Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
Opinião do dia -Jürgen Habermas* (O discurso democrático)
*Habemas, Jürgen (1929). Facticidade e
Validade: contribuições para uma teoria discursiva do direito e da democracia.
Trad: Felipe Gonçalves Silva e Rúrion Melo. p.651, São Paulo: UNESP, 2020.
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
BC e PF agiram na hora certa contra Master e Vorcaro
Por O Globo
Liquidação do banco e prisão do dono não esgotam investigação. Ela deve mirar agora braço político do esquema
Veio em boa hora a decisão do Banco Central (BC) de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. Sob a acusação de negociar títulos fajutos de crédito, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso pela Polícia Federal (PF) quando estava prestes a decolar de Guarulhos num jatinho rumo à Ilha de Malta. A PF prendeu ainda seu sócio Augusto Lima e outros executivos do banco. A Justiça afastou a cúpula do Banco de Brasília (BRB), também alvo das investigações. Entre os crimes investigados pelas autoridades estão gestão fraudulenta e temerária. Apesar das cifras bilionárias envolvidas, a liquidação do Master não representa risco para o sistema bancário brasileiro. Ao contrário, demonstra a independência e a agilidade da vigilância do BC para preservá-lo.
Governo e Centrão selam divórcio, por Vera Magalhães
O Globo
Votação de PL antifacção e operação tendo
Daniel Vorcaro, amigo de caciques do bloco, consolidam afastamento que terá
reflexos nas eleições
A votação do Projeto de Lei Antifacção pela
Câmara e a deflagração da terceira operação da Polícia Federal em poucos meses
com reflexos na classe política selam o divórcio litigioso entre o governo Lula
e uma parcela poderosa do Centrão. O que resta é avaliar os efeitos desse
afastamento, cada vez mais definitivo, no último ano de mandato do petista e
nas eleições do ano que vem.
Diante das seguidas evidências de que a ala do Centrão que declarou guerra a Lula — com Ciro Nogueira e Antonio Rueda à frente e outras figuras-chave da Câmara nos pelotões intermediários — exerce enorme influência sobre Hugo Motta, o governo aposta cada vez mais na aproximação com Davi Alcolumbre para praticar algum tipo de redução de danos em votações e também na montagem de palanques regionais. Mas o céu não está assim tão desanuviado.
A camaradagem de Vorcaro, por Bernardo Mello Franco
O Globo
PF prendeu Daniel Vorcaro sob acusação de
fraude bilionária; falta pegar quem o ajudou a chegar tão longe
Daniel Vorcaro fez fortuna com títulos
podres, tentou escapar da polícia e foi alcançado com o pé no jato. A aventura
do banqueiro terminou numa prisão espetacular no aeroporto, quando ele
embarcava para Malta. Agora falta pegar quem o ajudou a chegar tão longe.
O Banco Master se notabilizou por oferecer títulos que pagavam muito acima dos valores de mercado. Trombeteava juros impossíveis e despejava capital alheio em empresas encrencadas. Sua propaganda prometia risco zero: se o banco quebrasse, a conta seria terceirizada para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A encrenca sindical de Lula, por Elio Gaspari
O Globo
A ideia é tungar os trabalhadores
O Senado aprovou e está no Palácio do
Planalto, à espera da sanção de Lula, o Projeto de Lei que veda “a realização
de descontos, nos benefícios pagos pelo INSS, referentes a mensalidades,
contribuições ou quaisquer outros valores destinados a associações, sindicatos,
entidades de classe ou organizações de aposentados e pensionistas, ainda que
com a autorização expressa do beneficiário”. Depois da exposição das
roubalheiras que uma dúzia de entidades praticava contra os aposentados, isso
era pedra cantada. Mesmo assim, o comissariado petista defende que esse artigo
seja vetado pelo presidente. Ele já foi conhecido como Lula, o Metalúrgico.
Seguir essa questão é uma visita ao mundo das
prebendas nacionais. No final do século passado, ao tempo do Metalúrgico, Lula
era outro. Opunha-se à cobrança de um dia de trabalho dos cidadãos, sob o nome
de imposto sindical, e há meio século dizia coisas assim:
— O Estado de Direito para o trabalhador vai muito além de coisas genéricas como liberdade de imprensa e habeas corpus. Eles precisam ter autonomia e liberdade sindical.
Prisão de Vorcaro assusta mais a política do que a de Bolsonaro, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Busca de blindagem mostra o que Vorcaro é capaz de fazer para evitar prisão e tirar o sono em Brasília
Foram tantas as investidas do banco Master e de seu principal controlador em busca de cumplicidade na Praça dos Três Poderes e na avenida Faria Lima que a operação que prendeu Daniel Vorcaro e decretou a liquidação do banco chegou a ser desacreditada por muitos em Brasília. Sua efetivação, na noite de segunda, levou a aflições, na política, que superam, e muito, aquelas que precedem a provável ida do ex-presidente Jair Bolsonaro para o regime fechado.
No dia 2 de setembro, as digitais de sua rede de proteção no Congresso apareceram num requerimento de urgência apresentado pelo deputado Cláudio Cajado (PP-BA) a um projeto que permitiria ao Congresso demitir diretores do Banco Central. Com esta afronta à autonomia do BC, buscava-se impedir que a autoridade monetária vetasse a compra do Master pelo BRB, banco público cujo acionista majoritário, o governo do Distrito Federal, vive de mesada da União.
Governistas buscam capitalizar caso Master, mas cautela deve prevalecer, por César Felício
Valor Econômico
Lista de aliados de Daniel Vorcaro no mundo político é longa e não se limita à oposição
Ainda na parte da manhã desta terça-feira, o
escândalo do Banco Master virou pauta para governistas na CPI do crime
organizado e na CPMI do INSS, que tomavam depoimentos em salas do Senado. O
líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), ficou na
retórica. Durante a audiência que ouviu o diretor da Polícia Federal Andrei
Rodrigues na CPI do crime organizado, pontuou que a operação policial que
prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro mostrava que a delinquência também estava
“na Faria Lima”.
O deputado Rogério Corrêa (PT-MG) foi um pouco além e antecipou a intenção de transformar o Banco Master em mais um dos múltiplos alvos da CPI do INSS. Tomou a palavra para construir um vínculo, para lá de tênue, do banqueiro com o caso.
Prisão de banqueiro e liquidação do Master também repercutem na política, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Segundo a PF, várias
operações financeiras só prosperaram após pressões diretas de autoridades com
trânsito em bancos estaduais, autarquias e fundos de servidores
A liquidação do Banco Master, decretada pelo
Banco Central após a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia
Federal e pelo Ministério Público Federal, nesta terça-feira (18/11),
desencadeou um abalo simultâneo no sistema financeiro e no mundo político. A
investigação aponta que a cúpula do Master montou um esquema de fraude contábil
bilionário para mascarar um rombo estrutural, mantendo a aparência de solvência
enquanto as finanças da instituição se deterioravam rapidamente.
O controlador do banco, Daniel Vorcaro, preso quando tentava embarcar para Malta, é acusado de vender ao Banco de Brasília (BRB) carteiras de crédito fictícias no valor de R$ 12,2 bilhões, apoiando-se em documentos com datas retroativas e assinaturas eletrônicas emitidas meses depois, uma evidência direta de falsificação. Tratava-se de criar ativos inexistentes e inflar o patrimônio do banco artificialmente, numa tentativa desesperada de evitar o colapso.
O medo de uma nova Lava Jato, por Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
Demora de Lula para enviar o projeto Antifacção ao Congresso ajudou a criar polêmicas
A cena lembraria a novela Vale Tudo. O
empresário Daniel Vorcaro ia deixar o Brasil em seu jatinho horas antes de a
Federal bater na sua porta. Não deu. Algemas esperavam o banqueiro no embarque.
O desfecho do caso Master se une a outros fantasmas que rondam Brasília. Avisos
não faltaram, enquanto o governo Lula patinava na formulação de um projeto de
lei antimáfia.
Desde que o PCC e o CV passaram a atuar no tráfico transnacional de drogas seus recursos cresceram exponencialmente. E não é só para a Receita que dinheiro não tem cheiro. Na hora de receber comissões, operadores do mercado agiram da mesma forma: pouco importava a origem do bilhão da contabolsão ou das operações de câmbio para a compra de USDT. Isso fez com que recursos do crime e do terror passassem a circular nos mesmos escaninhos do dinheiro da sonegação e da corrupção. Era questão de tempo para da festa se passar à ressaca.
Segurança pública une novamente centrão e bolsonarismo na Câmara contra Lula
Por Ranier Bragon , Victoria Azevedo , Carolina Linhares e Raquel Lopes / Folha de S. Paulo
Governo foi derrotado por ampla maioria no PL
Antifacção, relatado por Derrite e comandado por Motta
Aliança centrão-oposição havia sido abalada
pela reação da esquerda com o discurso de justiça tributária e soberania
O bloco de centro-direita e de direita na
Câmara se uniu novamente nesta terça-feira (18) contra a esquerda em um tema
que tem se mostrado, por ora, a principal dor de cabeça de Lula na sua
tentativa de se reeleger em 2026.
A Câmara aprovou o projeto de Lei Antifacção por 370 votos a favor e 110 contra, num revés ao Palácio do Planalto, que viu seu projeto ser alterado e tentou adiar a apreciação da matéria após discordar de mudanças feitas. Partidos com representantes na Esplanada dos Ministérios entregaram 60% dos votos favoráveis, em mais um sinal da fragilidade da base aliada no Congresso.
Delação no caso Master pode explicar simpatia do centrão e do direitão pelo banco. Ou não, por Vinicius Torres Freire
Folha S. Paulo
Investigações preliminares indicam que BRB comprou R$ 12 bilhões de vento do Master
Fraude tão grande só se explica por inépcia
total ou por corrupção. Para benefício de quem?
Daniel
Vorcaro tinha amigos importantes em Brasília, a
gente está farta de ler e ouvir faz meses, ainda mais agora, quando o futuro
ex-dono do Banco Master está
na cadeia.
Fazia lobby, eventos, jantares, tal como quase qualquer empreendedor, digamos,
que não vai a passeio à capital.
Ele, sócio e parentes tinham amigos no
centrão e no direitão. Esse rumor sabidão de "bastidores", porém, diz
quase nada até sobre a dúvida mais óbvia sobre esse rolo, um escândalo que pode
empatar com o da Americanas em roubança.
Segundo investigações, o BRB, banco do governo do Distrito Federal, dava dinheiro para o Master, antes e depois da decisão oficial de comprá-lo. Como assim? O BRB comprava dívidas a receber, créditos, fictícias do Master (no caso, consignados).
O mito da polarização, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Estudo mostra que os apaixonados políticos
são minoria barulhenta e eleitoralmente insignificante
O problema é que a maioria não engajada não
tem (ainda?) alguém que seja capaz de representá-la
Direita e esquerda, da forma como se
apresentam hoje, não caem nas graças da maioria. A dita polarização tampouco.
Um passeio pela vida real dá a dimensão do que se passa longe da internet e do
noticiário que reverbera as vozes engajadas.
Foi o que fizeram os pesquisadores Pablo Ortellado e Felipe Nunes ao elaborar um estudo com duas centenas de perguntas a 10 mil brasileiros. O resultado traduziu a realidade em números: os apaixonados extremos são 11%, e os levemente enamorados, 35% —enquanto 54% estão na pista, no aguardo de quem lhes desperte o interesse.
A esquerda ainda não entendeu o apoio popular à operação militar no Rio, por Wilson Gomes
Folha de S. Paulo
Viver sob facções ativa autoritarismos que a esquerda insiste em
tratar como direitismo
Facções destroem a ordem comum; a reação autoritária popular não é
ideologia, é sobrevivência
A megaoperação no Rio produziu um fenômeno desconcertante para a
esquerda e os progressistas: apesar do número extraordinário de mortos, a
maioria da população a aprovou. A Quaest mostra que 67% dos brasileiros
consideram a operação correta e que 67% julgam que a polícia não exagerou na
força.
No Rio, o Datafolha confirma:
57% concordam com o governador que a ação foi "um sucesso", e quase
70% dizem que ela foi bem ou suficientemente bem executada. Mais decisivo: 81%
acreditam que "todos" ou "a maioria" dos mortos eram
criminosos.
Para a maioria, portanto, a operação foi legítima, necessária e moralmente justificável, e os rótulos "chacina" e "genocídio" não pegaram.
Bolsonaro merece tratamento especial? Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Condição de ex-presidente não deveria por si
só assegurar nenhum tipo de regalia penal
Se STF optar por domiciliar por razões
sanitárias, deveria estender benefício a todos os presos com saúde frágil
Começou a contagem
regressiva para o encarceramento definitivo de Jair Bolsonaro.
É justo que ele receba algum tratamento especial?
O jornal O Estado de S.Paulo acaba de publicar um editorial em que crava um "sim" à pergunta. E a linha-fina da peça desenvolve o raciocínio: "Como ex-presidente, Bolsonaro não pode ser tratado como um preso qualquer". A Folha já defendera, em setembro, prisão domiciliar para o ex-mandatário.
terça-feira, 18 de novembro de 2025
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Prioridade é reforma administrativa, não reajustes salariais
Por O Globo
Congresso parece mais preocupado em preservar
distorções que em tornar Estado mais eficiente, mais justo e mais barato
A multiplicação de aumentos salariais para o funcionalismo público chancelada no Congresso é uma afronta ao bom senso e ao espírito republicano. Apenas o pacote de bondades aprovado na Câmara até o momento supera R$ 22 bilhões em custos, num Orçamento já engessado por gastos fixos que se refletem na crônica crise fiscal vivida por praticamente todos os governos. Evidentemente, como costuma acontecer nessas situações, a pressão de sindicatos por equiparação salarial com outras categorias promete tornar essa conta maior.
Onda conservadora, Por Merval Pereira
O Globo
A prevalência do grupo direitista no Chile
fecha um ciclo de renovada onda conservadora na América do Sul
A provável vitória do candidato de
ultradireita José Antonio Kast no segundo turno do Chile, onde cerca de 70% dos
votos do primeiro turno foram dados para partidos de direita, desenha-se de
maneira semelhante à situação atual brasileira. A direita chegou ao segundo
turno desunida, mas imediatamente passou de segunda colocada para primeira no
fim do primeiro turno. A esquerda estava unida, mas não teve força para obter
nem mesmo o mínimo de 30% de votos esperados, embora tenha chegado em primeiro
lugar.
A prevalência do grupo direitista no Chile fecha um ciclo de renovada onda conservadora na América do Sul, já governada pela direita na Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador. Na Colômbia, existe a perspectiva de uma vitória da direita, embora o presidente Gustavo Petro, que não pode se reeleger, ainda tenha força política respeitável. Desde a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos, há uma tendência de união em torno dele do que os críticos já chamam de “internacional reacionária”.
Uma aventura em Belém, por Fernando Gabeira
O Globo
Há muitas questões na Amazônia que continuam
insolúveis. A presença do crime organizado é uma delas
A decisão de realizar a COP30 em Belém foi
audaciosa. Em termos de público é um sucesso. Cinquenta mil pessoas passaram
por aqui. Fisicamente, para mim a COP representou um desafio. Andamos muito,
tudo é muito distante. Descrevi o espaço como um gigantesco aeroporto sem
cadeiras.
No meu telefone, há um aplicativo que mede
meus movimentos. Todos os dias, registrava um recorde e me parabenizava pelo
feito, como se fosse um atleta rompendo limites. E eu estava com a língua de
fora.
Como em todas as COPs, as negociações se
arrastam. Elas tratam dos grandes temas, financiamento, redução de emissões...
Por ser conhecido, tive o privilégio de sentir a diversidade e a riqueza do movimento ambiental. As pessoas me descreviam suas lutas, e gostaria de ter algumas horas de televisão para mostrar tudo isso.
Negociar como um rio amazônico, por Míriam Leitão
O Globo
COP segue seu curso, contorna os obstáculos e
os incorpora na busca por consenso climático
A conferência de Belém tem encontrado
caminhos sinuosos que contornam obstáculos, mas, ao mesmo tempo, vai negociando
os bloqueios e os incluindo na jornada. Lembra um rio amazônico. De início,
quatro grandes itens ficaram de fora da agenda. Pois bem, esses quatro agora
viraram um só bloco que corre paralelo e pode desembocar no rio principal, o
dos temas da agenda. Houve um olho d’água que surgiu inesperadamente, e ele
pode desaguar também no comunicado final, o mapa do caminho para a redução
gradual dos combustíveis fósseis.
Ontem foi o primeiro dia da etapa decisiva. Esta é a semana dos ministros, dos tomadores de decisão, e eles começaram a chegar para esses cinco dias finais. Um observador me explicou o seguinte: é como se houvesse três grupos, o G-100 com os assuntos que estão na agenda, o G-4, com os itens sobre os quais se conversa em consultas; e o G-Roadmaps, do qual pode sair o roteiro para zerar o desmatamento e abandonar os combustíveis fósseis.
Espionagem com IA, por Pedro Doria
O Globo
Talvez os chineses tenham sido os primeiros.
Talvez. O truque, agora, é conhecido. Quem pode já está usando
Em setembro deste ano, a China conduziu um ataque hacker extenso a um grupo de 30 organizações. Não sabemos exatamente quais — governos, estatais, empresas de tecnologia. Sabemos que são, todas, entidades com presença global e que o objetivo do ataque era espionagem. Entrar nos servidores e puxar tanta informação quanto possível. Nada de surpreendente, aí. Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, Israel, os países que têm a capacidade técnica de espionar, espionam. Quem pode conseguir alguma informação que ajude a tomar decisões entendendo os lances que o outro lado está planejando, o faz. Mas esse ataque foi diferente num sentido bastante particular. Os chineses usaram ferramentas de inteligência artificial à disposição de qualquer um. E isso transforma radicalmente o jogo de espionagem.
Ninguém conhece o Novo Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O conceito legal de “facção
criminosa” foi alterado diversas vezes, com termos vagos como “organização
criminosa ultraviolenta”. O objetivo de Derrite era unir direita e centro
O presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), confirmou a votação do chamado Novo Marco Legal de Combate
ao Crime Organizado hoje. “Segurança pública exige firmeza, mas também
garantias e eficiência institucional. Por isso, inseri na pauta de amanhã e a
Câmara dos Deputados vai votar o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado. É
a resposta mais dura da história do Parlamento no enfrentamento do crime
organizado”, anunciou na manhã de ontem.
Motta reforçou que o texto “aumenta as penas para integrantes de facções e dificulta o retorno às ruas, também cria e integra os Bancos Nacional e Estaduais de Dados sobre as Organizações Criminosas”. A firmeza do presidente da Câmara contrasta com o conteúdo nebuloso da proposta: ninguém sabe ainda qual versão será votada. O relator Guilherme Derrite (PP-SP), licenciado da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e politicamente alinhado ao governador Tarcísio de Freitas, apresentou quatro versões diferentes — todas polêmicas, todas recusadas, ora pelo governo, ora pela oposição, ora por ambos.
O Brasil ante o cerco da direita no continente, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Cenário externo, para Lula, será mais desafiador do que aquele de 2022
Num evento empresarial, o primeiro-ministro
alemão, Friedrich Merz, usou a passagem pela COP30 como escada para a afirmação
de que seu país era um dos mais bonitos do mundo: “Perguntei a alguns
jornalistas que estiveram no Brasil. Quem de vocês gostaria de ficar aqui?
Ninguém levantou a mão. Todos ficaram felizes por termos voltado,
principalmente por termos saído daquele lugar onde estávamos”.
Seis meses depois de ter tomado posse,
Friedrich Merz já se tornou um dos dirigentes mais impopulares da história alemã,
com apenas 25% de aprovação. Como sua eleição foi considerada o que a Alemanha
conseguiu de melhor para evitar a ascensão da extrema-direita, Merz revela mais
sobre a encruzilhada política do seu país do que sobre o Brasil.
Sua xenofobia afeta menos a perspectiva do acordo Mercosul-União Europeia do que o amor de Emmanuel Macron pelo Brasil, mas a visão, a partir do poder, na maior economia europeia é um aperitivo sobre um ambiente internacional mais hostil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2026, do que aquele que marcou sua volta ao poder em 2022.
O que a eleição no Chile projeta para o Brasil, por César Felício
Valor Econômico
Base que rejeita Bolsonaro, Milei e Kast é
heterogênea e tem pontos de contato com a direita
A ultradireita que viceja na América Latina
não vive uma ascensão irresistível. Ela tem um teto, que pode ser transposto ou
não caso haja uma comunicação eficiente durante a campanha. No caso da eleição
presidencial do Chile, que terá seu segundo turno nas próximas semanas, tudo
indica que essa transposição do teto vai acontecer. E o caso chileno poderá
servir de modelo para a direita brasileira em 2026.
O segundo turno no Chile irá contrapor a comunista Jeannette Jara, que teve 27% dos votos, ao radical de direita José Antonio Kast, que teve 24%. Mas também são de direita, em menor ou maior grau, o terceiro, quarto e quinto colocado, o que dá a Kast amplo favoritismo na rodada decisiva. Antes de qualquer outra análise essa já é uma fotografia que talvez se repita no Brasil ano que vem: uma direita fragmentada no primeiro turno a se unir no segundo turno diante de um governista com rejeição grande.
Das favelas ao crime, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Dos “soldados do tráfico”, 63% ganham 2 salários mínimos e 58% trocariam o crime por emprego
O presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos), prometeu para hoje a votação do projeto antifacções, que ele
definiu como “a resposta mais dura da história do Parlamento no enfrentamento
do crime organizado”. Espera-se que seja, além de dura, eficaz contra os
chefões do crime, que se disfarçam em suas mansões e carrões, e não só contra
os “soldados e olheiros”, que ganham pouco, servem de escudo para os
mandachuvas e morrem cedo – como quantos dos mortos no Rio?
Nem chefões nem “soldados” são santos, todos são criminosos, mas é preciso combater o crime principalmente pela cabeça, não pelo pé, como desde sempre, até porque a oferta de “soldados e olheiros” é farta, imensa: jovens, pretos e criados em favelas, sem oportunidade de estudar, trabalhar e viver dentro da lei. Um destino escrito nas estrelas e na desigualdade social do Brasil.
Balão Flávio, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
Jair Bolsonaro está inelegível. Eduardo estará. Sobrou Flávio, que, tudo o mais constante, concorreria à reeleição (tranquila) ao Senado – de repente o nome da vez a testar o mercado eleitoral da direita para 2026. O novo nome do bolsonarismo puro-sangue, admitido-avalizado pelo bolsonarismo eduardista, considerada a reivindicação de hereditariedade com a qual a família se projeta-proclama.
O nome ora possível do “bolsonarismo com Bolsonaro” para presidente, reação à jogada corrente-influente por uma chapa “bolsonarista sem (um) Bolsonaro”.
Atalho para onde? Por Jorge. J. Okubaro
O Estado de S. Paulo
A velha CLT continua a ter função e, para parte não desprezível dos trabalhadores, a ser considerada instrumento de garantia e segurança
No Brasil, 25,9 milhões de pessoas trabalham por conta própria . Talvez o dado surpreenda, mas está na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do terceiro trimestre de 2025, divulgada na semana passada. O número equivale a um quarto do total de 102,4 milhões de pessoas ocupadas. Poderia ser interpretado como prova forte do desejo dos brasileiros de tocar sua própria empresa, para fugir dos limites de um contrato formal de trabalho. Reforçaria a interpretação de que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em vigor desde 1943, perde importância de maneira acelerada.
Miscelânea no tempo, por Gilvan Cavalcanti
Tenho uma convicção. Há um consenso que o mundo material não é estático. Os pensadores da Grécia antiga, já anunciaram: ‘tudo flui’ e ‘nada’ é permanente, exceto a mudança’. Nos tempos modernos, com o surgimento do capitalismo, Marx sentenciou: ‘tudo que é sólido desmancha no ar’. O movimento da história já comprovou essa tendência. É incessante e permanente a mudança, inclusive na ciência e na tecnologia. No pensamento e no agir político, ocorre o mesmo processo continuo de mudança, conflito, interdependência globalista, ou como outros preferem, cosmopolita.
É o instante de pensar o nosso compromisso com o País. Isto sugere tentar desvendar essa complexa sociedade brasileira. Acredito que devemos partir dos elementos embrionários que definam nosso processo de afirmação do capitalismo brasileiro, seu êxito nesses longos anos de profundas modificações moleculares ocorridas. Entender esse caminho facilitaria muito o nosso caminhar futuro. E só a democracia política é o porto seguro para um pensamento reformista. O caminho mais real é debruçar sobre a conjuntura.
Eleitor chileno deixa cenário em aberto para segundo turno em dezembro, por Sylvia Colombo
Folha de S. Paulo
Com fragmentação da direita, comunista Jara
sai vencedora em primeira rodada, mas rivais podem se unir em torno de Kast
Retórica de campanha se distanciou do Chile
real, com instituições sólidas e indicadores melhores que os da região
O resultado da votação no Chile confirmou
o cenário
que as pesquisas já vinham indicando: a candidata governista Jeannette
Jara foi a mais votada no primeiro turno (26,85%), com o
ultradireitista José
Antonio Kast logo atrás (23,92%). A participação
nas urnas, de 85,4%, foi elevada, impulsionada pela obrigatoriedade do voto
—uma reforma em vigor desde 2022— e por um pleito que mobilizou o país em meio
a um clima dominado pela pauta da segurança pública.
A centralidade do tema contrasta com os indicadores objetivos. Embora tenha aparecido como prioridade em todas as pesquisas de opinião —com eleitores atribuindo-lhe maior peso eleitoral—, o Chile continua entre os países da América Latina com taxas de homicídio comparativamente baixas. O peso excessivo da questão da segurança pública na campanha e no comportamento eleitoral revela uma percepção inflada, capaz de moldar as últimas semanas e favorecer discursos de resposta rápida e medidas de difícil execução, sobretudo no curto prazo.
Os ventos do continente sopram para a direita, por Joel Pinheiro da Fonseca
Folha de S. Paulo
Maioria dos fatores que elegeu a direita em
nossos vizinhos está presente aqui também
Esquerda se mostra muito mais dependente de
Lula do que o outro lado do espectro é de Bolsonaro
O primeiro turno da eleição presidencial
do Chile foi
vencido por Jeanette Jara, do Partido Comunista. O problema: não só o segundo
colocado, José Antonio Kast, como os próximos três são todos de direita. É
muito provável, portanto, que a direita vença o segundo turno. Gabriel Boric,
outro dia a promessa de uma nova esquerda, assiste ao seu país dar uma guinada
na direção contrária.
Depois da mudança na Bolívia, que depois de 20 anos elegendo a esquerda elegeu Rodrigo Paz em outubro, e do triunfo de Milei nas eleições legislativas, a mudança no Chile marca um padrão. O pêndulo da política sul-americana está indo para a direita.
Se bobear, Cláudio Castro vende até o Cristo Redentor, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Maracanã encabeça a lista de ofertas para
reduzir o rombo orçamentário
Numa jogada política, compra do estádio é
negociada com o Flamengo
Por enquanto o Cristo Redentor escapou da
bacia das almas. Mas nada impede que amanhã seja incluído no balcão de ofertas,
posto à venda para reduzir a dívida e mitigar a crise fiscal do Rio de
Janeiro. O rombo orçamentário previsto para 2026 é de quase R$ 19 bilhões,
o maior em cinco anos.
Daí que Cláudio Castro —acusado de abuso de poder político e econômico na campanha de reeleição em 2022— teve a brilhante ideia de preparar, com a ajuda da bancada do Partido Liberal na Assembleia Legislativa, uma black friday particular, ofertando o complexo do Maracanã; o terreno onde fica o estádio Nílton Santos, arrendado ao Botafogo; o histórico prédio da Central do Brasil; o Terminal Rodoviário Américo Fontenelle, no centro da cidade. São mais de 60 imóveis em liquidação total, a custo de banana, pois o governador deixará o cargo.
Voto obrigatório afetou eleição no Chile? Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
País andino reintroduziu o voto compulsório,
com multa pesada para quem deixar de ir à urna
Parte dos especialistas crê que mudança pode
ter acentuado tendência antissistema
A esquerdista Jeannette
Jara e o ultradireitista José
Antonio Kast se enfrentarão no segundo
turno da eleição presidencial chilena no próximo dia 14. Como previsto
pelas pesquisas, Jara chegou à frente de Kast, mas a diferença de menos de três
pontos percentuais foi bem menor do que apontavam as principais sondagens.
Como a direita saiu dividida, e a esquerda, unida, a tendência agora é que o voto conservador se aglutine em torno de Kast e ele vença o pleito. Essa não seria a primeira vez que institutos de pesquisa subestimam a votação de candidatos da ultradireita, mas, no caso chileno, pode haver um outro fator que contribuiu para o bom desempenho dos postulantes mais radicais.
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Leis de IA não podem incentivar o ‘roube primeiro, acerte depois’
Por O Globo
Europeus têm aplicado multas por violação de
direitos autorais, mas recuo em regras de privacidade é preocupante
O Brasil precisa ficar atento aos movimentos de regulação da inteligência artificial (IA) na Europa. A legislação europeia foi inspiração da brasileira na proteção de dados e à privacidade. O PL das Redes Sociais, infelizmente ainda parado no Congresso, se inspira no regramento europeu ao atribuir às plataformas digitais corresponsabilidade pelo conteúdo que veiculam, exigindo que retirem posts do ar assim que notificadas da ilegalidade, em vez de esperar decisão judicial — que, lenta, é insuficiente para reparar danos quando tomada. A IA impôs novas questões aos reguladores e, mais uma vez, a União Europeia (UE) adotou regras que embasam as propostas em discussão no Congresso. Mas é motivo de preocupação o recuo encetado pelas autoridades europeias.
Reality da pré-prisão, por Miguel de Almeida
O Globo
Em pouco tempo, o brasileiro acostumou-se a
votar para presidente e a acompanhá-los depois no curioso reality da pré-prisão
Até o Natal, deveremos ter dois
ex-presidentes presos. Collor, por corrupção; Bolsonaro, por tentativa de golpe
contra a democracia. Desde a redemocratização, já houve outros dois: Lula por
corrupção e Michel Temer, sob acusação de maracutaias diversas e cabeludas. A
Presidência só perde para o cargo de governador do Rio. Já passaram pela cadeia
Moreira Franco, Cabral, Pezão, Garotinho, Rosinha, Witzel, enquanto Castro dá
seus tiros para mostrar resistência.
De todos, Bolsonaro é o mais lamuriento. À beira da cela, comporta-se sem heroísmo. Seus parceiros plantam notícias da decadência de seu estado de saúde para angariar empatia. Compungido, o ex-ministro José Dirceu, uma de suas nêmesis, defende que ele cumpra a pena em prisão domiciliar. Este parece ser o tema a dominar as conversas de bar sob a atual primavera sem personalidade — onde Bolsonaro estará nos próximos anos?
Segurança tardia, por Irapuã Santana
O Globo
Brasil enfrenta gargalos profundos: baixo
índice de resolução de crimes, excessiva sensação de impunidade
Durante décadas, a segurança pública foi
tratada como tema secundário, embora seja, há anos, a principal preocupação da
população brasileira. O medo da violência molda rotinas, influencia eleições e
destrói vidas. Agora, finalmente, o país parece disposto a discutir o tema de
frente — com a PEC da Segurança Pública e a Lei Antifacção reacendendo o debate
sobre como proteger melhor a sociedade e restaurar a confiança nas
instituições.
É preciso foco e paciência. A segurança não se resolve com discursos inflamados nem com medidas apressadas. O Brasil enfrenta gargalos profundos: o baixo índice de resolução de crimes, a excessiva sensação de impunidade e leis brandas, muitas vezes mal aplicadas pelo sistema de Justiça. Apenas uma resposta articulada entre polícia, Ministério Público, Judiciário e sociedade civil pode romper esse ciclo.
Insegurança tem custo alto, por Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
Empresas evitam o país ou certas regiões, não
apenas pelos gastos com segurança, mas também para não expor seus funcionários
Antigamente era o “dinheiro do ladrão”. Hoje,
o “celular do assaltante”. Esse antigamente é de décadas atrás. Os mais velhos
diziam que não se devia sair de casa sem algumas notas no bolso. No caso de
topar com algum meliante, você teria aquela reserva para entregar e evitar um
desfecho mais desagradável do episódio. Hoje não se anda mais com dinheiro. Nem
os assaltantes querem dinheiro, querem um celular, de preferência desbloqueado.
Como se carrega tudo no celular, de conversas íntimas a contas bancárias, incluindo a carteira de investimentos, o roubo do aparelho tem um custo econômico que pode ser desastroso. Além dos danos morais e psicológicos. Vai daí, muitas pessoas saem com um celular mais simples, apenas com os aplicativos de comunicação e localização. Os aplicativos financeiros ficam noutro aparelho, bem guardado em casa.










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