O Estado de S. Paulo
Enquanto Marco Rubio costurava em Bogotá,
Quito e Lima um arco andino de governos alinhados a Donald Trump, o Brasil
assistia à debacle moral do Supremo. Não é uma confluência feliz: os Estados
Unidos intensificam drasticamente sua projeção de poder no hemisfério, quando o
Estado de Direito no Brasil expõe fissuras em sua esfera de decisão última.
Na Colômbia, Abelardo de la Espriella quer
reatar a parceria de segurança rompida por Gustavo Petro. Pediu drones, radares
e inteligência, prometeu retomar a fumigação da coca e lançou um “Plano
Patriota”.
No Equador, a aliança já estava em vigor. Daniel Noboa abriu espaço para operações conjuntas contra o narcotráfico. Rubio ofereceu US$ 45 milhões e embarcações. O país, corredor da cocaína entre Colômbia e Peru, virou laboratório da política americana.
No Peru, Keiko Fujimori aderiu ao Escudo das
Américas, coalizão de Trump contra cartéis. Por determinação de Trump, o país
já havia sido tornado aliado extra-Otan. Segurança, minerais críticos e
contenção da China são os vetores de atração para os EUA. É a “Doutrina Donroe”
em marcha: prioridade ao hemisfério, combate aos cartéis, redução da presença
chinesa e uso combinado de poder militar, comercial e financeiro. Washington
constrói uma faixa de alianças na costa do Pacífico, contígua às fronteiras
brasileiras.
ARCO. Se Flávio Bolsonaro vencer, o maior
país da região poderá completar esse arco por afinidade ideológica. Se Lula for
reeleito, Trump procurará moldar o comportamento brasileiro por meio de
pressões econômicas e a sinalização de coerção militar. Não será preciso romper
com Brasília. Bastará aumentar o preço da autonomia.
É aí que a crise do STF ganha dimensão
externa. A guerra entre ministros, as suspeitas envolvendo o Banco Master e a
dificuldade da própria Corte de investigar seus integrantes corroem sua
autoridade moral. Isso não leva necessariamente à falência da democracia. Mas
reduz o capital institucional e político para resistir a pressões estrangeiras.
O governo americano impôs sanções a Alexandre
de Moraes pela Lei Magnitsky, em julho de 2025, retirou a punição meses depois
e agora discute retomá-la. Quanto menos legítima parecer a Corte, mais fácil
será apresentar sanções contra ministros como defesa de direitos, e não
ingerência.
FRAGILIDADE. A vulnerabilidade brasileira não está apenas na Amazônia, no crime organizado, nos minerais ou na precariedade militar. Está também na qualidade de suas instituições. Potências exploram divisões internas. A melhor defesa contra a nova projeção americana não é retórica soberanista. É recuperar credibilidade em casa.

2 comentários:
o Brasil tem enterrado no mar de lama comandado pelo ditador Moraes há muito tempo nos Estados Unidos acompanham atentos a isso tudo parece que vão realmente voltas sanções em cima dos ministros burladores da Constituição Brasileira
O apodrecimento do STF causou apodrecimento da nossa democracia
A China que estava dominando o Brasil silenciosamente sem obstáculo agora encontra um adversário altura que resolveu retomar o protagonista na América Latina e tirar os comunistas da nossa região
A China é o maior parceiro comercial do nosso país, gerando emprego, empresas e renda. Isso tudo sem precisar invadir país nenhum, mas investindo. Ao contrário dos EUA que invade, sequestra e depois exige benefícios (vide Venzuela, Argentina, Colômbia e Peru). A própósito, a eleição da filha do ditador Fujimori no Peru irá nos custar a ferrovia Transoceânica, que iria encurtar de 45 para 28 dias, tornando os produtos (sobretudo o povo do Agro que quer eleger o Flávio), gerando lucro para as empresas no Brasil, emprego e renda para a população.
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