quarta-feira, 7 de maio de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Analfabetismo funcional persistente é vexame nacional

Folha de S. Paulo

Estudo mostra desempenho pífio até entre formados no ensino médio; é preciso valorizar os modelos integral e técnico

É vexatório que quase um terço dos brasileiros entre 15 e 64 anos viva no mundo das letras e dos números praticamente no escuro.

O índice de 29% de analfabetos funcionais nesse estrato em 2024 reflete a ineficiência histórica das três esferas de governo na gestão da educação, que impacta a qualidade de vida dos indivíduos e o desenvolvimento do país.

O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), calculado pela ONG Ação Educativa, mostra queda do início da série história, em 2001, quando marcou 39%, até a estagnação em 27% entre 2009 e 2015. Depois houve alta para 30% em 2018 e, agora, uma redução pífia de um ponto percentual.

A categoria engloba desde os que não conseguem ler palavras ou um número de telefone (analfabetismo absoluto), que representam 7% no indicador recente, até os 22% que leem e escrevem, mas não compreendem textos longos nem fazem contas maiores (analfabetismo rudimentar).

Opinião do dia - Montesquieu*

É preciso observar que o que chamo de virtude na república é o amor à pátria, isto é, o amor à igualdade. Não é absolutamente virtude moral, nem virtude cristã, é virtude política; e essa é a mola que faz mover o governo republicano. Chamei, portanto, de virtude política o amor a pátria e à igualdade.”

*Montesquieu (1689-1755), ‘Do espirito das leis’, p.31, Editora Nova Cultura, 2005

Um baluarte de Lula 3.0 - Paulo Celso Pereira*

O Globo

Ao disputar a eleição de 2022 sem apresentar um programa para o país, tendo como única meta o combate ao golpismo e ao desmonte promovidos por Bolsonaro, Lula semeou o marasmo de seu terceiro governo

Era novembro de 2011, e o governo Dilma Rousseff chegava ao fim de seu primeiro ano marcado pela “faxina” contra ministros apanhados em acusações diversas de “malfeitos”. Cinco já haviam caído quando as primeiras reportagens envolvendo um esquema de corrupção no Ministério do Trabalho, comandado à época por Carlos Lupi, vieram à tona. Em vez de sindicatos de aposentados, os protagonistas eram ONGs, e as fraudes que hoje totalizam bilhões de reais ainda se contavam nos milhões.

Reportagens mostraram que assessores de Lupi eram acusados ora de cobrar propina de ONGs que realizavam programas de qualificação profissional financiados pelo governo, ora de fazer vista grossa a outras entidades notoriamente enroladas e alvo dos órgãos de fiscalização.

Apagão geral na crise do INSS - Vera Magalhães

O Globo

Nem Lula nem sete ministros têm saída para ressarcir lesados por golpe e ninguém sabe de onde sairá o dinheiro

À medida que as semanas passam e novos detalhes são revelados no escândalo dos descontos ilegais de aposentados e pensionistas do INSS, vê-se um governo completamente perdido em todas as frentes: na contenção política dos estragos e, sobretudo, no caminho para indenizar quem foi roubado na mão grande naquilo que é

Desde que o caso veio à tona, do presidente aos técnicos do órgão, todo mundo tenta apenas ganhar tempo, sem entender que, para quem vai olhar o contracheque e descobre que há meses ou anos vem havendo desconto de seus vencimentos sem ter autorizado, o que bate é desespero.

A velha ordem econômica está morta - Martin Wolf

Valor Econômico

Era em que os EUA podiam agir como captador e consumidor de última instância, testada nos anos 1980 por Japão e Alemanha, se tornou impraticável política e economicamente

Como quem está de fora da guerra comercial entre Estados Unidos e China quer que ela acabe? Eles gostariam que ambos saíssem derrotados.

Sem dúvida, a abordagem de Donald Trump é muito pior do que apenas sua incoerência intelectual: ela é letal para qualquer ordem global cooperativa. Algumas pessoas gostam de achar que um desmoronamento desse “globalismo” seria até desejável. Do meu ponto de vista, é tolice imaginar que um mundo comandado por “grandes potências” predatórias seria superior ao que temos agora. Ainda assim, embora o protecionismo de Trump tenha que sair derrotado, o mercantilismo chinês não pode sair vencedor, pois ele também criaria grandes dificuldades mundiais.

A mensagem da China para a comitiva de Lula a Pequim - Fernando Exman

Valor Econômico

Deve-se esperar um intenso trabalho nos bastidores dos chineses junto às autoridades brasileiras, em meio à guerra tarifária iniciada pelos EUA

Para os aficionados em registrar momentos históricos marcados por ironia e simbolismo, não passará batido que o chefe do departamento de sanções dos Estados Unidos desembarcou em Brasília nestes dias, justamente enquanto o governo brasileiro finalizava os detalhes da visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China.

Pode-se dizer oficialmente que ele está no Brasil para discutir questões de segurança. E que, ademais, a recente reunião entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, é um marco positivo na construção de pontes de alto nível nas relações bilaterais. Mas, não passaram batidas a comemoração de parlamentares da oposição e a sua torcida para que dessa visita do americano pudesse surgir algum desconforto para o governo e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

É com esse pano de fundo que Lula viaja a Pequim na semana que vem, colocando o Brasil como interlocutor estratégico do presidente chinês, Xi Jinping, na América Latina. No mês passado, por exemplo, Lula chegou a oferecer ajuda para agendar uma reunião entre o presidente do Chile, Gabriel Boric, e o líder do país asiático. Citou que a fluidez no diálogo Brasil-China seria um facilitador para tentar a intermediação.

Guerra comercial, empregos no Brasil - Tiago Cavalcanti

Valor Econômico

Regiões especializadas em indústrias afetadas pela política comercial da China em relação aos EUA apresentaram crescimento relativo do emprego formal e da massa salarial entre 2016 e 2021

No dia 2 de abril, o presidente americano Donald Trump promoveu o chamado “Dia da Libertação” nos Estados Unidos, quando anunciou um tarifaço sobre produtos importados.

As tarifas adicionais foram definidas com base em uma fórmula linear bisonha, vinculada ao percentual do déficit comercial dos Estados Unidos com cada país. Para nações com as quais os EUA registram superávit, como o Brasil, ou déficit inferior a 10%, foi estabelecida uma tarifa mínima de 10%. O objetivo declarado era incentivar a reindustrialização e estimular o emprego no país.

Segundo Trump, os EUA vinham sendo “enganados” por países que aplicam tarifas elevadas sobre produtos americanos ou com os quais o país mantém déficits comerciais, como se o comércio internacional não trouxesse benefícios para os americanos.

O fim dos padres ‘da libertação’? - Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Cada vez mais idosos, os padres ‘dos anos 1970’ dão lugar aos ‘novos padres’, mais jovens e tradicionais

Frei Betto completou 80 anos. Em 2024, foi homenageado em Havana. Vestia um boné do MST e posou para foto ao lado de estudantes de Medicina. Meses depois do dominicano, padre Julio Lancellotti, o carmelita da Pastoral dos Povos de Rua de São Paulo, completou 76 anos. E, na semana passada, encontrou um jovem sacerdote, o frei Gilson, de 38 anos, assim como ele um fenômeno na internet – Lancellotti tem 2,2 milhões de seguidores no X e Gilson, 9,3 milhões.

Foi então que o sacerdote, que ao lado de Betto é um símbolo da Igreja progressista, a da opção preferencial pelos pobres, disse ao Estadão. “Eu que sou mais velho tenho uma teologia mais ligada ao (Concílio) Vaticano 2.º. E os jovens uma teologia mais tradicional. Quando eu tinha a idade dele ( Gilson) essa teologia era dos mais idosos. Agora, são os mais velhos que têm uma teologia mais inter-religiosa, mais aberta para o mundo. Os da minha geração éramos mais afinados com o papa Francisco do que os mais jovens.”

O Copom e o complexo fim do ciclo - Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O desafio do Copom é avaliar quão inflacionário ou recessivo será o tarifaço dos EUA

Parece até simples o dilema que o Copom terá pela frente ao fim da sua reunião de hoje, conforme a maioria dos analistas: será a derradeira alta do atual ciclo de aperto monetário ou ainda haverá um último ajuste em junho? A taxa final da Selic ficará em 14,75% ou 15%?

O desafio com que se depara o Copom é exatamente o mesmo de outras autoridades monetárias do mundo, que é avaliar quão inflacionária ou recessiva será a política de tarifas de importação adotada por Donald Trump. Como não dá para antecipar desde já a decisão final sobre o nível tarifário que será cobrado de cada país, em especial da China, diante das muitas idas e vindas do presidente americano, o que resta, neste momento, são apenas incertezas.

Fraudes do INSS não têm solução fácil para ninguém – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A retaliação, ao governo, de Ciro Gomes e dos deputados do PDT, em solidariedade a Carlos Lupi, não era esperada pelo Palácio do Planalto, que continua na berlinda

O escândalo do INSS ganhou vida própria, e ninguém sabe ainda como nem quando essa tunga no bolso dos aposentados e pensionistas se resolverá. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperava encerrar o desgaste do governo com a demissão do ministro da Previdência, Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, e sua substituição pelo secretário-executivo da pasta, o ex-deputado Wolney Queiroz (PDT), mas a crise continua.

Lupi pediu demissão do Ministério da Previdência Social na última sexta-feira, após a operação da PF e da CGU que revelou fraudes no INSS. O então presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto, foi afastado sumariamente do cargo. O novo ministro da Previdência, Wolney Queiroz, indicado por Lula, foi alvo das críticas do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), presidenciável da legenda, que faz oposição ferrenha ao presidente Lula e não tem apoio da bancada de deputados do PDT.

A diversidade indecente - Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Pela abolição, brancos e negros tornaram-se iguais perante a lei, mas ricos e pobres continuam a ter direitos diferenciados, graças ao acesso desigual à educação plena e de qualidade

Em excelente artigo publicado no Correio Braziliense, o ex-ministro Raul Jungmann apresenta sua visão sobre a importância moral e a necessidade social de combater preconceitos e promover a diversidade — respeito e aceitação do outro, pela cor da pele, orientação sexual, religião ou gênero. Apesar da qualidade e relevância, o artigo manteve a tradição de ignorar o "rendismo": a discriminação ao acesso a bens e serviços essenciais conforme a renda da pessoa (comida, educação, saúde). Tampouco menciona que, aplicado à educação, esse preconceito é a principal causa dos outros preconceitos.

Governo perdido na crise do INSS - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Lula 3 ainda improvisa, quer devolver dinheiro roubado sem saber como e crise aumenta

Parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende devolver de modo antecipado o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas do INSScomo noticiou esta Folha. Tentaria recuperar o prejuízo depois, fazendo a quadrilha devolver o fruto da roubança —hum.

Tal providência ajudaria também a colocar um esparadrapo na sangria de imagem provocada pela facada do escândalo. É no que acreditam pessoas próximas de Lula, a turma do Planalto, digamos assim.

Parte do governo Lula acha que isso não chega a ser uma má ideia, pois não é uma ideia. Além de dúvidas sobre os meios legais de implementação da medida, não se sabe qual o tamanho do esbulho, quem tem direito a receber o que foi roubado, como serão definidos os critérios para tomar tal decisão, como será o processo (governo decide? Lesados podem recorrer?), qual período de descontos entrará no cálculo etc. A providência pode resultar em confusão e insatisfações extras. Foi imprudência vazar o plano, diz esta parte do governo.

Nos braços da maioria silenciosa - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Quem sustenta opiniões que se creem majoritárias alimenta intolerância e incapacidade de lidar com a complexidade

Há uma ilusão curiosa —e muito difundida— segundo a qual a maioria, ainda que silenciosamente, quer as mesmas políticas, valoriza os mesmos princípios, enxerga o país do mesmo jeito que a gente. Essa convicção subjetiva de que nossas ideias são majoritárias, mesmo quando não são, é bem conhecida na psicologia social e atende pelo nome de viés de falso consenso.

É um viés cognitivo, ou seja, uma tendência psicológica automática que faz com que projetemos nossas características e preferências sobre o coletivo. Progressistas tendem a superestimar a adesão da sociedade —ou da melhor parte dela— aos seus valores; conservadores estão convictos de que o Brasil profundo é conservador como eles.

A esquerda tem certeza de que a massa compartilha sua visão de mundo, seu conceito de justiça e sua ideia do papel do Estado; a direita tem certeza de que qualquer pessoa lúcida e bem informada não tem dúvida alguma sobre a superioridade da sua agenda e de suas políticas. Sim, a mente costuma nos pregar esta peça: a de que os outros é que são minoria —as pessoas sensatas pensam como nós.

Direita constrói sua frente ampla – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Enquanto Lula oscila, adversários seguem firmes na montagem do plano de união em 2026

Governantes com direito à reeleição, regra geral, não antecipam a desistência de disputar o segundo mandato porque isso reduz a tão falada expectativa, essencial ao exercício do poder. Promessas de que ficarão só um período são de utilidade restrita às conveniências de campanhas.

Luiz Inácio da Silva (PT) já fez os dois movimentos e, no curso do governo, tem oscilado entre eles. Ora indica que pode não ir, ora assegura que irá como em recente em reunião com parlamentares aos quais se disse "candidatíssimo".

100 dias de estilhaçamentos - Ricardo Marinho*

O 100º dia de Donald Trump no cargo passou. Eles não foram silenciosos, nem foram prudentes e muito menos gentis. Na verdade, nada disso era esperado. Ele chegou ao poder anunciando o som e a fúria tal como viu William Faulkner (1897-1962) na sua fina leitura de Macbeth, de William Shakespeare (1564-1616), não apenas para seu país, mas para o mundo inteiro. Ele ameaçou mudar tudo e acabar com as guerras. A invasão da Ucrânia pela Rússia, pela qual os invadidos foram incompreensivelmente culpados, terminaria em 24 horas, e o massacre em Gaza seria resolvido com a expulsão da população palestina e a construção de um resort no Mediterrâneo.

Nos Estados Unidos da América (EUA), ele governaria sem consultar ninguém, vingando os supostos abusos infligidos à sua nação durante 80 anos pelo resto do mundo com tarifas, deportando os estrangeiros e derrubando os intelectuais que trabalham nas universidades, perigosos berços do pensamento democrático e liberal.

Ney Inclassificável - Vagner Gomes*

Não é possível estabelecer os limites de linhas para definir a carreira de Ney Matogrosso. Portanto, é melhor o denominar como um ser humano universal em tempos das cobranças por uma identidade por vezes censora. Esse é o desafio do roteiro do filme “Homem com H” dirigido e roteirizado por Esmir Filho que apesar de seu premiado “Os Famosos e os Duendes da Morte” (2009) agora ganha um reconhecimento do grande público por uma perfeita escolha de elenco com destaque para Jesuíta Barbosa.

Uma obra sobre o amadurecimento de um artista num contexto das transformações inacabadas de uma sociedade que testemunhou uma modernização conservadora. O centro-oeste brasileiro, que será o novo eldorado da expansão do agronegócio e das forças conservadoras no século XXI, é caracterizado em cada tabefe que um Ney criança recebe no início do filme. Cenas fortes que emocionam o público pela coragem em expor as raízes de nossas contradições históricas.

A sociedade sem classes: o caso da experiência tupi – Ivan Alves Filho*

Ao analisar a desagregação da sociedade tupi, no nosso litoral, no decorrer do século XVI, vali-me de uma leitura do mito da Terra Sem Males, o qual demonstrava que havia um conflito de interesses entre os dois setores que mais gozavam de prestígio no interior das tribos, isto é, os guerreiros e os sacerdotes. Os primeiros tendiam a reforçar o poder central, rechaçado pelos últimos. 

Na verdade, esse conflito revelava que havia uma cobiça em marcha e que ela partia de um setor minoritário dos tupi, uma vez que a tribo já conseguira gerar um excedente considerável, e sobretudo estocar os seus alimentos. 

Poesia | Parada do velho novo, de Bertolt Brecht

 

Música | Mariana Aydar canta "Zé do Caroço" com Leci Brandão

terça-feira, 6 de maio de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Reforma homeopática não muda 1º escalão de patamar

Folha de S. Paulo

Troca na pasta das Mulheres é a sexta desde janeiro, sem melhora na relação com partidos aliados ou em política pública

A reforma ministerial promovida em doses homeopáticas há quatro meses somente merece esse nome, até o momento, pelo critério quantitativo —e olhe lá.

De janeiro para cá, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) providenciou a troca do comando de 6 das numerosas 38 pastas do Executivo federal, já incluída na conta a troca de Cida Gonçalves por Márcia Lopes no Ministério das Mulheres, oficializada nesta segunda-feira (5).

Já no aspecto qualitativo, as substituições não ampliam nem tornam mais coesa a coalizão partidária de apoio ao Palácio do Planalto. Tampouco buscam nomes de maior expressão em suas áreas ou visam novas orientações de políticas públicas.

Raízes socioeconômicas do trumpismo - Luiz Gonzaga Belluzzo

Valor Econômico

Entusiasmado com favores e poderes da oligarquia, Trump encarregou seus auxiliares de cortar os direitos sociais e econômicos de seus cidadãos em nome da eficiência dos mercados

Avaliado em seus próprios termos e objetivos, o projeto iluminista da Liberdade, Igualdade e Fraternidade está fazendo água diante da alucinante e alucinada competição entre as lideranças contemporâneas e seus asseclas para mergulhar o planeta nos esgotos da barbárie.

O filósofo Fredric Jameson, no livro “A Cultura do Dinheiro”, já advertia no início do milênio: “Os quatro pilares ideológicos, jurídicos e morais do alto capitalismo - constituições, contratos, cidadania e sociedade civil - são, hoje, vadios maltrapilhos, mas sempre lavados, barbeados e vestidos com roupas novas para esconder sua verdadeira situação de penúria”. Não podemos colher outro ensinamento dos embates travados por Donald Trump para tornar a América Grande Outra Vez.

Peço licença aos leitores para retomar considerações a respeito da Grande América, o país que emergiu dos sofrimentos da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial.

O problema do centro – Pedro Doria

O Globo

Política se tornou identidade. Ser de esquerda ou de direita exige o ritual de estar na vida on-line reforçando pertencer à tribo ou às subtribos

No início da semana passada, o noticiário político foi revolvido pelos movimentos do ex-presidente Michel Temer (MDB-SP) e do governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB-RS) querendo intervir na disputa pelo Planalto em 2026. O evento agitou inúmeros grupos de zap centristas voltados para o debate de política. Não é à toa: poucos lugares são mais solitários, no Brasil de hoje, que o centro. Por aqui, consistentemente invertemos a ordem das coisas. Discute-se muito quem pode ser o candidato a representar aquela visão de país que, um dia, Fernando Henrique Cardoso representou. Como se o candidato certo bastasse para conquistar o eleitor. Não faltam políticos capazes de ocupar esse lugar. O que falta, ora, são os eleitores. E nenhuma força política trabalha para atraí-los.

A batalha política nesta década do novo século se trava em duas dimensões. A principal é identidade. Mas o que a molda é uma narrativa. E as duas passam, fundamentalmente, por um único meio de comunicação. São, evidentemente, as redes sociais.

Estagnação social - Merval Pereira

O Globo

Estamos estagnados em políticas sociais fundamentais, como a redução da taxa de pobreza e do analfabetismo funcional

Dois dados de pesquisas nacionais são indicadores de que estamos estagnados em políticas sociais fundamentais, como a redução da taxa de pobreza e do analfabetismo funcional. Apesar de termos avançado nesses dois campos até recentemente, os números mostram que já não temos eficiência para manter o declínio dessas taxas, o que talvez explique parte da dificuldade para reverter a impopularidade de Lula neste seu terceiro governo.

Responsável pela redução da taxa de pobreza com programas sociais do tipo Bolsa Família, reforçando a melhoria que já havia sido determinada pelo Plano Real com o fim da hiperinflação, há registros mostrando que a perda de fôlego dessas políticas começou em 2023, quando a redução da pobreza passou de 5 pontos percentuais para 2, caindo para 0,8 em 2024 e 0,2 esperado para este ano. Mesmo tendo caído de 21,7% para 20,9% no ano passado, o terceiro consecutivo em que o indicador do Banco Mundial mostra redução, a taxa brasileira ainda é muito alta em comparação com países da região, casos de Chile (4,6%), Argentina (13,3%), Bolívia (14,1%) e Paraguai (16,2%).

Os juros no meio do caos de Trump - Míriam Leitão

O Globo

Brasil vai subir juros, EUA devem manter: decisões dos bancos centrais refletem tensão global sob efeito da política do presidente norte-americano

Nestes primeiros quatro meses do ano, o ambiente na economia já mudou várias vezes. E é com a sensação de absoluta incerteza que os dois bancos centrais, do Brasil e dos Estados Unidos, iniciam hoje a reunião de dois dias para definir a taxa de juros. Provavelmente, a decisão será elevar meio ponto percentual aqui, e manter os juros estáveis lá, apesar da pressão de Donald Trump, que quer novos cortes. O mais importante será observar os recados que estarão nos comunicados. Quando vão parar de subir aqui, quando voltarão a cair na economia americana?

Metade do mercado acha que no Brasil para por aí, no estratosférico patamar de 14,75%, uma taxa maior do que quando o país enfrentava, dez anos atrás, uma inflação em torno de dois dígitos. A outra metade acha que haverá em junho uma nova alta para chegar em 15% ou 15,25%.

União Europeia, big techs e redes sociais - Cláudio de Oliveira*

O Conselho Europeu, braço executivo da União Europeia, multou, em abril último, a Apple e a Meta por violarem regras antimonopolistas.

A fabricante de iPhones recebeu multa de R$ 3,2 bilhões por limitar a capacidade de operação dos desenvolvedores de aplicativos.

A proprietária do Facebook e do Instagram foi penalizada em R$ 1,3 bilhões por violar regras de privacidade com a utilização do uso de informações dos usuários europeus.

Lei de Mercados Digitais e a Lei dos Serviços Digitais 

Desde março de 2024 vigora na União Europeia a Lei de Mercados Digitais, que regulamenta os serviços prestados por grandes empresas de tecnologia, como a Apple, Alphabet, Amazon, Byte Dance, Meta e Microsoft.

Onde Master e INSS se encontram - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Cresce disputa das instituições financeiras pelo crédito dos aposentados, maior caixa da República

Há uma intersecção crescente entre duas crises que envolvem instituições financeiras avantajadas, além de seus aliados no Congresso e no Executivo. A crise no INSS ameaça invadir o processo em curso de alienação dos ativos do banco Master. No pano de fundo está a disputa pelo orçamento público.

Em pleno feriado de 1º de Maio, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na companhia de dois outros diretores, concedeu uma audiência a Joesley Batista, do grupo J&F. Foi a segunda, em menos de um mês. O sigilo da audiência, atribuído às “regras do silêncio do Copom”, não permitiu que dela se tenha informações oficiais.

Relatos de agentes que acompanham de perto as transações permitem saber que o J&F, por meio de seu banco digital PicPay, levou à autoridade monetária seu interesse na aquisição de ativos do Master, notadamente o Credcesta, cartão de benefício consignado, focado em servidores, além da carteira de precatórios e alguns ativos do patrimônio de seu controlador, Daniel Vorcaro. O interesse bate de frente com o de outras instituições financeiras, como o BRB e o BTG. Mas não apenas.

Reforma do IRPF: de vilã para tábua de salvação do governo - Luiz Schymura

Valor Econômico

Isenção do IRPF até R$ 5 mil e a desoneração entre R$ 5 mil e R$ 7 mil geram perda de receita considerável, de cerca de R$ 25 bilhões

Ao longo dos últimos meses, as pesquisas vêm apresentando piora contínua na avaliação do governo. Porém, começaram a surgir sinais no radar de alguns analistas políticos de que haveria uma inversão na tendência. Segundo essa percepção, a proposta de reforma do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que tramita nas casas legislativas teria o condão de reverter o quadro desanimador das pesquisas de opinião, pois sua aprovação seria uma boa notícia para a base de eleitores simpatizantes do presidente Lula, mas que vinham demonstrando insatisfação com sua gestão. No entanto, o surgimento, nestes últimos dias, da fraude no INSS colocou em xeque esse caminho promissor tão aguardado pela assessoria de comunicação do Planalto. Seja como for, o governo continua apostando na reforma do IRPF para reverter a queda nas pesquisas.

Suposto assédio e queda nas pesquisas provocaram troca de ministras – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O governo muda o eixo de atuação do Ministério das Mulheres para temas como saúde, educação e violência, em lugar de feminismo, identitarismo e a diversidade

"O que é uma mulher?" A intelectual francesa Simone Lucie-Ernestine-Marie-Bertrand de Beauvoir (1908-1986), mulher do filósofo Jean-Paul Sartre, com quem nunca se casou, respondeu essa indagação. Foi a partir dela que feminismo emergiu na política, depois da publicação de O segundo sexo (Nova Fronteira), em 1949, obra seminal da autora. As mulheres ganhavam menos do que os homens, eram privadas de direitos políticos e sujeitas às mais diversas e perversas formas de opressão.

Para Simone, era essencial distinguir entre ser fêmea e ser mulher, rejeitar a teoria do "eterno feminino" (a feminilidade era usada para justificar a desigualdade) e destacar a "alteridade" das mulheres em relação aos homens. Ou seja, ser mulher e ser "feminina" são coisas diferentes. Segundo ela, formada pelas expectativas da sociedade, a mulher pode transcender essas limitações por sua livre escolha.

A foto da posse amarelou - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Após a guerra da Igualdade Racial com Direitos Humanos, cobras e lagartos da pasta das Mulheres?

Alinda foto da posse de Lula no terceiro mandato, com uma profusão de cores e sorrisos, entre homens, mulheres, indígenas, brancos e pretos, amarelou rapidamente, como se fosse antiga, de outros tempos. Dois ministros foram demitidos por desvios, um por conveniência política, mais um por assédio e, das 11 mulheres, quatro caíram. Aliás, nenhuma delas por corrupção, mas por desempenho.

A última demissão, justamente da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, não foi apenas de surpresa, mas de forma inusitada: quem anunciou a troca não foi o presidente, nem o Planalto, nem a própria ministra que sai, mas, ora, ora, a ministra que entra. Onde já se viu uma coisa dessas? Márcia Lopes foi convidada por Lula e correu para anunciar aos quatro ventos, com a antecessora ainda no cargo, que tomaria posse ontem. No mínimo, deselegante.

A impositiva agenda da segurança pública - Paulo Hartung

O Estado de S. Paulo

Ainda que olhar o caminho que nos trouxe até aqui seja relevante, o que precisamos, com diagnóstico cristalino das demandas e urgências dessa área, é construir soluções

É inquestionável a constatação de que o descaso com a segurança pública no Brasil conforma uma das mais lamentáveis lacunas que atravessam as quatro décadas desde a redemocratização. Essa área foi para o limbo dos esforços nacionais de reconstrução das bases da cidadania em nosso país. Nesse período, a saúde ganhou o SUS, a educação, o Fundef/Fundeb, a assistência social, o Suas, e por aí vai. Mas o enfrentamento eficaz das criminalidades passou ao largo da agenda das políticas públicas prioritárias.

Um país menos desigual - Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Sem dúvida, nesse aspecto fundamental para o quadro social o Brasil melhorou, mas poucos parecem ter notado

Em 2024, pelo terceiro ano consecutivo, a pobreza diminuiu no Brasil. A informação, muito boa num país que tem uma das piores distribuições de renda do mundo, mereceu ressalvas. Uma delas é a de que a inflação impediu que a redução da pobreza fosse ainda mais intensa. É verdade. Outra é a de que, com as projeções para a economia brasileira em 2025, neste ano a queda será menor. Provavelmente isso ocorrerá.

Trump afunda a direita global - Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Depois das eleições no Canadá e na Austrália, já dá para dizer que existe uma tendência

Se algo acontece uma vez, é um fenômeno pontual. Se acontece duas, é uma tendência. Então, já dá para dizer: Trump afundar a direita nas eleições de outros países já é uma tendência.

Primeiro foi o Canadá. Depois de dez anos de governo do Partido Liberal de Trudeau, que deixou o governo altamente impopular, a vitória parecia certa para os conservadores. Inexplicavelmente, Trump começou a insultar o Canadá, repetindo que deveria se tornar um estado americano. Bastou ao Partido Liberal (esquerda) colocar o moderado Mark Carney na liderança para a opinião pública dar a eles mais um mandato.

Lula colhe tempestades - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Alguns ministros o presidente frita, outros cozinha e há os que segura por incúria ou inércia

A retirada de Carlos Lupi (PDT) da cena da roubalheira no INSS deu-se nove dias depois de estourar o escândalo.

Nesse meio-tempo, o então ministro da Previdência Social protagonizou um teatro de explicações desastrosas e ainda assim teve o benefício de sair a pedido.

A pedido dos fatos, é verdade, mas em respeito a eles o presidente da República poderia ter feito um favor a si e ao seu governo tomando a iniciativa de demiti-lo após a entrevista em que Lupi defendia a honra dos executivos afastados pela Justiça enquanto seus colegas de mesa, dois ministros e o diretor da Polícia Federal, o desmentiam reiteradamente.

Mudando de ideia - João Pereira Coutinho

Folha de S. Paulo

Se parecem com brigas de galos: vence quem dá mais bicadas no adversário

Foi milagre. Semana passada, assistindo a um debate político na TV, um dos participantes mudou de ideias ao vivo. "Você tem razão", disse ele, depois de uma pausa de alguns segundos. "Pensando melhor, seus argumentos me convenceram."

O outro, surpreso, respondeu: "Sério? É a primeira vez que isso acontece na minha vida". No estúdio, todos riram.

Eu também ri, imaginando a cena, que nunca aconteceu. O responsável por minhas divagações mentirosas é o escritor Julian Barnes, que escreveu um breve ensaio a respeito: "Changing my Mind" (mudando de ideias).

Escreve Barnes, citando o artista Francis Picabia, que nossas cabeças são redondas para que nossos pensamentos possam mudar de direção. Mas quantas vezes isso acontece?

O Dia D soviético - Breno Altman*

Folha de S. Paulo

Desde o fim da Segunda Guerra, narrativa anticomunista trata nazismo e bolchevismo

[ResumoAutor sustenta que a definição do país responsável por selar a derrota de Hitler se tornou o principal terreno de disputa da historiografia sobre a Segunda Guerra Mundial, influenciado pelo conflito entre EUA e URSS durante a Guerra Fria. O revisionismo ocidental, escreve, vem distorcendo eventos históricos para minimizar o papel do Exército Vermelho e justificar a teoria dos dois demônios, que compara a URSS ao regime nazista.

Batizou-se de Guerra Fria o período no qual, de 1947 a 1991, o mundo se viu dividido entre o campo capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o socialista, comandado pela União Soviética. Muitas foram as frentes desse conflito —entre elas, a historiografia. O principal choque de narrativas deu-se sobre a luta contra o nazifascismo e se estende até os nossos dias.

Cumpria papel ideológico e cultural fundamental definir qual teria sido a força decisiva na derrota da Alemanha hitlerista, empreitada na qual os soviéticos estiveram aliados às democracias liberais. Inserido na disputa geopolítica, esse debate sempre foi reavivado, nos últimos 20 anos, pela decadência do bloco ocidental.

Os fatos de guerra, porém, constituíam enorme obstáculo para o discurso antissoviético. Mais de 25 milhões de cidadãos da primeira pátria socialista haviam sido mortos, contra cerca de 1 milhão de norte-americanos e britânicos. Quando ocorreu o desembarque na França, em junho de 1944, a sorte dos alemães já estava selada: os soldados da URSS haviam quebrado a coluna vertebral dos exércitos inimigos na Batalha de Stalingrado, finalizada em fevereiro de 1943, e marchavam rumo a Berlim.

Poesia | Um dia você aprende, de William Shakespeare

 

Música | Edu Lobo e Maria Bethânia - Cirandeiro (Edu Lobo e Capinan)

 

segunda-feira, 5 de maio de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

É preciso sabedoria ao tirar proveito do avanço da China

O Globo

Investimento chinês bate recorde, e país responde por 41% do superávit brasileiro. Risco é criar dependência

É crescente a importância global da China — e ela só tende a aumentar com o isolacionismo dos Estados Unidos sob Donald Trump. É essencial, portanto, que o Brasil tenha uma estratégia para lidar com seu maior parceiro comercial, de que se torna a cada dia mais dependente como fonte de investimentos e destino de exportações. Há, em virtude da guinada na política externa americana, clara intenção chinesa de aprofundar as relações com países latino-americanos. É uma situação que exigirá da nossa diplomacia sabedoria para aproveitar as oportunidades e evitar as armadilhas.

Em 2024, o Brasil obteve superávit comercial de US$ 30,8 bilhões com a China (US$ 94,4 bilhões em exportações e US$ 63,6 bilhões em importações). Os investimentos chineses bateram recorde pelo quarto ano consecutivo, alcançando US$ 73 bilhões, segundo dados preliminares do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Confirmada a estimativa, os chineses estão em quinto lugar como investidores no Brasil, atrás de americanos, holandeses, franceses e espanhóis.

Opinião do dia – Karl Marx* (saber, conhecimento)

"Uma nação é verdadeiramente rica quando se trabalha 6 horas em lugar de 12. A riqueza não é o comando sobre tempo de trabalho excedente (riqueza real), mas ‘tempo disponível’ para cada individuo e toda a sociedade para além do usado na produção imediata.

A natureza não constrói máquinas nem locomotivas, ferrovias, telégrafos elétricos, máquinas de fiar automáticas, etc. Elas são produtos da indústria humana; material natural transformado em órgãos da vontade humana sobre a natureza ou de sua atividade na natureza. Elas são órgãos do cérebro humano criados pela mão humana; força do saber objetivada. O desenvolvimento do ‘capital fixo’ indica até que ponto o saber social geral, conhecimento, deveio força produtiva imediata e, em consequência, até que ponto as próprias condições do processo vital da sociedade ficaram sob o controle do intelecto geral e foram reorganizadas em conformidade com ele. Até que ponto as forças produtivas da sociedade são produzidas, não só na forma do saber, mas como órgãos imediatos da práxis social; do processo real da vida. " 

*Karl Marx (1818-1883) – Grundrisse, p. 589. Boitempo, 1ª Edição 2011. Escrito entre 1857-1858.

Transformações no mundo do trabalho e a jornada 6x1 - Bruno Carazza

Valor Econômico

Lideranças empresariais, em vez de reclamar da escassez de mão-de-obra, deveriam se atentar para as mudanças no mercado de trabalho

Empresários e executivos, dos mais variados setores, têm repetido à exaustão: “Está difícil encontrar quem queira trabalhar no Brasil”. A frase em geral vem acompanhada de uma crítica ao volume dos benefícios sociais distribuídos pelo governo, que estaria estimulando as pessoas a procurarem emprego. O problema, porém, é muito mais complexo.

A taxa de desocupação, medida pela Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), apresentou em março o menor patamar (7%) para um primeiro trimestre desde o início da série histórica atual, iniciada em 2012. Com o país crescendo acima de 3% ao ano desde 2021, a economia brasileira opera próximo ao pleno emprego, o que por si só já ajuda a explicar a dificuldade de contratar testemunhada pelas empresas.

Colocando em perspectiva histórica os números da Pnad, observamos que, tendo como referência o período pré-pandemia, a hipótese de que programas sociais como o Bolsa Família desincentivam o emprego parece não se sustentar. Afinal, o percentual de pessoas fora do mercado de trabalho diminuiu de 38,3% em março de 2019 para 37,8% atualmente.