Folha de S. Paulo
Brasileiras e brasileiros verdadeiramente
patriotas foram para as ruas defender nossas conquistas
A mudança já começou e seguirá no rumo certo;
por cada Silva do nosso imenso país, nós iremos vencer
A cada eleição,
o processo eleitoral brasileiro assiste à escalada das
plataformas digitais. Aos poucos, as telas foram tomando o espaço
que era das pessoas. Candidatos passaram a se eleger apertando o botão do
celular, sem precisar apertar a mão do eleitor. Mas, em 2026, isso mudou, e o
que vimos vai entrar para a história. O povo entendeu que esta eleição não é
entre dois candidatos. Ele, o povo, é o próprio candidato.
Vivemos um raro momento de mobilização
popular no Brasil. Milhares de movimentos de rua acontecem sem
organização partidária, de maneira viva e espontânea. O povo se juntou e tomou
para si a campanha.
De Silva em Silva, o Brasil se reencontrou na presença; no "tête-à-tête", amontoou-se e fez de muitas uma só voz.
Não abandonamos as redes. Ao contrário, ocupamos como
nunca. Um exército heroico foi montado. Abrir o celular foi motivador e não
desanimador. Mas foi nas ruas que, de maneira absoluta, nos quatro cantos do
país, nós ocupamos os corações. Uma fórmula simples mobilizou nossa gente: a
defesa do que conquistamos somada ao modelo de país que queremos no futuro.
O povo foi para a rua pela proteção de
conquistas históricas: o Bolsa Família,
o Farmácia
Popular, o Pé-de-Meia,
o Minha Casa,
Minha Vida e tantas outras políticas públicas que criamos e
consolidamos. A classe trabalhadora foi para a rua defender direitos
trabalhistas conquistados: o reajuste
salarial acima da inflação, o fim da escala
6x1 e um novo modelo
tributário, que isenta impostos das famílias e coloca os milionários
para pagar a conta. Brasileiras e brasileiros verdadeiramente patriotas também
foram para a rua defender o que é nosso: nossa soberania, nossas terras raras,
nosso petróleo e
a nossa Amazônia.
Mas não é apenas o medo de perder que
mobiliza nossa gente. O Brasil segue indo para as ruas porque quer mais. Quer
um futuro construído com desenvolvimento e humanismo, investindo e acreditando
na ciência,
na tecnologia
e na força da indústria
nacional. Nossa gente foi movida pelo sonho de dias melhores, com um país
moderno, líder em transformação
energética e capaz de proteger as nossas matas e as nossas águas.
Sim. O povo brasileiro foi para a rua dizer
que está pronto para mais. Nessa batalha contra o atraso, surge um país que não
abre mão de mais oportunidades e mais segurança
para as mulheres, de mais futuro para as crianças e de mais
qualidade de vida para os idosos. A esperança que moveu as ruas é o sentimento
de um povo bonito por natureza, diverso, alegre, de fé. Um povo que acredita
que a nossa cultura tem um poder transformador, que resiste a tudo, desde os
nossos antepassados até a juventude que tomou as ruas de todo o país.
Esta é a minha última eleição. Não é uma
disputa comum. As eleições
do Brasil ganharam destaque na disputa geopolítica do mundo moderno. A desigualdade
está crescendo no planeta, e há uma desordem mundial em curso: a
extrema direita cresce, patrocinada por um punhado de bilionários
transnacionais. O Brasil interessa muito a essa gente. Enfrentamos um sistema
que, desde a colonização, usa sua força sempre que o povo avança. As antigas
oligarquias se juntaram a poderosos emergentes de um novo mundo: plataformas
digitais, empresas de apostas, bilionários, o narcotráfico, as milícias e
uma classe política delinquente que se instalou no Parlamento brasileiro e
aprofundou seus métodos no governo Jair
Bolsonaro.
Mas nada é maior do que a união de um povo.
Nós sabemos a força inabalável quando os Silvas se juntam. Com humildade e uma
vontade enorme de construir o nosso futuro, digo ao povo brasileiro: estamos
prontos como nunca estivemos. Prontos para mais. A mudança que o nosso país
merece já começou e seguirá no rumo certo.
Por isso, por cada Silva do nosso imenso
Brasil, nós iremos vencer.
*Presidente da República, é candidato à reeleição pelo PT

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