sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Alckmin vai em busca de voto do eleitor de centro, por Lucas Borges Teixeira e Sofia Aguiar

Valor Econômico

Na leitura de petistas, Alckmin agrega imagem de ponderação no momento em que o partido busca convencer os indecisos

Chamado para participar mais ativamente da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) já intensificou sua agenda nos primeiros dias de segundo turno. Sua missão é tentar persuadir o eleitorado de centro, em especial aqueles que não foram às urnas votar no domingo (4). Antes mais restrito a São Paulo, um dos principais reforços será em torno de religiosos, segmento que a candidatura busca maior interlocução, além de manter os encontros com empresários.

Aumentar a presença do vice-presidente foi uma das mudanças propostas por apoiadores e adotada pela coordenação como uma das iniciativas para tentar reestruturar a campanha de Lula, após o petista terminar atrás do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, no primeiro turno. Na leitura de petistas, é exatamente a imagem de ponderação que Alckmin traz, e agregou para a campanha de 2022, que falta à candidatura neste ano, ainda mais em um momento decisivo em que o partido busca convencer os indecisos.

Com agenda lotada para essas semanas, seu foco é procurar pelo eleitor de centro que não morre de encantos por Lula, mas desconfia de um possível governo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Como o segundo turno é uma eleição de rejeição, repetem petistas, trazer um rosto conhecido pelo equilíbrio e ponderação pode pesar favoravelmente na disputa.

De olho em outra vertente, Alckmin falará com religiosos de diferentes vertentes. Na quinta-feira (8), participou de uma live da plenária “Povo de Deus com a Democracia” e, neste sábado (10), deverá participar de uma sabatina com o grupo “Evangélicos com Lula” pela manhã e, à noite, com o coletivo “Judeus Pela Democracia”, em São Paulo. Ainda sem confirmação de onde Lula estará, o vice-presidente, também católico, já marcou uma visita para a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), na segunda (12), feriado da Padroeira, um dos assuntos que dominou a reta final do primeiro turno da eleição presidencial.

O vice também colocou o pé na rua. Só nesta semana, participou de duas caminhadas. Na quarta-feira, foi à Ceilândia (DF) ao lado do candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass. Na quinta-feira, caminhou pela comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, e se reuniu com a organização não-governamental (ONG) G10 Favelas.

Dessa forma, a campanha avalia que é possível otimizar agendas. Enquanto Alckmin participará dos encontros religiosos no sábado, por exemplo, Lula irá a Natal em ato de campanha do ex-secretário Cadu de Lula (PT), candidato ao governo do Rio Grande do Norte, que disputa o segundo turno com o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União).

Na quarta, enquanto o vice caminhava por Ceilândia, Lula fazia reuniões com aliados e gravava materiais. O presidente deverá voltar à região administrativa de Brasília, a mais populosa do Distrito Federal, nesta sexta-feira (9), em caminhada pela manhã. Quando Lula fez comício no primeiro turno ao lado de Grass, o vice-presidente não pode ir porque apoiava o ex-ministro interino Ricardo Cappelli (PSB), que acabou em quinto lugar na disputa, com 2,2% dos votos.

No primeiro turno, a atuação de Alckmin foi mais discreta por decisão da coordenação de campanha, contam pessoas próximas ao vice. À frente das negociações do governo sobre o tarifaço dos Estados Unidos, ele foi acionado para preencher lacunas no pleito e intensificou suas agendas em São Paulo, Estado que governou por quatro vezes, além de marcar presença nas redes sociais, onde Lula relutava em participar diretamente. Com as mudanças estabelecidas na última semana, o presidente também passou a gravar para as redes, mas de uma maneira um pouco mais sisuda do que o seu vice.

 

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