O Estado de S. Paulo
Não há ilusões de parte a parte na
aproximação de Lula com o empresariado
Voto útil é quando o eleitor opta por quem não gosta, mas acha que é melhor do que prorrogar uma situação intolerável. O aperto de mão útil é quando o empresário, o banqueiro ou o produtor rural tinham esperanças frustradas com Bolsonaro e detestam Lula, mas não veem outro jeito senão se acertar com ele, diante do reiterado favoritismo nas pesquisas.
O PT aparentemente conquistou os dois,
faltando horas para o primeiro turno. Porém, não é possível prever nesta
quinta-feira se o voto útil leva Lula a liquidar a fatura no próximo domingo.
Esse voto já foi captado pelos levantamentos mais recentes, como o derretimento
de Ciro. Ocorre que as pesquisas não
conseguem calcular o fator decisivo para determinar se a corrida presidencial
acaba domingo: é a taxa de abstenção, maior no eleitorado mais fiel a Lula.
O aperto de mão útil foi fartamente ilustrado no jantar de terça-feira que reuniu Lula e nomes de peso de todos os setores relevantes da economia, incluindo o agroindustrial. O saudoso dramaturgo Ariano Suassuna teria aplicado ao encontro, que teve mais de cem pessoas, uma de suas frases inesquecíveis sobre a cordialidade brasileira: “Faz parte da nossa boa educação falar mal das pessoas só pelas costas”.



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