segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Política – Claudio Humberto

• Solidariedade e Pros nascem grandes e caros
Solidariedade e Pros, criados há uma semana, somados, formam a sexta maior bancada da Câmara. Apesar de desfalcar seus antigos partidos, os deputados não levam os cargos. Para acomodar os aspones da nova estrutura, o gasto extra será de pelo menos R$ 6,5 milhões por ano. Ato da mesa, de 1995, garante a cada nova sigla dez nomeações sem concurso, com salários de R$ 10,4 mil a R$ 14,8 mil.

• Boquinha garantida
Solidariedade e Pros correm contra o tempo para incluir emendas na Lei de Diretrizes Orçamentárias e garantir sua gastança em 2014.

• É um mistério
A briga por espaço na Câmara é grande entre os novos partidos. O PSD, com 62 nomeados, teve direito a apenas uma saleta de 1,5m².

• Assim é fácil
O Dia do Servidor Público, que seria comemorado segunda (28), será na quinta (31), que ninguém é de ferro sem uma sexta-feira no meio.

• Amigo brasileiro
O governo do Brasil, que adora ditaduras africanas, perdoou a dívida de US$ 43,5 milhões do Sudão. A ditadura se instalou há 24 anos.

• Banco dribla regra do BC para evitar castigo
O banco Itaú fez barulho lançando títulos atrelados a crédito imobiliário, no valor de R$ 4,4 bilhões. Só não contou que é a forma de driblar regra do Banco Central obrigando converter em financiamento da casa própria 52% dos depósitos da poupança, pelo SFH. Estourado em R$ 3 bi, o Itaú teria de depositar esse dinheiro no BC, como castigo. Mas usou brecha na legislação para fazer a leitura de que esses títulos equivalem a aplicação o recurso da poupança em crédito habitacional.

• Embromation
Ao driblar a regra do BC, a rigor o Itaú não financia ninguém. Segundo estimativas, o banco deixou de financiar cerca de 10 mil mutuários.

• Cota pra índio
É de Nilmário de Miranda (PT-MG) a ideia de jerico de propor emenda acrescentando 4 vagas aos 513 deputados existentes, para índios.

• PR ‘arrudou’
O PR mudou de cor, nos comerciais de TV em Brasília. Agora é verde, a cor-símbolo do ex-governador José Roberto Arruda, seu novo filiado.

• Que perigo…
O deputado Paulinho da Força (SP), fundador do Solidariedade, calcula que ele e sua turma, enquanto ficaram no PDT, “davam” mais de R$ 1 milhão mensais do fundo partidário a Carlos Lupi, dono da sigla.

• Incompetentes
Dilma reclamou da espionagem americana, mas esqueceu de perguntar aos incompetentes que chefiam o Ministério da Defesa e Abin, que aliás se fingiram de mortos, por que não conseguem nem mesmo proteger as comunicações da Presidência da República.

• Eis a questão
Com a chegada do tal “e-mail tupiniquim”, prometido pelos Correios, restará um dilema de fácil opção: é melhor ser espionado por Barack Obama, para quem você não existe, ou ser espionado pelo PT?

• Perdeu, mané
Agora que Inês é morta e José Serra já não pode trocar de partido, ele logo descobrirá que a cúpula do PSDB não fará o menor esforço para ajudá-lo a se tornar candidato ao Senado. O preferido é o arquiinimigo de Serra, José Aníbal, que, aliás, controla 70% dos diretórios paulistas.

• Consolação
Além de cadeira no Turismo, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) é cotado para assumir o Ministério de Ciência e Tecnologia, hoje sob o comando de Marco Antônio Raupp, pupilo de Aloizio Mercadante.

• Precipitação
O mensaleiro Valdemar Costa Neto (PR-SP) trocou o domicílio eleitoral para Brasília, habilitando-se a cumprir lá sua prisão em regime fechado. Mas o odor de pizza deixa nele a sensação de que se precipitou.

• Marineiro
Apesar de ter se filiado ao Pros, que está afinado com o governo Dilma, o deputado Miro Teixeira afirmou que dará palanque no Rio à ex-senadora Marina Silva, caso ela saia candidata à Presidência em 2014.

• Programa de índio
Esta semana, a ministra de Desenvolvimento da Holanda, Lilianne Ploumen, vai a Mato Grosso ver de perto a violenta disputa de terras entre índios e fazendeiros. Os holandeses são acionistas da Bunge.

• Pensando bem…
… Sérgio Cabral deve ter providenciado guardanapos para enxugar as lágrimas de crocodilo dos amigos e Eike Batista e Fernando Cavedish.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Painel - Vera Magalhães

De olho em 2018
Um fator pesou na decisão de Marina Silva de se filiar ao PSB e apoiar Eduardo Campos -admitindo, inclusive, ser sua vice, mesmo tendo o triplo de suas intenções de votos. Na conversa que tiveram na madrugada de sábado, Campos reiterou a Marina o compromisso de, se eleito, mandar ao Congresso emenda constitucional para acabar com a reeleição. Nesse cenário, como vice atuante e com uma aliança já assegurada, Marina seria um nome forte para a eleição de 2018.

Timing O programa de dez minutos do PSB que vai ao ar quinta-feira no horário da propaganda partidária será refeito para mostrar a aliança com Marina Silva. A propaganda vai reafirmar a legitimidade da Rede e exibir cenas do anúncio da aliança.

Superexposição A Rede Globo exibiu seis propagandas estreladas por Eduardo Campos no intervalo de "Sangue Bom" sábado. Em seguida, o "Jornal Nacional" dedicou 4m22s à notícia. Por fim, mais três inserções do PSB foram ao ar no primeiro intervalo de "Amor À Vida".

Top of Mind Para estrategistas de Campos, o combo do noticiário da TV mais os spots partidários e a repercussão nas redes sociais representa o equivalente a 200 milhões de GRPs (Gross Rating Points), parâmetro usado para medir o alcance de mídia de uma notícia.

Despertar A ideia de que Marina seja vice de Campos não agrada aos sonháticos. "Espero que essa chapa se inverta e seja Marina presidente e Eduardo vice. Caso contrário, vou defender candidatura própria do PDT", diz o deputado federal Reguffe (DF), que não se filiou ao PSB.

Em casa Marina não transferiu o domicílio eleitoral do Acre, o que acaba com a especulação de que poderia ser candidata ao governo do Rio ou do Distrito Federal para puxar votos para Campos.

Epocler Lula soube da união entre Campos e Marina num sítio em Ibiúna com a família do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar. "Agora foi um direto no fígado", reagiu o petista, segundo relatos.

De pé Ao telefonar para Aécio Neves, que está em Nova York, Campos disse que foi surpreendido pela iniciativa de Marina. Combinaram de se encontrar, e o governador de Pernambuco disse que os acertos entre PSB e PSDB nos Estados estão mantidos.

Lá e cá O PT pretende explorar as contradições de perfis dos neoaliados. "Marina reduz a capacidade de diálogo de Campos com o empresariado, e ele aniquila a sedução dela pela promessa do novo", diz um petista.

Porteira Já Aécio vai investir em atrair os representantes do agronegócio, que vinham conversando com o pré-candidato do PSB, mas agora ficam órfãos diante da parceria com Marina.

Cizânia Pesquisa do instituto Ideia para o PSDB fechada no dia 2, com 3.000 entrevistas, reforçou no partido a aposta de que haverá pressão pela troca de posições de chapa no PSB. Dilma Rousseff tem 38%, Marina, 20%, Aécio, 17%, e Campos, 5,5%.

Carburador Fernando Haddad (PT) pretende anunciar nesta semana o encerramento do contrato entre a Prefeitura de São Paulo e a Controlar, responsável pela inspeção veicular na cidade, depois de longa disputa administrativa com a empresa.

Cofre Haddad recebeu na semana passada do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a notícia de que a Câmara deve votar ainda em outubro a renegociação das dívidas de Estados e municípios.

Tiroteio

Aécio é o grande perdedor com a decisão de Marina. Resta saber a reação na Rede, que pode ser contrária à decisão imperial dela.

DO EX-MINISTRO JOSÉ DIRCEU (PT), réu no mensalão, que publicou em seu blog, em abril, post que dizia que Marina podia ser vice em chapa de oposição.

Contraponto

Saí do Facebook

No longo discurso que fez no sábado para justificar sua decisão de se filiar ao PSB, Marina Silva, além de criticar a decisão do TSE, que, segundo ela, tornou a Rede o "primeiro partido clandestino" pós-democratização, ironizou a ideia de que deveria se manter fora dos partidos e da disputa eleitoral para conservar a "pureza" política.

-Muitos achavam que eu deveria ser a madre Teresa de Calcutá da política. Mas escolhi assumir posição.

Outros a queriam como "a candidata da internet":

-Todo mundo ia curtir, e muita gente ia me cutucar! -brincou, arrancando risos na plateia.

Fonte: Folha de S. Paulo

Para onde vamos? - Ferreira Gullar

O mercado é um campo de batalha: quem não dispõe de armas e munição em quantidade não sobrevive

Que o sonho da sociedade comunista, onde todos seriam iguais em direitos e propriedades, acabou, não é novidade para ninguém. É verdade que, apesar disso, há quem ainda insista em defender uma opção ideológica alimentada por aquele mesmo sonho.

Não obstante, na prática social, tudo indica que os valores de esquerda foram assimilados por uma boa parte dos políticos que já não lhes atribuem propósitos revolucionários. Do meu ponto de vista, isso é um avanço, já que defende o fim das desigualdades como o caminho inevitável da sociedade humana.

De qualquer modo, o projeto da sociedade comunista se desfez. Tudo bem. E o capitalismo? Para onde vai o capitalismo? É difícil dizer para onde ele vai, mas, no meu modo de ver, ele vai mal.

Não me refiro apenas à recente crise iniciada em 2008, porque muito antes dela, mesmo nos Estados Unidos, o mais rico país capitalista do mundo, o problema da desigualdade social jamais se resolveu.

Não me refiro à eliminação definitiva da pobreza. Isso parece fora de cogitação. Se não se encontra lá o mesmo nível de pobreza que encontramos em países menos desenvolvidos, nada justifica um tal grau de exploração do trabalho humano num país que produz a riqueza que ali se produz.

Não há nenhuma novidade em dizer-se que o capitalismo é o regime da exploração. E isso independe do empresário capitalista, que pode ser um feroz explorador ou um patrão generoso. Independe, porque a exploração é inerente ao sistema, voltado para o lucro máximo. E veja bem, como isso é a essência do sistema, quem descuida disso vai à falência. Ao contrário do que Marx dizia, a luta de classes não se dá entre trabalhadores e patrões, mas, sim, entre os patrões: é um tentando engolir o outro.

Não estou dizendo nenhuma novidade. Todos os dias nascem milhares de empresas, a maioria das quais vai à falência, derrotadas pelas outras. O mercado é de fato um campo de batalha, uma zona de guerra: quem não dispõe de armas e munição em quantidade necessária e com a suficiência exigida não sobrevive. É a lei da selva, que determina a sobrevivência do mais apto; a seleção natural a que se referia Charles Darwin.

Para vencer essa guerra, o recurso fundamental é o lucro máximo, o que pode ser sinônimo de maior exploração, seja do trabalhador, seja do consumidor. Claro que não é tão simples assim, porque, hoje em dia, os trabalhadores também dispõem de meios para se defender. Não obstante, na Coreia do Sul, hoje um dos países capitalistas mais florescentes, a quantidade de trabalhadores que se suicida é espantosa. A pergunta a fazer é: por que se matam? Certamente porque não são felizes naquele paraíso capitalista.

E não é porque todo o empresário capitalista seja por definição explorador e cruel. Nada disso. Na verdade, ele (a empresa) está voltado para tirar cada vez mais vantagem dos negócios que faz, e isso não apenas resulta em explorar os empregados --fazer com que o trabalhador produza mais ao menor custo possível-- como pode provocar desastres como a bolha imobiliária norte-americana, que levou a economia do país ao desastre, arrastando consigo o sistema bancário e o empresariado europeus.

Os estudiosos do assunto garantem que, a certa altura do processo, era possível antever o que inevitavelmente ocorreria, mas a aspiração ao lucro e tudo o mais que isso envolve não permitem parar. Não por acaso, as crises do capitalismo são cíclicas.

E o mais louco de tudo isso é que o capitalista individualmente pode acumular bilhões de dólares em sua conta bancária. Mas de que lhe serve tanto dinheiro? Quem necessita de bilhões de dólares para viver?

Ninguém precisa. Por isso, Bill Gates doou sua fortuna a uma entidade beneficente que trata de crianças com Aids e, depois disso, ele mesmo abandonou a direção de sua empresa para ir dirigir aquela entidade beneficente. Em seguida, convenceu outros capitalistas a fazerem o mesmo. É que ganhar dinheiro por ganhar dinheiro, a partir de certo ponto, perde o sentido.

O que o capitalismo tem de bom é que ele estimula a produção de riqueza e isso pode ajudar a melhorar a vida das pessoas, mas desde que não se perca a noção de que o sentido da vida é o outro.

Fonte: Folha de S. Paulo / Ilustrada

Fator cabulação - José de Souza Martins*

Greves, ocupações, quatro meses de férias e a farsa da reposição de aulas não ajudam a elevar a USP no ranking das melhores do mundo

A USP está em 93º lugar na lista das 100 melhores universidades do mundo em Ciências da Vida, no ranking de 2013 do Times Higher Education (THE), o mais prestigioso indexador internacional do gênero. São cerca de 50 as Ciências da Vida abrangidas por essa classificação, o que inclui anatomia, bioquímica, biologia, botânica, ecologia, genética, ciências da saúde, imunologia, biologia marítima, neurociência, farmacologia e zoologia.

Em 2013, a USP ficou em 61º/70º lugar no ranking do THE das 100 universidades de melhor reputação no mundo. Esse ranking é construído com base em avaliação subjetiva e pontuação atribuída por 16.639 pesquisadores de 144 países. A proporção de pesquisadores por área de conhecimento é balanceada. São pesquisadores consagrados, acadêmicos com publicações, pessoas mais bem situadas no mundo acadêmico e "que melhor conhecem a excelência de nossas universidades".

No entanto, a USP, em seu conjunto, neste ano não aparece na lista das 200 melhores universidades. Entrou no ranking em 2005, em 196º lugar, subiu para o 178º em 2012 e subiu mais ainda, para o 158º, em 2012. Nesse ano, teve a mesma pontuação que as Universidades de Tel-Aviv e de Birmingham e melhor pontuação que prestigiosas universidades como a de Ottawa (Canadá), de Bonn (Alemanha) e Liverpool (Inglaterra). A USP não caiu sozinha na classificação do THE. Tel-Aviv, Bonn, Ottawa e Liverpool também caíram, embora ainda apareçam na lista das 200 melhores.

O desencontro entre o índice de reputação e o índice das melhores universidades, no que à USP se refere, sugere cautela na avaliação. A reputação depende de uma lenta construção de prestígio e indica um crédito que não se esgota, ainda que temporariamente, como o calculado por outros indicadores. A reputação reconhece uma história passada e um potencial de futuro.

Já o índice de melhor universidade reúne pontuações em 13 indicadores, como ensino, pesquisa, citações de trabalhos por outros pesquisadores, interação universidade/indústria, internacionalização, pesquisas que tenham pelo menos um coautor de universidades de outros países. As três universidades públicas paulistas - USP, Unicamp e Unesp - têm se empenhado significativamente para lograr melhor desempenho nesses itens,.

No sentido da internacionalização, vale destacar a contribuição decisiva da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo -, que vem celebrando convênios com um grande número de universidades de dezenas de países, nos vários continentes, para envio de pesquisadores e estudantes das universidades paulistas e para recebimento de pesquisadores e estudantes estrangeiros nas universidades daqui. Dessa colaboração deve se desenvolver melhor conhecimento do que se faz em nossas universidades e também oportunidades de publicações conjuntas. A Fapesp tem intensificado, com bons resultados, o apoio a projetos conjuntos entre a universidade e a indústria, um campo em que a cooperação ainda poderá crescer muito.

Nosso gargalo está na publicação de artigos científicos em revistas internacionais, publicadas em inglês. Temos excelentes revistas científicas no Brasil, em todas as áreas. Porém, publicadas em português, atendem a nossa patriótica veneração da língua nacional, mas não caem diante dos olhos dos pesquisadores de outros países. Diga-se em favor do pesquisador brasileiro que, frequentemente, lê e até escreve em mais de uma língua estrangeira, mérito que não tem a maioria dos pesquisadores americanos e ingleses que, quase sempre falam, leem e escrevem apenas em sua própria língua.

É claro que há fatores adversos a que a USP, a Unicamp e a Unesp logrem concretizar no futuro próximo seu melhor potencial. O número de dias ociosos em nossas universidades é muito superior ao das universidades com melhor desempenho. Temos aulas em pouco mais da metade do ano letivo: quase quatro meses de férias, Semana Santa, Semana da Pátria, feriadões e, na USP, as greves que praticamente entraram no calendário escolar. É pouco provável que as descontinuidades que demarcam esse calendário de ociosidade e conflito contribuam para a apropriada formação dos estudantes. Mesmo com a farsa das reposições de aulas. Pouco provável, também, que a casta dos estudantes de marreta de demolição em punho, como vimos na semana passada na USP, a turma do quebra e ocupa, represente uma poderosa contribuição ao desenvolvimento da ciência e à melhora de nossa competência no ensino e na pesquisa.

Prejudicam e prejudicam-se. As universidades do topo da lista são no geral de ensino em tempo integral, com severas exigências quanto ao rendimento escolar e a disciplina. Em Cambridge, sempre entre as cinco universidades mais importantes e a maior coleção de Prêmios Nobel do mundo, aluno reprovado numa única disciplina é simplesmente expulso. Sem contar que essas universidades são poupadas das descabidas despesas com os reparos de depredações, dinheiro que é para ser usado no ensino e na pesquisa.

* José de Souza Martins foi, em 1993-1994, professor da Cátedra Simón Bolívar, da Universidade de Cambridge (Inglaterra), e Fellow de Trinity Hall. É autor, entre outros livros, de A Sociologia Como Aventura (Contexto)

Fonte: O Estado de S. Paulo / Aliás

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Onde anda você - Toquinho / Vinicius de Moraes (19/10/1913-9/7/1980)

Soneto de fidelidade – Vinicius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

domingo, 6 de outubro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Roberto Freire: ‘um grande equivoco’

"Hoje, abdicar de uma candidatura no campo da oposição é um grande equívoco. No primeiro turno é importante que se ofereça pluralismo à sociedade.

Mas o PSB só pode ter um candidato e, com a filiação de Marina, perdemos um candidato no campo da oposição. O Eduardo é um grande nome, mas não se pode abrir mão de Marina.

O PPS continua o seu projeto de buscar alternativas para a disputa de 2014. Não sou pessimista. Até porque esse governo (do PT) é tão incompetente que a sociedade dará uma resposta nas urnas. 2014 será o ano da mudança.”

Roberto Freire, deputado federal e presidente nacional do PPS. In O Globo, 6/10/2013

Marina dá apoio a Campos para Presidência, mas não confirma se será vice

Ex-senadora diz que Rede se alia ao PSB para 'sepultar de vez a Velha República’

Paulo Celso Pereira e Luiza Damé

BRASÍLIA — Ao lado do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, Marina Silva e aliados anunciaram, na tarde deste sábado, a filiação de integrantes da Rede Sustentabilidade ao PSB. Marina deixou claro o apoio à candidatura de Campos à Presidência da República, mas não confirmou se vai compor a chapa na condição de vice. Quando perguntada se apoiava o nome do governador, ela respondeu com outra indagação:

— Você tem alguma dúvida em relação a isso? - disse ela, que depois afirmou:

— Não sou uma militante do PSB, sou militante da Rede Sustentabilidade, e a Rede ainda não fez essa discussão de se vai ter vice ou não vai ter vice. O PSB já fez sua discussão e tem um candidato.

Antes de responder a perguntas da imprensa, Marina discursou e agradeceu a oportunidade dada por Campos para a filiação de integrantes da Rede. Ela disse que o seu partido é a primeira legenda clandestina desde a redemocratização. Marina reiterou a tese de que a rejeição do registro de sua legenda não foi uma derrota. E afirmou que a História julgará se o ato será uma vitória ou uma derrota. Marina disse ainda que a aliança entre Rede e PSB vai “sepultar de vez a Velha República”.

— Nós somos o primeiro partido clandestino criado em plena democracia. Quero agradecer ao PSB por ter dado chancela política e moral — disse ela, em evento no Hotel Nacional, em Brasília.

Marina disse ainda que não aguentava mais falar em plano B. E tratou sobre a rejeição do registro do partido:

— A vitória ou a derrota só são medidos na História. Apressa-se quem acha que uma derrota se dá numa canetada. Se não é possível um novo caminho, há que se aprender uma nova maneira de caminhar — discursou, sendo aplaudida em seguida.

Logo depois do discurso de Marina falou Eduardo Campos. Discursando como candidato à Presidência, ele afirmou ser de uma família de perseguido político e disse que a política atual abandonou o povo, num ataque indireto ao governo do PT.

— Os brasileiros querem um Brasil melhor, mais limpo, querem derrotar a velha política. Esse país quer respeito e decência na vida pública. A política abandonou o povo, a vida das pessoas. Falta na política brasileira o sonho de transformar esse país... Nossa inquietação com o que virou a vida pública nos conduziu até aqui — disse ele.

— É um ato de reforma da política brasileira. Momento que nós fizemos o que não deixavam a gente fazer. Esse dia será lembrado daqui a 20, 30, 40 anos. Só quem não pensa de forma convencional poderia enxergar (a união entre Eduardo e Marina).

O governador de Pernambuco tentou relacionar os movimentos de rua de junho à parceria com a Rede e criticou as "velhas lideranças" da política.

— Quem entendeu o que as ruas, em alto e bom som, ou às vezes sem som nenhum mas com muitos cartazes e esperança, disse ao Brasil e ao mundo, não tem nenhuma dificuldade de entender o que ocorre aqui hoje.

Campos lembrou que, a despeito de questionamentos sobre suas atitudes, ofereceu sua assinatura para contribuir para a formação da Rede como um novo partido. Segundo ele, a Rede é "necessária para melhorar a política no Brasil".

— A Rede existe porque existe um pensamento organizado que ela expressa. Existe militância nas redes sociais, nas ruas, nas fábricas, nas escolas, uma sinergia que a Rede representa. A Rede existe no coração do nosso povo, na expressão de seu prestígio. Aqueles que pensavam que o pensamento do tribunal ia matar a Rede viu hoje a Rede se agigantar.

Campos exaltou o discurso da ex-senadora e falou que a aliança entre ambos é contra o embate entre PT e PSDB.

— Nós hoje estamos quebrando uma falsa polarização na política brasileira.

Antes do discurso de Marina, Cássio Martinho, um dos articuladores da Rede, leu uma manifestação conjunta do PSB e de seu grupo político. O texto lança uma "coligação" político-eleitoral programática, ou seja, uma parceria em torno de projetos e princípios, mas não envolvendo cargos.

O texto deixa claro, ainda, que se tratava de um "ato de filiação democrática e transitória". De acordo com o documento, a Rede e o PSB estão unindo forças para apresentar alternativa ao Brasil que supere "os vários vícios e o atraso da política brasileira".

A imagem de Eduardo Campos de braços erguidos com Marina Silva, na criação da "coligação democrática", no ato político de filiação da ex-senadora, vai estrelar o programa nacional do PSB que irá ao ar em cadeia de rádio e TV na próxima quinta-feira. O evento grandioso, preparado de um dia para o outro, está sendo gravado nesse momento para ser incluído no programa semestral do partido.

Estavam presentes no evento Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara, o senador Rodrigo Rollenberg e outros integrantes, como a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina. Entre aqueles não filiados ao PSB estavam os deputados Miro Teixeira (PROS-RJ) e Reguffe (PDT-DF).

Erundina, uma das pessoas mais festejadas no evento, chegou depois de o ato já ter sido iniciado. Durante o evento, além da adesão de Marina, ingressaram no PSB três de seus apoiadores: os deputados Walter Feldman (SP) e Alfredo Sirkis (RJ), além do articulador Pedro Ivo de Souza.

O quadro sucessório de 2014 sofre uma reviravolta nas últimas horas. Segundo interlocutores de Marina, ela aceitou ser candidata a vice-presidente da República em 2014. A ex-senadora ainda propôs ao PPS de Roberto Freire a formação de uma frente que incluiria seu partido, quando ele vier a ser oficialmente criado, mas Freire rechaçou a proposta.

Fonte: O Globo

Decisão de Marina Silva gera repercussão entre partidos

Vice-presidente da Câmara usou o Twitter para fazer crítica e presidente Dilma não se pronuncia

BRASÍLIA - O vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), usou o Twitter para criticar o acerto entre a ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Para Vargas, o acordo - que levará Marina para o PSB de Campos - tem "cheiro de oportunismo”.

"Vamos ver se o eleitorado não percebe o cheiro de oportunismo", disse Vargas. Para o deputado, a união dos dois adversários da presidente Dilma Rousseff teve a "influência da Natura e do Itaú para tentar nos derrotar".

O ex-presidente do PT José Eduardo Dutra também usou a rede social para comentar que a filiação de Marina ao PSB foi uma "grande jogada de Eduardo Campos", mas uma "pixotada da Marina".

Já o senador Cássio Cunha Lima (PB), presidente em exercício do PSDB, celebrou, neste sábado, a ida de Marina Silva para o PSB. Cunha Lima disse que a movimentação reforça as oposições.

- Há uma mudança no cenário, e ela fortalece as oposições. Temos a preocupação em ter projetos alternativos nas oposições, e a Marina contribui para que isso aconteça. Nós do PSDB celebramos esta decisão. Isso contribui para debate democrático de ideias - afirmou.

Enquanto seus potenciais adversários articulavam alianças para 2014, neste sábado, a presidente Dilma Rousseff saudou os 25 anos da Constituição, via Twitter, e contou que acabou de ler o segundo volume da biografia de Getúlio Vargas, de Lira Neto. "Li recentemente o segundo volume do livro "Getúlio", de Lira Neto. É a história do governo do presidente Getúlio Vargas entre 1930-45. O primeiro e o segundo livros sobre Getúlio são muito bons", afirmou a presidente.

Dilma disse que a Constituição dá a direção para onde o país deve seguir. "Um roteiro para um Brasil mais inclusivo, mais democrático e mais desenvolvido", escreveu. Ela citou o deputado Ulysses Guimarães (morto em 1992), que presidiu a Assembleia Nacional Constituinte. Segundo Dilma, Ulysses disse que "esperamos a Constituição como vigia espera aurora". "Cada presidente pós-1988 foi, a seu jeito, o guardião dessa aurora. A aurora de um país sedento por mais cidadania, mais democracia, mais inclusão social", afirmou.

Fonte: O Globo

Para Aécio Neves, objetivo maior é juntar forças para encerrar ‘o ciclo perverso’ do PT

De Nova Iorque, o tucano disse estar "gostando do jogo", apesar de achar que o PSDB tem as melhores propostas

Maria Lima

BRASÍLIA — “Papo reto? Eu e ninguém esperávamos essa reviravolta”. Assim o presidente do PSDB e presidenciável, Aécio Neves(MG), reagiu ao anúncio da criação da chapa Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede). De Nova Iorque, onde participa de um seminário com investidores estrangeiros, Aécio disse estar "gostando do jogo" e que, apesar de achar que o PSDB tem as melhores propostas e melhores palanques, ele tem que torcer para fortalecer a oposição para chegar lá na frente.

— Acho a novidade extremamente positiva. Quem comemorou a derrota da não criação da Rede é que tem que se preocupar. Cada vez mais as oposições colocam como objetivo maior se unir para encerrar o ciclo perverso do PT no Governo. Nós nos aproximamos nesse propósito do antagonismo a esse modelo que está aí — comentou Aécio Neves.

No PSDB, a avaliação é que, com a nova chapa, os quase 20 milhões de votos do capital eleitoral de Marina ficam na oposição, e não vai se dividir, como aconteceu em 2010, no segundo turno das eleições, onde seus votos foram para Dilma Rousseff e José Serra.

— Marina não sair e os votos dela migrarem para Dilma seria o pior dos mundos — disse um tucano do entorno de Aécio.

Na avaliação do próprio Aécio, com essa coligação, os votos ficam "do lado de cá" da oposição.

Outra avaliação é que, frustrado, o presidente do PPS, Roberto Freire, poderá voltar a se aproximar do PSDB, com quem tem coligações em vários estados para a eleição proporcional. Aécio vai procurar Freire assim que retornar ao Brasil. Os tucanos consideram que, num primeiro momento, Eduardo Campos vai faturar com a aliança com Marina, mas a médio prazo, será muito pressionado se não crescer nas pesquisas de intenção de votos e Marina continuar num patamar muito alto. Se isso acontecer, avaliam, as cobranças serão fortes para que Marina, e não ele, seja o candidato a presidente.

Em nota, a presidência do PSDB, que tem Aécio à frente, disse considerar que a decisão da ex-senadora de se manter em condições de participar das eleições de 2014, filiando-se ao PSB, “é importante conquista do Brasil democrático”. “É também uma reposta às ações autoritárias do PT, especialmente aos membros do partido que chegaram a comemorar antecipadamente a exclusão da ex-senadora do quadro eleitoral do próximo ano, com a impossibilidade de criação da Rede”, segue a nota.

O PSDB afirmou, ainda, acreditar que a presença de Marina Silva no pleito “fortalece o campo político das oposições e contribui para o debate de ideias e propostas”.

Fonte: O Globo

Aécio diz que decisão de Marina é 'resposta às ações autoritárias do PT'

Em nota, o presidente do PSDB diz que filiação da ex-senadora ao PSB é importante conquista do Brasil democrático

João Domingos

BRASÍLIA - O senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), que é provável candidato à Presidência em 2014, disse neste sábado, 5, que a decisão de Marina Silva de se filiar ao PSB é uma "resposta às ações autoritárias do PT". "O PSDB acredita que a presença de Marina Silva fortalece o campo político das oposições e contribui para o debate de ideias e propostas, tão necessários para colocar fim a esse ciclo de governo do PT que tanto mal vem fazendo ao País", disse em nota.

Leia a íntegra da nota:

"O PSDB considera que a decisão da ex-senadora Marina Silva de se manter em condições de participar das eleições de 2014, filiando-se ao PSB, é importante conquista do Brasil democrático.

É também uma reposta às ações autoritárias do PT, especialmente aos membros do partido que chegaram a comemorar antecipadamente a exclusão da ex-senadora do quadro eleitoral do próximo ano, com a impossibilidade de criação da Rede.

O PSDB acredita que a presença de Marina Silva fortalece o campo político das oposições e contribui para o debate de ideias e propostas, tão necessários para colocar fim a esse ciclo de governo do PT que tanto mal vem fazendo ao País".

Fonte: O Estado de S. Paulo

PPS não vai apoiar parceria entre Marina e Campos agora

Segundo presidente do partido, Roberto Freire, a união é um “grave equívoco”

BRASÍLIA - Depois de ter sido preterido por José Serra e Marina Silva na oferta para que se candidatassem à presidência em 2014, o PPS decidiu não apoiar neste momento a união entre Marina e Eduardo Campos, embora o partido também articulasse um provável apoio futuro ao candidato do PSB. Mais à frente, porém, o presidente do PPS, Roberto Freire, não descartou um apoio à dupla de oposição a Dilma Rousseff na presidência.

Segundo Freire, é um "grave equívoco" a união entre Marina e Campos neste momento porque reduz o número de candidatos fortes à eleição do próximo ano, o que contribuiria a uma disputa decidida apenas em segundo turno. Freire lembrou que esta será a segunda perda de candidato forte à eleição do ano que vem para a oposição, depois da decisão de Serra de permanecer no PSDB.

- Se Marina desistir e se associar a Eduardo e isso resultar na abdicação de uma candidatura, eu considero isso um grave equívoco neste momento - disse Roberto Freire, presidente do PPS, ontem, pouco antes da entrevista coletiva de Marina

A cúpula do PPS se reuniu ontem pela manhã em Brasília com apoiadores de Marina e com ela própria, onde foi informado da negociação com Campos. Os parlamentares do PPS argumentaram que uma associação futura poderia ser mais interessante para ambos e tentaram sensibilizá-la, mas saíram desiludidos do encontro.

- Dissemos que não era boa a união neste momento (a associação) porque diminuiria o número de opções para a cidadania, o que seria ruim para as oposições.

Freire não descartou o eventual apoio à provável parceria entre Campos e Marina mais à frente e, portanto, evitou comentar o impacto da união no eleitorado, mas disse que a união entre Marina e Campos foi um "revés" para a oposição. Para aumentar o número de candidatos de oposição em 2014, o presidente do PPS ainda avalia a hipótese de o partido ter uma nova candidatura própria.

- Precisamos ter outras vozes, é importante o pluralismo no primeio turno. Uma candidatura a menos agora é ruim para a oposição, e não é uma candidatura qualquer - disse Freire, referindo-se à candidatura de Marina.

Fonte: O Globo

Marina acerta ida para o PSB e admite ser vice de Campos

Socialistas vão dar "abrigo" e não questionarão mandato na hora da saída, diz coordenador da Rede.

O PSB anunciou ontem a filiação da ex-senadora Marina Silva ao partido. O acordo prevê que ela a Eduardo Campos continuem pré-candidatos à Presidência, mas o coordenador executivo da Rede, Bazileu Margarido, disse que Marina se disporia a disputar as eleições como vice de Campos. O PSB seria um abrigo transitório para os militantes da Rede Sustentabilidade ate que o partido consiga seu registro no TSE. A reunião que selou o acordo foi realizada em Brasília e avançou até a madrugada de ontem. "Fica claro para a sociedade que eles formam juntos uma terceira via eleitoral", disse o presidente do PSB mineiro, deputado Júlio Delgado.

Marina vai para o PSB e deverá ser vice de Campos na disputa pela Presidência

Sucessão 2014. Decisão de ex-ministra do Meio Ambiente, que teve partido rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral, é tomada a poucas horas do fim do prazo para filiação partidária; legenda de governador de Pernambuco será "abrido transitório" de marineiros

João Domingos, Eduardo Bresciani e Ricardo Della Coletta

BRASÍLIA - O PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, anunciou ontem a filiação da ex-senadora Marina Silva. O acordo prevê que ambos continuem a ser pré-candidatos à Presidência, mas a tendência é que Marina seja vice do novo aliado na disputa presidencial do ano que vem.

Juntos, serão a terceira via das eleições de 2014, tendo pela frente a presidente Dilma Rousseff, que tentará a reeleição, e o senador tucano Aécio Neves.

O encontro entre Campos e Marina para selar a aliança ocorreu em Brasília e avançou pela madrugada de sábado. O governador, que preside nacionalmente o PSB, já tinha mandado emissários para avisar a ex-ministra do Meio Ambiente da disposição de buscar um acordo.

Na quinta-feira, Marina teve sua Rede rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral - ela não conseguiu o número mínimo de assinaturas para criar a sigla. A ex-ministra teve de correr para arrumar um partido - o prazo de filiação para quem quer concorrer a cargo eletivo no ano que vem terminou ontem.

Segundo quem acompanhou a negociação, pessoas da classe artística contribuíram para o entendimento. Um dos que se envolveu foi o cineasta e diretor de televisão Guel Arraes, tio de Campos e filho de Miguel Arraes, fundador do PSB, já falecido. O senador Pedro Simon (PMDB-RS), próximo de Marina, foi outro que ajudou.

Os termos acordados pre-veem um "abrigo transitório" no PSB para as pessoas envolvidas no processo de criação da Rede. Desta forma, a aliança seria tratada como se fosse com outro partido. "Vamos tratar como uma coligação e respeitar a pré-candidatura dela", disse ontem o presidente do PSB mineiro, deputado Júlio Delgado. "Fica claro para a sociedade que Eduardo Gampos e Marina Silva formam juntos uma terceira via no processo eleitoral."

Formalmente, Marina e Campos continuarão dizendo que são pré-candidatos, mas o plano da chapa já é admitido. "Ela se disporia a service do Eduardo Campos, porque reconhece a candidatura dele, mas essa discussão será no momento futuro e não há ansiedade nisso", disse Bazileu Margarido, coordenador executivo da Rede.

Bazileu afirma que apesar dos convites de vários partidos, a escolha pelo PSB deveu-se a uma "maior identidade programática e nos Estados" com a Rede. "Foram definidas algumas questões importantes, o reconhecimento da Rede como um partido de fato, em função do reconhecimento o PSB estará abrindo a possibilidade de filiações democráticas e transitórias para os integrantes da Rede que quiserem se candidatar."

Dirigentes do PSB observam que alguns ajustes regionais terão de ser feitos para abrigar todos os integrantes da Rede, mas descrevem como "problema menor" ter de solucionar as pendências, diante do ganho da legenda em ter Marina nos seus quadros.

Na entrevista concedida na sexta-feira, Marina já tinha afirmado ser um de seus objetivos evitar uma polarização entre quem é "situação por situação e oposição por oposição".

Tido como uma das opções para abrigar Marina, o PPS é agora procurado para apoiar a aliança. A ex-senadora reuniu-se com dirigentes da legenda no início da manhã de ontem. O presidente do PPS, Roberto Freire (SP), porém, não gostou da atitude de Marina e afirmou a ela que a união de Campos seria um "desastre". Marina, porém, argumentou na conversa que sua atitude dá uma resposta ao Palácio do Planalto para a acusação de que desejava ser candidata a qualquer custo.

Colaborou Andreza Matais

Fonte: O Estado de S. Paulo

Marina e Campos se unem para sucessão presidencial

Ex-senadora se filia ao PSB do governador sem definir lugar na chapa para 2014

Segunda colocada nas pesquisas admite possibilidade de ser vice, mas não descarta concorrer à Presidência

Natuza Nery, Ranier Bragon, Dimmi Amora e Fábio Zambeli

BRASÍLIA e SÃO PAULO - No lance mais surpreendente até agora da corrida ao Palácio do Planalto, a ex-senadora Marina Silva decidiu ontem se filiar ao PSB e se unir ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para a disputa presidencial.

Aliados de ambos disseram que ela admite a possibilidade de ser vice de uma chapa liderada por Campos em 2014, mas os dois deixaram em aberto seu futuro político ao justificar o acordo ontem.

Questionada se estava desistindo de se candidatar à Presidência da República agora, Marina afirmou que sua presença ao lado de Campos "dizia tudo" e evitou responder à pergunta diretamente.

Campos, que se movimenta como candidato desde o ano passado mas até agora não declarou sua candidatura publicamente, voltou a repetir ontem que só definirá o que vai fazer no ano que vem.

Marina indicou várias vezes que poderá abrir mão de suas ambições presidenciais para apoiar Campos, mas o tom cauteloso de seu pronunciamento sugere que ela pode insistir nelas se o cenário for favorável mais à frente.

No discurso em que anunciou a filiação ao PSB, Marina disse que chega para "adensar uma candidatura que já está posta". Questionada depois se apoiará Campos, ela respondeu: "Você tem alguma dúvida disso?"

Na mais recente pesquisa do Datafolha, concluída em agosto, Marina aparece em segundo lugar, com 26% das intenções de voto. Campos tem 8% e está em quarto, depois do senador mineiro Aécio Neves (PSDB), que tem 13%.

A união de Marina com Campos cria uma força política que poderá se apresentar nas próximas eleições como alternativa à polarização entre o PT da presidente Dilma Rousseff e o PSDB de Aécio.

Em seus discursos ontem, Marina e Campos pregaram a necessidade de "sepultar a velha política" e fizeram menções às manifestações que sacudiram o país em junho.

Marina entrou no PSB porque seu projeto de organizar um novo partido, a Rede Sustentabilidade, foi barrado pela Justiça Eleitoral, que considerou insuficientes as assinaturas de apoio apresentadas.

"Somos o primeiro partido clandestino criado em plena democracia", discursou Marina ontem. Ao mencionar as opções que teria discutido com os aliados, ela disse que rejeitou ideias como entrar num "partido de aluguel" ou abandonar a disputa eleitoral para se tornar uma "Madre Teresa de Calcutá da política".

"Marina, se resigne e vá ser a candidata da internet", disse Marina, reproduzindo um dos conselhos que afirma ter ouvido. "Todo mundo ia me curtir' e um bando de gente ia me cutucar', mas isso não mudaria em nada a história."

Familiares e voluntários que ajudaram a organizar a Rede pressionaram Marina para que se mantivesse sem partido para não se afastar do compromisso público assumido pela Rede com a ideia de renovação da política.

A união de Marina e Campos foi acertada num encontro que eles tiveram na noite de sexta-feira. Na conversa, a ex-senadora indagou se o governador, como ela um ex-aliado do PT, pretende levar sua candidatura até o fim. "Não tem volta", disse Campos, segundo a Folha apurou.

Pelo acerto entre eles, a Rede continuará atuando como grupo independente, apesar de não existir oficialmente. "Não sou uma militante do PSB, sou uma militante da Rede", disse Marina, que tratou como "filiação simbólica" seu ingresso no PSB.

Campos fez uma referência velada às pressões que sofre do PT para não se candidatar em 2014. "Aqueles que esperavam nos colocar fora do processo, e reduzir a participação da sociedade, hoje estão refazendo suas contas", disse.

Fonte: Folha de S. Paulo

Marina diz que foi vítima de 'chavismo'

Em reunião antes de se filiar ao PSB, ex-senadora acusou PT de táticas semelhantes à do líder venezuelano

Chamada de "plano C", aliança com Campos foi articulada pelo deputado paulista Márcio França (PSB)

Ranier Bragon, Natuza Nery e Dimmi Amora

BRASÍLIA - Na longa reunião em que comunicou a seus aliados a disposição de ingressar no PSB, Marina Silva centrou críticas no PT e no governo, dizendo haver risco de instalação no país do estilo político do presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em março, acusado por seus críticos de perseguição contra a oposição e a imprensa.

No encontro ocorrido em sua casa, e que só terminou por volta das 5h de ontem, Marina disse que sua Rede Sustentabilidade foi vítima de "chavismo", pela tentativa de aprovação no Congresso de projeto que sufocava as novas legendas e pelo alto índice de rejeição de assinaturas de apoio ao partido em cartórios como o do ABC Paulista, reduto do PT.

"O aparelhamento do Estado e das instituições pelo PT é insuportável. O caso da Venezuela é um populismo autoritário com inspiração militarista, aqui esse fenômeno é mais sofisticado", disse o vereador paulistano Ricardo Young (PPS), um dos presentes à reunião.

Questionada em coletiva de imprensa sobre o uso da expressão, Marina afirmou que "houve um esforço para inviabilizar" o seu partido.

"Há, no país, uma tentativa, de forma casuística, de eliminar uma força política que legitimamente tem o direito de se constituir como um partido político. Vejo um risco de aviltamento da nossa democracia".

No encontro com os aliados, Marina disse ainda que o PT comemorava ter "abatido ainda na pista" o "avião" da Rede. Essa reunião foi realizada logo após o encontro em que ela selou o acordo com o governador Eduardo Campos (PSB-PE).

Plano C

"Você inventou isso. Agora, venha para cá urgentemente cuidar disso", avisou, entre tenso e feliz, Campos ao deputado federal Márcio França (PSB-SP) na madrugada da última sexta-feira.

O paulista foi o idealizador da articulação que culminou na filiação de Marina.

França travou as negociações com o deputado Walter Feldman, que deixou o PSDB e ontem também se filiou ao PSB, e que é um dos principais operadores de Marina.

"Acreditávamos que a candidatura do Eduardo só aconteceria mais para frente, e seria necessário sangue frio para esperar. Com a filiação, vai se antecipar muito e ele só ganha com isso", disse França.

Marina apresentou outra versão para a gênese do acordo, dizendo que ela teve a ideia de procurar Campos na reunião com os aliados logo após a sessão do Tribunal Superior Eleitoral que rejeitou a criação da Rede, na quinta.

Segundo ela, como todos falavam em plano A (a criação da Rede) e em plano B (sair candidata a presidente por outro partido), ela começou a bolar o "plano C" --"plano Eduardo Campos".

"Ninguém teria coragem de propor a uma candidata com 26% das intenções de voto que ela desistisse de sua candidatura à Presidência para apoiar um outro candidato. Essa é uma iniciativa que só ela teria a capacidade de colocar na mesa", afirmou o deputado Alfredo Sirkis (RJ), que também ingressou no PSB.

Fonte: Folha de S. Paulo

Dilma apostava em candidatura por outro partido

João Domingos e Vera Rosa

A ida da ex-ministra Marina Silva para o PSB de Eduardo Campos surpreendeu a presidente Dilma Rousseff, a ponto de levá-la a ficar atenta ao noticiário para saber se era aquilo mesmo que estava acontecendo. A presidente e seus principais assessores na pré-campanha trabalhavam com a certeza de que a ex-ministra se abrigaria em um partido, viabilizando a candidatura. A principal aposta da presidente para o futuro de Marina, no entanto, era o PPS.

Por enquanto, ainda de acordo com informação de auxiliares da presidente, Dilma vai aguardar por novas informações da aliança entre o PSB e Marina Silva. Dependendo da reação do eleitorado nas futuras pesquisas de intenção de voto, a presidente poderá mudar ainda mais a sua imagem e adotar uma feição mais popular, Por causa da quedas nas pesquisas, em junho, Dilma decidiu investir nas entrevistas a rádios regionais e nos roteiros de inauguração de obras.

A um ano das eleições, a ideia é fazer uma ou duas viagens por semana para "bater bumbo" sobre programas do governo, principalmente aqueles voltados para os mais carentes.

A estratégia de comunicação para a campanha de 2014 foi avaliada por Dilma em jantar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 30 de setembro, no Palácio da Alvorada. Na ocasião, os dois analisaram cenários de disputa e o potencial de crescimento de Marina nas camadas populares e nas redes sociais.

Pesquisas qualitativas, que servem de termômetro para medir o humor dos eleitores, mostraram ao governo que a ex-ministra começou a ser apontada como "mulher do povo", "humilde" e "gente como a gente". Além disso, ela fez das redes sociais o seu maior ativo, ganhando também adesões na classe média alta.

Diante da briga midiática, Dilma decidiu reabrir, no dia 27, sua conta na rede Twitter, desativada desde o fim da campanha de 2010. A ofensiva digital foi considerada um sucesso por Lula.

Na prática, o Palácio do Planalto só passou a dar importância a Marina em junho, quando pipocaram os protestos pelo País e ela encostou em Dilma. Até então, petistas diziam que as intenções de voto na ex-senadora, que foi ministra do Meio Ambiente na gestão Lula, eram "recall" da eleição de 2010, quando obteve quase 20 milhões de votos.

O desafio é retocar a imagem de gerente, desgastada pelos percalços na economia, e combiná-la com uma fisionomia mais popular, como a que vai ar amanhã no Programa do Ratinho, do SBT. "Vou mandar um fogão para a senhora, hein?", brincou o apresentador na gravação da entrevista, na quinta-feira, quando lembrou que ela disse ter dons culinários não exercidos por falta de fogão no Alvorada.
Foi Lula quem aconselhou Dilma a aparecer em programas de TV destinados às classes D e E e também a investir com mais força nas entrevistas às rádios regionais. A essas emissoras ela vende o "peixe" do governo e geralmente não é questionada sobre denúncias ou escândalos. De quebra, consegue passar o recado para o eleitor menos interessado no jogo político e que pode se impressionar com a "sonhática" Marina.

Fonte: O Estado de S. Paulo

PPS ataca aliança

Daniela Garcia

Com o partido rejeitado pela ex-senadora Marina Silva, o presidente do PPS, Roberto Freire, afirmou ontem que a filiação dela ao PSB, encabeçada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, "é um grande equívoco". Até o fim da manhã de ontem, Freire tentou convencê-la a ser candidata às eleições presidenciais de 2014 pelo PPS, mas foi vencido diante da musculatura do partido de Campos, que conta com mais tempo de propaganda na tevê e maior volume de recursos do fundo partidário.

Com o ingresso de Marina no PSB, o presidente do PPS avalia que haverá um enfraquecimento da oposição frente à campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o cenário político seria mais diverso se Eduardo Campos e a ex-senadora entrassem na disputa pelo Palácio do Planalto em legendas diferentes. "Hoje, abdicar de uma candidatura no campo da oposição é um grande equívoco. No primeiro turno é importante que se ofereça pluralismo à sociedade", defendeu.

Marina confirmou, na tarde de ontem, que deve ser candidata à vice-Presidência na chapa de Campos. Para Roberto Freire, a "dobradinha" representa uma perda na disputa eleitoral. "Mas o PSB só pode ter um candidato e, com a filiação de Marina, perdemos um candidato no campo da oposição. O Eduardo é um grande nome, mas não se pode abrir mão de Marina", afirmou. Na corrida pelo Planalto em 2010 , a ex-senadora conseguiu cerca de 20 milhões de votos. Nas últimas pesquisas eleitorais, Marina foi apontada como segunda colocada atrás de Dilma Rousseff.

Antes mesmo do fracasso da criação da Rede Sustentabilidade, legenda idealizada pela Marina, o PPS já havia oferecido a vaga a Marina. "O convite não foi para atender os interesses do PPS ou de Marina. Foi pela sociedade brasileira, e Marina é uma alternativa para a cidadania", argumentou Freire. O presidente do PPS deixou claro também que irá respeitar a decisão da ex-senadora, mas avaliou que, do ponto de vista estratégico, era melhor ter vários candidatos de oposição. Lembrou, inclusive, que foi por esse motivo que o partido tentou convencer o tucano José Serra a se lançar.

Com a filiação da ex-senadora ao PSB, Freire adiantou que o PPS não vai fechar nenhuma aliança em apoio ao projeto de Marina e Eduardo Campos. "O PPS continua o seu projeto de buscar alternativas para a disputa de 2014. Não sou pessimista. Até porque esse governo (do PT) é tão incompetente que a sociedade dará uma resposta nas urnas. 2014 será o ano da mudança", disse.

"Com a filiação de Marina, perdemos um candidato no campo da oposição. O Eduardo é um grande nome, mas não se pode abrir mão de Marina"
Roberto Freire, presidente do PPS

Fonte: Correio Braziliense

Aliança entre Marina e Campos surpreende governo e oposição

Aécio diz que ex-senadora fora das eleições seria 'o pior cenário'

BRASÍLIA, SÃO PAULO - O senador Aécio Neves (PSDB-MG), virtual candidato ao Palácio do Planalto em 2014, afirmou ontem que a filiação da ex-senadora Marina Silva ao PSB "fortalece o campo oposicionista" contra a candidatura da presidente Dilma Rousseff.

De Nova York, onde participa de uma rodada de palestras a investidores, o senador disse à Folha que "o pior cenário para nós seria Marina sem condições de participar do jogo eleitoral".

A filiação da ex-senadora ao PSB surpreendeu o mineiro e reanimou tucanos que ainda defendem o nome de José Serra para a disputa presidencial em 2014.

Interlocutores disseram que o ex-governador paulista ficou bastante feliz com a decisão da ex-senadora.

Segundo serristas, o PSDB deve fazer pesquisas qualitativas e reavaliar o cenário eleitoral, abrindo espaço para questionar a candidatura do mineiro, hoje com apoio da maioria do partido.

Em nota assinada por Aécio, presidente nacional da sigla, o PSDB afirmou que a decisão de Marina é "também uma resposta às ações autoritárias do PT, especialmente aos membros do partido que chegaram a comemorar antecipadamente sua exclusão" da disputa em 2014.

A presença de Marina, diz o texto, fortalece a oposição e o debate necessários "para colocar fim a esse ciclo de governo do PT que tanto mal vem fazendo ao País".

A decisão de Marina também surpreendeu o Palácio do Planalto. Interlocutores do governo, que esperavam a filiação da ex-senadora ao PPS, classificaram sua aliança com Campos como "um belo golpe de mestre".

No curto prazo, assessores da presidente esperam que o mais prejudicado seja Aécio. A equipe presidencial diz, porém, que é preciso trabalhar com outro quadro, de a aliança potencializar o lado negativo de Marina e Campos, o que beneficiaria o tucano.

Equívoco

Para o deputado Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS, a decisão foi um "equívoco". Seu partido foi um dos oito que ofereceram abrigo a Marina após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) negar o registro para a Rede.

Segundo o deputado, "o PSB só pode ter um candidato e, com a filiação de Marina, perdemos um candidato no campo da oposição".

Antes do anúncio formal da filiação da ex-senadora, integrantes da Rede ofereceram ao PPS espaço na coligação política criada com o PSB.

O PPS, porém, nutriu até o último momento esperanças de fechar com Marina e oficializá-la como a candidata da legenda à Presidência.

No final da manhã, porém, a ex-senadora se reuniu com a direção do partido para comunicar sua decisão em prol do PSB, frustrando boa parte dos integrantes do PPS.

"É natural que haja frustração num primeiro momento, mas eles [direção do PPS] vão entender que isso é exatamente o que eles defendem", disse o vereador paulistano Ricardo Young, um dos principais aliados de Marina Silva dentro do PPS.

Fonte: Folha de S. Paulo

Entrevista: Aécio Neves, presidente do PSDB e provável candidato à Presidência em 2014

"Nem eu nem Serra anteciparemos o jogo"

Senador mineiro afirma que conciliação com ex-governador é o "instrumento mais valioso" para enfrentar o PT

Débora Bergamasco

BRASÍLIA - O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, reconhece ter apoio majoritário de sua legenda para enfrentar nas urnas a presidente Dilma Roussef e planeja para o ex-governador José Serra a função de ajudar a coordenar o programa de governo tucano e de pensar uo novo discurso do PSDB.

Mas repete, várias vezes, que Serra ainda pode ser o escolhido para representar os tucanos na disputa de 2014. O discurso faz parte do acordo que levou meses para ser costurado e que garantiu a permanência do ex-governador no partido. A conciliação entre Aé cio e Serra foi negociada em nome da batalha contra o PT.

* Como o senhor e o ex-governador avaliaram a repercussão da permanência dele no PSDB?

Nunca concebi o PSDB sem o Serra porque acredito nas coisas lógicas e o lógico é estarmos juntos. O Serra é, sim, um nome para ser examinado no momento certo. Pode haver hoje uma posição majoritária em torno do meu nome? E uma possibilidade. Mas não tive e não tenho, independentemente da presidência do partido, interesse em antecipar a decisão de candidatura. Eu tenho que ter hoje a mobilidade necessária para andar pelo País, como presidente do PSDB, construindo essa nova agenda.

* Mas o senhor sai na frente porque o cargo de presidente da sigla, para correr o Brasil, é um só.

Mas sou presidente do partido porque o partido me escolheu e não porque pedi para ser. E estou cumprindo o meu papel, como o Serra cumpriu quando foi também presidente do partido, né? Mas o que há hoje é uma consciência muito clara de que a nossa unidade é o instrumento mais valioso para enfrentarmos o PT. E se nós temos diferenças de pensamento sobre isso ou aquilo, não temos no essencial. Queremos que esse ciclo de governo se encerre porque ele fracassou.

* Qual será o papel de Serra na campanha eleitoral?

Ponto um: o Serra sempre será um nome a ser avaliado pelo PSDB para qualquer cargo, inclusive para a candidatura presidencial, não temos porque antecipar esse jogo. Ponto. Se eventualmente não for o candidato, ele tem, pelo capital político, pelo capital eleitoral e pela formação pessoal, condição de nos ajudar a coordenar essa agenda. Pode ser uma figura exponencial na construção do novo discurso do PSDB, A agenda em curso hoje no Brasil foi a proposta por nós há 20 anos. Não tem agenda nova.

* Ele ajudaria a propor uma agenda nova?

Não só para o próximo governo, mas para os próximos 20 anos, com novas políticas sociais, uma nova relação com o setor privado, não essa canhestra que se faz aí agora.

* O senhor se vê em um palanque pedindo voto para o Serra ou ele pedindo voto para o senhor?

Sempre, até porque já me vi várias vezes e está gravado. Nós fizemos duas campanhas ao lado do Serra em Minas e tenho certeza de que ele fará ao meu lado. Ele fará campanha para o candidato do PSDB, assim como cu farei campanha para o candidato do PSDB. O que nos une é nossa repulsa a tudo isso que está acontecendo.

* Como o quê, por exemplo?

Na construção política, por exemplo, que é hoje um verdadeiro "vale-tudo". É dinheiro público sustentando a base, porque agora coopta-se parlamentares oferecendo emendas, oferecendo dinheiro publico. O gravíssimáfe vergonhoso aparelhamento de programas sociais do governo como o Minha Casa, Minha Vida pelas associações ligadas ao PT que tem que ser denúieiado à Justiça, como o PSDB está fazendo. O PT perdeu o limite do que é público e do que é privado.

* Acha que pode haver usa da máquina pública para tentar eleger como governador de São Paulo o ministro Alexandre Padilha?

Acho que já está se fazendo no Brasil Inclusive a presidente anunciou que "na eleição a gente faz o diabo". E começou já a fazer o diabo. Essa bilionária propaganda querendo vender um País que não é real, como um País que acabou com a pobreza. Eu convido a presidente a descer do "aerodilma", da sua segurança que em cada lugar é mais ostensiva, que impede o contato pessoal com as pessoas, né? Então que ela pegue aí uma motocicleta, se ela gosta mesmo de andar de motocicleta... Eu posso até dar uma carona para ela conhecer o Brasil real O Brasil real está desanimado, desalentado, não recebe investimentos, isso é perceptível e não se consegue mascarar a realidade durante muito tempo. E a campanha é o momento de nós desnudarmos o mau governo do PT.

* E o que o PSDB está fazendo?

Nossa preocupação é consolidar o PSDB como a principal alternativa de oposição, ÍJossa primeira preocupação era manter a unidade do partido. Fizemos um enorme esforço para consolidar essa unidade e ela é expressada hoje com a presença do Serra e do (senador) Alvaro Dias (PSDB-PR). Paralelamente, meu esforço tem sido construir o discurso do PSDB. Reaproximar a legenda de setores dos quais já estivemos próximos e nos distanciamos.

* Quais setores?

Jovens, profissionais liberais, jovens empreendedores e nosso programa foi muito focado nessa construção, resgatando um pouco a ideia de que quem muda o mundo são as pessoas que estudam, que trabalham, que buscam crescer na vida e não através do Estado. Porque é com isso que vamos nos contrapor à visão atrasada e equivocada do governo de que a transferência de renda feita pelo Estado é que vai te permitir ter uma vida melhor. Quando criticamos a política econômica é porque deixamos de gerar empregos de boa qualidade.

* Uma das bandeiras do PT em 2014 será divulgar programas de financiamento estudantil, de capacitação profissional o vice-presidente Michel Temer falou que o governo tem tantas bandeiras que a oposição está sem bandeira.

Eu acho o contrário, O PT se apropriou das bandeiras do PSDB. O PT abdicou do seu projeto conceituai de País para incorporar as bandeiras do PSDB, como a da estabilidade econômica, da Lei de Responsabilidade Fiscal, das políticas de transferência de renda, da concessão de serviços públicos. A agenda que está em curso hoje no Brasil, é a agenda construída pelo PSDB. Nos temos um software pirata no Brasil, porque o original é nosso.

* Não vai ficar repetitivo?

Não, por isso precisamos retomar, porque ele está mal conduzido . Mesmo essas políticas tidas como de alcance social mostraram seu esgotamento. Voltamos a ter crescimento do analfabetismo, porque o PT se contenta com a administração da pobreza. Para nós o essencial é a superação da pobreza. A pobreza tem que ser vista em três dimensões; privação da renda, privação de serviços e a privação de oportunidades. O governo apostou exclusivamente no crescimento pelo consumo e a partir da oferta de crédito farto, que foi importante, mas jamais poderia ter sido a única aposta, Hoje, mais de 60% das famílias estão endividadas e isso era previsível.

Fonte: O Estado de S. Paulo

A responsabilidade do STF - Fernando Henrique Cardoso*

Há casos nos quais só o exemplo protege a sociedade da repetição do crime
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A última decisão da Corte agrava a atmosfera de descrédito com as instituições Só quando instado por jornalistas, opinei sobre o processo chamado "mensalão". E não entrei na seara que é própria dos juizes: que réus deveriam ser absolvidos ou condenados e, neste caso, a quantos anos. Pessoalmente não me movem impulsos punitivos e muito menos vingativos. A maioria dos réus não cruzou comigo na vida pública; em geral seus modos de agir e pontos de vista políticos não coincidem com os meus. Mantive, é certo, um relacionamento cordial com os que tiveram mandato parlamentar. Embora entendendo as reações de indignação dos que pedem punição rápida, achei que não deveria entrar neste coro. É óbvio que existe nas ruas um sentimento de dúvida, quando não de revolta, com os resultados ainda incertos do julgamento. Afinal, para a maioria dos brasileiros, trata-se de uma das poucas vezes em que habitantes do "andar de cima" como se os qualificam no falar atual, estão no pelourinho.

Agora, quando boa parte das águas já rolou, dá para comentar de modo menos emotivo o que aconteceu na fase quase final do julgamento e seus possíveis desdobramentos. Não cabem dúvidas de que a sensação de impunidade que a maioria das pessoas sente decorre menos das decisões do que da demora no término do processo. Há várias explicações para tal demora: a complexidade do julgamento com pessoas de tão alta responsabilidade política; o STF não estar habituado e talvez nem preparado para atuar como instância penal originária; os Códigos de Processo que abrem espaço a um sem-número de recursos, etc. Para o povo, nada disso é compreensível ou justificável. Por que demorar tanto?

Na primeira fase, a competência do ministro relator, ao encadear as fases, e os grupos de implicados, em um enredo de lógica compreensível, e a minúcia com que os juizes debateram o caso mostraram com clareza que houve desvio de dinheiro público e privado, não apenas para cobrir gastos de campanha, como afirmou o presidente Lula, mas também para obter a lealdade de partidos e congressistas mediante recebimento de dinheiro.

A dosimetria, no dizer juridiquês, a atribuição de penas específicas aos culpados, escapou à atenção do povo. O ponto culminante na primeira fase do julgamento foi determinar quem foram os mandantes. Independentemente da doutrina do domínio do fato, ou seja, quem, sabedor dos atos ilícitos, podia mandar seguir adiante ou interrompê-los, formou-se na opinião pública a convicção de que os mais notórios personagens, por menos rastros que tivessem deixado, foram, sim, responsáveis.

Mesmo sem conhecimento jurídico, a maioria das pessoas formou um juízo condenatório. As decisões dos juizes comprovaram — em geral por 9 x 2, 8 x 3 ou, mais raramente, 7x4, quando não por unanimidade —- o veredicto popular: culpados. A opinião pública passou a clamar por castigo. A decisão de postergar ainda mais a conclusão do processo, graças à aceitação dos "embargos infringentes" recurso de que só os doutos lembravam e sabiam dizer no que consistia, caiu como ducha de água fria. Por mais que o voto do ministro Celso de Mello tenha sido juridicamente bem fundamentado, ressaltando que o fim dos embargos infringentes no STF foi recusado pela Câmara dos Deputados quando do exame do projeto de lei que suprimiu esses embargos nos demais tribunais, ficou cristalizada na opinião pública a percepção de que se abriu uma chance para diminuir as penas impostas.

Tal abrandamento implicará mudança de regime prisional apenas a membros do "núcleo político" Se essa hipótese vier a se confirmar, estará consagrada a percepção de que "os de cima" são imunes e só os "de baixo" vão para a cadeia. O que às pessoas mais afeitas às garantias dos direitos individuais e menos movidas por sentimentos de vingança pode parecer razoável, à maioria da população parece simplesmente manobra para que o julgamento seja postergado, nunca termine, e o crime continue sem castigo. Tanto mais que metade do Supremo encontrou argumentos para negar a vigência dos embargos infringentes naquela Corte.

É fato notório, ademais, que todo o edifício jurídico-constitucional se constrói sobre realidades políticas. A indicação de dois novos membros do STF pelo governo, depois de tantos rumores de conversas com candidatos para comprometê-los com um comporta-mento brando no julgamento do mensalão, e a infausta tentativa do presidente Lula de pedir a um ministro para não votar logo o processo exemplificam a contaminação da pureza jurídica pelas pressões políticas. O último voto sobre os embargos infringentes — sem que esta fosse a intenção do ministro que o proferiu — deu a sensação de que haverá um abrandamento das penas. Sensação que se reforça quando os juízes recém-nomeados dizem que, havendo novo julgamento, poderiam opinar de modo contrário ao da maioria anterior.

Reitero: pessoalmente não me apraz ver pessoas na cadeia. Mas isso vale para todos, não só para os políticos ou para os do "andar de cima". E há casos nos quais só o exemplo protege a sociedade da repetição do crime. A última decisão do tribunal agrava a atmosfera de descrédito e desânimo com as instituições. Em uma sociedade já tão descrente de seus líderes, com um sistema político composto por mais de 30 partidos, em um ambiente corroído pela corrupção, com um governo com 40 ministérios, uma burocracia cada vez mais lenta e penetrada por interesses partidários, não teria sido melhor evitar mais uma postergação reforçando a descrença na Justiça?

Ao acolher os embargos infringentes, o STF assumiu responsabilidade redobrada. Ao julgá-los, sem se eximir de ser criterioso, o tribunal deverá cuidar para decidir com rapidez e evitar a percepção popular de que tudo não passou de um artificio para livrar os poderosos da cadeia. 

*Sociólogo, foi presidente da República

Fonte: O Estado de S. Paulo

Coligação democrática - Merval Pereira

O acordo a ser firmado entre o PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, tem um objetivo claro: oferecer aos eleitores, com o que chamam de "coligação democrática" uma opção ao que Marina definiu como "oposição pela oposição e situação pela situação" que é nada mais que a polarização entre PT e PSDB que prevalece nas eleições presidenciais desde 1994.

Como ao ficar no PSDB, desistindo do sonho de disputar mais uma eleição presidencial, o ex-governador José Serra disse que seu objetivo era ajudar a derrotar o PT, temos uma corrida presidencial em que o partido do govemo estará desafiado tanto pela "oposição à esquerda" de dentro da base governista, quanto pela oposição oficial.

Os analistas políticos do governo sempre consideraram que a oposição mais perigosa era a de dentro da base governista, o que confere à nova "coligação democrática" um caráter de principal obstáculo à reeleição da presidente Dilma.

O clima do acordo entre Marina e Eduardo Campos é de rejeição à maneira de fazer política do PT. A ex-senadora saiu do embate pela formação do seu partido, Rede, com o ânimo de denunciar as manobras governamentais para barrar sua pretensão no TSE, e esse estado de espírito coincide com o de Eduardo Campos, que acusa o PT de ter tentado com golpes baixos tirá-lo da corrida presidencial.

O governador de Pernambuco viajou para Brasília na manhã de ontem, em companhia do vice-presidente do partido, ex-ministro Roberto Amaral, para um encontro com a ex-senadora Marina Silva para fechar o acordo político, destinado a ter grande impacto na corrida presidencial. O PSB assinará um protocolo de intenções com a Rede Sustentabilidade para a formação do que chamam de "coligação democrática" reconhecendo a existência política da Rede e dará legenda a Marina e a todos os membros da Executiva Nacional do futuro partido.

Na noite de sexta-feira, Marina e Eduardo Campos conversaram por telefone e acertaram os detalhes desse acordo, que, no primeiro momento, não falará sobre a candidatura à presidência da República, permanecendo os dois na condição de pré-candidatos. A definição será dada mais adiante, provavelmente de acordo com a posição de cada um nas pesquisas de opinião.
 
No momento, Marina Silva está em segundo em todas elas, com índices que variam de 16% a 25%, e o governador de Pernambuco está em quarto lugar, com cerca de 5% dos votos.

Ao mesmo tempo, ocorreu em Brasília uma reunião da cúpula do Rede Sustentabilidade com o deputado federal Roberto Freire, presidente do PPS, com a presença da própria Marina e de políticos como o vereador paulistano Ricardo Young. Havia uma conversa anterior em que Marina havia exigido ocupar a vice-presidência do partido e ter total independência na campanha presidencial. A reunião definiria a disposição do PPS de aceitar receber Marina Silva e seus seguidores.

Como o PPS, depois de o ex-governador José Serra ter desistido de se filiar ao partido para disputar a presidência, estava aberto a apoiar tanto Marina quanto Campos, a recusa dela a ir para a legenda não deve encerrar as negociações, pois provavelmente o PPS deve se juntar ao PSB numa coligação formal.

A candidatura que sair desse grupo terá então o apoio inicial de PSB, PPS e Rede Sustentabilidade, formando uma nova coligação com força para disputar a eleição presidencial. A união entre Marina e Eduardo Campos, com provável apoio do PPS, pode levar a um passo mais avançado das oposições, a exemplo do que aconteceu na Venezuela.

Lá, os partidos de oposição fizeram um amplo acordo e escolheram um candidato único através de uma consulta popular. O senador Aécio Neves, do PSDB, recebeu a notícia da formação da "coligação democrática" na chegada a Nova York, onde fará uma palestra para investidores internacionais.

Fonte: O Globo