros, que entendem que não haverá tempo hábil de a corte concluir a análise da matéria até o dia 18 de dezembro, última sessão do ano. O adiamento atende o desejo do Palácio do Planalto, que teme o impacto da correção na economia.

Afago 1 Guido Mantega (Fazenda) garantiu diante dos 27 presidentes de federações industriais reunidos ontem na CNI (Confederação Nacional da Indústria) que os investimentos vão aumentar nos próximos anos e que o setor é prioridade do governo.

Afago 2 Segundo o ministro, a injeção de R$ 500 bilhões nos programas de concessões de obras de infraestrutura fará com que o investimento aumente para 24,1% do PIB em 2022. Atualmente, ele representa 18% do total.

Campo minado A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, presidida pelo petista Lindbergh Farias (RJ), convidou secretários da Fazenda de São Paulo e de Pernambuco para debater crise da Federação, tema que Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) usam para fustigar Dilma Rousseff.

Digitais 1 A Justiça Eleitoral do Paraná suspendeu um perfil fake no Facebook batizado de "Gleisi não", com ataques à ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT ao governo do Estado, e determinou a identificação dos responsáveis pela página.

Digitais 2 A quebra de sigilo mostrou que o responsável por bancar links patrocinados no perfil falso era José Gilberto Maciel, jornalista da Agência Estadual de Notícias do Paraná. Gleisi Hoffmann vai processar o responsável e pedir para averiguar se os endereços de IP usados eram do governo Beto Richa (PSDB).

Classe econômica Apesar do pedido feito pelo PTB a Dilma ontem para ocupar a Integração Nacional na reforma ministerial, o Palácio do Planalto trabalha com a ideia de abrigar o partido no Turismo. O mais cotado para a primeira pasta ainda é o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

Suíte master Do ex-petista Domingos Dutra (SDD-MA) sobre o futuro emprego de José Dirceu, contratado por R$ 20 mil para ser gerente de um hotel em Brasília: "Só falta o Joaquim Barbosa se hospedar lá e ser atendido pelo comandante Dirceu".

Lavoura Duarte Nogueira (PSDB-SP) e Xico Graziano (iFHC) organizam encontros de Aécio Neves com expoentes do agronegócio, para se contrapor à aproximação de Eduardo Campos (PSB) com ruralistas. Os tucanos pretendem realizar um evento com o setor ainda em dezembro.

Muro No almoço com Paulinho da Força (SDD-SP), Aécio foi questionado se, uma vez eleito, manteria o reajuste do salário mínimo pela variação do PIB de dois anos anteriores mais a correção da inflação pelo INPC do ano anterior. O tucano preferiu não adiantar sua posição.

Café Para tentar acelerar o apoio do PSB à sua reeleição, Geraldo Alckmin quer se reunir com Campos e Marina Silva separadamente. Pretende se encontrar primeiro com a ex-senadora, que resiste à aliança. A ponte é o ex-deputado Fábio Feldmann.

No escuro A Rede reclama que não teve acesso às diretrizes programáticas que serão anunciadas por Campos e Marina amanhã. "Seremos surpreendidos com o texto assim como fomos com a filiação dela ao PSB", queixa-se um marineiro.

Tiroteio
"Com tamanha romaria na prisão, só falta liberarem a entrada de Romanée-Conti e charuto cubano para a cela dos mensaleiros."

DO DEPUTADO RUBENS BUENO, líder do PPS na Câmara, sobre os privilégios recebidos por políticos para as visitas aos condenados do mensalão na Papuda.

Contraponto
Laços de família

Ao recomendar em discurso no interior do Estado que sua plateia evitasse dirigir depois de ingerir bebidas alcoólicas, Geraldo Alckmin (PSDB) relatou sua passagem por um bar no início do dia.

-- Estávamos em Buri, eram oito e meia da manhã, já tinha uma turma mandando bala.

Disse, então, que se aproximou e foi saudado:

-- O cara veio e perguntou se eu sabia seu nome. Eu respondi que eu era primo dele. Ele se espantou: "Mas como o senhor sabe que eu sou seu primo?". Eu emendei: "É que eu sou Alckmin, e você é álcool em mim, não é?".

Fonte: Folha de S. Paulo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Elis Regina - O bêbado e a equilibrista

Nosso Tempo - Carlos Drummond de Andrade

I
Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

II

Esse é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.

Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.

Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.

A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
e pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos.

III

E continuamos. É tempo de muletas.
Tempo de mortos faladores
e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,
mas ainda é tempo de viver e contar.
Certas histórias não se perderam.
Conheço bem esta casa,
pela direita entra-se, pela esquerda sobe-se,
a sala grande conduz a quartos terríveis,
como o do enterro que não foi feito, do corpo esquecido na mesa,
conduz à copa de frutas ácidas,
ao claro jardim central, à água
que goteja e segreda
o incesto, a bênção, a partida,
conduz às celas fechadas, que contêm:
papéis?
crimes?
moedas?

Ó conta, velha preta, ó jornalista, poeta, pequeno historiados urbano,
ó surdo-mudo, depositário de meus desfalecimentos, abre-te e conta,
moça presa na memória, velho aleijado, baratas dos arquivos, portas rangentes, solidão e asco,
pessoas e coisas enigmáticas, contai;
capa de poeira dos pianos desmantelados, contai;
velhos selos do imperador, aparelhos de porcelana partidos, contai;
ossos na rua, fragmentos de jornal, colchetes no chão da
costureira, luto no braço, pombas, cães errantes, animais caçados, contai.
Tudo tão difícil depois que vos calastes...
E muitos de vós nunca se abriram.

IV

É tempo de meio silêncio,
de boca gelada e murmúrio,
palavra indireta, aviso
na esquina. Tempo de cinco sentidos
num só. O espião janta conosco.

É tempo de cortinas pardas,
de céu neutro, política
na maçã, no santo, no gozo,
amor e desamor, cólera
branda, gim com água tônica,
olhos pintados,
dentes de vidro,
grotesca língua torcida.
A isso chamamos: balanço.

No beco,
apenas um muro,
sobre ele a polícia.
No céu da propaganda
aves anunciam
a glória.
No quarto,
irrisão e três colarinhos sujos.

V

Escuta a hora formidável do almoço
na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.
Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,
olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,
mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.
O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.
Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro.
Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,
vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,
toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.
Homem depois de homem, mulher, criança, homem,
roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,
homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem,
imaginam esperar qualquer coisa,
e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,
últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,
já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam.
Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia,
o corpo ao lado do corpo, afinal distendido,
com as calças despido o incômodo pensamento de escravo,
escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir,
errar em objetos remotos e, sob eles soterrados sem dor,
confiar-se ao que bem me importa
do sono.

Escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana,
a falsificação das palavras pingando nos jornais,
o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,
a constelação das formigas e usurários,
a má poesia, o mau romance,
os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
o homem feio, de mortal feiúra,
passeando de bote
num sinistro crepúsculo de sábado.

VI

Nos porões da família
orquídeas e opções
de compra e desquite.
A gravidez elétrica
já não traz delíquios.
Crianças alérgicas
trocam-se; reformam-se.
Há uma implacável
guerra às baratas.
Contam-se histórias
por correspondência.
A mesa reúne
um copo, uma faca,
e a cama devora
tua solidão.
Salva-se a honra
e a herança do gado.

VII
Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos
para cada hora e dor. Há fortes bálsamos,
dores de classe, de sangrenta fúria
e plácido rosto. E há mínimos
bálsamos, recalcadas dores ignóbeis,
lesões que nenhum governo autoriza,
não obstante doem,
melancolias insubornáveis,
ira, reprovação, desgosto
desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado.
Há o pranto no teatro,
no palco ? no público ? nas poltronas ?
há sobretudo o pranto no teatro,
já tarde, já confuso,
ele embacia as luzes, se engolfa no linóleo,
vai minar nos armazéns, nos becos coloniais onde passeiam ratos noturnos,
vai molhar, na roça madura, o milho ondulante,
e secar ao sol, em poça amarga.

E dentro do pranto minha face trocista,
meu olho que ri e despreza,
minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado,
que polui a essência mesma dos diamantes.

VIII

O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
prometa ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta
um verme.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Luiz Sérgio Henriques: presença dos “subalternos”

“Um fenômeno que não é nosso e se replica de modo "viral", mais do que em 1968, agora exponenciado pelas redes sociais. Seus teóricos e comentaristas são variados, como não poderia deixar de ser. Em alguns, a premonição de que se trata de uma esquerda nova, vagamente anarquista ou pós-anarquista, organizada horizontalmente e desconectada de velhas noções de mudança. A heterogeneidade de sujeitos e reivindicações nem sequer se deixaria enquadrar em categorias clássicas, como a de hegemonia. Ação direta, não representação; pequenos grupos que seguem a lógica da afinidade, como quer o canadense Richard Day, não a lógica da ação reivindicatória e da integração em sociedades cada vez mais permeáveis à presença dos "subalternos". “

Luiz Sérgio Henriques, “Depois de junho: possibilidades e riscos”. O Estado de S. Paulo, 24 de novembro de 2013.

Recorde - Dívida pública passa de R$ 2 trilhões em outubro

Renata Veríssimo, Laís Alegretti

BRASÍLIA - A dívida pública federal bateu novo recorde em outubro ao crescer 1,69% e atingir R$ 2,022 trilhões, o maior valor da história. Foi a segunda vez que o estoque da dívida atingiu o patamar de R$ 2 trilhões. A última vez foi em dezembro de 2012. O volume continuará subindo nos últimos dois meses do ano, segundo o Tesouro Nacional, e ficará dentro da banda estabelecida de R$ 2,1 trilhões a R$ 2,24 trilhões.

Desde janeiro, a dívida tem ficado abaixo dessa meta estabelecida no Plano Anual de Financiamento (PAF), pois o Tesouro tem feito resgates de títulos em valores muito maiores do que as novas emissões.

De janeiro a outubro deste ano, foram retirados do mercado R$ 157,4 bilhões em títulos. No entanto, o estoque não caiu porque a incorporação de juros na dívida pública foi maior e somou R$ 172 bilhões no mesmo período. Segundo os dados do Tesouro, o estoque cresceu R$ 14,5 bilhões em relação ao fim do ano passado.

Em outubro, entretanto, o Tesouro Nacional vendeu R$ 15,3 bilhões acima do valor dos vencimentos de títulos no mês. Os juros pagos no mês somaram R$ 18,4 bilhões. Esses dois fatores explicam o crescimento da dívida em relação a setembro.

Também colaborou com o resultado a emissão de títulos no valor de R$ 3,35 bilhões para cobrir a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), para garantir a prometida redução de tarifas de energia ao consumidor. No ano, já soma R$ 6,37 bilhões a venda de papéis com esse fim.

Novas emissões. Até o fim do ano, o Tesouro Nacional terá de fazer novas emissões para a CDE, além de um repasse de mais de R$ 20 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, garantiu ontem que essas operações não foram feitas neste mês. O governo terá de editar uma medida provisória para autorizar o Tesouro a vender papéis a favor do BNDES.

Devido às turbulências do mercado este ano, sobretudo por causa das incertezas sobre a retirada dos estímulos monetários dados pelo banco central dos Estados Unidos, o Tesouro tem tido dificuldade em enquadrar os parâmetros da dívida nas metas do PAF.

Com isso, Garrido admitiu que é possível fechar 2013 com uma participação dos títulos remunerados pela variação da taxa básica de juros, a Selic, acima do teto fixado em 19%. Esses títulos são considerados mais difíceis para a administração da dívida porque dependem da política monetária adotada pelo Banco Central.

"Nossa expectativa é que se aproxime dos 19% até o fim do ano. Um pouco abaixo ou acima, dependendo das emissões em novembro e dezembro", afirmou. A participação desses títulos está em 19,95% em outubro.

O coordenador, porém, acredita que a participação dos papéis prefixados ficará dentro da banda de 41% a 45%. No mês passado, esses títulos respondiam por 40,74% do total da dívida pública. Esses são considerados os melhores papéis para a administração da dívida porque fixam a remuneração ao investidor.

Estrangeiros. A participação dos investidores estrangeiros na Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) sofreu leve queda, de 17,22% em setembro para 16,91% no mês passado. Em valores nominais, porém, houve um ligeiro aumento, de R$ 190 milhões, e atingiu R$ 326,96 bilhões. A fatia dos estrangeiros caiu principalmente porque os bancos aumentaram sua participação.

Garrido destacou, porém, que os estrangeiros trocaram os títulos com prazos mais curtos por papéis com vencimentos mais longos. Para o coordenador, o movimento melhora o perfil da dívida. "A interpretação é de que investidores estão vendo que taxas para prefixados de longo prazo são bastante atraentes."

Fonte: O Estado de S. Paulo

Padre diz que mensaleiros não podem ter privilégios

Visitantes desses condenados devem passar pelas mesmas "revistas vexatórias", afirma

Evandro Eboli

BRASÍLIA- A Pastoral Carcerária Nacional; vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); criticou o livre acesso de políticos e de amigos e parentes dos condenados do mensalão nas visitas ao Complexo da Papuda. O coordenador nacional da Pastoral, padre Valdir João Silveira, afirmou que os visitantes não devem ter privilégios e que sejam submetidos às revistas, ainda que humilhantes e vexatórias, para conhecerem a realidade do sistema carcerário do país. Padre Valdir disse que a principal novidade do mensalão é que o setor mais privilegiado da sociedade está conhecendo como funcionam os cárceres no país:

— Todos deveriam passar pelas revistas, para que os amigos deputados, senadores e até ministros vejam como são os presídios no Brasil. E que passem também por revista vexatória por que todos os familiares de presos passam. Eles ficam despidos e examinados em situação humilhante. Que sintam o que milhares de pessoas sentem ao visitar seus parentes — disse o padre Valdir.

O coordenador afirmou que a Papuda é um dos presídios mais rigorosos no controle e nas revistas e que os integrantes da própria Pastoral Carcerária, durante anos, passaram por constrangimentos para chegar aos presos:

— Estive na Papuda. É dos locais de revista mais vexatória. Agora diminuiu um pouco — disse. — Os privilégios e as exceções geram mal-estar nos demais familiares de presos. O tratamento precisa ser igual para todos.

O padre Valdir propôs também que os condenados do mensalão cumpram suas penas nos seus estados de origem, para que se conheçam as condições de diversos presídios do país. Para ele, a discussão sobre o sistema prisional, neste momento, está focada apenas em Brasília, e no Complexo da Papuda:

— Quanto mais os presos do mensalão forem espalhados pelo Brasil, em unidades prisionais de seus locais de origem, seus colegas políticos, ao visitá-los, conhecerão o sistema prisional, onde nunca pisaram antes. Será bom porque vai provocar um debate e questionamentos das autoridadês e da sociedade sobre o assunto.

Vinte mil no semiaberto presos no fechado
O coordenador da Pastoral evitou entrar no mérito da condenação dos acusados no mensalão e se as decisões dos ministros do STF foram acertadas. Afirmou que eles tiveram direito à defesa em liberdade, o que não acontece com os envolvidos nos mais diversos tipos de crime. Com base em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o padre lembrou que 40% da população carcerária do país aguardam julgamento presos. Em alguns estados, como Amazonas e Piauí, esse índice sobre para 70%. Outro dado citado pelo religioso é o de que cerca de 20 mil condenados no regime semiaberto estão presos em regime fechado.

— É uma situação absurda. O acesso a uma defesa justa e em liberdade deveria ser para todos, não para poucos. Deixa-nos indignados. Na semana passada, nas cidades de Imperatriz, Davinópolis e Açailândia, conhecemos pessoas que foram julgadas e conheceram o advogado de defesa no fórum, no momento do julgamento. Não teve qualquer conversa prévia entre eles. Sem defesa minimamente qualificada. E são jovens e pobres.

O coordenador comentou também o caso do ex-presidente do PT José Genoino e afirmou que o petista tem direito ao atendimento à saúde e de deixar o presídio para receber o tratamento adequado. Porém, frisou que esse deveria ser um comportamento padrão nos presídios, o que, segundo ele, não ocorre:

— Não vejo privilégios para o Genoino. A questão é que esse é um tratamento para poucos, e deveria ser para todos. Praticamente não existe atendimento médico nas prisões brasileiras. Em Belém, encontrei muitos presos doentes, em lugares muito fechados, quente e sem ventilação. Tinha preso com bala ainda no corpo, um outro com 12 furúnculos. Em Salinas, no Pará, tinha um deitado no chão frio com bolsa de colostomia. Faltam medicamentos.

Com base em dados do Tribunal de Justiça de São Paulo, o padre Valdir afirmou que 495 pessoas morreram num período de um ano no estado:

— Morreram praticamente na prisão. Só foram levados para o hospital quando estavam quase morrendo. Em dez anos, são quase dez mil pessoas mortas, o número que equivale à população de uma cidade. Cidade que foi exterminada e esquecida.

Perguntado se a Pastoral Carcerária foi procurada por algum advogado ou familiares dos condenados do mensalão, padre Valdir respondeu que não:

— O alvo da Pastoral são os que mais necessitam. Todos os presos sofrem, e somos solidários à defesa dos direitos das pessoas presas no episódio do mensalão.

Fonte: O Globo

Dirceu pede para trabalhar em hotel de Brasília

Condenado pelo julgamento do mensalão, ex-ministro está em regime semiaberto

BRASÍLIA — O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pediu nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para trabalhar durante o dia no Hotel Saint Peter, em Brasília. A informação foi confirmada, à noite, pelo advogado de Dirceu, José Luís de Oliveira Lima. Não foi esclarecido o trabalho que o ex-ministro fará no hotel, se o ministro Joaquim Barbosa concordar com o pedido.

Oliveira Lima disse que nesta terça-feira formulará o mesmo pedido à Vara de Execução Penal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que recebeu delegação do STF para tomar as medidas necessárias ao cumprimento das penas dos condenados no processo do mensalão. O Saint Peter fica no Setor Hoteleiro Sul, na região central de Brasília, próximo da Esplanada dos Ministérios, do Palácio do Planalto e do Congresso.

Outros pedidos
O ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), condenado no mensalão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, entrou nesta segunda-feira no Supremo com pedido para começar a cumprir a pena em regime aberto, com prestação de serviço à comunidade como médico. Corrêa foi condenado a sete anos e dois meses e ainda não teve ordem de prisão decretada. A decisão caberá ao relator do processo e presidente do tribunal, Joaquim Barbosa.

O publicitário Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério, o operador do mensalão, pediu transferência para um presídio de Minas Gerais. Porém, logo depois protocolou outra petição para permanecer em Brasília. “Após reflexão do requerente, em conjunto com sua família e, sobretudo diante da constatação de que o mesmo se encontra recolhido em local seguro, conclui-se que que a melhor alternativa a melhor alternativa é sua permanência na capital federal”, escreveu o advogado Castellar Neto, em petição protocolada.

Valério também pretendia pedir transferência para um presídio em Minas, mas, segundo o advogado Marcelo Leonardo, ainda não há decisão final sobre o assunto.

— Isso ainda não está definido — disse o advogado.

O ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas pediu licença para trabalhar, fazer curso de fisioterapia e visitar familiares. A banqueira Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural, e Simone Vasconcelos, ex-diretora administrativa de uma das empresas de Valério, pediram transferência para presídios de Minas. Querem cumprir pena próximos à residência dos familiares, em Belo Horizonte.

Barbosa autorizou, em caráter temporário, o deputado José Genoino (PT-SP) a cumprir pena em prisão domiciliar ou hospitalar. Porém, o ministro, relator do mensalão, só deverá decidir em caráter definitivo após receber laudo da junta médica da Universidade de Brasília e do Hospital Universitário sobre a saúde do deputado.

Fonte: O Globo

Pizzolato planejava sua fuga desde 2010, diz deputada italiana

Segundo a parlamentar ítalo-brasileira Renata Bueno, ele obteve passaporte no consulado da Itália em Madri

Oficialmente a Itália não informa quando concedeu o documento, nem se o ex-diretor do BB está mesmo no país

ROMA - A fuga de Henrique Pizzolato para a Europa começou a ser urdida em 2010, ano em que ele obteve um novo passaporte no consulado da Itália em Madri, Espanha, enquanto o processo do mensalão corria no STF (Supremo Tribunal Federal).

A informação é da deputada ítalo-brasileira Renata Bueno com base em informações extraoficiais que ela obteve junto a fontes diplomáticas italianas.

Oficialmente, a Itália não informa quando concedeu o último passaporte a Pizzolato --que tem dupla cidadania-- nem confirma a presença dele no país.

O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e 7 meses de prisão e é considerado fugitivo pela Justiça brasileira desde o dia 15 de novembro.

"Para conseguir o novo passaporte, ele informou ao consulado da Itália em Madri que tinha residência fixa na Espanha. Isso mostra que ele já estava planejando fugir muito antes de ser condenado", afirmou Renata Bueno, em Roma.

Segundo a deputada, esse foi o último passaporte concedido pela Itália a Pizzolato. Seus passaportes brasileiro e italiano foram apreendidos por ordem do STF.

Procurado pela Folha, o Ministério das Relações Exteriores da Itália não informou se emitiu um novo passaporte ou um documento provisório para Pizzolato neste ano.

Mesmo com o passaporte apreendido ele poderia ter embarcado para a Europa com um salvo-conduto emitido por representações diplomáticas. Isso é comum para repatriar cidadãos que perdem ou têm passaporte roubado em viagens ao exterior.

Com base em suas fontes, Renata Bueno diz que Pizzolato não procurou os consulados italianos em Assunção (Paraguai) e Buenos Aires (Argentina) --cidades do suposto roteiro da fuga.

Um diplomata italiano consultado pela Folha em Roma pôs em dúvida que o passaporte de Pizzolato tenha realmente sido apreendido pela Justiça brasileira, pois a Itália não recebeu nenhuma comunicação oficial do confisco.

Passaportes pertencem ao governo que os emite, não aos seus portadores.

"Há muitos indícios de que o Pizzolato conseguiu ajuda de gente muito poderosa para fugir do Brasil e agora para se manter escondido", disse a deputada.

Brasiliense de nascimento, Renata Bueno foi eleita para a Câmara dos Deputados da Itália com votos de cidadãos daquele país na América do Sul. Ela é filha do deputado Rubens Bueno (PR), líder do PPS na Câmara, sigla de oposição ao governo petista.

Fora do sistema
Outra dúvida é em qual cidade europeia Pizzolato teria desembarcado. Amigos dizem que ele chegou a Paris e depois viajou para Roma.

As autoridades francesas não têm o registro da entrada dele. Na França, uma lei proíbe que sejam mantidos dados pessoais de passageiros que passam por controles de fronteiras, portos e aeroportos.

Fonte: Folha de S. Paulo

Marina rejeita tese de que petistas são 'presos políticos'

Luciana Nunes Leal e Adriana Barcelos

A ex-ministra Marina Silva (PSB-AC) rejeitou ontem a tese de que os ex-dirigentes do PT que começaram a cumprir suas penas no processo do mensalão são "presos políticos".

"Houve um julgamento de acordo com a democracia brasileira, dentro das instituições brasileiras e os juizes não foram indicados por nenhum partido político inimigo das pessoas julgadas.

Não tenho nenhuma alegria e nenhum prazer em nada que está acontecendo, muito pelo contrário", afirmou Marina, que foi militante do PT, após visitar o arcebispo do Rio, D Orani Tempesta. "Não caberá a nenhum de nós fazer uso político em relação a isso. Quero que aconteça justiça e justiça para mim não é vingança. É um ato de reparação e vale para todos."

Ao ser questionada sobre a situação do deputado licenciado José Genoino (PT-SP), Marina disse que, "se a vida dele está em risco", devem ser dados "todos os cuidados" que sua saúde demanda, mas que isso deveria valer para "todas as pessoas que se encontram presas". Genoino ficou três dias internado em um hospital depois de passar mal na penitenciária da Papuda, em Brasília. Teve alta no domingo e foi levado para a casa de uma filha, em Brasília.

À espera da ordem de prisão por ter sido condenado no processo do mensalão, 0 ex-deputa-do. Roberto Jefferson (PTB-RJ) defendeu ontem o direito à aposentadoria por invalidez de Genoino. "Ele precisa sobreviver", afirmou.

Fonte: O Estado de S. Paulo

De olho em apoio do PPS, Campos marca reunião com Roberto Freire

Pré-candidato à Presidência da República pelo PSB falará sobre as eleições de 2014 com presidente da sigla de oposição

Letícia Lins

RECIFE — O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ainda não desistiu de contar com o apoio do PPS na eleição presidencial, em 2014, apesar de o diretório estadual do Rio de Janeiro ter defendido a aliança com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Embora sem precisar data, Campos informou que nos próximos dias vai ter uma reunião com o presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), para discutir o assunto. Mesmo com a posição da representação do partido no Rio, o pré-candidato do PSB à sucessão presidencial acredita que o saldo dos últimos dias foi positivo. Antes de procurar Freire, no entanto, ele terá outra reunião: com a ex-senadora Marina Silva (PSB/Rede).

— Tivemos no domingo um encontro do PPS em alguns estados, acumulando debate para o encontro nacional que ainda vai haver. Ficamos muito felizes com as decisões que saíram não só em São Paulo, como também no Espírito Santo, já apontando nessa direção (de apoio ao PSB) — afirmou o socialista, ao final de cerimônia de inauguração do ambulatório do hospital Barão de Lucena, um dos três maiores da capital pernambucana.

Campos viaja na próxima quinta-feira ao Rio de Janeiro, onde se reúne com integrantes da Rede Sustentabilidade que migraram para o seu partido. Ao final da reunião, deve ser divulgado um documento com os pontos de convergência do seu partido e do grupo político liderado pela ex-senadora Marina Silva.

— O documento referência já é um desdobramento daquele último encontro que tivemos em São Paulo. E, ao mesmo tempo, ele será um instrumento ágil, que possa envolver os brasileiros e as brasileiras das mais diversas regiões. O nosso pessoal desenvolveu uma plataforma que vai permitir que o debate, daqui para frente, sobre o programa de governo, possa se dar na internet, com contribuição remota de pessoas da sociedade, da academia, do movimento social. Elas poderão sugerir, apontar um olhar de cada região do Brasil, de cada ponto, que será importante para a construção do programa de governo do PSB e da Rede.

Em seguida, Campos revelou que vai procurar o Presidente do PPS:

— Terei nos próximos dias uma conversa com Freire. Mas vamos aguardar tranquilamente que o debate possa ocorrer nas instâncias partidárias para que, no tempo certo, depois do debate interno deles, a gente possa — PSB e Rede — melhor conversar com o PPS. De qualquer forma, acho que nos últimos dias caminhamos muito bem — afirmou o governador.

Fonte: O Globo

'Caminhamos muito bem nos últimos dias', diz Campos sobre possível apoio do PPS

Reynaldo Turollo Jr.

RECIFE - O governador de Pernambuco e possível candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), disse na manhã desta segunda-feira (25) estar "feliz" com o caminho apontado por diretórios estaduais do PPS de apoiar o PSB nas eleições de 2014.

"Tivemos ontem encontro do PPS em alguns Estados. Ficamos feliz com a decisão que saiu, não só em São Paulo, mas também no Espírito Santo, já apontando essa direção", disse o governador.

"Eu devo ter nos próximos dias uma conversa com o presidente [do PPS], Roberto Freire, mas vamos aguardar tranquilamente que o debate possa ocorrer nas instâncias partidárias no tempo certo, para a gente poder, PSB e Rede, conversar com o PPS. Mas acho que caminhamos muito bem nos últimos dias", afirmou.

Historicamente, o PPS tem apoiado o PSDB nas candidaturas ao Planalto. Provável candidato tucano em 2014, Aécio Neves também afirmou no fim de semana esperar apoio do PPS.

Segundo Campos, o PSB e a Rede, partido que a ex-senadora Marina Silva, sua mais nova aliada, tentou fundar sem sucesso, lançarão na quinta-feira (28) uma plataforma eletrônica para que internautas de todo o país apresentem sugestões a seu programa de governo, ainda em fase de formulação.

"O debate sobre nosso programa de governo, daqui para a frente, vai se dar na internet, com contribuição remota de pessoas da sociedade, da academia, dos movimentos sociais, que vão poder sugerir, apontar o olhar de cada região do Brasil", afirmou.

Maratona
O governador de Pernambuco falou com jornalistas após evento de inauguração do novo ambulatório do principal hospital de atendimento materno-infantil do Estado, o Barão de Lucena, no Recife.

A obra, de R$ 3,4 milhões, é parte de uma reforma mais ampla de todo o complexo, que terá investimentos de cerca de R$ 40 milhões, segundo o governador. Durante seu discurso a autoridades e funcionários do hospital, Campos prometeu uma série de inaugurações na área da saúde, na capital e no interior do Estado, nos próximos meses.

Diferentemente dos discursos nos mais recentes eventos oficiais, o governador se restringiu a exaltar os investimentos do Estado na área da saúde e não fez críticas à atuação do governo federal. "Agora, vai ser obra atrás de obra", disse um integrante do governo a um colega, que estava na plateia, após o discurso do governador.

Fonte: Folha de S. Paulo

Campos se mostra otimista em relação à aliança com PPS

Em entrevista após participar da inauguração de um ambulatório em Recife, presidenciável demonstrou otimismo com alianças com a sigla em São Paulo e Espírito Santo

Ângela Lacerda

RECIFE - O governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos (PSB) se mostrou otimista, nesta segunda-feira, 25, quanto à possibilidade de o PPS vir a apoiar o projeto nacional do PSB-Rede, com sua candidatura à presidência da República em 2014.

"Acho que caminhamos bem nos últimos dias", afirmou ele, em rápida entrevista, depois de inaugurar um novo ambulatório no Hospital Barão de Lucena, na zona oeste do Recife, ao comentar a decisão dos congressos estaduais do PPS neste final de semana. "Nós ficamos muito felizes com a decisão que saiu não só em São Paulo, mas também no Espírito Santo, já apontando nesta direção (apoio ao PSB-Rede)".

Sem se referir aos Estados que tiveram decisão contrária - a exemplo do Rio de Janeiro - Campos disse que irá "aguardar tranquilamente" o debate interno do PPS para, "no tempo certo", o PSB-Rede poderem conversar com o PPS. Ele disse que deverá ter um encontro com o presidente nacional do partido, Roberto Freire, "nos próximos dias".

Presidente nacional do PSB, Campos reiterou que na próxima quinta-feira, 28, será lançado, na internet, o documento de referência do PSB-Rede sobre um programa de governo a ser debatido com a sociedade em todo o País. "Nosso pessoal desenvolveu uma plataforma que vai permitir que o debate, daqui para frente, possa ter a contribuição de pessoas da sociedade, da academia, do movimento social, que vão poder sugerir, apontar um olhar de cada região do Brasil, de cada ponto, que será importante para a construção do programa de governo do PSB e da Rede", afirmou.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Eduardo Campos diz que PSB e Rede lançarão plataforma de governo

Tércio Amaral

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), virtual candidato à Presidência da República nas eleições de 2014, dará mais um passo na consolidação de seu projeto nacional. Nesta quinta-feira (25), após a inauguração do novo ambulatório do hospital Barão de Lucena, no bairro da Iputinga, no Recife, o socialista disse que seu partido e a Rede deverão lançar, em São Paulo, na próxima quinta-feira (28) uma plataforma de governo. A novidade é que o conteúdo ainda passará por “transformações”, já que será aberto na internet para sugestão de eleitores e demais interessados.

"O objetivo da nossa plataforma, na quinta-feira, é a gente poder lançar um documento de referência, que vem daquele debate que fizemos há poucos dias em São Paulo e, ao mesmo tempo, ter um instrumento ágil que possa envolver os brasileiros e brasileiras das mais diversas regiões”, disse o governador. A aliança do PSB com a Rede deu um novo ânimo ao projeto presidencial do pernambucano para 2014. No discurso de filiação da ex-ministra Marina Silva (ex-PV) no começo de outubro, as duas lideranças enfatizaram que os partidos estariam no processo de aprendizagem e troca de propostas.

Mesmo não admitindo publicamente sua candidatura presidencial, Campos já fala em programa de governo. A novidade é que o conteúdo poderá ser transformado até a eleição do próximo ano. “Nosso pessoal desenvolveu uma plataforma que vai permitir, daqui pra frente, sobre o programa de governo ela possa se dá na internet, com uma contribuição remota, de pessoas da sociedade, da academia, do movimento social, que vão poder sugerir, apontar um olhar de cada região do Brasil, de cada recanto do Brasil. Por isso será importante para a construção do programa do governo do PSB e da Rede”, completou Campos.

Reunião para “aparar as arestas”
Dirigentes do PSB e da Rede mantiveram um encontro neste último sábado (22), na cidade de São Paulo, para aparar as arestas e tentar unificar o discurso. O problema foram algumas declarações dadas por membros da Rede, que estaria criando um “mal-estar” com a possível aliança com o PSDB paulista. A Rede defende uma candidatura própria, mas lideranças do PSB preferem apoiar a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin.

O encontro também serviu para debater quatro temas para o programa de partido, como a reforma política e econômica, qualidade de vida, desenvolvimento urbano e sustentável e desenvolvimento social. Depois do fracasso na tentativa de criar a Rede Sustentabilidade para a disputa de 2014, o grupo ligado a ex-senadora Marina Silva decidiu, ainda, fazer uma consulta interna para definir qual o melhor momento para criar a nova legenda. No momento a Rede está “embarcada” no PSB. O partido também continua coletando assinaturas para apresentar à Justiça Eleitoral.

Fonte: Diário de Pernambuco

Solidariedade pede a Aécio imposto sobre fortunas

Partido recém-criado vai Levar ao tucano ideias para programa de governo, como redução da jornada de trabalho

Vera Rosa

BRASÍLIA - Na contramão do PDT, que Vai apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, o recém-criado Solidariedade está prestes a fechar acordo com o senador Aécio Neves (MG), provável candidato do PSDB ao Planalto. Dispostos a ajudar o tucano na campanha, dirigentes da Força Sindical -central ligada ao Solidariedade - vão almoçar hoje com o mineiro, em Brasília, e apresentar uma carta com o que gostariam de ver no seu plano de governo.

Em 2010, a Força apoiou Dilma, a pedido do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Mas agora a tendência é a gente ficar com Aécio. Dilma não cumpriu nada do que nos prometeu", disse o deputado Paulinho Pereira da Silva (SP), dirigente da Força e presidente do Solidariedade, dissidência do PDT.

Entre as propostas que serão enviadas a Aécio estão velhas bandeiras do sindicalismo e até do PT, como tributação de grandes fortunas, metas de crescimento e emprego, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e reforma agrária.

A carta critica a falta de "protagonismo" do Ministério do Trabalho, controlado pelo PDT. "Outra questão fundamental ao diálogo social é a recuperação do protagonismo do Ministério do Trabalho e Emprego, que vem sendo sucateado há tempos", diz um dos trechos do documento.

Para Paulinho, o ex-ministro do Trabalho e presidente do PDT, Carlos Lupi, é um "simulacro de ditador". Em entrevista ao Estado publicada no sábado, Lupi criticou a gestão do deputado à frente do PDT paulista. "Ele controla o partido pelo medo e por canetadas, já que grande parte dos diretórios é provisória. Quem tem dúvidas sobre Lupi deve perguntar a Dilma, que o faxinou."

Mesmo com a iminente aliança da Força Sindical com Aécio, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, ainda tenta atrair a central e outras entidades do gênero para sua campanha ao Palácio do Planalto.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aécio e Campos discutirão aliança regional

Em 1º encontro após acordo entre governador do PSB e Marina, pré-candidatos ao Planalto devem tratar de MG e PE

Ambos querem aliviar disputa pelo governo de suas bases eleitorais; pacto de não agressão deve ser mantido

Natuza Nery

BRASÍLIA - Prováveis rivais em 2014 no campo da oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB-PE) se encontrarão reservadamente pela primeira vez desde a aliança do pernambucano com Marina Silva. O propósito é combinar o jogo pré-eleitoral.

Segundo a Folha apurou, os dois também tratarão de uma possível parceria em Minas Gerais e em Pernambuco. Enquanto Aécio quer o apoio do PSB na disputa pelo governo mineiro, Campos busca garantias de que o PSDB não lançará um nome competitivo contra seu candidato em Pernambuco.

Ambos conversaram por telefone na semana passada e decidiram marcar um jantar. Ainda não há data para o encontro, que pode ocorrer ainda nesta semana, dependendo da agenda dos dois.

As conversas entre PSB e PSDB eram mais estreitas antes de outubro. Até então, nem mesmo a participação de Campos no governo Dilma inibia encontros entre ambos.

As reuniões eram frequentes até a relação mudar no último 5 de outubro, data que o governador de Pernambuco selou a surpreendente aliança com Marina.

O fato deu notoriedade a Campos, ainda desconhecido nacionalmente, permitindo-lhe pegar carona no alto conhecimento da ex-senadora, terceira colocada na disputa pelo Planalto em 2010.

Com a aliança, interlocutores do governador passaram a dizer que o pernambucano reúne mais condições de derrotar Dilma do que o tucano.

Na avaliação de auxiliares, enquanto estava sozinho, o governador dependia mais do PSDB para negociar palanques duplos nos Estados, aproveitando a força partidária que o PSB não tem.

Entretanto, ao ter a popularidade de Marina a seu lado, ele pode discutir os acertos locais em condições menos desfavoráveis.

A conversa atual, portanto, tem conotação diferente das anteriores. No passado, havia articulação para os dois seguirem juntos em dez Estados. Agora, as negociações devem focar, primeiro, em Pernambuco e Minas.

No primeiro caso, Campos tenta evitar que o tucano Daniel Coelho, deputado estadual e adversário forte por lá nas eleições municipais de 2012, concorra contra seu candidato a governador. Já Aécio deseja o apoio do PSB a seu candidato em Minas.

Eleição presidencial
Campos e Aécio sabem que precisarão disputar uma vaga no segundo turno e que a combinação entre os dois termina no momento em que um tiver mais chances de tirar o outro da disputa.

Mas, por ora, um jogo minimamente ensaiado convém justamente para provocar o segundo turno contra Dilma.

No encontro, o governador e o senador irão renovar o pacto de não agressão firmado antes da adesão de Marina e calibrar o discurso de oposição ao governo petista.

Depois de Minas e Pernambuco, os dois ambicionam tratar de palanques no Piauí, na Paraíba e no Espírito Santo, com o PSB apoiando o PSDB nos dois primeiros casos e o inverso no último.

Em São Paulo o acerto é mais difícil --o PSB pode seguir na vice de Geraldo Alckmin (PSDB), hipótese considerada ruim por aecistas, temerosos de ver o maior colégio eleitoral do país dividido e o eleitor tucano confuso sobre quem, se o pernambucano ou o mineiro, seria o real candidato do governador paulista, candidato à reeleição.

Fonte: Folha de S. Paulo

PSDB critica partilha da União

Tâmara Teixeira

O governador Antonio Anastasia liberou ontem R$ 20 milhões para 40 associações microrregionais de municípios. Em um evento marcado pelo tom político, Anastasia e o presidente da Associação Mineira de Municípios, Antônio Andrada (PSDB), criticaram o governo federal e tentaram conquistar o apoio dos prefeitos presentes.

Os tucanos defenderam a revisão da distribuição de impostos federais e dos convênios da União que, segundo eles, comprometem o orçamento das cidades. “O governo federal detém muitos programas subfinanciados. Cabe aos municípios executar quase a totalidade deles com recurso próprio, perdendo a capacidade de investimento”, disse Andrada, que também é prefeito de Barbacena.

Para Toninho há duas saídas. “Ou a União melhora (amplia) os recursos para os programas, levando em conta a necessidade operacional para aliviar os municípios, ou destina mais dinheiro às cidades”, declarou.

Anastasia chamou de “perversa”, a concentração de recursos pelo governo federal, “penalizando” os municípios. “Quanto mais descentralizada a ação, mais barata e eficiente”, afirmou.

O senador Aécio Neves (PSDB), pré-candidato à Presidência da República, foi lembrado por todos. Os tucanos fizeram questão de dizer que o recurso liberado faz parte de um projeto iniciado na gestão de Aécio como governador, em 2009 – também período pré-eleitoral.

O prefeito de Mirabela e presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene, Carlúcio Leite, convocou os colegas gestores a “darem as mãos na arrancada de desenvolvimento, ajudando o governo e Aécio a levarem o modelo de administração para o Brasil em 2014”. 

Distribuição
Convênio. Cada uma das 40 associações recebeu R$ 500 mil. O valor poderá ser gasto com compra de equipamentos e máquinas que ficarão à disposição da entidade e dos municípios.

Preocupação
“Os números são preocupantes. Os prefeitos que disseram que vão pagar em dia o décimo terceiro só vão conseguir isso porque abrirão mão de outros compromissos. O ano de 2014 já vai começar com dívidas. É uma bola de neve”, disse Toninho Andrada, presidente da AMM.

Fonte: O Tempo (MG)

Aécio Neves: PPS e PSDB defendem a democracia e a necessidade de mudanças em 2014

RIO DE JANEIRO (RJ) – O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), ressaltou sábado (23) que as relações com o PPS são antigas e profundas referindo-se às parcerias firmadas em Minas Gerais e também em torno de propostas no Congresso Nacional. A afirmação de Aécio ocorreu durante o Congresso Estadual do PPS, no Rio de Janeiro (RJ), que anunciou a intenção de fechar parceria com os tucanos em 2014.

“O PPS sempre foi de todos os partidos, o primeiro a ajudar em torno de uma proposta inovadora, em Minas Gerais, começamos com o PPS, depois vieram outros. Sabe qual a grande vantagem disso? Nós não precisamos explicar isso”, afirmou o senador, lembrando os aspectos comuns que unem as duas legendas.

Segundo Aécio, PPS e PSDB assumem a responsabilidade de apresentar uma alternativa ao atual governo. “Temos respeito absoluto à democracia”, disse ele. “Para que nós possamos construir essa aliança em benefício do Brasil. Somos oposição para o bem do Brasil. Nós acreditamos na sociedade forte, no papel do Estado como regulador.”

De acordo com o senador, as duas legendas querem investir em infraestrutura para melhorar os indicadores econômicos e sociais do país. “Eu sei o tamanho da responsabilidade que nos aguarda. Para o Brasil, é absolutamente fundamental iniciarmos um novo ciclo”, reiterou. Segundo ele, um dos caminhos é o fortalecimento da federação. “Repactuar a federação tem de estar na base das discussões que vamos tratar.”

Ibope: Crivella lidera no Rio, à frente de Garotinho e Lindbergh

Percentual de brancos e nulos supera o de qualquer candidato, o que traduz descontentamento do eleitor

Juliana Castro

A menos de um ano das eleições de 2014, o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), aparece em primeiro lugar na disputa pelo governo do Rio, em quatro cenários pesquisados pelo Ibope. Em três deles, ele está tecnicamente empatado com o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e com o senador Lindbergh Farias (PT). Em uma quarta hipótese, sem Garotinho na briga pelo Palácio Guanabara, Crivella lidera com dez pontos percentuais de diferença para o segundo colocado, Lindbergh.

No cenário com o maior número de candidatos, Crivella aparece com 16%; Garotinho, com 13%; e Lindbergh, com 11%. Como o levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, a situação é de empate técnico entre eles. A deputada federal Jandira Feg-hali (PCdoB), que recentemente se colocou como pré-candidata, aparece com 6%. O vereador Cesar Maia (DEM) tem 5% das intenções de voto.

Vice-governador e nome do PMDB para concorrer ao Palácio Guanabara com o apoio do governador Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão aparece com 4%, mesmo percentual do técnico da seleção masculina de vôlei, Bernardinho, nome dos sonhos do PSDB para disputar a sucessão no governo do Rio. O deputado federal Miro Teixeira, dó recém-criado PROS, ficou com 2%, e o prefeito de São João de Meriti, Sandro Matos (PDT), com 1%. Não há pesquisas anteriores para efeitos de comparação.

Recorde de brancos e nulos
O percentual de brancos e nulos supera o de qualquer candidato: ficou em 27%. Os que não sabem ou não opinaram são 10% dos entrevistados.

—- A porcentagem de votos brancos, nulos e de indecisos nesta época do ano, em comparação com a eleição de 2010, é assustadora. Isso mostra que a população não está contente e que não tem ninguém que simbolize esse descontentamento — avaliou o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro.

O único cenário em que não há empate técnico na liderança é quando o nome de Garotinho é retirado da disputa. Nessa hipótese, Crivella vai a 27%, contra 17% de Lindbergh e 7% de Pezão. O percentual de votos brancos e nulos chega a 36% nessa conjectura.

O Ibope fez ainda quatro simulações de segundo turno — Crivella venceria em três cenários. Numa disputa com Lindbergh, o ministro teria 34% contra 23% do petista. Recentemente, Lindbergh passou a trabalhar para tirar o pré-can-didato do PRB da disputa e, assim, atraí-lo para seu palanque. O objetivo era ganhar força no interior e com o eleitorado evangélico.

Contra Garotinho, Crivella teria 33%, enquanto o deputado ficaria com 20%. Num segundo turno contra Pezão, o ministro aparece com 38% contra 12% do peemedebista. Num último cenário analisado, Lindbergh venceria com 29% contra 22% de Garotinho.

Cesar tem maior rejeição
Ao apresentar o nome de cada um dos pré-candidatos, o Ibope também perguntou aos entrevistados em quem eles não votariam de jeito algum. A rejeição a Cesar Maia é a maior: 73%. Anthony Garotinho aparece com 61%; Pezão, com 60%; e Crivella, com 40%.

— Apesar de o Pezão ainda não ser muito conhecido, já está muito vinculado ao Cabral e muito rejeitado — afirmou Montenegro.

Nas conclusões da pesquisa, o Ibope ressalta que, apesar de Garotinho e Lindbergh estarem empatados tecnicamente nos cenários em que se enfrentam, ao avaliar potencial de voto e rejeição, nota-se uma situação ligeiramente favorável ao petista, porque ele apresenta índice de rejeição menor que o do ex-governador. Lindbergh aparece com 49% de rejeição.

A pesquisa também avaliou os índices de aprovação ao governo do estado e à prefeitura. O governo Cabral tem 58% de desaprovação, principalmente na capital e na periferia. Em outra pergunta, a de avaliação, 18% dos entrevistados responderam que a administração do peemedebista era ótima ou boa; 39%, regular; e 41% disseram que era ruim ou péssima.

A desaprovação à gestão Eduardo Paes (PMDB) à frente da prefeitura do Rio é de 57%. Já na parte de avaliação, 26% dos entrevistados afirmaram que a administração de Paes era ótima ou boa; 34%, regular; e 40%, ruim ou péssima.

Sondagem para Senado
O Ibope procurou saber também a intenção de votos dos entrevistados para o Senado. A maioria não menciona espontaneamente o nome de algum dos possíveis candidatos para a vaga e, quando o instituto oferece as opções, o deputado estadual Wagner Montes (PSD) se destaca, com 19%, seguido do deputado federal Romário (PSB), com 10%.

A pesquisa, feita por iniciativa do próprio Ibope, realizou 1.008 entrevistas, de 13 a 17 de novembro.

Fonte: O Globo

Dilma rindo à toa – Alberto Goldman

Pois não é que a Dilma está radiante diante o resultado da licitação dos aeroportos do Galeão no RJ e COFINS em MG? Está até gozando daqueles fantasmas que ela mesmo criou que estariam torcendo por um mau resultado, até uma licitação sem licitantes, como em muitas que ela já promoveu.

Pelo contrário, presidente, estamos todos satisfeitos. Até porque é o reconhecimento do besteirol que você e seu mentor alardeavam contra participação privada durante as três últimas campanhas eleitorais. Bem vinda ao bom senso e à rejeição ao dogmatismo atrasado..

Tardiamente conseguiram levar adiante uma importante licitação em uma área em que estamos atrasados pelo menos 10 anos. Antes tarde que nunca.

O bom do resultado é que vamos sentir, daqui há alguns anos, os efeitos de uma gestão privada, não a gestão da medíocre Infraero, condomínio de políticos incapazes e irresponsáveis, sem qualquer compromisso com o interesse público. Esse é o ganho da licitação.

Não se trata de ganho financeiro. Até porque os números da licitação têm de ser melhor explicados. Os Consórcios vencedores têm a própria Infraero, totalmente estatal, com 49%. O valor da outorga a ser paga tem, portanto, metade de recursos do próprio governo federal. Esse dá o dinheiro à Infraero e esta paga ao governo federal… O dinheiro sai e entra, em seguida. E não é só isso. Os recursos das outorgas a serem pagos pelos Consórcios e os que serão investidos podem ser 70% financiados pelo BNDES. E esse os obtém do próprio governo federal. Mais uma vez o dinheiro sai e entra no mesmo lugar. Resultado: apenas 15% de todos os gastos virão dos sócios privados que terão os recursos, em parte, da própria geração da caixa da operação dos aeroportos.

Daí que o dinheiro privado será muito pouco, relativamente. Mas reconheça-se o ganho de gestão. Os resultados, para a sociedade, serão sensíveis. Dilma, pode rir, ainda que seja à toa.

Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB

Contabilidade criativa - Merval Pereira

O projeto de lei aprovado pelo Congresso que desobriga o governo federal de complementar a meta não atingida por estados e municípios nâ formação do superávit primário — a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida — é mais um desses truques para justificar a redução do superávit primário.

Na verdade, não existe uma meta nacional para estados e municípios. Só na época em que o Brasil definia com o FMI as metas é que estados e municípios tinham objetivos oficiais. Hoje a meta é da União, e o govemo põe uma meta para estados e municípios, que é informal. Não acontece nada se os entes federativos não cumprirem suas metas. Por isso, também não existe a obrigação de a União cobrir as metas de estados e municípios, o que existe é obrigação de a União atingir a sua meta.

Em 2013, a meta de economia prevista é de 2,3% do Produto Interno Bmto (PIB), o que corresponde a R$ 110,9 bilhões. Desse total, R$ 38 bilhões corresponderiam ao superávit de estados e municípios, número que não será alcançado. Como o govemo central — composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — também não está cumprindo a sua meta, que é de R$ 73 bilhões, o superávit primário este ano será bem abaixo do previsto.

Os estados e municípios, em vários anos, ajudaram a União na composição do superávit, mas há três anos não conseguem cumprir as metas informais estipuladas. A reclamação generalizada dos prefeitos sobre a situação financeira de seus municípios tem tudo a ver com as mudanças que o governo pretendia fazer na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Além da razão básica de que a arrecadação de tributos está caindo devido ao fraco desempenho da economia, há motivo específico para a situação dos estados e municípios estar pior: os benefícios tributários que o Planalto ofereceu a setores econômicos atingem principalmente tributos com forte influência nas economias regionais, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A cada isenção oferecida pelo govemo, os fundos de participação dos estados (FPE) e dos municípios (FPM) perdem, pois são formados basicamente pelo IPI e pelo Imposto de Renda. Com o fraco desempenho da economia, está caindo a arrecadação do IR de grandes empresas, como a Petrobras e a Vale, o que afeta os fundos regionais. Porém, não há qualquer credor de estados e municípios que não tenha recebido seu pagamento. O maior credor de estados e municípios é a União, que detém 95% das dívidas. Se um estado ou prefeitura não pagar o que lhe deve ,a União entra na conta bancária do ente devedor e bloqueia o dinheiro. Não há possibilidade, portanto, de não pagamento.Outra razão para o superávit dos estados e dos municípios estar caindo é que o govemo federal liberou empréstimos aos estados. Com a mudança dos critérios para pagamento das dívidas estaduais, medida que acabou sendo adiada pelo governo, os empréstimos que vêm sendo liberados ficariam dentro dos novos limites de endividamento.

Hoje estados e municípios não estão inadimplentes, mas, em três ou quatro anos, podem ficar, pois os empréstimos vêm sendo liberados com carência por BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal. Voltamos àquele quadro anterior à Lei de Responsabilidade Fiscal em que o dirigente tomava empréstimo para ser pago pelo sucessor.

Todo mundo sabe que o governo liberou empréstimos de modo irresponsável para os estados, com carências elevadas. A maioria dos senadores já percebeu isso, porque é de candidatos a governos estaduais: Lindbergh Farias (PT-RJ), Pedro Taques (PDT-RO), Ana Amélia (PP-RS), Delcídio Amaral (PT-MS).

Na verdade o govemo federal está dando empréstimo para cobrir gastos correntes. Em 2013, fizeram a contabilidade criativa para fechar as contas da União e alegaram que estados e municípios não cumpriram a meta. Para justificar a contabilidade criativa, resolveram culpar estados e municípios, e formalizaram a dispensa na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Os pontos-chave
Projeto de lei que desobriga o govemo federal de complementar a meta não atingida por estados e municípios na formação do superávit primário é mais um truque para justificar a redução do superávit primário

Não há uma meta nacional para estados e municípios. A meta é da União

Voltamos àquela situação anterior à Lei de Responsabilidade Fiscal em que o dirigente tomava um empréstimo para ser pago pelo sucessor

Fonte: O Globo

Calcanhares desnudos - Dora Kramer

O primeiro (e maior) desejo do PT era o de que todo mundo acreditasse na inexistência do mensalão. O segundo, que se desse um desconto ao "pecadilho" do caixa dois e ficasse tudo por conta dos vícios do sistema que leva todos ao terreno da ilegalidade, por esta ótica legitimada pelo compartilhamento da prática.

Não deu certo. Prevaleceu, por mais consistente, a narrativa feita na denúncia da Procuradoria-Geral da República aceita pelo Supremo Tribunal Federal para abertura de processo, a Ação Penal 470.

O desejo seguinte, que o julgamento não acontecesse no ano eleitoral de 2012. Outra vontade frustrada, não obstante o rigor do Supremo não tenha influenciado o resultado das eleições: o PT perdeu ou ganhou por questões de ordem política.

O mensalão não foi o tema central da campanha, seja porque a oposição não o explorou a fundo, seja porque os petistas - da presidente da República aos candidatos, passando pela posição majoritária nas bancadas do Congresso - atuaram para marcar distância entre o episódio e o partido.

Com habilidade, desmontaram preparativos de reações mais radicais na defesa dos réus e no ataque ao tribunal. Os estridentes do ano passado não caracterizaram uma ação coletiva. Pois toda sutileza foi abandonada quando ficou decidida a execução das penas de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

A presidente Dilma Rousseff calada estava, resolveu se manifestar aludindo a risco de morte quando Genoino teve uma crise de pressão alta; o ex-presidente Lula da Silva um dia recusou-se a falar - "quem sou eu para comentar decisão do Supremo?" - e no seguinte ecoou as reclamações - "parece que a lei só vale para o PT" - as bancadas no Congresso foram contundentes na ofensiva contra o presidente do STF e os dirigentes do partido assinaram manifesto de protesto.

Teria sido a isso que o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, se referia quando disse "em 2013 o bicho vai pegar"? Caso tenha sido, trata-se de um bicho daqueles que não se cria em casa. Pode morder o dono.

Com suas atitudes explícitas, o PT vem anulando o esforço que fez para se distanciar do mensalão ao desnudar em público os calcanhares que até então procurava resguardar. O que pretende conseguir de objetivo com isso não está ao alcance da vista.

Antes disso era razoavelmente fácil discorrer sobre a recorrente indagação a respeito da influência das prisões sobre a próxima eleição: a julgar pelo exemplo de 2012 e considerando que o PSDB provavelmente terá um ex-presidente do partido (Eduardo Azeredo) julgado por peculato e lavagem de dinheiro no mesmo foro, a resposta seria negativa.

Hoje não se pode dizer com a mesma certeza. Não por ação dos adversários. Tanto Eduardo Campos quanto Aécio Neves têm sido discretos. Até porque tripudiar seria, no mínimo, de extremo mau gosto.

Quem se expõe ao risco é o próprio PT, ao se abraçar ao mensalão, levar o assunto para o cerne do partido e transformar em questão de honra um assunto absolutamente desonroso. Entre outros motivos, por apontar arbitrariedade na execução das penas dos seus e deixar os outros condenados por parceria no esquema ao Deus-dará.

Disciplinar. Nem bem havia entrado no PSB, a ex-senadora Marina Silva deu um chega para lá no deputado Ronaldo Caiado, que vinha construindo aproximação forte com o presidente do partido, Eduardo Campos. O setor do agronegócio, até então permeável às investidas do governador de Pernambuco, afastou-se.

De lá para cá Campos vem investindo firme na reconstrução das pontes. E, note-se, Marina Silva não deu mais uma palavra ácida sobre o assunto nem nominou esse ou aquele personagem ligado à área, cujo apoio poderia desagradá-la.

Fonte: O Estado de S. Paulo