domingo, 6 de julho de 2014

João Bosco Rabello: Depois da Copa

- O Estado de S. Paulo

No momento em que a mais recente pesquisa eleitoral registra uma espécie de hiato futebolístico, com os índices relativamente estabilizados, uma outra aferição mantém a economia como alto risco eleitoral para o governo.

Enquanto a presidente Dilma permanece em patamar de aprovação que confirma a realização de um segundo turno, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostra que o consumidor estima uma inflação de 7,5%, acima do teto da meta, maior que a previsão do próprio mercado, que é de 6%.

O dado inflacionário puxa outras percepções que constam das consultas feitas pelos partidos políticos para consumo interno, igualmente negativas para o governo e indicativas do grau de dificuldade da campanha da candidata oficial em criar expectativas que revertam sua estagnação nas pesquisas.

Inserem-se nesse quadro a falta de expectativa de aumento de renda, conjugada ao fim do poder de consumo, a baixa remuneração de empregos, a insatisfação com as políticas públicas nas áreas essenciais de saúde, infraestrutura e segurança, além da sensação de aumento da corrupção.

Os índices de intenção de voto registrados pela presidente Dilma são desfavoráveis no sudeste, que concentra 40% do eleitorado nacional, no qual ela empata com o candidato Aécio Neves, do PSDB, ambos na casa dos 28%. A soma nas outras regiões não autoriza uma votação compensatória.

Na conta global, a pesquisa sugere que a presidente não cai mais por ter atingido seu piso de queda, apesar da superexposição a que foi submetida.

É nesse ponto que reside o otimismo da oposição. Os levantamentos feitos até aqui ainda ocorrem com os candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos desconhecidos por parcela expressiva da população, o que certamente será reduzido com a exposição no horário eleitoral gratuito na televisão.

Se é verdade que a oposição ainda não se mostrou competente para capitalizar politicamente o revés do governo, na proporção que ele permite, é igualmente real que o repertório oficial esgotou sua capacidade de produzir novidades.

Nada mais demonstrativo dessa constatação do que o relançamento de programas como o PAC, em versões renumeradas, antes mesmo que as primeiras se tenham completado.

Além disso, com a disputa política orientada pela meta de ampliação de bancadas federais dos partidos, a dissidência na base aliada do governo foi maior do que era permitido estimar com base na disputa por espaço na estrutura de governo, protagonizada por PT e PMDB.

A fragmentação da militância desfavorece o governo nas campanhas estaduais e eleva seu risco eleitoral.

Nada indica que o êxito na organização da Copa, com ou sem vitória da seleção nacional, perdure para afetar essa realidade que a antecede.

Luiz Carlos Azedo: "Nós contra eles"

• O nacionalismo em campo é um sentimento bonito e saudável — até a hora que motiva um jogador a fazer uma covardia em campo, como aquela joelhada do colombiano Zuñiga na coluna de Neymar.

- Correio Braziliense

O escritor judeu-russo Ilya Ehrenburg Grigoryevich acompanhou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) como correspondente de guerra, com a experiência anterior de repórter na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), da qual participou, com o colega norte-americano Ernest Hemingway. Amigo de Jorge Amado e Pablo Neruda, teve várias obras traduzidas no Brasil, entre elas A queda de Paris e Moscou não crê em lágrimas. Os três fizeram um pacto para não contar suas memórias. Ehrenburg, porém, foi o primeiro a quebrá-lo, escrevendo talvez a sua obra mais importante. O último foi Jorge Amado, com Navegação de cabotagem.

Ehrenburg foi o primeiro escritor a denunciar os números do Holocausto, no Livro negro, com relatos de judeus sobreviventes da Polônia e da antiga União Soviética sobre os campos de concentração. Com o fim da guerra, porém, foi muito criticado por seus colegas russos, porque durante a ocupação tratou todos os alemães como “boches”, não distinguia um agente da Gestapo de adolescente mandado para a frente de batalha como bucha de canhão. Como se sabe, o exército de Hitler chegara às portas de Moscou e somente foi derrotado na sangrenta batalha de Stalingrado, que marcou o início da derrocada militar do líder nazista. Morreram na guerra 20 milhões de soviéticos.

“Vamos matar. Se você não tiver matado pelo menos um alemão um dia, você teve desperdiçado aquele dia ... Não conte dias; não conta milhas. Conte apenas o número de alemães que você matou...”, chegara a dizer num artigo intitulado Morte. Mais tarde, para se defender, Ehrenburg lembrou um artigo de 1942, quanto Stalingrado ainda estava sob cerco alemão, no qual advogava a benevolência com os prisioneiros.: “O soldado alemão com arma na mão não é um homem para nós, mas um fascista. Odiamos ele. [...] Quando o soldado alemão dá a sua arma e se entrega, nós o faremos. Não tocá-lo com um dedo — ele viverá!” Em 2 de fevereiro de 1943, 91 mil homens esfomeados, doentes e exaustos foram feitos prisioneiros, entre eles 22 generais do 6º Exército, depois da rendição do marechal alemão Von Paulus.

Perseguições
Esta lógica do “nós contra eles” teve seus ecos por aqui, quando o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial, depois de um longo namoro do presidente Getúlio Vargas com o Eixo (Alemanha-Itália-Japão), nos primeiros anos do Estado Novo (1937-1945). Em 1942, quando navios brasileiros foram afundados por submarinos alemães no Oceano Atlântico, Vargas fez um acordo com o presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, e o Brasil entrou na guerra ao lado dos Aliados (Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética, entre outros).

Alemães, italianos e japoneses e seus descendentes no Brasil passaram a ser imediatamente perseguidos. Clubes foram fechados ou obrigados a mudar de nome, caso do Palmeiras, antigo Palestra Itália, e do Yacth Club Santo Amaro, antigo Clube Alemão de Vela, em São Paulo, do nosso Robert Scheidt, 15 vezes campeão mundial e bicampeão olímpico. Até bares e restaurantes foram obrigados a mudar de nome, como o centenário Bar Luiz, no Rio de Janeiro, que se chamava Bar Adolph.

Os suspeitos de pertencerem ao Partido Nazista ou à Juventude Hitlerista eram mantidos sob vigilância ou confinados em campos de concentração. Houve pelo menos nove: Tomé-Açú, no Pará (alemães e japoneses); Chá de Estevão, em Pernambuco (empregados alemães da antiga Cia Paulista de Tecidos, hoje Casas Pernambucanas); Ilha das Flores, no Rio de Janeiro (onde prisioneiros de guerra foram misturados com presos comuns); Pouso Alegre, em Minas Gerais (marinheiros do navio Anneleise Essberger); Ilha Anchieta (colonos japoneses); Guaratinguetá e Pindamonhangaba (fazendas onde foram confinados colonos alemães e marinheiros do navio Windhuk); Penitenciária Agrícola da Trindade, em Florianópolis; e Presídio Político Oscar Schneider, em Joinville (onde um hospital foi transformado em colônia penal para suspeitos de atividades nazistas do Sul do país), em Santa Catarina.

Os alemães perderam a Copa do Mundo de 1938 na França, no auge do regime nazista: não passaram da primeira fase. Foram, porém, campeões em 1954 (Suiça), 1974 (Alemanha) e 1990 (Itália) — com o país ainda dividido em consequência da guerra. Depois da reunificação, com a queda do Muro de Berlim, disputaram duas finais e um terceiro lugar. Agora, vieram com tudo para vencer a Copa do Mundo no Brasil, mas, nem por isso, devemos tratá-los como “boches”, na semifinal contra o Brasil de terça-feira. O evento é uma celebração da paz, na qual o patriotismo de 11 craques em campo e milhões de torcedores não pode ser inimigo da confraternização multinacional e multiética do futebol. O nacionalismo em campo é um sentimento bonito e saudável — até a hora que motiva um jogador a fazer uma covardia em campo, como aquela joelhada do colombiano Zuñiga na coluna de Neymar.

*Fernando Henrique Cardoso: Caminhos da paz na Colômbia

- O Estado de S. Paulo / O Globo

Convocados pelo presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, para debater e apoiar a tentativa de lograr a paz entre as Farc e o governo daquele país, Bill Clinton, Felipe González, Ricardo Lagos, Tony Blair e eu nos juntamos em Cartagena na última segunda-feira. Pela primeira vez - depois de décadas de lutas entre os guerrilheiros e as Forças Armadas, com todo o horror da guerra e uma inédita relação entre guerrilheiros e narcotraficantes, após tentativas fracassadas de encerrar o conflito e criar condições para a pacificação do país - há sinais firmes de que houve progressos na direção da paz. As mesas de negociação, estabelecidas em La Habana com o apoio do governo cubano, já acordaram três dos cinco pontos em discussão, entre eles o da reparação às vítimas e a forma de punição dos culpados.

Embora seja cedo para dizer que existe paz à vista, chegou a hora de os líderes e organizações internacionais emprestarem seu apoio ao processo em curso, mesmo antes do cessar-fogo. O governo da Colômbia opõe-se a paralisar as operações militares sem a resolução das questões postas na mesa de negociações. Quer evitar o que ocorreu no governo Pastrana, quando uma "zona de paz" consagrada no meio do país serviu de base para que as Farc se reforçassem militarmente.

Firmamos um documento apoiando os esforços em andamento, ressaltando que queremos uma paz com justiça, assegurando às vítimas do conflito a satisfação possível de seus direitos. Isso não deve impedir que a Colômbia caminhe para a paz e a reconciliação.

No decorrer da discussão, ficou claro que em processos semelhantes resolver a questão dos direitos das vítimas foi essencial para a aceitação da dita "justiça de transição", a única possível para encerrar demoradas situações de conflito. A natureza excepcional dessas situações torna difícil individualizar responsabilidades e punições pelos crimes cometidos. De um lado, a anistia é uma necessidade para pôr fim ao conflito, de outro, o perdão legal não pode coonestar graves violações dos direitos humanos. É um equilíbrio difícil de estabelecer. Cada qual dos presentes tinha sua contribuição a dar na matéria, pela experiência vivida: Felipe González, pelo trato com a questão do ETA na Espanha; Bill Clinton, pelo empenho e pelas inúmeras dificuldades nas negociações de paz entre Israel e Palestina; eu próprio, pela mediação do Brasil no acordo de paz entre Equador e Peru; e Tony Blair, por seu desempenho no acordo de paz que pôs fim ao conflito entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte.

Nesses casos, não se trata apenas de assegurar reparações a refugiados, deslocados, famílias de pessoas assassinadas, desaparecidas, etc. É preciso lidar com um drama humano, coletivo, que não desaparece com essas medidas. A justiça possível é o primeiro passo para a reconstrução da convivência nacional pacífica em torno de valores democráticos e generosos, o que exige arrependimento, reconciliação e boa vontade.

Na segunda parte do encontro tratamos de reavaliar as melhores práticas para, havendo paz, assegurá-la por meio de políticas que melhorem as condições de vida da população. Nenhum dos líderes presentes acredita que basta aumentar o produto interno bruto (PIB). Essa condição é necessária, mas não suficiente. A participação cidadã, o domínio e a disseminação das novas tecnologias de comunicação e informação, o livre engajamento nas redes sociais como espaços públicos de expressão do pensamento e dos sentimentos da sociedade, uma democracia efetiva, aberta à oitiva dos anseios das pessoas, são tão importantes quanto um bom desempenho econômico para assegurar vida longa à paz.

Nenhum de nós crê tampouco que a melhoria das condições de vida da população, na Colômbia, assim como em outros países, se decida na disputa ideológica entre "privatizar" ou "estatizar". A decisão a esse respeito deve dar-se o mais possível a partir do debate público sobre quais bens e serviços devem ser oferecidos diretamente pelo Estado, eventualmente de forma gratuita, ou pelo setor privado, levando em consideração as implicações dessas escolhas não só para o tamanho do Estado e da carga tributária, mas também para a qualidade da gestão estatal e da regulação pública. A regulação pública de qualidade - o oposto do controle discricionário do Estado sobre os agentes privados - é uma das chaves para a prosperidade social e econômica no mundo atual para todos os países que, como a Colômbia, já ultrapassaram um certo umbral de desenvolvimento.

Passamos em revista as políticas que permitiram avanços sociais importantes na América Latina nos últimos 20 anos. Clinton lembrou o efeito positivo dos programas de transferência direta de renda que o Brasil implantou a partir do Plano Real. Eu ressaltei a importância da estabilidade econômica, uma vez que o Plano Real não foi apenas um programa tecnocrático de derrubada da inflação, mas um processo de fortalecimento da capacidade dos indivíduos e da sociedade para planejar e realizar as suas escolhas. Lagos insistiu na centralidade das questões distributivas, registrando que a região continua marcada pela desigualdade, apesar da estabilidade e da redução da pobreza. Felipe González acrescentou ser importante cuidar da distribuição dos resultados da expansão econômica, diferenciando-a da distribuição do estoque de riqueza acumulada, quando socialmente produtiva, pois os países em desenvolvimento necessitam de mais frutos mais bem repartidos, e não de árvores derrubadas.

Esperanças compartidas. E confiança, também. Apesar de uma guerra interna de mais de 40 anos, a Colômbia manteve a democracia e, há vários anos, vem crescendo a cerca de 4% ao ano, com inflação baixa. A paz ampliará os horizontes do seu desenvolvimento e fortalecerá ainda mais a legitimidade de sua democracia, com grande benefício para toda a região. Por isso merece todo o nosso apoio.

*Sociólogo, foi presidente da república

Ferreira Gullar: Ainda bem que não adivinho

• Minha ansiedade na espera desse jogo foi ainda maior do que no anterior; quanto mais alto, maior a queda

- Folha de S. Paulo – Ilustrada

Você, leitor, já sabe o estado em que fico quando a seleção brasileira vai jogar e, pior ainda, quando está jogando. Pode, portanto, imaginar quanto me custou esperar pelo jogo com o Chile, que me parecia um bom time, com uma capacidade ofensiva preocupante.

É verdade que, como fazia 12 anos que os chilenos não conseguiram nos vencer, peguei-me nesse argumento para me convencer de que iríamos derrotá-los. Mas, como se sabe, essa foi uma convicção difícil de manter, particularmente depois que o Chile fez um inesperado gol de empate.

Senti o baque e a seleção também, porque, depois disso, parecia perdida em campo. Os chilenos mantinham a posse de bola e avançavam articulados para o nosso gol.

Embora insistisse em dizer a mim mesmo que a nossa vitória era inevitável, essa certeza foi se tornando cada vez mais difícil de manter. Para piorar a situação, os chilenos impediam Neymar de jogar, mantendo dois, três jogadores, em cima dele, que o empurravam, chutavam, derrubavam. Como se não bastasse, Fred recebeu uma bola em frente ao gol chileno, quando o goleiro estava caído do outro lado, e chutou para fora.

A sorte (isto é, o acaso) parecia conspirar contra nós e, além disso, o juiz da partida também se tornou nosso adversário. E que adversário, já que seu poder, dentro de campo, é absoluto. Assim foi que não marcou um pênalti indiscutível em Neymar e anulou um gol absolutamente legítimo do Hulk.

Naquele instante, eu havia saltado da cadeira e gritado "gol!", quando me dei conta de que algo estranho havia acontecido.

O gol fora anulado, porque o juiz achou que Hulk matara a bola no braço e não no ombro como de fato aconteceu. E além disso, ele, que estava errado, puniu quem estava certo, dando-lhe um cartão amarelo. Acreditem que não sou aquele tipo de torcedor que, quando perde, culpa o juiz por tudo, mas esse cara parecia querer nos derrotar a qualquer custo.

E ele não parou aí, passou a apitar falta toda vez que um jogador do Chile, ao disputar a bola, caía no chão. Os chilenos, vivos como são, passaram a se jogar assim que perdiam a bola. Nunca vi tantas faltas num jogo só. Daquele jeito, pensei, era impossível ganhar a partida.

Mas, justiça se faça, ele não foi o único árbitro, nesta Copa, a cometer tantos erros. Vários outros, também os cometeram e também influíram no resultado da partida, pois não precisa deixar de apitar um pênalti para que o resultado seja outro. Também apitar uma falta que não houve pode impedir que um gol aconteça. Enfim, acho que a equipe de árbitros da Fifa deve ser reciclada.

De qualquer modo ganhamos, graças a Júlio César, que Felipão convocou contra a opinião de muita gente. "Esse Felipão --me disse um desses entendidos de boteco-- já não sabe o que faz, do contrário não teria convocado para a seleção um goleiro decadente, como o Júlio César, que foi reserva de um time inglês de segunda categoria." Respondi-lhe que, na próxima Copa, o indicaria para ser o técnico da seleção brasileira.

Tudo bem. Hoje é domingo e sexta-feira passada, houve o jogo do Brasil contra a Colômbia, ou seja, depois que já tinha entregue esta crônica ao jornal. Notadamente, como você pode imaginar, minha ansiedade na espera desse jogo, foi ainda maior do que no anterior, não só pelo desempenho da Colômbia até então --ganhou fácil do Uruguai-- mas porque, como diz o ditado, quanto mais alto se sobe, maior a queda, desde que se caia, claro.

Se caímos ou não nessas quartas de final, não posso saber agora, quando escrevo esta crônica, pois não sou adivinho. Na minha insensatez de torcedor, porém, prefiro cair de mais alto que de mais baixo. De modo que, se tivermos passado pela Colômbia, iremos às semifinais e, se vencermos de novo, iremos à final. Estaremos, pois, quase no ponto mais alto a que se pode chegar nesta escalada. Portanto, se vencermos, o Brasil inteiro será uma festa mas, e se perdemos?

Já calculou o golpe que será repetirmos a derrota de 1950, perdendo de novo em casa a partida que, desta vez, nos tornaria hexacampeões? Não quero nem pensar. Mas, por outro lado, se formos derrotados antes (se é que já não o fomos), a Copa perderá toda a graça. Para mim, pelo menos.

Brasília-DF- Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Dilema da largada
Entre os três candidatos que mais pontuam nas pesquisas para presidente da República, quem vive o maior dilema é o do PSB, Eduardo Campos. Empenhado em sair do escanteio em que foi colocado diante da polarização que começa a surgir entre PT e PSDB na sucessão presidencial, seus estrategistas se dividem entre apostar num programa de governo capaz de conquistar setores do eleitorado, algo que todos os candidatos farão com poucas variações, ou partir direto para aquilo que integrantes de seu partido apontam como a porta mais segura: espalhar aos quatro cantos que é o único capaz de derrotar a presidente Dilma Rousseff num segundo turno, algo que Eduardo ouviu inclusive de um dos maiores empresários do país, Rubens Ometto, da Cosan, numa reunião em São Paulo.
» » »
Os próprios socialistas consideram que seus votos num segundo turno não seguirão em bloco para o tucano Aécio Neves. Do outro lado dessa moeda, como Aécio encarna hoje a maior mudança em relação ao atual governo, a aposta é a de que os eleitores que escolherem o PSDB num primeiro turno apoiariam Eduardo, porque não desejam a reeleição de Dilma em hipótese alguma. Até o momento, Eduardo não usou esse discurso. Há quem diga que a hora de adotar esse plano é mais adiante.

Perdas & ganhos
O governo respirou no Congresso por esses dias sem movimento, com a paralisação da CPI da Petrobras, mas está preocupadíssimo com os prazos das medidas provisórias. A MP 641, que trata dos leilões de energia que precisam ser feitos imediatamente, foi aprovada a toque de caixa pela comissão especial na quinta-feira, enquanto a MP 643, que reconduz Herme Chipp ao comando da Operadora Nacional de Energia (ONS), corre o risco de terminar perdendo a eficácia.

Álcool no biodiesel
O setor sucroalcooleiro quer aproveitar a MP 646, que trata da adição de biodiesel no óleo diesel, para aumentar a mistura de álcool na gasolina. A ideia é atender o que desejam os produtores de etanol — elevar para 27,5% a mistura. A Anfavea recomenda 26%.

Avenida aberta
Depois da troca de comando no Ministério dos Transportes para atender o PR, Dilma Rousseff passará o resto da campanha com pedidos à porta, avaliam integrantes do próprio PT. No fim das contas, dizem alguns, ela não agradou a todo o PR porque faltou o Dnit e ainda perdeu o discurso de que não cede a pressões políticas.

Herdeiro
O deputado Sarney Filho (PV-MA) é o único da família que concorrerá a um mandato eletivo. Porém, ninguém acredita que será ele ficará com o patrimônio político do clã. Até aqui, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o senador Lobão Filho (PMDB) ocuparam esse espaço. Ainda que Lobão Filho tenha campanha difícil diante dos índices de Flávio Dino (PCdoB) nas pesquisas, é com ele e com seu pai que o grupo contará daqui para frente.

Olho no lance I/ O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o da Defesa, Celso Amorim, têm se revezado no acompanhamento de vários jogos da Copa direto do centro de controle da segurança. Até aqui, diz Cardozo, tudo tem sido elogiado. Falta uma semana para terminar a tensão.

Olho no lance II/ Amorim ontem conseguiu assistir ao jogo no estádio. Pela manhã, teve reunião em Fortaleza para tratar da segurança dos Brics. Outro que acompanhou o jogo na área VIP, além do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, foi o de Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, escalado para ciceronear o presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, e diplomatas colombianos.

Estilo/ Mesmo com a derrota da seleção colombiana, o presidente do país, Juan Manuel Santos (foto), ainda deu entrevista aos jornalistas locais, antes de deixar o estádio e seguir para a Base Aérea. Pelo visto, não tem essa de sair com fama de pé-frio. Afinal, ele viu o jogo contra a Costa do Marfim e saiu de lá com a vitória da equipe treinada por José Pékerman.

Virou bordão/ Os deputados peemedebistas de Goiás se mostram meio incrédulos a respeito das chances de Íris Rezende na eleição estadual. Dia desses, um deles comentava: "O Júnior da Friboi conseguiu fazer o Roberto Carlos comer carne, mas não conseguiu fazer o Íris largar o osso".

E o feriadão segue/ Com o Brasil em campo na terça-feira, o fim de semana dos parlamentares só termina depois do jogo.

Painel - Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Luz própria
A queda de Dilma Rousseff nas pesquisas abriu uma divisão na campanha petista. Parte dos dirigentes passou a defender que a propaganda volte a colar sua imagem à de Lula, tratando os últimos 12 anos como um só governo. Prevaleceu, no entanto, a tese de que é preciso focar o discurso nos últimos quatro anos, jogando luz sobre a gestão da presidente. A ordem é explorar ao máximo as vitrines eleitorais de seu mandato, como o Pronatec e o Minha Casa, Minha Vida.

Antídoto Ao enfatizar programas e obras entregues por Dilma, o PT tentará neutralizar a estratégia da oposição de apresentá-la como uma gestora incompetente, usando como gancho o mau negócio da Petrobras na compra da refinaria de Pasadena.

De novo, não Quando o PP estava prestes a se unir a Alexandre Padilha (PT) em São Paulo, Lula disse a aliados que não voltaria a posar para fotos ao lado de Paulo Maluf, como fez em 2012. Um mês depois, os pepistas migraram para o palanque de Paulo Skaf (PMDB).

Torre de controle Autoridades vinculadas aos aeroportos foram as mais cobradas pelo Planalto nas primeiras semanas da Copa. O governo acionou a Polícia Federal sempre que foi avisado de filas na imigração. Com a Infraero, as principais broncas foram por falhas no ar-condicionado dos terminais.

Sem... Advogados das campanhas presidenciais procuraram Google e Facebook recentemente para saber como será tratado o conteúdo considerado ofensivo publicado em suas páginas.

... compartilhar As empresas indicaram que não pretendem acatar pedidos dos partidos para retirar publicações do ar. A recomendação é que as campanhas acionem a Justiça Eleitoral.

Lata velha Com patrimônio declarado de R$ 17 milhões, o eterno presidenciável José Maria Eymael (PSDC) incluiu quatro carros em sua declaração de bens. Chama a atenção, na frota de automóveis, um Fiat Tipo ano 1994.

Bicicleta Dois candidatos ao Planalto declararam não ter carro próprio: os esquerdistas Luciana Genro (PSOL) e Zé Maria (PSTU).

Mantendo... O programa de José Ivo Sartori (PMDB) ao governo do Rio Grande do Sul elogia a candidatura de Eduardo Campos (PSB) ao Planalto, mas evita qualquer menção à vice Marina Silva.

... a distância Em 2010, Marina teve apenas 11% dos votos dos gaúchos. O desempenho ficou bem abaixo de sua média nacional, de 19,3%.

Muy amigo Aliados de José Serra (PSDB) temem que seu afilhado político Gilberto Kassab (PSD) tire votos decisivos na disputa com Eduardo Suplicy (PT) pelo Senado.

Duelo inédito Veteranos na política de São Paulo, Serra e Suplicy viverão o primeiro confronto direto em uma eleição majoritária. O petista diz que já votou no tucano uma vez: para presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), no longínquo ano de 1963.

Produção em série Dona de um feudo eleitoral na zona sul de SP, a família Tatto lançará um novo integrante, Nilto, a deputado federal. Ele é irmão de Arselino, Ênio, Jair e Jilmar, todos com mandatos legislativos pelo PT.

Passe livre Investigado por suposta ligação com integrantes do PCC, o deputado estadual Luiz Moura (PT-SP) obteve ontem uma liminar que anula a suspensão do partido. Com isso, ele poderá registrar sua candidatura à reeleição. "O bem vence o mau (sic)", comemorou, em mensagem a aliados.

Tiroteio
"O governador promete um choque de gestão, mas é irresponsável e estoura as contas. Depois, pede prisão para se fazer de vítima."
DO MINISTRO PAULO BERNARDO (COMUNICAÇÕES), sobre ação de Beto Richa (PSDB) contra Arno Augustin (Tesouro), que barrou empréstimo ao Paraná.

Contraponto
Devo, não nego, pago quando puder

Em lados opostos na eleição presidencial, o ministro petista Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e o candidato tucano Aécio Neves se encontraram em um evento recente em São Paulo. Assim que avistou o auxiliar de Dilma Rousseff, Aécio cobrou a promessa de um almoço no restaurante de sua filha, em Brasília.

Carvalho reconheceu o débito com o tucano, mas avisou que não pretende quitá-lo tão cedo. Segundo ele, a chefe não iria gostar muito do encontro.

--Vai ter que ficar para depois de outubro! --brincou o ministro, arrancando risadas do senador.

Panorama Político - Ilimar Franco

- O Globo

Mulheres ficam de molho
A ministra Eleonora Menicucci (Mulheres) não concedeu audiência para Rose do Rio, presidente da Liga de Futebol Feminino. O ministro Manoel Dias (Trabalho) ainda está pensando. Ela quer entregar ao governo um abaixo-assinado que, em 30 dias, recolheu 20 mil assinaturas pela internet. E pede que a presidente Dilma envie projeto ao Congresso profissionalizando o futebol feminino. Hoje, cinco mil mulheres disputam campeonatos.
---------------------------
“A profissionalização garante direitos trabalhistas, aposentadoria e dignidade. O futebol também é feminino. Ele precisa ser reconhecido”
Rose do Rio
Presidente da Liga Brasileira de Futebol Feminino e exjogadora
-------------------------------

O futuro pede passagem
A crise dos partidos, dos sindicatos, das associações e das entidades só está começando. A internet está retirando protagonismo dessas organizações e abrindo espaço para dar vida à iniciativa política de cidadãos comuns sem passar pela triagem dos gurus ou ter de ser amigo do rei. Sites de abaixo-assinados, como Change.org, Avaaz, Petição Pública, Abaixo-Assinado.org e Ativismo, estão destronando as velhas formas de fazer política. Um exemplo disso ocorreu agora, na Copa. Um abaixo-assinado virtual, com cerca de 17 mil assinaturas, foi o suficiente para que a Fifa abrisse a Arena Fonte Nova (BA) para que as baianas do acarajé vendessem a iguaria.

O peso da ferramenta
Há exemplos do êxito no uso desse instrumento. O MP em Santa Maria (RS) abriu inquérito contra a prefeitura no incêndio da boate Kiss devido à petição com 27 mil assinaturas coletadas no site Change.org. A Assembleia paulista recebeu petição com 70 mil assinaturas e proibiu o uso de animais no estado para testar novos cosméticos.

Escalando o time
Cezar Alvarez será o interlocutor com os estados na campanha da presidente Dilma. Nos redutos de Aécio Neves (MG) e Eduardo Campos (PE), foram escolhidos, para coordenar, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (foto) e o senador Humberto Costa, respectivamente. A primeira reunião com as coordenações estaduais será na terça-feira.

Homenagem ao trabalho
A filha de um operário que trabalhou na obra do estádio do Corinthians conseguiu, em três dias, pela internet, 80 mil assinaturas para erguer um monumento para os operários mortos ao levantar o Itaquerão. A proposta recebeu apoio do exterior.

Gosta de levar vantagem
O PT queria o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) apoiando seu candidato ao governo, Lindbergh Farias. Agora, continua cantando marra e diz que é bom ele ter ficado, para dividir os votos evangélicos de Anthony Garotinho (PR).

Virou moda
No lançamento da candidatura de Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná, a organização do evento tocou só a primeira parte do Hino. Como nos estádios, os presentes continuaram cantando a capela, incluindo a presidente Dilma.

Agulha no palheiro
O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), propôs decreto legislativo para derrubar o decreto presidencial que cria os conselhos populares. Desde 1989, somente cinco dos 506 decretos legislativos foram aprovados pelos parlamentares.
---------------------
PRESIDENTE DO PT, Rui Falcão, está de mudança para Brasília. Para dar suporte político à campanha, ele vai passar cinco dias da semana na capital do país.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

-Jornal do Commercio (PE)

• PMDB faz lobby para ‘free shops’ de aeroportos
Figurões do PMDB estão fazendo lobby em favor dos negócios do empresário Jonas Barcellos, o “rei dos free-shops” nos aeroportos brasileiros. Autor da frase “os amigos são meu ativo oculto”, Barcellos é tão influente que conseguiu fazer chegar à presidenta Dilma Rousseff sua reivindicação de aumentar de 500 para 1.200 dólares o limite de compras em suas lojas, fincadas na área internacional dos aeroportos.

• Vitaliciedade
Jonas Barcellos também quer que aeroportos privatizados renovem os contratos de concessão para suas lojas, em vigor há quase 40 anos.

• Amigos influentes
Desde sua criação, durante o regime militar, em 1976, a Brasif recorre ao “ativo oculto” de Barcelos, seu proprietário, para renovar contratos.

• Caminho das pedras
Barcellos sempre teve amigos no poder. Um deles, ex-senador Jorge Bornhausen (DEM), foi vice-presidente da sua empresa durante anos.

• Michel, não
A vice-presidência da República negou que Michel Temer tenha tratado do tema “free shops” com Dilma, como afirmam correligionários.

• Aeronáutica mantém medalhas de mensaleiros
Assim como o comandante do Exército, general Enzo Peri, que foge como o diabo da cruz da obrigação de cassar a Medalha do Pacificador de José Genoino, o Comando da Aeronáutica se finge de morto e ignora o decreto 3446/2000, que prevê a exclusão de agraciados com a Ordem do Mérito Aeronáutico, condenados por crime contra o erário, como José Dirceu e Genoino, ou contra as instituições e a sociedade.

• Honraria?
José Dirceu recebeu a honraria da Aeronáutica durante o governo Lula, e José Genoino já era réu do mensalão quando foi condecorado.

• Está no decreto
O Conselho da Ordem do Mérito Aeronáutico já deveria ter cassado as condecorações quando os mensaleiros perderam os direitos políticos.

• Quem cala…
O Comando da Aeronáutica imitou o do Exército e preferiu silenciar sobre a própria atitude de manter a honraria a corruptos condenados.

• Os imperdoáveis
A imagem de José Dirceu abatido e com olhar ressentido deu força a suspeita de que, para ele, além de Joaquim Barbosa, Lula está na lista daqueles que ele não perdoa pela situação que está vive hoje.

• Último acordo
Sob pressão do líder Eduardo Cunha (RJ), a executiva nacional do PMDB reconsiderou e vai retirar a suspensão do registro de filiação do deputado Júnior Coimbra (TO), que deverá disputar reeleição.

• Bandeiras
Em quarto lugar nas pesquisas à Presidência, o Pastor Everaldo (PSC) pretende hastear, além da bandeira evangélica, a redução no número de ministérios e a política do Estado Mínimo, privatizando estatais.

• Fim da importação
Eduardo da Fonte, líder do PP na Câmara, intercedeu junto ao ministro Neri Geller (Agricultura) para abolir portaria que permite importar leite em pó por indústrias do Nordeste, o que prejudicava produtores locais.

• Abusos no anonimato
Diante dos bombardeios do PT nas redes sociais, o deputado Nelson Marchezan Jr (PSDB-RS) apresentou projeto para alterar o Código Penal e tornar crime a criação e o uso de perfis falsos na internet.

• Pulga na orelha
O PMDB do Senado desconfia que o PT está de olho na vaga de Bruno Dantas, indicado por Renan Calheiros (AL) para ministro do TCU. Os petistas cotados seriam Ideli Salvatti, Eduardo Cardozo e Luiz Adams.

• Me esquece
O senador Blairo Maggi (PR-MT) anda numa depressão danada após denúncia do Ministério Público contra ele pedindo abertura de processo por improbidade administrativa. A Justiça Estadual rejeitou o pedido.

• Só com duas greves
A prefeitura de Goiânia criou projeto de lei para atender às demandas dos professores que invadiram a Câmara Legislativa há 25 dias. O acordo, porém, atende demandas da greve anterior, de outubro.

• Che na Bolívia
Há 17 anos, em 6 de julho de 1997, a ossada do líder revolucionário Che Guevara era encontrada na Bolívia, onde foi morto 30 anos antes.

Gafieira Camisa Amarela: Trem das Onze (Adoniran Barbosa)

Manuel Bandeira: Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

sábado, 5 de julho de 2014

Opinião do dia: Zuenir Ventura

“Imagina depois da Copa. O que fazer sem esse ópio do povo, como se dizia antigamente? A overdose já está me levando a misturar times e partidas.”

Zuenir Ventura, jornalista e escritor. O risco do palpite errado, O Globo, 5 de julho de 2014

Barbosa derruba liminar e autoriza julgamento de processo que pode tornar Arruda ‘ficha suja’

• Prazo para registro de candidaturas termina amanhã. Ex-governador do DF foi condenado em primeira instância

Eduardo Bresciani – O Globo

BRASÍLIA – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, suspendeu uma decisão liminar e autorizou o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) a realizar um julgamento que pode enquadrar o ex-governador do DF José Roberto Arruda (PR) na Lei da Ficha Limpa. O julgamento havia sido cancelado semana passada por uma liminar do ministro Napoleão Nunes Maia Filho do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Preso em 2010 no escândalo conhecido como “mensalão do DEM”, Arruda é pré-candidato a governador e lidera as pesquisas de intenções de voto.

Condenado por improbidade administrativa em primeira instância pela acusação de ter comprado apoio político para sua candidatura em 2006, com recursos provenientes de contratos de informática do governo do DF, Arruda poderia ser impedido de concorrer se o TJDFT mantivesse a decisão. O caso estava na pauta da última quarta-feira, mas o ministro do STJ concedeu liminar impedindo a realização do julgamento. Barbosa revogou a decisão de Napoleão

Se eleito, posse pode não ocorrer
No recurso ao STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, argumentou que a liminar impedindo o julgamento comprometia o processo eleitoral no DF. “A tutela do STJ findou por negar, na prática, à população do DF um processo eleitoral hígido na escolha do seu governador, a macular a própria credibilidade e efetividade do Poder Judiciário”, argumentou o procurador.

O prazo para o registro de candidaturas termina hoje. Arruda poderá se inscrever para a eleição sem ser inelegível no ato do registro. Caso o tribunal mantenha a condenação, será aberta nova disputa jurídica para saber se ele poderá tomar posse, se ganhar a eleição. Como o enquadramento na Ficha Limpa não foi feito antes da inscrição da candidatura, ele poderá disputar.

A defesa de Arruda quer que o STJ declare a suspeição do juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, Álvaro Ciarlini, responsável pela decisão de condenação em primeira instância. Ciarlini foi declarado suspeito e impedido de julgar outro réu do mesmo caso, o ex-deputado Leonardo Prudente. Arruda quer que a suspeição seja estendida ao processo contra ele.

Escândalo levou Arruda à prisão
Arruda perdeu o mandato de governador em 2010, após ficar preso. O governador é acusado de chefiar a arrecadação e distribuição de propina a aliados políticos. Pelas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, um grupo de auxiliares diretos de Arruda — entre eles o ex-secretário de Assuntos Institucionais, Durval Barbosa — recebia dinheiro de empresários com contratos com o governo e repartia esses recursos entre aliados políticos.

Parte das cenas de suborno explícito foram documentadas em vídeos gravados por Durval e, depois, entregues à polícia. O esquema teria surgido ainda na administração do ex-governador Joaquim Roriz e continuado, com mais força, no governo Arruda.

As cenas de corrupção devastaram o governo e a Câmara Distrital. Entre os políticos que perderam o mandato na esteira do escândalo estão Arruda, o ex-governador Paulo Octávio e três deputados, entre eles o então presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente. Eles formavam a cúpula do DEM.

Não foi a primeira vez que Arruda se viu envolvido em um escândalo. Em 2001, renunciou ao mandato de senador. Ele foi réu confesso do processo sobre a violação do painel do Senado. Arruda e o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, já falecido, foram acusados de violar o painel eletrônico do Senado para descobrir quem votou contra a cassação do ex-senador Luiz Estevão.

Acuado pelas provas que o apontavam como um dos personagens centrais na fraude do painel, Arruda confessou o crime, chorou e prometeu se regenerar. Menos de uma década depois teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitral (TRE). Semana passada, lançou-se candidato ao governo local pelo PR.

Picciani pressiona Lupi para desistir da candidatura ao Senado do Rio

• Peemedebista ameaça retirar PDT de coligação; PROS escolhe Lilian Sá para senadora, e PCdoB lança nome avulso

Guilherme Amado – O Globo

BRASÍLIA e RIO — O presidente regional do PMDB no Rio, Jorge Picciani (PMDB), deu um ultimato ao presidente nacional do PDT, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, para que ele retire hoje sua candidatura ao Senado. Caso contrário, o PDT estará fora da coligação que quer reeleger Luiz Fernando Pezão (PMDB) ao Palácio Guanabara e, consequentemente, o deputado estadual Felipe Peixoto (PDT) não será o candidato a vice-governador.

— Eu já falei para o Lupi. Não tem cabimento essa candidatura dele. O candidato da nossa chapa é o Cesar Maia. Se o Lupi não tirar a candidatura, o PDT está fora da chapa e o Felipe Peixoto não será o vice. Caso isto ocorra, o nome do (senador) Francisco Dornelles é natural para essa vaga de vice — afirmou Picciani.

A pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Carlos Lupi lançou-se ao Senado para ser o candidato apoiado pela presidente Dilma Rousseff (PT) e pelo próprio Lula. No entanto, a lei eleitoral não permite que uma mesma coligação tenha dois candidatos ao Senado. Na última segunda-feira, Lupi afirmou, em uma coletiva, que um acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lhe garantiria a candidatura. Lupi, assim como alguns setores do PMDB, não concordaram com a indicação do ex-prefeito e vereador Cesar Maia (DEM) para a vaga ao Senado

O TSE não confirmou que a interpretação do texto feita por Lupi esteja correta. O tribunal esquivou-se de responder sobre o caso, já que, caso haja alguma representação contra a candidatura do pedetista, os ministros da Corte podem ter de julgar a situação.

Picciani voltou a atacar o Palácio do Planalto, que, segundo ele, tem tentado enfraquecer a chapa do “Aezão” — formada por 19 partidos e que pede voto para a reeleição de Pezão e para a candidatura a presidente do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

— O Palácio do Planalto não têm limites. Levar o (apoio do) PROS para (a candidatura do deputado federal Anthony) Garotinho (ao governo do estado) foi ideia deles. Essa história do Lupi idem — acusou Picciani.

Ex-ministro também contraria PROS
A candidatura avulsa de Lupi também provocou impasse na coligação do candidato a governador pelo PR, deputado Anthony Garotinho. Até então único candidato ao Senado da base aliada de Dilma, o deputado federal Hugo Leal (PROS), que estava na chapa de Garotinho, desistiu da disputa por perder a exclusividade no palanque da presidente. O PROS sugeriu como opção para substituir o parlamentar o vice-presidente nacional da legenda, Comandante Norberto. Mas, o ex-governador do Rio não concordou com a escolha. Para Garotinho, Norberto não teria densidade eleitoral suficiente para garantir a vaga.

O PR chegou a ameaçar o PROS de retirá-lo da disputa ao Senado pela coligação, caso insistisse no nome de Norberto. Garotinho defendeu a indicação da deputada federal Lilian Sá para a disputa. Na madrugada de ontem, a executiva estadual do PROS optou por aceitar Lilian para o Senado e Comandante Norberto para a vaga de primeiro suplente. O anúncio oficial da mudança será feito hoje pela legenda.

O PCdoB, que integra ao lado de PSB e PV a aliança do candidato ao governo do estado Lindbergh Farias (PT), lançará hoje no Rio um candidato avulso ao Senado. A decisão foi tomada ontem, durante reunião da executiva estadual. Líderes do PCdoB no Rio acusam o PSB de quebrar o acordo que previa a primeira suplência aos comunistas. A vaga para senador na chapa de Lindbergh é ocupada pelo deputado federal Romário (PSB). O PCdoB indicou o presidente regional da legenda, João Batista Lemos, para a suplência.

Apesar de a candidatura independente ao Senado do PCdoB, o partido garantiu que não deixou a aliança e reafirmou que se mantém na coligação Frente Popular.

“Tivemos posições altruístas”
De acordo com a deputada federal Jandira Feghali, a candidatura poderá ser novamente em torno de seu nome ou de outro quadro político com peso eleitoral. Na última pesquisa Ibope de intenções de voto, Jandira permanecia tecnicamente empatada com Romário na primeira posição, seguidos por Sérgio Cabral (PMDB):

— Tivemos posições altamente altruístas em ceder a candidatura ao governo do Rio, no primeiro momento, e ao Senado, logo em seguida. Eram candidaturas extremamente competitivas. Pensamos desde o início na composição da coligação, com objetivo de construir uma aliança forte, à esquerda — disse Jandira. — Contudo, o rompimento do acordo pelo PSB nos força a isto. O PCdoB não pode ser tratado dessa forma. Nós não tratamos aliados os colocando de joelhos, mas em pé. Em 2006, quando concorri ao Senado, o PSB ocupou a primeira suplência, com Roberto Amaral — criticou a deputada.

Caso o PSB não aceite manter o acordo, a direção estadual do PCdoB anunciará hoje à tarde o nome escolhido para a disputa. O registro no Tribunal Regional Eleitoral das candidaturas pode ser feito até as 19h de hoje.

— O PCdoB precisa ser valorizado e tratado com respeito. Estamos cobrando o cumprimento de um acordo feito entre os quatro partidos da aliança: PT, PV, PSB e PCdoB — acrescentou Jandira

(Colaborou Marcelo Remígio).

O enrosco petista no maior estado do país

• Candidatura de Dilma tem contratempos em SP, com palanque fragilizado

• Às vésperas do início da campanha oficial, presidente também sofre com baixa aprovação. Na oposição, Aécio Neves e Eduardo Campos terão de contornar problemas no Rio de Janeiro

Paulo de Tarso Lyra - Correio Braziliense

A conquista da maioria dos votos de 68,2 milhões de eleitores concentrados em São Paulo, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e na Bahia tem consumido a maior parte dos esforços de estrategistas e candidatos ao Palácio do Planalto no aquecimento para a campanha presidencial. Os três principais nomes na corrida pelo controle do Executivo contabilizam fragilidades pontuais em, ao menos, um desses locais. Na campanha petista, o quadro é bem diferente de 2010, quando Dilma Rousseff se elegeu perdendo apenas entre os paulistas, ainda assim por uma margem pequena de votos. O porém é que, justamente nesse estado, os problemas ganharam corpo nas últimas semanas.

Ao contrário de há quatro anos, o principal adversário oposicionista, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), tem a hegemonia mineira, unificou o PSDB paulista em torno de sua candidatura, uniu as oposições baianas — em uma articulação conjunta com o prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) — e angariou o apoio do PMDB fluminense, insatisfeito com o fato de o PT ter lançado o senador Lindbergh Farias para concorrer contra Luiz Fernando Pezão (PMDB).

"O PT não pode errar como errou em São Paulo. Isso é mortal", disse um estrategista político ligado ao ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD). No plano nacional, os pessedistas estão com Dilma. Mas, em São Paulo, apoiarão Paulo Skaf (PMDB). O PT paulista patina na candidatura de Alexandre Padilha, o que deixa a presidente Dilma Rousseff com um palanque frágil em um estado governado pelos tucanos há 20 anos. "Além disso, o índice de aprovação dela em São Paulo não chega aos 30%. É muito baixo", disse o aliado de Kassab.

Tradicionalmente, o PT sempre teve contra si um eleitorado consistente entre os paulistas, sobretudo no interior. "Em São Paulo estamos enfrentando as mesmas dificuldades de sempre. A nossa rejeição inicial é histórica, mas temos que levar em conta que enfrentamos dois candidatos bastante qualificados — um deles nosso aliado", disse o secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, referindo-se ao peemedebista Paulo Skaf. Coordenador nacional da campanha do tucano Aécio Neves (MG), o senador José Agripino Maia (RN) comemorou a estratégia do mineiro em São Paulo. "Ele trouxe para o seu lado um ex-presidente (Fernando Henrique Cardoso) e dois ex-candidatos ao Planalto (José Serra e Geraldo Alckmin). De quebra, ainda indicou Aloysio Nunes Ferreira, o senador mais bem votado da história da capital, como vice", disse Agripino.

O senador demista — que chegou a ser cotado para vice caso a vaga coubesse ao DEM — destacou também a mudança de ares no Rio de Janeiro. "Se olhássemos há dois meses, a nossa situação era muito desconfortável, sem palanques fortes no estado. Conseguimos atrair o PMDB, com sua máquina de governo e uma aliança que chega a 18 partidos", destacou Agripino. Na Bahia, o cenário se repete, com uma aliança envolvendo PSDB, DEM e PMDB. Em 2010, a vitória de Dilma sobre Serra no estado foi acachapante: 62% a 21%. "Não digo que vamos vencer na Bahia. Mas a perspectiva é de que o resultado seja mais apertado", aposta o coordenador-geral da campanha de Aécio.

Segundo o secretário de organização do PT, a fuga de aliados reflete a polarização nacional. "É natural que, nos estados, as demais legendas busquem caminhos próprios até como uma maneira de se viabilizar eleitoralmente", apostou Florisvaldo. Um exemplo disso, segundo apostam atentos observadores políticos, teria acontecido na Bahia, com o desembarque do PTB da chapa petista, capitaneado pelo presidente da sigla, Benito Gama. "Foi uma questão de sobrevivência. Benito é cria do PFL e percebeu que, na Bahia, não é a candidatura presidencial de Dilma que garantirá votos nas eleições proporcionais e sim, a aproximação com ACM Neto e Aécio Neves", disse um aliado de Dilma.

Espaço reduzido
Com menos tempo de televisão que seus principais adversários, o candidato do PSB ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos, ainda amarga uma situação pouco confortável: ele também é aquele com menos palanques fortes nos principais colégios eleitorais brasileiros. Em São Paulo e no Rio, por exemplo, o socialista não terá sequer um candidato a governador filiado ao seu partido.

Na capital paulista, o PSB indicou o vice de Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o deputado Márcio França. No horário eleitoral para governador, o número que aparecerá é o 45, do PSDB. No Rio, a situação é semelhante. Romário (PSB) é candidato ao Senado na chapa do petista Lindbergh Farias. Ele só aparecerá na tevê nos dias reservados à propaganda para presidente, às terças, às quintas e aos sábados.

Secretário-geral do PSB e um dos coordenadores políticos da campanha de Eduardo Campos, Carlos Siqueira acredita que a ausência em dois colégios eleitorais importantes não fará um estrago tão grande na campanha de Eduardo. Ele lembra que na Bahia o PSB tem uma candidata competitiva — a senadora Lídice da Mata — e, em Minas, o cenário se repete com o ex-deputado Tarcísio Delgado. "Não acho que estaremos fragilizados. Tarcísio e Lídice têm chances de ajudar na nossa campanha", disse Siqueira.

O secretário-geral socialista também lembra que, em São Paulo, as disputas são diferentes de qualquer outro canto do país. "O PMDB tinha o vice-presidente na chapa presidencial de Dilma Rousseff e elegeu apenas um deputado federal. Nós elegemos cinco. Imagine agora, oficialmente integrados à chapa de Alckmin e com candidato próprio à Presidência?" projetou um dos coordenadores da campanha do PSB.

Aberta a temporada de caça aos votos do eleitor

- Correio Braziliense

A campanha para as eleições de 5 de outubro começa oficialmente neste domingo. A partir de agora, os candidatos e partidos estão permitidos a fazer propaganda e pedir votos, mas há limites neste período de três meses em que os postulantes a cargos eletivos estarão nas ruas e nas telas da tevê. Os chamados showmícios, por exemplo, são vetados pela legislação eleitoral, assim como a distribuição de brindes ao eleitor — prática comum em eleições no Brasil até poucos anos atrás.

Qualquer abuso contra as regras eleitorais poderá resultar em multas e no enquadramento do candidato pelas práticas de compra de votos e abuso de poder econômico e político. Caberá ao Ministério Público fiscalizar e denunciar eventuais irregularidades. Os próprios partidos também poderão representar na Justiça Eleitoral contra adversários.

Daqui a 90 dias, estarão em disputa no primeiro turno das eleições os cargos de presidente e de vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual. No caso do Distrito Federal, deputado distrital.

A principal fase da campanha está marcada para começar em 19 de agosto, quando terão início as propagandas gravadas para o horário eleitoral gratuito. Todos os candidatos às eleições majoritárias têm direito a tempo de rádio e tevê. O cálculo é feito com base no tamanho da bancada de cada partido que compõe a coligação. A partir desse período, também serão veiculadas inserções de 15 segundos ao longo da programação das emissoras.

No segundo turno das eleições, previsto para 26 de outubro, que acontecerá onde nenhum candidato ao governo estadual tenha atingido mais de 50% dos votos, a propaganda eleitoral será dividida em dois blocos de tamanhos idênticos. Caso haja segundo turno para a disputa presidencial, a regra será a mesma: divisão igual de tempo de rádio e tevê para os dois postulantes.

Batalha no Nordeste

Julia Duailibi – O Estado de S. Paulo

Pesquisa Datafolha, feita nos dias 1 e 2 de julho, mostrou que a presidente Dilma Rousseff (PT) tem 55% das intenções de voto no Nordeste. No mês passado, tinha 48%. Já Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) têm, respectivamente, 10% e 11% – mantiveram os mesmos porcentuais que da pesquisa anterior.

Nas últimas eleições, o Nordeste, segundo maior colégio eleitoral do País com 27% do eleitorado, tem dado a vitória para o PT. Em 2010, José Serra chegou a perder por uma diferença de 10,7 milhões de votos. Na eleição deste ano, PT e PSDB trabalham, de novo, com a vitória de Dilma na região, onde a presidente tem melhor aprovação – a pesquisa mostra que o melhor desempenho de Aécio é no Sudeste, onde está o maior colégio eleitoral do País. Lá, o tucano tem 27% das intenções de voto contra 28% de Dilma.

A campanha de Aécio tentará compensar a diferença de votos para Dilma no Nordeste com o crescimento da votação no Sudeste, especialmente em Minas e no Rio de Janeiro, onde Serra perdeu para Dilma por 1,8 milhão e 1,7 milhão de votos, respectivamente. Ampliar a diferença em São Paulo, onde o tucano venceu por 1,8 milhão de votos, também seria positivo, mas é tarefa difícil. São Paulo é o berço eleitoral de Serra, e o desempenho dele pode ter se aproximado do teto de votação do PSDB no Estado.

Os tucanos também tentarão aumentar a vantagem no Sul, onde o PSDB venceu por 1,2 milhão de votos em 2010, e no Centro-Oeste, onde a vitória foi por pouco mais de 100 mil votos. Ocorre que essas regiões têm pouco eleitor, 14,6% e 7,2% do eleitorado, respectivamente. Portanto, para ajudar na matemática, a vantagem teria de ser muito maior do que a de 2010.

O PSDB pode até vencer em Minas, terra de Aécio, e no Rio, e ampliar um pouco a votação nos demais Estados, mas terá que reduzir a desvantagem no Nordeste. Não tem como fugir disso.

Para a oposição, a situação deve melhorar quando o eleitor souber que Aécio é o candidato do PSDB – 30% dos eleitores do Nordeste não o conhecem contra 12% dos do Sudeste. Na pesquisa espontânea, o candidato do PSDB tem apenas 4% das intenções de voto na região, contra 39% de Dilma e 5% de Campos. Integrantes da campanha lembram ainda que o tucano ainda não atingiu o desempenho de José Serra, em 2010, e de Geraldo Alckmin, em 2006, no Nordeste – e para eles Aécio deve ultrapassar esses tetos assim que a campanha começar nos Estados, a Copa acabar e ele se tornar mais conhecido.

“Não tenho a menor dúvida de que teremos no Nordeste um desempenho melhor do que em 2010″, declarou o senador José Agripino Maia (DEM-RN), coordenador da campanha. Um dos motivos para isso, diz ele, são os palanques regionais, que estariam mais bem estruturados na região do que na eleição anterior. Aécio terá cabos eleitorais fortes na Bahia, no Sergipe, no Ceará, na Paraíba e no Piauí. Em Alagoas a situação é mais complicada, assim como em Pernambuco, terra de Campos e de Lula.

Para o PT, será difícil os tucanos diminuírem a vantagem pró Dilma na região. Embora admitam que a campanha do PSDB por lá estará mais estruturada neste ano, dizem que a ação do governo federal será reconhecida nas urnas. Citam como exemplo programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.

Na segunda-feira, haverá primeira reunião de coordenação da campanha de Aécio, em São Paulo. Em pauta, uma agenda para o Nordeste para tentar reverter o quadro, que hoje continua favorável a Dilma. Em pauta também, a defesa dos programas sociais do PT. O partido já percebeu que é armadilha criticá-los.

Dilma relança programas para campanha

• Projetos em andamento, como Minha Casa, Pronatec e Ciência sem Fronteiras, têm novas fases anunciadas perto do período eleitoral

Rafael Moraes Moura, Tânia Monteiro, Murilo Rodrigues Alves, - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Prestes a começar oficialmente a campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff adotou a tática de lançar novas etapas de programas de governo já em execução - mesmo quando as fases iniciais ainda não foram concluídas. A estratégia tenta dar visibilidade ao que a gestão petista considera suas marcas, evitar que esses projetos sejam apropriados pelos candidatos de oposição e reforçar no eleitorado a tese da "mudança com continuidade".

O mais recente lance dessa tática ocorreu na quinta-feira, com o mega-anúncio da terceira fase do Minha Casa Minha Vida. A solenidade mobilizou Dilma e mais dez ministros, espalhados por 11 cidades do País e videoconferência entre a presidente e seus auxiliares.

Os anúncios das novas fases dos programas federais ocorrem mesmo quando ainda não foram concluídas as etapas anteriores. É o caso do Ciência sem Fronteiras 2 e do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) 2, ambos com metas abrangendo o período de um eventual segundo mandato (2015 a 2018).

A ideia é mostrar Dilma como a única capaz de promover as mudanças que o eleitorado, segundo pesquisas, defende na próxima gestão. No dia 21, durante a convenção nacional do PT que confirmou sua candidatura, a presidente reiterou a tese da continuidade com mudanças e prometeu um "novo ciclo de desenvolvimento" para "consolidar e aprofundar conquistas".

Assessores do Planalto dizem que fazem parte da estratégia do governo o "aprimoramento, ajuste e fortalecimento" dos programas na área habitacional, no acesso ao ensino técnico e na distribuição de renda, entre outros.

Ação e reação. A sucessão de anúncios serve ainda como resposta às movimentações dos candidatos de oposição. O tucano Aécio Neves tem defendido a expansão e o aprimoramento de programas do PT, como o Pronatec e o Programa Universidade para Todos (ProUni). O candidato do PSB, Eduardo Campos, prometeu manter o Minha Casa e construir 4 milhões de unidades - a meta da terceira fase do programa petista é de 3 milhões.

Diante das promessas dos opositores, Dilma e o governo têm dado respostas em discursos e entrevistas. "Nós falamos em 12 milhões (meta da segunda etapa do Pronatec) com a certeza de que esse número é viável. Nós demonstramos ao longo desse período e construímos a nossa curva de aprendizado", disse Dilma em cerimônia no Palácio do Planalto, no dia 18, em resposta velada a Aécio. "Nós, hoje, sabemos como se faz. Nós, hoje, podemos melhorar muito o Pronatec."

A primeira etapa do Pronatec concedeu 7,4 milhões de bolsas e, segundo o Ministério da Educação, cumprirá a meta de 8 milhões. Esse programa e o Ciência sem Fronteiras são as principais marcas da gestão Dilma que o PT pretende apresentar na área da educação.

Moradia. Dilma chegou a cancelar o anúncio da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida, marcada por ela mesma para o fim de maio, depois que Campos prometeu construir 4 milhões de casas populares em quatro anos. Mas o governo retomou a ideia e anunciou a meta de 3 milhões de unidades.

"É uma meta realista. A meta do governo tem um estudo por trás. Não é uma meta da boca para fora, rápida, que responda a um debate eleitoral", disse Jorge Hereda, presidente da Caixa Econômica Federal, responsável pelas obras do programa. "A meta do governo é importante para a afirmação da sustentabilidade e da continuidade do programa, mas por trás de si tem cálculos que respeitam a economia do País", afirmou Hereda.

O mega-anúncio do Minha Casa 3 frustrou as expectativas do setor de construção civil, que esperava respostas do governo a pedidos como a criação de uma faixa intermediária entre o nível 1 (famílias que ganham até R$ 1.600 mensais) e o 2 (renda familiar de R$ 1.600 a R$ 3.250) e o reajuste do valor dos imóveis para cada grupo de beneficiários. Hereda disse que essas questões estão sendo estudadas pelo governo com o setor de construção e os movimentos sociais, mas o detalhamento só será feito no fim do ano, após as eleições presidenciais.

Presidente prepara também terceira versão do PAC
A presidente Dilma Rousseff também já afirmou que lançará a terceira versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) "lá por agosto". Ela até citou um exemplo de obra a ser incluída no programa, como o arco ferroviário de São José dos Campos (SP), que teve o edital de construção suspenso porque o governo decidiu conectar a obra à Ferrovia Norte-Sul.

Não há como assegurar se essa data será cumprida. Nos bastidores, há pouca movimentação em torno de uma eventual terceira versão do programa.

Como candidatos a integrar a nova versão do "filho" de Dilma, estão obras de mobilidade urbana, muitas das quais ficaram pelo caminho, principalmente quando o País foi escolhido como sede da Copa do Mundo. E, das duas versões iniciais do PAC, grandes obras não foram concluídas - como a integração de bacias do São Francisco e o arco metropolitano do Rio de Janeiro.

Diferente de programas mais focados, como o Minha Casa Minha Vida ou o Ciência Sem Fronteiras, o PAC nasceu em janeiro de 2007 como a junção de obras de estatais (como Petrobrás e Eletrobrás), autarquias e empresas públicas (Dnit e Infraero) e parte pequena oriunda de recursos diretos do orçamento. Por ser a união de "orçamentos" distintos - portanto flexíveis para cada empresa -, o PAC é um programa muito maior, mas menos focado e com metas flexíveis.

O trem-bala surgiu em 2009 e foi incluído como meta do PAC 2, no ano seguinte. O PAC 2 termina em dezembro e o leilão do trem-bala nem foi realizado. Tampouco se ouve falar de nova edição do Programa de Investimentos em Logística, um dos poucos êxitos de Dilma na área de infraestrutura. As concessões de aeroportos e rodovias foram bem-sucedidas. Mas a parte de ferrovias não avançou e a de portos está desde o ano passado parada no Tribunal de Contas da União.

Hegemonia de cinco eleições é desafiada

• Após quase 20 anos de gestão, tucanos tentam manter Estado sob seu comando em meio à crise hídrica

Ricardo Chapola Ricardo Brandt e Valmar Hupsel Filho – O Estado de S. Paulo

A política paulista poderia ser resumida numa máxima, dados os resultados eleitorais: “a campanha pelo Palácio dos Bandeirantes é aquela disputa entre políticos em que o PSDB ganha no final”.
Já são quase 20 anos de governo, cinco eleições vencidas, as últimas duas sem precisar de 2.º turno. Os tucanos admitem, porém, que estão agora diante da mais difícil missão desde que Mário Covas venceu Francisco Rossi em 1994. Não só pelo natural desgaste do longo tempo no poder, mas também em razão de problemas da administração, como a ameaça de falta d’água nas torneiras dos paulistas.

As pesquisas apontam atualmente uma ampla vantagem do governador Geraldo Alckmin (PSDB). A configuração dos palanques nas últimas semanas, após acordos de última hora, entretanto, elevaram o empresário Paulo Skaf (PMDB) à condição de adversário de peso, com o maior tempo de TV entre os concorrentes. Além disso, ele tem um perfil conservador, algo que costuma agradar aos eleitores do Estado, em especial os do interior.

No PT, partido que tem polarizado a disputa com os tucanos nas últimas três eleições, a situação não é das melhores. O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, nova aposta eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, perdeu aliados, teve o tempo de TV reduzido e enfrenta certo desânimo entre os correligionários.

Na avaliação dos petistas, Lula não tem mostrado tanto empenho por Padilha, uma vez que Skaf é do PMDB, principal aliado do projeto reeleitoral de Dilma Rousseff. A própria presidente já disse aos peemedebistas: não importa quem estará no 2.º turno, Padilha ou Skaf, o importante é ganhar dos tucanos em seu principal reduto, maior colégio eleitoral do País, com cerca de 32 milhões de pessoas aptas a votar.

São Paulo também é alvo de outros candidatos à Presidência da República, especialmente do tucano Aécio Neves, que escolheu um vice do Estado, o senador Aloysio Nunes Ferreira, para “amarrar” o partido e tentar conquistar uma ampla vantagem sobre Dilma e o presidenciável do PSB, Eduardo Campos, e assim garantir sua ida ao 2.º turno da disputa. Aécio vai criar uma espécie de campanha paralela em São Paulo, pois sabe que Alckmin estará concentrado em seu projeto de reeleição.

Aécio tem um histórico de desentendimentos com os tucanos paulistas. Foi acusado por aliados de Alckmin e de José Serra de não se empenhar em Minas, seu Estado, quando eles disputaram a Presidência da República – Serra em 2002 e 2010 e Alckmin em 2006.

Temas centrais. Padilha – que depois de Dilma e do prefeito paulistano, Fernando Haddad, passou a ser chamado de terceiro “poste” de Lula – e Skaf adotaram a “mudança de verdade” como mote. A coincidência de slogan causou até atrito entre os candidatos. Primeiramente ele foi usado pelo PT. Depois os peemedebistas decidiram adotá-lo também.

Os discursos também devem coincidir no que se refere às críticas ao governo tucano. O tema preferencial é a falta d’água nas represas do Sistema Cantareira, que abastece boa parte de São Paulo. Alckmin diz que o problema é climático – não choveu o que deveria ter chovido. Os adversários afirmam que faltaram, além de chuva, planejamento e investimentos no setor.

Outra área a ser explorada tanto por Skaf quanto por Padilha é a de transportes. Ambos apontam o ritmo lento da expansão das linhas do Metrô. Alckmin, por sua vez, argumenta que nunca se investiu tanto em transporte sobre trilhos e que há oito grandes obras em andamento que só não foram entregues porque são projetos de longo prazo. Ele justifica os atrasos citando greves de operários, problemas na emissão de licença ambiental pela Prefeitura de São Paulo e questões técnicas e geológicas nas escavações.

O setor metroferroviário paulista também pode ser vidraça por causa das denúncias sobre o cartel de trens que atuou no Estado durante os governos tucanos. O Ministério Público aponta acertos entre empresas que teriam causado danos milionários aos cofres públicos paulistas. Também acusa altos funcionários das estatais responsáveis pelos serviços de receber propinas das multinacionais.

Dois ex-secretários de Alckmin, Rodrigo Garcia e José Aníbal, são investigados sob suspeita de envolvimento com o cartel. Ambos negam veementemente qualquer ligação com o esquema de acertos. Alckmin afirma que o governo tomou todas as providências para lidar com o caso, pedindo punição das empresas na Justiça e realizando investigações internas para apurar envolvimento de funcionários públicos.

Disputa paralela. A disputa pela vaga que cabe a São Paulo no Senado Federal promete ser tão acirrada quanto pelo comando do Palácio dos Bandeirantes. De um lado Eduardo Suplicy, petista que está há três mandatos consecutivos no cargo, desde 1990. De outro, Serra, ex-prefeito da capital e ex-governador do Estado.

Há ainda um terceiro nome com potencial de competitividade, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). Kassab só se lançou ao Senado porque achava que Serra, seu padrinho político – foi vice do tucano no município –, não iria disputar a cadeira. Serra, porém, decidiu na última hora buscar a vaga que hoje é de Suplicy após ter sinalizado que seria candidato à Câmara dos Deputados. Mesmo pressionado por ver um aliado como futuro adversário, Kassab, que diz ter sido pego de surpresa, decidiu se manter no páreo.

A situação de Kassab retrata, de certa forma, a confusão de alianças que costuma marcar as eleições brasileiras. Ele é aliado de Serra, que será seu rival. Seu partido, o PSD, é aliado de Dilma no plano federal, e de Skaf, adversário dos petistas paulistas, no plano estadual. Resta saber para quem ele vai pedir voto.

O centro nervoso dos atos de junho

- O Estado de S. Paulo

Uma sequência de passeatas de protesto – contra o aumento das tarifas de transporte, a má qualidade dos serviços públicos e a corrupção na política – tomou as ruas de São Paulo nos primeiros dias de junho do ano passado. Inspiradas principalmente pelo Movimento Passe Livre, que se insurgia contra o aumento de R$ 3 para R$ 3,20 nas passagens do transporte público, multidões lotaram as ruas da capital, com faixas e palavras de ordem.

Iniciados no dia 6 daquele mês, esses protestos se repetiram nos dias seguintes. A reação violenta da tropa de choque da Polícia Militar na Rua da Consolação, na região central, aos manifestantes que partiram do Teatro Municipal em direção à Avenida Paulista no dia 13, uma quinta-feira, teve efeito contrário ao esperado pelas autoridades: deu mais força ao movimento.

No conflito, além de integrantes do protesto, ficaram feridos jornalistas e repórteres fotográficos que foram atingidos por balas de borracha. A resposta veio na segunda-feira seguinte, dia 17. Concentrada inicialmente no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste, a manifestação teve a adesão de milhares de pessoas até então não envolvidas nos protestos. O fenômeno espalhou-se pelo País. O clima e a situação dos políticos já não eram mais os mesmos.

Veterano do poder na hora mais difícil

- O Estado de S. Paulo

Os 20 anos que o PSDB já somou no comando do governo de São Paulo, nove foram sob a gestão de Geraldo Alckmin. Hoje candidato à reeleição, o governador poderá totalizar 13 anos no poder se conseguir vencer o que operadores tucanos definem como a campanha “mais difícil” do partido no Estado.

O principal desafio a ser vencido pelo governador na campanha deste ano será o de superar o próprio modelo de gestão, colocado em xeque após os protestos de junho de 2013, quando Alckmin viu sua popularidade cair em meio a abusos da Polícia Militar nas ruas de São Paulo contra manifestantes e jornalistas. A vacina contra eventuais ataques dos adversários tem uma fórmula simples: explorar o alegado perfil de bom gestor do tucano. Habituado a começar bem cedo o trabalho, a cada dia, Alckmin também costuma varar madrugadas em serviço por toda a semana, sustentado a intermináveis goles de café.

Apesar de chegar à campanha com um mandato fragilizado pela crise no abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo, e também pelas denúncias de formação de cartel no setor metroferroviário, o tucano ainda lidera as pesquisas de intenção de voto.“Alckmin tem uma capacidade de trabalho invejável. Ele não se deixa levar pelo mau humor ou pela pressão. Está sendo equilibradíssimo”, garante o presidente do PSDB paulista, deputado Duarte Nogueira, sempre ao seu redor. “Ele demonstra autoridade sem autoritarismo no que diz respeito aos temas de alta pressão que enfrentou no mandato.”

Durante seus compromissos, o governador consegue ser paciente – atende, invariavelmente, a todos os eleitores que lhe pedem um abraço ou uma foto. Houve ocasiões, como no ano passado, em que ele fez questão de posar para as câmeras, passando, uma a uma, por todas as mesas de um jantar promovido por sindicalistas em São Paulo.

Além disso, raras foram as vezes em que Alckmin perdeu a chance de contar suas piadas, que ia distribuindo em meio a discursos, coletivas de imprensa ou mesmo nas rodas de conversa com assessores e amigos enquanto toma o cafezinho, geralmente em alguma padaria próxima aos locais dos eventos de que participa.

Isolado no Palácio. Parte dos integrantes do PSDB se sente alheia à construção da candidatura do governador à reeleição. Reservadamente, reclama que o governador se encastelou no Palácio dos Bandeirantes, fortim a partir do qual toma todas as decisões consultando apenas uma equipe com pessoas de sua confiança. Dentro de seus domínios, Alckmin tem o respeito professoral dos secretários que formam o primeiro escalão do governo.

Antes de se tornar prefeito de Pindamonhangaba, seu reduto eleitoral no Vale do Paraíba, o tucano se elegeu vereador em 1972, aos 19 anos, graças às suas aulas de química dadas a alunos de um cursinho da cidade, onde nasceu. Alckmin é formado em medicina, com especialidade em anestesia, pela Universidade de Taubaté.

Vice-governador de Mário Covas, assumindo o governo permanentemente após a morte dele, em março de 2001, o tucano foi reeleito no ano seguinte e ganhou novo mandato nas eleições de 2010. Alckmin também já concorreu à Presidência da República, em 2006, mas foi derrotado no segundo turno pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2008, disputou a Prefeitura da capital paulista, mas, de candidato favorito, acabou perdendo ainda no primeiro turno.