quarta-feira, 23 de abril de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ao atacar Powell, Trump repete populismo de Lula

O Globo

Incapazes de recuar em políticas inflacionárias, presidentes se voltam contra autoridade monetária

Enquanto, no front externo, Donald Trump mina o comércio global com sua guerra tarifária, internamente centra baterias contra Jerome Powell, presidente do banco central americano, o Fed. Numa rede social, Trump voltou a exigir que Powell baixe a taxa de juros. Não demorou para desabarem as Bolsas de Valores americanas, subirem os juros pagos pelo governo americano para tomar dinheiro emprestado no mercado, e aumentar a crise de confiança no dólar. Mesmo com pequena recuperação depois, a corrida em busca de um porto seguro para os capitais fez o preço do ouro romper, pela primeira vez, a barreira simbólica dos US$ 3.500 a onça.

A estratégia de Trump se assemelha à do presidente Luiz Inácio da Silva quando Roberto Campos Neto era presidente do Banco Central (BC). Num primeiro momento, o governo adota políticas irresponsáveis e inflacionárias. No caso de Trump, as tarifas. No de Lula, a expansão do gasto público. Em seguida, ciente da missão das autoridades monetárias de proteger o valor da moeda, o presidente tenta passar adiante a culpa pelo problema que criou. Não há coloração política imune ao populismo econômico.

União é a cara do Brasil - Vera Magalhães

O Globo

Partido é agrupamento de políticos com objetivos pessoais a serviço de projeto empresarial de seus dirigentes

Se um partido sintetiza todos os vícios que explicam a disfuncionalidade da política brasileira hoje, ele atende pelo tão cínico quanto eloquente nome de União Brasil. Formado pela junção de siglas que não tinham nada a ver uma com a outra — o PSL que havia crescido com a vinda de Jair Bolsonaro e o DEM, por sua vez ex-PFL — com o único propósito de concentrar fundos partidário e eleitoral, é um agrupamento de políticos com objetivos pessoais específicos, a serviço de um projeto empresarial de seus dirigentes.

Por isso mesmo, é sinal inequívoco da perda de capacidade de liderança de Lula levar um “não” de um deputado jovem e desconhecido de um estado fora do eixo de poder, convidado sem ter currículo algum para comandar um ministério antes relevante, mas nos últimos anos entregue ao fisiologismo sem disfarces. Qualquer leitor do GLOBO que for colocado diante de uma fileira de cinco fotografias de homens jovens de barba e terno com certeza terá dificuldade de apontar entre eles o deputado Pedro Lucas (MA), que atualmente exerce a função de líder do União.

Francisco e Brasil - Bernardo Mello Franco

O Globo

Dilma, Temer e Lula buscaram se aproximar de pontífice; capitão preferiu tratá-lo como inimigo

No avião a caminho do Rio, Francisco brincou: “O Papa é argentino, mas Deus é brasileiro”. Era julho de 2013, e o pontífice fazia sua primeira viagem internacional no comando da Igreja.

Francisco dedicou atenção especial ao país com a maior população católica do mundo. Os políticos brasileiros aproveitaram para cortejá-lo — com raras exceções.

Presidente na época do último conclave, Dilma Rousseff foi ao Vaticano para a missa inaugural do Papa. No dia seguinte, os dois conversaram por cerca de meia hora. “Ele fala em portunhol igual à gente”, comentou a petista, na saída da audiência. “É um Papa muito normal, viu?”, surpreendeu-se.

Michel Temer esteve com Francisco duas vezes, ambas como vice-presidente. Na primeira, representou o governo ao fim do encontro de jovens no Rio. “Eu estava inspirado no meu discurso. Disse que o Papa era argentino, mas a partir daquele momento residia no coração dos brasileiros”, recorda.

Igreja à espera de João XXIV – Elio Gaspari

O Globo

Francisco tentou, mas não conseguiu

O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito Papa em março de 2013. Desde 2005, quando foi o segundo mais votado no conclave que elegeu Bento XVI, ele admitia a possibilidade de vir a ser escolhido e pensava em tomar o nome de João XXIV. Seria o sinal de que estava determinado a sacudir a Igreja Católica, como havia feito João XXIII (1958-1963).

Angelo Roncalli, patriarca de Veneza, foi eleito Papa aos 76 anos e acreditava-se que faria um breve pontificado de transição. Breve foi, pois João XXIII morreu em 1963, mas nada teve de transitório. Ele convocou um Concílio Ecumênico, aproximou-se das outras igrejas cristãs e diminuiu o fosso que separava os católicos dos judeus.

Depois de João XXIII vieram cinco Papas. Os avanços do Concílio foram contidos, e o catolicismo perdeu milhões de fiéis. O crescimento das igrejas evangélicas no Brasil é um exemplo dessa migração. Aferrada ao celibato dos padres e à condenação da pílula, a Igreja Católica vive uma crise de vocações e de fiéis. A isso, somou-se o escândalo multinacional dos abusos sexuais praticados por religiosos e acobertados pela hierarquia.

Líder do União Brasil desiste de ser ministro e fragiliza governo Lula - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O episódio é um aviso ao presidente Lula de que precisa abrir bem os olhos, porque seu governo é um arquipélago político que perde poder de atração

O Arquipélago de Abrolhos é um tesouro natural localizado na costa da Bahia. São cinco ilhas principais e muitos pequenos recifes à flor da água, um santuário marinho de incrível biodiversidade e beleza cênica, frequentado por baleias-jubartes em lua de mel. Seu nome tem origem nos perigos dos corais e rochas submersas, que dificultam a navegação e já causaram muitos naufrágios.

O nome Abrolhos veio de uma anotação da carta de navegação de Américo Vespúcio. Quando, em 1503, passou por essa região, escreveu: “Quando te aproximares da terra, abre os olhos”. Um dos naufrágios aconteceu com o padre José de Anchieta (José de Anchieta – Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões (Ed. Universidade de São Paulo)”.
auto skip

O jesuíta viajava em companhia de outros padres, de Salvador para São Vicente, em duas naus. Na noite de 20 para 21 de novembro de 1560, uma tempestade surpreendeu a missão nos Abrolhos. A embarcação de Anchieta ficou bastante danificada e a de Leonardo Nunes, outro sacerdote, foi inteiramente perdida.

Pedro Lucas recusa convite para Ministério das Comunicações; governo e União Brasil administram crise

Andrea Jubé , Murillo Camarotto e Marcelo Ribeiro / Valor Econômico

Ministra Gleisi Hoffmann comanda reunião para decidir se será mantida a oferta do Ministério das Comunicações para acomodar o União Brasil

O líder do União Brasil na Câmara dos Deputados, Pedro Lucas Fernandes (MA), confirmou na noite desta terça-feira (22) que não assumirá o Ministério das Comunicações, como chegou a ser anunciado na semana passada. Em nota, Fernandes agradeceu ao convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas disse que irá contribuir mais no Congresso do que no governo.

"Sou líder de um partido plural, com uma bancada diversa e compromissada com o Brasil", disse o parlamentar. "A liderança me permite dialogar com diferentes forças políticas, construir consensos e auxiliar na formação de maiorias em pautas importantes para o desenvolvimento do Brasil", afirmou Fernandes na nota.

A anistia e o caso italiano - Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

O exemplo de Pertini após o assassinato de Germana Stefanini e a lição na defesa da ordem democrática

Germana Stefanini tinha 56 anos. Ela voltava do presídio de Rebbibia, onde trabalhava como carcereira auxiliar, quando foi surpreendida por três jovens armados em seu prédio, na periferia de Roma. Eram integrantes de um grupelho ligado a uma dissidência das Brigadas Vermelhas, o Poder Proletário Armado.

Os terroristas entraram com a vítima em seu apartamento e a fotografaram diante de um cartaz com palavras de ordem. Diziam formar um tribunal revolucionário e a submeteram a interrogatório. Mera propaganda, pois sentença já havia. Aquela funcionária, de origem proletária, cujo trabalho era revistar os pacotes recebidos pelos presos, foi executada com um tiro na cabeça, e o corpo, abandonado no porta-malas de um Fiat 127.

A história é reconstruída no pungente Una come noi (Uma como nós), livro recém-lançado na Itália pelo jornalista Giovanni Bianconi. A obra mostra o abismo da luta armada e o uso da violência na política por grupos da direita e da esquerda. Quanto maior a fé por trás das ações extremistas, menor o valor da vida. “No limite, ela não vale nada”, escreveu Albert Camus, em O Homem Revoltado.

Movimento sindical brasileiro na encruzilhada - Fernando Exman

Valor Econômico

Partidos de centro têm ocupado espaços estratégicos no sindicalismo

Ficou em segundo plano uma declaração recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a ajuda que ele pretende dar à articulação política das centrais sindicais. Elas enfrentam dificuldades para emplacar sua agenda em Brasília e vivem uma crise de representatividade em setores relevantes dos trabalhadores.

A fala de Lula ocorreu no fim do mês passado, durante entrevista coletiva convocada em Tóquio para que fizesse um balanço de sua viagem ao Japão. Além da iminente guerra tarifária e temas geopolíticos, o reportariado estava ansioso para colher algum comentário sobre a decisão que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) acabara de proferir aceitando a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado.

O penoso trabalho de cortar despesas -Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Economia com pente-fino em benefícios sociais deve ficar abaixo do que governo esperava

Deverá ficar aquém do esperado o pente-fino em benefícios sociais, com o qual se pretendia economizar R$ 25,9 bilhões neste ano. O governo cortou em 65% a estimativa de redução em despesas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de R$ 7,2 bilhões para R$ 2,5 bilhões. Também está abaixo do esperado a cessação de Benefícios de Prestação Continuada (BPC) pagos irregularmente.

Os dados foram divulgados na semana passada, quando foi enviado ao Congresso Nacional o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026. Demonstra a dificuldade do governo em reduzir despesas, mesmo quando se trata de cortar despesas indevidas.

Triste, mas o Brasil não é o país do futuro - Nilson Teixeira*

Valor Econômico

Discursos sobre o país se beneficiar com a guerra comercial são vazios e pouco fundamentados

O Brasil é um país atrasado frente à China sob quase todas as óticas, a não ser, principalmente, nas questões de direitos humanos, bem como de liberdade política e de expressão. Essa avaliação tem ficado ainda mais patente na minha longa viagem à China, mesmo quando não considero impressões extraídas de suas principais cidades, como Pequim, Xangai, Shenzhen ou Guangzhou. Não é só isso: o caminho na mesma direção de outros países da Ásia reforça a leitura de que o Brasil deixou de ser o país do futuro há muito tempo.

A expectativa de que o Brasil possa se beneficiar com a guerra comercial, com possível reversão desse atraso, não faz sentido. O país até exportará mais produtos agrícolas para a China, mas a venda dessas commodities para outros mercados diminuirá por conta de sua oferta inelástica. Do mesmo modo, as exportações brasileiras para os EUA não aumentarão de forma significativa, pois o país não tem capacidade de prover os mesmos produtos ofertados pela China, como eletrodomésticos, produtos eletrônicos, bens tecnológicos nem bugigangas.

Choque comercial de Trump atinge a economia - Martin Wolf*

Valor Econômico

Não podemos nos dar ao luxo de continuar no rumo do desastre econômico e político

Ao longo das duas últimas décadas, a economia mundial tropeçou de um choque para outro: a crise financeira; a guerra comercial do primeiro mandato de Donald Trump contra a China; a covid-19; a inflação pós-pandemia; a invasão da Ucrânia pela Rússia; a guerra no Oriente Médio; e agora a guerra comercial “vamos detonar a economia mundial só por diversão” de Trump 2.0, que trouxe as tarifas de importação médias dos Estados Unidos de volta a níveis que não se viam há mais de um século, com a possibilidade de que haja mais por diante se as “tarifas recíprocas” forem impostas de novo.

Cabe ao Fundo Monetário Internacional (FMI) compreender qual é o sentido desse choque desnecessário e o que ele pode significar para a economia mundial. Em seu último relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês), o FMI fez o melhor que pôde para decifrar isso. Mas isso não quer dizer que ele tenha entendido. Ninguém entende. Além das fragilidades deixadas por turbulências anteriores e da ignorância habitual sobre como nossa complexa economia mundial funciona, todos nos defrontamos com a enorme dificuldade de que não temos ideia do que Trump fará a seguir ou de como outros reagirão.

Brasil e Chile: desafios para a integração de infraestrutura - Pedro Silva Barros*

Correio Braziliense

O estabelecimento de uma rede interoceânica de infraestrutura e logística é a forma de garantir escala para conexões diretas entre o Pacífico sul-americano e os principais portos do leste asiático

Neste 22 de abril, comemora-se 189 anos das relações bilaterais entre o Brasil e o Chile. Embora não tenham fronteiras terrestres compartilhadas, os dois países cultivam histórica amizade e são fundamentais tanto para a estabilidade política regional como para a integração econômica da América do Sul, especialmente em infraestrutura. 

Atualmente, convergem na defesa da democracia, dos direitos humanos e no combate aos extremismos. Agendas importantes, mas insuficientes em um cenário de polarização multinível.

Um papa conservador e progressista - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Discussão midiática do catolicismo é cada vez mais banal, ultramundana e ignorante

João Paulo 2º, papa de 1978 a 2005, militou pelo fim do comunismo. Contribuiu por vias indiretas, de efeito prático mínimo, para a derrocada soviética. Era anticomunista por todos os motivos óbvios, inclusive por ser polonês. Acabou por fazer parte da frente liderada por Ronald Reagan, que estressou até a morte o coração econômico-militar da União Soviética.

Francisco era das lideranças políticas mais sensatas e habilidosas do planeta, uma raridade. Procurou reformar o Vaticano, suas finanças e corrupções, refazer o colégio de cardeais ou dar um destino sério, mas ainda muito discreto, ao caso da pedofilia, tudo isso sem causar terremoto que o incapacitasse politicamente. Para quem enxerga o catolicismo pelo monóculo da política ou de guerras culturais, parecia alguém que procurava reformar ideias católicas sobre costumes.

Francisco não era bem isso ou muito longe de ser apenas isso; a igreja está dividida, com muitos insatisfeitos com o mundanismo, como o dito progressista. Mas seu fim repercute na mídia por meio de comentários sobre direitos LGBTQIA+ ou de opiniões de evangélicos, sem se levar em conta o que o papa tentava modificar e preservar da doutrina e da prática católicas. Talvez essa pobreza intelectual e, para quem é crente, espiritual, se explique pela decadência do prestígio do catolicismo, pelo desconhecimento do que seja essa religião e a ignorância geral, que tudo vê e tudo mói pela política ou ideologia vulgar, seja no caso de religião ou do que sobrou de ideias e artes.

Ouça um bom conselho – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Dirceu e Santana aconselham Lula a diversificar suas pautas se quiser chegar competitivo a 2026

Governos são o que são na percepção do público, a despeito da versão que oferecem de si. Percebidos como bons ou maus, na avaliação final pesam os resultados. Daí que propaganda tem valor, mas não segura em alta a popularidade de presidentes.

O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeiradiscorda. Em recente entrevista ao jornal O Globo, manifestou a certeza de que, comunicando melhor, "tudo se ajeita".

Não é o que pensam antigos conselheiros de Luiz Inácio da Silva (PT), como João Santana, marqueteiro de viradas vitoriosas, e José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e ainda influente no PT. Ambos, há poucas semanas, analisaram a cena em publicações na imprensa.

O dilema da direita pós Bolsonaro - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Sem romper com os radicais, direita dificulta sua própria normalização republicana

Agora que Bolsonaro está eleitoralmente moribundo, mas ainda é dono do maior patrimônio eleitoral disponível à direita, o campo conservador enfrenta um dilema que é, ao mesmo tempo, moral e pragmático. A sucessão no bolsonarismo se tornou um problema de identidade, viabilidade e sobrevivência. E os caminhos que se abrem diante da direita republicana são, todos, espinhosos.

O dilema pode ser descrito assim: a direita republicana precisa dos votos da extrema direita para se eleger, mas precisa manter distância da extrema direita para se legitimar. Tarcísio de Freitas é o exemplo mais eloquente dessa encruzilhada. Preferido dos donos do dinheiro em São Paulo e herdeiro de Bolsonaro diante da base, equilibra-se entre o desejo de parecer confiável para o sistema e o medo de ser abandonado pelo rebanho que ainda venera o mito. Quer a legitimidade, mas não pode ser lido como um ingrato e interesseiro que abandona o líder agonizante.

Erro paradigmático - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Trump se volta contra o comércio que tornou a humanidade mais rica e mais pacífica

O comércio entre nações contra o qual Donald Trump agora se insurge —o que, paradoxalmente, coloca esse líder de extrema direita em linha com setores da esquerda— foi uma das melhores coisas que aconteceu à humanidade. O comércio contribuiu de forma não trivial para nos deixar mais prósperos e também menos belicosos.

O primeiro efeito é obtido por uma espécie de "socialização" de vantagens comparativas. Por caprichos da geografia e da história, países diferem na eficiência com que produzem coisas.

Um triste interregno na Igreja de portas abertas - Felipe Vidal

Fui convidado a escrever sobre o falecimento de Francisco poucas horas depois do ocorrido. Acredito que isso tenha se dado pelo fato de ter o Estado do Vaticano como principal objeto de meus estudos, mas poderia não ser, devido a admiração existente e justificada vinda de um indivíduo sem nenhuma crença. O fato é que o mais recente Papa esteve longe, propositalmente, de exercer uma liderança somente religiosa e tampouco apenas sobre católicos pelo mundo. Seu pontificado encontrou intensa consonância com grupos historicamente rejeitados pela Igreja. Dentre suas muitas transgressões, alertou, logo em sua primeira entrevista, sobre a importância de olharmos com atenção ao inconformismo dos jovens. O argentino definiu o sonho utópico como algo bonito e necessário em tempos difíceis.

Por unanimidade, 1ª Turma do STF torna réus seis envolvidos na trama golpista de 2022

Ana Pompeu e Cézar Feitosa / Folha de S. Paulo

Núcleo que teve acusação avaliada inclui ex-auxiliares de Bolsonaro e ex-chefe da PRF

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) tornou réus, por unanimidade, mais seis envolvidos na trama golpista de 2022. Assim, até o momento, 13 acusados vão responder a processo penal na corte.

O colegiado analisou nesta terça-feira (22) a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o núcleo 2 da suposta tentativa de golpe de Estado que manteria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder a partir de 2023.

Os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin acompanharam integralmente o voto do relator, Alexandre de Moraes, que aceitou a denúncia contra os integrantes do núcleo 2 da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Bolsonaro e outros 7 foram tornados réus há um mês, por liderar a trama.

Diferentemente do que ocorreu naquela ocasião, quando o julgamento tomou dois dias, desta vez houve pouco debate entre os ministros sobre os termos das acusações. Após Moraes concluir seu voto à tarde, a sessão durou poucos minutos, com os demais magistrados endossando o posicionamento da relatoria.

Poesia | Receita de Mulher - De e na voz de Vinicius de Moraes

 

Música | Casuarina e Frejat - Já fui uma brasa

 

terça-feira, 22 de abril de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Que sucessor saiba manter legado de Francisco

O Globo

Ao longo de 12 anos de papado, pontífice argentino deu inúmeras contribuições para modernizar Igreja

A sensatez, a tolerância e o ímpeto reformador demonstrados ao longo dos 12 anos de papado do argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, farão falta à Igreja e ao mundo. Francisco, papa improvável vindo “do fim do mundo”, como ele próprio dizia, deixa um legado de transformação, inclusão e descentralização que desafiará seu sucessor.

Foram muitas as contribuições do primeiro pontífice latino-americano para chacoalhar uma Igreja mergulhada em crises e às voltas com a perda de fiéis. Depois de pouco mais de uma década, as reformas podem não ter alterado a doutrina católica, nem ter sido tão abrangentes quanto alguns desejariam, mas, contrariando setores conservadores poderosos, Francisco trouxe a Igreja para o século XXI.

O caminho da Igreja de Roma depois de Francisco – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Os principais apoiadores de Francisco, progressistas e reformistas, querem um novo 'aggiornamento' da Igreja, com reformas pastorais e mais diálogo com o mundo moderno

Aos 88 anos, morreu papa Francisco, o argentino Jorge Mario Bergoglio, depois de longa enfermidade. Não foi de bronquite nem da pneumonia dupla que o mantiveram hospitalizado, mas de insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC). Sua morte não chegou a ser inesperada, devido à saúde frágil, mas surpreendeu, porque, no domingo de Páscoa, compareceu à bênção Urbi et Orbi, realizada na Praça de São Pedro, sendo aclamado pelos fiéis.

Contra as recomendações médicas, no domingo, o pontífice recebeu o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, durante um breve encontro. O primeiro-ministro croata, Andrej Plenkovic, e sua família também se reuniram com Francisco.

Como sempre acontece, nos bastidores do Vaticano iniciam-se as articulações para sua sucessão, com a chegada dos cardeais que participarão do funeral. A eleição deve ocorrer no prazo de 15 a 20 dias após sua morte.

O filme O Conclave, de Edward Berger — agraciado com o Oscar de melhor roteiro adaptado de 2025 pela Academia de Hollywood, baseado no livro homônimo de Robert Harris —, é uma obra de ficção. Entretanto, descreve o rito da sucessão papal. Os cardeais se hospedam no Domus Sanctae Marthae, onde dormem e se alimentam, e discutem o futuro da igreja.

Papa Francisco e o meio ambiente - Míriam Leitão

O Globo

Recado ambiental do Papa Francisco se mantém vivo: cuidar da Casa Comum é missão coletiva e os pobres são os que mais sofrem com a mudança do clima

Das muitas mensagens deixadas pelo Papa Francisco em seu pontificado pioneiro e transformador, é importante ressaltar a Laudato Si’, encíclica ambiental e social. Nela, ele se mostrou inteiramente de acordo com as aflições do ambientalismo e alertou que os pobres são os que mais sofrem os efeitos da mudança climática. Uniu, no texto, o ambiental e o social. A Carta é, como informa, “sobre o cuidado da Casa Comum” e começa louvando a Deus “pela nossa irmã e mãe Terra, que nos sustenta e governa”, numa referência a uma canção de São Francisco de Assis.

“Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou”, afirma o Papa Francisco no início do texto, no qual traça um fio condutor com outras manifestações papais sobre o meio ambiente, como a carta apostólica de 1971, do Papa Paulo VI.

Na encíclica de 2015, o Papa Francisco disse que recolhia a reflexão de inúmeros “cientistas, teólogos e organizações sociais que enriqueceram o pensamento da Igreja sobre essas questões”. Deixou felizmente para trás a oposição entre religião e ciência. E se colocou ao lado do movimento social. “Uma especial gratidão é devida àqueles que lutam, com vigor, por resolver as dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo”.

Inspirado no santo dos pobres - Bernardo Mello Franco

O Globo

Na última mensagem aos fiéis, pontífice criticou guerras e cobrou cessar-fogo em Gaza

Na noite em que foi escolhido para comandar a Igreja Católica, o Papa Francisco surpreendeu ao aparecer sem a estola vermelha e o crucifixo de ouro usados pelos antecessores. Era o primeiro sinal de mudanças na Santa Sé.

Eleito aos 76 anos, o argentino Jorge Mario Bergoglio disse desejar “uma Igreja pobre e para os pobres”. A pregação combinava com sua trajetória de vida.

Como padre em Buenos Aires, ele ficou conhecido por frequentar favelas e bairros populares. Ao ser nomeado cardeal, continuou a cruzar a cidade de metrô, sem seguranças ou assessores.

Bergoglio não era visto como favorito no Conclave de 2013, convocado após a renúncia de Bento XVI. Assim que a apuração dos votos terminou, o cardeal brasileiro Cláudio Hummes soprou em seu ouvido: “Não se esqueça dos pobres”.

A politização do STF - Merval Pereira

O Globo

O Supremo tornou-se a saída para o governo e, em consequência, importante peça política na disputa entre os Poderes da República.

O fato de o governo Lula 3 ser o que mais apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2003 para tentar reverter medidas que são de seu interesse direto, como revelou o jornal O Estado de S.Paulo, acrescenta mais um problema para a conturbada atuação do STF nos anos recentes. Com o fortalecimento do Legislativo diante do Executivo, por ter maioria formada por uma oposição variada ao governo petista, e, especialmente, por ter garantido quinhão substancial no orçamento da União por meio das emendas impositivas, o Supremo tornou-se a saída para o governo e, em consequência, importante peça política na disputa entre os Poderes da República.

O peso de Trump na sucessão de Francisco - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Audiência de JD Vance, na véspera da morte, escancara disputa por rumos do catolicismo depois da morte do maior opositor do trumpismo

O papa Francisco recebeu o vice-presidente dos EUA, JD Vance, em audiência de 15 minutos que precedeu seu deslocamento até o balcão da Basílica de São Pedro para a saudação pascal. A audiência de Vance somou-se a uma série de compromissos que, em retrospecto, pareceram uma despedida. Francisco visitou uma prisão em Roma e ainda saudou, do papamóvel, a multidão na praça, o que não fazia desde fevereiro, quando foi hospitalizado.

Na audiência, a última antes de sua morte, Vance recebeu do papa ovos de Páscoa de uma marca italiana para os filhos, uma gravata e rosários para toda a família. O encontro não estava confirmado quando Vance chegou a Roma. Na véspera, o vice americano tinha estado com o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin. Pelas notas oficiais de cada lado - “troca de opiniões sobre países afetados pela guerra, tensões políticas e situações humanitárias difíceis, como as de migrantes, refugiados e prisioneiros” (Vaticano) e “partilha da fé religiosa, do catolicismo nos EUA, perseguição de comunidades cristãs no mundo e compromisso do presidente Trump pela restauração da paz” (Vance) - conclui-se que não convergiram.

Parece que Trump virou um Robinsoniano - Pedro Cafardo

Valor Econômico

Economista defendia que protecionismo tarifário estaria na base de todos os países que se industrializaram

Joan Robinson, uma das maiores economistas do século XX, nunca foi agraciada com um Prêmio Nobel, algo tido como tratamento injusto e deliberadamente discriminatório.

Em 1975, quando ela tinha 72 anos, houve uma campanha internacional para que o prêmio fosse concedido a ela. Seria a primeira mulher a ganhar o Nobel de Economia. No auge da campanha, Robinson fez um périplo pelas universidades americanas e foi surpreendida por um amplo boicote estimulado por economistas ortodoxos, que não compareceram a nenhum seminário feito por ela, reforçando a ideia de que grande parte da academia americana não apoiava a concessão do Nobel.

Pesos e contrapesos no governo Trump - Christopher Garman

Valor Econômico

O estrago econômico tende a acelerar a imposição de freios. Mas até que as restrições finalmente se imponham, os danos à economia e à reputação dos EUA já terão sido causados

Os mercados financeiros reagiram, de forma bastante compreensível, de maneira negativa ao “tarifaço” anunciado pelo presidente Donald Trump no chamado “Dia da Libertação”, em 2 de abril. A decisão representa um nível de protecionismo comercial nos Estados Unidos não visto desde a virada do século XIX para o XX, com potencial para mergulhar o país em uma recessão e reduzir o crescimento global.

Embora a intensidade do anúncio tenha surpreendido, sua direção já estava claramente sinalizada: Trump fez campanha prometendo mais tarifas, como parte de uma política nacional de reindustrialização, e defende essa agenda desde os anos 1980. Economistas, empresas e investidores podem não concordar com a decisão, mas não se pode acusar o presidente de estelionato eleitoral.

Francisco, simplicidade e inspiração - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O novo papa será um humanista como Francisco, ou um personalista radical na onda de Trump?

Na profusão de informações sobre o Papa Francisco, uma imagem chama particularmente a atenção nesses nossos tempos tão difíceis, em muitos aspectos cruéis: a do encontro de Francisco com o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, em setembro de 2015. Os dois representavam, como representam, um mundo de união, inclusão e acolhimento. Um mundo que está sob ameaça.

Vídeos e fotos deixam para a história sorrisos, empatia e posições comuns em relação à preservação do meio ambiente, à generosidade com imigrantes e à distensão com Cuba, como deixam para Obama a lembrança de Francisco como um “líder raro, que nos inspira a sermos pessoas melhores”. Lembrança poderosa. Entretanto, quem anuncia a ida à despedida do Papa é Donald Trump, que pensa e age exatamente na direção oposta de Francisco e Obama.

Trump e os perigos para o mundo - Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Com a colaboração essencial do bilionário Elon Musk, Trump vem desativando algumas das principais organizações norte-americanas com atuação mundial

Uma das leituras mais impressionantes dos últimos dias foi ado artigo que Martin Wolf publicou no jornal britânico Financial Times, do qualé o principal comentarista econômico. O título causa impacto: “The economic consequences of a mad king ”( o jornal Valor Econômico reproduziu o artigo em português ). O “rei louco” é referência direta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Wolf relembra trechos do artigo que escreveu em junho do ano passado, sobre os então candidatos à Presidência dos Estados Unidos, Joe Biden (que só no mês seguinte desistiria da candidatura em favor de Kamala Harris) e Donald Trump. “Biden pode ser velho. Mas Trump é louco e, infelizmente, não é um louco divertido. É um louco perigoso. Os instintos de Trump são também os de um ditador”, escreveu no ano passado. Agora na Presidência da nação econômica e militarmente mais poderosa do mundo, Trump age como o rei louco do título.

Projeto florestal na Amazônia vira modelo global - Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

A iniciativa foi concebida de forma a ser permanente para melhorar as condições de vida das comunidades locais e o ecossistema existente

A preservação da Floresta Amazônica entrou na agenda política e econômica nacional e, por sua relevância no contexto das florestas tropicais no mundo, será um dos temas a serem tratados durante a COP-30, em novembro próximo.

A I AMazonia, entidade internacional, está lançando a formulação de um modelo para projetos em florestas tropicais, inclusive no Brasil. Esse modelo visa a estruturar e a realizar investimentos em projetos que envolvem, de forma integrada, a conservação de ecossistemas naturais, com o desenvolvimento socioeconômico nos locais onde são implementados. Para participar no trabalho de desenvolvimento, foram convidadas a Fundação Getulio Vargas (FGV), a Universidade de Harvard, a PriceWaterHouseCoopers e a Caritas, entre outras instituições.

O Posto Ipiranga de Lula - Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Não se governa, a partir de 2027, com este arcabouço fiscal – aqui desde sempre chamado de natimorto fiscal, carne podre a ser rolada 2026 adentro. Foi o governo Lula, o criador do presunto, que nos contou – como se não fosse com ele. O arcabouço fiscal é uma fraude – o que se conta. Constrangedor para seus formuladores, entre os quais o ora presidente do BC, que tem mandato para combater a inflação com a qual o troço é complacente. Constrangedor também para quem acreditou na farsa. Essa carne sempre foi podre.

É o fim do catolicismo progressista? - Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Gestos simbólicos geraram admiração da sociedade não católica, mas não sua conversão

papa Francisco foi um importante contraponto à ascensão da direita populista/nacionalista pelo mundo, inclusive em países historicamente católicos como Itália e Brasil. A questão é se, sem ele, a Igreja Católica continuará a ter esse papel.

O catolicismo progressista, filho do espírito do Concílio Vaticano 2º, hoje é idoso e com muita dificuldade de se renovar. Gestos simbólicos importantes de Francisco, como dar uma bênção a casais homoafetivos e de segunda união —algo que ainda passa longe de uma aceitação deles como um matrimônio real—, geraram esperança e até admiração da sociedade não católica, mas não sua conversão. Onde a igreja mais cresce —os campos de missão da Ásia e África— a mensagem da fé é de certeza e confiança, pronta para se afirmar perante o mundo, e não uma fé ciente de suas falhas e disposta a revisar práticas milenares.

Um papa simpático numa igreja decadente - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Francisco tentou criar ambiente mais acolhedor em uma era em que a influência do Vaticano é declinante mesmo entre católicos

Exceto para católicos ultratradicionalistas, é difícil não simpatizar com a figura de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, morto nesta segunda-feira (21/4). Ainda que sem mudar nada de substancial na doutrina da Igreja Católica, Francisco se esforçou para criar um ambiente mais acolhedor para mulheres, homossexuais, divorciados e vários outros grupos historicamente menosprezados. Foi também uma voz a apontar para os problemas gerados pela desigualdade social e pela deterioração do meio ambiente.

Emendas tipo exportação - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Até o Itamaraty já exibe dependência do Congresso para fazer frente a despesas internacionais

Em "Timoneiro", composição de 1996, Paulinho da Viola canta a constatação do navegante: "Não sou em quem me navega, quem me navega é o mar". Um refrão adequado para servir de trilha sonora à atual situação institucional em que o Executivo não governa, quem o governa é o Legislativo.

Falamos, claro, mais uma vez das emendas parlamentares, hoje no controle de quase um quarto das despesas discricionárias (não obrigatórias) do Orçamento da União. Atribui-se a elas, em grande parte, a razão do deslocamento do eixo de poder do Planalto para o Congresso.

Bukele para presidente do Brasil - Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Políticos brasileiros sonham com os presídios e o governo autocrata de El Salvador

Logo depois do golpe de 1964, a influência do embaixador dos Estados Unidos no Brasil era tão grande que Otto Lara Resende mineiramente propôs: "Chega de intermediários. Lincoln Gordon para presidente".
Hoje, quando a Câmara age a favor do golpismo e direita e extrema direita nutrem uma admiração fanática pelo presidente de El Salvador, a frase só precisa de uma pequena adaptação, alteração de nome, para mostrar que as soluções no país não mudam, só pioram: "Chega de intermediários. Nayib Bukele para presidente".

Em 2024, um show em Balneário Camboriú reuniu Jair Bolsonaro e Javier Milei. O queridinho salvadorenho, esperado com ansiedade, não veio. Mas mandou o ministro da Justiça, Gustavo Vilatoro, que levou a plateia ao delírio ao dizer que "o modelo Bukele é irreversível".

Tempos Turbulentos e o Nordeste Brasileiro: A Busca de uma Nova Institucionalidade e o Comércio Internacional

Abraham B Sicsu[i]

Claúdio Carraly[ii]

Tenta-se uma acomodação. Todos os países e regiões. O impacto no comércio internacional pode ser efetivo. A guerra das tarifas desestabiliza os mercados. Os acordos postos em dúvida. A insegurança é clara. Construir um novo arcabouço, buscar estratégias ousadas, esperar novas medidas estapafúrdias, tentar prever novos passos, caminhos que atormentam. Bolsas e dólar oscilam, fala-se em novas moedas âncoras, blocos econômicos se articulam, aflição com o possível enxame de produtos que não terão mais os estadunidenses como demandadores privilegiados. Nesse cenário, como se posiciona o Nordeste Brasileiro?

Na década de 1960, o Brasil enfrentava profundas transformações estruturais, e o Nordeste, historicamente marcado por vulnerabilidades socioeconômicas, era considerado um território em extrema necessidade de intervenção estatal. Foi nesse contexto que a criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – Sudene se materializou como uma iniciativa pioneira. Sob a liderança de visionários a Sudene foi criada para promover a industrialização, atrair investimentos e reduzir as desigualdades regionais, implementando projetos de infraestrutura e fomento que transformaram, embora de maneira parcial, o cenário local.

Brevíssima nota sobre o Papa Francisco – Ivan Alves Filho

Os democratas e humanistas de todo o mundo, independentemente de credo e nacionalidade, lamentam a morte do Papa Francisco. A sua luta pela paz e pelos direitos humanos será sempre lembrada pelos homens de boa vontade. A Humanidade perdeu, sem dúvida alguma, um dos seus maiores representantes. 

O Papa Francisco foi o primeiro pontífice latino-americano da História. Eis o que significou um avanço extraordinário no tocante à trajetória católica. Creio que agora chegou o momento de a Igreja lançar ou projetar o seu olhar para a África. O futuro da Humanidade poderá se decidir no continente africano. E isso por uma razão simples: daqui para 2050, um em cada dois cidadãos no mundo nascerá na África. Mais: dois terços das terras ainda agricultáveis do planeta se encontram em solo africano. 

A África possui hoje cerca de um bilhão de habitantes. As projeções para o final deste século indicam que triplicará a sua população, enquanto que aquela da China, por exemplo, será reduzida à metade.

Se a Igreja Católica tiver juízo, deve ter esses dados em mente ao entronizar o novo Papa. Este é, ao menos, o meu desejo. 

Nós, brasileiros, que possuímos uma relação histórica com a África, precisamos defender essa ideia com muita simpatia. Afinal de contas, sem a África não existiria  sequer o Brasil tal qual nós o conhecemos hoje. 

Quando o mais velho dos cardeais anunciar o seu Habemus Papam (Temos um Papa), torço para que ele seja um africano.  

*Historiador