Valor Econômico
Na leitura de petistas, Alckmin agrega imagem de ponderação no momento em que o partido busca convencer os indecisos
Chamado para participar mais ativamente da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) já intensificou sua agenda nos primeiros dias de segundo turno. Sua missão é tentar persuadir o eleitorado de centro, em especial aqueles que não foram às urnas votar no domingo (4). Antes mais restrito a São Paulo, um dos principais reforços será em torno de religiosos, segmento que a candidatura busca maior interlocução, além de manter os encontros com empresários.
Aumentar a presença do vice-presidente foi
uma das mudanças propostas por apoiadores e adotada pela coordenação como uma
das iniciativas para tentar reestruturar a campanha de Lula, após o petista
terminar atrás do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, no primeiro turno. Na
leitura de petistas, é exatamente a imagem de ponderação que Alckmin traz, e
agregou para a campanha de 2022, que falta à candidatura neste ano, ainda mais
em um momento decisivo em que o partido busca convencer os indecisos.
Com agenda lotada para essas semanas, seu foco
é procurar pelo eleitor de centro que não morre de encantos por Lula, mas
desconfia de um possível governo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Como
o segundo turno é uma eleição de rejeição, repetem petistas, trazer um rosto
conhecido pelo equilíbrio e ponderação pode pesar favoravelmente na disputa.
De olho em outra vertente, Alckmin falará com
religiosos de diferentes vertentes. Na quinta-feira (8), participou de uma live
da plenária “Povo de Deus com a Democracia” e, neste sábado (10), deverá participar
de uma sabatina com o grupo “Evangélicos com Lula” pela manhã e, à noite, com o
coletivo “Judeus Pela Democracia”, em São Paulo. Ainda sem confirmação de onde
Lula estará, o vice-presidente, também católico, já marcou uma visita para a
Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), na segunda
(12), feriado da Padroeira, um dos assuntos que dominou a reta final do
primeiro turno da eleição presidencial.
O vice também colocou o pé na rua. Só nesta
semana, participou de duas caminhadas. Na quarta-feira, foi à Ceilândia (DF) ao
lado do candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass. Na
quinta-feira, caminhou pela comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São
Paulo, e se reuniu com a organização não-governamental (ONG) G10 Favelas.
Dessa forma, a campanha avalia que é possível
otimizar agendas. Enquanto Alckmin participará dos encontros religiosos no
sábado, por exemplo, Lula irá a Natal em ato de campanha do ex-secretário Cadu
de Lula (PT), candidato ao governo do Rio Grande do Norte, que disputa o
segundo turno com o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União).
Na quarta, enquanto o vice caminhava por
Ceilândia, Lula fazia reuniões com aliados e gravava materiais. O presidente
deverá voltar à região administrativa de Brasília, a mais populosa do Distrito
Federal, nesta sexta-feira (9), em caminhada pela manhã. Quando Lula fez
comício no primeiro turno ao lado de Grass, o vice-presidente não pode ir
porque apoiava o ex-ministro interino Ricardo Cappelli (PSB), que acabou em
quinto lugar na disputa, com 2,2% dos votos.
No primeiro turno, a atuação de Alckmin foi
mais discreta por decisão da coordenação de campanha, contam pessoas próximas
ao vice. À frente das negociações do governo sobre o tarifaço dos Estados
Unidos, ele foi acionado para preencher lacunas no pleito e intensificou suas
agendas em São Paulo, Estado que governou por quatro vezes, além de marcar
presença nas redes sociais, onde Lula relutava em participar diretamente. Com
as mudanças estabelecidas na última semana, o presidente também passou a gravar
para as redes, mas de uma maneira um pouco mais sisuda do que o seu vice.

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