domingo, 25 de outubro de 2026

É preciso votar, por Merval Pereira

O Globo

Se ganhar a eleição é o que importa, não como governar, estaremos sempre nas mãos dos populistas de ocasião, sejam de esquerda ou de direita

A campanha eleitoral que começou anódina leva hoje às urnas milhões de eleitores que definirão o próximo presidente da República a partir de propostas antagônicas na prática, e aproximadas pela retórica eleitoral. O conservadorismo, na sua expressão mais rasteira, está em disputa. Conservar Lula e o PT no governo representa uma homenagem à carreira brilhante de um nordestino de nove dedos que não se deixou abater pelos percalços de uma vida sofrida e entrou para a história brasileira pela porta da frente, embora possa terminar com uma derrota humilhante para um rapaz, como ele chama, que não tem história nem conteúdo, e chegou onde chegou pelo sobrenome Bolsonaro, como um avatar do próprio pai, que está preso por uma tentativa de golpe.

O passado de Lula semeou não apenas a idolatria dos que o seguem, como também a peja de corrupto que o persegue. Não há um governo de Lula que não esteja envolvido em atos de corrupção, sempre com alguém de seu íntimo contato, como o filho Lulinha. A corrupção, desvendada no mensalão e reafirmada no petrolão, impediu Lula de concretizar o seu sonho de tornar-se um estadista respeitado internacionalmente. Já Flavio, tão envolvido com a corrupção quanto o adversário, estará marcado para sempre como um reles franqueado da marca Bolsonaro, e os que votam nele, votam principalmente em seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que exige dele e dos outros filhos uma obediência canina, o que deixa dúvidas reais sobre ser possível um governo seu sem o radicalismo do pai.

A destruição das bases da democracia que a muito custo implantamos no país foi o fulcro do programa de governo do pai. O filho promete mundos e fundos, sem explicar, assim como seu adversário Lula, de onde virão os investimentos necessários à manutenção de um estado de bem-estar social que não corresponde à situação financeira insolvente do país. Promete ser a cópia melhorada do pai, mas não há indícios em sua carreira de que possa vir a ser um Bolsonaro equilibrado e sensato sem ofender seu DNA.

A tendência política antagônica dos dois faz com que ambos tenham dificuldades no futuro. Flavio Bolsonaro, assim como o pai, defende o armamentismo como forma de defesa do cidadão, o que é um paradoxo injustificável no mundo civilizado. O autoritarismo que o pai defendia levou a crises perigosas, até à tentativa de golpe. O hábito americano de permitir armamentos civis tem as raízes no tempo das diligências, e mantém o belicismo com significado de defesa da cidadania, quando a lei do mais forte reinava. As democracias modernas, que queremos no país, não admitem essa visão reducionista dos direitos dos cidadãos, e fere a alma ver crianças com o uniforme do Exército fazendo arminha com os dedos.

Já a campanha de Lula, que se opõe a essa visão, montou uma estrutura do “Exército do Lula”, em que o comandante Janones dá ordens e exercita seu domínio sobre milhões de lulistas, sem admitir quebra de hierarquia. O próprio Lula, que até há pouco dizia não ter celular, se alistou no seu exército com o codinome de “Marechal Silva”. Seria cômico se não fosse trágico.

Considerado comunista por seus adversários, num mundo em que esse regime está reduzido a dois ou três países sem importância, e a China exerce um capitalismo de Estado que a coloca nos calcanhares dos Estados Unidos, que, aliás, hoje, sob Trump, pode ser qualquer coisa, menos um capitalismo exemplar, Lula já disse que é uma metamorfose ambulante e que nunca foi comunista. Ele tem, inegavelmente, uma política social altiva que ainda é necessária ao país, mas que precisa ser esgotada por um capitalismo moderno que permita o desenvolvimentos com a participação de todos.

Não há indícios nos dois candidatos a presidente de uma política econômica que nos coloque no rumo do futuro. O populismo que rege as duas campanhas deixa claro que o encaminhamento do nosso progresso não está no rumo certo. Se ganhar a eleição é o que importa, não como governar, estaremos sempre nas mãos dos populistas de ocasião, sejam de esquerda ou de direita. Mas, mais que nunca, é preciso votar.

 

Um comentário:

Anônimo disse...

Merval agora na reta final você está tirando a máscara né , quantas críticas você fez ao PT e ao Lula agora bota Flavio e Lula no mesmo saco um jovem senador com algumas acusações infundadas comparada com um presidente envolvido em diversos escândalos de corrupção, somado todo prejuízo dá mais de 1 trilhão de reais .Toda campanha do PT foi feita com dinheiro sujo
Acusado decorrupção e lavagem de dinheiro Lula foi preso julgado e condenado a 20 anos de cadeia por nove juízes em três instâncias por unanimidade
Um bandido ladrão nacionalmente conhecido comparar ao jovem Flavio é desonestidade
Vocês da imprensa não enxergam isso só vê problema no malvadão do Flávio
Agora que o Flavio vai ganhar vão começar a afiar a língua pra voltar a oposição até agora todo mundo dormindo em berço esplêndido diante do desastre administrativo econômico social e moral que o Brasil foi levado por essa política nefasta do PT e do Lula